segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A GLOBALIZAÇÃO E A MUNDIALIZAÇÃO DO CAPITALISMO .


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Fatos históricos marcantes ocorridos entre o final da década de 1980 e o início da de 1990 determinaram um processo de rápidas mudanças políticas e econômicas no mundo. Até mesmo os analistas e cientistas políticos internacionais foram surpreendidos pelos acontecimentos.
• a queda do muro de Berlim em 1989;
• o fim da Guerra Fria;
• o fim do socialismo real;
• a desintegração da União Soviética, em dezembro de 1991, e seu desdobramento em novos Estados soberanos (Ucrânia, Rússia, Lituânia, etc.);
• a explosão étnica ou das nacionalidades em vários lugares, acompanhada da guerra civil: antiga Iugoslávia. Geórgia, Chechênia, etc.;
• o fim da política do apartheid e a eleição de Nelson Mandela para presidente, na África do Sul.
• acordo de paz entre Israel, OLP (Organização para a Libertação da Palestina) e Jordânia;
• a formação de blocos econômicos regionais (União Europeia, Nafta, MERCOSUL, ETC.);
• o grande crescimento econômico de alguns países asiáticos (Japão, Taiwan, China, Hong-kong, Cingapura), levando a crer que constituirão a região mais rica e próspera do século XXI;
• o fortalecimento do capitalismo em sua atual forma, ou seja, o neoliberalismo.
• o grande desenvolvimento científico e tecnológico ou Terceira Revolução Industrial ou Tecnológica.
Até praticamente 1989, ano da queda do Muro de Berlim, o mundo vivia no clima da Guerra Fria.
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De um lado, havia o bloco de países capitalistas, comandado pelos Estados Unidos e, de outro, o de países socialistas, liderado pela ex-União Soviética, configurando uma ordem mundial bipolar ou um sistema de polaridades definidas.
As reformas iniciadas por Gorbatchev, na ex-União Soviética, em 1985, através da Perestróika e da Glasnost, foram pouco a pouco minando o socialismo real e, consequentemente, essa ordem mundial bipolar. A queda do Muro de Berlim, com a reunificação da Alemanha, a eleição de Lech Walesa (líder do Partido Solidariedade) para a presidência da Polônia, em 1990, que representou o término do domínio absoluto do Partido Operário Unificado Polonês sobre a sociedade polonesa, e muitos outros acontecimentos no Leste europeu alteraram profundamente o sistema de forças até então existente no mundo.
De um sistema de polaridades definidas passou-se, então, para um sistema de polaridades indefinidas ou para a multipolarização econômica do mundo. Do confronto ideológico (capitalismo versus socialismo real) passou-se para a disputa econômica entre países e blocos de países.
O beneficiário dessa mudança, historicamente rápida, que deixou muitas pessoas perplexas por sua imprevisibilidade a curto prazo, foi o sistema capitalista, que pôde expandir-se ainda mais, globalizar-se, ou seja, tornar-se praticamente hegemônico na organização da vida social em todas as suas esferas (política, econômica e cultural). Assim, o capitalismo mundializou-se, globalizou-se e universalizou-se, invadindo os espaços geográficos que até então se encontravam sob o regime de economia centralmente planificada ou nos quais ainda se pensava poder viver a experiência socialista.
Nas palavras de Octavio Ianni, sociólogo brasileiro que já há algum tempo vem estudando a questão da globalização:
“O capitalismo atinge uma escala propriamente global. Além das suas expressões nacionais, bem como dos sistemas e blocos articulando regiões e nações, países dominantes e dependentes, começa a ganhar perfil mais nítido o caráter global do capitalismo. Declinam os estados nações, tanto os dependentes como os dominantes. As próprias metrópoles declinam, em benefício de centros decisórios dispersos em empresas e conglomerados(...)” Octavio Ianni, A sociedade global, p. 39.)
A globalização não é um acontecimento recente. Ela se iniciou já nos séculos XV e XVI, com a expansão marítimo-comercial europeia, consequentemente a do próprio capitalismo e continuou nos séculos seguintes. O que diferencia aquela globalização ou mundialização da atual é a velocidade e abrangência de seu processo, muito maior hoje. Mas o que chama a atenção na atual é sobretudo o fato de generalizar-se em vista da falência do socialismo real. De repente, o mundo tornou-se capitalista e globalizado.
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As características da globalização podem ser assim resumidas:
• internacionalização da produção;
• internacionalização ou globalização das finanças;
• alteração na divisão internacional do trabalho, ou, antes, criação de uma nova divisão de trabalho dentro das próprias empresas transnacionais, em que a distribuição das funções produtivas não se encontra mais concentrada num único país, mas espalhada por vários países e continentes (por exemplo, um país fabrica um componente do produto, um segundo fabrica outro, um terceiro faz a montagem, enquanto o centro financeiro e contábil da empresa está sediado num quarto país).;
• o grande movimento migratório do hemisfério sul para o norte;
• a questão ambiental e a sua importância nas discussões internacionais;
• o Estado passa de protetor das economias nacionais e provedor do bem-estar social, a adaptar-se à economia mundial ou às transformações do mundo que ela própria e a exaltação do livre mercado provocam.
Nesse quadro de globalização, hoje, as empresas transnacionais:
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• atuam em vários países ao mesmo tempo;
• compram a melhor matéria-prima ao menor preço em qualquer lugar do mundo;
• instalam-se onde os governos oferecem mais vantagens (terrenos, infra-estrutura, isenção ou redução de impostos etc.) e a mão-de-obra é mais barata;
• com um eficiente sistema de distribuição, enviam seus produtos para todos os cantos do mundo;
• fazem uma intensa publicidade, convencendo-nos da necessidade de adquiri-los, criando necessidades humanas inimagináveis, num mundo em que não foram resolvidas questões básicas de sobrevivência de centenas de milhões ou bilhões de seres humanos (fome, emprego, moradia, educação, saúde etc.);
• têm um faturamento gigantesco, que chega a ser superior à soma do PIB de vários países.
