quinta-feira, 3 de outubro de 2013

AÇÃO DO HOMEM...AÇÃO ANTRÓPICA...

Influência humana é principal causa do aquecimento global, reitera o 5º relatório do IPCC


5º relatório do IPCC

Relatório divulgado na sexta-feira (27) pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) mostra que a influência humana no clima é a principal causa do aquecimento global observado desde meados do século 20. O aumento das temperaturas é evidente e cada uma das últimas três décadas tem sido sucessivamente mais quente, informa o Sumário para os Formuladores de Políticas do Grupo de Trabalho 1 do IPCC.
“O relatório concluiu que a temperatura da atmosfera e dos oceanos se elevou, a quantidade de neve e de gelo diminuiu e que o nível do mar e de concentração de gases de efeito estufa aumentou”, destacou um dos coordenadores do documento, Qin Dahe.
Segundo o texto, há 95% de probabilidade de que mais da metade da elevação média da temperatura da Terra entre 1951 e 2010 tenham sido causadas pelo homem. Os gases de efeito estufa contribuíram para o aquecimento entre 0,5 e 1,3 graus Celsius (ºC) no período entre 1951 e 2010. “A continuada emissão de gases de efeito estufa vai causar mais aquecimento e mudanças climáticas. Limitar a mudança climática vai requerer substanciais e sustentadas reduções das emissões de gases de efeito estufa”, disse Thomas Stocker, outro coordenador do documento.
O relatório ressalta que, até o fim do século 21, há pelo menos 66% de chance de a temperatura global se elevar pelo menos 2ºC em comparação com o período entre 1850 e 1900. “A mudança na temperatura da superfície da Terra no final do século 21 pode exceder 1,5ºC no melhor cenário e, provavelmente, deve exceder 2ºC nos dois piores cenários”, disse Stocker. Na pior das possibilidades, a temperatura pode alcançar 4,8ºC até 2100.
Ele acrescentou que ondas de calor muito provavelmente vão ocorrer com mais frequência e devem durar mais tempo. “Com o aquecimento do planeta, esperamos ver regiões úmidas recebendo mais chuvas e regiões secas recebendo menos chuvas, apesar de existirem exceções”, disse o cientista.
O documento elaborado por 259 cientistas de 39 países apresentado em Estocolmo, na Suécia, mostrou que a elevação da temperatura dos oceanos até cem metros de profundidade pode variar entre 0,6 ºC e 2 ºC até 2100. Além disso, devido ao aumento do degelo dos glaciares, o nível do mar deve subir entre 26 a 55 centímetros considerando o melhor cenário e, entre 45 a 82 centímetros, no pior cenário. O gelo do Ártico pode diminuir até 94% durante o verão no Hemisfério Norte até 2100.
“Com o aquecimento dos oceanos e a redução dos glaciares, o nível global dos mares vai continuar a subir, mas em um ritmo mais rápido do que experimentamos nos últimos 40 anos”, disse o pesquisador Qin Dahe.
De acordo com o documento, as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso aumentaram para níveis sem precedentes nos últimos 800 mil anos. As concentrações de dióxido de carbono subiram 40% desde a época pré-industrial (desde 1750), principalmente devido às emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis. Segundo Stocker, como resultado das emissões passadas, presentes e futuras de dióxido de carbono, a mudança climática é um fato. “Os efeitos no clima vão persistir por muitos séculos mesmo que as emissões parem”, concluiu o cientista.
O IPCC foi criado em 1988 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e reúne milhares de cientistas de diversos países. Já foram publicados quatro relatórios. A divulgação completa do quinto documento, incluindo os trabalhos dos grupos 2 e 3, deverá ocorrer até 2014. Nesta sexta-feira, foi lançado o documento do Grupo de Trabalho 1, que trata dos aspectos científicos das mudanças climáticas. Os dados do IPCC servirão de base para as negociações climáticas internacionais.
Edição: Talita Cavalcante
Reportagem de Ana Cristina Campos, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 01/10/2013

terça-feira, 1 de outubro de 2013

PRIVATIZAÇÃO DAS ÁGUAS.

