Mudanças Climáticas: ‘Não peçam aos seus filhos respostas para a bagunça que vocês fizeram’, argumenta a ativista Greta Thunberg
IHU
Mudanças Climáticas
“As pessoas continuam me perguntando ‘qual é a solução para a crise climática’. E como podemos ‘resolver esse problema’. Elas esperam que eu saiba a resposta. Isso é um absurdo, porque não há ‘soluções’ dentro dos nossos sistemas atuais.”
A reportagem é de La Repubblica, 17-03-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Greta Thunberg. Foto: Grist.org
Depois da grande marcha pelo clima que levou às ruas mais de um milhão de pessoas, sobretudo jovens, a ativista sueca Greta Thunberg responde com um longo post no Facebook às críticas dirigidas ao movimento do qual é inspiradora.
“O argumento favorito aqui na Suécia (e em outros lugares…) é que não importa o que façamos, porque somos todos muito pequenos para fazer a diferença. A manifestação de sexta-feira foi o maior dia de ação climática global de todos os tempos, de acordo com a 350.org. Ela aconteceu porque alguns estudantes de pequenos países como a Suécia, a Bélgica e a Suíça decidiram não ir à escola, porque nada estava sendo feito sobre a crise climática. Nós provamos que o que você faz é importante e que ninguém é muito pequeno para fazer a diferença.”
A ativista, que nos últimos dias foi alvo de ataques e insultos, pede que se olhe para o problema como um todo e não para as questões individuais. “Não podemos nos focar mais apenas em questões individuais e separadas, como carros elétricos, energia nuclear, carne, aviação, biocombustíveis etc., etc. Precisamos urgentemente de uma visão holística para lidar com a crise de sustentabilidade total e o desastre ecológico em curso. E é por isso que eu sempre digo que precisamos começar a tratar a crise pelo que ela é. Porque só assim – e só guiados pela melhor ciência disponível (como está claramente afirmado em todo o Acordo de Paris) – é que podemos começar a criar juntos uma saída global.”
Greta defende os estudantes que foram às ruas. “Se nem mesmo os cientistas, os políticos, a mídia e as Nações Unidas podem falar atualmente sobre o que exatamente precisa ser feito para ‘resolver’ a crise climática (em outras palavras, reduzindo drasticamente as nossas emissões a partir de hoje), como nós, meros estudantes escolares, poderíamos saber? Como vocês podem jogar esse fardo sobre nós?”
“Então”, conclui, “por favor, parem de pedir aos seus filhos as respostas para a bagunça que vocês fizeram.”
(EcoDebate, 20/03/2019) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.
Entenda como funciona energia solar para geração elétrica em menos de 5 minutos
Se você pesquisar em portais de energia solar, a primeira coisa que verá é: existe a energia solar térmica para aquecimento de água e a energia solar fotovoltaica para geração de energia elétrica.
Muitas pessoas ainda confundem a placa de aquecimento solar, chamada de coletor solar térmico, com as placas fotovoltaicas que captam a luz do sol para conversão em eletricidade.
São estas placas, junto ao inversor solar e outros componentes, que compõem os chamados sistemas fotovoltaicos, tecnologia que ganha espaço nas casas e empresas dos brasileiros desde o final de 2012.
Foi nesse ano que a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) homologou as regras do segmento de geração distribuída, onde a pessoa instala e conecta seu gerador solar no poste da distribuidora para fazer a troca da energia com a sua rede.
Desde então o mercado explodiu, crescendo cerca de 300% ao ano e saltando de 3 sistemas em 2012 para mais de 60 mil no começo de 2019, sendo que mais de 76% deles são projetos de energia solar residencial.
De maneira simples, o conjunto de placas solares para residência, chamado de painel fotovoltaico, capta a luz do sol e a converte em energia elétrica através do chamado efeito fotovoltaico.
Toda quantidade gerada é enviada ao inversor de frequência, que converte essa energia para os padrões de nossa rede e a distribui pelo quadro de força para ser consumida normalmente nas tomadas.
O sistema funciona com a luz solar, por isso a geração oscila conforme a posição do sol, apresentando maior geração ao meio dia (sol pico) e cessando a produção durante à noite.
Com o sistema de troca de energia existente, o poste da distribuidora funciona tipo a uma bateria, que recebe energia do sistema e fornece nova energia quando necessário.
Esse vai e vem de energia é todo registrado através de um relógio de luz especial, chamado de bidirecional, que é instalado pela distribuidora no momento em que realiza a conexão do sistema a sua rede.
Toda energia que o gerador da pessoa injetou na rede vira créditos energéticos, que ela usa para abater do que consumiu da distribuidora, e o que sobra ainda vale por 5 anos.
Como os sistemas são projetados para gerar toda a energia que uma pessoa, casal ou família consomem, no final esse balanço é sempre positivo e a conta de luz é reduzida em até 95%.
