quarta-feira, 25 de junho de 2014

PERDER TEMPO COM A INDISCIPLINA.

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Brasil é o país em que professor mais perde tempo com bagunça em sala de aula

O ESTADO DE S. PAULO
25 Junho 2014 | 13h 09

Uma a cada cinco horas dos docentes em classe é desperdiçada com indisciplina; levantamento foi divulgado pela OCDE

Controlar a bagunça ou pedir silêncio aos alunos consomem 20% das horas dos professores brasileiros em sala de aula. O desperdício de tempo dos docentes no País é o maior em uma lista de 32 nações. A média internacional de perdas por indisciplina é de 13%.
Isso é o que mostra a Pesquisa Nacional de Ensino e Aprendizagem (Talis) feita com 32 países, divulgada nesta quarta-feira, 25. O levantamento, com informações de 2013, foi coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Para resolver tarefas administrativas, os docentes brasileiros ainda gastam 12% das horas em sala. Isso significa que sobra apenas 68% do tempo dos professores para atividades de ensino e aprendizagem. De acordo com o estudo, um a cada quatro docentes gasta pelo menos 40% das horas em sala com tarefas que não são de ensino e aprendizagem.
O país onde os docentes gastam menos tempo com indisciplina é a Bulgária: 8% do total. Mesmo países com bons resultados em rankings internacionais, como Japão e Coreia do Sul, desperdiçam mais horas que a média internacional com a desordem em sala de aula.
Fonte : Estadão

terça-feira, 24 de junho de 2014

MARCO CIVIL DA INTERNET- 23/06/14

Marco Civil entra em vigor nesta segunda-feira

A 'Constituição da internet' traz mudanças em áreas como neutralidade de rede, liberdade de expressão e privacidade
Por Camilo Rocha
FOTO: Dida Sampaio/Estadão
SÃO PAULO – A chamada “Constituição da internet” passa a valer a partir desta segunda-feira, 23 de junho. O projeto que estabelece princípios para o uso da rede no Brasil foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff em 23 de abril. O texto do Marco Civil introduz mudanças em áreas delicadas como neutralidade de rede, liberdade de expressão e privacidade.
O texto enfrentou resistência da oposição e de setores sensíveis ao tema, como empresas do setor de telecomunicações e interessadas na proteção de direitos autorais, o que inclui companhias de TV e rádio. Uma das preocupações agora é com possíveis brechas que as teles tentarão encontrar no texto para não obedecer a exigência da neutralidade. 
O Marco Civil da Internet foi um projeto construído colaborativamente após a criação de uma plataforma na web, criada pela Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e o Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV/RJ, na qual cidadãos poderiam fazer comentários sobre o texto do projeto. O processo se estendeu de novembro de 2009 a junho de 2010 e acrescentou ao texto inicial mais de 2 mil contribuições.
NeutralidadeA exigência da neutralidade de rede é uma dos destaques do Marco Civil, que trata o tráfego de dados como a eletricidade ou o uso de uma estrada, ou seja, o serviço tem a mesma qualidade para todos e dados não podem ser diferenciados pelos provedores de conexão. Isso quer dizer que o usuário, após contratar um serviço de internet em sua casa ou celular, tem a liberdade de acessar o que quiser, baixar o tipo de conteúdo que quiser (vídeo, imagem, texto), usar os serviços que quiser (redes sociais, e-mail, serviços de armazenamento na nuvem, blogs, rádios online, serviços de streaming, VoIP, etc) sem ter de pagar mais por isso. Os provedores de conexão podem continuar vendendo velocidades de download diferentes, como 5Mbps ou 10Mpbs, mas não podem discriminar entre aplicativos ou sites específicos.
Liberdade de expressãoO Marco Civil pretende “assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura”, segundo seu texto. A partir de agora, um provedor de aplicações de internet (como o Facebook ou o Google, por exemplo) só poderá ser responsabilizado por eventuais danos que seu conteúdo tenha causada se “após ordem judicial específica, não tomar as providências para, no âmbito e nos limites técnicos do seu serviço e dentro do prazo assinalado, tornar indisponível o conteúdo apontado como infringente”. Isso significa que uma empresa como o Google não pode ser punido por não cumprir uma notificação de usuário, que lhe indicou um conteúdo indevido. A punição só deve acontecer depois de ordem judicial.
O único caso de exceção está no Artigo 22, que diz que o provedor poderá ser punido caso não retire do ar “imagens, vídeos ou outros materiais contendo cenas de nudez ou de atos sexuais de caráter privado sem autorização de seus participantes quando, após o recebimento de notificação pelo ofendido ou seu representante legal”, em referência ao que se costuma chamar de revenge porn – imagens íntimas publicadas por parceiros sexuais sem consentimento na rede.
PrivacidadeApesar de garantir o sigilo de dados e comunicações na internet, esta área tem pontos que enfrentaram críticas, mesmo de apoiadores do projeto. Segundo o texto, provedores de aplicações devem guardar registros de acesso de usuários (como, por exemplo, o dia e horário em que determinado IP entrou na internet) por até seis meses e registros de conexão(como no caso do tempo em que determinado pessoa, através de um IP, permaneceu online) por um ano, o que hoje é opcional. O objetivo é ajudar em investigações policiais de pessoas que cometem crimes na rede. Críticos, porém, acreditam que faltam garantias de que estes dados estão protegidos do acesso sem justificativas do estado.
Ainda segundo o texto, sites e aplicativos precisam informar ao usuário quando e como coletam e usam seus dados, o que inclui seu compartilhamento com outras empresas. Foi o que fez o Facebook, por exemplo, em 2013 ao dividir sem pedir autorização dados de seus clientes com o aplicativo Lulu.

