quarta-feira, 10 de abril de 2019

DESSALINIZADOR SOLAR DE BAIXO CUSTO É ALTERNATIVA DE ÁGUA POTÁVEL NO SEMIÁRIDO.

Dessalinizador solar de baixo custo é alternativa de água potável no semiárido


Dessalinizador solar de baixo custo é alternativa de água potável no semiárido
Dessalinizador solar de baixo custo. Foto: EBC
Um dessalinizador solar de baixo custo de implantação e manutenção, com capacidade para produzir água potável sem uso de eletricidade e livre de produtos químicos, é alternativa para famílias do semiárido da Paraíba, que enfrentam longas estiagens e sofrem com escassez de água de boa qualidade.
O modelo já atendeu a cerca de 300 famílias e está disponível em um banco de tecnologias online para ser replicado em qualquer parte do país e ajudar a solucionar a falta de acesso à água potável.
Resultado da parceria da Cooperativa de Trabalho Múltiplo de Apoio às Organizações de Autopromoção e da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), o dessalinizador aproveita o potencial solar da região e atende a assentamentos de agricultores familiares desde 2015. O modelo foi reconhecido como tecnologia social pela Fundação Banco do Brasil (FBB), chegando a ser premiado pela entidade em 2017.
“A ideia [do dessalinizador] parte do princípio de que vivemos no semiárido. Os poços que a gente perfura, quase em sua totalidade, têm água salobra, água salgada, o que não serve para o consumo humano. Então, desenvolvemos junto com a UEPB essa tecnologia para exatamente fazer com que essa água salgada se tornasse uma água ideal para o consumo humano”, contou Jonas Marques de Araújo Neto, presidente da cooperativa.
“O primeiro impacto que o dessalinizador gerou foi maior solidariedade ainda entre eles [agricultores], porque um dessalinizador desse serve para quatro ou cinco famílias, não é uma questão individual. Dá uma média de 80 litros de água por dia, que é distribuída entre eles. Nós [da cooperativa] não temos o menor poder sobre isso, eles é que têm o verdadeiro poder e eles é quem dizem como vai ser dividida essa água”, disse, ao acrescentar que esse modelo fortalece a comunidade.
Além disso, ele destacou a importância do consumo de água potável para a saúde. “Você chega em um hospital público e pergunta: ‘depois dessa história do dessalinizador, quantas crianças apareceram aqui com dor de barriga, com subnutrição?’. Eles vão dizer para você, sem sombra de dúvida, que diminuiu muito”.
Outro benefício da implementação dessa tecnologia é que as pessoas conseguem manter seu modo de vida no semiárido, desenvolver as atividades e sustentar as famílias sem precisar migrar para conseguir oferta de água potável, nem recorrer a subempregos nos centros urbanos. “Isso faz com que as pessoas consigam ficar nas suas terras, consigam habitar o semiárido”.
O dessalinizador consiste em uma caixa construída com placas pré-moldadas de concreto e cobertura de vidro que deixa passar a radiação solar. Dessa forma, a construção possibilita o aumento da temperatura dentro da caixa e a evaporação da água armazenada em uma lona encerada, conhecida como lona de caminhão.
Tecnologias sociais
Responsável por um Banco de Tecnologias Sociais – uma base de dados com mais de 900 soluções para problemas sociais nascidas da sabedoria popular e do conhecimento científico – a fundação já beneficiou cerca de 130 mil pessoas no país, em 444 municípios, por meio de um total de 389 projetos, de acordo com relatório divulgado pela instituição na última semana. Os projetos tiveram investimento total de R$ 156,3 milhões.
Todas as tecnologias sociais do banco fazem referência aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU). As inscrições estão abertas para certificação de novas tecnologias sociais até o dia 21 deste mês, com a possibilidade de concorrerem a prêmios em dinheiro. Podem participar entidades sem fins lucrativos, do Brasil ou de outros países da América Latina ou do Caribe.
Por Camila Boehm, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/04/2019

PRODUÇÃO AGRÍCOLA BASEADA NO USO INDISCRIMINADO DE PESTICIDAS AFETA OS POLINIZADORES NATURAIS.