Relatório oficial do Canadá sobre as mudanças climáticas revela severos impactos, agora e no futuro
Canadá: Cenários estimam ondas de calor, acidez do oceano, diminuição do gelo marinho e cobertura de neve sazonal, e o risco de escassez de água
Canada’s Changing Climate Report*
O clima do Canadá aqueceu e vai aquecer ainda mais no futuro, impulsionado pela influência humana. As emissões globais de dióxido de carbono da atividade humana determinarão em grande parte quanto o aquecimento do Canadá e do mundo experimentará no futuro, e esse aquecimento é efetivamente irreversível. {2,3, 3,3, 3,4, 4,2}
O aquecimento passado e futuro no Canadá é, em média, o dobro da magnitude do aquecimento global . O norte do Canadá se aqueceu e continuará aquecendo a mais que o dobro da taxa global. {2.2, 3.3, 4.2}
Os oceanos que cercam o Canadá se aqueceram, tornaram-se mais ácidos e menos oxigenados, o que é consistente com as mudanças oceânicas globais observadas no último século. O aquecimento dos oceanos e a perda de oxigênio se intensificarão com novas emissões de todos os gases de efeito estufa, enquanto a acidificação dos oceanos aumentará em resposta às emissões adicionais de dióxido de carbono. Essas mudanças ameaçam a saúde dos ecossistemas marinhos. {2.2, 7.2, 7.6}
Os efeitos do aquecimento generalizado são evidentes em muitas partes do Canadá e prevê-se que se intensifiquem no futuro . No Canadá, esses efeitos incluem mais calor extremo, menos frio extremo, estações de crescimento mais longas, estações de cobertura de neve e gelo mais curtas, fluxo de pico de primavera mais cedo, geleiras mais finas, descongelamento de permafrost e aumento do nível do mar. Como algum aquecimento adicional é inevitável, essas tendências continuarão. {4.2, 5.2, 5.3, 5.4, 5.5, 5.6, 6.2, 7.5}
Prevê-se que a precipitação aumente na maior parte do Canadá, em média, embora as chuvas de verão possam diminuir em algumas áreas. A precipitação aumentou em muitas partes do Canadá, e houve uma mudança para menos neve e mais chuvas. Prevê-se que a precipitação anual e de inverno aumentará em todo o Canadá no século XXI. No entanto, as reduções nas chuvas de verão são projetadas para partes do sul do Canadá sob um cenário de alta emissão no final do século. {4.3}
A disponibilidade sazonal de água doce está mudando, com um aumento do risco de escassez de abastecimento de água no verão. Os invernos mais quentes e o derretimento de neve mais cedo se combinarão para produzir fluxos de inverno mais altos, enquanto que os snowpacks menores e a perda de gelo de geleiras durante este século se combinarão para produzir vazões de verão mais baixas. Verões mais quentes aumentarão a evaporação das águas superficiais e contribuirão para reduzir a disponibilidade de água no verão no futuro, apesar de mais precipitação em alguns lugares. {4.2, 4.3, 5.2, 5.4, 6.2, 6.3, 6.4}
Um clima mais quente intensificará alguns extremos climáticos no futuro. Temperaturas quentes extremas tornar-se-ão mais frequentes e mais intensas. Isso aumentará a gravidade das ondas de calor e contribuirá para o aumento dos riscos de secas e incêndios florestais. Enquanto as inundações no interior resultam de múltiplos fatores, chuvas mais intensas aumentarão os riscos de enchentes urbanas. É incerto como as temperaturas mais quentes e os snowpacks menores se combinam para afetar a freqüência e a magnitude das inundações relacionadas à neve derretida. {4.2, 4.3, 4.4, 5.2, 6.2}
As áreas canadenses dos oceanos Ártico e Atlântico experimentaram condições mais longas e mais generalizadas de gelo marinho. Estima-se que as áreas marinhas canadenses do Ártico, incluindo o Mar de Beaufort e a Baía de Baffin, tenham períodos extensos livres de gelo durante o verão de meados do século. A última área em todo o Ártico, com o gelo do mar no verão, é projetada para o norte do Arquipélago Ártico Canadense. Esta área será um importante refúgio para espécies dependentes do gelo e uma fonte contínua de gelo potencialmente perigoso, que irá derivar para as águas canadenses. {5.3}
Espera-se que as inundações costeiras aumentem em muitas áreas do Canadá devido à subida do nível do mar local. Mudanças no nível do mar local são uma combinação da subida do nível do mar global e subsidência da terra local ou elevação. Prevê-se que o nível do mar local aumente, e aumente as inundações, ao longo da maior parte das costas do Atlântico e do Pacífico, no Canadá, e da costa de Beaufort, no Árctico, onde a terra está a diminuir ou a ser lentamente edificante. A perda de gelo marinho no Ártico e no Canadá Atlântico aumenta ainda mais o risco de danos à infraestrutura costeira e ao ecossistema como resultado de ondas e tempestades maiores. {7.5}
A taxa e a magnitude da mudança climática sob cenários de alta versus baixa emissão projetam dois futuros muito diferentes para o Canadá. Cenários com aquecimento grande e rápido ilustram os profundos efeitos no clima canadense do crescimento contínuo das emissões de gases do efeito estufa. Cenários com aquecimento limitado só ocorrerão se o Canadá e o resto do mundo reduzirem as emissões de carbono para perto de zero no início da segunda metade do século e reduzir substancialmente as emissões de outros gases de efeito estufa. Projeções baseadas em uma gama de cenários de emissão são necessárias para informar a avaliação de impacto, o gerenciamento de riscos climáticos e o desenvolvimento de políticas. {todos os capítulos}
* Nota: para acessar o relatório oficial clique aqui.
* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
O aquecimento global interrompe a recuperação de recifes de coral
Os danos causados à Grande Barreira de Corais pelo aquecimento global comprometeram a capacidade de recuperação de seus corais, de acordo com nova pesquisa publicada na revista Nature .
ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies*
“Os corais mortos não fazem bebês”, disse o principal autor Professor Terry Hughes , Diretor do Centro ARC de Excelência para estudos do recife coral em James Cook University (JCU). “O número de novos corais instalados na Grande Barreira de Corais declinou em 89% após a perda sem precedentes de corais adultos do aquecimento global em 2016 e 2017”.
O estudo único mediu quantos corais adultos sobreviveram ao longo do maior sistema de recifes do mundo após o estresse térmico extremo, e quantos novos corais produziram para reabastecer a Grande Barreira de Corais em 2018. A perda de adultos resultou em um colapso no reabastecimento de corais em comparação com os níveis medidos em anos anteriores antes do branqueamento em massa de corais.
“O número de larvas de corais que são produzidas a cada ano, e para onde viajam antes de se estabelecerem em um recife, são componentes vitais da resiliência da Grande Barreira de Corais. Nosso estudo mostra que a resiliência dos recifes agora está severamente comprometida pelo aquecimento global ”, disse o co-autor, professor Andrew Baird .
“O maior declínio no reabastecimento, uma queda de 93% em comparação aos anos anteriores, ocorreu no coral dominante de ramificação e de mesa, o Acropora . Como adultos, esses corais fornecem a maior parte do habitat coral tridimensional que suporta milhares de outras espécies ”, disse ele.
Até agora, a Grande Barreira de Corais sofreu quatro eventos de branqueamento em massa devido ao aquecimento global, em 1998, 2002 e consecutivos em 2016 e 2017. Os cientistas preveem que a lacuna entre pares de eventos de branqueamento de corais continuará a encolher como o aquecimento global se intensifica.
“É altamente improvável que possamos escapar de um quinto ou sexto evento na próxima década”, disse o co-autor Professor Morgan Pratchett .
“Costumávamos pensar que a Grande Barreira de Corais era grande demais para falhar – até agora”, disse ele.
“Por exemplo, quando uma parte foi danificada por um ciclone, os recifes circundantes forneceram as larvas para recuperação. Mas agora, a escala de danos severos dos extremos de calor em 2016 e 2017 foi de quase 1500 km – vastamente maior que uma trilha ciclônica ”.
O professor Pratchett acrescentou que os recifes do sul que escaparam do branqueamento ainda estão em muito boas condições, mas estão muito longe para reabastecer os recifes mais ao norte.
“Há apenas uma maneira de resolver esse problema”, diz Hughes, “e isso é atacar a causa raiz do aquecimento global, reduzindo as emissões líquidas de gases do efeito estufa a zero o mais rápido possível”.
Referência:
Hughes T, Kerry J, Baird A, Connolly S, Chase T, Dietzel A, Hill T, Hoey A, Hoogenboom M, Jacobson M, Kerswell A, Madin J, Mieog A, Paley A, Pratchett M, Torda G, & Woods R (2019). ‘Global warming impairs stock–recruitment dynamics of corals’. Nature: http://dx.doi.org/10.1038/s41586-019-1081-y
* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
OMM alerta para a aceleração dos impactos das mudanças climáticas
Aceleração dos impactos das mudanças climáticas
Os sinais físicos e os impactos socioeconômicos da mudança climática estão se acelerando à medida que as concentrações recorde de gases de efeito estufa elevam as temperaturas globais em direção a níveis cada vez mais perigosos, de acordo com um novo relatório da Organização Meteorológica Mundial.
Indicadores-chave de mudança climática estão se tornando mais pronunciados. Os níveis de dióxido de carbono, que estavam em 357,0 partes por milhão quando a declaração foi publicada pela primeira vez em 1994, continuam subindo – para 405,5 partes por milhão em 2017. Para 2018 e 2019, as concentrações de gases de efeito estufa devem aumentar ainda mais.
Destaques da Declaração da OMM sobre o estado do clima global em 2018
Impactos climáticos (com base na contribuição das agências parceiras da ONU)
Perigos : Em 2018, a maioria dos perigos naturais que afetaram quase 62 milhões de pessoas foram associados a eventos meteorológicos e climáticos extremos. As inundações continuaram a afetar o maior número de pessoas, mais de 35 milhões, de acordo com uma análise de 281 eventos registrados pelo Centro de Pesquisa sobre Epidemiologia de Desastres (CRED) e a Estratégia Internacional da ONU para Redução de Risco de Desastres.
O furacão Florence e Michael foram dois dos catorze “desastres bilionários” em 2018 nos Estados Unidos da América (EUA). Eles provocaram cerca de US $ 49 bilhões em danos e mais de 100 mortes. O super tufão Mangkhut afetou mais de 2,4 milhões de pessoas e matou pelo menos 134 pessoas, principalmente nas Filipinas.