Na atual fase histórica de predominância do sistema capitalista vem ocorrendo: a fusão de grandes empresas com ampliada concentração do poder político-econômico e aumento de sua influência cultural. Junto com os fundos de pensão, fundos mútuos de investimento e outras instituições similares, essas grandes empresas, com sede em países desenvolvidos, operam financeiramente no mundo inteiro. Com exceção dos de pensão, que precisam operar nos limites da prudência e com perspectiva de longo prazo, os demais fundos e outras instituições financeiras ou empresas, além de aplicar nos setores da indústria clássica e principalmente nos de tecnologia de ponta e de serviços, controlam usualmente os chamados capitais voláteis ou de curto prazo. Fazem investimentos especulativos nas bolsas de valores de todo o mundo; movimentam-se rapidamente em transações controladas por redes eletrônicas; ignoram fronteiras nacionais e vão em busca de espaços geográficos que lhes ofereçam rentabilidade; fogem do controle dos Estados nacionais, cujos governos se sentem impotentes em discipliná-los. Desse modo, comandam a economia mundial e influem sobremaneira no arranjo espacial ou na organização do espaço geográfico das nações, segundo seus interesses ou conveniências.
“Avolumam-se evidências de que, na economia global, cada vez mais é o mercado financeiro, ou seja, as grandes corporações e não os governos, que, em última análise, decide sobre os destinos do câmbio, da taxa de juros, dos preços das commodities”, da poupança e dos investimentos. Sem duvida, a liberação e a globalização dos mercados são altamente vantajosas para o grande capital, cujos horizontes e estratégias transbordam as fronteiras estreitas do Estado nacional (...). Dificilmente encontrar- se - á uma referência às prioridades sociais na retórica “dos arautos da globalização” (H. Rattner, Globalização... in revista do IEA, USP, set./dez. 1995, p. 66)
A flexibilidade de negociação dessas empresas em vários espaços geográficos ao mesmo tempo aumenta com a revolução científica da eletrônica. A informática, o fax, a tevê a cabo e a internet romperam a distância na comunicação; os lugares mais longínquos tornaram-se muito próximos e o simples aperto de uma tecla de computador pelos experts em mercado financeiro transfere milhões de dólares da bolsa de valores de um país para outro. Os denominados capitais de curto prazo ou voláteis fazem a especulação financeira onde bem desejam. Se o mercado é propício aos investimentos, lá vai o capital especulativo para o que chamam de mercado emergente com uma rapidez nunca visto.
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Mercados emergentes?
Segundo o economista José Luis Fiori, em artigo publicado na Folha de S. Paulo, em 01-10-95, após a Segunda Guerra Mundial e épocas distintas, a mídia e parte da intelectualidade de língua inglesa deram quatro denominações para países subdesenvolvidos na década de 50, países em desenvolvimento, nas de 60 a 70, países recentemente industrializados; na de 80, países endividados; na de 90, as bolsas de valores excluíram-nos da condição de países – pois a globalização da economia se expandiu e derrubou as fronteiras nacionais – e passamos a ser chamados de mercados emergentes. É essa, hoje, nossa identidade no cenário da globalização, onde o que prevalece ou interessa ao grande capital é a perspectiva de mercado.
No contexto de um país subdesenvolvido, os efeitos da globalização têm sido desastroso. Um exemplo ilustrativo foi ocorrido com o México, que viveu sua pior crise financeira em dezembro de 1994. O país fora, até então, o melhor aluno do FMI e do Banco Mundial, fez a desregulamentação da economia, a abertura econômica ao exterior e a política de privatizações de suas empresas estatais.
De um dia para outro, bilhões de dólares de capital especulativo foram transferidos de suas bolsas de valores para outras praças. A crise financeira resultante teve as consequências típicas desse quadro: inflação, recessão, aumento do desemprego e falências de empresas.
Estamos vivendo, portanto, um momento ímpar na história da humanidade. A globalização da economia exige das empresas nacionais um esforço muito grande para se adaptarem à nova realidade mundial, com métodos cada vez mais apurados de administração empresarial, controle eficaz do capital financeiro, novas tecnologias, baixos custos de produção, mão-de-obra altamente qualificada etc., requisitos que que elas nem sempre são capazes de possuir.
No mundo globalizado, a competição e a competitividade entre as empresas tornaram-se questões de sobrevivência. Entretanto, como o poder das empresas (quanto ao domínio de tecnologia de capital financeiro, de mercados, de distribuição etc.) é desigual, surgem relações desiguais entre elas e entre elas e o mercado. Algumas sairão vitoriosas e outras sucumbirão. Muitos setores da economia estão oligopolizados e até mesmo monopolizados, dificultando a entrada de novos competidores. Desse modo, a noção de livre mercado é relativa. Muitos setores da atividade econômica já têm “donos” e dificilmente permitirão a entrada de novos produtores. A globalização da economia e das finanças beneficia, assim, amplamente o grande capital, as grandes corporações transnacionais. Inserido nessa nova conjuntura, nessa nova ordem econômica, o Brasil fez a abertura econômica para o exterior, tem aplicado a política de privatizações e empenha-se em desregulamentar sua economia, oferecendo vantagens às transnacionais para que aqui se instalem. Em alguns segmentos da economia, como as indústrias farmacêuticas, da borracha, do fumo e a automobilística, existe um domínio absoluto das transnacionais. Cerca de 44% do total das exportações de manufaturados brasileiros são das transnacionais. Somos uma das economias mais internacionalizadas do mundo e caminhamos a passos largos para que essas características se acentuem em vista do processo de globalização que estamos vivendo.
O desafio que esse quadro nos impôs é o de definir uma política de controle da ação dessas corporações e dos capitais de curto prazo, principalmente daqueles que possuem enorme poder econômico e político, e centros de decisão sediados no exterior.
Atualmente somos a sexta economia do mundo e não conseguimos resolver vários problemas referentes ao meio ambiente, com queimadas e desmatamentos sem controle, para beneficiar as madeireiras e agropecuaristas, falta de uma boa educação, moradia, mão-de-obra qualificada, um salário mínimo vergonhoso e mais vergonhoso ainda é o salário dos aposentados.
Fonte:Melhem Adas/Panorama Geográfico do Brasil
Adaptado por: Geo-Conceição


