sexta-feira, 12 de outubro de 2018

AQUÍFEROS BRASILEIROS: CENÁRIOS ATUAIS.

Aquíferos Brasileiros – Cenários atuais e perspectivas de abastecimento às gerações futuras, artigo de Marco Antonio Ferreira Gomes e Lauro Charlet Pereira


artigo

[EcoDebate] No Brasil, o cenário sobre a situação das águas subterrâneas tem se agravado muito e tende a piorar em um futuro relativamente próximo, pois a escalada de exploração dos aquíferos continua de forma irregular, como também intensiva, mesmo com a legislação e fiscalização existentes. De fato, temos uma reserva extraordinária de água subterrânea nos chamados aquíferos – reservas com viabilidade econômica de explotação.
Tais reservas até 2010 eram estimadas em 112.300 km3 de água (1km3 corresponde a 1 trilhão de litros), sendo 42.830 km3 na região amazônica, 18.670 km3 no nordeste e 50.800 km3 na região centro-sul/sudeste. Com a realização de novos estudos sobre os aquíferos da Amazônia, principalmente o Alter do Chão, Solimões e Içá, pesquisadores da UFPA, descobriram que o potencial de armazenamento dos mesmos está em torno de 162.520 km3, formando assim o que passou a ser conhecido como Sistema Aquífero Grande Amazônia (SAGA).
Tal estudo mostrou então um acréscimo de 119.690 km3 no potencial de reserva de água subterrânea do país, com um total estimado atualmente em 231.990 km3. Porém, toda essa água não pode ser retirada para consumo, primeiro porque não temos tecnologia que permita isso e, segundo, se fosse possível, tal ação provocaria um grande colapso de ordem geológica, com a formação de abismos/crateras em diversas regiões devido ao imenso espaço vazio que seria formado.
Assim, estudos hidrogeológicos têm mostrado que a retirada de água de um aquífero deve levar em conta a quantidade de água equivalente àquela que entra anualmente a partir das chuvas, quando então é estimado o seu potencial de recarga. Por questões de segurança, principalmente para aquíferos sedimentares, a fim de evitar os possíveis colapsos já citados, recomenda-se a retirada de apenas 25% do total do potencial de recarga, conhecida como reserva explotável. Na prática, isso significa uma quantidade de água muito inferior ao que normalmente se imagina, considerando os números iniciais citados acima.
A título de exemplo, sobre a quantidade de água que deve ser explotada, tem-se o Sistema Aquífero Guarani – SAG (região centro-sul), cujo potencial de recarga ou reserva renovável é de 160 km3 ano-1 e a reserva explotável (RE) de 40 km3 ano-1. Para o SAGA, considerado 3,5 vezes maior do que o SAG, a reserva explotável chegaria então a 140 km3 ano-1, guardadas as devidas particularidades geológicas e climáticas de ambos.
No nordeste, entre os principais aquíferos estão o Urucuia que abrange parte considerável da margem esquerda do rio São Francisco e o Sistema Aquífero Serra Grande/Pimenteiras/Cabeças na Bacia do rio Parnaíba (Piauí/Maranhão e parte nordeste do Tocantins). Diversos trabalhos têm mostrado certa variação na reserva explotável desses aquíferos, com valores de 2,25 a 5,24 km3 ano-1 para o Urucuia e de 6,19 e 9,52 km3 ano-1 para o Sistema Serra Grande/Pimenteiras/Cabeças.
Outra região de destaque em reservas de água subterrânea é a do Pantanal Mato-grossense, especificamente no Mato Grosso do Sul, onde vários sistemas (Aquíferos Cenozoico, Bauru, Serra Geral e Guarani entre outros de menor porte), contribuem para a existência de um volume considerável de água, com reserva renovável da ordem de 50 km3 ano-1 e reserva explotável de 10 km3 ano-1, considerando aqui a retirada de 20% do total de recarga anual, de acordo com normas vigentes do governo estadual, ou seja, mais restritivo do que as recomendações técnicas de 25%, valor esse já citado no início do texto.
Assim, frente ao exposto, que mostra certa abundância de água subterrânea no Brasil, não podemos nos dar ao luxo de consumi-la de forma desordenada, pois o cenário acima retratado, mostra a dependência total dos aquíferos em relação a um regime regular de chuvas. Soma-se a isso, a lentidão nos fluxos subterrâneos que contribui para a reposição lenta em locais onde há retirada excessiva de água, motivo do rebaixamento frequente e quase constante do nível de muitos poços tubulares profundos em várias regiões do país. Tem-se, ainda nesse cenário, a má distribuição da população em relação a esses reservatórios, ou seja, a densidade demográfica é desproporcional à disponibilidade de água subterrânea, o que vale também para a água superficial no caso brasileiro.
A região norte, por exemplo, possui somente 12% da população brasileira e detém 70% da reserva de água subterrânea. Já a região centro-sul (sudeste/sul e centro-oeste) possui uma população em torno de 65% do total, com 22% de toda reserva de água subterrânea do país. O Nordeste, com cerca de 23% da população, possui apenas 8% de toda água subterrânea brasileira.
A partir então dessas considerações, precisamos nos preparar para atender nossos descendentes quanto à disponibilidade de água de qualidade, hoje concentrada principalmente nos aquíferos. Repensar o modelo atual de captação da água subterrânea, com critérios mais rígidos de uso, aliados a outros mecanismos de uso racional da água superficial, além de ações de incentivo à ocupação humana de áreas de baixa densidade demográfica no país, são ações fundamentais para que os mananciais subterrâneos sejam sustentáveis no tempo e assim ajudem, de fato, na sobrevivência das gerações vindouras.
Fonte consultada:
Marco Antonio Ferreira Gomes* & Lauro Charlet Pereira*
*Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/10/2018