Privatização das águas e a desilusão dos pescadores artesanais. Entrevista especial com Elionice Sacramento

Com a privatização das águas, “não só os pescadores serão prejudicados, mas a sociedade de modo geral, porque vai haver um processo de diminuição da pesca artesanal”, adverte a integrante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras artesanais.
Foto: http://bit.ly/1fNDm5V
Responsável por 70% da produção de pescado no país, a pesca artesanal está ameaçada pelo Projeto do Ministério da Pesca e da Aquicultura, denominado pelo movimento dos pescadores e pescadoras tradicionais de “privatização das águas públicas dos mares”.
Trata-se da Cessão de águas Públicas lançada em editais no mês de junho (Licitações: 11/2013- 12/2013-13/2013-14/2013), que transfere determinada área do mar para grupos que pretendem cultivar uma determinada espécie de peixe. Segundo a integrante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras ArtesanaisElionice Sacramento, já serão privatizadas áreas em cinco estados brasileiros, sendo “três áreas no Ceará, 26 no Rio Grande do Norte, duas em Pernambuco, 16 no Maranhão e 22 na Bahia, as quais são historicamente utilizadas pelos pescadores e pescadoras artesanais”.
Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone, Elionice enfatiza que “quando o Ministério da Pesca foi criado, na primeira gestão do governo Lula, os pescadores no Brasil apoiaram sua criação com a ilusão de que esseMinistério atenderia a pesca artesanal”. Com o passar do tempo, acentua, o órgão passou a adotar políticas “que fortaleciam mais a aquicultura, ou seja, o processo de criação de pescados em cativeiro, e os empresários, que têm relação com essa atividade, sem considerar o trabalho dos pescadores artesanais do Brasil”.