sábado, 21 de junho de 2014

DEGRADAÇÃO DAS TERRAS.

ONU alerta que mais de 10 milhões de Km2 de terras estão degradadas

Presidente da Assembleia Geral disse que por quatro décadas a comunidade internacional tem trabalhado para combater a desertificação e a degradação; John Ashe disse que problema atinge mais da metade de toda a área agrícola global.
Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.
A ONU alertou que mais de 10 milhões de km² de terra estão degradadas, incluindo mais da metade de todas as áreas agrícolas do mundo. Essa região junta formaria o segundo maior país do mundo, perdendo apenas para a Federação Russa, que tem 17 milhões de km².
O presidente da Assembleia Geral, John Ashe, disse que por quatro décadas a comunidade internacional tem trabalhado para combater a desertificação e a degradação. 
Regiões Úmidas
A declaração foi feita para marcar o Dia Mundial de Combate à Desertificação, esta terça 17 de junho.
Ashe afirmou que a degradação das terras não é um problema somente das regiões secas, a maior parte está ocorrendo em áreas úmidas.
O presidente do órgão explicou que com os contínuos efeitos da mudança climática, o mundo vai permanecer sofrendo com eventos climáticos extremos, que por seu lado, vão causar uma degradação ainda maior da terra.
Ashe pediu aos Estados-membros que trabalhem juntos para mitigar os padrões de desertificação a fim de satisfazer as necessidades diárias do planeta, especialmente para a produção de alimentos.
Mudança Climática
Para ele, a mudança climática pode alterar profundamente a relação entre a água e a terra. O presidente da Assembleia disse que a quantidade de terra atual será bem diferente do que no futuro.
Ashe afirmou que se a comunidade internacional não agir rapidamente para garantir que o solo possa resistir à erosão e evitar a perda de água doce e a intrusão de água salgada na fonte subterrânea de água doce, não haverá terra arável suficiente para alimentar a população mundial.
Ele afirmou que é necessário assegurar que cada ecossitema, grande ou pequeno, esteja protegido contra os eventos climáticos extremos.
Ashe disse que o compromisso mundial de atingir um nível de degradação neutro da terra é um passo importante e deve ser concretizado através de metas comuns e com claros indicadores de sucesso.
Investimentos
Esses objetivos, segundo o presidente da Assembleia Geral devem ter o apoio de planos de ação com investimentos.
Segundo ele, o grupo de trabalho da Assembleia Geral está determinado a transformar essa aspiração em um resultado concreto das metas de desenvolvimento sustentável.
Para Ashe, um mundo com um nível de degradação neutro da terra deve ser a regra para a geração atual.
Ele disse que a comunidade internacional deve buscar esse objetivo porque cada enchente, seca, deslizamento de terra, tornado, onda de calor ou submersão costeira rouba de todos uma fonte natural inestimável que é a terra produtiva.
EcoDebate, 20/06/2014