ÁREA AFETADA PELA ELEVAÇÃO DO NÍVEL DO MAR NO HAVAÍ PODE SER O DOBRO DO PREVISTO.

Área afetada pela elevação do nível do mar no Havaí pode ser o dobro do previsto


Universidade do Havaí em Manoa *
Por incluir modelos de processos físicos dinâmicos, tais como erosão e arrebentação das ondas, uma equipe de pesquisadores da Universidade do Havaí em Manoa e o Departamento de Terra e Recursos Naturais determinaram que as áreas de terra do Havaí vulneráveis a futuras elevações do nível do mar podem ser o dobro do que havia sido anteriormente estimado.
Extensa erosão costeira perto de casas em Mokuleia na costa norte de Oahu. Crédito: Brad Romine.
Extensa erosão costeira perto de casas em Mokuleia na costa norte de Oahu. Crédito: Brad Romine.
O estudo foi publicado em 27 de setembro na Scientific Reports, revista da Nature.
É importante identificar áreas de terra vulneráveis a desastres relacionados ao nível do mar porque, se deixado sem controle, inundações e erosões continuarão a prejudicar terras costeiras que costumam ser altamente urbanizadas,” disse Chip Fletcher, co-autor e diretor assistente do estudo e professor de ciências da terra na Escola do Oceano e Ciência da Terra e Tecnologia (SOEST, em inglês) na Universidade do Havaí, em Manoa. “A preparação para essas repercussões será muito dispendiosa e levará um longo tempo para ser implementada. Com estes resultados, todos os interessados agora podem estabelecer políticas de adaptação de base empírica.”
Anteriormente, uma técnica muito usada para avaliar os impactos da elevação do nível do mar era o modelo “banheira”, no qual uma superfície de nível do mar estática é projetada sobre um modelo de terreno.
O método da banheira identifica as áreas de baixa altitude e propensas a inundações, mas subestima a totalidade dos possíveis danos devido ao aumento do nível do mar, especialmente nas praias de alta energia do Havaí,” disse a pesquisadora-chefe Tiffany Anderson, membro docente do Departamento de Ciências da Terra na SOEST.
Conforme o nível do mar sobe, vários processos ocorrem. A erosão costeira resulta em perda permanente de terra, mas é também essencial para a preservação das praias; inundações marítimas anuais rapidamente se intensificam além de um limiar crítico; e a elevação do nível freático e o refluxo de esgoto criam novas zonas úmidas e causam enchentes. Estes fatores fazem com que a proteção costeira seja insuficiente como estratégia de adaptação.