Atividade :
1- Explique o que é globalização:
2- Escreva três características da globalização :
3- Atualmente com a globalização como agem as transnacionais?
4- Após a Segunda Guerra Mundial, quais as denominações foram dadas aos países que não eram considerados desenvolvidos ?
5- Dê o significado das palavras :
* monopólio -
* oligopólio -
* cartéis -
* trustes -
* royaltys -
* commodity -
* dumping.

domingo, 9 de setembro de 2012

TIPOS DE FOZ

360graus.terra.com.br
Os rios, ao desembocarem em outro rio ou no oceano ou em um lago, podem apresentarem um ou mais tipos de foz.
1- FOZ DO TIPO ESTUÁRIO, com um único canal, não apresenta obstáculos , como exemplos temos a foz dos rios: Congo, na África e rio Itajaí-Açu, no Brasil.

pedroseverinoonline.blogspot.com - ESTUÁRIO

2- FOZ DO TIPO DELTA, com vários canais entremeados de ilhas formando uma espécie de leque, essas ilhas podem ser naturais ou formadas por sedimentos transportados pelas águas dos rios, como exemplos temos a foz do rio Nilo, na África e dos rios Paranaíba, Acaraú, Piranhas e Paraíba do Sul, no Brasil.
No Brasil, predominam rios com foz do tipo estuário.