BRASIL : ANTES, DURANTE E DEPOIS DA COPA!!!

O Custo de oportunidade da Copa do Mundo, artigo de Artur Salles Lisboa de Oliveira

copa
Charge no Humor Político

[EcoDebate] Torcer ou não torcer, eis a questão. Eu apoio a segunda opção convicto que esta não representa a solução dos problemas do Brasil, mas ao escolhê-la levo em consideração o custo de oportunidade aplicado à Copa do Mundo. A realização do Mundial em território brasileiro não mudará a qualidade das nossas faculdades, por exemplo, pelo simples fato que as verbas destinadas à educação são cumpridas. O problema é o ralo da corrupção.
Portanto, o custo de oportunidade da Copa do Mundo não é financeiro no sentido de questionar montantes que poderiam ter sido utilizados para construir hospitais ou escolas, mas que foram direcionados para a construção de estádios. Pode-se argumentar que os orçamentos da saúde e da educação devem ser aumentados, mas o ponto crucial é que antes de chegar aos seus destinos finais, as verbas são dilapidadas pelo mal da corrupção.
E aí entra o conceito de custo de oportunidade: torcer enfaticamente pela seleção brasileira, assistir aos mandos e desmandos de dirigentes de entidades nacionais e internacionais que impõem suas vontades sobre a cultura do Brasil pelos interesses comerciais envolvidos, e ver governantes dando justificativas pífias para os orçamentos bilionários dos estádios construídos é compactuar com a triste realidade de corrupção no nosso País; é afirmar que pelo futebol, nós aceitamos qualquer coisa.
É uma questão de honestidade intelectual questionar o que acontece no País antes, durante e depois da Copa do Mundo. E que depois de refletir sobre as mazelas nacionais, cada brasileiro faça o seu próprio julgamento se vale a pena torcer pela seleção brasileira e em qual intensidade. Para muitos, é realmente desconfortável ser patriota apenas em dias de jogos da equipe brasileira em face do que vemos na rua: brasileiros mal educados infringindo leis de trânsito, jogando lixo na rua e ignorando a realidade de moradores de rua maltrapilhos jogados para escanteio pelo poder público. E a classe política cada vez mais desmoralizada por escândalos.
Infelizmente, para outros, o exercício do “patriotismo” eventual, que na verdade nada mais é do que uma desculpa para promover celebrações pessoais e não culturais no seu sentido mais amplo, é suficiente para alguém se considerar um brasileiro que não desiste nunca. E convenhamos: esse lema “sou brasileiro e não desisto nunca” não se aplica a muitos brasileiros; apenas aos verdadeiros heróis que sobrevivem sem bolsas governamentais “pegando no batente”. Heróis não são os jogadores, mas os anônimos que ninguém aplaude e que não atraem os holofotes da mídia.
Artur Salles Lisboa de Oliveira é administrador de empresas e colunista da Revista Exame (Coluna Meandros das Bolsas de Valores).
EcoDebate, 20/06/2014

BRASIL VESTE VERDE E AMARELO PELA SELEÇÃO.

