domingo, 6 de julho de 2014

DESEMPREGO NO BRASIL

Baixo desemprego

CELSO MING
Quinta-Feira 21/11/13

O desemprego continuará em queda nos dois últimos meses do ano. É a temporada das vendas de fim de ano, em que o comércio contrata mais pessoal, em regime temporário de trabalho. Mas daí para a frente é improvável que se obtenham níveis de desemprego muito mais baixos do que esses 5,2% verificados em outubro (veja o gráfico).
O quadro geral não mudou e não mudará tão cedo. A economia vive um período muito próximo do pleno-emprego, num ambiente de baixo crescimento econômico (evolução do PIB de aproximadamente 2,5% ao ano).
Ao contrário do que acontece no resto do mundo, em que o desemprego é alto e, em muitos casos, segue aumentando (veja tabela no Confira), no Brasil o mercado de trabalho continua aquecido. Poderá se aquecer ainda mais se o governo conseguir o embalo pretendido na atividade econômica, maior do que os 2,5% deste ano. Esse aquecimento, por sua vez, é fator que tende a puxar para cima os salários e os encargos sociais, em velocidade maior do que a dos ganhos de produtividade da mão de obra. Ou seja, este se mantém como foco importante de inflação, como o Banco Central vem apontando há meses nos seus documentos.
Uma das características novas do mercado de trabalho no Brasil foi explicitada nesta quinta-feira pela especialista Adriana Beringuy, do IBGE. A população não economicamente ativa cresceu em outubro 3,5% quando comparada com as estatísticas de outubro do ano passado. Mas essa gente não aumenta o desemprego. Curiosamente, a maioria dessas 623 mil pessoas não trabalha, não estuda, não está doente, não procura emprego. Nessas condições, não se considera desempregada nem está descontente.
Este não é um fenômeno exclusivamente brasileiro que precisa de explicação. O que faz essa gente? Quem a sustenta? Que relação tem com o mercado informal, especialmente de serviços?
Também notável é a redução do ritmo da entrada dos mais jovens no mercado de trabalho. Mas esse é um fator mais bem conhecido. O período de escolaridade (e também de treinamento profissional) está aumentando em todo o mundo, e não apenas no Brasil, porque as atividades profissionais exigem cada vez mais especialização e conhecimento.
Novos dados, desta vez do mercado formal de trabalho (com carteira assinada), foram divulgados nesta quinta pelo Ministério do Trabalho. Criaram-se 95 mil vagas em outubro, que acumulam pouco mais de 1 milhão de postos de trabalho no ano. A curva é claramente descendente, ou seja, mais postos continuam se abrindo, mas não mais na velocidade de alguns meses atrás.
Falta saber o que o governo pretende fazer para reduzir o rombo de R$ 47 bilhões no seguro-desemprego, num momento em que o Brasil vive níveis historicamente baixos de desemprego. Há duas semanas, a reação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi de espanto, como se esse estouro de despesas públicas não estivesse na conta. Chegou a convocar as lideranças sindicais para discutir uma saída, mas, em seguida, deixou morrer o assunto. É mais uma distorção que deixa o governo sem ação.
CONFIRA:
A tabela acima mostra a situação do desemprego no Brasil e em outros 13 países.

TAREFA AVALIATIVA.
1- No caso do Brasil, o setor industrial vem, desde o final do século XX, procurando modernizar suas estruturas produtivas, terceirizando, muitas vezes, atividades antes realizadas no interior das fábricas ou intensificando o uso de tecnologias, o que resulta em maior competitividade para as empresas, porém, não representa aumento na oferta de empregos nem melhoria na qualidade de vida. Um exemplo é o caso das indústrias automotivas que se transferiram de São Paulo para outros estados e levaram consigo um padrão de produção de uso intensivo tecnológico e de trabalho que utiliza mais mão de obra qualificada, muitas vezes proveniente de centros universitários presentes, em sua maioria, nas grandes metrópoles e com baixa necessidade de trabalhadores não especializados. Explique o que é terceirizar  e dê exemplos:
2-Qual é a situação atual do desemprego no Brasil ( utilizar dados atuais para sua resposta )? Escreva três motivos que levam a queda do desemprego no Brasil:
3-Explique o que são tecnopolos e dê três exemplos no Brasil :
4- É irônico verificar que os seres humanos criaram os robôs para facilitar sua vida e, agora, os enfrentam como concorrentes no escasso mercado de empregos dos dias atuais. Mas, como é praticamente impossível inverter essa tendência, só nos resta preparar cada vez melhor a nossa juventude e flexibilizar o modo de contratar as pessoas. Com auxílio da página 74 do livro texto.
Justifique a parte que está destacada com argumentação.