Elionice Sacramento é integrante do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais.
Confira a entrevista.
Foto: http://bit.ly/1avWeSZ
IHU On-Line - O que caracteriza a privatização das águas públicas e qual é o objetivo desta privatização? Em que consiste essa política desenvolvida pelo Ministério da Pesca e Aquicultura?
Elionice Sacramento – Queria dizer que quando oMinistério da Pesca foi criado, na primeira gestão do governo Lula, os pescadores no Brasil apoiaram sua criação com a ilusão de que esse Ministério atenderia a pesca artesanal. Depois percebemos que ele estava adotando políticas que fortaleciam mais a aquicultura, ou seja, o processo de criação de pescados em cativeiro, e os empresários, que têm relação com essa atividade, sem considerar o trabalho dos pescadores artesanais do Brasil. Então, o governo passou a ver o Ministério como um espaço de promoção política de alguns deputados, tanto que se criou um esquema de corrupção muito grande no Ministério no que diz respeito à documentação de pescadores. Daí para frente começamos a ouvir falar em um projeto de privatização das águas públicas.
Em junho, foi lançado no país um edital para a privatização de áreas de quatro estados brasileiros, ou seja, serão privatizadas três áreas no Ceará, 26 no Rio Grande do Norte, duas em Pernambuco, 16 no Maranhão e 22 na Bahia, as quais são historicamente utilizadas pelos pescadores e pescadoras artesanais. Trata-se de um modelo que passa por cima das comunidades tradicionais que utilizam aquele espaço com uma relação de respeito com o mar e que interessa às forças capitalistas.
IHU On-Line - Como funciona esse processo de privatização das águas?
Elionice Sacramento – Foi lançado um edital, os interessados demonstram seus interesses, concorrem a esses espaços. Após a licitação, o grupo interessado terá direito de fazer uso daquele espaço durante 20 anos e pagar uma quantia mínima aos cofres públicos.
IHU On-Line - O que a privatização das águas públicas significa para as comunidades tradicionais, especialmente, as pesqueiras? Além das comunidades, quem mais será prejudicado com a privatização desses espaços?
Elionice Sacramento – Não só os pescadores serão prejudicados, mas a sociedade de modo geral, porque vai haver um processo de diminuição da pesca artesanal. Então, os turistas serão prejudicados, e o comércio dessas regiões também, porque esses pescados que são produzidos em cativeiro são pescados para exportação, e não para uso nacional. Por outro lado, haverá um processo de desequilíbrio do meio ambiente, porque espécies estranhas serão cultivada no mar, e o lixo produzido por elas ficará no mar.
Sem contar que os pescadores e pescadoras artesanais desempenham um papel fundamental no Brasil. Nós somos guardiões de uma tradição milenar, somos produtores de alimento, porque 70% de todo pescado produzido no país vem da pesca artesanal. Então, essa tradição só se manteve durante tantos anos porque estabelecemos com a natureza uma relação de completo respeito, uma relação de amor, mas principalmente uma relação de dependência e de respeito.
Respeitamos os períodos de reposição dos peixes, e agimos de acordo com a determinação da natureza. Esses processos industriais não têm respeito com nada. Eles atropelam tudo, desmontam processos de organização que já existem nas comunidades.
IHU On-Line - Já existem editais lançados para a compra de corpos d’águas em alguns estados. Do ponto de vista legal, como o movimento vem contestando os editais e esse processo de privatização?
Elionice Sacramento – Esse edital lançado em junho feriu algumas leis e alguns acordos internacionais. Por exemplo, o princípio de consulta às comunidades tradicionais não foi cumprido.
Então, as comunidades que fazem uso desses espaços não foram consultadas sobre esse processo de privatização das águas públicas. E isso já é motivo de ilegalidade do processo.
Quando o edital foi lançado na Bahia, o ministro em exercício à época não quis ouvir os integrantes do movimento e disse que apenas uma pessoa poderia falar. Quando nós nos negamos a aceitar essa proposta, o ministro levantou e disse que não ficava no encontro. Não houve nenhum tipo de diálogo com a comunidade. Por outro lado, nós visitamos a Secretaria de Patrimônio da União, que foi quem regularizou as áreas da água para ceder ao Ministério da Pesca, e questionamos por que os territórios não estão sendo cedidos aos pescadores, e sim para a apicultura. Segundo as pessoas que nos receberam, existia a Secretaria de Patrimônio da União desconhecia o porquê de essas áreas não serem destinadas para a pesca artesanal.
Então, entramos com um recurso contestando a ilegalidade do processo, fomos até a 6ª Câmara Federal, procuramos a Promotora Deborah Duprat, e também outros cinco promotores. Todos receberam esse processo com muita indignação.
IHU On-Line - Os editais determinam que as empresas vencedoras das licitações devem promover um número mínimo de empregos. Como você enxerga esse ponto específico?
Elionice Sacramento – A maioria dos empreendimentos, quando chegam às comunidades, apontam a justificativa de que vão gerar empregos. Por conta disso, esses empreendimentos acabam recebendo a aceitação de políticos e de pessoas que não têm vocação para a pesca. Só que isso é enganação. Temos muita clareza de que o discurso do emprego não é verdadeiro, até porque o processo que querem implementar é muito industrial.
IHU On-Line - Quais apoios são importantes no processo de luta para impedir a privatização das águas públicas?
Elionice Sacramento - Nós estamos em campanha pela própria ação e regularização dos territórios pesqueiros. Nessa campanha foi pensado um projeto de iniciativa popular onde a sociedade brasileira vai dizer, através de assinaturas, se concorda que o território pesqueiro seja protegido. Também temos divulgado o trabalho dos pescadores, porque somos invisível nesse país. Parece que a sociedade não sabe de onde vem o peixe que gostamos de comer.
IHU On-Line - Você gostaria de acrescentar algo?
Elionice Sacramento - Gostaria de sugerir que as pessoas acessem o nosso blog, assinem o abaixo assinado pelaCampanha da Regulamentação dos Territórios Pesqueiros, e compreendam a importância da pesca artesanal e dos pescadores e pescadoras.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

SÃO FRANCISCO DO SUL : ACIDENTE NA REGIÃO DO PORTO.

