domingo, 8 de outubro de 2017

ENEM : POSSÍVEIS TEMAS PARA A REDAÇÃO


PNE Divulga Nova Lista de Possíveis Temas da Redação do Enem 2017 | infoEnem


PNE Divulga Nova Lista de Possíveis Temas da Redação do Enem 2017
Posted: 05 Oct 2017 06:23 AM PDT
O Portal Nacional da Educação (PNE) publicou em sua rede social na última semana mais uma lista com possíveis temas da prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano de 2017. Esta é a segunda publicação deste tipo e sobre a primeira dedicamos os últimos dois textos desta coluna sobre a redação no Enem (confira a primeira e a segunda partes).
Tais listas devem ser encaradas pelos participantes do exame como um norte para os estudos que já devem entrar em uma fase de revisão neste momento, já que o Enem está se aproximando, pois ocorrerá, neste ano, em dois domingos, dias 05 e 12 de novembro. Deste modo, contando do dia de hoje, falta exatamente um mês para o primeiro dia de aplicação do Enem 2017.
Os participantes devem analisar as listas do PNE com cuidado e senso crítico, pesquisando notícias, reportagens, artigos opinativos, editoriais, dentre outros gêneros que circulam nas esferas de comunicação, a fim de se interar a seu respeito, lembando que cada um dos temas sugeridos podem ser abordados na prova de redação do Enem 2017 sob diferentes aspectos e não como está posto na lista do PNE.
Outro fato sobre o qual não cansamos de bater na tecla é o de que de nada adianta ter uma noção de quais temas podem ser cobrados em uma prova de produção textual se eu não sou um candidato hábil em leitura e em escrita. Portanto, a maior preocupação dos participantes de qualquer exame, vestibular e concursos, em relação a prova de redação, não deve ser o tema exigido, mas sim as habilidades em leitura e em escrita, já que é necessário compreender de modo proficiente a proposta de redação como um todo (coletânea de textos, tema, comando e instruções) e cumprir a tarefa de produzir um texto.
Colocadas as devidas ponderações, vamos à segunda lista de possíveis temas da prova de redação do Enem 2017 divulgada pelo PNE:

1. Conflitos Internacionais

A prova de redação do Enem não tem histórico de abordar em seus temas assuntos ou acontecimentos relacionados a cenários internacionais sem estabelecer relações com o contexto social brasileiro. A imigração de haitianos e latinos em geral já foi pano de fundo de um tema de prova de produção de texto do exame, mas o recorte temático da coletânea de textos motivadores abarcava o Brasil. Portanto, nossa sugestão é estudar, pesquisar e analisar como conflitos internacionais afetam o nosso país e como nós, como nação, estamos nos posicionando. Deste modo, pesquisar número de refugiados no Brasil, suas origens, sua ocupação aqui, como o Governo Federal posiciona-se nesta questão política e humanitária etc.

2. Situações Econômicas

O Brasil está vivendo uma crise econômica que dá pequenos sinais de melhora, mas ainda assim temos mais de 10 milhões de cidadãos desempregados. Esta não é a primeira nem será a última crise econômica pela qual passamos e estudar o histórico brasileiro neste aspecto é interessante, analisando-o dos pontos de vista financeiro, econômico, social, histórico e político. Ainda somos um país no qual há uma enorme desigualdade social: muitos têm pouco e poucos têm muito.

3. Movimentos Sociais

Os movimentos sociais representativos de minorias estão tomando corpo e ganhando espaço nas mídias e na sociedade. A cada dia que passa cresce o número de coletivos feministas, negros, da comunidade LGBT, entre outros e, consequentemente, também aumenta a sua atuação no país. As provas de redação recentes do Enem abordaram três grupos minoritários: mulheres, religiões de matriz africana e os negros. Ao discutir a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira, o exame abordou a minoria feminina em direitos no Brasil; ao abordar os caminhos para se combater a intolerância religiosa no Brasil, o Enem colocou em xeque a intolerância religiosa contra religiões de matriz africana, por exemplo, o que está intimamente ligado ao racismo, tema da segunda edição do Enem 2016. Caso o Enem continue nesta temática, é possível que a comunidade LGBT ou a camada social mais pobre do país sejam temas da prova de redação.

