domingo, 13 de outubro de 2013

ENEM : NOTAS E O RESULTADO

InfoEnem




Todo ano é a mesma coisa! A teoria da resposta ao item (TRI) e as diferentes maneiras que cada universidade utiliza as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) geram muitas dúvidas na hora que o Inep divulga os resultados do exame e no período de inscrição do Sistema de Seleção Unificada (SiSU).
E o nosso artigo de hoje tem o propósito de sanar (pelo menos em partes) essas dúvidas.
A primeira coisa que os estudantes devem entender é que a TRI classifica todas as questões da prova de acordo com a dificuldade, a competência e a habilidade exigidas em cada uma. Dessa forma, ela consegue identificar possíveis “chutes” dos participantes. Parece loucura, mas saiba que ela funciona! Tanto que é utilizada em inúmeros exames ao redor de todo o mundo.
Assim sendo, na hora da divulgação dos resultados, alguns dados estranhos podem aparecer. Por exemplo: Dois alunos que acertaram a mesma quantidade de questões podem ter notas diferentes ou estudantes que entregaram o gabarito em branco não terão a nota zero.
Pode parece absurdo, mas o modelo matemático utilizado para determinar as notas de cada participante (São cinco notas!) prevê um valor mínimo (diferente de zero) e máximo para cada área do conhecimento. A nota da redação é a única que não “participa” da TRI.
Dessa forma, os estudantes não precisam se assustar (nem se revoltar!) com essas aparentes incoerências que certamente aparecerão. Nossa recomendação vai em outro sentido, que separamos em dois pontos:
  1. Para a TRI, as questões mais importantes do Enem são as fáceis! Logo, certifique-se de ler todas as questões da prova! Deixar de resolver itens mais fáceis, simplesmente por não ter lido, vai prejudicá-lo drasticamente.
  2. Não tente separar as questões fáceis das difíceis. É impossível adivinhar, pois os assuntos se entrelaçam e não estão em ordem crescente de dificuldade. Ou seja, faça a prova naturalmente.
Neste momento, é importante ressaltar que a TRI, apesar de assustar por não permitir entender de fato suas notas, não gera grandes mudanças na ordem de classificação dos estudantes. Portanto, não precisa se preocupar com a TRI. Aja como se ela nem existisse! Mantenha seu foco no estudo e faça uma boa prova. Essas é a melhor maneira de alcançar seus objetivos.
Quanto as diferentes maneiras que cada universidade utiliza as notas do exame, esse é assunto para um próximo artigo.
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domingo, 6 de outubro de 2013

DESAPOSENTAÇÃO : GOVERNO JOGA SUJO.

Aposentados 4/10/2013 14:8:17 » Por Richard Casal Atualizado em 4/10/2013 15:31h
"PT NUNCA MAIS VOCÊ", gritam aposentados furiosos
Governo joga sujo na Comissão de Finanças e impede novamente a regulamentação da Desaposentadoria