Desenvolvendo uma previsão mais realista

Erosão costeira perto de casas. Crédito: Sam Lemmo.
Erosão costeira perto de casas. Crédito: Sam Lemmo.
Nossa avaliação mais abrangente revela realidades importantes que podem ser omitidas em outros métodos,” disse Fletcher. “Somente o método da ‘banheira’ ignora críticos 35 a 54 por cento da totalidade da área exposta a um ou mais destes perigos, dependendo do local e do aumento do nível do mar.”
A equipe também descobriu que elevações comuns nas planícies costeiras de baixa altitude no Havaí criam limites nos níveis de inundação. Quando ultrapassados, a inundação aumenta rapidamente. À medida que o nível do mar se eleva, as terras costeiras ficam expostas a inundações mais intensas e a maiores velocidades de escoamento da água.
A predominância de planícies costeiras de baixa altitude leva a um rápido aumento na exposição da terra a riscos quando o nível do mar excede uma elevação crítica de cerca de 30 a 60cm, dependendo do local.
A equipe havia identificado este fenômeno em pesquisas anteriores e o nominou de “ponto crítico.”
Além disso, uma grande porção de terras com risco de inundação não se encontra na costa,” disse Anderson. “Em vez disso, elas são áreas de baixa altitude onde a elevação do nível do mar faz com que o lençol freático suba à superfície. Essas áreas podem localizar-se a até três quilômetros da costa.”

Preparando-se para o futuro

A modelagem apresentada neste estudo foi desenvolvida para corroborar a criação do Relatório de Vulnerabilidade e Adaptação ao Aumento do Nível do Mar no Havaí, que é a base para futuras iniciativas de planejamento governamentais.
Anderson e sua equipe estão agora incluindo a chuva ao modelo de computador para determinar o quanto as inundações relacionadas ao nível do mar poderiam ser exacerbadas durante eventos pluviométricos que ocorrem durante as marés altas. O curso universitário havaiano Sea Grant, também situado na SOEST, e a empresa Tetra Tech estão ajudando agências estaduais e municipais a levar em consideração esses novos dados em seus planejamentos futuros.
Referência:
Modeling multiple sea level rise stresses reveals up to twice the land at risk compared to strictly passive flooding methods
Tiffany R. Anderson, Charles H. Fletcher, Matthew M. Barbee, Bradley M. Romine, Sam Lemmo & Jade M.S. M. S. Delevaux
Scientific Reportsvolume 8, Article number: 14484 (2018)
DOI https://doi.org/10.1038/s41598-018-32658-x
* Tradução de Ivy do Carmo, Magma Translation (magmatranslation.com)
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/10/2018

O MUNDO VAI DESCARTAR 70% MAIS LIXO E RESÍDUO ATÉ 2050.

O mundo vai descartar 70% mais lixo e resíduo até 2050, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

