sexta-feira, 28 de novembro de 2025
Mudanças climáticas: Quase metade das praias do mundo pode sumir até 2100 .

Pesquisador brasileiro alerta que a erosão costeira, acelerada pelo aquecimento global, ameaça desaparecer com 25% a 48% das praias arenosas do planeta. Cenário é ainda mais crítico para o Brasil, onde o risco de erosão severa pode afetar mais de 40% do litoral nordestino, impactando cidades, economia e ecossistemas.
Um estudo traz um alerta para o futuro dos litorais em todo o mundo: até o final deste século, quase metade das praias arenosas pode desaparecer devido aos efeitos das mudanças climáticas. O trabalho, que contou com a participação do pesquisador brasileiro Pedro Pereira, vinculado ao programa de pós-doutorado da FAPESP na Universidade de São Paulo (USP), foi publicado na renomada revista Nature Climate Change.
A pesquisa, que analisou dados de satélite dos últimos 35 anos, projetou que, dependendo do cenário de emissões de gases de efeito estufa, entre 25% e 48% dessas praias sofrerão uma erosão severa. Esse processo não é apenas uma questão de perda de beleza natural, mas uma ameaça direta a infraestruturas, economias locais e ecossistemas costeiros.
Por que as praias estão desaparecendo?
O principal motor desse fenômeno é o aumento do nível do mar, impulsionado pelo derretimento das calotas polares e glaciares. Combinado a esse fator, estão a maior frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como tempestades e ressacas, que “lavam” a areia para o mar. A ação humana, através da construção de barragens e edifícios muito próximos à costa, também interrompe o fluxo natural de sedimentos que alimentam as praias.
“O que mais nos surpreendeu foi a alta sensibilidade das praias ao aumento do nível do mar. Mesmo que consigamos estabilizar o clima, um certo grau de erosão já é inevitável”, explica Pereira.
Cenário Crítico para o Litoral Brasileiro
O estudo tem um recorte importante para o Brasil. Enquanto a média global de praias sob alto risco de erosão é de 15%, no Nordeste brasileiro esse índice salta para mais de 40%. Estados como Ceará e Piauí são os mais vulneráveis. No Sudeste, litorais como o do Rio de Janeiro também aparecem como áreas de alto risco.
Isso significa que cidades turísticas e comunidades que dependem do mar podem enfrentar sérios problemas com o avanço do mar sobre vias, imóveis e comércio.
Há Solução? A Janela de Oportunidade Está se Fechando
Os pesquisadores são enfáticos ao afirmar que a redução drástica das emissões de carbono é a medida mais crucial para mitigar essa perda em grande escala. Um cenário de baixas emissões poderia evitar até 40% do retrocesso costeiro previsto.
Além da ação global contra as mudanças climáticas, são necessárias soluções baseadas na natureza, como a restauração de manguezais e recifes, que atuam como barreiras naturais. O gerenciamento costeiro também precisa ser revisto, limitando novas construções em áreas de risco e promovendo a realimentação artificial de praias em casos críticos.
A mensagem final do estudo é clara: o destino das nossas praias está intrinsecamente ligado às decisões que a humanidade tomar hoje. A preservação desses ambientes icônicos depende da nossa capacidade de agir contra a crise climática.
Fonte: Agência FAPESP
Referências:
Evaluation of the effects of urbanization and environmental features on sandy beach macrobenthos highlights the importance of submerged zoneshttps://doi.org/10.1016/j.marpolbul.2022.113962
Global patterns in sandy beach erosion: unraveling the roles of anthropogenic, climatic and morphodynamic factors
in EcoDebate, ISSN 2446-9394
Angra 3, o lobby nuclear e manipulações retóricas .

Ministro Alexandre Silveira defende usinas na Amazônia e novo programa nuclear, enquanto setores do Planalto e estudo ‘fantasma’ do BNDES alimentam debate sobre custos bilionários e segurança energética.