Foi vergonhosa e rasteira a manobra política realizada na última quarta-feira, 2 de outubro, por deputados governistas para novamente impedir a apreciação do projeto de lei 2682/07 na Comissão de Finanças e Tributação, da Câmara Federal, em Brasília.
O referido PL regulamentaria o direito da Desaposentação no Brasil, dando ao segurado a possibilidade de abrir mão da aposentadoria antiga para requerer um novo benefício que leve em consideração o tempo adicional de contribuição.
A sacanagem começou com a sinistra chegada do deputado paranaense Zeca Dirceu (PT), relator deste projeto. Ao invés de participar da sessão, o parlamentar assinou a presença no livro de ata e se evadiu sorrateiramente do local. Ele certamente notou que a Sala 4 estava repleta de aposentados da COBAP, que reivindicavam de forma democrática a aprovação do projeto em pauta.
Covardemente, o deputado baiano Afonso Florence (PT) pediu vistas do projeto, que foi negada pela maioria. Inconformado, Afonso apelou e começou a agir de má fé, usando artimanhas indignas de qualquer homem público.
 "O relator assinou a presença e somente se ausentou para prejudicar os aposentados", denunciou o deputado paulista João Dado (recém-filiado ao partido Solidariedade).
O deputado Zeca Dirceu (filho do ex-ministro condenado José Dirceu) já tinha dado parecer contrário à Desaposentação, recomendando a incompatibilidade e inadequação financeiro-orçamentária do projeto. Ou seja, ele também teve a cara de pau para escrever que a desaposentadoria causaria prejuízos aos cofres públicos.
Com a fuga de Zeca Dirceu, o presidente da mesa tinha o direito de nomear outro relator para que o projeto fosse votado. Temeroso, ele afinou e não fez o que era correto e justo.
Foi solicitada a contagem dos deputados presentes na comissão. De forma estratégica os partidos ligados ao governo se evadiram do local, não dando quórum para votação.
Indignados com tamanha podridão, cerca de 60 aposentados que assistiam a reunião se revoltaram e começaram a vaiar e gritar: "PT, nunca mais você! PT, nunca mais você".
Após a confusão, foi determinado que o projeto da desaposentação fosse somente apreciado na próxima quarta-feira, 9 de outubro. Porém, caso não haja uma forte pressão dos aposentados, outras manobras maquiavélicas podem impedir a votação
Fonte: COBAP

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

NAUFRÁGIO EM LAMPEDUSA

Um balanço impressionante do naufrágio em Lampedusa, Itália. Os primeiros cadáveres dos mais de 250 migrantes naufragados ontem, 03-10-2013, alinhados no cais do porto.
Foto: Ansa

Foi denominado como o "hangar da morte": trata-se de um local na pista do aeroporto de Lampedusa, onde foram colocados os corpos de 103 migrantes resgatados, até o momento, no mar Mediterrâneo. Sobre cada saco foi colocado um número que ajudará para que a polícia cientifica possa dar um nome aos migrantes mortos. Os policiais fotografaram todos os rostos das pessoas mortas. Os sacos foram colocados em filas duplas.
Foto: Ansa
Papa Francisco, ontem, ao receber em audiência os mais de 300 participantes do Encontro de Reitores das Universidades Pontifícias e Católicas, promovido pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, celebrando os 50 anos da encíclica Pacem in Terris de João XXIII, referiu-se à tragédia de Lampedusa.
Visivelmente emocionado, depois de uma breve pausa no seu discurso lido, improvisou: "A palavra que vem é a palavra 'Vergonha'". E continuou, acompanhado com o gesto da mão: "É uma vergonha".
Foi um momento denso, cuja emoção contagiou toda a Sala Clementina, onde se realizava o encontro.
Hoje, dia 04-10-2013, na Sala da Espoliação, em Assis, Papa Francisco, afirmou, recordando da enésima tragédia de Lampedusa, que o dia de hoje, é "um dia de pranto".
Veja o vídeohttp://migre.me/ghfEj








RURALISTAS : OS NOVOS SENHORES DE ENGENHO DA POLÍTICA

Em depoimento, Mércio Gomes afirma que os fazendeiros se dão panca de serem os novos senhores de engenho, um poder rural absolutista com pretensões políticas nacionais
por Felipe Milanez — publicado 03/10/2013 03:15, última modificação 03/10/2013 09:28

