segunda-feira, 7 de agosto de 2017

AVC : PREOCUPANTE A SITUAÇÃO DOS HOSPITAIS PÚBLICOS.

Pesquisa do Conselho Federal de Medicina (CFM) revela que 76% dos hospitais não têm condições de atender pacientes com AVC


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Estudo indica que muitos hospitais públicos não têm estrutura para atender pacientes com Acidente Vascular Cerebral.
Estudo indica que muitos hospitais públicos não têm estrutura para atender pacientes com Acidente Vascular Cerebral. Foto: Agência Brasil

Uma pesquisa do Conselho Federal de Medicina (CFM) com médicos neurologistas e neurocirurgiões de todo o Brasil indica que 76% dos hospitais públicos onde eles trabalham não apresentam condições adequadas para atender casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Apenas 3% dos serviços avaliados pelos médicos têm estrutura classificada como muito adequada e 21% como adequada, de acordo com estudo divulgado hoje (31).
O CFM ouviu 501 médicos que trabalham em serviços de urgência e emergência de unidades de saúde pública de todo o país. Eles responderam a um questionário sobre a situação do atendimento a pacientes com AVC, considerando critérios como o acesso exames de imagem em até 15 minutos, disponibilidade de leitos e medicamentos específicos, triagem dos pacientes identificados com AVC de forma imediata, capacidade numérica e técnica da equipe médica especializada e  qualidade das instalações disponíveis, entre outros pontos baseados em parâmetros internacionais e nacionais de atendimento ao AVC.
A percepção da maior parte dos médicos entrevistados aponta que as unidades públicas de saúde nem sempre estão preparadas para receber de forma adequada um paciente com sintomas do AVC, apesar de ser uma doença grave que está entre as principais causas de morte em todo o mundo.
“Nós fomos atrás dessa percepção em virtude do Acidente Vascular Cerebral ser a segunda principal causa de morte no Brasil, um dado epidemiológico. E é a principal causa de incapacidade no mundo e no Brasil, gerando inúmeras internações”, disse Hideraldo Cabeça, neurologista responsável pela pesquisa e coordenador da Câmara Técnica de Neurologia e Neurocirurgia do CFM.
Infraestrutura de atendimento é inadequada
Segundo a pesquisa, a infraestrutura de atendimento a casols de  AVC é inadequada em 37% dos serviços e pouco adequada em 39%, totalizando 76% de serviços que não se enquadram totalmente nos protocolos de atenção ao AVC estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
Entre os itens essenciais que não estão disponíveis em mais da metade das unidades de saúde figura a tomografia em até 15 minutos e o acesso ao medicamento trombolítico, usado para dissolver o sangue coagulado nas veias do cérebro.
“Você não ter o uso do trombolítico em 100% dos serviços é um problema sério. Se o mesmo indivíduo chegar em locais diferentes, em um ponto ele vai ter atendimento próximo daquele que é recomendado e em outro local não. E se tem o trombolítico, tem local para fazer? Ele vai fazer na maca ou de forma respeitosa em um leito apropriado?”, questionou o neurologista.
A pesquisa aponta ainda que em 66,4% das unidades não havia apoio adequado do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). E em 87,9% dos hospitais não havia número suficiente de leitos para a demanda de AVC.
“Nosso objetivo é atender rápido e trazer menos prejuízos. Quanto menor o tempo de atendimento, maior a chance de menor sequela. Se você atende em um curto tempo, você aumenta a chance de benefício e recuperação desse indivíduo e seu retorno à sociedade” afirmou Hideraldo.
A rapidez no atendimento fez a diferença para a recuperação do treinador de futebol Ricardo Gomes. O então técnico do Vasco da Gama sofreu um AVC hemorrágico em 2011 na beira do campo, em um jogo contra o Flamengo. Ele foi prontamente atendido.
Seis anos após o acidente, Gomes ainda faz reabilitação para amenizar as sequelas, mas retomou sua rotina de trabalho. O caso do técnico é lembrado em campanhas de conscientização promovidas pela Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares e outras associações médicas.
Mortes e sequelas
Conhecido popularmente como derrame ou trombose, o AVC ocupa o segundo lugar no ranking de enfermidades que mais causam óbitos no Brasil, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Segundo o Ministério da Saúde, em 2014, último ano em que há dados disponíveis, morreram no país mais de 99 mil pessoas.
Os estados da região Norte são os que apresentam a maior incidência da mortalidade por AVC no país. Só no Amapá, de 2008 a 2014 houve aumento de 89,7% no número de mortes por AVC.
No ano passado, quase 177 mil pessoas foram internadas para tratamento de AVC no Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país. Quase 30 mil pacientes tiveram alta da internação por óbito. Se a tendência registrada até 2014 permanecer, a mortalidade poderá atingir novamente este ano o equivalente a mais da metade dos pacientes que passaram pelo SUS.
O AVC também é a primeira causa de incapacidade funcional no país e no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O paciente atingido pelo AVC pode ficar com sequelas como dificuldade para se locomover, falar, sofrer paralisia em um dos lados do corpo e perda de algumas funções neurológicas, entre outras.
Existem dois tipos de AVC, o hemorrágico, em que ocorre rompimento de artérias e sangramento no cérebro e o isquêmico, tipo mais frequente que representa 80% dos casos e é caracterizado pelo entupimento das artérias por um coágulo.