Um suposto estudo do BNDES, não divulgado, é a nova arma do lobby nuclear para tentar viabilizar Angra 3 e a nuclearização do Brasil. Enquanto o ministro Alexandre Silveira defende a energia atômica e até a “bomba”, setores do governo e especialistas apontam custos altíssimos, riscos ambientais e a falta de transparência que cerca o setor. Será aprovada?
Artigo de Heitor Scalambrini Costa
Professor associado aposentado da Universidade Federal de Pernambuco
“É necessário se espantar, se indignar e se contagiar,
só assim é possível mudar a realidade”
Nise da Silveira (médica psiquiatra)
Tem se tornado lugar comum a participação ativa de grupos lobistas pró-energia nuclear na mídia, com campanhas publicitárias e esforços de relações públicas destinados a melhorar a imagem da fonte de energia e influenciar a opinião pública e decisões políticas. Manipulações retóricas, desinformações, falta de transparência, omissão de dados, negacionismo, táticas de intimidação e mesmo de ameaças, fazem parte desta agressiva atuação. Recusam intencionalmente em admitir fatos e evidências técnico-científicas comprovadas sobre a insegurança e a inviabilidade das usinas nucleares, frequentemente com o objetivo de distorcer a realidade para interesses específicos.
Estão convencidos que na última reunião de 2025 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão de assessoramento da presidência sobre questões energéticas, será aprovado a continuidade da construção da usina nuclear de Angra 3, obra iniciada a mais de 40 anos, e consequentemente “abrir a porteira” para nuclearização do país.
Foi criado uma grande expectativa nas 3 últimas reuniões do CNPE para que fosse pautado este tema, defendido arduamente pelo ministro das “boas ideias”, Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia. O mesmo defende usinas nucleares de pequeno porte na Amazônia, o uso do petróleo “até a última gota”, os combustíveis fósseis como carvão mineral e o gás natural em termelétricas, além do avanço da exploração do urânio, para reforçar a segurança nacional, a defesa (?) do país, ou seja, construir a bomba atômica.
Além da população ser contra usinas nucleares, setores do próprio governo federal, como o Ministério da Fazenda e Ministério de Meio Ambiente questionam esta insanidade. Pois além de neutralizar os esforços de barateamento dos custos da energia elétrica perseguido pelo governo federal, atenta gravemente o meio ambiente e as pessoas, com a possibilidade de vazamento e liberação de radioatividade na extração do urânio.
Os argumentos repetidos à exaustão pelos lobistas chega ao extremo da chantagem, ao afirmar que os minérios estratégicos (urânio incluído) e o petróleo é que garantirão os recursos financeiros para financiar a transição energética. Infelizmente entendem a transição, como mera transação, privilegiando o balcão de negócios bilionários em torno da expansão das desnecessárias usinas.
Os mais tresloucados colocam a energia nuclear como uma salvação do clima, como se fosse mais sustentável que as fontes renováveis (sol, vento, água, biomassa), cujo potencial no Brasil é extraordinário, chegando ao disparate de denominar a nucleoeletricidade de “energia limpa”.
Não existe nenhuma base científica na afirmação de que as usinas nucleares garantem a segurança energética, outro mote utilizado com frequência. Definida como “a capacidade de um país ou região garantir o fornecimento ininterrupto, confiável e a preços acessíveis de energia para atender às necessidades da população e da economia”. Nem em relação à capacidade instalada, nem a preços acessíveis vale esta afirmação em relação à energia nuclear. Muito menos a hilária afirmativa de que novas usinas nucleares evitarão os apagões.
Atualmente o pais dispõe de menos de 2% de eletricidade nuclear injetada na matriz elétrica, e mesmo com o término de Angra 3, e de mais 10.000 MW até 2050, como propõe o Plano Nacional de Energia, a contribuição nuclear não vai ultrapassar 4% da potência total instalada, valor extremamente irrisório de capacidade para garantir segurança do setor energético. E em relação aos custos da energia nuclear estes valores são comparáveis aos das termelétricas a combustíveis fósseis, em torno de 4 a 6 vezes maior que o das fontes solar e eólica. Valores estes apresentados em recente estudo (mencionado na mídia, mas não disponibilizado publicamente) realizado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), sob encomenda do CNPE.
