sexta-feira, 7 de março de 2014

GEOGRAFIA / INFOENEM



Posted: 07 Mar 2014 09:59 AM PST
Um dos temas mais recorrentes na área de Ciências Humanas (mais especificamente a disciplina de Geografia) no Enem e vestibulares está, sem sombra de dúvidas, ligado as ações do homem e seu impacto sobre o meio ambiente.
Dentro deste conteúdo mais amplo podemos destacar as Fontes Energéticas. Provavelmente você já respondeu a alguma questão ou ouviu / leu alguma matéria sobre a polêmica construção da Usina Hidrelétrica de Belo monte (PA), que dividiu opiniões entre o enorme fornecimento energético que irá proporcionar e o impacto ambiental e prejuízo que causará aos agricultores locais e a população ribeirinha indígena.
Questões como esta são um prato cheio para qualquer concurso ou processo seletivo. E para lhe deixar mais por dentro do assunto, vamos revisar brevemente as fontes de energia e trazer um exemplo de questão sobre o tema cobrado na edição passada do Enem.
Atualmente o homem se utiliza de fontes energéticas que podem ser classificadas como não renováveis e renováveis. As fonte não renováveis são aquelas que não podem ser produzidas pela natureza ou levam grande escala de tempo para serem disponibilizadas. Seus principais representantes são carvão, gás natural, petróleo e energia nuclear.
Já as fonte renováveis, como o próprio nome diz, são aquelas capazes de fornecer energia através da utilização de recursos que podem ser utilizados infinitamente e jamais se esgotarão na natureza. Entre seus maiores representantes temos a energia solar (obtida através do Sol), energia das marés (correntes marítimas), biomassa (matéria orgânica), hidráulica (das águas) e energia eólica (dos ventos).
Em nosso país ocorre o predomínio da utilização da energia provinda das usinas hidrelétricas, que aproveitam o potencial hidráulico dos rios. Porém, a energia eólica também vem sendo muito aproveitada no Brasil, nas regiões que possuem condições adequadas.
Veja abaixo uma questão que caiu no Enem 2013 que trata exatamente sobre este assunto. A resolução, explicação e comentários foram retirados de nossas Apostilas para o Enem 2014. Nelas o professor Bruno Picchi (UNESP) detalha todo o panorama da utilização dessa fonte energética por aqui. Vale a pena conferir!

Enem 2013 - Questão 39 – Caderno Branco 
Empresa vai fornecer 230 turbinas para o segundo complexo de energia à base de ventos, no sudeste da Bahia. O Complexo Eólico Alto Sertão, em 2014, terá capacidade para gerar 375 MW (megawatts), total suficiente para abastecer uma cidade de 3 milhões de habitantes.
MATOS, C. GE busca bons ventos e fecha contrato de R$ 820 mi na Bahia. Folha de S. Paulo, 2 dez. 2012.
A opção tecnológica retratada na notícia proporciona a seguinte consequência para o sistema energético brasileiro:
a) Redução da utilização elétrica.
b) Ampliação do uso bioenergético.
c) Expansão das fontes renováveis.
d) Contenção da demanda urbano-industrial.
e) Intensificação da dependência geotérmica.

RESOLUÇÃO E COMENTÁRIOS
Alternativa C 
A geração de energia tem sido tema recorrente nas provas e concursos em todo o Brasil em razão de nosso desempenho socioeconômico expressivo. A energia elétrica apresenta crescente demanda, tanto para a providência residencial quanto para o setor secundário (indústrias). Analisemos este cenário de oferta e demanda.
O texto oferta um fragmento relativo às usinas eólicas, ou seja, transformação em energia elétrica a partir dos ventos. Para a concretização de tais usinas, é importante a questão das peculiaridades do meio, principalmente relativas às características climatológicas, pois a “matéria-prima” desta categoria de usina é o vento. O Ceará e Santa Catarina são estados que apresentam condições climáticas favoráveis à instalação de tal empreendimento.
A geração de energia pode ser provida com meios renováveis ou não renováveis. No caso das usinas eólicas, o vento é um tipo de fonte renovável. Além da garantia de perpetuação desta fonte, os impactos antrópicos são baixos, estando os ativos ambientais em sobreposição aos passivos. É considerada uma fonte de energia limpa, por não atingir a atmosfera (como no caso do desequilíbrio químico atmosférico oriundo da queima de combustíveis fósseis), porém, é necessário um planejamento para que não interfira nas rotas de aves migratórias, que podem ser vitimadas pelas hélices dos grandes cataventos das usinas. Para isso, é imprescindível a elaboração de um documento denominado Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) para o seu licenciamento.
A matriz energética brasileira é, em sua maioria, baseada em hidrelétricas, por questões climáticas e do relevo. Finalmente, pelos fragmentos do texto Sudeste da Bahia e Alto Sertão, sabemos que tais localidades não apresentam tal tendência, pois são guarnecidas por um regime pluviométrico e uma descarga hídrica dos rios incompatíveis com a instalação de uma usina hidrelétrica, sendo a opção pela energia eólica algo favorável em razão das peculiaridades do meio físico.

Para conhecer melhor nossas apostilas e ver mais exemplos das mais de 900 questões resolvidas e comentadas com esta mesma riqueza de informações, CLIQUE AQUI.


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    Artigo Original: Apostila Enem 2014: Dica de Geografia (Fontes Energéticas) Baixe gratuitamente o e-Book: Manual do Enem 2014

O BRASIL VIVE UM MOMENTO PERTURBADOR.

Conjuntura da Semana. Sociedade brasileira mergulha numa crescente anomia?
A análise da Conjuntura da Semana é uma (re)leitura das Notícias do Dia publicadas diariamente no sítio do IHU. A análise é elaborada, em fina sintonia com o Instituto Humanitas Unisinos – IHU, pelos colegas do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT e por Cesar Sanson, professor na Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN.