Comparação entre Países > Taxa de desemprego

  

PosiçãoPaísTaxa de desemprego (%)
1Zimbabué95
2Nauru90
3Libéria85
4Burquina Faso77
5Turquemenistão60
6Ilhas dos Cocos60
7Jibuti59
8Namíbia51.2
9Senegal48
10Nepal46
11Kosovo45.3
12Lesoto45
13Bósnia e Herzegovina43.3
14Haiti40.6
15Gaza Strip40
16Quénia40
17Suazilândia40
18Ilhas Marshall36
19Iémen35
20Afeganistão35
21Macedónia31.4
22Mali30
23Líbia30
24Mauritânia30
25Camarões30
26Samoa Americana29.8
27Granada25
28África do Sul24.9
29West Bank23.5
30Sérvia23.4
31Domínica23
32Guiné Equatorial22.3
33Micronésia22
34Espanha21.7
35Gabão21
36Cabo Verde21
37Nigéria21
38Moçambique21
39Comores20
40Santa Lúcia20
41Sudão18.7
42Timor Leste18.4
43Tunísia18
44Croácia17.7
45Grécia17.3
46Nova Caledónia17.1
47Geórgia16.3
48Letónia15.4
49Lituânia15.4
50Irão15.3
51Wallis e Futuna15.2
52São Vicente e Granadinas15
53Iraque15
54Omã15
55Barém15
56Maldivas14.5
57Irlanda14.4
58Baamas14.2
59Porto Rico14.2
60Santa Helena14
61Zâmbia14
62Eslováquia13.5
63Albânia13.3
64Belize13.1
65Ilhas Cook13.1
66República Dominicana13.1
67Tonga13
68Portugal12.7
69Jamaica12.7
70Polónia12.4
71Síria12.3
72Jordânia12.3
73Egipto12.2
74Estónia12.1
75Barbados12
76Niue12
77Eslovénia11.8
78Polinésia Francesa11.7
79Montenegro11.5
80Guame11.4
81Guiana11
82Gana11
83Antígua e Barbuda11
84Hungria10.9
85Arábia Saudita10.9
86Colômbia10.8
87Sint Maarten10.6
88São Pedro e Miquelon10.3
89Curacao10.3
90Argélia10
91Ilhas Turcas e Caicos10
92Mongólia9.9
93Índia9.8
94Turquia9.8
95Bulgária9.6
96França9.3
97Suriname9
98Estados Unidos9
99Marrocos8.9
100Quirguizistão8.6
101República Checa8.5
102Itália8.4
103Venezuela8.2
104Reino Unido8.1
105Marianas do Norte8
106República Centro-Africana8
107Anguila8
108Peru7.9
109Maurícia7.8
110Finlândia7.8
111Bélgica7.7
112Fiji7.6
113Botsuana7.5
114Canadá7.5
115Suécia7.5
116Islândia7.4
117Nicarágua7.3
118Argentina7.2
119Salvador7
120Filipinas7
121Ucrânia7
122Aruba6.9
123Faroé6.8
124Moldávia6.7
125Paraguai6.6
126Indonésia6.6
127Chile6.6
128Rússia6.6
129Costa Rica6.5
130China6.5
131Nova Zelândia6.5
132Malta6.4
133Trindade e Tobago6.4
134Ilhas Virgens Americanas6.2
135Uruguai6
136Monserrate6
137Alemanha6
138Brasil6
139Dinamarca6
140Arménia5.9
141Luxemburgo5.9
142Paquistão5.6
143Israel5.6
144Bolívia5.5
145Birmânia5.5
146São Marinho5.5
147Cazaquistão5.4
148México5.2
149Austrália5.1
150Roménia5.1
151Bangladeche5
152Honduras4.8
153Japão4.6
154Panamá4.5
155São Cristóvão e Neves4.5
156Taiwan4.4
157Países Baixos4.4
158Gronelândia4.2
159Sri Lanca4.2
160Áustria4.2
161Equador4.2
162Palau4.2
163Ilhas Falkland4.1
164Guatemala4.1
165Ilhas Caimão4
166Butão4
167Ilhas Virgens Britânicas3.6
168Camboja3.5
169Hong Kong3.4
170Coreia do Sul3.4
171Noruega3.3
172Malásia3.1
173Suíça3.1
174Gibraltar3
175Andorra2.9
176Macau2.9
177Listenstaine2.8
178Brunei2.7
179Laos2.5
180Emiratos Árabes Unidos2.4
181Vietname2.3
182Tajiquistão2.2
183Kuwait2.2
184Jersey2.2
185Bermudas2.1
186Quiribáti2
187Man, Isle of2
188Singapura2
189Seicheles2
190Papua-Nova Guiné1.9
191Vanuatu1.7
192Cuba1.4
193Azerbaijão1
194Bielorrússia1
195Usbequistão1
196Guernsey0.9
197Tailândia0.7
198Catar0.4
199Mónaco0                                                                                                                                                   