Mais de 1.600 mortes foram associadas a intensas ondas de calor e incêndios florestais na Europa, Japão e EUA, onde foram associados a prejuízos econômicos recordes de quase US $ 24 bilhões nos EUA. O estado indiano de Kerala sofreu as maiores chuvas e as piores inundações em quase um século.
Segurança alimentar : A exposição do setor agrícola aos extremos climáticos está ameaçando reverter os ganhos obtidos no combate à desnutrição. Novas evidências mostram um aumento contínuo da fome no mundo após um declínio prolongado, segundo dados compilados por agências das Nações Unidas, incluindo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação eo Programa Mundial de Alimentos. Em 2017, o número de pessoas subnutridas foi estimado em 821 milhões, em parte devido a secas severas associadas ao forte El Niño de 2015–2016.
Deslocamento : Dos 17.7 milhões de pessoas deslocadas internamente (IDPs) rastreadas pela Organização Internacional para Migração, mais de 2 milhões de pessoas foram deslocadas devido a desastres ligados a clima e eventos climáticos em setembro de 2018. Secas, inundações e tempestades (incluindo furacões e ciclones) são os eventos que levaram ao deslocamento mais induzido por desastres em 2018. Em todos os casos, as populações deslocadas têm necessidades e vulnerabilidades de proteção.
De acordo com a Rede de Monitoramento de Proteção e Retorno do ACNUR, cerca de 883 mil novos deslocamentos internos foram registrados entre janeiro e dezembro de 2018, dos quais 32% estavam associados a inundações e 29% a secas.
Calor, Qualidade do Ar e Saúde: Existem muitas interconexões entre clima e qualidade do ar, que estão sendo exacerbadas pelas mudanças climáticas. Entre 2000 e 2016, estima-se que o número de pessoas expostas às ondas de calor aumentou em cerca de 125 milhões de pessoas, pois a duração média das ondas de calor individuais foi 0,37 dias a mais, em comparação com 1986 e 2008, segundo a Organização Mundial de Saúde. . Essas tendências geram alarme para a comunidade de saúde pública, já que eventos extremos de temperatura devem aumentar ainda mais sua intensidade, freqüência e duração.
Os impactos ambientais incluem o branqueamento de corais e níveis reduzidos de oxigênio nos oceanos. Outros incluem a perda do “Carbono Azul” associado a ecossistemas costeiros, como manguezais, ervas marinhas e salinas; e ecossistemas através de uma variedade de paisagens. Espera-se que o aquecimento global contribua para a diminuição observada de oxigênio nos oceanos abertos e costeiros, incluindo estuários e mares semifechados. Desde meados do século passado, houve uma redução estimada de 1-2% no estoque global de oxigênio nos oceanos, de acordo com a Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO (UNESCO-IOC).
As mudanças climáticas surgiram como uma ameaça significativa aos ecossistemas da turfeira, porque agravam os efeitos da drenagem e aumentam o risco de incêndio, segundo a ONU-Meio Ambiente. As turfeiras são importantes para as sociedades humanas em todo o mundo. Contribuem significativamente para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas por meio do sequestro e armazenamento de carbono, conservação da biodiversidade, regime de água e regulação da qualidade, e fornecimento de outros serviços ecossistêmicos que sustentam os meios de subsistência.
Indicadores climáticos
Calor oceânico : 2018 registrou novos recordes de calor nos oceanos nos 700 metros superiores (registro de dados iniciado em 1955) e superiores a 2000m (recorde de dados iniciado em 2005), superando o recorde anterior estabelecido em 2017. Mais de 90% da energia aprisionado pelos gases do efeito estufa vai para os oceanos e o conteúdo de calor do oceano fornece uma medida direta desse acúmulo de energia nas camadas superiores do oceano.
Nível do mar: o nível do mar continua a subir a uma taxa acelerada. A média global do nível do mar (GMSL) para 2018 foi de cerca de 3,7 milímetros maior do que em 2017 e a mais alta registrada. No período de janeiro de 1993 a dezembro de 2018, a taxa média de aumento é de 3,15 ± 0,3 mm por ano, enquanto a aceleração estimada é de 0,1 mm por ano. O aumento da perda de massa de gelo das camadas de gelo é a principal causa da aceleração de GMSL, conforme revelado pela altimetria por satélite, de acordo com o grupo de orçamento global para o nível do mar do World Climate Research Program, 2018.
Acidificação oceânica : Na última década, os oceanos absorveram cerca de 30% das emissões antropogênicas de CO2. O CO2 absorvido reage com a água do mar e altera o pH do oceano. Este processo é conhecido como acidificação oceânica, que pode afetar a capacidade de organismos marinhos, como moluscos e corais construtores de recifes, de construir e manter conchas e material esquelético. Observações em mar aberto nos últimos 30 anos mostraram uma tendência clara de diminuir o pH. Em consonância com relatórios e projeções anteriores, a acidificação oceânica está em andamento e os níveis globais de pH continuam diminuindo, de acordo com a UNESCO-IOC.