4. Lutas por Direitos

Lutar por direitos civis está intimamente ligado com o tema acima – Movimentos Sociais – e com o tema a seguir – Temáticas Raciais e de Gênero. A luta pelos direitos garantidos pela Constituição Brasileira de 1988, para todos os brasileiros, e a luta individual por cada minoria são temas cada vez mais recorrentes na mídia. As pessoas estão se organizando em coletivos e em movimentos ou estão lutando sozinhas, sendo ativistas nas ruas, na sua comunidade e na internet pela busca de direitos humanos e direitos civis.

5. Temáticas Raciais e de Gênero

Particularmente não concordamos com o termo “raça”, já que a ciência já provou que existe apenas uma raça humana. O que existem são etnias e este termo refere-se não só à cor da pele, mas também à história e à cultura de um determinado povo, de uma determinada etnia. As temáticas das etnias negra e indígena, no Brasil, são históricas devido ao holocausto indígena e à escravidão, algo que ainda é uma dívida no país, pois ainda existem muitos problemas sociais consequentes destes fatos históricos, portanto, os negros e os indígenas são minoriais sociais brasileiras, pois há para eles negação de direitos e de igualdade social. Deste modo, as temáticas étnicas podem ser abordadas de diferentes formas numa prova de redação do Enem, como por exemplo, abordando temas como cotas raciais ou étnicas, demarcação de terras, desigualdade social etc. Já as temáticas relacionadas à questão do gênero também podem ser abordadas sob diferentes aspectos, já que a comunidade LGBT é muito diversa e grande, com várias representações. O debate sobre a questão do gênero pode ser um foco, assim como a questão do mercado de trabalho, o preconceito, a homofobia, a aceitação, políticas afirmativas etc.

6. O Impacto Humano no Meio Ambiente

PNE Divulga Mais uma Lista de Possíveis Temas da Redação do Enem 2017
Há muito tempo o Enem não aborda em sua prova de redação um tema relacionado ao meio ambiente e seria uma grata surpresa se isso ocorre neste ano de 2017. O impacto humano no meio ambiente pode se dar de diversas formas, como por exemplo, na questão do lixo (destino e reciclagem), no uso consciente de água, desmatamento, poluição em geral, acidentes ambientais (como o infeliz acontecimento em Mariana, por exemplo), a dualidade entre agronegócio e meio ambiente etc.

7. Preocupação com a Questão Hídrica e Recursos Não Renováveis

Este tema está interligado com o anterior, apenas está focando o uso de recursos não renováveis como a água. A cada dia que passa somos mais dependentes de recursos não renováveis como a água e o petróleo e se não cuidarmos desta questão agora nosso futuro será incerto.

8. Prevenção ao Suicídio e ao Bullying nas Escolas e Universidades do País

O suicídio entre os jovens cresce assustadoramente no Brasil e no mundo e muitos casos estão relacionados com o ocorrência da depressão que, por sua vez, pode ser originada pelo bullying, fenômeno presente em todas as escolas brasileiras, entre as públicas e as privadas. Universidades brasileiras estão assistindo a ondas de suicídio, estudantes de pós-graduação (mestrado e doutorado, principalmente), queixam-se muito de problemas mentais e emocionais ao longo dos cursos devido à pressão e, deste modo, vidas são desperdiçadas.
Muitos destes temas e dos temas da primeira lista estão interligados e muitos deles já foram discutidos por esta coluna e são trabalhados em nosso Curso Online de Redação. Basta você procurar os textos em nosso portal e
se matricular em nosso curso (clique aqui para se inscrever!). Nestes textos, abordamos e debatemos os temas com muito mais profundidade.
Até a próxima semana!