Mapa Comparativo entre Países > Taxa de desemprego - Mundo

   
Definição: Esta entrada contém a porcentagem da força de trabalho está desempregada. Subemprego substanciais podem ser observados.
Fonte: 

Taxa de desemprego por país - Mapa Comparativo entre ...

www.indexmundi.com/map/?v=74&l=pt

sábado, 5 de julho de 2014

VIOLÊNCIA DENUNCIADA DURANTE A COPA DO MUNDO EM 2014.

Anistia Internacional denuncia violência nas manifestações durante a Copa

As forças de segurança estão fazendo uso de violência para reprimir manifestações pacíficas durante a Copa do Mundo. O alerta é da Anistia Internacional, que divulgou nessa terça-feira um balanço da campanha "Brasil, chega de bola fora!", lançada em maio com o objetivo de prevenir ameaças à liberdade de expressão. A entidade ressalta que parte dos manifestantes também promovem atos violentos.
A reportagem é de Akemi Nitahara e publicada por Agência Brasil, 01-07-2014.
A assessora de Direitos Humanos da Anistia Internacional Brasil, Renata Neder, lembra que as forças de segurança deveriam garantir o direito à livre manifestação, e não levar violência às manifestações. “De um lado, as forças de segurança devem, sim, agir para coibir e investigar eventuais atos de violência nas manifestações e, de outro, a polícia e as forças de segurança não podem usar a força de maneira excessiva e desnecessária, nem cometer qualquer tipo de abuso”.
Ela destaca que a organização reconhece como avanço o recuo na aprovação de projetos de lei em discussão no Congresso Nacional, que poderiam restringir e criminalizar manifestações: “A gente avalia que houve avanço por parte do governo federal, que disse que não iria mais apoiar nenhuma nova legislação sobre protestos, que poderiam colocar novas restrições ao direito de manifestações pacíficas no Brasil”.
Renata relata, porém, que ocorreram abusos nas manifestações, mesmo com a entidade tendo enviado, antes do início da Copa, ofícios para os governos dos 12 estados que sediam jogos, manifestando preocupação com a atuação da polícia, além de encaminhar guia de boas práticas e o Código de Conduta da Organização das Nações Unidas (ONU). “No entanto, a gente avaliou também que houve novos episódios de uso de força excessiva e das chamadas armas menos letais, por parte da Polícia Militar (PM), em cidades que sediaram os jogos e foram palcos de protestos”, acrescentou.
De acordo com a Anistia Internacional, durante a primeira fase do Mundial foram constatados abusos e violência em diversas cidades. Há relatos de que em Belo Horizonte, no dia 12 de junho, um protesto pacífico virou confronto perto da Praça da Liberdade, que estava cercada pela polícia, impedindo a aproximação dos manifestantes. Rojões foram disparados em direção ao cerco e bombas de efeito moral lançadas pelos policiais. Agências de bancos, fachadas de lojas, uma viatura e um cinema foram danificados por manifestantes.
Em São Paulo, no dia 19, após a dispersão de um protesto convocado pelo Movimento Passe Livre, um grupo invadiu e depredou uma concessionária de carros de luxo e agências bancárias. No dia 9, o estudante Murilo Magalhães, ativista da Assembleia Nacional de Estudantes Livres, foi detido e agredido ao participar de um protesto de apoio à greve dos metroviários.