A dependência do consumo transforma a cidadania em doença consumista


What A Waste 2.0 : A Global Snapshot on Solid Waste Management to 2050

[EcoDebate] A insana e insone máquina de acumulação de riqueza e capital, que funciona na base do modelo “Extrai-Produz-Descarta”, deve aumentar o volume global de descarte de lixo e de resíduos sólidos em cerca de 70% até 2050, quando se alcançará 3,4 bilhões de toneladas, frente a 2,01 bilhões de 2016, segundo o Banco Mundial.
Evidentemente, a vertiginosa proliferação de lixo e resíduos no mundo é uma ameaça adicional para a saúde da população humana, da população não humana e do meio ambiente, além de agravar as mudanças climáticas, segundo o relatório “What A Waste 2.0 : A Global Snapshot on Solid Waste Management to 2050”.
Os países desenvolvidos (economias avançadas) que representem somente 16% da população mundial, descartam mais de um terço (34%) dos resíduos do planeta, mas o leste asiático (com grande presença da China) e a região do Pacífico não estão muito distantes e são responsáveis por quase um quarto (23%) do total de resíduos.
As demais regiões do mundo respondem por mais de 40% dos resíduos e aumentam o descarte a um ritmo mais elevado do que os países ricos. Por exemplo, para 2050, estima-se que a África subsaariana triplicará o nível de seus dejetos e o sudeste asiático o duplicará.
O Banco Mundial está preocupado com a má gestão do plástico, que é particularmente perigoso pois pode afetar os ecossistemas durante centenas ou até milhares de anos. Em 2016, o mundo gerou 242 milhões de toneladas de dejetos de plástico, 12% do total de dejetos sólidos. Enquanto os países ricos reciclam cerca de um terço de seus dejetos, somente 4% é reciclado nos países pobres.
Segundo a Fundação Ellen MacArthur (em parceria com a consultoria McKinsey) a proporção entre as toneladas de plástico e as de peixe era de um para cinco. Caso não ocorram mudanças na maneira de descarte do lixo, em 2025, a proporção será de um para três. E o mais drástico, em 2050, a quantidade de lixo plástico nos oceanos deverá superar a de peixes.
Uma pesquisa da Universidade de Reading, no Reino Unido, publicada na Biology Letters, mostrou que os microplásticos – fragmentos de polímeros inferiores a 5 mm – já não são mais um problema apenas para as criaturas que vivem nos oceanos atulhados por mais de 8 milhões de toneladas de plásticos por ano. Agora eles estão invadindo as cadeias alimentares de outros animais terrestres e povoando áreas de terra firme anteriormente consideradas intocadas. Animais como os mosquitos ou as libélulas podem ingerir os microplásticos e transportá-los. Depois, uma vez que os insetos forem comidos por outros animais, os microplásticos entram totalmente na cadeia alimentar de outras espécies, “democratizando” o consumo de resíduos plásticos entre os seres vivos da Terra.
Desta forma, considerando o quadro mais amplo: é impossível manter o modelo “Extrai-Produz-Descarta” sem correr o risco de um colapso ambiental. Porém, existem pensadores utópicos ou cornucopianos que consideram ser possível manter o modelo de crescimento do consumo, mas desmaterializando os bens físico, quer seja pelo crescimento da sociedade da informação e do conhecimento ou pelo desacoplamento (decoupling) entre bens de consumo e recursos naturais.
A ideia do desacoplamento é tema central do Painel Internacional de Recursos da ONU (UNEP, 2015), que sonha em dissociar os efeitos do crescimento econômico do uso dos recursos naturais e dos seus impactos ambientais. Todavia a realidade tem mostrado que a degradação do patrimônio natural continua concomitantemente ao crescimento da poluição em todas as suas formas. O próprio Painel de Recursos da ONU reconhece que o uso global per capita de materiais (biomassa, combustíveis fosseis, minerais metálicos e minerais não metálicos) continua crescendo, pois era de seis toneladas, em 1970, passou para oito toneladas, em 2000 e chegou a dez toneladas, em 2010. Houve portanto aumento absoluto no uso e abuso dos materiais arrancados das entranhas da Terra.
Mas também houve crescimento relativo, pois a quantidade de material (kg) para produzir uma unidade de PIB (US$) passou de 1,2 kg, em 2000 para 1,4 kg, em 2010. Além disto, o nível de reciclagem é muito baixo e o montante de luxo e lixo é muito alto. Vale a pena ler os textos de Vaclav Smil sobre as ilusões do desacoplamento.
Há 10.000 anos os seres humanos e seus animais representavam menos de um décimo de um por cento da biomassa dos vertebrados da terra. Agora, eles são 97 por cento (Ron Patterson, apud Alves 2014). Cresceram as áreas ecúmenas e diminuíram as áreas anecúmenas. O domínio do egoísmo humano sobre o Planeta (Antropoceno) está provocando a sexta extinção em massa das espécies e acelerando a degradação dos ecossistemas.
Portanto, tem sido uma ilusão conciliar os imperativos gêmeos da sustentabilidade e do desenvolvimento. A ideia do “desenvolvimento sustentável” tem sido apenas um bordão cada vez mais difícil de ser vendido aos cidadãos (transformados em consumidores) do mundo. O desenvolvimento sustentável virou uma contradição em termos e o tripé da sustentabilidade virou um trilema.
A dependência do consumo transforma a cidadania em doença consumista. Mas o CONSUMICÍDIO pode destruir todo o processo civilizatório que ocorre deste o surgimento do homo sapiens até a sua transformação em homo economicus.
Ou se muda o estilo de vida da população mundial ou haverá um grande desastre ambiental e a vida na Terra será afetada pela montanha de lixo e resíduo sólido que cresce em ritmo acelerado como mostrou o próprio Banco Mundial.
Referência:
WORLD BANK. What A Waste 2.0 : A Global Snapshot on Solid Waste Management to 2050, 09/2018 https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/30317
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/10/2018