Gelo marinho: a extensão do gelo do oceano Ártico estava bem abaixo da média ao longo de 2018 e estava em níveis baixos recordes nos dois primeiros meses do ano. O máximo anual ocorreu em meados de março e foi o terceiro menor nível de março no recorde de satélite de 1979-2018. A extensão mensal do gelo marítimo de setembro foi a sexta menor extensão de setembro registrada. As 12 menores extensões de setembro ocorreram desde 2007. No final de 2018, a extensão diária do gelo estava próxima dos níveis recordes.
A extensão do gelo do mar Antártico atingiu seu máximo anual no final de setembro e início de outubro. Após a extensão máxima no início da primavera, o gelo do Oceano Antártico diminuiu rapidamente, com a classificação mensal entre os cinco menores de cada mês até o final de 2018.
Informe da Organização Meteorológica Mundial (OMM), com tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
The Blue Economy (Economia Azul) . Imagem: Sustainable Blue Economy Conference
Economia Azul
[EcoDebate] Gunter Pauli, fundador do “Zero Emissions Research and Initiatives”, economista, professor, empresário e autor do livro “The Blue Economy: teen years, one hundred innovations, one hundred millions of jobs” se tornou novo paradigma da autopoiese social e da metamorfose civilizatória necessária.
Ele defende que os “ecossistemas funcionam com o que tem à sua disposição e dependem, antes de tudo, das leis da física. Devemos criar uma economia baseada nesses princípios”, propõe Gunter Pauli em artigo aqui apresentado e comentado.
O mundo precisa de um novo modelo econômico. Quem pode duvidar disto quando se debate sobre a mudança climática, embora as temperaturas da Terra continuem subindo, e sejam alarmantes tanto o desemprego quanto a pobreza, diz ele.
Utilizando uma interpretação livre das proposições de Niklas Luhmann, aqui tem se proposto uma nova autopoiese para o equilíbrio do arranjo social.
A economia planejada nunca foi capaz de distribuir recursos de maneira eficiente. Já a economia de mercado evoluiu para um sistema que perseguia a expansão permanente e aumento constante da produtividade, incompatível com a finitude dos recursos naturais. Isto segundo Gunter Pauli, desencadeou uma onda de fusões e aquisições, financiada com crescente endividamento.
Quando as dívidas ficaram insustentáveis, os feiticeiros das finanças inventaram sofisticados instrumentos que criaram ativos lastreados em virtualidades. Este esquema mostra visíveis sinais de saturação.
Os promotores da economia verde questionam o crescimento e afirmam que deve ir além do dinheiro para erradicar a fome e a pobreza. Se deve conseguir a educação primária universal, promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres.
Contudo, apesar de todas suas boas intenções, a economia verde não conseguiu decolar. Ocorre que os governos subsidiem estes arranjos, que as empresas aceitem lucros menores e que os consumidores paguem mais.
Isto é viável com crescimento e elevado nível de ocupação, mas é difícil quando os governos estão em bancarrota, a demanda e a confiança dos consumidores caem, e aos mais jovens se diz que não há trabalho, ao mesmo tempo que um bilhão de pessoas vivem na pobreza.
Chega a hora de adotar inovações, que não podem ser apanágios e vão além de nosso romance com a natureza e de nosso pessimismo com a economia. É um redesenho pragmático, inspirado nos ecossistemas.
É necessário resolver as questões de recursos hídricos, alimentos e saúde com estratégias de longo prazo para construir capital social. É preciso também descobrir soluções que não gerem consequências indesejadas, como pode ser a carestia dos alimentos devido ao uso de cereais para produzir biocombustíveis, ou o emprego do óleo de palma para produção de sabonetes biodegradáveis, destruindo enormes extensões de selva tropical.
O autor fala: “em nosso impulso de abraçar a sustentabilidade, toleramos “danos colaterais”, como quando combatemos o terrorismo. Os ecossistemas proporcionam inspiração para criar um novo modelo que transcenda o que até agora conhecemos. Isto é o que chamo economia azul em meu livro ‘The Blue Economy’”.
Os ecossistemas fornecem nutrientes e energia em cascata, como demonstrou o assombroso trabalho do engenheiro sanitarista George Chan, tomando o melhor da permacultura e levando a um novo paradigma de eficiência.
Nos modelos de Chan, postos em prática na Colômbia, Namíbia e Fiji, vemos que a biomassa já usada se converte em meio para o crescimento de fungos, de modo que esse substrato aparentemente esgotado se transforma em rica proteína para alimentação do gado.
Por sua vez, as bactérias inoculadas no esterco do próprio gado geram biogás em um digestor, enquanto o líquido lodoso resultante dessa operação é um nutriente para as algas que promovem a criação do plâncton, que se converte em alimento para os peixes e enriquece as águas de irrigação.
No Brasil, o biólogo Jorge Alberto Vieira Costa reutiliza o dióxido de carbono residual de uma usina elétrica movida a carvão para alimentar a alga espirulina, que por sua vez produz alimento rico em proteínas, sendo usada para fabricar biocombustíveis.
Os ecossistemas operam com o que tem à sua disposição e dependem antes de tudo das leis da física.