O destino das gentes de São Francisco do Sul

"O que passará então, com São Francisco do Sul? O que passará com as gentes, aquelas que não têm a opção da fuga? Como será feito o acompanhamento da saúde das pessoas que, segundo os especialistas nessas coisas químicas, deverão ser monitoradas por anos a fio? Haverá o cuidado do estado para com esse povo, ou eles serão abandonados à própria sorte nos postos de saúde sem médico e sem estrutura?"O comentário é de Elaine Tavares, jornalista, no blog Palavras Insurgentes, 27-09-2013. Foto: reprodução da Internet.
A pequena ilha de São Francisco do Sul, carrega, além das belezas, a marca de ser a cidade mais antiga de Santa Catarina, ocupada em 1553 por espanhóis, tornando-se vila em 1640, já sob o domínio dos portugueses. É quase um pequeno paraíso estendido na margem do mar, com casarios portugueses e praias de absurda beleza. Tem o quinto maior porto do país e conta com grandes armazéns de carga.  E foi justamente aí que se deu o acidente que coloca a cidade na triste estatística dos grandes desastres ambientais e humanos. Desde o dia 24 de setembro, alguma coisa ainda não sabida deu início a um incêndio de grandiosas proporções, envolvendo produtos químicos em um dos armazéns da Global Logística, na região do porto. O desastre provocou um gigantesca nuvem de poeira e gás tóxico, cujo destino fatalmente será o coração da terra e o corpo das gentes.
O armazém da Global estava abrigando toneladas de fertilizantes, cujo principal componente é o nitrato de amônio. Atingido pelo fogo ele libera o óxido nitroso, um gás que provoca contrações involuntárias nos músculos da face, por isso conhecido como o gás do riso. Isso, por si só já é um problema, mas ainda não se sabe se outros produtos químicos estão associados ao caso. Já nos primeiros dias de nuvem de poeira ou gás, a população começou a sentir as consequências. A pior delas atinge as vias respiratórias.
O governo tentou acalmar a população dizendo que a nuvem não era tóxica, mas foi uma irresponsabilidade. Com o andar das horas, estudiosos das áreas químicas e biológicas já informavam que o nitrato de amônio, se inalado em grandes quantidades, como era o caso, poderia causar sérios problemas respiratórios, chegando até a levar a morte. Também há informações de que as consequências deverão chegar em médio e longo prazo para todos os que inalaram o gás ou a poeira.
Os moradores que tiveram condições saíram da cidade, mas a tela da televisão mostra as gentes empobrecidas completamente impotentes diante do desastre. Alguns estão em abrigos, outros, sem saída, permanecem nas suas casas, sempre inalando o produto. Os hospitais estão lotados e o medo salta às vistas. Desinformação, terror, impotência, abandono. Esse é o quadro.
Na manhã da sexta-feira (27) a mídia comercial já estava louvando o controle do incêndio, como se tudo pudesse voltar ao normal. Não voltará! As toneladas de produtos químicos que subiram com a fumaça faltamente descerão à terra e penetrarão no solo, causando toda a sorte de problemas ambientais. Segundo Adalgiza Fornaro, do Departamento de Ciências Atmosféricas da IAG/USP, o fato de ser depositada no solo uma quantidade imensa de fertilizante vai gerar tanta vida que ela se afogará nela mesmo, paradoxalmente causando a morte de bichos e plantas. As águas ficarão contaminadas, a terra também, podendo inclusive, levar anos até que tudo possa crescer de forma natural.