Mércio Gomes é antropólogo, discípulo de Darcy Ribeiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), deu aula também na Universidade Federal Fluminense e na Unicamp. Como antropólogo, Gomes desenvolveu trabalhos no Maranhão, entre os povos Guajajara e Awa-Guajá e publicou os livros Os índios e o Brasil (2012) e Antropologia Hiperdialética (2011), ambos pela Contexto. Foi presidente da Funai entre setembro de 2003 a março de 2007. Durante sua gestão ocorreu o massacre de garimpeiros na terra indígena Roosevelt, onde índios cinta-larga vivem um conflito com garimpeiros de diamante. Na ocasião, os índios mataram 29 garimpeiros, e os garimpeiros revidaram matando um indígena. Foi, também, quando o ex-presidente Lula homologou a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em 2005, e ocorreu o licenciamento das usinas hidrelétricas no rio Madeira, o Complexo Madeira, de Santo Antônio e Jirau, que impactam diretamente povos indígenas, inclusive em isolamento voluntário. As polêmicas usinas do Madeira foram as primeiras da série de usinas que o governo passou a construir na Amazônia como parte do programa de desenvolvimento PAC, que inclui também Belo Monte, no rio Xingu, entre diversas outras. Como jornalista, eu editei a revista Brasil Indígena, publicação da Funai, também durante a sua gestão.
Ao invés de responder a entrevista, Gomes preferiu escrever o depoimento abaixo, baseado nas questões propostas aos outros ex-presidentes para essa série de entrevistas. Segundo ele, "os fazendeiros se dão panca de serem os novos senhores de engenho, um poder rural absolutista e com pretensões políticas nacionais".
Mércio Gomes
É estarrecedor ver e acompanhar a campanha anti-indígena atual. Cada dia é uma agonia. Os fazendeiros e seus acólitos estão em guerra ofensiva contra os índios, como ocorreu em diversas épocas no Brasil, e não se envergonham de aplicar métodos suasórios de todas as espécies, desde aliciar índios até pressionar o governo diretamente e atentar contra a Constituição.
Parte dos motivos dessa ofensiva está no fato de que o agronegócio está dando muito lucro e portanto se expande em todas as regiões que pode; parece não ter limites – nem ecológicos, nem econômicos, nem sociais. Por isso a terra está muito valorizada e as perspectivas de crescimento são grandes e seguras a médio prazo. Diante de seu peso no PIB, os fazendeiros se dão panca de serem os novos senhores de engenho, um poder rural absolutista e com pretensões políticas nacionais. Estão de garras afiadas para uma guerra de fim dos tempos.
Outra parte dos motivos se deve à incapacidade do governo (ministérios da Justiça e Casa Civil, bem como a própria Funai) de responder a esse ímpeto anti-indígena. Às vezes dá a impressão que só vê com bons olhos o lado dos fazendeiros, mas finge que está com os índios. Em consequência, de propósito ou burramente, o governo tem incitado a gana dos fazendeiros e iludido os índios.
Primeiro, diminuiu a capacidade de ação indigenista da Funai ao extinguir os postos indígenas e assim retirar seu contingente de indigenistas do contato direto e permanente com os índios. Os fazendeiros viram isso como uma abertura à sua presença nas áreas indígenas. No mesmo ato que pretendia reestruturar a Funai, em dezembro de 2009, aboliu algumas das administrações regionais mais estratégicas, como a de Altamira (como intuito de facilitar o aceito dos índios sobre Belo Monte), a de Porto Velho, as do Paraná, Pernambuco, Mato Grosso, Maranhão, Pará e até no Amapá – e piorou a situação indígena como um todo. Hoje os índios sentem que não têm mais a Funai ao seu lado – o que seja talvez a pior herança desse governo para os índios.
Segundo, provocou os fazendeiros à briga renhida ao emitir desastrosamente uma série de atos demarcatórios sem a devida capacidade de levá-los a bom termo. Por exemplo, criou cinco grupos de trabalho para o Mato Grosso do Sul que diziam que iriam demarcar entre 600.000 e 1.000.000 de hectares como terras indígenas, algo impossível nas condições atuais e até no passado recente. O atual governador do Rio Grande do Sul, quando ministro da Justiça emitiu portarias declaratórias de terras em Santa Catarina e no seu estado que hoje, como governador, as renega. É evidente que os fazendeiros vêem fraqueza nesses atos e, cada vez mais se sentem poderosos para desafiar o governo. A atual ministra-chefe da Casa Civil, pré-candidata ao governo do Paraná, dita as novas regras do indigenismo brasileiro passando por cima inclusive do ministro da Justiça. A Funai segue inerme.