Sinais de anomia na sociedade brasileira

O Brasil vive um momento perturbador. Cenas de barbárie são gotejadas no noticiário e se repetem com frequência cada vez maior. Em menos de três meses o país se viu diante de um embrutecimento assustador. 2014 começa marcado pela bestialidade.

Primeiro, a notícia das mais de 60 mortes no Complexo Penitenciário de Pedrinhas no Maranhão, logo depois a imagem de um jovem negro, de apenas 15 anos, pelado, espancado e esfaqueado na orelha, amarrado a um poste pelo pescoço com uma trava de bicicleta no Rio de Janeiro.

Nos últimos dias mais cenas de selvageria. Um morador de rua foi agredido por um grupo de pessoas após furtar um frasco de xampu num supermercado na zona leste de Sorocaba. O homem foi arrastado para a rua e agredido a socos, chutes e pauladas. Um agressor chegou a quebrar uma garrafa na cabeça da vítima. Também nesses dias, um torcedor do Santos foi morto com chutes, socos e pauladas por torcedores de um time rival.

No mesmo dia, uma moradora de rua foi encontrada morta com corpo carbonizado numa região nobre Teresina-PI. Também na capital piauiense, um suspeito de assalto foi amarrado e jogado em um formigueiro no bairro Dirceu Arcoverde, no sudeste da cidade. O acontecimento chocou a população e chegou a ser destaque na mídia nacional e internacional.

A insanidade e ferocidade não cessam

Ao deparar-se com blocos de Carnaval interrompendo o trânsito, na Vila Madalena, bairro de classe média de São Paulo, um homem acelerou o carro e feriu dez pessoas. Quem estava perto o arrancou do veículo e passou a agredi-lo. Quando ele conseguiu fugir, destruíram o carro. Um casal de lésbicas foi espancado ao sair de um bloco de Carnaval, no Rio. Uma delas teve a roupa arrancada. Em Franca, no interior de São Paulo, um adolescente correu atrás de um suspeito de assalto e lhe aplicou um golpe chamado de “mata-leão” (estrangulamento). O suspeito, de 22 anos, teve um infarto após ser imobilizado e morreu no hospital. Os casos são relatados por Eliane Brum.

Casos como esses se repetem diariamente, nem todos ganham destaque na mídia. Chama a atenção a reincidência de casos em que suspeitos por furtos são amarrados em postes e são surrados. Prática que remonta a época do pelourinho do Brasil escravocrata.

A violência gratuita e fortuita irrompe na sociedade brasileira e de forma transversal atravessa todos os segmentos. “À espera do ônibus ou dentro do carro, branco, negro, pobre, rico: o Brasil se embrutece. E o Brasil nem sequer se nota”, afirma Janio de Freitas.

“Nunca se matou tanto, nunca se excluiu tanto, nunca foi tão grande a intolerância contra minorias, etnias e crenças religiosas. Hoje vivemos em cidades do medo, nas quais estar seguro é estar em casa”, diz Yvonne Bezerra de Mello que acudiu o jovem negro atado ao poste no Rio de Janeiro. Segundo ela, “aceitamos e aplaudimos jovens torturados em plena rua, aceitamos e aplaudimos execuções sumárias e demonizamos aqueles que tentam, de uma forma ou de outra, mudar esse quadro”.

O justiçamento passou a ser aceito e justificado. Emblemático a defesa veemente da jornalista do SBT Rachel Sheherazade, em horário nobre, elogiando a atitude do grupo que espancou e amarrou o jovem negro pelo pescoço no poste.

Ainda mais grave. O justiçamento tem cor e condição social preferencial. Atinge, sobretudo, os pobres e negros. A antropóloga Alba Zaluar afirma que a tese do bandido bom é bandido morto, tem endereço: “O que chamam de bandido? O pobre, negro, favelado”.

Ninguém se perguntou sobre a história do menino preso ao poste por ‘justiceiros’. Uma história carregada de tragédias da infância. O estereótipo de menino de rua e negro o condenou.

As pessoas que amarraram o jovem negro no Rio de Janeiro não apareceram do nada, diz Vladimir Safatle Segundo ele, “seus pais já apoiavam, com lágrimas de felicidade nos olhos, os assassinatos perpetrados pelo esquadrão da morte. Seus avós louvaram as virtudes do golpe militar de 1964, que colocaria de vez a ordem no lugar da baderna. Seus bisavós gostavam de ver a polícia da República Velha atirando contra grevistas com aquele horrível sotaque italiano. Seus tataravós costumavam ver cenas de negros amarrados a postes com um certo prazer incontido. Afinal, já se dizia à época, alguém tinha que pôr ordem em um país tão violento”.

A violência, intolerância, preconceito e xenofobia impressionam. São oriundos de estratos supostamente formadores de opinião e ‘esclarecidos’. Um deputado gaúcho diz que quilombolas, índios e homossexuais são “tudo o que não presta” e incita a violência. Professora universitária zomba de passageiro em aeroporto por sua aparente condição social.

Anomia institucionalizada

A violência, porém, não grassa apenas nos espaços domésticos e públicos. Ela também é institucionalizada. Recentemente, no dia 22 de fevereiro, estudantes de São Paulo num ato contra a Copa do Mundo apanharam muito da polícia. A PM paulista numa operação que ficou conhecida como ‘Tropa do Braço’ desceu o cassetete sem dó nem piedade nos estudantes. Violência gratuita segundo relato de um professor e de um estudante.

A ação policial, aliás, é um capítulo a parte na espiral da violência, sobretudo, contra os mais pobres. O caso Amarildo é a ponta do iceberg de uma pratica adotada muito mais como padrão do que exceção.