O que passará então, com São Francisco do Sul? O que passará com as gentes, aquelas que não têm a opção da fuga? Como será feito o acompanhamento da saúde das pessoas que, segundo os especialistas nessas coisas químicas, deverão ser monitoradas por anos a fio? Haverá o cuidado do estado para com esse povo, ou eles serão abandonados à própria sorte nos postos de saúde sem médico e sem estrutura?
O que passará com o ambiente de São Francisco, com as águas, a terra? Insistirão os governantes em dizer que não há perigo, que tudo está bem? Uma breve pesquisada via google e já se tem a noção dramática dos perigos do excesso de nitrato de amônia na água e no solo. Como o governo vai acompanhar e monitorar todos esses efeitos?
E o que passará com a Global Logística que estocava produtos, talvez sem o devido cuidado, uma vez que o nitrato e amônio, base do fertilizante, é considerado um produto explosivo, portanto necessitando de um manuseio especializado?
Todas as perguntas ainda estão sem resposta. Mas elas não são difíceis de serem adivinhadas. Há pouco tempo, um vazamento de óleo ascarel foi observado na ilha de Santa Catarina - bem na região de cultivo de ostras - igualmente tóxico, igualmente contaminante por longos anos, igualmente causador de graves problemas de saúde para os que foram tocados por ele. Aparentemente tudo está esquecido. E não será nenhuma surpresa saber que o posto de saúde das comunidades próximas seguem suas rotinas, sem que haja um monitoramento sistemático da saúde das gentes. Assim, não é difícil imaginar que as pessoas em São Francisco do Sul, pelo menos aquelas que não têm nem dinheiro nem informação, sejam também abandonadas ao seu destino.
Caberá, como sempre, às entidades ambientais e aos ativistas políticos, a luta pela vida de toda essa gente e do ecossistema. As mesmas entidades e pessoas que são vilipendiadas, chamadas de "contra o progresso", aquelas que vivem a clamar por responsabilidade no trato com esses produtos que são altamente tóxicos e prejudiciais, que denunciam e que, por isso, têm, colada no corpo, a etiqueta de "eco-chatos".
Pois já não é de hoje que os ecologistas e ativistas políticos vêm denunciando os danos que causam à terra e à  vida todos esses produtos químicos usados indiscriminadamente na agricultura. Agrotóxicos, fertilizantes, sementes transgênicas. Mas, tudo sempre é repudiado como um empecilho ao progresso, uma negação da ciência. A velha sabedoria popular já cunhou o ditado: o remédio pode ser veneno, e o veneno pode ser remédio. O que dá o limite é a quantidade. E, no mundo moderno, que faz o elogio da ciência, aquilo que poderia ser o remédio há muito tempo que virou veneno, sempre em nome do lucro. Não é sem razão o aumento exponencial de casos de câncer, doenças desconhecidas e outras pragas que assomam e atacam as gentes e os bichos.
O acidente em São Francisco pode não ter sido uma acidente qualquer. Ainda está por investigar as causas, se houve mau acondicionamento, se não havia informação suficiente sobre a periculosidade desse produto, se tinha alvará dos bombeiros etc... Mas, isso, de qualquer forma, não redime o fato de que o acidente aconteceu e terá consequências indeléveis para os habitantes.  Que sejam punidos os culpados e que as gentes se alertem: o mundo moderno encapsulou e manipulou forças gigantescas que podem escapar a qualquer momento, com terríveis consequências. A sociedade deve, portanto, ter conhecimento sobre elas, e saber como controlar. Não é possível que as gentes sejam mantidas na ignorância dos perigos que as cercam, impotentes diante dos "acidentes" e que, depois, ainda sejam deixadas à própria sorte.  O povo organizado precisa assumir o controle disso tudo sob pena de seguir sendo vítima impotente de casos como esses.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