De acordo com os especialistas, a diferenciação imediata pelo médico entre um tipo e outro de AVC é determinante no sucesso do tratamento e na reversão de possíveis sequelas. A identificação na maioria das vezes é possível por meio do exame de tomografia ou pela ressonância magnética, dependendo do caso.
Capacitação
A disponibilidade de recursos humanos também foi considerada como inadequada (28%) ou pouco adequada (44%) em 72% dos hospitais onde atuam os especialistas que foram alvo da pesquisa. Os médicos entrevistados relataram que, em 69,6% dos serviços, não há equipes médicas em quantidade suficiente para atender os pacientes e que, em quase 50% dos serviços, não há oferta de treinamento para a equipe médica e multidisciplinar.
“É fundamental que neurologistas sejam capacitados para atender AVC. Existem no Brasil de 6 a 8 programas de especialização do neurologista em AVC, mas isso ainda é pouco diante do desafio que a doença requer. Outro ponto é a carência de recursos para pesquisa científica em AVC. A gente precisa testar os remédios que estão disponíveis no país, que são diferentes muitas vezes dos remédios usados lá fora. E precisa de pesquisas mais voltadas para a realidade nacional”, explica Octávio Marques Pontes Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (SBDCV).
Entre os poucos serviços que foram avaliados na pesquisa do CFM como muito adequados no país, está o do Hospital das Clínicas (HC), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto (SP). A capacitação dos profissionais e o tratamento do AVC como prioridade estão entre os motivos para a região atendida pelo hospital ter índices mais baixos de morte pela doença.
“A Organização Mundial da Saúde recomenda que – da porta do hospital até o início do tratamento trombolítico – o atendimento seja feito em no máximo 60 minutos. A gente conseguiu aqui no HC baixar esse tempo médio pra 29 minutos. É um hospital público, com todas as dificuldades, tem leito no corredor, mas a gente estruturou o atendimento, organizou e treinou todo mundo”, explicou Marques, que também é professor e chefe do Departamento de Neurologia Vascular do HC.
A cidade ainda conta com uma rede de atenção à urgência e regulação médica estruturada desde 2000, o que garante a rapidez do atendimento. “O paciente de AVC não pode ir de carro para o hospital, ele tem que ser orientado a ligar para o 192, porque o Samu já sabe qual o hospital naquela região que atende AVC e pode pré notificar o hospital”, explica Marques.
O hospital supera também os índices de oferta do medicamento trombolítico. Enquanto no Brasil estima-se que de 1,5% a 2% dos pacientes com AVC recebem o medicamento, na regional atendida pelo HC de Ribeirão Preto, em torno de 6 a 8% dos pacientes têm acesso ao tratamento.
Linha de cuidado
Em 2012, o Ministério da Saúde instituiu a Linha do Cuidado do AVC para a  Rede de Atenção às Urgências e Emergências. Por meio da portaria 665, foi criado um manual de rotinas com orientações e critérios de atendimento ao AVC.
Desde o lançamento da linha de cuidado, o Ministério da Saúde credenciou 51 unidades no país como habilitadas para atender casos de AVC. Contudo, o presidente da SBDC alerta que seriam necessários pelo menos 200 unidades credenciadas em todo o território brasileiro por conta da  dimensão do país.
“A estimativa da Organização Mundial de Combate ao AVC (World Stroke Organization) é de que, para cada 100 mil habitantes, precisaria de pelo menos 5 mil leitos. A unidade AVC é a principal intervenção na redução de mortalidade e incapacidade por AVC”, explicou o médico.
Prevenção
O Conselho Federal de Medicina vai compartilhar os resultados da pesquisa com os conselhos regionais, que encaminharão o documento às secretarias de saúde estaduais e municipais. O objetivo é alertar os gestores locais para que melhorem a estrutura de atendimento a fim de reduzir o número epidêmico de óbitos e pessoas incapacitadas.
“AVC tem tratamento, mas é uma emergência médica, o tratamento é extremamente efetivo, mas se for dado nas primeiras horas. Depois de 24 horas não tem mais o que fazer, na verdade é tratar a sequela e evitar complicação”, afirma Marques.
Além de recomendar a melhora na gestão do serviço de emergência e a ampliação das unidades credenciadas, com a incorporação de novas tecnologias, os especialistas ressaltam que a conduta dos pacientes também tem impacto na prevenção dos casos de AVC.
Os médicos alertam que é necessário fazer controle periódico de fatores de risco como a hipertensão, o diabetes, o tabagismo, obesidade, colesterol alto e o sedentarismo. Segundo os neurologistas, entre 80 e 90% dos casos de internação e até de morte por AVC podem ser evitados se houver melhoria na estrutura do atendimento e se o paciente adotar hábitos saudáveis. Eles lembram ainda que, apesar de ser mais recorrente entre os idosos, a doença pode atingir pessoas em qualquer idade, até recém-nascido.
Resposta
Em nota, o Ministério da Saúde disse que “está trabalhando para enfrentar os desafios de infraestrutura em todo o país”. A pasta afirmou que “tem trabalhado para reforçar a atenção básica, nível de assistência imprescindível para atender pacientes que sofreram AVC”.
Segundo o ministério, na atual gestão foram destinadas 1.500 ambulâncias do Samu para os estados e municípios e foram liberados R$ 250 milhões para mutirão de cirurgia e compra de medicamentos. Há ainda investimento de R$ 2,2 bilhões para mais de 7,1 mil obras quoe estão em andamento no país e de R$ 18 bilhões em equipamentos.
Por fim, o Ministério da Saúde informou ainda que, entre janeiro e julho deste ano, foram registrados 58.523 internações por AVC. A última atualização do índice de mortalidade pela doença indica 100.520 óbitos em 2015.