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

CATALUNHA : SÉCULOS DE HISTÓRIA

CHINA E ÍNDIA : A RETOMADA HISTÓRICA DAS ECONOMIAS

A retomada histórica das economias da China e da Índia, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


participação da China e Índia (Chíndia) e EUA +EU no PIB mundial
[EcoDebate] A China e a Índia são não só os dois países mais populosos do mundo, mas também são a pátria de duas grandes civilizações, com uma rica e milenar história econômica e cultural. O gráfico acima mostra que, em 2022, a soma dos PIBs da China e da Índia (Chíndia) ultrapassará a soma dos PIBs dos Estados Unidos da América (EUA) e da União Europeia (EU), segundo dados do FMI (WEO, abril de 2017), em poder de paridade de compra (ppp). Este processo vai consolidar o processo de Orientalização do mundo, que é a vota do eixo dinâmico da economia mundial para a Ásia, depois do interregno da Ocidentalização que ocorreu nos últimos dois séculos.
O gráfico abaixo mostra a participação das oito principais economias do mundo, com o PIB medido em poder de paridade de compra (PPP), do ano 1 ao ano de 2008, com base em cálculos de Angus Maddison. Nota-se que, durante, pelo menos, dois milênios, a China e a Índia representavam cerca de 50% do PIB mundial até 1820. Após o início da Revolução Industrial e do domínio energético e militar, os países ocidentais tomaram a frente no processo de desenvolvimento econômico e passaram a ter um peso crescente no PIB mundial.
Entre 1700 e 1820 a economia da Índia encolheu significativamente, em especial depois que a Inglaterra ampliou seu domínio sobre o subcontinente indiano. O fortalecimento da Companhia Britânica das Índias Orientais foi se consolidando gradativamente e, em meados do século XVII, a companhia havia estabelecido entrepostos comerciais nas cidades de Bombaim, Calcutá e Madras, até se tornar um “país dentro de outro país”. Em 1773, o parlamento britânico instituiu o cargo de governador-geral da Índia. O domínio inglês significou o declínio da civilização indiana.
A partir do domínio sobre a Índia, a Inglaterra iniciou a “Guerra do Ópio” contra a China a partir de 1839. Entre 1820 e 1870, no auge da Primeira Revolução Industrial, o tamanho relativo das economias da China e da Índia caíram para menos de 30% do PIB mundial, enquanto crescia a presença Ocidental (Europa e EUA).
participação de países selecionados no PIB mundial
Em 1900, os 5 países ocidentais considerados (EUA, Alemanha, França, Inglaterra e Itália) passaram a representar 40% do PIB mundial. O Japão ainda tinha uma pequena participação global no início do século XX, perdendo espaço para a Itália. Durante a primeira metade do século XX, a China e a Índia, além de sofrerem as consequências das duas grandes guerras mundiais, passaram por várias crises internas até a Independência da Índia, em 1947, e a Revolução Comunista na China, em 1949. Também as três primeiras décadas, após estes eventos históricos, não foram fáceis para os dois gigantes asiáticos. Em 1970, a China e a Índia representavam menos de 10% do PIB mundial. Por outro lado, os cinco países ocidentais, mais o Japão, passaram a representar quase 50% da economia internacional.
Mas a partir do final da década de 1970, a correlação de forças começou a mudar e, principalmente a China, mas depois a Índia, passaram a apresentar taxas de crescimento muito maiores do que o resto do mundo e especialmente em relação aos países do G-7. O gráfico abaixo mostra que entre 1970 e 2011 a China e a Índia iniciaram um processo de recuperação histórico e já representavam mais de 20% do PIB mundial, no início do século XXI. O primeiro gráfico mostra que em 2022, a Chíndia vai representar cerca de 30% do PIB mundial, mesma proporção de 1870. Em 2050, os dois países mais populosos do mundo podem chegar a 40% do PIB mundial, recuperando o espaço perdido nos séculos XIX e XX.
Produto Doméstico Bruto em poder de paridade de compra, das sete maiores esconomias do mundo
Como disse Martin Wolf, EM artigo no jornal Financial Times, “In the grip of a great convergence” (4/01/2011): “In the past few centuries, what was once the European and then American periphery became the core of the world economy. Now, the economies that became the periphery are re-emerging as the core”.
Em 2011, escrevi um artigo no site Aparte do IE/UFRJ, perguntando: “Por tudo isto, será que a ocidentalização da economia mundial pode ser pensada como um fenômeno restrito aos séculos XIX e XX? A China e a Índia vão voltar a ser as duas grandes economias da comunidade internacional? O mundo está em um processo de desocidentalização? O Oriente do Norte vai ser a nova base de uma Orientalização do globo? O Consenso de Beijing vai vencer o Consenso de Washington? Será que a chamada excepcionalidade americana é um fenômeno que vai ficar restrito ao século XX?”
De lá para cá, o processo de Orientalização do mundo só se consolidou, especialmente depois que a China lançou o projeto “One Belt, one Road” (OBOR) que visa a interligação da Eurásia, por terra e por mar. Os países do Leste estão consolidando uma aliança estratégica entre China, Índia e Rússia (RIC, ou triângulo estratégico) que vai abarcar partes da Europa e da África.
Com o isolacionismo e o bairrismo implantados por Donald Trump nos Estados Unidos e o caos provocado pelo Partido Conservador no Reino Unido, que gerou o Brexit, as duas potências de língua inglesa que dominaram o mundo nos séculos XIX (século inglês) e XX (século americano) devem contribuir para a perda da hegemonia ocidental, nessa fase de perda de brilho e do lusco-fusco do ocaso.
Uma nova governança internacional pode estar se formando com a liderança do protagonismo da China e seus aliados Índia e Rússia e seus parceiros Paquistão, Irã e Turquia. O ponto que enfraquece o processo de Orientalização é o conflito fronteiriço entre China e Índia e os constantes conflitos entre Índia e Paquistão. China e Índia são os dois principais países dos BRICS e não tem nada a ganhar com conflitos territoriais e disputas bairristas.
Se a iniciativa OBOR da China contar com o apoio da Índia (respeitando os interesses indianos), o eixo da economia mundial vai mudar ainda mais rápido. A Europa tende a voltar ao papel de periferia da Eurásia e os Estados Unidos, embora continuando a ser um grande país, provavelmente, deixarão de ser a potência hegemônica e perderão o título de xerife do mundo.
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/10/2017