O SUMIÇO DAS ABELHAS.


Especísmo e ecocídio: o sumiço das abelhas, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

abelha

[EcoDebate] De todas as espécies que estão sendo vítimas do crime de ecocídio – como os tubarões, os elefantes, os rinocerontes, os gorilas, as onças, etc – as abelhas são as mais fundamentais para a alimentação humana e a sobrevivência da humanidade.
Três quartos das culturas alimentares do mundo dependem de polinização por insetos, sendo que as abelhas são as agentes mais fundamentais neste processo. As abelhas não produzem só mel, também viabilizam a produção de alimentos em geral. Em cerca de 250 mil espécies de plantas com flores, chamadas angiospermas, 90% são polinizadas por insetos, borboletas e, especialmente, por abelhas, que são tão importantes para a reprodução das plantas, tanto quanto a luz e a água.
O ser humano e demais mamíferos da Terra dependem da polinização das plantas para obter seus alimentos, fibras (como algodão) e inúmeros outros produtos. A redução dos animais polinizadores compromete grande parte da produção agrícola do mundo, além de afetar a biodiversidade e a sobrevivência de outras espécies.
As abelhas surgiram há cerca de cem milhões de anos, junto com o desenvolvimento das flores e ambas possuem intensa relação de dependência recíproca. As abelhas possuem uma relação simbiótica com as plantas e o meio ambiente, pois ao se alimentar do néctar elas não destroem suas fontes de alimentos, mas sim viabilizam a reprodução das mesmas. As abelhas encontram nas flores o pólen indispensável à sua sobrevivência e aos trasportá-los de planta em planta, fecundam as flores e garantem o florescimento da vida. Quanto mais abelhas no mundo, melhor!
Porém, as abelhas estão sendo vítimas do crime de ecocídio. Segundo reportagem do jornal The Guardian, especialistas independentes da Agência Europeia de Segurança Alimentar declararam os neonicotinóides (imidacloprid, clotianidina e tiametoxam) um risco inaceitável para as abelhas, quando usados ​​em plantações floridas. Estes estudos apontam os efeitos nocivos dos agrotóxicos (neonicotinóides) para as abelhas, incluindo perdas das rainhas.
Mas as empresas químicas condenaram os estudos e dizem a proibição dos inseticidas neonicotinóides não iria salvar uma única colméia. Porém, nos EUA e Europa, há uma redução de até 50% no número de colmeias e este fenômeno já atinge o Brasil. O Brasil caiu da 5ª para a 10ª colocação mundial em exportação de mel nos últimos dois anos. O motivo foi o abandono das colmeias na região produtora mais importante do país, o Nordeste. Em 2012, alguns estados registraram queda de 90% na produção e o abandono de colmeias chegou a 60%.
Diversos outros estudos mostram que o uso de produtos químicos estão provocando a morte das colméias. O fenômeno é caracterizado como Síndrome do Colapso das Abelhas (CCD, sigla em inglês para Colony Collapse Disorder) e verifica-se quando há um abandono repentino e massivo de colmeias.
Como disse Albert Einstein: “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana”.
Referências:
Damian Carrington. Bee-harming pesticides should be banned, MPs urge. The Guardian, 05/04/2013
Elizabeth Grossman. Declining Bee Populations Pose A Threat to Global Agriculture. 360Yale, 30/04/13
Bryan Wals. Beepocalypse Redux: Honeybees Are Still Dying — and We Still Don’t Know Why. 07/05/13
Jaymi Heimbuch. So what is with all the dying bees? Scientists have been trying to discover this for years. Meanwhile, bees keep dropping like… well, you know. July 26, 2013
Tom Philpott. The Mystery of Bee Colony Collapse. Mother Jones. Jul. 31, 2013
Bryan Walsh. The Trouble with Beekeeping in the Anthropocene. Aug. 09, 2013
Luis Miguel Ariza. El fenómeno global de la desaparición de las abejas. EcoDebate, RJ, 15/08/2013
Desordem de colapso das colônias (Colony Collapse Disorder, CCD) derruba exportações de mel do Brasil Matéria de Janara Nicoletti , da Agência Deutsche Welle, DW, publicada peloEcoDebate, 10/09/2013
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

EcoDebate, 18/09/2013

domingo, 29 de setembro de 2013

NOVAS GERAÇÕES TÊM POUCAS REFERÊNCIAS DE AUTORIDADE.

FAMÍLIA E VALORES, SÃO NECESSÁRIOS PARA TODOS.



Colaboração do professor Adriano Medeiros.

CONFERÊNCIA DO CLIMA PARIS ( CPO 21), EM 2015

Políticos e cientistas fazem apelo por acordo em 2015
Pesquisadores, líderes políticos e militantes de organizações não governamentais (ONGs) se esforçaram ontem, após a divulgação do relatório do IPCC, para recriar o clima de expectativa e pressão internacional por um novo acordo climático. Os apelos foram para que um tratado de redução das emissões de gases de efeito estufa seja sacramentado na Conferência do Clima de Paris (COP21), em 2015.

A informação é de Andrei Netto e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 28-09-2013.