Terceiro, foram tantas as provocações e burrices criadas por ingênuos e não tão ingênuos diretores da Funai nos processos de demarcação, desde 2007, que o STF resolveu emitir as instruções mais anti-demarcatórias já feitas no Brasil desde o Império. As ressalvas estabelecidas por ocasião da reiteração da homologação da T.I. Raposa Serra do Sol, em 19 de março de 2009, se levadas a cabo, inviabilizam qualquer tentativa de demarcar novas terras indígenas, especialmente em estados onde a terra está super-valorizada, como são aqueles em que vivem precisamente os índios Guarani e os Kaingang, os que detêm a menor quantidade de terras proporcional às suas populações.
Quarto, o clima cultural brasileiro virou de favorável aos índios, no começo deste século, para anti-indígena, tanto na imprensa quanto na opinião pública mais difusa. Os fazendeiros estão nadando de braçadas nesse mar revolto. Quanto mais confusão e provocações, melhor para eles.
Enfim, é difícil reverter um quadro tão desastroso como esse só com fingidas boas intenções. Evidentemente que o governo não sabe o quê fazer da Funai. Ela não faz o que o governo quer, quando o governo precisa. Na verdade, está esperando que os índios peçam a sua extinção, como o pediram as ONGs alguns anos atrás. O governo sabe que não pode extinguir a Funai, pois seria abandonar os índios à legislação estadual, provocando um desastre de proporções catastróficas. Ademais, legalmente o governo precisa da Funai para diversas ações, tais como conceder licença de aproveitamento de recursos hídricos ou minerários que afetam terras indígenas; quando os índios não querem esses projetos, o governo joga pesado e aí chama a Funai para fazer o trabalho sujo. Só que encontra obstáculos na consciência dos indigenistas da Funai, daí apelar para os contratos de terceiros, em geral partidários amigos.
Para resolver as demandas sobre terras, o governo está contando com a decisão  final do STF em forma de respostas a alguns embargos declaratórios sobre as ressalvas demarcatórias. Tentou antecipar esse ato fazendo a AGU emitir o Decreto 303, mas recuou. Agora aguarda. Os tribunais federais também aguardam essa decisão para resolver dezenas de pendências de atos demarcatórios mal feitos. O  tempo trabalha em favor do governo anti-indígena e dos fazendeiros.
Por sua vez, o governo se prepara para promulgar novas políticas que favorecerão atividades do desenvolvimento econômico mais grosseiro possível, como a mineração em terras indígenas. Sua estratégia é de aliciar alguns índios e indigenistas e passar o trator por cima de quem não aceitar. Além de fazendeiros, missionários e ongueiros, teremos agora os mineradores como os novos indigenistas brasileiros.
Para aliviar um pouco a tensão que passa na situação indigenista atual, o governo e seu lado na Funai entretém os índios com reuniões e seminários sobre os temas mais banais ou mais afetos à demagogia e gastam um bom dinheiro num embuste chamado PNGATI, um verborrágico programa de "proteção" e "gestão" de terras indígenas que só favorece a contratação de consultores. Nada de relevante sairá desse programa, mas os índios são convocados a anuir com seus planos e a participar como pupilos a aprender o quê não haverá.
Enquanto isso, as tais ONGs indigenistas que levaram a Funai à sua atual situação periclitante fica tocando tambores de guerra contra fantasmas. A tal PEC 215, evidentemente uma proposta imprópria e obviamente anti-constitucional que não passará por qualquer comissão de constituição, virou um espantalho de verdade depois que as ONGs a ressuscitaram de uma medíocre gaveta parlamentar, levando o movimento indígena a se jogar contra tal embuste como se fosse contra as naus de Cabral. Com isso o movimento indígena e os jejunos antropólogos são desviados do verdadeiro problema que está acontecendo às suas vistas: o desembarque do governo federal de suas atribuições constitucionais de proteger e assistir os povos indígenas, respeitando suas culturas e demarcando suas terras.
 Fonte Carta Capital/ Blog do Felipe Milanez