Brasil: país sem educação, sem saúde, sem transporte, mas da Copa do Mundo e dos estádios, artigo de Patrícia Aparecida Pereira Souza de Almeida



copa
Charge no Humor Político

[EcoDebate] Todo radical em algum momento perde a razão. Não vamos nos perder em nossa causa. A luta continua em prol de um país mais justo, mais democrático, menos corrupto e, principalmente, mais solidário.
Mas vamos separar o joio do trigo.
Felipão, Neymar Jr., Júlio César e os demais não têm culpa que nossos políticos roubam, enganam, desviam verbas públicas e, depois, na cara dura veem à televisão e dão o seu recado como se a população toda fosse acéfala.
Muito pelo contrário!
Nós não compactuamos com isso, não fazemos parte dessa população desinformada e apática facilmente manipulável pelos que detêm o poder e, por isso mesmo, concordamos e apoiamos todas as vaias públicas ao seu desserviço ao nosso país.
Contudo, quem nunca ouviu falar que se parou uma guerra para ver os Jogos Olímpicos?
Um povo em guerra fez-se o cessar fogo para receber o Pelé?
Então, nada mais isso é o que está acontecendo.
Ninguém está vestindo verde e amarelo, pois está feliz com os rumos de nosso país. Estamos vestindo verde e amarelo por uma nação carente que vê em seus ídolos do futebol uma possibilidade de ascensão real, justa e honesta.
Parênteses: pois infelizmente, neste país, quem estuda também não ascende socialmente. Não enriquece e, no máximo, faz parte de uma classe média que duramente consegue pagar suas contas e, para realizar suas pesquisas, precisa de apoio financeiro internacional.
Fato este facilmente comprovado pelo espaço dado ao neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, responsável pela investigação científica do projeto “Andar de novo”, juntamente com mais de 156 pesquisadores de vários países que integram o consórcio e que não tiveram nem 30 segundos de espaço para demonstrar um experimento histórico. Mas isto é assunto para outro ‘post’ e sobre a FIFA.
Então, o que esperar…
O povo veste verde e amarelo pela seleção, por nossos jogadores e pelo espetáculo mundial.
A seleção italiana, holandesa, espanhola não tem culpa alguma sobre o que os nossos políticos fazem.
Eles estão aqui para realizarem bem o seu trabalho que é jogar futebol e encantar o mundo.
Não trazer a Copa do Mundo para cá deveria ser motivo de revolta já na candidatura e não com o estrago feito, com os estádios prontos e as delegações chegando. Ninguém tem culpa por nossos erros e as mazelas de nosso país.
Agora, o máximo que podemos fazer é dar uma trégua (período dos jogos), nos mobilizar em prol de eleições mais justas e do voto consciente no final do ano. Lutando contra a difícil missão de não deixar a população carente votar por um par de sapatos, uma cesta básica ou um beijo no rosto de criança carente. Este sim é nosso papel, pois eles merecem mais do que isso.
Hoje, com todas as delegações aqui, só podemos mostrar que, apesar de nossos políticos, não somos um bando de vândalos e nem nos igualamos a eles nos roubos. Crimes do colarinho branco não deixam de serem roubo e caso de polícia contra bandido e ladrão.
No mais, só muda um país, quem o ama além de seus próprios interesses. Quem sabe amar e respeitar ao próximo com a si mesmo. Quem sabe discernir o joio do trigo. E, principalmente, quem sabe esperar o momento certo de agir. Nunca ninguém ganhou uma guerra com radicalismo insano.
Fica aí a dica!
Patrícia Aparecida Pereira Souza de Almeida é Bióloga, Mestre em Hidráulica e Saneamento, Doutora em Ciências da Engenharia Ambiental e professora-tutora da área de meio ambiente da FGV Online.
EcoDebate, 20/06/2014

OLIMPÍADAS 2016 NO RIO DE JANEIRO




quarta-feira, 18 de junho de 2014

FLORESTA AMAZÔNICA E A EMISSÃO DE GÁS CARBONO.