Fonte : Revista Época.com
Tão logo o relatório foi divulgado, governos de diferentes países - mesmo os que até aqui travam um acordo climático - saudaram o empenho do IPCC em aprofundar seus conhecimentos sobre o aquecimento global. Em Washington, o secretário de Estado americano, John Kerry, reconheceu que a comunidade internacional está em dívida. "Se há um tema que reclama mais cooperação e engajamento diplomático, é este", reconheceu.

Em Londres, David Cameron foi na mesma linha, enquanto em Paris o ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, disse que a França está "mobilizada para construir um pacto mundial sobre o clima em 2015". O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, ignorou as conferências do clima de Varsóvia, em novembro, e de Lima, em 2014, e apelou pela realização de uma conferência extraordinária em Nova York em setembro de 2014, na qual seriam definidas as bases do acordo climático a ser selado em Paris dentro de dois anos. "Este novo relatório será essencial para os governos que trabalham para a realização de um acordo ambicioso sobre as mudanças climáticas em 2015", afirmou.
Revista Época.com
De Nairobi, no Quênia, Achim Steiner, diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep), advertiu que o relatório do IPCC traz uma mensagem inequívoca que não pode ser ignorada. "Não se trata de ideologia, nem de interesses pessoais, mas do interesse coletivo", frisou.

Do lado de fora do centro em que o IPCC se reunia, um grupo de militantes de ONGs protestou em frente às câmeras, reivindicando que os líderes mundiais se mobilizem e revertam o fracasso da Conferência do Clima de Copenhague (COP15), em 2009. "Governos deveriam aprender com os erros da crise financeira global e ouvir os experts antes que seja tarde demais", afirmou Tom Gore, da Oxfam.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

DERRETIMENTO NO ÁRTICO

Fonte: G1.com

Em 33 anos, Ártico perdeu 'uma Espanha'Grande parte dos dados que permitem aos cientistas afirmar como era o clima há 800 mil anos vem das camadas de gelo do Ártico e da Antártida. Mas, a julgar pelas próprias perspectivas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), esse estoque de informações está cada vez mais ameaçado. Estatísticas publicadas ontem indicam que o derretimento nas regiões polares nunca foi tão acentuado.

"A média global de decrescimento da extensão do gelo no Oceano Ártico no período 1979-2012 foi muito provavelmente entre 3,5% e 4,1% por década, ou entre 450 mil e 510 mil quilômetros quadrados", diz o IPCC, referindo-se a uma área equivalente ao tamanho da Espanha, pouco inferior ao tamanho de Minas Gerais.
A reportagem é de Andrei Netto e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 28-09-2013.
Nos verões, a perda chega a entre 9,4% e 13,6% por década, ou entre 730 mil e 1,07 milhão de quilômetros quadrados - maior que o Egito, ou um pouco menor que o Pará. Nas geleiras da Antártida, a taxa ficou entre 1,2 e 1,8% por década, ou entre 130 mil e 200 mil quilômetros quadrados no mesmo período.
Nas geleiras do planeta, um total de 275 bilhões de toneladas de gelo "muito provavelmente" derreteram por ano entre 1993 e 2009. "Nas últimas duas décadas, a Groenlândia e as banquisas de gelo da Antártida vêm perdendo massa, geleiras continuam a derreter em todo o mundo, o gelo do oceano Ártico e a cobertura de neve na primavera do Hemisfério Norte continuaram a decrescer em extensão", adverte o IPCC.
Tamanho impacto é causado, claro, pelo aumento da temperatura da Terra, que se verifica com clareza nas regiões polares. "Há grande confiança de que as temperaturas do permafrost (solo que permanece sempre congelado) aumentaram na maioria das regiões, desde o início de 1980", reitera o IPCC. "O aquecimento observado foi de até 3°C em partes do norte do Alasca (do início de 1980 a meados da década de 2000) e de até 2°C em partes do norte da Rússia Europeia (1971-2010)."
A medição do impacto para as populações da região é um dos pontos nos quais o IPCC precisa avançar, segundo explicou Thomas Stocker, um dos dois coordenadores do relatório. "Sempre foi um objetivo ser relevante para pequenas comunidades locais, mas este ainda é um desafio", reconhece.
Fonte: Instituto Humanitas Unisinos