Por Débora Brito, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/08/2017

IMIGRANTES E O FALSO EMPREGO.

Famílias de classe alta mantêm imigrantes em condições análogas à escravos em São Paulo


trabalho análogo a escravidão
Homens e mulheres das Filipinas e de outros cinco países foram trazidos ao Brasil por agências com promessas falsas de emprego
Força-tarefa que uniu Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo e demais órgão parceiros investiga esquema de agenciamento de pessoas para trabalho doméstico em residências de alto poder aquisitivo no Brasil. As agências Global Talent e SDI são apontadas como responsáveis pelo aliciamento de trabalhadores em investigação que começou no MPT em 2014 contra a primeira empresa.
Segundo os documentos obtidos em diligência da força-tarefa nos escritórios das empresas, as estrangeiras são aliciadas nas Filipinas, em Chipre, Hong Kong, Dubai, Cingapura e no Nepal com falsas promessas de trabalho doméstico em residências de alto padrão em São Paulo.
As trabalhadoras pagam taxas de mais de U$ 2.500,00 (mais de R$ 7.000,00) à agência para serem trazidas ao Brasil, após serem enganadas por anúncios oferecendo vagas com salário de U$ 700,00 (cerca de R$ 2.200,00) e benefícios como décimo terceiro e bônus de horas extras. Ao chegarem, são conduzidas, sem contrato formal de trabalho ou qualquer garantia de direitos, a famílias dispostas a pagar mais de R$ 10 mil à agência em troca das trabalhadoras.
Nas residências, sofrem maus tratos e são submetidas a jornadas que podem ir das 6h da manhã às 8h da noite, de domingo a domingo. Há relatos de mulheres obrigadas a ficar à disposição dos patrões 24 horas por dia. Segundo documentos obtidos na fiscalização, 180 pessoas foram trazidas ao Brasil através dessas intermediações. Muitas delas não mantêm mais qualquer contato com a agência e vivem no Brasil sem identificação ou documentos regulares de imigração.
A Global Talent (na época chamada Domésticas Internacionais CMIS Brasil) está na mira do MPT desde 2014, após denúncia anônima encaminhada naquele ano pela Secretaria da Justiça de São Paulo (via Disque 100). Segundo a denunciante anônima, quando chegou ao Brasil vinda das Filipinas teve seus documentos retidos, recebeu valor bem abaixo da remuneração prometida foi constantemente ameaçada de deportação caso tentasse denunciar. Naquele mesmo ano, a Global Talent firmou Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o MPT comprometendo-se a formalizar ou auxiliar a formalização do contrato de trabalho de estrangeiros cuja mão-de-obra tivessem intermediado. Além disso, deveria regularizar documentos de trabalhadores contratados antes da entrada no território nacional, com obtenção de concessão de autorização de trabalho fornecida pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIG) e também de visto temporário ou permanente fornecido pelo Ministério das Relações Exteriores. O acordo foi encaminhado ao Conselho Nacional de Imigração, Ministério do Trabalho e à Polícia Federal.
Em 2017, fiscalização do Ministério do Trabalho, a pedido do MPT, constatou que a Global Talent continuava intermediando mão de obra sem as devidas formalizações, o que reabriu as investigações. No mesmo ano, 3 filipinas fugiram das residências onde trabalhavam e recorreram à Missão Paz, que fez a denúncia formal ao MPT. Na mesma semana as trabalhadoras foram ouvidas pessoalmente no MPT-SP, sendo constatadas condições degradantes de trabalho. O Ministério do Trabalho participou da audiência no MPT em que ficou decidido que os órgãos, em conjunto, realizariam diligência nos escritórios dos denunciados.

Do MPT, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/08/2017

CRESCE MOVIMENTO GLOBAL CONTRA FRACKING.