Produção agrícola baseada no uso indiscriminado de pesticidas afeta os polinizadores naturais


Uso indiscriminado de pesticidas afeta os polinizadores

Morte de meio bilhão de abelhas é consequência de agrotóxicos

Por Caroline Aragaki, da Rádio USP.
abelha
Abelha – Foto: Marcos Santos/USP
Em três meses, meio bilhão de abelhas foram encontradas mortas no Brasil. É o que aponta o levantamento da Agência Pública e Repórter Brasil. O professor Tiago Maurício Francoy, do curso de Licenciatura em Ciências da Natureza da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP e especialista em abelhas, explica por que isso está acontecendo e qual alerta temos que ter diante da estatística.
“O que acontece é que as abelhas precisam buscar néctar e pólen das flores e elas acabam visitando as plantações, e esse uso de agrotóxicos, que aqui no Brasil está se tornando cada vez mais intenso e prejudicial, acaba por levar à morte essas abelhas”, afirma Francoy.
O regimento de agrotóxicos no Brasil está indo em direção contrária ao que os países desenvolvidos estão fazendo. “Esses agrotóxicos estão banidos na Europa e nos Estados Unidos há muito tempo já. E aqui, no Brasil, estamos seguindo o caminho inverso e liberando cada vez mais agrotóxicos.”
O especialista pontua que a morte das abelhas provavelmente é maior do que apenas meio bilhão em três meses, “porque quem está fazendo essa conta de quantas abelhas morreram são os apicultores, é quem vai todo dia à colmeia e vê que a abelha morreu. Mas o que acontece é que nós temos ainda uma diversidade de abelhas nativas, tanto sociais quanto solitárias, que estão morrendo silenciosamente, sem ninguém se dar conta, por viverem em matas ou entornos.”
A importância das abelhas vai muito além da produção de mel, tendo o papel fundamental de polinização. “As abelhas no mundo são responsáveis pela polinização de 75% de todas as plantas com flores que nós temos disponíveis no planeta.”
O uso indiscriminado de agrotóxicos na produção agrícola gera um ciclo vicioso. “A gente usa o agrotóxico para tentar fazer com que menos pragas vão às plantações para devastar aquelas plantações, só que, junto com as pragas morrem também os insetos benéficos. E aí você diminui a produtividade, porque tira o polinizador. E aí você desmata mais o entorno, diminui a área onde a abelha pode morar, usa mais agrotóxico para tentar aumentar a plantação. Só que você diminui a população de polinizadores e diminui também a produção, e assim vai…”, explica o especialista.
Além da produção agrícola, as abelhas também são importantes para as áreas verdes, de preservação ambiental. “Em qualquer área de preservação, sem abelhas você tem uma queda brusca na reprodução dessas plantas, e isso leva a uma diminuição na produção de frutos, do tamanho da área verde… e aí entra numa cadeia destrutiva, porque a planta é alimento de herbívoro, herbívoro é alimento de carnívoro. Se você começa a diminuir um, você vai afetar a cadeia inteirinha.”
A EACH está desenvolvendo um trabalho de conscientização sobre abelhas nativas sem ferrão, chamadas de jataía, que são sociais e também produzem mel. “A vantagem é que, por não terem ferrão, você consegue criar essas abelhas no fundo de casa. Então, estamos começando agora uma série de cursos que nós vamos ministrar na USP Leste, justamente para ensinar a população em geral a criar essas abelhas. Obviamente nosso intuito é de preservação, mas também demonstrar à população a parte da importância e também deles poderem explorar numa espécie de agricultura familiar e tirar até uma renda do mel produzido dessas abelhas.”
Tocador de áudio

Da Rádio USP, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/04/2019

TELHADOS REFLEXIVOS PODEM REDUZIR O EFEITO DE ILHA DE CALOR URBANO E SALVAR VIDAS DURANTE AS ONDAS DE CALOR.