1 EM CADA 5 ADOLESCENTES ENFRENTA PROBLEMAS DE SAÚDE MENTAL.

OMS: 1 em cada 5 adolescentes enfrenta problemas de saúde mental


Em mensagem para o Dia Mundial da Saúde Mental, lembrado neste 10 de outubro, o chefe da ONU, António Guterres, cobrou mais atenção dos governos aos problemas psicológicos vividos pelos jovens. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, um em cada cinco adolescentes enfrenta desafios de saúde mental. A instituição estima que metade de todas as doenças mentais começa aos 14 anos.
Um em cada cinco adolescentes enfrenta problemas que afetam sua saúde mental. Foto: UNICEF/Gilbertson VII Photo
Um em cada cinco adolescentes enfrenta problemas que afetam sua saúde mental. Foto: UNICEF/Gilbertson VII Photo
Em mensagem para o Dia Mundial da Saúde Mental, lembrado neste 10 de outubro, o chefe da ONU, António Guterres, cobrou mais atenção dos governos aos problemas psicológicos vividos pelos jovens. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, um em cada cinco adolescentes enfrenta desafios de saúde mental. A instituição estima que metade de todas as doenças mentais começa aos 14 anos.
“A falta de saúde mental durante a adolescência tem impacto no desempenho educacional e aumenta o risco de uso de álcool e outras substâncias e (também) de comportamento violento”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas.
Segundo a OMS, a maioria dos transtornos mentais entre adolescentes não é diagnosticada nem tratada. A depressão é uma das principais causas de adoecimento e deficiência entre os jovens. O organismo mundial aponta que o suicídio é a segunda maior causa de morte entre indivíduos de 15 a 29 anos de idade.
O uso nocivo de álcool e drogas ilícitas entre os adolescentes é um problema grave em muitos países e pode levar a comportamentos autodestrutivos, como sexo desprotegido ou condução perigosa de carros. Transtornos alimentares também são fonte de preocupação, de acordo com a OMS.
“Uma grande quantidade de problemas de saúde mental são igualmente preveníveis e tratáveis, especialmente se começarmos a cuidar da nossa saúde mental cedo”, disse Guterres.
O secretário-geral acrescentou que muito frequentemente indivíduos com transtornos mentais “ainda são marginalizados”.
Entre as várias medidas que governos podem tomar para lidar com esse cenário, a OMS recomenda: a inclusão de serviços de saúde mental na cobertura universal de saúde; a conscientização e capacitação de pais e professores; o oferecimento de atendimento psicossocial em escolas e espaços comunitários, especialmente em contextos de emergência, como situações de conflito e desastres naturais.
A Organização também aponta que cada vez mais evidências científicas indicam que o investimento na saúde mental dos adolescentes beneficia economias e sociedades como um todo, pois permite aos jovens tornarem-se adultos mais produtivos.
Fonte : ONUBrasil

ONU:PERDAS ECONÔMICAS PROVOCADAS POR DESASTRES NATURAIS.

Relatório da ONU alerta para aumento dramático das perdas econômicas provocadas por desastres


Os desastres climáticos e geofísicos, como terremotos e tsunamis, mataram 1,3 milhão de pessoas nos últimos 20 anos e deixaram mais 4,4 bilhões de feridos, desabrigados ou em necessidade de ajuda de emergência, disseram especialistas da ONU nesta quarta-feira (10).
As descobertas, publicadas pelo Escritório da ONU para Redução de Risco de Desastres (UNISDR), também mostraram que as pessoas em países de renda baixa e média têm sete vezes mais probabilidade de morrer devido a desastres naturais do que nos países desenvolvidos.
Carros e casas danificadas no Parque Nacional de Balaroa, em Palu, na Indonésia, após terremoto seguido de tsunami ocorrido em setembro. Foto: UNICEF/Arimacs Wilander
Carros e casas danificadas no Parque Nacional de Balaroa, em Palu, na Indonésia, após terremoto seguido de tsunami ocorrido em setembro. Foto: UNICEF/Arimacs Wilander
Os desastres climáticos e geofísicos, como terremotos e tsunamis, mataram 1,3 milhão de pessoas nos últimos 20 anos e deixaram mais 4,4 bilhões de feridos, desabrigados ou em necessidade de ajuda de emergência, disseram especialistas da ONU nesta quarta-feira (10).
As descobertas, publicadas pelo Escritório da ONU para Redução de Risco de Desastres (UNISDR), também mostraram que as pessoas em países de renda baixa e média têm sete vezes mais probabilidade de morrer devido a desastres naturais do que nos países desenvolvidos.
“Isso coloca uma grande ênfase na necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa”, disse Ricardo Mena, chefe da UNISDR, apoiando e monitorando a implementação da Estrutura de Sendai.
Deixar de fazer isso elevará o risco de danos relacionados ao clima saírem do controle, disse ele a jornalistas em Genebra, antes de pedir um maior investimento em medidas de redução de risco de desastres, “para que os países não criem novos riscos”.
Em termos do impacto de desastres na economia global entre 1998 e 2017, os países afetados relataram perdas diretas de 2,908 trilhões de dólares. Isso é mais do que o dobro do que foi perdido nas duas décadas anteriores.
Ilustrando a crescente ameaça da mudança climática, os eventos climáticos extremos agora representam 77% do total das perdas econômicas, 2,245 trilhões de dólares, observa o relatório.
Isso representa um “aumento dramático” de 151% em comparação com as perdas registradas entre 1978 e 1997, que somaram 895 bilhões de dólares.