No dia 23 de junho, policiais civis detiveram dois manifestantes, autuados por porte de material explosivo, associação criminosa e incitação à violência, mas ambos negam as acusações. No dia 25, a polícia impediu a concentração de um protesto contra as prisões arbitrárias, que estava começando na região do Museu de Artes de São Paulo (Masp). No dia 12, também em São Paulo, há evidências de que a PM fez uso excessivo de força, bem como de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral, para reprimir uma manifestação que estava apenas começando na zona leste. Várias pessoas ficaram feridas, incluindo três jornalistas.
No mesmo dia, no Rio de Janeiro, foi usado gás lacrimogêneo para dispersar uma manifestação pacífica que chegava aos Arcos da Lapa e detidos manifestantes que faziam movimento pacífico. No dia 20, quatro manifestantes foram detidos por ter máscaras nas mochilas e um representante de mídia independente foi levado para a delegacia por estar com uma bateria externa para celular, considerada artefato explosivo pela polícia.
Em Fortaleza, no dia 17, a PM dispersou uma manifestação com o uso de armas menos letais, contrariando as recomendações do Ministério Público. Manifestantes foram revistados e detidos aleatoriamente e sem justificativa, além de serem cadastrados pelos policiais.
Em Recife, também no dia 17, a PM fez uso excessivo de força e de balas de borracha, gás lacrimogêneo e spray de pimenta para esvaziar o Cais José Estelita, ocupado por cerca de 100 pessoas desde maio, em protesto contra o projeto para o local. Manifestantes foram detidos, e outros ficaram feridos e tiveram equipamentos confiscados.
Outra denúncia relatada pela Anistia Internacional é a intimidação de manifestantes, com integrantes de movimentos sociais e ativistas convocados para depor no mesmo dia e hora em que havia protesto marcado na cidade ou na véspera do início da Copa. Fato que ocorreu em Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. Em Brasília, integrantes do Comitê Popular da Copa foram abordadas por pessoas que diziam ser do Tribunal Regional Eleitoral para confirmar dados pessoais, mas o órgão nega esse tipo de ação.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Jornalista Investigativo, desde o início da Copa do Mundo pelo menos 18 jornalistas sofreram agressões durante o exercício da profissão, em cidades-sede da Copa.
Anistia Internacional pede a imediata investigação de todas as denúncias, de forma imparcial e independente, com a identificação dos policiais que acompanhavam os protestos, e que nenhum detido seja processado criminalmente “apenas por exercer seu direito de participar de manifestações públicas”. Destaca ainda a necessidade de garantia das condições de trabalho para os profissionais da imprensa tradicional e alternativa.
A petição online da campanha "Brasil, chega de bola fora!" (www.aiyellowcard.org) já tem mais de 108 mil assinaturas, mas a Presidência da República e o Congresso Nacional não receberam os representantes da organização para a entrega do relatório "Eles Usam uma Estratégia de Medo".
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos.

AGROPECUÁRIA E AS EMISSÕES DE GASES.

Agropecuária está se tornando a principal fonte de emissões brasileiras. 