Telhados reflexivos podem reduzir o efeito de ilha de calor urbano e salvar vidas durante as ondas de calor


Um novo estudo de modelagem da Universidade de Oxford e colaboradores estimou como a mudança da refletividade dos telhados pode ajudar a manter as cidades mais frias durante as ondas de calor e reduzir as taxas de mortalidade classificadas pelo calor.
University of Oxford*
calor
Foto: EBC
As cidades são geralmente alguns graus mais quentes do que o campo, devido ao efeito de ilha de calor urbana. Este efeito é causado, em parte, pela falta de umidade e vegetação nas cidades, em comparação com as paisagens rurais, e porque os materiais de construção urbanos armazenam o calor. Durante as ondas de calor, as temperaturas diurnas podem ficar perigosamente altas nas cidades, levando a sérios efeitos à saúde e aumentando o risco de mortalidade.
A ideia dos telhados “frescos” é tornar as superfícies dos telhados mais refletivas à luz solar (por exemplo, pintando os telhados de uma cor mais clara), reduzindo assim as temperaturas locais.
Os cientistas usaram um modelo climático regional para analisar como as temperaturas mudaram na cidade de estudo de Birmingham e West Midlands, dependendo da extensão da implantação do telhado fresco. Eles observaram os verões quentes de 2003 e 2006, e descobriram que a intensidade da ilha de calor urbana (a diferença de temperatura entre a cidade e a zona rural) chegava a 9 ° C para a cidade de Birmingham.
Trabalhos anteriores mostraram que o calor extra associado à ilha de calor urbana é responsável por cerca de 40-50% da mortalidade relacionada ao calor nas West Midlands durante as ondas de calor.
Este último estudo, publicado na Environment International , sugere que a implementação de telhados frios em toda a cidade pode reduzir as temperaturas locais máximas durante o dia em até 3°C durante uma onda de calor. Essa redução na temperatura poderia compensar em torno de 25% da mortalidade relacionada ao calor associada à ilha de calor urbana durante uma onda de calor.
O efeito de ilha de calor urbano é mais pronunciado durante a noite, porque os materiais urbanos liberam lentamente seu calor armazenado durante a noite, no entanto, os maiores benefícios dos telhados frios foram vistos durante a parte mais quente do dia, onde a luz solar era refletida. O tipo de edifício também fez a diferença: modificar apenas metade de todos os edifícios industriais e comerciais teve o mesmo impacto na redução das temperaturas do que em modificar todos os edifícios residenciais de alta intensidade.
A co-autora Clare Heaviside, do Instituto de Mudança Ambiental da Universidade de Oxford, comenta: “A mudança climática e a crescente urbanização significam que as populações futuras têm maior risco de superaquecimento nas cidades, embora as intervenções em escala urbana e de construção tenham o potencial de reduzir esse risco.
“Estudos de modelagem como este podem ajudar a determinar os métodos mais eficazes para implementar a fim de reduzir os riscos à saúde em nossas cidades no futuro
Referência:
Potential benefits of cool roofs in reducing heat-related mortality during heatwaves in a European city
H.L.Macintyre, C.Heaviside
Environment International
Volume 127, June 2019, Pages 430-441
https://doi.org/10.1016/j.envint.2019.02.065

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/04/2019

A QUEDA DA FECUNDIDADE NOS ESTADOS UNIDOS.