Os fenômenos físicos são previsíveis e não têm exceções, o ar quente se eleva, a água fria cai. Seguir estes princípios permite reduzir ou eliminar resíduos metálicos, substâncias químicas processadas e energia não renovável.
Os mecanismos desenvolvidos pelas zebras e pelos cupins mostram mais domínio do ar e da umidade do que qualquer de nossas soluções mecânicas ou eletrônicas.
Isto é visto nos projetos do arquiteto Anderes Nyquist, desenvolvidos na escola Laggarberg, da Suécia, no hospital de campanha do grupo Gaviotas em Vichada, Colômbia, e no Eastgate Center de Harare, no Zimbábue, onde o ar é contínua e permanentemente refrescado, sem necessidade de bombas ou refrigeradores.
A mesma lógica é aplicada para gerar eletricidade. Cada ecossistema gera correntes elétricas pelas diferenças de pressão, de pH e de temperatura. Estas microcorrentes são suficientes para substituir milhares de milhões de baterias contaminantes.
Esta ideia foi aprovada no Instituto Fraunhofer da Alemanha, onde foi criado um protótipo de telefone celular que gera eletricidade a partir da diferença de temperatura entre o aparelho e o corpo do usuário, e que converte a pressão da voz em piezoeletricidade, que é a propriedade de certos cristais de se polarizarem eletricamente quando submetidos à pressão. Isto fornece energia para transmitir a voz enquanto se fala.
A economia azul deseja expor, não impor, as enormes possibilidades da ciência para que possa emergir, quanto antes melhor, um novo e competitivo modelo econômico. Foram explanadas concepções que parecem futuristas, mas na verdade são inovações coerentes e criativas que demonstram como a economia azul irá se desenvolver.
Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.
Referência:
**** Nota da redação, a indicação do link de referência foi removida porque o site de destino redireciona para um site malicioso.
Humanidade consome recursos da Terra a taxas insustentáveis, alerta a ONU
Humanidade consome recursos da Terra a taxas insustentáveis
George Monbiot, correspondente do jornal britânico The Guardian e conhecido por seu ativismo ambiental e político, fez um apelo surpreendente para que as pessoas no Reino Unido reduzissem o uso de carros em 90% ao longo da próxima década.
Muitos indivíduos podem se mostrar avessos a essa ideia, mas talvez ela soe um pouco menos bizarra à luz de um novo relatório da ONU Meio Ambiente sobre a taxa com que estamos abocanhando os recursos do planeta Terra.
ONU
Refinaria de petróleo na Colômbia. Foto: Flickr/Aris Gionis (CC)
A indústria global do automóvel necessita de quantidades enormes de metais vindos da mineração, assim como de outros recursos naturais, como a borracha. E a transição para os veículos elétricos, embora necessária para conter a poluição do ar e as emissões de gases do efeito estufa, também tem consequências adversas para a natureza — a mineração em larga escala do lítio para as baterias usadas nos veículos elétricos poderia provocar novas dores de cabeça ambientais.
O Panorama Global sobre Recursos 2019, relatório da ONU Meio Ambiente preparado pelo Painel Internacional sobre Recursos, examina as tendências em recursos naturais e nos seus padrões correspondentes de consumo desde os anos 1970. Entre as principais descobertas da pesquisa, estão as seguintes conclusões:
A extração e o processamento de materiais, combustíveis e alimentos contribuem com metade do total de emissões globais de gases do efeito estufa e com mais de 90% da perda da biodiversidade e do estresse hídrico;
A extração de recursos mais do que triplicou desde 1970, incluindo um aumento de cinco vezes no uso de minerais não metálicos e um aumento de 45% no uso de combustíveis fósseis;
Até 2060, o uso global de materiais poderia dobrar para 190 bilhões de toneladas (a partir dos atuais 92 bilhões), enquanto as emissões de gases do efeito estufa poderiam aumentar 43%.
Além dos transportes, outro grande consumidor de recursos é o setor de construção, que cresce rapidamente.
O cimento, o insumo fundamental para a produção de concreto, o material de construção mais usado no mundo, é uma grande fonte de gases do efeito estufa e responde por algo em torno de 8% das emissões de dióxido de carbono, de acordo com um relatório recente da Chatham House.
Tanto a produção de concreto quanto a de argila (para tijolos) incluem processos que consomem muita energia para a extração de matéria-prima, além de etapas de transporte e uso de combustíveis para o aquecimento de fornos.
A areia de qualidade para uso na construção está sendo extraída atualmente a taxas insustentáveis.
“A extração de materiais é um dos principais responsáveis pelas mudanças climáticas e perda da biodiversidade — um desafio que só vai piorar a não ser que o mundo empreenda urgentemente uma reforma sistemática do uso de recursos”, afirma o especialista em mudanças climáticas da ONU Meio Ambiente, Niklas Hagelberg. “Tal reforma é tão necessária quanto possível.”
Transição energética
Dados de 2014 do Banco Mundial mostram que 66% da energia global é fornecida por combustíveis fósseis. A diretora-executiva interina da ONU Meio Ambiente, Joyce Msuya, pediu a aceleração da transição energética, dos combustíveis fósseis — carvão, petróleo e gás — para fontes renováveis de energia, como eólica e solar.