Cresce movimento global contra a exploração não convencional de petróleo e gás por fraturamento hidráulico (fracking)

Países, estados, províncias e municípios mundo afora têm se mobilizado para banir a prática, que contamina águas rasas e subterrâneas, impacta a produção e a saúde da população, além de intensificar as mudanças climáticas


Cresce movimento global contra a exploração não convencional de petróleo e gás por fraturamento hidráulico (fracking)

O movimento contra o fracking, técnica para exploração não convencional de petróleo e gás, principalmente de xisto, tem ganhado força em diversas regiões do planeta. Recentemente, mais um país da União Europeia baniu definitivamente o método. Em uma conquista emblemática, a Irlanda se juntou à França, Alemanha e Bulgária na vanguarda climática, aprovando uma lei que proíbe o fraturamento hidráulico em terra. A onda anti-fracking também tem crescido na América Latina. Somente no Brasil, mais de 350 cidades já aprovaram leis que proíbem a prática, protegendo o subsolo, a água e a saúde de suas populações.
Graças à campanha Não Fracking Brasil, coordenada pela 350.org Brasil e pela COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida, prefeitos, vereadores, voluntários e lideranças de entidades e movimentos sociais de diversos municípios estão mobilizados e tem ajudado a disseminar as informações sobre essa tecnologia altamente poluente, que utiliza mais de 600 substâncias químicas, cancerígenas e até radioativas misturadas a água para extrair o gás do folhelho de xisto de grandes profundidades.
“A campanha teve início em 2013, quando a Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) leiloou os primeiros blocos para exploração não convencional pelo método do fracking. Desde então, realizamos centenas de audiências públicas, seminários, palestras e encontros para informar sobre os riscos e perigos do fracking, e a importância de nos mobilizarmos para impedir que essa prática, que já devastou outros países como os Estados Unidos e a Argentina, avance em nosso país”, afirmou Juliano Bueno de Araujo, coordenador de Campanhas Climáticas de 350.org e um dos fundadores da COESUS.
Dos 15 estados brasileiros na rota do fracking, o Paraná é o que concentra o maior número de áreas mapeadas e em fase de pesquisa sísmica para exploração não convencional. Dos 339 municípios, 122 entraram na 12ª Rodada de Licitações realizada em 2013, e outros 154 estão na lista para os próximos leilões. “Conseguimos mobilizar a população e sensibilizar o Ministério Público Federal, que obteve em 2014 liminar cancelando o leilão. Com essa medida mais de 5 milhões de paranaenses ficaram protegidos”, lembrou Juliano.
Há ainda a Lei Estadual 18.947/2016, que comprova o pioneirismo do Paraná. Aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado após intensa articulação da COESUS e 350.org Brasil junto aos parlamentares, ela suspende por 10 anos o licenciamento para operações de fracking.
“A proibição no estado do Paraná foi uma grande conquista, mas ainda precisamos expandir essa lei para o restante do país, e de forma permanente. O Brasil tem retrocedido em termos de emissões no setor energético e de florestas – mesmo o governo tendo prometido nacional e internacionalmente combater o aquecimento global de forma ‘inadiável’. Enquanto isso, outros países mundo afora avançam. Estamos perdendo uma grande oportunidade de liderar esse processo, apostando em energias alternativas e migrando para uma economia de baixo carbono”, declarou Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina.
Diante dos efeitos comprovadamente irreversíveis à saúde da população e do ambiente, o fracking está sendo banido em diversos países e em outros a legislação está sendo revista. Estudos já comprovaram que o fraturamento hidráulico causa terremotos, elimina a biodiversidade, causa doenças como câncer, provoca infertilidade nas mulheres, aumenta a mortalidade infantil, além de intensificar as mudanças climáticas.
“O governo brasileiro está na contramão da história ao insistir em leiloar novos poços para fracking no país, o que certamente prejudicará a agricultura, as florestas, os rios e todos os ecossistemas. O Brasil não precisa do fracking. Há recursos naturais suficientes para a geração de energia limpa e renovável, como a solar e eólica, para ser exemplo para o mundo no desinvestimento em combustíveis fósseis”, frisou Nicole.