CHILE E A PRODUÇÃO DE ENERGIA BASEADA NO SOL, NO VENTO E EM VULCÕES.

O Chile está se tornando potência energética com base no sol, no vento e em vulcões, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


renda per capita no mundo, Brasil, Chile e Venezuela: 1980-2022
[EcoDebate] O Chile caminha para ser uma potência energética na área renovável. Enquanto isto, o Brasil e a Venezuela atrelaram o desenvolvimento nacional ao poder poluidor dos combustíveis fósseis. O Chile está prestes a se tornar um exportador líquido de energia investindo em fontes mais limpas, especialmente o sol, o vento e a força geotérmica dos vulcões.
Reportagem do jornal New York Times mostra que o Chile caminha para se tornar autossuficiente em energia renovável e exportador líquido, mesmo sendo pobre em reservas de combustíveis fósseis. O deserto de Atacama é um dos lugares mais secos e ensolarados da Terra. O sol é tão forte que os trabalhadores devem usar roupas adequadas e espessas camadas de protetor solar.
As autoridades chilenas têm uma projeção ambiciosa, dizendo que o país está no bom caminho para confiar em fontes limpas para quase 100% de suas necessidades de eletricidade até 2050, acima dos atuais 45%. Para tanto está aproveitando o potencial solar e espalhando turbinas eólicas ao longo da costa chilena de 2.653 milhas.
A presidenta Michele Bachelet, preocupada com o aquecimento global e a necessidade de descarbonizar a economia, disse: “Nós pensamos que é essencial para o nosso desenvolvimento econômico ter energia mais limpa porque queremos que este planeta dure”. Em agosto passado, o Chile concedeu dezenas de contratos a empresas locais e estrangeiras em um grande leilão que terceirizou cerca de 23% de suas necessidades energéticas esperadas na próxima década. Um novo leilão está programado para ocorrer em novembro de 2017.
Além das energias eólica e solar, o Chile investe na energia geotérmica, pois é um país rodeado de vulcões. Agora está inaugurando a primeira planta de energia geotérmica da América do Sul, em Cerro Pabellón, que fica a 5 mil metros de altura em relação ao nível do mar. Com a capacidade de alimentar cerca de 165 mil lares, a nova fábrica é mais um passo na transformação da energia limpa no Chile.
A rede de energia limpa em rápida expansão da nação, que inclui vastos campos solares e parques eólicos, é uma das mais ambiciosas de uma região que se move de forma decisiva além dos combustíveis fósseis. Ademais, o Chile possui as maiores reservas de lítio e vai estar em posição de destaque na nova matriz energética renovável e no campo das baterias.
usina geotérmica em Cerro Pabellón, Chile
Não só na área energética, o Chile tem apresentado resultados econômicos e sociais muito melhores do que o Brasil e a Venezuela. O Chile deslanchou bastante, em especial, depois do fim da ditadura de Augusto Pinochet. Na década de 1980, a renda per capita do Chile estava ao mesmo nível da renda per capita mundial e abaixo da renda per capita do Brasil e cerca de duas vezes menor do que a renda per capita da Venezuela. Contudo, enquanto o Brasil e, principalmente, a Venezuela entraram em declínio absoluto, o Chile continuou avançando e já possui uma renda per capita duas vezes maior do que a da Venezuela.
Por ironia, o Brasil se tornou o maior produtor de petróleo da América Latina, pois o país superou a produção de petróleo na Venezuela e no México, em 2016, devendo se repetir em 2017. Porém, petróleo não é sinônimo de bem-estar.
Se o custo da extração do petróleo é próximo do preço internacional não há grandes ganhos neste tipo de exploração energética. O Brasil errou ao jogar todas as suas fichas nas reservas do pré-sal. Como o preço do petróleo caiu muito no mercado internacional, de cerca de US$ 100 o barril em 2014, para menos de US$ 50 entre 2015 e 2017, e como as jazidas do pré-sal são caras, a dependência dos combustíveis fósseis tem sido mais um fardo do que um benefício. O exemplo de equívoco no projeto de desenvolvimento acontece no Estado do Rio de Janeiro, que jogou todas as suas fichas na produção do “ouro negro” e agora vive, em situação falimentar, o pesadelo da crise fiscal, do caos social e do aumento da violência.
produção de petróleo
O Chile está dando um exemplo para a América Latina como garantir um projeto de desenvolvimento sustentável e baseado em energias renováveis com baixa emissão de carbono. A Venezuela e o Brasil deveriam aprender com o Chile, como garantir a democracia e como manter os avanços sociais sem depender dos combustíveis fósseis.
Referências:
Ernesto Londoñoaug. Chile’s Energy Transformation Is Powered by Wind, Sun and Volcanoes, NYT, 12/08/2017
https://www.nytimes.com/2017/08/12/world/americas/chile-green-energy-geothermal.html
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/09/2017

PAÍSES POBRES PERDERÃO PIB , COM AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Países pobres perderão 10% do PIB per capita com a mudança climática, diz FMI