Ficou evidenciado, por pressão da sociedade, que o pedreiro foi torturado dentro da própria sede da UPP. As “técnicas” utilizadas envolviam asfixia com saco plástico na cabeça, choque elétrico na planta dos pés molhados e afogamentos na privada. Esses “métodos” são usados corriqueiramente contra “suspeitos” pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope).

A resistência dos policiais acusados em dizer onde está o corpo de Amarildo também chamou a atenção de especialistas em violência para um fenômeno cada vez mais nítido no Rio de Janeiro: o crescimento no número de desaparecimentos, que alguns relacionam com outro índice alterado, este, em queda: o registro de mortes provocadas por policiais.

O número de desaparecidos apenas no Rio de Janeiro é absurdo. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP) 6.034 desaparecimentos foram contabilizados entre novembro de 2012 e outubro de 2013. Desde o primeiro ano do governo Sérgio Cabral, as estatísticas do ISP (vinculado à Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro) apontam quase 40 mil desaparecidos. A grande e maioria deles, não divulgados e esclarecidos, resultantes da ação policial.

Quando se percebe que o agente institucional responsável pela promoção da segurança, propaga o terror ao arrepio de procedimentos aceitáveis, percebe-se o tamanho do problema.

Na opinião do sociólogo José de Souza Martins estamos diante de um perigoso vazio. Segundo ele, “a sociedade brasileira está mergulhada num cenário de crescente anomia, de corrosão das normas tradicionais de comportamento sem que novas e eficazes normas surjam para preencher o perigoso vazio".

Razões sociológicas e filosóficas da anomia

As razões da crescente anomia na sociedade brasileira são complexas.

A anomia é um conceito abordado por Durkheim. Na obra durkheimiana, a anomia é manifestação de desregramento que torna precária a vida em comum, corta laços sociais e empurra a sociedade para o imprevisível.

Durkheim preocupa-se com a “coesão social”, ou seja, a necessidade da feitura de um pacto que se manifeste em regras comuns para o convívio social. A coesão social ou a sua ausência é resultado da tensão entre dois conceitos: o da solidariedade e o da anomia. A solidariedade interna da sociedade, solidariedade qualificada por ele como “orgânica” em contraponto à “mecânica”, funda-se, sobretudo, numa ordem social que leve justiça a todos os seus membros.

Durkheim considera aceitável manifestações de anomia, que classificará como patologias, desde que não excedam determinados limites e ameacem a vida em comum na sociedade. Certamente Durkheim jamais aceitaria a tese da ‘justiça pelas próprias mãos’. Pelo contrário, é defensor da ‘nomia’ - sufixo nominal de origem grega que exprime normas, regras e leis – sustentadas pelo Estado.

Pois é disso que se trata. A sociedade brasileira dá sinais de anomia. Momentos nos quais a ‘patologia’ – no caso reincidentes manifestações de barbárie – se apresentam acima do normal e, pior, são considerados e assimilados como normais, justificáveis e até tidas como necessárias.

As razões de fundo da anomia brasileira talvez se expliquem melhor pela filosofia do que pela sociologia. Estão relacionadas a determinado tipo de modernidade que empurra-nos, paradoxalmente, para a obscuridade.

Estaríamos, na sofisticada elaboração do filósofo Henrique de Lima Vaz, diante de uma crise das intenções, atitudes e padrões de conduta que tornaram possível historicamente nosso "ser em comum” e, portanto, “das razões que asseguraram a viabilidade das sociedades humanas e o próprio predicado da socialidade tal como tem sido vivida nesses pelo menos cinco milênios de história”.

As “razões do nosso viver em comum” se estilhaçaram e com ela a sociedade perdeu seu corrimão. Na opinião do filósofo Vaz, aqui se instaura o paradoxo da modernidade que a torna um enigma. O enigma da modernidade consiste no fato de sermos "uma civilização tão prodigiosamente avançada na sua razão técnica e tão dramaticamente indigente na sua razão ética".As razões, portanto, de fundo da anomia são de ordem ética. De crise dos fundamentos que até então nos permitiam e permitem viver em sociedade, mesmo que conflituosa.

A política fracassou

Há, porém, razões mais visíveis dos riscos da instauração da anomia na sociedade brasileira e elas estão no campo da política, ou na ausência dessa em mediar o viver em comum. Os protestos de junho de 2013, aliás, são demonstração da ‘patologia’ que se instaurou no mundo da política, lento e incapaz de subordinar os interesses do mercado aos interesses públicos. O caso do transporte coletivo é apenas a ponta do iceberg.

O Brasil, lembrando Caio Prado Junior, nasce como uma empresa. Nossa dinâmica foi dada de fora para dentro. É o mercado que dá sentido ao Brasil. Mesmo o ciclo do campo da esquerda no poder vem se demonstrando incapaz de interromper essa dinâmica.

A anomia também é manifestação do fracasso da política. Do sentimento do “não me representa”.

A violência atual no cenário brasileiro é "um profundo sintoma social da vida política nacional contemporânea", constata Vladimir Safatle  Segundo ele, "a política brasileira tem se transformado na arte do silêncio. Arte de passar em silêncio sobre democracia direta, como pagar dignamente professores, como implementar uma consciência ecológica radical, como quebrar a oligopolização da economia, como taxar mais os ricos e dar mais serviços aos pobres. Mas também a arte de tentar silenciar descontentes".

Na opinião de Safatle, “já há algum tempo, a política brasileira tem expulsado muita coisa de seu interior. Tendendo, cada vez mais, a se limitar a discussões gerenciais sobre modelos relativamente consensuais de gestão socioeconômica (vide o debate recente sobre o dito "tripé econômico", do qual ninguém parece discordar), ela perde a possibilidade de mobilizar populações por meio de alternativas não testadas e que ainda contenham um forte potencial criativo. Assim, ela perde também a capacidade de acolher demandas que, mesmo sendo urgentes, sempre colidem com boas justificativas tecnicistas para serem deixadas para mais tarde”.