Este estudo, segundo fragmentos divulgados, indica que concluir a construção da usina nuclear Angra 3 é a opção mais econômica (?) e benéfica (?) para o Brasil, em comparação com o abandono do empreendimento. O estudo oculto conclui que o custo do cancelamento da obra seria de R$ 22 bilhões a R$ 25,97 bilhões, enquanto o valor estimado para finalizar seria de R$ 23,9 bilhões, levando a mídia, em particular da extrema direita, a antecipar que é mais vantajoso terminar Angra 3, do que abandonar o projeto. Estes números carecem de uma análise técnico-econômica isenta, onde as premissas, as hipóteses são apresentadas claramente. Da forma apresentada é mais uma estratégia propagandista, utilizando para tal a credibilidade dos técnicos do BNDES.
É apontado também pelo estudo-fantasma que a energia gerada para cobrir os custos e garantir retorno ao investimento deve variar entre R$ 778 a R$ 817 por MWh. Valores inverossímeis, que devem passar pelo crivo da isenção, para que estes valores sejam realmente verificados, e como se chegou a estes números.
A falta de transparência é utilizada como arma para credibilizar os negócios nucleares no Brasil, como solução ao aquecimento global e para atender a demanda crescente por energia elétrica, em particular dos “data centers” que processam informações para a inteligência artificial. São os mesmos países que causaram a crise climática que agora expandem suas infraestruturas destrutivas nos territórios do Sul Global, transferindo os custos socioambientais.
Não se deve esquecer dos episódios controverso que atestam a falta de credibilidade do setor nuclear brasileiro (www. https://www.congressoemfoco.com.br/artigo/108097/programa-nuclear-brasileiro–pau-que-nasce-torto-morre-torto). Mais recentemente o desgaste da Eletronuclear, responsável pelas usinas, ficou bem evidenciado, diante de uma crise financeira. Com um rombo em suas contas no final de outubro de 2025, a Eletronuclear (sempre ela sumidouro do dinheiro público) solicitou um aporte de R$ 1,4 bilhão ao governo federal para cobrir suas contas. Neste mesmo mês a Eletrobras (atual, Axia Energia) concordou em vender sua participação de 68% na Eletronuclear para a Âmbar Energia, empresa do grupo J&F, por R$ 535 milhões, em uma operação ainda não esclarecida totalmente, que levou a participação de um grupo econômico que não tem nada a ver com energia, a entrar em um negócio de tamanho risco econômico-financeiro. O passado e presente das empresas dos irmãos bilionários donos da J&F holding estão repletos de notícias nas páginas policiais.
Esses e outros episódios aprofundaram perante a opinião pública o crescente descrédito sobre o desempenho da indústria nuclear, e de seus gestores, privilegiados com supersalários. O desgaste da Eletronuclear (responsável pelas usinas) fica mais evidenciado, diante de sua crise financeira com uma política de demissões em massa, que acabou levando à greve trabalhadores das usinas e da parte administrativa.
Mesmo diante da contradição entre o discurso e a ação quando o assunto é energia, se espera que o programa de construção de usinas nucleares e a expansão da mineração do urânio seja interrompido. Que se torne efetivo o que disse o presidente Lula na 4a Cúpula da Celac-EU (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos e da União Europeia) realizada em Santa Marta, na Colômbia em 9/11 que “a América Latina é uma região de paz que quer permanecer desta maneira”. Neste contexto a não nuclearização do Brasil deve acontecer, e servir de exemplo para toda América Latina. Não prosseguir com a construção de usinas nucleares, e desenvolver a cadeia nuclear para construir a bomba atômica, como prega o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é um ato concreto de que somos efetivamente pela paz.
Este artigo, enviado pelo autor, foi publicado originalmente em https://taniamalheiros-jornalista.blogspot.com/
Edição por Henrique Cortez.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394
Ondas de calor na Europa podem se tornar muito mais mortais .
Padrões climáticos que produziram cinco ondas de calor severas na Europa nos últimos 30 anos poderiam matar milhares de pessoas a mais se se repetissem no clima global mais quente de hoje, segundo um novo estudo.