Avanço na América Latina

Outros países da América Latina também têm sido alvo da indústria do fracking. Já foram mapeadas áreas para exploração na Bolívia, Chile, Colômbia, Venezuela, Paraguai, Uruguai, Argentina e México, sendo estes dois últimos, junto com o Brasil, os que contam com as maiores reservas de gás de xisto no continente.
Nos países onde já está sendo desenvolvido, o fracking tem avançado sobre comunidades indígenas, ribeirinhas, camponesas, bairros urbanos e áreas protegidas. Isso resulta no deslocamento de pessoas e no impacto direto a atividades produtivas, como pecuária e agricultura. As comunidades afetadas não têm respeitados os seus direitos humanos mais fundamentais, tais como a consulta e o consentimento livre, prévio e informado; o direito à participação social, à informação e o direito a um ambiente saudável e equilibrado.
Em paralelo, não são raras as reclamações sobre danos causados por incêndios, vazamentos, explosões, poluição da água, do ar e do solo por resíduos tóxicos, descarte de substâncias radioativas nos poços e nas reservas de água subterrâneas.
Uma das maiores ameaças na América do Sul hoje é a fronteira de Entre Ríos, na Argentina, e o Uruguai, na região do Chaco Paranaense. Nesta região fica o Aquífero Guarani, a terceira maior reserva subterrânea de água doce do mundo e a principal da América do Sul, que abastece cerca de 55 milhões de pessoas.
Pensando em proteger essa rica fonte de água doce e as populações que dela dependem, a iniciativa de parceria contra o fracking que tem trazido bons resultados ao Brasil foi expandida também para países vizinhos como Uruguai e Argentina, onde foi criada a Coalizão Latino-americana contra o Fracking pela Água, Clima e Agricultura Sustentável.
No Uruguai, cinco províncias já aprovaram leis para banir a técnica – Paysandú, Tacuarembo, Salto, Rocha e Artigas –, além da província de Maldonado, onde a proposta já está em tramitação. Na Argentina, a província de Entre Ríos foi a primeira a aprovar a proibição.

Do 350.org Brasil e pela COESUS, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/08/2017

AQUECIMENTO DO PLANETA PODERÁ SER MAIOR QUE 2°C

Novo estudo indica que o aquecimento do planeta provavelmente será maior do que 2°C até o final do século

Por Hannah Hickey*, Universidade de Washington
O aquecimento do planeta em 2 graus Celsius geralmente é visto como um “ponto de inflexão”, que as pessoas devem tentar evitar, limitando as emissões de gases de efeito estufa. Mas é muito provável que a Terra exceda essa mudança, de acordo com a nova pesquisa da Universidade de Washington.



A nova mudança global de temperatura global projetada em 2100 é de 3,2 C (5,8 F), com uma chance de 90% de cair dentro de 2,0-4,9°C (3,6-8,8 F). Adrian Raftery / Universidade de Washington
A nova mudança global de temperatura global projetada em 2100 é de 3,2 C (5,8 F), com uma chance de 90% de ficar dentro de 2,0-4,9°C (3,6-8,8 F). Adrian Raftery / Universidade de Washington

Um estudo usando ferramentas estatísticas mostra apenas uma chance de 5% de que a Terra aqueça 2 graus ou menos até o final deste século. Isso mostra uma mera chance de 1 por cento de que o aquecimento poderia ser igual ou inferior a 1,5 graus, o objetivo estabelecido pelo Acordo de Paris de 2016.
“Nossa análise mostra que o objetivo de 2 graus é o melhor cenário”, disse o autor principal, Adrian Raftery , professora de estatística e sociologia da UW. “É possível, mas apenas com esforço maior e sustentado em todas as frentes nos próximos 80 anos”.
As novas projeções baseadas em estatística , publicadas em 31 de julho em Nature Climate Change , mostram uma chance de 90 por cento de que as temperaturas irão aumentar neste século em de 2,0 a 4,9 C.
“Nossa análise é compatível com estimativas anteriores, mas conclui que as projeções mais otimistas são improváveis de acontecer”, disse Raftery. “Estamos mais perto da margem do que pensamos”.
O relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas incluiu as futuras taxas de aquecimento com base em quatro cenários para futuras emissões de carbono. Os cenários variaram desde as emissões “comerciais e habituais” das economias em crescimento, a sérios esforços mundiais para a transição longe dos combustíveis fósseis.
“O IPCC ficou claro que esses cenários não eram previsões”, disse Raftery. “O grande problema com os cenários é que você não sabe o quão provável eles são, e se eles abrangem toda a gama de possibilidades ou são apenas alguns exemplos. Cientificamente, esse tipo de abordagem narrativa não era totalmente satisfatória “.
O novo artigo concentra-se em três quantidades que sustentam os cenários para futuras emissões: população mundial total, produto interno bruto por pessoa e a quantidade de carbono emitida por cada dólar de atividade econômica, conhecida como intensidade de carbono.
Usando projeções estatísticas para cada uma dessas três quantidades, com base em 50 anos de dados passados em países de todo o mundo, o estudo encontra um valor médio de aquecimento de 3,2 C (5,8 F) até 2100 e uma chance de 90% de que o aquecimento deste século caia entre 2,0 a 4,9 C (3,6 a 8,8 F).
“Os países defenderam o alvo de 1,5 C por causa dos impactos severos em seus meios de subsistência que resultariam de exceder esse limiar. De fato, os danos causados pelos extremos do calor, a seca, o clima extremo e o aumento do nível do mar serão muito mais severos se 2°C ou maior aumento de temperatura for permitido “, disse o coautor Dargan Frierson , professor associado das ciências atmosféricas da UW. “Nossos resultados mostram que é necessária uma mudança de curso abrupta para alcançar esses objetivos”.
Raftery anteriormente trabalhou nas projeções das Nações Unidas para a futura população mundial. Seu estudo de 2014 usou as estatísticas bayesianas, uma ferramenta comum usada nas estatísticas modernas, para mostrar que a população mundial provavelmente não se estabilizará neste século. O planeta provavelmente alcançará 11 bilhões de pessoas até 2100.
No novo estudo, Raftery esperava que as populações mais elevadas aumentassem as projeções para o aquecimento global. Em vez disso, ele ficou surpreso ao saber que a população tem um impacto bastante pequeno. Isso ocorre porque a maior parte do aumento da população estará em países que usam poucos combustíveis fósseis.
O que importa mais para o aquecimento futuro é a intensidade do carbono, a quantidade de emissões de carbono produzidas para cada dólar de atividade econômica. Esse valor caiu nas últimas décadas à medida que os países aumentam a eficiência e estabelecem padrões para reduzir as emissões de carbono. Quão rápido esse valor diminuirá nas próximas décadas será crucial para determinar o aquecimento futuro.
O estudo encontra uma ampla gama de possíveis valores de intensidade de carbono nas próximas décadas, dependendo do progresso tecnológico e dos compromissos dos países em relação à implementação de mudanças.
“Em geral, os objetivos expressados no Acordo de Paris são ambiciosos, mas realistas”, disse Raftery. “A má notícia é que eles são improváveis para alcançar o objetivo de manter o aquecimento em ou abaixo de 1,5 graus”.
A pesquisa foi financiada pelo National Institutes of Health. Outros coautores são Alec Zimmer , graduado da UW, agora em Upstart Networks em Palo Alto, Califórnia; Richard Startz , um professor emérito de economia da UW que agora ocupa um cargo na Universidade da Califórnia, Santa Bárbara; E Peiran Liu , um estudante de doutorado da UW em estatísticas.
Referência:
Less than 2°C warming by 2100 unlikely
Nature Climate Change (2017) doi:10.1038/nclimate3352
Received 06 January 2017 Accepted 22 June 2017 Published online 31 July 2017
https://www.nature.com/nclimate/journal/vaop/ncurrent/full/nclimate3352.html