Da Agência EFE / ABr
O Fundo Monetário Internacional (FMI) disse na quarta-feira (27) que os países pobres serão incapazes de fazer frente sozinhos aos efeitos econômicos do aquecimento global sem um esforço global das economias desenvolvidas, e calcula uma perda estimada de 10% de seu Produto Interno Bruto (PIB) per capita até 2100. A informação é da agência EFE.
“Se não houver esforços globais para frear as emissões de carbono, o previsto aumento na temperatura suprimirá cerca de uma décima parte do PIB per capita dos países de baixos investimentos para finais do século XXI”, apontou o FMI em um dos capítulos analíticos de seu relatório Perspectivas Econômicas Globais.
Estas projeções se baseiam em cenários conservadores de aumento de 1 grau centígrado na temperatura destes países, o que se traduziria em menor produção agrícola, esfriamento dos investimentos e danos à saúde.
O documento enfatiza que “dado que as economias avançadas e emergentes são as que contribuíram em grande medida ao aquecimento global e devem continuar nesse caminho, ajudar os países de baixos investimentos a encarar suas consequências é um imperativo humanitário e uma sensata política econômica global”.
Para o organismo dirigido por Christine Lagarde, um dos principais problemas é que “as políticas domésticas destes países não são suficientes” para protegê-los das mudanças climáticas, devido aos seus poucos recursos econômicos, ao citar exemplos de alguns dos países mais expostos, como o Haiti, o Gabão e Bangladesh.
“À medida que as altas temperaturas ultrapassam os limites biofísicos dos ecossistemas destes países, poderia haver epidemias mais frequentes, fome e outros desastres naturais, ao mesmo tempo que é alimentada a pressão migratória e o risco de conflitos”, indicou.
Cerca de 60% da população mundial vive em países onde o aquecimento global provavelmente produzirá estes “efeitos perniciosos”, atestou o Fundo Monetário Internacional.
O FMI apresentará o seu relatório completo, com as novas projeções de crescimento global, no marco de sua Assembleia Anual que será realizada em Washington, entre 10 e 15 de outubro, e à qual estão presentes os ministros de Economia de 189 países-membros.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/09/2017

PROFESSORES E A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS PÚBLICAS

Maioria dos professores da rede pública paulista já sofreu algum tipo de violência nas escolas

ABr
Mais da metade dos professores da rede pública estadual de São Paulo (51%) já sofreram pessoalmente algum tipo de violência nas escolas em que trabalham, o que representa 104 mil profissionais. No período de 2013 a 2014, o percentual era de 44%. É o que revela pesquisa do Instituto Locomotiva, feita a pedido do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e apresentada ontem (27) na capital paulista.
Entre os estudantes, 802,5 mil dizem ter sofrido violência, o que representa 39% do total. Em 2013 e 2014, o índice era de 28%. Os tipos de violência sofridos nas escolas incluem agressão verbal, bullying, agressão física, furto, roubo e discriminação. Segundo a pesquisa, realizada neste mês, os professores são as maiores vítimas de agressão verbal e discriminação, enquanto os estudantes sofrem mais com bullying e agressão física.
“Eu credito a causa da violência [nas escolas] ao abandono do governo do estado de São Paulo – não à escola pública e a seu prédio, que também estão abandonados – mas aos seres humanos que fazem parte do processo de ensino e aprendizagem, que são os professores, os alunos, os funcionários”, disse a presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha.