A aceleração dos esforços para se adaptar a extremos climáticos maiores poderia salvar vidas.
Por Josie Garthwaite, Stanford University
Os padrões climáticos que produziram algumas das ondas de calor mais extremas da Europa nas últimas três décadas podem se revelar muito mais letais se ocorrerem no clima mais quente de hoje, elevando o número de mortes semanais a níveis semelhantes aos observados durante a pandemia de COVID, de acordo com um estudo publicado em 18 de novembro na revista Nature Climate Change .
“Mostramos que, se esses mesmos sistemas climáticos ocorrerem depois de termos retido muito mais calor na atmosfera com gases de efeito estufa, a intensidade das ondas de calor aumenta e o número de mortes cresce”, disse o autor principal do estudo, Christopher Callahan, que concluiu a pesquisa como pesquisador de pós-doutorado na Escola de Sustentabilidade Doerr de Stanford e recentemente ingressou no corpo docente da Universidade de Indiana.
Nos últimos anos, as temperaturas médias globais aproximaram-se de 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais e cerca de 0,7 graus acima da média de 2003, quando uma onda de calor matou mais de 20.000 pessoas em toda a Europa. Este ano, em 2025, os investigadores estimaram que milhares de pessoas poderão ter perdido a vida devido ao calor extremo durante o quarto verão mais quente da história europeia.
Utilizando uma combinação de inteligência artificial e técnicas estatísticas da economia, Callahan e seus colegas estimam que padrões climáticos semelhantes aos de 2003 poderiam causar 17.800 mortes adicionais em todo o continente em uma única semana, considerando o clima atual, em comparação com 9.000 mortes sem o aquecimento global. Com um aumento de 3 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, a modelagem deles mostra que o número de mortes adicionais semanais decorrentes de um sistema climático semelhante ao de 2003 poderia chegar a 32.000.
Receita para o desastre
Ondas de calor mortais na Europa têm ocorrido repetidamente após a estagnação de um sistema de alta pressão, ou “cúpula de calor”, sobre terras já ressecadas por meses de pouca chuva.
No verão de 2003, uma versão extrema dessa combinação manteve as temperaturas em torno de 38 graus Celsius (100 graus Fahrenheit) por duas semanas consecutivas em grande parte da Europa Ocidental. Na França, caminhões refrigerados armazenaram corpos, pois os necrotérios atingiram sua capacidade máxima. As temperaturas foram tão extremas que o evento praticamente contrariou os cálculos de probabilidade convencionais , que sugeriam que, sem as mudanças climáticas, seria um evento que ocorre uma vez a cada milhão de anos.
“Esse evento, que foi devastador do ponto de vista da saúde, foi extremamente raro do ponto de vista estatístico na época em que aconteceu, e ainda assim sabemos que é possível que as condições climáticas que o produziram possam ocorrer novamente, mas em um clima muito mais quente atualmente”, disse o coautor Noah Diffenbaugh , professor William Wrigley na Escola de Sustentabilidade Doerr de Stanford.
Até agora, porém, os pesquisadores não sabiam qual seria o provável número de mortes caso essas mesmas condições climáticas surgissem no clima atual daqui a duas décadas, ou no futuro, após um aquecimento global adicional.
Risco exponencial
Cientistas sabem há décadas que ondas de calor extremas tendem a se intensificar à medida que o planeta continua a aquecer, e evidências crescentes mostram que os riscos de mortalidade relacionados ao calor podem aumentar exponencialmente com o aumento das temperaturas. O novo estudo mostra como isso pode se desenrolar na Europa. “Esses eventos podem ser tão graves quanto algumas das piores semanas da COVID-19 até meados do século”, disse o coautor Marshall Burke , professor de ciências sociais ambientais da Universidade Stanford.
Os pesquisadores utilizaram métodos estatísticos e de aprendizado de máquina, incluindo um modelo desenvolvido pelo coautor Jared Trok , um estudante de doutorado do grupo de Diffenbaugh em Stanford.