Maura Campanili
Rachel Biderman, diretora Executiva do WRI Brasil
 
A produção agropecuária de baixo carbono é importante para que o Brasil cumpra suas metas de redução de emissões e colabora para que o produtor consiga adequação ambiental, mas pode ser também um caminho para abrir portas e aumentar a competitividade no mercado internacional, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. Uma ferramenta que pode ajudar o produtor brasileiro a acessar esses benefícios é o Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol) Agropecuária, primeiro instrumento voluntário para medir emissões em propriedades rurais, cuja primeira versão foi lançada em primeira mão no Brasil, no final de maio. O instrumento foi desenvolvido por meio de uma parceria entre o WRI, a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), levando em consideração as condições brasileiras. Segundo Rachel Biderman, diretora Executiva do WRI Brasil, “ações desse tipo também ajudam a criar uma cultura de gestão, contribuindo para a solução do problema das mudanças climáticas”. Em entrevista para a Clima e Floresta, Rachel, que também é professora responsável por módulo de meio ambiente do MBA em Gestão da Sustentabilidade e coordenadora do curso de extensão da Fundação Getúlio Vargas de “Gestão para o Baixo Carbono”, explica porque é importante reduzir as emissões da agricultura no Brasil.
Clima e Floresta – Qual a importância do combate às emissões de gases de efeito estufa na agricultura brasileira?
Rachel Biderman - O Brasil cada vez mais se consolida como grande fonte de alimentos para o mundo. Ao mesmo tempo, estamos entre os maiores emissores de gases de efeito estufa (GEE) do planeta. Considerando a redução das emissões em mudanças do uso da terra, devido à queda dos desmatamentos, a agropecuária está se tornando a principal fonte de emissões brasileiras e já representa 29,7% das emissões brutas brasileiras em CO2.
Clima e Floresta – Como a agricultura emite GEE?
Biderman - O setor agropecuário gera emissões em função da fermentação entérica dos animais criados; do manejo de dejetos animais; do cultivo de arroz; da queima de resíduos agrícolas e dos solos agrícolas, estas decorrentes da fertilização nitrogenada e de organossolos cultivados. Há também emissões relativas a atividades associadas ao setor, que incluem a conversão de uso do solo – por exemplo, de florestas para pastagens ou de um tipo de lavoura em outro -, e outras relacionadas  à produção de energia.
Clima e Floresta – O que é o GHG Protocol Agrícola e como ele pode colaborar para diminuir as emissões?
Biderman - Trata-se de um conjunto de dois instrumentos principais: as Diretrizes e a Ferramenta de Cálculo de Emissões de GEE no setor Agropecuário.  Esses instrumentos permitem aos produtores rurais conhecer melhor o perfil das suas emissões de gases de efeito estufa e desenvolver planos de redução mitigando seus impactos sobre o clima. Esses instrumentos permitirão aos produtores rurais contribuir diretamente para o cumprimento dos objetivos do  Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono) e para que mecanismos financeiros adequados sejam alocados para essa atividade sustentável.
Clima e Floresta – A quem o GHG Protocol é destinado?
Biderman – Produtores rurais de qualquer porte.
Clima e Floresta – Pequenos agricultores, assentamentos rurais, populações tradicionais podem participar? Como?
Biderman - Os instrumentos se aplicam a qualquer tipo de produção agropecuária. O WRI Brasil organizará projeto para treinar empresas e interessados para o uso dessas ferramentas.
Clima e Floresta – Além da questão das emissões, há outros benefícios na adoção de uma agricultura de baixo carbono?
Biderman - As empresas que adotarem as diretrizes e ferramenta de cálculo do GHG Protocol terão algumas vantagens competitivas. Entre elas podemos citar: Entender riscos operacionais e de reputação; identificar oportunidades de redução de emissões; implantar metas de redução e monitorar a performance; melhorar a reputação e transparência através da divulgação pública de suas emissões de GEE; colher os frutos dos benefícios associados à redução de emissões, como conservação de energia, ampliação de produtividade, melhora na qualidade do solo e da água; preparar-se para regime de quotas e cumprimento legal; antecipar-se para um potencial mercado de carbono.
Entrevista na Clima e Floresta n° 58, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)
EcoDebate, 01/07/2014

sexta-feira, 4 de julho de 2014

DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

Pesquisa do IBGE revela que 10% mais ricos concentram 42% da renda no país
www.nanihumor.com

As desigualdades sociais se reduziram no país nos últimos dez anos, mas nada tão significativo, tendo em vista que 10% da população mais rica concentrava 42% da renda do país em 2012, segundo um estudo publicado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).