Países pobres mais vulneráveis, mais atingidos

A crescente vulnerabilidade a desastres por parte dos países mais pobres é ilustrada pelo fato de que, nos últimos 20 anos, apenas um único território de alta renda — a ilha de Porto Rico — apareceu na lista das dez principais perdas econômicas em porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB).
Em setembro passado, a devastação provocada pelo furacão Maria contribuiu para as maiores perdas totais desde 1998, de mais de 71 bilhões de dólares; o equivalente a 12,2% do PIB de Porto Rico.
Com exceção de Cuba, classificada como um país de renda média-alta na revisão de 20 anos, as outras dez nações mais afetadas em percentual de sua produção são todas de baixa renda.
O Haiti — onde um terremoto de magnitude 5.9 atingiu o noroeste da ilha há apenas quatro dias — registrou as maiores perdas, com 17,5% do PIB.
Em termos de mortes provocadas por desastres, o relatório indica que mais de 747 mil pessoas — 56% do total — morreram nas últimas duas décadas durante grandes eventos sísmicos, um total de 563 terremotos e tsunamis relacionados.
No geral, no entanto, mais de 90% de todos os desastres nos últimos 20 anos foram inundações, tempestades, secas e outros eventos climáticos extremos.

Ondas de calor são a próxima ‘explosão’ climática

Ondas de calor são uma ameaça global crescente para a qual as soluções precisam ser encontradas nos próximos cinco a dez anos, alertou a coautora do estudo, Debarati Guha, do Instituto de Saúde e Sociedade (IRSS), parte da Universidade Católica de Louvain (UCL).
“O próximo (fenômeno) que vai nos atingir com uma explosão é onda de calor”, disse ela. “Vai ser tanto em países pobres — lembre-se que os seres humanos têm um limite, um limite de resistência térmica — como será um grande problema nos países mais ricos”.
“Enfatizamos a necessidade de reduzir o risco existente para fortalecer a resiliência de pessoas e nações. Caso contrário, o sucesso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) será muito difícil”, disse Ricardo Mena, do UNISDR.
Fonte : ONUBrasil

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

AQUECIMENTO GLOBAL : PRIMAVERA MAIS QUENTE LEVA A UM MENOR CRESCIMENTO DA PLANTAS NO VERÃO.

Aquecimento Global: primavera mais quente leva a um menor crescimento das plantas no verão


Más notícias para o clima: as plantas começam a crescer mais cedo na primavera, mas, ao contrário da crença popular, isso resulta em consideravelmente menos absorção de CO2