“Precisamos ver uma mudança quase total para as fontes renováveis de energia, que têm o poder de transformar vidas e economias ao mesmo tempo em que protegem o planeta”, afirmou a dirigente em uma carta para os participantes da Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, realizada recentemente em Nairóbi, no Quênia.
O chamado da chefe da ONU Meio Ambiente veio poucos dias após o fundo soberano da Noruega — o maior do mundo, de 1 trilhão de dólares — sinalizar que planeja vender algumas das suas ações em empresas de petróleo e gás. A manobra é um golpe simbólico na indústria dos combustíveis fósseis, que vai reverberar entre empresas de energia e seus investidores.
“Agora, mais do que nunca, uma ação urgente e sem precedentes é exigida de todas as nações” para reduzir o aquecimento global, afirma o Relatório de Lacuna de Emissões da ONU Meio Ambiente de 2018. “Para transpor a lacuna de emissões de 2030 e garantir uma descarbonização de longo prazo, os países também têm que aprimorar as suas ambições de mitigação”, acrescenta o documento.
O Painel Internacional sobre Recursos foi lançado pela ONU Meio Ambiente em 2007, para construir e compartilhar os conhecimentos necessários para melhorar o nosso uso de recursos no mundo todo. O painel é formado por cientistas eminentes, altamente qualificados em questões de gestão de recursos, tanto de países desenvolvidos quanto de países em desenvolvimento, além de integrantes da sociedade civil e de organizações industriais e internacionais.
Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/04/2019
Exposição a metais pesados e riscos de doenças cardiovasculares
Área impactada em Brumadinho/MG. Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros de Minas Gerais / EBC
O rompimento da barragem ocorrido em Brumadinho/MG desencadeou gravíssimos prejuízos para diversas famílias. De acordo com uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, a área das populações afetadas abrange dezenas de quilômetros no raio do Rio Paraopeba. A possibilidade de um surto de doenças já foi levantada, incluindo febre amarela, dengue, leptospirose e esquistossomose. Ademais, os efeitos em curto prazo da exposição aos metais pesados (alumínio, manganês, ferro, por exemplo) têm relação com sintomas como tontura, diarreia e vômito, devido ao impacto no sistema nervoso central.
Dentro desse contexto, o Centro de Estudos do Sistema Nervoso Autônomo, grupo de pesquisa cadastrado no CNPq vinculado à Unesp em Marília, levantou estudos que investigaram a relação da exposição aos metais pesados com riscos de doenças cardiovasculares. A intenção é alertar a população que foi e que está sendo exposta aos metais pesados oriundos do rompimento da barragem em Brumadinho-MG. É importante destacar que moradores, trabalhadores, sobreviventes, bombeiros e equipe de imprensa que se deslocaram para a região de Brumadinho se encontram nessa condição.
A exposição aos metais pesados pode ocorrer de duas maneiras: 1) Ingestão por via oral; 2) Exposição por via respiratória, pela cavidade nasal.
Por via oral, os metais pesados chegam até a corrente sanguínea após passar pelo trato gastrointestinal. Quando a exposição é por via respiratória, os metais pesados entram na corrente sanguínea por meio do contato dos alvéolos com os vasos sanguíneos, de modo que os metais pesados são depositados no sangue.
Dentro da corrente sanguínea, os metais pesados causam aumento do estresse oxidativo e peroxidação lipídica em nível celular. Deste modo, a exposição aos metais pesados afeta negativamente importantes órgãos do corpo humano.
Um grupo de pesquisadores do Japão já havia evidenciado que a exposição aos metais pesados é responsável por respostas fisiopatológicas maléficas para a célula. Dentre esses efeitos, foram observados comprometimentos da musculatura lisa dos vasos sanguíneos, facilitando o desenvolvimento de doenças vasculares.
Outra pesquisa realizada nos Estados Unidos mostrou que os vasos sanguíneos são um alvo crítico da toxicidade da exposição ao metal pesado. Além disso, foi reforçado que as ações dos metais pesados sobre os vasos sanguíneos podem desempenhar funções importantes na mediação dos efeitos fisiopatológicos em diferentes órgãos, como rins, pulmões e fígado. Essa exposição compromete significativamente o funcionamento desses órgãos.
Em 2014, dados levantados pelo Houston Methodist Research Institute apontaram que existem evidências convincentes ligando a toxicidade do metal pesado à disfunção neuronal. Nesse sentido, o comprometimento dos neurônios influencia os reflexos cardiovasculares, colaborando para o desenvolvimento de doenças como hipertensão, arritmias e acidente vascular encefálico.
Por último, mais recentemente, pesquisadores da NC State University, também dos Estados Unidos, levantaram 36 estudos epidemiológicos e indicaram o impacto negativo da exposição aos metais pesados no desenvolvimento da síndrome metabólica, que abrange quadros como diabetes, dislipidemia, obesidade e hipertensão.
Em suma, as pesquisas levantadas indicam alto grau de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares em indivíduos expostos aos metais pesados na região de Brumadinho e ao redor do Rio Paraopeba. Portanto, é muito importante que a saúde de pessoas nessas condições seja monitorada constantemente.