Eles incorporaram dados meteorológicos, temperaturas diárias da superfície e registros de óbitos de 924 regiões subnacionais da Europa durante cinco grandes ondas de calor entre 1994 e 2023, bem como as temperaturas médias globais durante os 12 meses que antecederam cada evento de calor. A ampla gama de influência humana sobre o clima durante esse período, de 0,5 a 1,3 graus Celsius acima da linha de base pré-industrial, permitiu aos pesquisadores examinar um espectro de possíveis condições de ondas de calor.
Assim como estudos anteriores, a pesquisa mostra que os riscos de mortalidade dependem das temperaturas às quais um determinado local está acostumado, sendo que locais mais quentes são um pouco menos sensíveis a altas temperaturas do que regiões mais frias.
“Não comparamos Paris com Amsterdã, mas sim comparamos Paris consigo mesma durante a onda de calor extrema de agosto de 2003 e com um agosto normal de 2002”, explicou Burke. “Isso nos permite isolar o impacto do calor de todos os outros fatores que podem afetar a mortalidade ao longo do tempo ou em diferentes locais.”
Os dados mostram um aumento acentuado nas mortes após um dia com temperatura em torno de 30 graus Celsius (86 graus Fahrenheit), mesmo nas regiões mais quentes, “o que potencialmente reflete limitações na adaptação às condições mais quentes”, escrevem os autores.
‘Estamos completamente despreparados’
Em geral, se as sociedades futuras continuarem a se adaptar como nas últimas décadas, os autores estimam que os ajustes a temperaturas mais altas poderão evitar apenas cerca de uma em cada dez mortes que seriam esperadas devido ao calor extremo.
Embora sejam necessárias mais pesquisas para entender quais intervenções são mais eficazes, medidas como ampliar o acesso a ar-condicionado e sombra, adaptar casas e escolas para aumentar a ventilação e estabelecer programas para acompanhar pessoas isoladas podem ajudar a salvar vidas. “Se surgirem adaptações novas ou mais rápidas, esses números de mortes poderão ser ainda mais reduzidos”, disse Callahan.
Hospitais e sistemas de saúde podem se preparar desenvolvendo capacidade para os tipos de cenários plausíveis de alto impacto detalhados no novo estudo, em vez de planejar com base em projeções de temperatura média.
“Grande parte do excesso de mortes se deve ao fato de estarmos muito despreparados para esses eventos. Assim como durante a COVID, quando o sistema de saúde foi totalmente afetado, as pessoas não conseguiam chegar ao hospital e os hospitais tiveram que dar alta precocemente”, disse Burke. “Portanto, mesmo que você tenha algum problema de saúde que não esteja relacionado ao calor, seu atendimento será prejudicado e os resultados de saúde serão piores.”
Diffenbaugh afirmou que os resultados reforçam a necessidade de nos prepararmos agora para extremos climáticos ainda maiores. Anos isolados com temperaturas globais atingindo 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais já estão acontecendo, e as condições climáticas que podem tornar esses anos mortais não são hipotéticas. “Há muitos motivos para sermos céticos em relação às projeções climáticas futuras, mas podemos pelo menos estar preparados caso os tipos de condições climáticas que já vivenciamos ocorram novamente, porém em um clima mais quente”, disse ele.

Cada painel mostra a taxa de mortalidade regional, em óbitos por 100.000 habitantes, na semana de pico de cada onda de calor hipotética a 3 °C. As semanas de pico são definidas como a semana de máximo excesso de óbitos em toda a Europa (ou seja, o ponto máximo na Fig. 3 ). As regiões brancas são aquelas para as quais não temos dados de população ou mortalidade. Mapas criados com Cartopy v0.24.0 com limites em formato shapefile do Eurostat ( https://ec.europa.eu/eurostat/web/gisco/geodata/statistical-units/territorial-units-statistics ) sob uma licença Creative Commons CC BY 4.0 .
Referência:
Callahan, C.W., Trok, J., Wilson, A.J. et al. Increasing risk of mass human heat mortality if historical weather patterns recur. Nat. Clim. Chang. (2025). https://doi.org/10.1038/s41558-025-02480-1
in EcoDebate, ISSN 2446-9394