Nesse contexto de mutismo, diz o filósofo, “a violência aparece como a primeira revolta contra a impotência política. A história está cheia de exemplos nos quais as populações preferem a violência genérica à impotência. Ainda mais quando se confrontam com uma brutalidade policial como a nossa”.

O fracasso da esquerda

O fracasso da política visto nas manifestações, no crescimento de movimentos “não movimentos” – tipo Black Bloc - é também o fracasso do PT. “O ocaso do PT como opção transformadora foi entendido pela sociedade como o ocaso da ‘última esperança’. Agora, todos seriam iguais”, comenta Gustavo Gindre integrante do Coletivo Intervozes.

O PT, mesmo e apesar de consideráveis avanços, foi incapaz de romper com determinado modelo de desenvolvimento refém da centralidade do mercado. "Precisamos mudar a direção de um desenvolvimento que transforma as nossas cidades em espaço para carros mais do que para a cidadania. Precisamos voltar a comer comida boa e gostosa e não os venenos do agronegócio. Mas, como fazer isto com as alianças que se costuram para ganhar e manter o poder a todo custo?”, pergunta Cândido Grzybowski.

Na opinião do filosofo Renato Janine Ribeiro estamos no limite do que pode ser a inclusão social pelo consumo”. Segundo ele, “beira o ridículo negar a inclusão social promovida pelo PT. Foi substancial. Mas se deu pelo que nossa sociedade consumista mais valoriza. Melhorar radicalmente as escolas teria exigido mais verbas e protagonismo do poder público. O mesmo vale para a saúde, o transporte e a segurança públicos". Para Janine Ribeiro, "com o consumo, o PT escolheu a via do possível. Dificilmente seus adversários teriam feito melhor. Mas a trilha do consumo significa: a ideologia que ganhou foi a do shopping center".

Não se trata de culpabilizar e responsabilizar o PT pelas manifestações de anomia na sociedade brasileira. Como já vimos, suas razões são complexas. O PT, porém, acaba “dando” a sua parcela de contribuição mais do que pelo deixou de fazer do que fez.

Nesse momento é preocupante que o governo petista “patrocine” saídas autoritárias – legislação repressora como a lei antiterrorista - para abafar aqueles que protestam. A ausência da política institucional vem sendo respondida pela política das ruas. Calar as ruas é calar a política que empurra para mudanças mais substanciais.

Como destaca Eliane Brum, “os protestos iniciados em junho pelos 20 centavos e agora centrados na Copa do Mundo são um dizer. Responder a eles com repressão – seja da polícia no espaço público, seja em projetos de lei que transformam manifestantes em terroristas, seja anunciando que o Exército vai para as ruas em tempos de democracia – é uma forma brutal de não escutar aqueles que ainda se preocupam em dizer”.

Segundo ela, “é talvez a maior violência de todas. É preciso ser muito surdo para acreditar que prender todos, ‘deter para averiguação’, criminalizar manifestantes é suficiente para voltarmos a ser o Brasil cordial e contente que nunca existiu, 200 milhões em ação torcendo pela seleção canarinha. Que o dizer de quem deseja um Brasil diferente seja hoje expressado no campo simbólico do futebol é mais uma razão para escutá-lo, ao mostrar que estamos diante de novas construções do imaginário”.

Para aquilo que o governo considera anomia – padrões de manifestações que fogem do seu controle – ele propõe ‘tratamento de choque’, ‘criminalização’. Em vez de contenção, o risco é de crescimento da espiral da violência. O pretenso combate da anomia pode se transformar em mais anomia.

O surpreendente, destaca Jean Tible é o “desencontro entre as mobilizações recentes (as jornadas de junho que prosseguem de várias formas e intensidades) e o Partido dos Trabalhadores”. Segundo ele, “algumas posições-ações petistas causam surpresa (apesar de não representarem o PT como um todo): torcida – explícita ou não – pelo fim das manifestações; avaliação que estas acabaram; flerte com as perigosas vias da criminalização das ‘ações violentas’ (de manifestantes, não das polícias)”.

Para ele, “são posturas petistas contra natura, já que o PT nasce e vem desse mesmo lugar, das resistências, ruas, locais de trabalho, bairros, periferias, campo. O PT como criação ‘inédita’, por mesclar democracia e diversidade internas com uma nova forma de ocupar posições institucionais. Um partido-movimento; que vem perdendo fôlego”.

O que está em jogo é mais democracia e não menos democracia.

As crescentes manifestações de anomia na sociedade brasileira, descritas aqui, precisam de mais política. Mais política civilizatória – o social subordinando o mercado; mais investimento no espaço público – as arenas para a Copa são o contrário; mais cuidado com a pessoa, mais saúde, educação, transporte de qualidade – não apenas megainvestimentos em aeroportos, hidrelétricas,  ferrovias, portos; mais cuidado com os mais vulneráveis – indígenas, quilombolas, sem terras, periferias; mais políticas emancipatórias e não compensatórias – o bolsa família é bom, mas melhor ainda é redistribuir renda via empregos decentes, via serviços públicos de qualidade alterando a dinâmica concentradora de renda.
 Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

TRÁFICO HUMANO

Campanha da Fraternidade: A nossa responsabilidade pelo tráfico de pessoas

"E, você, que veste as roupas produzidas por tantos Josés, come o fruto de seu trabalho e mora em residências erguidas por suas mãos, saberia responder onde, neste momento, está teu irmão?" A pergunta é de Leonardo Sakamoto, jornalista, cientista político e coordenador da ONG Repórter Brasil e Xavier Plassat, frei dominicano, coordenador da campanha pela erradicação do trabalho escravo da Comissão Pastoral da Terra em artigo publicado pelo jornal Gazeta do Povo, 05-03-2014.

Eis o artigo.