Maria Izabel defendeu a existência da mediação no processo de combate à violência. “A violência tem que ser mediada. É na mediação que você trabalha com a civilidade. A educação é parte de um processo civilizatório”, disse. Além disso, ela destacou a importância de vínculo entre estudantes e professores e criticou a alta rotatividade de profissionais causada por contratações temporárias, o que prejudica a construção deste vínculo.
Segundo o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, nem mesmo a divulgação de uma pesquisa liderada pela Apeoesp no final de 2013 foi suficiente para o desenvolvimento de políticas públicas e de ações efetivas no combate à violência nas escolas. “Isso transforma educadores e estudantes em vítimas, prejudica o aprendizado, compromete o futuro de toda uma geração de jovens que estão sendo formados hoje”, afirmou Meirelles.
Periferia
A pesquisa destaca que os estudantes da periferia são mais vulneráveis à violência dentro das escolas estaduais. Enquanto 27% dos estudantes de escolas do centro declararam já ter sofrido pessoalmente algum tipo de violência, 42% dos alunos de instituições da periferia passaram por violência.
“A periferia é formada majoritariamente por jovens negros, com pais que vivem em condições de vulnerabilidade. Como se não bastassem todas as outras vulnerabilidades que existem pela falta da presença do Estado e de políticas públicas na periferia, eles também são os mais vulneráveis com relação à violência [na escola]”, ressaltou Meirelles.
Ele ressalta que o problema da violência faz com que as escolas fechem mais cedo e que os alunos não tenham a totalidade das aulas, devido ao medo de sair de dentro da sala de aula. “Nós sabemos que o problema da violência não está apenas dentro da escola, está também no seu entorno”.
Uma das soluções apontadas pelo estudo é o envolvimento da comunidade no processo de decisão das instituições de ensino. Todos as pessoas ouvidas na pesquisa (pais, estudantes, professores e população em geral) apontaram investimentos em cultura e lazer e policiamento como soluções para o problema.
Mediação
A Secretaria da Educação de São Paulo disse que não teve acesso ao conteúdo da pesquisa, mas que´um levantamento feito por seu Sistema de Proteção Escolar com 2.200 instituições de ensino fundamental e médio mostrou que, nos últimos três anos, diminuíram em 70% os episódios de violência e incidentes, incluindo bullying, agressões e indisciplina.
Em nota, a secretaria informa que vai ampliar o programa de mediação de conflitos, capacitando educadores para prevenir desentendimentos nas escolas estaduais. “Todas as 5 mil escolas terão agora, ao menos, um educador nesse papel. E em 1.795 destas unidades haverá um segundo [educador] com o mesmo objetivo, para que trabalhem em conjunto. Hoje os vice-diretores de 2,3 mil escolas já são os responsáveis pela mediação. A partir de outubro, a secretaria irá formar os [mediadores] de todas as 5 mil unidades”, diz a nota.
A pesquisa, encomendada pela Apeoesp ouviu 602 estudantes, 600 pais e mães de alunos e 649 pessoas da população em geral na capital paulista e em 13 cidade do interior e Grande São Paulo, além de 702 professores da rede estadual de 155 municípios.
Por Camila Boehm, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/09/2017