A queda da fecundidade nos EUA, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


[EcoDebate] A taxa de fecundidade total (TFT) nos Estados Unidos (EUA) estava em torno de 7 filhos por mulher nas primeiras décadas depois da Independência do país (em 1776). Mas ela caiu ao longo do século XIX e chegou ao nível mais baixo da série histórica (em torno de 2 filhos por mulher) durante a grande depressão dos anos de 1930. Com o fim da Segunda Guerra e com o boom econômico que se seguiu a TFT chegou ao redor de 3,5 filhos por mulher entre 1950 e 1965.
Mas a TFT voltou a cair e chegou a 2 filhos por mulher no quinquênio 1970-75 e a 1,77 filho por mulher no quinquênio 1975-80 (menor nível em toda a história americana). Nos anos seguintes houve uma ligeira recuperação e a TFT ficou em torno de 2 filhos por mulher entre 1990 e 2010. Mas com a recessão de 2008/09, a TFT ficou em 1,88 filho por mulher, no quinquênio 2010-15. A Divisão de População da ONU estima que a TFT vai aumentar ligeiramente no restante do século, conforme mostra o gráfico abaixo, permanecendo em torno de 2 filhos por mulher.
taxa de fecundidade total nos EUAContudo, o futuro pode não repetir o passado e os EUA podem estar iniciando uma Era de baixa fecundidade. Dados do CDC (Centers for Disease Control and Prevention) mostram que a taxa de fecundidade geral (número de nascimentos por 1000 mulheres de 15-44 anos) dos EUA continua caindo mesmo em 2017 e 2018, que foram anos de grande desempenho econômico. A tabela abaixo mostra que a taxa de fecundidade geral caiu de 62,5 no primeiro quadrimestre de 2016 para 59,8 no segundo quadrimestre de 2018 (o nível mais baixo da história).
As taxas específicas, conforme o gráfico abaixo, mostram que a fecundidade continua caindo nas idades de 15 a 29 anos. Entre as adolescentes (15-19 anos) a taxa caiu de 21,8 no primeiro quadrimestre de 2016 para 18,1 no segundo quadrimestre de 2018. No mesmo período, entre as jovens de 20-24 anos a queda foi de 76,2 para 69,8 e entre as mulheres de 25-29 anos a redução foi de 103,7 para 96,7 nascimentos para cada 1000 mulheres.
No grupo 20-34 anos a queda foi bem menor, passando de 102,0 para 100,1 entre o primeiro quadrimestre de 2016 para o segundo quadrimestre de 2018. Isto quer dizer que a cúspide da fecundidade passou da coorte de 25-29 anos para 30-34 anos. Ou seja, está havendo um envelhecimento da estrutura por idade da fecundidade. Isto fica claro ao verificar que entre as idades de 35 a 44 anos também houve ligeiro aumento da taxa de fecundidade geral.
a queda da fecundidade nos EUA
O gráfico abaixo deixa mais claro o processo de envelhecimento da estrutura etária da fecundidade. Nota-se que no grupo adolescente (15-19 anos) a taxa específica de fecundidade estava acima de 50 por mil em 1990 e caiu para menos de 20 por mil em 2017. Os grupos etários acima de 30 anos apresentaram taxas crescentes, enquanto os grupos etários com menos de 30 anos apresentaram taxas declinantes. No início da década de 1990, as maiores taxas estavam nos grupos 20-24 e 25-29 anos, mas em 2017 a cúspide ficou no grupo 30-34 anos.
taxa geral de fecundidade, por idade da mãe, EUA
Estudos e pesquisas recentes mostram que a fecundidade nos EUA deve continuar diminuindo, pois cresce o número de pessoas que não desejam ter filhos. Artigo de Frejka (2017) mostra que o número de mulheres no final do período reprodutivo sem filho (childless) subiu de cerca de 7% no início da década de 1970 para cerca de 15% na primeira década do século XXI. Pesquisa do Instituto PEW mostra que 71% das pessoas com menos de 50 anos e com filhos nos EUA não querem ter novas crianças e, entre os adultos sem filhos, na mesma faixa etária, 37% dizem que não esperam jamais formar uma prole (serão childlessness).
Tudo indica que a projeção da ONU está superestimada e dificilmente a TFT ficará em torno de 2 filhos por mulher ao longo do século XX. O mais provável é uma fecundidade abaixo de 1,8 filho por mulher nas próximas décadas.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