Por Florian Aigner, Technische Universität Wien*
Observações de satélite mostram que primaveras mais quentes resultam em maior produtividade da vegetação na primavera, mas (em muitas regiões) em menor produtividade no verão e no outono. Crédito: TU Wien
Observações de satélite mostram que primaveras mais quentes resultam em maior produtividade da vegetação na primavera, mas (em muitas regiões) em menor produtividade no verão e no outono. Crédito: TU Wien
A mudança climática influencia o crescimento das plantas, com o crescimento da primavera começando no início de cada ano. Até agora, pensava-se que este fenômeno estava retardando a mudança climática, pois os cientistas acreditavam que esse processo levou a que mais carbono fosse absorvido da atmosfera para a fotossíntese e mais produção de biomassa. No entanto, como as avaliações de dados de satélite realizadas na TU Wien mostraram agora, este não é o caso. Pelo contrário, em muitas regiões, um início da primavera leva a um menor crescimento das plantas.
Os modelos climáticos que foram usados até agora precisam ser modificados e o clima mundial está em um estado ainda mais crítico do que se pensava anteriormente. Os resultados já foram publicados em um grande estudo internacional na revista científica Nature .
Dados de satélite: quão verde é a Terra?
“Nós já sabíamos que a mudança climática havia mudado o tempo de crescimento das plantas”, diz Matthias Forkel, do Departamento de Geodésia e Geoinformação da TU Wien. Os invernos estão ficando mais curtos e as plantas estão ficando verdes mais cedo. No entanto, até agora, não estávamos claros sobre o que isso significava para o crescimento das plantas no verão e no outono e para a quantidade de CO2 usada durante a fotossíntese. Pela primeira vez, pudemos investigar os padrões globais desse efeito usando dados de satélite. “Analisamos imagens de satélite dos últimos 30 anos, examinando todo o globo ao norte do paralelo 30 norte, do sul da Europa e do Japão às regiões mais ao norte da tundra”, diz Matthias Forkel.
Em áreas de vegetação alta, a luz é fortemente absorvida e a radiação infravermelha é fortemente refletida. “Isso significa que podemos determinar quanta fotossíntese está ocorrendo e quanto carbono é absorvido durante a fotossíntese em todo o mundo, ponto a ponto”, explica Forkel. Essas análises de dados foram realizadas na Universidade de Leeds, no Reino Unido, e na TU Wien, com o envolvimento adicional de equipes de pesquisa climática e ambiental dos EUA e de vários outros países.
Uma primavera quente – um outono mais seco
Quando o clima primaveril começa mais cedo, é razoável supor que as plantas terão mais tempo para crescer, absorver mais carbono da atmosfera e produzir mais biomassa como resultado. Mas este não é o caso. Os dados mostram, de fato, que o hemisfério norte é, na verdade, mais verde na primavera, quando as temperaturas são especialmente quentes. No entanto, esse impacto pode ser revertido no verão e no outono, levando inclusive a uma redução geral da absorção de carbono como resultado do aumento da temperatura.
Pode haver várias razões para isso: o maior crescimento de plantas na primavera pode aumentar a transpiração e a demanda por água, o que, por sua vez, diminui o teor de umidade do solo e resulta em água insuficiente para as plantas no final do ano. É possível que certas plantas também tenham um período de crescimento predeterminado que não seja estendido pelo início mais precoce do crescimento.
“Esses mecanismos são complicados e variam em uma base regional”, diz Matthias Forkel. “No entanto, nossos dados mostram claramente que a produtividade média das plantas diminui durante os anos que experimentam uma primavera quente”.
Mudança climática com consequências ainda mais graves
Os modelos climáticos anteriores levaram em consideração o crescimento das plantas, mas subestimaram o papel desse efeito adverso. Os modelos devem, portanto, ser melhorados. “Infelizmente, isso altera as previsões do clima para pior”, diz Forkel. “Temos que assumir que as consequências do aquecimento global serão ainda mais dramáticas do que o calculado anteriormente”.
Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/10/2018

EXTENSÃO DE GELO DO ÁRTICO NO VERÃO DE 2018 É A SEXTA MENOR JÁ REGISTRADA.

Extensão de gelo do Ártico no verão de 2018 é a sexta menor já registrada


Em 19 e 23 de setembro, o mar Ártico atingiu sua menor dimensão sazonal do ano: 4,59 milhões de quilômetros quadrados (1,77 milhão de milhas quadradas). Isto empata 2018 com 2008 e 2010 na sexta menor dimensão mínima nos quase 40 anos de monitoramento por satélite.
NASA – Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo*
Em 19 e 23 de setembro de 2018, a extensão do gelo marinho diminuiu para 4,59 milhões de quilômetros quadrados (1,77 milhão de milhas quadradas), empatando com 2008 e 2010 como a sexta menor dimensão registrada por satélite. Esta parece ser a menor dimensão do ano. Reagindo ao sol poente e às quedas de temperatura, a extensão do gelo começará a crescer durante o outono e o inverno. Contudo, uma mudança na direção do vento ou um período de derretimento tardio ainda poderiam diminuir a dimensão do gelo.
A extensão mínima foi alcançada 5 e 9 dias após 14 de setembro, data em que ela em média ocorreu entre 1981 e 2010. O intervalo interquartil das datas de extensão mínima é de 11 a 19 de setembro. A data de extensão mínima deste ano, 23 de setembro, é uma das mais tardias no registro dos satélites, empatando com 1997. Tal atraso aparenta ser ao menos parcialmente causado por ventos do sul, vindos do mar Siberiano Oriental, que trouxeram ar quente para a região e impediram o gelo de derivar ou crescer em direção ao sul.
A extensão mínima deste ano classificou-se atrás de 2015 (quinta menor), 2011 (quarta menor), 2007 e 2016 (empatados como segundas menores) e 2012 (a menor já registrada). Além do mais, todas as doze menores dimensões, na era do satélite, ocorreram nos últimos doze anos.