3- FOZ DO TIPO MISTA OU COMPLEXA, quando um rio apresenta a foz do tipo Delta e a foz do tipo estuário, como é o caso do rio Amazonas, no Brasil.
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CHINA ALIMENTA O TEMOR GLOBAL DE UMA BOLHA IMOBILIÁRIA.

Muralhas fantasmas

Elevado número de empreendimentos vazios na China alimenta o temor global de uma bolha imobiliária na segunda maior economia do mundo

Fabíola Perez

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Imponentes e modernas, as cidades chinesas são um símbolo da pujança econômica do país. O setor de construção civil responde por 11% do PIB nacional e demanda uma grande parcela da produção internacional de aço e cobre. No entanto, a China enfrenta hoje uma das maiores contradições de seu vasto mercado imobiliário: são 64 milhões de imóveis vazios, entre eles, casas, torres, escritórios e até shoppings. O fenômeno, que ocorre em várias regiões, é resultado do excesso de investimento imobiliário e já traz o perfil de uma bolha, prestes a fazer estragos na segunda maior economia do globo e assustar investidores de todo o mundo. “As cidades fantasmas são consequência de um investimento insustentável gerado pela expansão do crédito no país”, explica Bruna Santos, diretora de Relações Internacionais e sócia-fundadora da consultoria Radar China.

Em algumas regiões há distritos comerciais e residenciais inteiros que nunca chegaram a ser ocupados. O mais conhecido é o bairro fantasma em Ordos, na Mongólia Interior, ao norte do país. Cerca de US$ 1 bilhão foram investidos na construção de 300 mil apartamentos e na infraestrutura para uma população estimada oficialmente em 30 mil pessoas. A intenção dos empresários e da prefeitura era usar os lucros da indústria do carvão local, uma das maiores do país, para transformar a cidade em uma versão chinesa de Dubai, nos Emirados Árabes. A intensa construção de imóveis na China ocorreu na expectativa de que a migração para as cidades se tornasse um processo crescente e com crescimento exponencial. “Os chineses assistiram, porém, a uma desaceleração que não sustentou o tamanho do investimento e mostrou-se incapaz de gerar o número necessário de empregos nas cidades”, ressalta a diretora.

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Uma das explicações para as cidades vazias é a falta de opção para aplicações. “Entre poupar e investir, os chineses preferiram a segunda opção, sem pensar exatamente no que estaria por vir”, diz Bruna. Boa parte dos empreendimentos desabitados na China pertence a investidores privados da classe média em ascensão. Eles preferem colocar sua poupança no mercado, uma vez que o rendimento das aplicações nos bancos é baixo e apostar em ações é uma escolha considerada arriscada para o perfil das famílias chinesas. Nos últimos anos, comprar imóveis foi uma opção vantajosa para a população, já que os impostos sobre a propriedade eram baixos e, para estimular a economia, o governo decidiu aumentar a oferta de crédito após a crise mundial de 2008. Com isso, estima-se que 30 milhões de chineses tenham hoje mais de um imóvel.

Para o coordenador do Programa de Estudos Asiáticos Pró-Ásia da Universidade de São Paulo, Gilmar Masiero, existe uma distância entre a demanda da população chinesa e a velocidade com que opera o setor de construção do País. “É preciso levar em consideração que na China a migração é controlada pelo governo, o que dificulta o processo de mudança para quem adquiriu um imóvel nas cidades reformadas”, afirma ele. Outro fator apontado pelo especialista é que as construtoras ergueram mais propriedades do que eram capazes de vender a um preço alto. “Esse fenômeno gerou um excesso de oferta para uma população vinda das áreas rurais e despreparada”, analisa o professor.