Filho do patriarca Jacó, José é a primeira figura bíblica vítima do tráfico humano. José ainda pode ser encontrado em qualquer esquina do nosso mundo global. Seu nome é Sikandar, Miriam, Juan, Pedrito, Luizinha, Jerry. Seu exílio (ou inferno) chama-se Doha, Belo Monte, Dacca, Brás, Codó, Barcelona, General Carneiro, Guarulhos, Lampedusa.

José está vivo. Escondido, invisível, traficado feito mercadoria, acorrentado pelo medo, instrumentalizado para o lucro fácil, preso nos tentáculos de um velho-novo crime. Tráfico e escravidão permaneceram vivos, transformando-se e ganhando novas características que os diferenciam do passado. A finalidade é a mesma: alguém lucra, alguém é explorado.

Intermediários viabilizam o sistema. Cúmplices garantem sua sustentabilidade. As modalidades são variadas: exploração sexual, trabalho análogo ao de escravo, servidão, remoção ilegal de órgãos, casamento forçado, entre outras.

A escravidão tem na atualidade um peso nunca visto na história da humanidade. Não por acaso: aprendemos a transformar tudo em mercadoria e nos conectamos globalmente, transformando o mundo em um único e grande supermercado. A Organização Internacional do Trabalho estima em 21 milhões o número de vítimas, tanto homens como mulheres, um em cada quatro com menos de 18 anos.

No Brasil, para onde foram traficados 5 milhões de africanos, com o amparo da lei e a bênção da religião, a forma mais visível deste tráfico ainda é o trabalho escravo, presente sob as modalidades do trabalho forçado, da servidão por dívida, da jornada exaustiva e do trabalho em condições degradantes. As vítimas são aliciadas em bolsões de pobreza, dentro e fora do país. Nos últimos 20 anos foram libertadas 47 mil delas, em dois mil estabelecimentos de mais de 600 municípios. No campo, destaque para a pecuária, as lavouras do agronegócio e carvoarias. Nas cidades, a construção civil e oficinas de confecção. Para a exploração sexual, as informações quantitativas são precárias. O Brasil é tido como um dos grandes exportadores de mulheres a serem exploradas sexualmente, particularmente na Europa.

No Brasil, a mobilização contra a escravidão contemporânea iniciou-se nos anos 1970, destacando-se a figura do bispo Pedro Casaldáliga e a atuação incansável da Comissão Pastoral da Terra. Acolheram fugitivos e tornaram públicas denúncias de trabalhadores escravizados em plena floresta amazônica. A pressão em fóruns nacionais e internacionais acabou obrigando o Estado a assumir, em 1995, a causa da erradicação. A partir da ratificação do Protocolo de Palermo, tratado internacional sobre o tráfico de pessoas, em 2004, o Brasil adotou uma política nacional de enfrentamento a esse crime.

A invisibilidade das práticas do tráfico e a cegueira de muitos são algumas das dificuldades para avançar no combate a esse crime. Há quem teime em negar sua realidade, a exemplo de ruralistas em sua busca para esvaziar o conceito legal e a política nacional de combate ao trabalho escravo.

Face à idolatria que sacrifica a dignidade e a liberdade no altar do lucro, ressoa a pergunta feita a Caim: “Onde está teu irmão?” Sim, o escândalo ainda perdura, com o José bíblico renascido sob outros nomes. De nós depende que ele possa sair da invisibilidade, levantar-se, conquistar seus direitos. Oportunamente este é o desafio proposto à sociedade pela Campanha da Fraternidade lançada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. “Tráfico humano e Fraternidade” é seu lema.

E, você, que veste as roupas produzidas por tantos Josés, come o fruto de seu trabalho e mora em residências erguidas por suas mãos, saberia responder onde, neste momento, está teu irmão?
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

quarta-feira, 5 de março de 2014

VULCÃO KRAKATOA

O dia em que o mundo explodiu em Krakatoa, Java.

Em 27 de agosto de 1883, a erupção do vulcão Krakatoa, em Java, destruiu 165 cidades, matou mais de 30 mil pessoas e espalhou pelo mundo todo a notícia de que o fim dos tempos havia chegado

Carla Aranha e Pedro Kastro | 01/01/2004 00h00

Um sofisticado prato de porcelana da senhora Van der Stok, uma holandesa de meia-idade da elegante sociedade de Batavia, capital da ilha de Java, caiu da mesa e se espatifou no chão. Foi o primeiro sinal do que estava por vir. Nos quatro meses seguintes, ela e todos os moradores do arquipélago de Java sentiriam tantos tremores vindos das profundezas da Terra que o fato virou rotina. E quando começou o mês de agosto de 1883 ninguém mais se importava com aqueles pequenos terremotos cotidianos. Isto é, a não ser os próprios javaneses, que alertavam seus patrões europeus sobre a catástrofe que se anunciava. Mas os colonizadores desse pedaço do mundo, situado entre a Tailândia e a Austrália, atribuíam o pânico dos nativos à ignorância, um corpo estranho no mundo perfeitamente ordenado pelos ocidentais em Java. Em 1883, a ilha já tinha bondes, jornais e até um correspondente da agência de notícias Reuters, fundada poucos anos antes.