Corte seletivo e fogo fazem Floresta Amazônica perder 54 milhões de toneladas de carbono por ano.



desmatamento

Perda equivale a 40% da produzida pelo desmatamento total. Pesquisa cruzou dados de satélites e de pesquisas de campo em 225 áreas

Uma pesquisa conduzida por cientistas no Brasil e no Reino Unido quantificou o impacto causado na Floresta Amazônica por corte seletivo de árvores, destruição parcial pelo fogo e fragmentação decorrente de pastagens e plantações. Em conjunto, esses fatores podem estar subtraindo da floresta cerca de 54 milhões de toneladas de carbono por ano, lançados à atmosfera na forma de gases de efeito estufa. Esta perda de carbono corresponde a 40% daquela causada pelo desmatamento total.
O estudo, desenvolvido por 10 pesquisadores de 11 instituições do Brasil e do Reino Unido, foi publicado em maio na revista Global Change Biology.
“Os impactos da extração madeireira, do fogo e da fragmentação têm sido pouco percebidos, pois todos os esforços estão concentrados em evitar mais desmatamento. Essa postura deu grandes resultados na conservação da Amazônia brasileira, cuja taxa de desmatamento caiu em mais de 70% nos últimos 10 anos. No entanto, nosso estudo mostrou que esse outro tipo de degradação impacta severamente a floresta, com enormes quantidades de carbono antes armazenadas sendo perdidas para a atmosfera”, disse a brasileira Erika Berenguer, pesquisadora do Lancaster Environment Centre, da Lancaster University, no Reino Unido, primeira autora do estudo.
Segundo Joice Ferreira, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Amazônia Oriental), em Belém (PA), e segunda autora do estudo, um dos motivos dessa degradação ser menos percebida é a dificuldade de monitoramento. “As imagens de satélite permitem detectar com muito mais facilidade as áreas totalmente desmatadas”, afirmou.
“Nossa pesquisa combinou imagens de satélite com estudo de campo. Fizemos uma avaliação, pixel a pixel [cada pixel na imagem corresponde a uma área de 900 metros quadrados], sobre o que aconteceu nos últimos 20 anos. Na pesquisa de campo, estudamos 225 parcelas (de 3 mil metros quadrados cada) em duas grandes regiões, com 3 milhões de hectares [30 mil quilômetros quadrados], utilizadas como modelo para estimar o que ocorre no conjunto da Amazônia”, explicou Ferreira.
As imagens de satélite, comparadas de dois em dois anos, possibilitaram que os pesquisadores construíssem um grande painel da degradação da floresta ao longo da linha do tempo, em uma escala de 20 anos. Na pesquisa de campo foram avaliadas as cicatrizes de fogo, de exploração madeireira e outras agressões. A combinação das duas investigações resultou na estimativa de estoque de carbono que se tem hoje.
Duas regiões foram estudadas in loco: Santarém e Paragominas, na porção leste da Amazônia, ambas submetidas a fortes pressões de degradação. Nessas duas regiões foram investigadas as 225 áreas.
“Coletamos dados de mais de 70 mil árvores e de mais de 5 mil amostras de solo, madeira morta e outros componentes dos chamados estoques de carbono. Foi o maior estudo já realizado até o momento sobre a perda de carbono de florestas tropicais devido à extração de madeira e fogos acidentais”, disse Ferreira.
Segundo ela, a pesquisa contemplou quatro dos cinco compartimentos de carbono cujo estudo é recomendado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU): biomassa acima do solo (plantas vivas), matéria orgânica morta, serapilheira (camada que mistura fragmentos de folhas, galhos e outros materiais orgânicos em decomposição) e solos (até 30 centímetros de profundidade). “Só não medimos o estoque de carbono nas raízes”, disse.