Por outro lado, 40% dos mais pobres concentravam somente 13,3% da renda do país, de acordo com o relatório Sínteses de Indicadores Sociais, elaborado através de uma ampla pesquisa realizada em domicílio.

Em 2012, segundo o IBGE, 6,4% das famílias brasileiras recebiam até um quarto de salário mínimo por pessoa (cerca de R$ 155,50) e 14,6% ganhavam entre um quarto e meio salário mínimo por pessoa (entre R$ 155,50 e R$ 311).

Apesar do abismo evidente, a diferença entre o rendimento médio dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres, que era de 16,8 vezes em 2002, caiu para 12,6 vezes em 2012.

Essa redução permitiu que o chamado Índice de Gini, que a ONU utiliza para medir as desigualdades no mundo, passasse de 0,557 ponto, em 2004, para 0,507 ponto, em 2012, um número que posiciona o Brasil cada vez mais longe dos países com pior distribuição de renda.

envolverde.com.br

A diferença entre a renda dos brancos e dos negros também caiu, mas ainda se mostra significativa. Enquanto entre os 10% dos mais pobres da população brasileira inclui 14,1% dos negros e mulatos e somente 5,3% dos brancos, entre os 10% mais ricos estão 15,9% dos brancos e só 4,8% dos negros.

Em relação às desigualdades por gênero, o salário das mulheres, que correspondia a 70% do de um homem em 2002, subiu para 73% em 2012.

O relatório divulgado hoje pelo IBGE também mostrou que cerca de 20% dos brasileiros com idades entre 15 e 29 anos não trabalham e nem estudam, a chamada "geração nem nem". Entre esses 9,6 milhões de jovens que não trabalham e nem estudam, 70,3% são mulheres, das quais 58,4% têm pelo menos um filho.

"Há um forte vínculo entre a maternidade e a ausência da mulher do mercado de trabalho e da escola", explicou Ana Lucia Saboia, pesquisadora do IBGE e coordenadora do estudo, para quem o resultado mostra uma clara necessidade de investimento em creches.

O relatório também mostrou que a proporção de brasileiros entre 25 e 34 anos que ainda vive com os pais - "a geração canguru" - subiu de 20%, em 2002, para 24%, em 2012.

"As pessoas estão adiando cada vez mais sua saída de casa. É um fenômeno que ocorre no mundo todo", explicou a coordenadora do estudo.

O relatório Sínteses de Indicadores Sociais também revelou importantes avanços na educação do país nos últimos dez anos, como um aumento da porcentagem de jovens de entre 18 e 24 anos na universidade - de 9,8% do total em 2002 para 15,1% em 2012.

Outra conquista foi o aumento dos trabalhadores com contrato formal, de 44,6%, em 2002, para 56,9%, em 2012, e a queda do desemprego, de 11,5%, em 2002, para 5,4%, em 2012.

Em relação aos avanços na saúde, o estudo mostrou que a taxa de mortalidade infantil no país caiu de 53,7 óbitos por cada mil bebês nascidos vivos, em 1990, para 18,6, em 2012.

A porcentagem de residências com acesso a saneamento adequado também subiu, de 63%, em 2002, para 70,3%, registrado no último ano.

As melhorias registradas no relatório são atribuídas em parte aos programas sociais desenvolvidos pelo governo a partir de 2003 e que permitiram que 36 milhões de brasileiros saíssem da pobreza e que 40 milhões tivessem acesso à classe média.