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O ALUNO E A AVALIAÇÃO...


Siga os 5 passos e veja se está preparado para as provas do Enem . MUNDO VESTIBULAR

Fonte : Mundo Vestibular

AQUECIMENTO GLOBAL - IPCC

Aquecimento global e mudanças climáticas extremas, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Aquecimento global e mudanças climáticas extremas

[EcoDebate] Existem pessoas que ignoram os desastres ambientais causados pelos seres humanos e não acreditam no aquecimento global. Mas segundo os cientistas do National ClimaticData Center (NOAA/USA), a temperatura média global sobre superfíciesterrestres e oceânicas para agosto 2013 ficou empatado com o mesmo mês de 2005, como o quarto mais quente agosto desde manutenção de registros que começaram em 1880.Também marcou o 35º agosto consecutivo 342º mês consecutivo(mais de 28 anos), com uma temperatura global acima da média do século 20.O último registro, emagosto, abaixo da média da temperatura global foi em agosto de 1978,a última temperatura abaixo da média global de qualquer mês foi em fevereiro de 1985.
Evidentemente, os autodenominados céticos do clima (ou “negacionistas”), tentam desconsiderar a realidade ou reinterpretá-la para tentar mostrar que o aquecimento global não é fruto das atividades humanas, muito menos fruto da queima dos combustíveis fósseis, da liberação do gás metano e do desmatamento. As poderosas indústrias do petróleo e dos produtos químicos, assim como o fundamentalismo de mercado, não tem medido esforços para confundir a cabeça da opinião pública e manter os políticos longe das ações públicas visando a construção de uma sociedade de baixo carbono e de baixo impacto antrópico sobre o meio ambiente.
Porém, as principais academias de ciência do mundo já lançaram um manifesto expressando a preocupação com o aquecimento global. De cerca de 12 mil estudos acadêmicos (com revisão científica por pares) sobre o tema, em 20 anos, 97% confirmam os efeitos deletérios do aumento da temperatura média do Planeta. Até o Banco Mundial divulgou um relatório mostrando porque devemos evitar um aquecimento de 4 graus centígrados.
Embora o ritmo do aquecimento tenha desacelerado desde o pico ocorrido em 1998 (o chamado hiato), cada década tem sido mais quente do que a anterior. Evidentemente, são muitos os fatores que afetam o clima e não apenas a concentração de gases de efeito estufa (GEE). Seria ótimo que houvesse uma estabilização do aquecimento global, mas a análise de longo prazo indica que o efeito estufa é real e tende a se agravar.
A perda do gelo dos polos, por exemplo, pode ter consequências dramáticas para o Planeta. O permafrost – tipo de solo encontrado na região do Ártico – contém uma grande reserva de metano, gás-estufa 30 vezes mais potente que o dióxido de carbono. Se a liberação do gás metano (CH4) para a atmosfera for acelerada pelo degelo do Ártico, poderá haver uma aceleração acentuada e cumulativa do aquecimento global, com o aumento do nível dos oceanos e a diminuição das áreas de cultivo na foz dos principais rios do mundo, devido ao processo de salinização provocado pelo avanço do mar.
O fato é que o crescimento da população e da economia tem acelerado a queima de combustíveis fósseis, o desmatamento, a destruição de ecossistemas, o aumento da erosão dos solos, a desertificação, a acidificação dos oceanos, a redução dos recifes de corais, a diminuição da biodiversidade e o uso abusivo das fontes de água potável e dos aquíferos. Mas ao invés de mudar o modelo antrópico de exploração e dominação da natureza, os esforços internacionais (como a última reunião do G-20 em São Petersburgo) são realizados no sentido de acelerar o crescimento econômico e aumentar a demanda agregada por bens de consumo e serviços.
O resultado imediato tem sido o aumento dos eventos climáticos extremos , incluindo ondas de calor e tempestades, com o aumento do número dos refugiados do clima. A agricultura e a aquacultura seriam prejudicadas, afentando a produção de comida, o que dificultaria a capacidade de alimentar os cerca de 7 bilhões de pessoas da população atual e os bilhões de habitantes a mais que virão até o final do século.
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas ( IPCC na sigla em inglês), divulgou no dia 27 de setembro de 2013, o seu 5º relatório sobre o clima que aumenta o grau de certeza dos cientistas em relação à responsabilidade do homem no aquecimento global. O texto afirma que há mais de 95% (extremamente provável) de chance de que a humanidade causou a maior parte da elevação média de temperatura registrada entre 1951 e 2010, que está na faixa entre 0,5 a 1,3 grau ( o 4º relatório falava em mais de 90% de chances). Outra constatação importante é que o nível dos oceanos aumentou 19 centímetros entre 1901 e 2010.
O IPCC diz ainda que há ao menos 66% de chance de a temperatura global aumentar pelo menos 2º Centígrados até 2100 em comparação ao período pré-industrial, caso a queima de combustíveis fósseis continue no ritmo atual e não sejam aplicadas quaisquer políticas climáticas consequentes. Na continuidade dos altos índices de emissões de GEE, o nível do mar pode aumentar entre 45 e 82 centímetros, prejudicando regiões costeiras do planeta. O gelo do Ártico pode retroceder até 94% durante o verão no Hemisfério Norte.
O relatório faz previsões de que a temperatura no planeta pode aumentar entre 0,3º C e 1,7º C (no cenário mais brando, com menos emissões e mais políticas climáticas proativas por parte dos governos e da sociedade civil) e entre 2,6º C 4,8º C, considerado o pior cenário, aquele em que não há controle do lançamento de gases-estufa. A temperatura da superfície do oceano teve aumento de 0,11º C por década entre 1971 e 2010, havendo acidificação das águas oceânicas, fator que pode provoca a redução do estoque de peixes e da biodiversidade.