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/08/2017

O TRISTE LEGADO OLÍMPICO.

O triste legado Olímpico, artigo de José Eustáquio Diniz Alves



Poluição da Baía de Guanabara. Foto: EBC
Poluição da Baía de Guanabara. Foto: EBC

[EcoDebate] A realização da Copa do Mundo, das Olimpíadas e das Paraolimpíadas no Brasil foram vendidas como um sinal de prosperidade e de grandeza de um Brasil, potência emergente, que iria ensinar ao resto do mundo como fazer enormes megaeventos cheios de alegria e desconcentração, próprias de uma sociedade morena, tropical, cordial e em ascensão.
Mas a realidade é bem diferente e qualquer pessoa minimamente informada sabe que esses megaeventos são o sonho de ouro das megaempresas que buscam grandes lucros e dos políticos e cia que almejam o vil metal.
No caso da Copa do Mundo, os governos de plantão apelaram para a paixão brasileira pelo futebol e prometeram fazer a “Copa das Copas”. A FIFA – uma das entidades mais corruptas do mundo (como mostram as prisões já realizadas de alguns de seus dirigentes) – exigiu a remodelação de 8 estádios para as competições. O governo brasileiro, megalomaníaco, decidiu fazer 12 “arenas”, inclusive em Unidades da Federação, onde não existe nenhum time nem na série A ou B do campeonato nacional (como Manaus e Cuiabá).
O Maracanã que já recebeu um público de 140 mil pessoas no passado, ficou reduzido a cerca de 70 mil. Enquanto o espaço interno diminuiu o custo da reforma aumentou exponencialmente, pois a corrupção foi tão grande que é um dos motivos da prisão do ex-governador Sérgio Cabral e outros de seus asseclas. O legado é que o antigo “Maior estádio do mundo” está subutilizado e o custo de abertura para cada jogo de futebol é tão grande que os times do Rio preferem jogar em estádios menores, mas com maiores retornos financeiros. Recentemente, os ex-governadores José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz foram presos por corrupção pelas obras do estádio Mané Garrincha que foram orçadas em R$ 600 milhões e custaram R$ 1,5 bilhão. O escândalo é geral e atinge das as arenas.
A atual e as próximas gerações de brasileiros vão pagar os custos da Copa do Mundo de futebol. Os propalados resultados na conta turismo do Brasil foram, evidentemente, os piores possíveis. Em 2014, a conta da balança de turismo do Brasil com o resto do mundo foi deficitária em US$ 20 bilhões.
O mesmo espírito corrupto e a mesma manipulação da paixão popular pelos esportes prevaleceram na preparação da Rio 2016. A abertura da Olimpíada ocorreu na “Cidade Maravilhosa” no dia 05 de agosto de 2016. O evento contou com mais de 11 mil atletas de todo o mundo e o encerramento ocorreu no dia 21 de agosto de 2016.
A promessa do saneamento básico foi pro ralo. O rio Carioca – que define o gentílico da cidade – está poluído e é melhor caracterizado como uma “língua negra” que carrega o esgoto para o mar e acumula superbactérias. A baia da Guanabara, que foi muito cantada em prosa e verso, já teve vários projetos de saneamento, mas continua fétida, suja e se tornou um grande pinico, uma área de descarte da sujeira de toda a região metropolitana do Rio de Janeiro. A baia, recebe em média 10 mil litros por segundo de esgoto sem tratamento. A situação não é diferente nas lagoas de Jacarepaguá.
O dinheiro dos royalties das jazidas maravilhosas do pré-sal – que seriam a redenção nacional e local – nunca chegaram na quantidade prometida e o pouco que chegou caiu nas malhas da corrupção, sendo que alguns dos corruptos estão presos em Bangu. Um incêndio atingiu o Velódromo do Parque Olímpico do Rio, na Barra da Tijuca, na véspera do aniversário de um ano. O Rio está pegando fogo e ficando sem gás e sem energia.