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CONSTRUÇÃO
Condomínio em Ordos é uma das regiões fantasmas mais famosas
da China (acima). Abaixo, mão de obra empregada no setor

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Tentando evitar uma crise, o governo dificultou a compra de múltiplos imóveis para especulação no mercado. Além disso, elevou para 60% a entrada cobrada para um segundo imóvel, o dobro do exigido para o financiamento da primeira casa própria. Com isso, depois de nove meses consecutivos em queda, uma pesquisa realizada com incorporadoras e corretores de imóveis revelou que o preço médio do metro quadrado em 100 grandes cidades chinesas subiu em junho em comparação com o mês anterior. “O mundo olha para a China como um propulsor da economia mundial e o temor é de que o país não consiga alcançar essa meta, provocando uma forte recessão mundial”, observa Bruna, diretora da Radar China. “O pior cenário sobre o crescimento chinês envolve o colapso do mercado imobiliário”, declarou Mark Williams, economista especialista em Ásia, da Capital Economics, de Londres. Caso um crescimento racional do investimento não seja alcançado, especialistas asseguram que mais elefantes brancos farão o mercado imobiliário dar sinais de esgotamento no gigante asiático.

Fotos: Stringer/REUTERS; MIchael Christopher Brown; Xu Wanglin

FONTE: ISTOÉIndependente-Mundo

CHINA: AULAS DE PATRIOTISMO NAS ESCOLAS.

Hong Kong abandona plano de aulas de patriotismo chinês

Líder da cidade semiautônoma, Leung Chun-ying, disse que caberia às escolas decidir se adotarão as aulas ou não

City University of Hong Kong

Indignação pública com as aulas de patriotismo cresceu nos últimos meses

Hong Kong - Autoridades de Hong Kong abandonaram neste sábado (8) os planos de introduzir aulas de patriotismo chinês nas escolas, depois que uma semana de protestos na ex-colônia britânica desencadearam temores sobre uma "lavagem cerebral" pró-Pequim. O líder da cidade semiautônoma, Leung Chun-ying, disse que caberia às escolas decidir se adotarão as aulas ou não. A disciplina se tornaria obrigatória em 2015, após um período voluntário de três anos.

A indignação pública com as aulas de patriotismo cresceu nos últimos meses. Muitos temem se tratar de um golpe das autoridades de Pequim para doutrinar os jovens estudantes de Hong Kong a um inquestionável apoio ao Partido Comunista da China, embora Leung e outros tenham negado isso.

A China recuperou o controle de Hong Kong da Grã-Bretanha em 1997, após mais de um século de domínio colonial, mas a cidade foi autorizada a manter um alto grau de autonomia, um sistema judicial próprio e liberdades civis não vistas no território chinês, como a possibilidade de se expressar sem censura por parte do governo.

O recuo de Leung sucede uma semana de protestos de milhares em frente à sede do governo que coincidiram com o início do ano letivo. De acordo com organizadores, 120 mil pessoas participaram da manifestação na noite desta sexta-feira (7), mas a polícia apontou um número bem menor, de 36 mil, segundo a mídia local. As informações são da Associated Press.

Fonte: Exame.com.br

CONTA DE ENERGIA ELÉTRICA MAIS BARATA

Alívio nas contas

Dilma anuncia diminuição no preço da energia elétrica

Por Luana Lourenço e Sabrina Craide*

Foto: Dida Sampaio/AE

Brasília – As tarifas de energia elétrica vão diminuir 16,2% para os consumidores residenciais e 28% para as indústrias a partir do início do ano que vem. O anúncio foi feito na quinta-feira 6 pela presidenta Dilma Rousseff, em pronunciamento à nação por ocasião do Sete de Setembro. Segundo a mandatária, a medida vai servir para aumentar a competitividade do país.

“Os ganhos serão usados tanto para a redução de preços para o consumidor brasileiro quanto para os produtos de exportação, o que vai abrir mais mercados dentro e fora do país”, disse. Segundo a presidenta da República, a medida também vai ajudar as indústrias que estejam em dificuldades, evitando demissões. Dilma explicou que a diminuição para o setor produtivo será maior porque os custos de distribuição da energia são menores, já que as indústrias operam em alta tensão.

Os detalhes da medida serão divulgados na próxima terça-feira 11 em evento no Palácio do Planalto. A redução do preço da energia deve passar pela diminuição ou extinção de alguns dos dez encargos setoriais cobrados atualmente, que representam cerca de 10% do preço da energia. O governo também deverá anunciar a renovação das concessões do setor elétrico que começam a vencer a partir de 2015, como hidrelétricas e linhas de transmissão.

Leia mais:
Um Brasil industrial ou exportador de grãos?

A crise internacional e as concessões de Dilma

TRF determina paralisação das obras de Belo Monte

A presidenta também lembrou o pacote de medidas anunciado recentemente pelo governo, que incluiu a concessão de 7,5 mil quilômetros de rodovias e 10 mil quilômetros de ferrovias, além da criação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL). Os investimentos em rodovias e ferrovias vão somar R$ 133 bilhões nos próximos 25 anos.