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O QUE É A CATALUNHA E O QUE QUEREM OS CATALÕES

Apesar da pressão política do governo espanhol, da proibição da Justiça e da repressão da polícia, o governo da Catalunha manteve a decisão de realizar neste domingo (1º) um plebiscito sobre a independência da região que é a segunda mais importante economicamente na Espanha. Mais de 2.300 locais de votação foram preparados pelas autoridades locais, desafiando a proibição da mais alta instância do Judiciário do país.

É esperada a participação de mais de 5 milhões de eleitores, apesar da ordem judicial para que a polícia feche os locais  onde as urnas serão instaladas. Autoridades políticas catalães apelaram à Comissão Europeia, órgão Executivo da União Europeia, para ter assegurado o direito de a população votar. Peritos das Nações Unidas se declararam preocupados com a disputa em torno do plebiscito na Catalunha e pediram que as partes “evitem atos violentos de qualquer tipo”.

O separatismo não é tolerado pela Constituição da Espanha, nem pelas regras da União Europeia. Ainda assim, os catalães prometem permanecer firmes no intento, buscando respeito do governo central e reconhecimento internacional.

A evolução histórica da demanda catalã

O Império Espanhol nasceu em 1492 e a Catalunha viveu durante toda a Idade Média uma relação que alternou integração e resistência à monarquia, até a chamada queda de Barcelona, capital da região catalã, em 1714. Já no século 20, nos anos 1930, a Catalunha havia reconquistado relativa autonomia política dentro da Espanha. Porém, em 1936, o general Francisco Franco deu um golpe militar e, após três anos de guerra civil, implantou uma ditadura que durou 39 anos, até 1975.

Nesse período, Franco proibiu o idioma catalão e centralizou o poder político em Madri, sufocando à força qualquer plano autonomista dos catalães. A redemocratização, no fim dos anos 1970, fez reviver o modelo chamado “Generalitat”, previsto na nova Constituição, de 1978, que conferia novamente relativa autonomia administrativa à região. Desde então, o partido CiU (Convergência e União) foi o que teve maior protagonismo político ao longo dos anos.