Aquecimento global e mudanças climáticas extremas

Ou seja, segundo o novo relatório do IPCC:
- a temperatura global do Planeta aumentou 0,85º C entre 1880 e 2012;
- há 95% de chance de que o ser humano seja o principal agente causador do aquecimento;
- no pior cenário de emissões de GEE, a temperatura pode subir 4,8º C até 2100;
- neste cenário mais dramático, o nível do mar pode aumentar 82 cm até 2100;
- gelo do Ártico pode retroceder 94% até 2100 durante o verão;
- O degelo da Antártica e do alto das montanhas deve aumentar, reduzindo os fluxos de água potável;
aumento dos eventos climáticos extremos , incluindo ondas de calor, seca e tempestades.
Desta forma, o IPCC lançou uma dura advertência sobre a realidade do aquecimento global e, consequentemente, uma dura advertência contra o estilo de desenvolvimento baseado na queima de combustíveis fósseis e na continuidade de um modelo de produção e consumo que, além de ser injusto socialmente, é incompatível com a saúde dos ecossistemas e a continuidade da rica diversidade da vida na Terra.
Referências:
World Bank. Turn Down the Heat: Why a 4°C Warmer World Must be Avoided.Washington DC, 2012
Blunden, J.and D. S. Arndt, (Eds): State of the Climate in 2012. Bull. Amer. Meteor. Soc., 94 (8), S1–S238, 2013http://www.oco.noaa.gov/resources/Documents/BAMS_SoC2012.pdf
Rubens Ricupero. É inevitável o suicídio coletivo? Folha de São Paulo, 27/05/2013
Nicholas Stern. World leaders must co-operate on talks for strong new climate change deal. The Observer. 21 September 2013
IPCC WGI AR5. Climate Change 2013: The Physical Science Basis, 27/09/2013
IPCC. Summary for policymakers, 27/09/2013
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

EcoDebate, 02/10/2013