A diminuição do preço da energia faz parte da estratégia do governo para reativar a economia, que, segundo Dilma, já está se recuperando dos efeitos da crise financeira internacional. A medida, segundo a presidenta, vai agregar o fator competitividade ao tripé do atual modelo de desenvolvimento do Brasil, baseado em estabilidade, crescimento e inclusão.

Além de avanços na infraestrutura, a presidenta também defendeu a manutenção da tendência de queda de juros e de diminuição da carga tributária para que o país continue a gerar empregos.

“Estamos conseguindo, por exemplo, uma marcha inédita de redução constante e vigorosa dos juros, que fez a Selic baixar para cerca de 2% ao ano em termos reais e fez a taxa de juros em longo prazo cair para menos de 1% ao ano, também em termos reais. Isso me alegra, mas confesso que ainda não estou satisfeita. Porque os bancos, as financeiras e de forma muito especial os cartões de crédito podem reduzir ainda mais as taxas cobradas ao consumidor final, diminuindo a níveis civilizados seus ganhos”, disse.

Dilma disse ainda que está aberta ao diálogo com “todas as forças políticas e produtivas” do país para o aprimoramento do sistema tributário. “O nosso governo está preocupado mais que nunca com a garantia do emprego e o ganho salarial do trabalhador, a prova disso, é que ao contrário da maioria dos países do mundo, aqui não houve desemprego nem perda de direitos dos trabalhadores e somos um dos poucos países do mundo onde houve ganho real de salários”, declarou.

Fonte: Carta Capital Publicado originalmente em Agência Brasil.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

AMAZÔNIA, DIMINUIÇÃO DE CHUVAS

Chuvas na Amazônia diminuirão de 12% a 21% até 2050

Cientistas estudaram como a densidade das florestas afeta o volume de chuvas entre os trópicos, a partir de dados obtidos por satélite

O desmatamento em grande escala da Floresta Amazônica provocará uma diminuição das chuvas de até 12% durante a estação úmida e de até 21% durante a estação seca, com previsão para o ano de 2050, segundo estudo britânico publicado nesta quarta-feira, 5, pela revista "Nature".

Veja também:
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Noruega aguarda projetos viáveis para liberar US$ 1 bi para Amazônia
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Áreas protegidas, porém ameaçadas
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Queimadas no País crescem 84% em relação a 2011

Vegetação leva a umidade da terra em direção à atmosfera influenciando na quantidade de chuva - Reprodução
Reprodução
Vegetação leva a umidade da terra em direção à atmosfera influenciando na quantidade de chuva

"As florestas aumentam a quantidade de chuva que gera o vento, e com nosso trabalho observamos que o desmatamento na Amazônia pode causar uma grande redução do volume de chuva no Brasil", explicou à Agência Efe Dominick Spracklen, químico e autor do artigo principal da publicação.

Spracklen e sua equipe de cientistas da Universidade de Leeds, da Inglaterra, estudaram como a densidade das florestas afeta o volume de chuvas entre os trópicos, a partir de dados obtidos por satélite.

A vegetação leva a umidade da terra em direção à atmosfera, no processo conhecido como evapotranspiração, influenciando na quantidade de chuva.

O grupo de Spracklen descobriu que o vento que atravessa áreas densas da floresta produz, dias depois, o dobro de chuvas que o ar que circula entre uma vegetação menos espessa.

A Floresta Amazônica e as florestas tropicais do Congo são os lugares onde a vegetação tem maior efeito sobre o regime de chuvas, detalhou Spracklen.

Quando as florestas são substituídas por gramados ou plantações, a umidade do solo diminui, reduzindo a quantidade de chuvas.

Ao combinar os dados do estudo com o ritmo de desmatamento atual da Floresta Amazônica, Spracklen disse que as chuvas devem ser reduzidas em até 12% na bacia amazônica durante a estação úmida e até 21% durante a estação seca no ano de 2050.

O desmatamento de algumas partes da Floresta Amazônica reduzirá as chuvas tanto ali como em outras regiões, como a bacia do rio da Prata, onde segundo o especialista, as chuvas diminuirão 4%.

Os especialistas temem que essas mudanças prejudiquem o setor agrícola, que gera US$ 15 bilhões por ano na Amazônia, assim como à indústria hidrelétrica, que produz na região 65% da eletricidade do Brasil.

Estima-se que a cada ano sejam desmatados 50 mil km² de mata entre os trópicos.
Fonte: ESTADÃO.COM

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

ORDEM E PROGRESSO.