* Vitor Engrácia Valenti é coordenador do Centro de Estudos do Sistema Nervoso Autônomo, cujo foco é o estudo dos aspectos fisiológicos envolvidos com a regulação do ritmo cardíaco. E-mail: vitor.valenti@unesp.br
Os sete maiores países da África, artigo de José Eustáquio Diniz Alves
[EcoDebate] Os sete maiores países da África, em termos demográficos, no ano de 2018, eram Nigéria (196 milhões de habitantes), Etiópia (108 milhões), Egito (99 milhões), República Democrática do Congo (84 milhões), Tanzânia (59 milhões), África do Sul (57 milhões) e Quênia (51 milhões).
Mas como mostra o gráfico acima, com dados da projeção média da Divisão de População da ONU, esta ordem vai mudar nos próximos 40 anos. A Nigéria continuará sendo o país mais populoso da África e será o terceiro mais populoso do mundo até 2045, quando terá 371 milhões de habitantes. A Etiópia, com 179 milhões em 2045, continuará sendo o segundo país africano em termos populacionais. A República Democrática do Congo alcançará o terceiro lugar (177 milhões) em 2045, ultrapassando o Egito que deverá ficar com 146 milhões (quarto lugar). A Tanzânia com 123 milhões ficará em quinto lugar. O Quênia, com 88 milhões de habitantes em 2045 ficará em sexto lugar e a África do Sul, com 71 milhões, cairá para o sétimo lugar. Em 2015, os 7 países, em conjunto, tinham uma população de 607 milhões e devem saltar para 1,16 bilhão de habitantes em 2045.
Em termos econômicos, segundo dados do FMI, em poder de paridade de compra (ppp), o país que tinha o maior Produto Interno Bruto (PIB) do continente, em 1980, era a África do Sul (US$ 135 bilhões). Em segundo lugar vinha o Egito (US$ 91 bilhões). O FMI não tem dados para a Nigéria na década de 1980 (mas provavelmente ela estava em terceiro lugar). A RD Congo vinha em quarto lugar com US$ 20 bilhões. O Quênia (com US$ 16 bilhões) estava em quinto, a Tanzânia com 11 bilhões estava em sexto e a Etiópia com US$ 10,7 bilhões estava em sétimo lugar. Em 1990 esta ordem não tinha mudado.
Mas em 2020, o FMI aponta o Egito em primeiro lugar, com PIB de US$ 1,5 trilhão, a Nigéria em segundo (US$ 1,3 trilhão) e a África do Sul, com US$ 857 bilhões em terceiro lugar. Em quarto lugar, com PIB de US$ 271 bilhões, aparece a Etiópia (que em 1980 estava em sétimo lugar). A Etiópia é, ao longo dos anos 2000, o país com maior crescimento econômico do continente africano e pode ultrapassar a África do Sul nos próximos 20 anos. Em quinto lugar a Tanzânia (US$ 209 bilhões), em sexto o Quênia com PIB de US$ 206 bilhões e em sétimo a RD do Congo com somente US$ 82 bilhões. No conjunto, os sete maiores países da África terão um PIB de US$ 4,4 trilhões em 2020 (equivalente ao PIB da Indonésia).
O país com a maior renda per capita é a África do Sul, que manteve um nível acima de US$ 10 mil durante quase todo o período entre 1980 e 2020, mas teve uma renda praticamente estagnada e deve ser ultrapassada pelo Egito em 2020, com renda pouco acima de US$ 12 mil (o Brasil deve ter uma renda per capita de US$ 15 mil em 2020). Em terceiro lugar vem a Nigéria, com renda entre US$ 6 mil e US$ 5 mil na última década (mas com viés de baixa). Em quarto e quinto lugares aparecem o Quênia (US$ 3,5 mil) e a Tanzânia (US$ 3,4 mil), em 2020. Em sexto lugar está a Etiópia com renda per capita de US$ 2,4 mil, em 2020 (embora seja o país que apresenta o maior crescimento da renda per capita). Por último, aparece a República Democrática do Congo com somente US$ 741 mil, em 2020.
Em geral, os países com maiores taxas de crescimento demográfico são os que apresentam menor crescimento da renda per capita, com exceção da África do Sul, que apresenta as menores taxas de crescimento, tanto da população, quanto da economia. O melhor desempenho nas duas últimas décadas é da Etiópia, que é chamada a “China da África”. A República Democrática do Congo tem o pior desempenho e é claramente um país preso na armadilha da extrema pobreza. Quênia e Tanzânia também são países presos à armadilha da pobreza e a Nigéria é o país com o maior número absoluto de pessoas em situação de pobreza e de extrema pobreza.
Dos sete maiores países da África, nota-se uma tendência de alto crescimento demográfico (com exceção da África do Sul) e de baixo crescimento econômico (com exceção da Etiópia nas duas últimas décadas). A população destes sete países vai, praticamente, dobrar até 2045, trazendo sérios desafios para a redução da pobreza e para a conservação do meio ambiente. A África do Sul e o Egito lutam para atingir o estágio de renda média, enquanto os demais países lutam para sair da pobreza e a República Democrática do Congo luta para abandonar a situação de extrema pobreza.
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br