Em artigo de 09/02/2017, na Folha de São Paulo, Juca Kfouri reconhece que os críticos da Copa do Mundo e da Olimpíada acertaram no alvo. Ele diz: “Na era do tucanato, os críticos eram chamados de “fracassomaníacos”, neologismo da lavra de FHC. Na era do petismo adotou-se a criação de Nelson Rodrigues e os críticos padeceriam do famoso “complexo de vira-latas”. Lula não chegou a inventar uma palavra, limitou-se a falar dos que têm “desejo de fracasso”, mas Aldo Rebelo, o polivalente ministro do PCdoB, hoje sumido provavelmente para não ser cobrado, gostava de citar Rodrigues para responder a quem previa exatamente o que está acontecendo com os escandalosos legados da Copa do Mundo e da Olimpíada no Brasil. Não fosse o fato de o povo parecer outra vez anestesiado – em baixo calão, de saco cheio -, ondas de indignação varreriam o país com o que se sabe a cada dia do estado dos equipamentos dos dois megaeventos e do abandono completo do esporte, a atividade que seria premiada pós-Olimpíada do Brasil poliesportivo”.
O primeiro aniversário da abertura das Olimpíadas do Rio será no dia 05 de agosto de 2017. As instalações olímpicas estão ociosas e se desmanchando. A mobilidade urbana continua precária. O Maracanã ocioso e caro. O centenário e tradicional carnaval está ameaçado. A situação financeira é falimentar. As dívidas e o desemprego são astronômicos. A violência é desesperadora. Existe um clima latente de guerra civil. O exército está nas ruas. Os turistas fugiram. Obviamente, não haverá festa ou qualquer comemoração. O clima é de velório.
Referências:
ALVES, JED. Futebol: esporte ou ópio do povo na sociedade do espetáculo? Ecodebate, 31/01/2014 http://www.ecodebate.com.br/2014/01/31/futebol-esporte-ou-opio-do-povo-na-sociedade-do-espetaculo-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
ALVES, JED. As Olim-piadas do Pinicão da Guanabara, Ecodebate, 25/04/2014

AUMENTO NA DEGRADAÇÃO DO PLANETA TERRA.

Humanidade aumenta velocidade da degradação do planeta Terra, dizem ambientalistas


'comendo a Terra'
ABr
O ser humano está exaurindo os recursos naturais do planeta Terra em uma velocidade superior ao que a natureza consegue se recompor, colocando em risco a qualidade de vida das próximas gerações. O alerta foi feito por ambientalistas na quarta-feira (2), que marcou o Dia de Sobrecarga da Terra. Para dar visibilidade ao tema, houve atividades e debates em vários países. No Brasil, um dos eventos ocorreu no Museu do Amanhã, com transmissão simultânea pela internet.
“Estamos em um momento em que precisamos dar uma virada. Mudar o jogo na relação sociedade versus natureza. Temos uma janela de oportunidade de 10 ou 20 anos para reagirmos. Se isto não acontecer, as condições de vida no planeta vão estar comprometidas”, disse o diretor-geral do World Wildlife Found – WWF Brasil, Maurício Voivodic.
Rio de Janeiro – Ambientalistas alertaram para a degradação do Planeta Terra, em debate no Museu do Amanhã
Segundo Voivodic, é preciso haver reflexão sobre os padrões de consumo de nossa sociedade. Uma das principais questões no Brasil, segundo ele, é debater o uso do solo para a agropecuária, que gera desmatamentos para plantações e criação de gado.
“A gente está indo ladeira abaixo. É preciso parar de converter os ecossistemas. Temos que mudar a produção, sem ir para cima dos ambientes naturais”, disse o diretor da WWF, que também apontou o aumento no desmatamento em unidades de conservação no país por falta de proteção. “Não basta criar. Temos que fortalecer e consolidar as unidades de conservação”.
A velocidade de degradação do planeta e dos biomas brasileiros também preocupa o ambientalista Bráulio Dias, ex-secretário executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU. Ele demonstrou que grande parte dos ambientes naturais brasileiros já foram devastados, com destaque para a Mata Atlântica, que perdeu 78% de sua área original, o Cerrado (perda de 50%) e a Floresta Amazônica (perda de 19%).
“Tem sido difícil criar unidades de conservação no Brasil. Temos mais de mil espécies de nossa fauna ameaçadas de extinção”, alertou Bráulio. Ele apontou que cerca de 50% das unidades não têm funcionários suficientes, o que coloca em risco as áreas protegidas, deixadas à mercê de invasões de grileiros de terras, que transformam as matas em pastagens e plantações.
Por Vladimir Platonow, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/08/2017

A HUMANIDADE ESTÁ EXAURINDO OS ECOSSISTEMAS.