Por isso, às vésperas da catástrofe, quando oito pescadores entraram esbaforidos na casa de outra respeitada senhora holandesa, esposa de um certo Willem Beyerinck, relatando o que haviam visto na vizinha ilhota de Krakatoa, ela tampouco acreditou. “Imagine, jatos de cinza preta e pedras vermelhas voando pelo ar. Esses javaneses enlouqueceram”, contou horas mais tarde ao marido. Ao perceber, porém, que a fumaça que saía do vulcão aumentava a cada dia, a senhora Beyerinck, em um surto de realidade, implorou a seu marido para que a família deixasse a casa e fosse para o sítio no alto de uma colina. O marido recusou o pedido. Foi um engano fatal.
Os sinais tão insistentemente ignorados por ele e toda a minoria européia eram o ensaio de um dos maiores cataclismos que até hoje se abateram sobre a humanidade. No dia 27 de agosto de 1883, a explosão do vulcão de Krakatoa matou 36 417 pessoas (número recorde de vítimas desse tipo de catástrofe até hoje registrado) e devastou 165 cidades e vilarejos das ilhas vizinhas, provocando ondas que se propagaram até a Inglaterra.
Às 14 horas, quando essas ondas gigantes começaram a destruir as paredes da casa da senhora Beyerinck, ela e toda sua família saíram correndo morro acima. Tiveram que vencer uma chuva de pedras e cinzas enquanto a imensa parede de água os perseguia. No caminho, pessoas pisoteadas, outras desesperadas e a parede de água em sua perseguição sem trégua. Para completar, estava tudo escuro. Partículas suspensas na atmosfera, oriundas da explosão, impediam a passagem dos raios solares. Feridos, os Beyerinck chegaram ao sítio dez horas depois (o percurso era normalmente feito em três). “Pensei que era o fim do mundo, e que todos fôssemos morrer”, deixou registrado em seu diário Willem Beyrinck, cujos relatos são uma das principais fontes do livro Krakatoa – The Day the World Exploded (“Krakatoa – O Dia em que o Mundo Explodiu”), do geógrafo britânico Simon Winchester. A obra reúne depoimentos feitos à época, a repercussão em todo o mundo e as explicações científicas modernas para o cataclismo.
Sabe-se hoje que a explosão que fez em pedaços a ilha de Krakatoa tinha hora e lugar certo para acontecer. Durante milênios duas grandes placas tectônicas vinham se aproximando lentamente na região de Java e Sumatra. Hoje os geólogos sabem que o encontro dessas duas placas, uma oceânica, mais pesada, outra continental, mais leve, só poderia provocar uma destruição como aquela. A colisão de placas dessa natureza é rara, para sorte dos habitantes do planeta.
E a conseqüência desse tipo de encontro é uma só: a placa mais pesada escorrega para debaixo da borda da mais leve. Em seu mergulho para as profundezas do magma terrestre, incandescente, a placa oceânica leva junto com ela água do mar, areia, rochas e outros elementos. Tudo começa a ferver e a derreter, formando um composto viscoso e quentíssimo. Quando a pressão aumenta, esse imenso volume de gás e magma é expelido de uma vez só pela panela de pressão ideal, o vulcão mais próximo.
Foi o que aconteceu em Java em agosto de 1883. As pequenas erupções observadas pelos pescadores desde maio aumentaram de repente, e o vulcão de Krakatoa começou a expelir cinzas em tão grande quantidade que o dia virou noite. Todos os navios que transitavam pelo estreito de Sunda, entre Java e Sumatra, se perderam na escuridão. Meio mundo – 3 mil quilômetros ao redor da ilha, incluindo locais como Nova Guiné e a Austrália – sentiu o barulho considerado o mais estrondoso já produzido pela natureza.
Antes tivesse sido só um estrondo. Enormes nuvens de gás, pedra-pome em alta temperatura (naturalmente produzida em explosões vulcânicas), fogo e fumaça subiram aos céus. E o pior ainda estava por vir nas horas seguintes. Após a mais potente das quatro explosões de Krakatoa que haviam se sucedido durante o dia, a montanha cambaleou para um lado, cambaleou para outro e ruiu de vez. Ao contrário do que geralmente acontece em grandes erupções vulcânicas, a maioria das vítimas não morreu por efeito dos gases nem das gigantescas ondas de lava que cobriram a ilha. Apenas as primeiras mil estavam na área do arquipélago por onde sopravam os ventos vindos de Krakatoa, a sudeste de Sumatra, cheios de gases letais. O responsável pela morte de outras 35 500 pessoas foi a água. Ao balançar de um lado para outro, o vulcão provocou movimentos semelhantes no mar, formando uma onda de mais de 30 metros de altura.
Uma hora mais tarde, outra enorme onda, ainda maior e mais devastadora que a primeira, destruiu cidades inteiras nas ilhas do arquipélago de Java e matou milhares de pessoas de uma só vez. Para os poucos sobreviventes, não havia dúvidas. Era chegada a hora do juízo final.
Fora da compreensão dos homens, o fenômeno de Krakatoa estava estampado em todos os jornais do mundo apenas um ou dois dias depois da explosão. No final do século 19, as agências de notícias já levavam os fatos para os quatro cantos do planeta, através de uma complexa rede de cabos submarinos. Mas, se a tecnologia avançava a passos largos, a ciência apenas começava a caminhar. E, sem um respaldo de explicações científicas para a catástrofe, manchetes de jornais anunciavam o fim dos tempos. Foram necessários mais de 80 anos para que a humanidade pudesse finalmente compreender os acontecimentos daquela ilha vulcânica com nome de caranguejo – aliás, a espécie foi extinta naquele dia. Os cientistas nunca desistiram. E o nome da ilhota ficou para sempre registrado na memória humana.
A violência do mar em Java inflacionou as estatísticas de pessoas mortas por tsunamis, que é o nome japonês para aquelas ondas espetaculares. Mais da metade das vítimas de tsunamis dos últimos 250 anos morreu em 27 de agosto de 1883, em Java e Sumatra. As cidades de Anjer, Ketimbang, Telok, Merak e Tyringin foram varridas pela parede de água, assim como centenas de vilarejos. Batavia, a capital, sobreviveu por pura sorte, graças à proteção natural contra ondas oferecida pelas barreiras de coral e pequenas ilhas que a circundam. Mesmo assim, as centenas de canais que, bem ao gosto holandês, faziam parte da arquitetura da cidade transbordaram rapidamente, inundando as ruas.
Fragmentos do vulcão de Krakatoa atingiram alturas tão dramáticas na atmosfera que ficaram suspensos por quase cinco anos, modificando as cores do pôr-do-sol durante esse período na Europa, Estados Unidos, Ásia, África e América. Vermelhos intensos se transformavam em rosas vibrantes conforme a luz era refletida e filtrada pelas partículas. Em uma área rural do centro-sul dos Estados Unidos, os fazendeiros pensaram se tratar de fogo a primeira vez que viram o pôr-do-sol psicodélico, e reportaram a experiência ao jornal local. Outra conseqüência da explosão de Krakatoa foi uma sensível diminuição na temperatura global, de cerca de 1 ºC, que durou enquanto as partículas permaneceram em suspensão, dificultando a passagem dos raios solares. Esse efeito no clima fez com que se começasse a debater fenômenos como o aquecimento global, a emissão de gases na atmosfera, chuva ácida e protecão ambiental.
Os relatos deixados por aqueles que viveram o fenômeno, somados a medições feitas pelos instrumentos da época, foram de fundamental importância para a compreensão, décadas mais tarde, dos movimentos das placas tectônicas – que serve, entre outras coisas, para prever terremotos e erupções vulcânicas. A meteorologia, por sua vez, foi elevada ao status de ciência definitivamente depois dos eventos em Java, ao mesmo tempo em que algumas das mentes mais brilhantes do mundo começaram a se interessar pela geologia, então uma ciência incipiente.
A biologia também se beneficia até hoje da explosão da ilha. O que restou dela e a vida que passou a surgir ali é o maior laboratório ao ar livre do mundo. No início do século 20, várias minúsculas ilhas se formaram e foram tragadas em seguida pelo mar na região de Java. Até que uma delas, formada por pequenas erupções de dois vulcões adjacentes, conseguiu sobreviver. Batizada de Annak Krakatoa (filho de Krakatoa), ela tem o seu próprio vulcão ativo. Hoje, de um lado há o que restou do local da explosão. De outro, a nova ilha. Para os biólogos, é uma chance inestimável de assistir ao aparecimento da vida, em terra virgem, e ao ressurgimento dela na terra morta. Mas pouco a pouco a vida retornou aos restos de Krakatoa. Primeiro a relva, arbustos e palmeiras. Depois insetos e pássaros. Os répteis são os mais recentes moradores da ilha, um verdadeiro Jardim do Éden terreno, que já não inspira tanto medo quando o que assolou a pobre senhora Beyerinck.
 Fonte : Guia do Estudante