Referências:
Gretchen Livingston and Juliana Menasce Horowitz. Most parents – and many non-parents – don’t expect to have kids in the future, PEW, 02/12/2018
http://www.pewresearch.org/fact-tank/2018/12/12/most-parents-and-many-non-parents-dont-expect-to-have-kids-in-the-future/
Frejka, T. 2017. Childlessness in the United States. In: Kreyenfeld, M. and Konietzka, D. (eds.). Childlessness in Europe: Contexts, causes, and consequences. Cham: Springer International: p. 159-179. Doi: 10.1007/978-3-319- 44667-7_7.
https://www.researchgate.net/publication/311349695_Childlessness_in_the_United_States
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/04/2019

domingo, 31 de março de 2019

SAIBA O PAPEL DE CADA INDIVÍDUO PARA UM TRÂNSITO MAIS SEGURO.

Saiba o papel de cada indivíduo para um trânsito mais seguro


Trânsito mais seguro: Respeito, educação e empatia são essenciais para a redução de acidentes e vítimas

Por Paula Batista

trânsito
Foto: EBC
O trânsito é um espaço democrático, compartilhado entre pedestres, ciclistas, passageiros e condutores. Para um país do tamanho – e dos números – do Brasil, o desafio de organizá-lo pode ser ainda maior. São 54,7 milhões de carros, 22,3 milhões de motocicletas, 2,7 milhões de caminhões, 627 mil ônibus e 70 milhões de bicicletas, além dos mais de 208 milhões de habitantes. Parece difícil? Pode ser; mas não impossível. E cada um desses atores do cotidiano das ruas tem papel importante e essencial para que o trânsito seja mais seguro e mais humano para todos.
Levantamento do Ministério da Saúde divulgado em 2018, aponta que foram registradas 37.345 mortes no trânsito em 2016 (último ano com dados disponibilizados no Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde). O número é 14,8% menor do que o registrado em 2014, quando ocorreram 43.870 óbitos nas ruas e estradas brasileiras. Entretanto, ainda estamos longe da meta do país que, seguindo orientações da ONU em 2011, se comprometeu a reduzir em 50% do número de mortes no trânsito em dez anos. Isso significa não ultrapassar 19 mil vítimas fatais por ano até 2020.
A chefe de divisão da Escola Pública de Trânsito do Detran do Paraná, Noedy Bertazzi, destaca que a educação é a mola propulsora para promover a mudança cultural e comportamental no trânsito, “Educação, humanização no trânsito e o respeito às leis são fundamentais para garantir segurança no exercício pleno do direito de ir e vir. Cidadania ativa é aquela que exige a participação efetiva de todos em favor do bem comum. As ruas e rodovias são espaços públicos, democráticos e compartilhados, por isso é tão necessário ampliarmos a forma de ver as cidades, estabelecermos um novo olhar, a fim de transformarmos esses espaços em locais com mais qualidade de vida para as pessoas”.
Segundo o último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado no ano passado, as dez nações que mais matam no trânsito são África do Sul, Brasil, China, Egito, Estados Unidos, Índia, Indonésia, Irã, México e Rússia. O Brasil ocupa a triste quinta colocação nesse ranking. Juntos, esses países representam 62% das 1,2 milhão de mortes no trânsito no planeta.
Para Luiz Gustavo Campos, diretor e especialista em trânsito da Perkons, além da educação, a empatia tem papel preponderante para redução de vítimas no trânsito. “Cada indivíduo tem papel relevante e fundamental na obtenção de um trânsito mais seguro. É necessário que todos se percebam como protagonistas dessa mudança, entendendo definitivamente que atitudes individuais impactam no coletivo”.
Confira abaixo algumas dicas e regras de comportamento para que cada um dos atores do trânsito contribua para ruas mais humanas e mais seguras.
Pedestres
Ficar atento ao trânsito e a sinalização.
Olhar para os dois lados mesmo em vias de sentido único.
Sempre atravessar na faixa de segurança.
Atravessar sempre em linha reta.
Utilizar passarelas e passagens subterrâneas, quando houver.
Procurar caminhar distante do meio-fio.
Ficar atento nos cruzamentos e locais com entrada e saída de veículos.
Atravessar as ruas de mãos dadas com as crianças.
Não caminhar usando o celular. A atenção deve estar sempre no trânsito.
Ciclistas
Usar equipamentos de segurança.
Preferir ciclovias e ciclofaixas.
Andar próximo ao meio-fio do lado direito e no mesmo sentido dos veículos quando não existir outra opção,
Ficar atento às conversões e ao tráfego de veículos e pedestres.
Sinalizar sempre que existir a intenção de realizar uma manobra.
Nunca pedalar em calçadas; elas são exclusivas para pedestres.
Motociclistas
Manter a manutenção da motocicleta em dia.
Conferir periodicamente a validade do capacete.
Usar roupas que chamem atenção.
Manter distância de segurança dos demais veículos.
Passageiros
Evitar atravessar a rua por trás do veículo que está parado.
Não jogar lixo pela janela.
Sempre usar cinto de segurança, no caso dos carros, e capacete, no caso das motociclistas.
Desembarcar sempre pela calçada.
Motoristas
Ser prudente e exercer a direção defensiva.
Não usar o celular enquanto dirige.
Respeitar a sinalização.
Não parar em fila dupla nem sobre a faixa de pedestres.
Manter a manutenção do veículo em dia.
Usar sempre a seta.
Respeitar as vagas preferenciais.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/03/2019