Ordem e Progresso: o positivismo brasileiro e o regresso ambiental, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Ordem e Progresso: o positivismo brasileiro e o regresso ambiental, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz
.

Hino à Bandeira Nacional (Olavo Bilac/Francisco Braga)

[EcoDebate] O dia 7 de setembro é uma data cívica nacional em que ganha destaque a Bandeira Brasileira tremulando no topo dos mastros em todo o território nacional. Mas também pode ser um momento de reflexão sobre a inscrição cravada no “verde-louro desta flâmula”.

O lema “Ordem e Progresso” foi inscrito na bandeira nacional por influência dos positivistas. Este binômio foi inspirado no lema do sociólogo francês Auguste Comte (1798-1857), considerado o pai do positivismo: “Amor como princípio e ordem como base; o progresso como meta”.

O progresso era uma ideia em moda no século XIX e a Europa era uma referência para o mundo na medida em que conquistava territórios e vendia seus produtos modernos. Inspirados na ideologia europeia, os positivistas brasileiros tiveram papel de destaque na Proclamação da República, em 1889.

Naquela época, o Brasil era um país pouco povoado, rural, agrário e com pouca integração entre suas diversas regiões. Desta forma, não é de se estranhar que o progresso estivesse relacionado ao crescimento populacional, ao desenvolvimento econômico, à dominação da natureza e à grandeza da Pátria. Não havia preocupação com as questões ambientais e a defesa da biodiversidade.

O presidente do Brasil, Afonso Pena (1906-1909), dizia que “Governar é povoar”. Já Washington Luis (1926-1930), ampliando esta concepção, dizia que “Governar é abrir estradas”. A frase completa do último presidente da República Velha, dando ênfase à ocupação do território, é: “Governar é povoar; mas, não se povoa sem se abrir estradas, e de todas as espécies; Governar é, pois, fazer estradas”.

O Presidente Getulio Vargas (1930-1945 e 1951-1954) chegou ao poder prometendo redirecionar o desenvolvimento brasileiro para o mercado interno e para o interior. Ele apoiou a família extensa, o crescimento populacional e a migração para o Oeste. Os trabalhadores assalariados da CLT foram premiados com um “salário família” a título de estimular uma prole numerosa. No governo Vargas foram implantadas políticas sociais que, de forma intencional ou não, tinham objetivos pró-natalistas.

Mas além da política positivista voltada para o crescimento populacional, na era Vargas houve uma legislação claramente anti-controlista, por exemplo: a) o Decreto Federal n. 20.291, de 11 de janeiro de 1932 estabelecia “É vedado ao médico dar-se à prática que tenha por fim impedir a concepção ou interromper a gestação”; b) a Constituição de 1937 em seu artigo 124 diz: “A família, constituída pelo casamento indissolúvel, está sob a proteção especial do Estado. As famílias numerosas serão atribuídas compensações na proporção de seus encargos”; c) em 1941, durante o Estado Novo, foi sancionada a Lei das Contravenções Penais que em seu artigo 20 proibia: “anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar o aborto ou evitar a gravidez”.

A maior obra do presidente pós Segunda Guerra, Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), foi a construção da Via Dutra (BR 116), inaugurada em 19 de janeiro de 1951 ligando as duas maiores cidades do Brasil. Após o segundo governo Vargas, foi eleito o Presidente Juscelino Kubitschek que tinha como lema central a bandeira: “50 anos em 5”. Ele prometia acelerar a modernização do país, construindo hidrelétricas, industria de base, automóveis, bens de consumo em geral e, principalmente, a construção de Brasília e a conquista do Cerrado. Os governantes brasileiros sempre consideraram a natureza uma fonte inesgotável de riquezas que devereriam se exploradas e seguiram a visão cornucopiana de Pero Vaz de Caminha: “Aqui, nesta terra, em se plantando, tudo dá.”

Os militares, que tomaram o poder em 1964, estavam na linha de frente da exploração desenfreada do meio ambiente e da política populacional expansionista do “Brasil potência”. Mesmo com as precárias condições de vida e a falta de investimentos no bem-estar qualitativo da população, os primeiros governos militares adotaram uma política pró-natalista, como mostrou Canesqui: “A doutrina da Segurança Nacional, adotada pelo regime militar no período 1964-1970, assegurou a posição natalista, incluindo expectativas quanto ao crescimento demográfico e o preenchimento dos espaços vazios de regiões a serem colonizadas (Amazonas e Planalto Central). Esta preocupação ficou bastante clara no Programa Estratégico de Desenvolvimento (1968-1970) do governo Costa e Silva. Este mesmo governo reafirmou suas convicções natalistas face ao desenvolvimento e à segurança, em mensagem dirigida ao Papa Paulo VI, por ocasião da publicação da Encíclica Humanae Vitae (1968) de forma a não contrariar a posição oficial da Igreja Católica, diante da política controlista da natalidade”.