segunda-feira, 3 de março de 2014

BRASIL : DEVE PRIORIZAR A EDUCAÇÃO

Mais de 3,3 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos de idade estão fora da escola no Brasil

Em 2010, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Instituto de Estatística da UNESCO (UIS) deram início à Iniciativa Global Out of School Children (OOSC).

No Brasil, o projeto é desenvolvido em parceria com a Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Além do relatório Todas as Crianças na Escola em 2015, a iniciativa inclui a mobilização Fora da Escola Não Pode!

O desafio do País é grande. Uma análise feita pelo UNICEF e a Campanha Nacional pelo Direito à Educação mostrou que, segundo a Pesquisa por Amostragem de Domicílios (PNAD) de 2012, mais de 3,3 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos de idade estão fora da escola no Brasil. Desse total, 1,2 milhão têm 4 e 5 anos; 507 mil, de 6 a 14 anos; e mais de 1,6 milhão têm entre 15 e 17 anos.

Os indicadores mostram que as crianças e os adolescentes mais vulneráveis à exclusão escolar são os negros e os indígenas, os com deficiência, os que vivem na zona rural, no Semiárido, na Amazônia e na periferia dos grandes centros urbanos.

Para que o Brasil possa garantir a cada criança e adolescente o direito de aprender, é necessário voltar a nossa atenção para os meninos e as meninas que estão fora da escola. E também àqueles que, dentro da escola, têm os riscos de abandono e evasão aumentados devido a fatores e vulnerabilidades diversos, como a discriminação e o trabalho infantil.

A exclusão escolar é um fenômeno complexo e a sua superação requer mais do que boa vontade. É preciso que o Estado cumpra o seu dever constitucional e que haja a participação e o compromisso de toda a sociedade e de cada um de nós para garantir o acesso, a permanência, a aprendizagem e a conclusão da educação básica na idade certa.



Saiba mais sobre a campanha em http://bit.ly/ForadaEscolaNAO

Informe da ONU Brasil, publicado pelo EcoDebate, 28/02/2014

QUEIMADA NOS CANAVIAIS SÃO PREJUDICIAIS.

MPF/RJ convoca audiência pública para debater queima de cana no norte fluminense (19/03/2014)

Queimadas causam danos à saúde e ao meio ambiente

O Ministério Público Federal (MPF) em Campos dos Goytacazes (RJ) realiza no próximo dia 19 de março, entre 13h e 18h30, a audiência pública “Repensando as queimadas: a cana como fator de desenvolvimento humano”. O evento pretende debater os efeitos das queimadas à saúde e ao meio ambiente e também a cana como fator de desenvolvimento humano. Para o MPF, a cana – que possui grande importância na economia local – deve contribuir para uma melhor qualidade de vida dos plantadores, bem como da população em geral.

A audiência foi convocada pelo procurador da República Eduardo Santos de Oliveira, responsável pelo procedimento que investiga possíveis danos à atmosfera, incidência de doenças cardiovasculares e respiratórias, além de prejuízos ao ecossistema e ao solo, como consequência da queima de cana no norte fluminense. O MPF considera que a preservação do meio ambiente é de interesse social e realiza a audiência pública para permitir o debate, o acesso à informação e a participação de todo e qualquer cidadão e das sociedades organizadas.

Veja o edital da audiência aqui.