OS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO SÃO O MOTOR DA ECONOMIA INTERNACIONAL.

Os países em desenvolvimento são o motor da economia internacional, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


economias avançadas versus economias em desenvolvimento
[EcoDebate] Os países desenvolvidos (ou economias avançadas na terminologia do FMI) representavam quase dois terços da economia global, enquanto os países em desenvolvimento ficavam com pouco mais de um terço do PIB global, no passado recente.
As economias avançadas (representadas por 39 países: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canada, Coreia do Sul, Chipre, República Checa, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, EUA, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hong Kong, Irlanda, Islândia, Israel, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Japão, Macau, Malta, Nova Zelândia, Noruega, Porto Rico, Portugal, Romênia, Reino Unido, Singapura, Suécia, Suíça e Taiwan) respondiam por 63,3% do PIB global e o resto do mundo (as economias em desenvolvimento) representavam 33,7% do PIB global, em 1980.
O subconjunto das economias avançadas – o G7 (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá) respondia por 50,1% do PIB global em 1980, enquanto a Ásia emergente ou em desenvolvimento (30 países: Bangladesh, Butão, Brunei, Camboja, China, Fiji, Índia, Indonésia, Kiribati, Laos, Malásia, Maldivas, Ilhas Marshall, Micronésia, Mongólia, Mianmar, Nauru, Nepal, Palau, Papua-Nova Guiné, Filipinas, Samoa, Ilhas Salomão, Sri Lanka, Tailândia, Timor-Leste, Tonga, Tuvalu, Vanuatu e Vietnã) respondia somente por 8,9% do PIB global no mesmo ano.
Mas a configuração internacional mudou rapidamente nas décadas seguintes. Em 2001, as economias em desenvolvimento, com 43,5% do PIB mundial, ultrapassaram o peso do G7 que tinha 43,4%. Em 2008, as economias em desenvolvimento alcançaram 51,2% do PIB mundial, ultrapassando os 48,8% das economias avançadas. Em 2016, as economias da Ásia emergente atingiram 31,5% do PIB global e ultrapassaram o G7 que tinha 31%. Segundo as estimativas do FMI, em 2023, as economias da Ásia emergente representarão 37,7% do PIB global e ultrapassarão as economias avançadas com 37% do PIB global. O peso da Ásia será indiscutível, pois o Japão e os Tigres Asiáticos (Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura) fazem parte dos países desenvolvidos e não da Ásia emergente.
O gráfico abaixo mostra que entre todas as economias em desenvolvimento ou emergentes do mundo, as que ganham participação no PIB global são exatamente aquelas da Ásia emergente, que em 1980 respondia por 8,9% da economia internacional e deve alcançar 35% em 2020. Todas as demais regiões tiveram declínio. Nas 4 décadas entre 1980 e 2020, a América Latina e Caribe (ALC) passou de 12,1% para 7,4% do PIB global. O Oriente Médio e o Norte da África (MENA), mais o Afeganistão e o Paquistão passaram de 9,1% para 7,5% no mesmo período. Os países emergentes da Europa respondiam por 4,1% do PIB global em 1980 e devem ficar com 3,6% em 2020. Os países da Comunidade dos Estados Independentes (Repúblicas da ex-URSS) respondiam por 7% do PIB global em 1992 e devem ficar com 4,3% em 2020. A África Subsaariana deve crescer levemente a participação, passando de 2,4% em 1980 para 3% em 2020.
economias emergentes por região
Todos estes dados mostram que os países em desenvolvimento estão respondendo por uma porção cada vez maior do bolo da produção mundial de bens e serviços, já ultrapassaram os países desenvolvidos desde 2008 e caminham para abocanhar dois terços do PIB global na próxima década. Mas o destaque dos países em desenvolvimento são os países que compõem a Ásia emergente, particularmente a China, a Índia e a Indonésia.
O Leste cresce muito mais rápido do que o Oeste. É por isto que se diz que o século XXI será o século da Ásia. O mundo passa por uma mudança geoeconômica global sem precedentes, com o centro da economia internacional caminhando para a região do sol nascente.
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/03/2019