Já esgotamos os recursos naturais capazes de serem regenerados em 2017



Earth Overshoot Day
Earth Overshoot Day

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A cada ano, os seres humanos esgotam mais cedo os recursos naturais do planeta. É como um orçamento ambiental, quando a demanda anual da humanidade por recursos excede o que o planeta Terra é capaz de regenerar naquele ano. Em 2017, o Dia da Sobrecarga da Terra, tradução de Earth Overshoot Day, ocorreu na quarta-feira (2/8), a data mais precoce desde que estouramos nosso orçamento ambiental pela primeira vez no início da década de 1970.
“A humanidade está exaurindo a natureza 1,7 vezes mais rápido do que os ecossistemas conseguem se regenerar. É como se estivéssemos utilizando o equivalente a 1,7 Terras”, diz o comunicado da Global Footprint Network, organização internacional de pesquisa pioneira na contabilização da pegada ecológica , que é a quantidade de recursos naturais renováveis para manter o estilo de vida das pessoas. O sequestro de carbono (absorção de grandes quantidades gás carbônico da atmosfera) representa 60% da demanda dos seres humanos pelos recursos naturais do planeta.
Para reverter esta tendência, é preciso atrasar o Dia da Sobrecarga da Terra em 4,5 dias todos os anos. Assim, será possível retornar ao nível em que utilizamos os recursos de um só planeta até 2050. Por isso, a organização promove a iniciativa #movethedate (“retroceda a data”), para a adoção de ações e hábitos que podem reduzir a nossa pegada ecológica.
Para isso, a Global Footprint Network também lança hoje uma nova Calculadora de Pegada Ecológica onde os usuários podem descobrir seu dia individual. A calculadora é usada por mais de 2 milhões de pessoas ao ano.
Os custos desse excesso global de gastos ecológicos estão se tornando cada vez mais evidentes em todo o mundo, manifestando-se em desmatamentos, secas, escassez de água potável, erosão do solo, perda de biodiversidade e o acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera.
Ações governamentais
Além dos esforços pessoais, mudanças sistêmicas são essenciais para retroceder o Dia da Sobrecarga da Terra, segundo a Global Footprint Network. A organização lançou uma plataforma de dados aberta no começo do ano, com os resultados de cálculos de pegadas ecológicas de todo o mundo. Ela ainda quer disseminar mais informações sobre as soluçõesidentificadas pelas organizações Project Drawdown e McKinsey & Company. Por exemplo, reduzir a geração de resíduos de alimentos em 50% em todo o mundo poderia retroceder a data em 11 dias; reduzir o componente de carbono da Pegada Ecológica global em 50% retrocederia a data em 89 dias.
Segundo o diretor-executivo da Global Footprint Network e co-criador da Pegada Ecológica, Mathis Wackernagel, a pegada de carbono da humanidade mais que dobrou desde o início da década de 1970 e continua sendo o componente de crescimento mais rápido da diferença entre a nossa pegada ecológica e a biocapacidade do planeta. “Para alcançar os objetivos do Acordo do Clima de Paris, a humanidade precisaria sair da economia de combustíveis fósseis antes de 2050. Isso ajudaria muito a enfrentar o problema de excesso de gastos ambientais da humanidade”, disse, em comunicado.
Alguns avanços estão sendo identificados pela organização. A pegada ecológica per capita dos Estados Unidos (EUA), por exemplo, caiu quase 20% em 2013 (último ano para o qual há dados disponíveis) em relação ao seu pico em 2005. “Essa mudança significativa, que inclui uma retomada pós-recessão, está associada principalmente à diminuição das emissões de carbono. E o Produto Interno Bruto per capita dos EUA cresceu cerca de 20% no mesmo período”, informou, ressaltando que esse caso demonstra como é possível crescer economicamente fazendo uso racional dos recursos naturais.
Apesar do retrocesso demonstrado pelo governo federal dos EUA com relação à proteção do clima, muitas cidades, estados e grandes empresas do país estão redobrando seus compromissos. Além disso, segundo a Global Footprint Network, a China, país com a maior pegada ecológica total do mundo, declarou estar firmemente empenhada em construir uma civilização ecológica em seu último plano quinquenal, que inclui iniciativas para acelerar o pico de carbono do país.  A Escócia, Costa Rica e Nicarágua são outros exemplos de países que estão abandonando fontes emissoras de carbono em suas matrizes energéticas.

Por Andreia Verdélio, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/08/2017