A evolução histórica da demanda catalã O atual presidente da Catalunha é Carles Puigdemont, do CiU. Apesar da forte identidade catalã, a sigla manteve boa relação com o governo central, sem radicalizar o discurso independentista, pelo menos até 2006. Naquele ano, os catalães realizaram um referendo para aprovar uma lei que ampliava a autonomia da região em relação às previsões da Constituição de 1978. A nova lei falava da Catalunha como uma “nação” dentro da Espanha.



Foi nessa época também que a Justiça espanhola começou a colocar limites mais claros em relação aos planos de independência dos catalães. O novo Estatuto foi retaliado pelo Tribunal Constitucional – equivalente ao Supremo no Brasil – e o uso da palavra “nação” foi censurado nesse contexto.

O anseio independentista catalão cresceu ainda mais em 2010, quando a Espanha viveu uma grave crise econômica. Desde então, cresceram os protestos de rua, especialmente nos dias 11 de setembro de cada ano, quando é celebrado o Dia da Catalunha, que relembra a queda de Barcelona, em 1714. O discurso de que a região levava a economia da Espanha nas costas ganhou força. “Produzimos recursos e riqueza suficientes para vivermos melhor do que vivemos”, disse o então presidente da Catalunha, Artur Mas. “Não existe batalha mais urgente do que a soberania fiscal de nosso país”, afirmou, referindo-se à Catalunha como “país”. Em novembro 2014, foi realizado novo referendo.

Para driblar a Justiça, os organizadores usaram voluntários no processo, apresentaram a votação como uma iniciativa da sociedade civil e usaram o nome “processo participativo”, em vez de votação, plebiscito ou referendo. Mais de 80% dos catalães que votaram foram a favor da independência à época, mas a iniciativa, boicotada por partidos locais que se recusavam a radicalizar a pauta, teve o comparecimento de apenas metade dos eleitores da região.

O plebiscito deste domingo (1º) foi aprovado por uma lei local de 7 de setembro. Pesquisas encomendadas pelo próprio governo catalão mostram que 49% dos habitantes da região são contra a separação e 41% são a favor. Pesquisa do jornal espanhol El País mostra que 61% dos catalães consideram que esse plebiscito de agora não tem valor legal, mas 82% deles consideram que os governos regional e central deveriam entrar em acordo e promover um referendo que tivesse validade legal no futuro.

Qual o nível de autonomia atual

A Espanha tem 17 unidades territoriais. Destas, quatro têm status especial: Catalunha, País Basco, Andaluzia e Galícia, sobre as quais o governo central reconhece a existência de uma “nacionalidade histórica”. A Catalunha tem um governo regional próprio chamado Generalitat, além de uma bandeira e uma língua própria, falada pela maioria das pessoas que vivem dentro do território catalão. A Generalitat tem um presidente regional e um parlamento próprio, com poderes restritos à região – da mesma forma que as Assembleias Legislativas dos estados brasileiros.

A região também tem um corpo policial próprio – mas não tem Forças Armadas –, além de um corpo de bombeiro próprio, assim como acontece também no modelo brasileiro de segurança pública.

Os números da disputa

A Catalunha tem 7,5 milhões de habitantes, o que representa 12% da população espanhola. A região é chamada de “motor da economia espanhola”, pois responde por 19% do PIB da Espanha – unidade que mede toda a riqueza produzida num país, e fica na frente, inclusive, da capital, Madri, que responde por 18,9% do PIB espanhol. A região responde por 25% de todas as exportações do país e atrai 14% dos investimentos estrangeiros, além de produzir 19% dos automóveis e de liderar o ranking dos maiores destinos turísticos da Espanha, especialmente na capital da Catalunha, Barcelona.

É difícil prever as consequências da realização de um plebiscito que, apesar de ter sido declarado ilegal, pode mobilizar mais de 5 milhões de pessoas, em desafio ao governo central. O próprio resultado pode ser ignorado pelo governo espanhol, mas, mesmo que isso aconteça, alimentará um sentimento de frustração e de animosidade que, ao longo dos anos, tem colaborado para embalar ainda mais o movimento separatista.

Fonte: Geografia News