sábado, 17 de agosto de 2019

TRAMA DOURADA COM VERMELHA

TRAMA CRAQUELADA AMARELA

TRAMA CRAQUELADA ROSA

TRAMA PARA CHINELOS: PÉROLAS CRAQUELADAS

terça-feira, 13 de agosto de 2019

TRAMA LINDA DE PÉROLAS PARA CHINELOS.

BRACELETE DE PÉROLAS.

RECORDE DE DEGELO NOS POLOS EM JULHO DE 2019.

Recorde de degelo nos polos em julho de 2019, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


 [EcoDebate] O mês de julho de  2019 bateu todos os recordes de degelo nos polos, contribuindo para a elevação do nível dos oceanos e servindo de alerta para bilhões de pessoas que moram nas áreas litorâneas. Depois de cinco sucessivos anos (2014, 2015, 2016, 2017 e 2018) de recordes de temperaturas globais, o ano de 2019 caminha para ser o segundo mais quente já registrado. Os meses de junho e julho de 2019 foram os mais quentes da série histórica que começou em 1880.
Os gráficos abaixo mostram os registros e as tendências do degelo no Ártico e na Antártica nos últimos 40 anos, de 1979 a 2019. Nota-se que o degelo no Ártico é muito mais rápido e apresenta uma redução de 7,3% por década, sendo que no mês de julho de 2019 foram computados 7,6 milhões de km2, bem abaixo da média de 9,5 milhões de km2 no período 1981-2010. Na Antártica, o mês de julho apresentou 15,3 milhões de km2, abaixo da média de 16 milhões de km2 do período 1981-2010.

degelo no Ártico e na Antártica em julho: 1979-2019

O degelo na Groenlândia também é dramático, como mostra o gráfico abaixo do National Snow and Ice Data Center, dos EUA. Após um inverno relativamente seco e primavera quente, a Groenlândia apresentou um grande episódio de derretimento de superfície no mês de julho, especialmente no dia 31/07/2019, com uma área máxima de fusão em 984.000 quilômetros quadrados. O derretimento foi detectado em toda a costa, exceto na ponta mais distante ao sul da camada de gelo, e se estendeu para o interior das regiões oeste central e centro-leste, quase até o cume. As áreas costeiras do leste e nordeste também se fundiram extensivamente.
O derretimento da Groenlândia até o final da primavera foi significativamente maior do que a média de 1981 a 2010, com várias áreas excedendo 10 dias de derretimento adicional acima da média e algumas regiões com mais de 20 dias. Apenas a ponta mais ao sul da ilha e uma região ao longo do lado sudoeste da camada de gelo estão abaixo da média até o momento, segundo o National Snow and Ice Data Center. A taxa atual de fusão é equivalente ao que o modelo mais pessimista projetava para 2070 (Shankman, 01/08/2019).
A enorme cúpula de calor que quebrou recordes de temperatura em toda a Europa na semana passada se instalou na Groenlândia, elevando as temperaturas em toda a vasta ilha do Ártico para até 30 graus Fahrenheit acima do normal. Escrevendo na revista Rolling Stone em um artigo intitulado “A Groenlândia está derretendo diante de nossos olhos”, o meteorologista Eric Holthaus adverte que o gelo da Groenlândia deve derreter em seu ritmo mais rápido já registrado.

Greenland surface melt extent

Portanto, a tendência de perda de gelo é clara ao longo dos últimos 40 anos. As curvas do gráfico abaixo tem uma distribuição bimodal, pois o hemisfério Norte tem pico de gelo entre fevereiro e março, quando o hemisfério Sul está no vale (mínimo de gelo). O máximo do gelo global acontece entre outubro e novembro. Seguindo as curvas anuais (todas com este mesmo tipo bimodal de distribuição), nota-se que elas mostram uma tendência de queda em relação à média de 1981-2010, embora haja oscilações anuais de curto prazo, diferentes da tendência de longo prazo.

global sea ice extent

Todavia, chama a atenção que o padrão de queda na extensão de gelo, desde setembro de 2016, não tem paralelo nos últimos 40 anos, quando se começou as medidas por satélite. A curva de 2016 sofreu uma queda abruta no último trimestre do ano (outubro a dezembro) e continuou batendo recordes de baixa nos dois primeiros meses de 2017 e 2018. Embora tenha havido variações mensais, a extensão de gelo voltou a bater recordes de baixa nos meses de maio, junho e julho de 2019.
O gráfico abaixo mostra uma clara tendência de redução do volume de gelo marinho ao longo dos últimos 40 anos. De fato, medições diretas revelam que diversas geleiras estão derretendo 10 a 100 vezes mais rápido do que se pensava anteriormente, com implicações para o aumento do nível do mar e as pessoas que vivem em áreas costeiras.

global sea ice volume

Artigo de Sutherland et. al publicado na revista Science (26/07/2019) relata uma pesquisa com sonares mostrando resultados alarmantes, pois as geleiras estão derretendo mais rápido do que esperávamos. Do Alasca à Antártida, milhares de geleiras escorrem sobre a terra e correm para o oceano. As geleiras de maré estão recuando e derretendo rapidamente, como grande parte do gelo da Terra, aumentando continuamente o aumento do nível do mar.
O estudo de Sutherland et al. descobriu como sondar diretamente os processos de fusão e testou o método em uma geleira no Alasca. O que se descobriu é preocupante: a geleira está derretendo muito mais rápido do que as teorias atuais sugeriram, pois as taxas de fusão medidas foram cerca de 10 a 100 vezes maiores do que a teoria previa.
Pelo princípio da precaução a humanidade deveria se preocupar com a elevação do nível dos oceanos e isto não é para um futuro distante. Em julho de 2019 a cidade do Rio de Janeiro foi impactada pela ressaca. As praias do Rio perderam faixas de areia e houve degradação das estruturas. Na Praia do Pepê, na Barra da Tijuca, com uma faixa de arreia cada vez menor, parte da ciclovia foi derrubada pela água. Em Copacabana, a areia desapareceu, nos postos 5 e 6, deixando à mostra pedras antigas e prejudicando os turismo. Ao longo do litoral brasileiro são inúmeros os casos de erosão e perda de benfeitorias (malfeitorias) e infraestrutura das praias.
O custo do aquecimento global e da subida do nível do mar será cada vez mais elevado e o número de pessoas atingidas será cada vez maior. O que aconteceu em julho de 2019 é apenas uma amostra do que virá no futuro.

José Eustáquio Diniz Alves
Colunista do EcoDebate.
Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:
Sutherland, D. A. et. al. Direct observations of submarine melt and subsurface geometry at a tidewater glacier, Science, Vol. 365, Issue 6451, pp. 369-374, 26 Jul 2019
https://science.sciencemag.org/content/365/6451/369.abstract
Sabrina Shankman. Greenland’s Melting: Heat Waves Are Changing the Landscape Before Their Eyes, Inside Climate News, 01/08/2019
https://insideclimatenews.org/news/01082019/greenland-climate-change-ice-sheet-melt-heat-wave-sea-level-rise-fish-global-warming

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 09/08/2019