Seguindo a linha dos governos autoritários, o general linha dura e Presidente Emílio Garrastazu Médici (1905-1985) chegou a estabelecer a seguinte orientação para o processo de ocupação territorial: “Levar os homens sem terra à terra sem homens“. Na Primeira Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, em 1972, o General Costa Cavalcante, Ministro do Interior e representando o governo, proferiu o seguinte discurso: “Para a maioria da população mundial, a melhoria de condições é muito mais uma questão de mitigar a pobreza, dispor de mais alimentos, melhorar vestimentas, habitação, assistência médica e emprego, do que ver reduzida a poluição atmosférica

Após o processo de redemocratização, os governos Sarney, Collor, Itamar e FHC pouco fizeram para reverter a degradação ambiental e redirecionar o processo de desenvolvimento do país. Da mesma forma, os governos Lula e Dilma vão na mesma linha desenvolvimentista e de incentivo aos grandes projetos, como o pré-sal, a transposição do rio São Francisco, as hidrelétricas na Amazônia e a venda de commodities do agronegócio e dos agrotóxicos, assim como de produtos minerais altamente poluidores (ferro, bauxita, nióbio, ouro e outros metais). O uso do mercúrio e do cianeto na separação e limpeza da exploração mineral transforma o garimpo de ouro, por exemplo, em uma das atividades mais poluidoras, tendo como consequência a contaminação de peixes e animais silvestres o que afeta, inclusive, a saúde humana.

A ideologia positivista do desenvolvimentismo a qualquer custo virou quase uma religião, assim como a idéia pretensamente científica do positivismo chegou a se tornar uma seita. Auguste Comte, de maneira incoerente com sua filosofia, chegou a instituir uma Religião Positivista da Humanidade glorificando sua amada Clotilde de Vaux. No Brasil foi fundada uma igreja positivista, cuja sede está localizada na rua Benjamim Constant, Glória, Rio de Janeiro. Mas tanto a ideologia de Comte, quanto a igreja positivista encontram-se, atualmente, em decadência.

Como Roberto Malvezzi, o Gogó, reafirmou em artigo recente, há uma percepção que uma era de construções políticas e sociais está se esgotando no Brasil: “As mudanças estruturais não acontecem. A reforma agrária, a reforma profunda na educação, na saúde, caminha a passos lentos, quando não inexistentes. Para piorar, um conceito de desenvolvimento predador e antisocial tem invadido os territórios indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais, assim como santuários ecológicos a semelhança do Xingu, que nos faz olhar de forma crítica os novos desdobramentos dessa política comandada por gente que até ontem falava em nome dos mais pobres, excluídos e indefesos. Mudam os governos, não mudam as políticas fundamentais que as elites chamam de políticas de Estado”.

Evidentemente a ideia de progresso tal como aconteceu no país tem sido questionada por muitas pessoas e diversos movimentos populares. Por exemplo, em entrevista recente à Revista época (04/06/2012), Dom Erwin Kräutler, bispo do Xingu, fez várias críticas sobre a forma como o progresso brasileiro possibilitou o aumento do genocídio dos índios e ecocídio das espécies vivas do Cerrado e da floresta amazônica. Dom Erwin, que acolheu e depois enterrou a missionária assassinada Dorothy Stang, vive na mira de pistoleiros, mas continua lutando em defesa dos mais pobres, dos mais frágeis, dos indígenas, dos ribeirinhos e dos extrativistas da Amazônia.

Seguindo este exemplo e no sentido de superar as heranças negativas do positivismo, o Brasil precisa mudar sua concepção de progresso econômico que tem resultado em regresso ambiental e exclusão social. A data de 7 de setembro é uma oportunidade para escutar o Grito dos Excluídos (humanos e não-humanos) e repensar os rumos da nação. Para que o país possa reorientar seu modelo de desenvolvimento é preciso articular de maneira integrada as três bases da sustentabilidade: a justiça social, a inclusão econômica e a responsabilidade ambiental.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

EcoDebate, 05/09/2012