UNIÃO EUROPEIA PROÍBE USO DE PLÁSTICOS EM...

União Europeia proíbe uso de plásticos em cotonetes, pratos, canudos, copos e recipientes para alimentos e bebidas


A proibição do consumo de uma série produtos passa a valer a partir de 2021 e busca reduzir a poluição por plásticos

No esforço de combater o lixo nos oceanos, rios e lagos, assim como a poluição como um todo, o Parlamento Europeu aprovou ontem (27) a proibição do consumo de uma série produtos plásticos nos países que formam o bloco. A lista tem dez itens e inclui cotonetes, pratos, canudos, copos, recipientes para alimentos e bebidas. A proibição passa a valer a partir de 2021.
As exceções se referem aos materiais de pesca e artes.
ABr
Copos plásticos
Copos plásticos serão vetados no âmbito da União Europeia – Marcello Casal jr/Agência Brasil
Pelo texto aprovado, as embalagens utilizadas no âmbito da União Europeia devem ser adequadas até até 2030.
O primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, disse que os europeus saem na frente. “A Europa está estabelecendo padrões novos e ambiciosos, pavimentando o caminho para o resto do mundo.”
A comissária Karmenu Vella elogiou a iniciativa. “Todos devemos estar muito orgulhosos destas novas regras porque combatem a poluição dos plásticos marinhos na sua nascente”, disse. “Nossa principal tarefa será assegurar que estas medidas ambiciosas sejam rapidamente implementadas na prática, o que constituirá um trabalho comum para as autoridades públicas, os produtores e os consumidores.”
Nas discussões de hoje, os parlamentares definiram ainda que 90% das garrafas plásticas sejam coletadas até 2029 (77% até 2025). Há, ainda, a recomendação para incorporar 25% de plástico reciclado em garrafas PET a partir de 2025 e 30% todas as garrafas plásticas a partir de 2030.
Canudos plásticos
Canudos plásticos serão proibidos pela União Europeia – Marcello Casal jr/Agência Brasil
Da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/03/2019