Para efeito de comparação, foram consideradas cinco categorias de florestas: primária (totalmente intacta); com exploração de madeira; queimada; com exploração de madeira e queimada; e secundária (aquela que foi completamente cortada e cresceu novamente).
As florestas que sofreram perturbação, por corte ou queimada, apresentaram de 18% a 57% menos carbono do que as florestas primárias. Uma área de floresta primária chegou a ter mais de 300 toneladas de carbono por hectare, enquanto as áreas de floresta queimada e explorada para madeira tiveram, no máximo, 200 toneladas por hectare, e, em média, menos de 100 toneladas de carbono por hectare.
Corte seletivo tradicional
O roteiro da degradação foi bem estabelecido pelos pesquisadores. O ponto de partida é, frequentemente, a extração de madeiras de alto valor comercial, como o mogno e o ipê; essas árvores são cortadas de forma seletiva, mas sua retirada impacta dezenas de árvores vizinhas.
Deflagrada a exploração, formam-se várias aberturas na cobertura vegetal, o que torna a floresta muito mais exposta ao sol e ao vento, e, portanto, muito mais seca e suscetível à propagação de fogos acidentais. O efeito é fortemente acentuado pela fragmentação da floresta em decorrência de pastagens e plantações.
A combinação dos efeitos pode, então, transformar a floresta em um mato denso, cheio de árvores e cipós de pequeno porte, mas com um estoque de carbono 40% menor do que o da floresta não perturbada.
“Existem, hoje, vários sistemas de corte seletivo, alguns um pouco menos impactantes do que outros. O sistema predominante, que foi aquele detectado em nosso estudo, associado ao diâmetro das árvores retiradas e à sua idade, pode subtrair da floresta uma enorme quantidade de carbono”, disse Plínio Barbosa de Camargo, diretor da Divisão de Funcionamento de Ecossistemas Tropicais do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP) e membro da coordenação da área de Biologia da FAPESP, que também assinou o artigo publicado na Global Change Biology.
“Por mais que recomendemos no sentido contrário, na hora do manejo efetivo acabam sendo retiradas as árvores com diâmetros muito grandes, em menor quantidade. Em outra pesquisa, medimos a idade das árvores com carbono 14. Uma árvore cujo tronco apresente o diâmetro de um metro com certeza tem mais de 300 ou 400 anos. Não adianta retirar essa árvore e imaginar que ela possa ser substituída em 30, 40 ou 50 anos”, comentou Camargo.
A degradação em curso torna-se ainda mais preocupante no contexto da mudança climática global. “O próximo passo é entender melhor como essas florestas degradadas responderão a outras formas de distúrbios causados pelo homem, como períodos de seca mais severos e estações de chuva com maiores níveis de precipitação devido às mudanças climáticas”, afirmou o pesquisador britânico Jos Barlow, da Lancaster University, um dos coordenadores desse estudo e um dos responsáveis pelo Projeto Temático ECOFOR: Biodiversidade e funcionamento de ecossistemas em áreas alteradas pelo homem nas Florestas Amazônica e Atlântica.
Além dos pesquisadores já citados, assinaram também o artigo da Global Change Biology Toby Alan Gardner (University of Cambridge e Stockholm Environment Institute), Carlos Eduardo Cerri e Mariana Durigan (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/USP), Luiz Eduardo Oliveira e Cruz de Aragão (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e University of Exeter), Raimundo Cosme de Oliveira Junior (Embrapa Amazônia Oriental) e Ima Célia Guimarães Vieira (Museu Paraense Emílio Goeldi).
O artigo A large-scale field assessment of carbon stocks in human-modified tropical forests (doi: 10.1111/gcb.12627), de Erika Berenguer e outros, pode ser lido emhttp://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/gcb.12627/full.
Por José Tadeu Arantes, da Agência FAPESP
EcoDebate, 17/06/2014