Dentre os convidados para a audiência, estão representantes do Ministério Público do Trabalho no município de Campos, do Ibama, do Ministério do Trabalho e Emprego, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, do Hospital Ferreira Machado, da Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro) e da Associação Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan).

A audiência acontece no auditório da Universidade Cândido Mendes (Avenida Anita Peçanha, 100, Parque São Caetano, Campos dos Goytacazes/RJ).

Entenda os riscos – A região norte fluminense é historicamente marcada pela cultura canavieira, fazendo uso da queima da palha da cana de açúcar. Porém, ao ser queimada, a matéria orgânica libera gases tóxicos, causando grandes transtornos ao meio ambiente e ao ser humano. O aumento da incidência de doenças respiratórias e cardiovasculares, principalmente em idosos e crianças, são consequências dessa prática. Além disso, há elevação do risco de acidentes automobilísticos, devido a baixa visibilidade, e problemas na transmissão de energia elétrica. A biota (conjunto de seres vivos do ecossistema) também é afetada pelas queimadas, o que contribui para o agravamento do efeito estufa. A fuligem, por exemplo, além de aumentar do consumo de água na limpeza doméstica, interfere no processo de fotossíntese das plantas.

Fonte: Procuradoria da República no Rio de Janeiro

EcoDebate, 03/03/2014

DIMINUIÇÃO DAS TEMPERATURAS MÉDIAS DO PLANETA

Hiato de aquecimento não afetou o aumento de temperaturas quentes extremas, indica novo estudo

Legenda: Esta imagem mostra uma série temporal de anomalias de temperatura para os extremos de calor (vermelho) e temperatura média global (preto, azul). As anomalias foram calculadas no período 1979-2010. Crédito: Nature Climate Change

[Por Alvin Stone, University of New South Wales ] Temperaturas extremamente quentes têm aumentado em número e área, apesar das alegações de que o aumento das temperaturas médias globais diminuiu nos últimos 10 a 20 anos.

Cientistas do ARC Centre of Excellence for Climate System Science e colegas internacionais fizeram a descoberta quando concentraram suas pesquisas* sobre o aumento das temperaturas no final extremo do espectro, onde os impactos são mais percebidos.

“Rapidamente se tornou claro que o chamado “hiato” das temperaturas médias globais não impediu o aumento do número, da intensidade e da área na ocorrência de dias extremamente quentes”, disse um dos autores do estudo Dr. Lisa Alexander.

“Nossa pesquisa mostrou uma tendência ascendente íngreme nas temperaturas e número de dias extremamente quentes sobre a terra e a área que eles afetam, apesar da completa ausência de um forte El Niño desde 1998.”

Os pesquisadores examinaram o extremo do espectro de temperatura, porque este é o lugar onde são esperados impactos do aquecimento global em primeiro lugar e são mais claramente percebidos. Como ocorreu com os australianos, que tiveram os últimos verões com temperaturas extremamente quentes, os eventos extremos em áreas habitadas podem ter impactos poderosos sobre nossa sociedade.

As observações também mostraram que os eventos extremamente quentes estão agora atingindo o dobro da área, quando comparado com os eventos semelhantes 30 anos atrás.

Para obter os seus resultados, os pesquisadores examinaram os dias quentes a partir de 1979. As temperaturas de cada dia durante todo o ano foram comparadas com temperaturas no mesmo dia do calendário de 1979-2012. Os eventos 10% mais quentes dos dias durante esse período foram classificados como temperaturas extremas de calor.

Globalmente, as regiões média normalmente espera-se cerca de 36,5 dias extremamente quentes em um ano. As observações mostraram que durante o período de 1997-2012, as regiões que experimentaram 10, 30 ou 50 dias extremamente quentes acima desta média, com tendência de aumento dos extremos dias quentes ao longo do tempo e da área de impacto.

A tendência consistente de aumento persistiu através do “hiato”de aquecimento, no período de 1998-2012.

“Nossa análise mostra não houve nenhuma pausa no aumento dos dias com extremos mais quentes”, disse o Dr. Markus Donat

“Outro aspecto interessante de nossa pesquisa foi que as regiões que normalmente vimos 50 ou mais dias de calor excessivo em um ano também tiveram os maiores aumentos em termos de impacto área de terra e da frequência de dias quentes. Em suma, os extremos mais quentes ficaram mais quentes e os eventos aconteceram com mais frequência. “

Enquanto as temperaturas próximas da superfície médias anuais globais são uma medida amplamente utilizada em avaliações da mudança climática, esta última pesquisa reforça que eles não são responsáveis por todos os aspectos do sistema climático.

A estagnação no aumento das temperaturas médias globais anuais, durante um período relativamente curto de 10 a 20 anos, não implica que o aquecimento global parou. Outras medidas, como temperaturas extremas, o conteúdo de calor dos oceanos e do desaparecimento do gelo em terra, mostram mudanças contínuas que são consistentes com um mundo em aquecimento.

“É importante quando tomamos o aquecimento global em conta, que nós usamos medidas que são úteis para determinar os impactos na nossa sociedade”, disse o Profa. Sonia Seneviratne da ETH Zurich, que liderou o estudo, enquanto em licença sabática no Centro ARC.

“Temperaturas médias globais são uma medida útil para os pesquisadores, mas é nos extremos que será mais provável encontrar os impactos que afetam diretamente a vida de todos nós. Claramente, estamos vendo mais extremos de calor sobre a terra com mais frequência, como resultado do reforço do efeito estufa no aquecimento. “

* No pause in the increase of hot temperature extremes, Nature Climate Change 4, 161–163 (2014) doi:10.1038/nclimate2145
http://www.nature.com/nclimate/journal/v4/n3/full/nclimate2145.html

Por Alvin Stone, University of New South Wales, no EcoDebate, 03/03/2014

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EcoDebate, 03/03/2014