Figura 1a. A extensão do gelo marinho do Ártico em 23 de setembro de 2018 foi de 4,59 milhões de quilômetros quadrados (1,77 milhão de milhas quadradas). A linha laranja mostra a dimensão média deste dia entre os anos de 1981 e 2010. Crédito: Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo
Figura 1a. A extensão do gelo marinho do Ártico em 23 de setembro de 2018 foi de 4,59 milhões de quilômetros quadrados (1,77 milhão de milhas quadradas). A linha laranja mostra a dimensão média deste dia entre os anos de 1981 e 2010. Crédito: Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo
Figura 1b. O mapa acima compara a extensão do gelo marinho do Ártico nos dias 19 e 23 de setembro de 2018, quando este atingiu sua dimensão mínima deste ano. Crédito: Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo
Figura 1b. O mapa acima compara a extensão do gelo marinho do Ártico nos dias 19 e 23 de setembro de 2018, quando este atingiu sua dimensão mínima deste ano. Crédito: Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo
Condições em contexto
O mínimo deste ano, em 23 de setembro, foi 1,2 milhão de quilômetros quadrados (463 mil milhas quadradas) acima da extensão mínima registrada na era do satélite, que ocorreu em 17 de setembro de 2012 e 1,63 milhão de quilômetros quadrados (629 mil milhas quadradas) abaixo da média de extensão mínima entre 1981 e 2010.

Figura 2. O gráfico acima mostra a dimensão do gelo marinho do Ártico em 23 de setembro de 2018, juntamente com os dados da extensão diária do gelo nos quatro últimos anos e as menores extensões de cada ano. 2018 está em azul, 2017 em verde, 2016 em laranja, 2015 em marrom, 2014 em roxo e 2012 em marrom tracejado. A média de 1981 a 2010 está em cinza escuro. As áreas cinzentas em torno da linha média mostram os intervalos interquartil e interdecil dos dados. Crédito: Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo
Figura 2. O gráfico acima mostra a dimensão do gelo marinho do Ártico em 23 de setembro de 2018, juntamente com os dados da extensão diária do gelo nos quatro últimos anos e as menores extensões de cada ano. 2018 está em azul, 2017 em verde, 2016 em laranja, 2015 em marrom, 2014 em roxo e 2012 em marrom tracejado. A média de 1981 a 2010 está em cinza escuro. As áreas cinzentas em torno da linha média mostram os intervalos interquartil e interdecil dos dados. Crédito: Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo

As doze extensões mínimas do gelo marinho do Ártico (monitoramento por satélite, de 1979 até o presente)

Tabela 1. As doze extensões mínimas do gelo marinho do Ártico (monitoramento por satélite, de 1979 até o presente)
CLASSIFICAÇÃO
ANO
EXTENSÃO MÍNIMA DE GELO
DATA
EM MILHÕES DE QUILÔMETROS QUADRADOS
EM MILHÕES DE MILHAS QUADRADAS
1
2012
3,39
1,31
17 de set.
2
2007
2016
4,16
4,17
1,61
1,61
18 de set.
10 de set.
4
2011
4,34
1,68
11 de set.
5
2015
4,43
1,71
9 de set.
6
2008
2018
2010
4,59
4,59
4,62
1,77
1,77
1,78
19 de set.
19 e 23 de set.
21 de set.
9
2017
4,67
1,80
13 de set.
10
2014
2013
5,03
5,05
1,94
1,95
17 de set.
13 de set.
12
2009
5,12
1,98
13 de set.
Os valores abaixo de 40 mil quilômetros quadrados (15 mil milhas quadradas) são considerados como empate. O valor de 2017 mudou de 4,64 para 4,67 milhões de quilômetros quadrados (1,6 milhas quadradas)quando os dados da última análise atualizaram os dados em tempo quase real.
* Tradução de Ivy do Carmo, Magma Translation (magmatranslation.com)
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/10/2018