sexta-feira, 7 de agosto de 2015

RIOS VOADORES.

Rios Voadores, artigo de Roberto Naime

Publicado em agosto 6, 2015 
Projeto Rios Voadores
Foto: Projeto Rios Voadores

[EcoDebate] Em 2.007 trabalhando com a equipe do Prof Luiz Duarte, na implantação do curso de engenharia ambiental do Centro Universitário de Várzea Grande (UNIVAG), se viabilizou a oportunidade de ter o primeiro contato com o casal Gérard e Margi Moss, que estavam desenvolvendo já sob o patrocínio da PETROBRÁS, o projeto “rios voadores”. Na época e ainda agora, visto como um certo delírio de ambientalistas, embora fosse inspirado pela realidade e trabalhando com uma hipótese complicada de confirmar, houve a possibilidade de ouvir explanação sobre a hipótese e os trabalhos que então se realizavam em palestra na UNIVAG, na cidade mato-grossense de Várzea Grande, onde se localiza o aeroporto Marechal Cândido Rondon, que atende também a cidade de Cuiabá.
Agora que a hipótese ganhou destaque numa explanação do programa Fantástico da rede Globo, e em função da terrível seca que assola o estado de São Paulo, também vinculada com hipóteses do projeto, então ocorre nova motivação para evidenciação da iniciativa.
Todo mundo conhece, ou já ouviu comentar que o Brasil detém aproximadamente 12% das águas doces disponíveis para utilização e consumo. Mas esta reserva está muito desproporcionalmente distribuída na geografia brasileira. Em cursos de drenagem ou rios, que são mais vigorosos nas regiões norte e centro-oeste e em aquíferos, onde depende de poços tubulares para sua extração, como o aquífero Guarani na região sul e o aquífero de Gurguéia no sul do estado do Piauí.
Entre o final de 2.003 e o final de 2.004, o casal Gérard e Margi Moss, coletaram 1.160 amostras de água doce, de rios e lagos espalhados no território brasileiro utilizando um avião anfíbio denominado Talha-mar. O projeto ganhou o prêmio ambiental Von Martius em 2.004 na categoria natureza. Mais do que desenhar um abrangente panorama da qualidade da água, foram desenvolvidas hipóteses muito relevantes que ajudam a entender a realidade de hoje.
Conforme referiu o programa Fantástico e como refere o site do projeto ainda no ar e consultado em 20 de setembro do ano de 2.014, os rios voadores são massas de ar que carregam vapor de água, preferencialmente da exsudação das florestas na região da Amazônia para outras regiões do Brasil, especificamente para as regiões centro-oeste e sudeste do país, contribuindo desta forma para a manutenção dos índices pluviométricos em equilíbrio.
Gérard Moss idealizou uma forma de coletar amostras de água, em voos rasantes a bordo de um avião anfíbio, e a partir de consultas e ajustes com cientistas e especialistas, as metodologias foram validadas para determinação da qualidade da água, então foco preferencial da pesquisa executada.
Para validação da hipótese dos rios voadores como condutores de chuvas da região amazônica para o centro-oeste e sudeste do Brasil, acredita-se que não houve comprovação, mas apenas farta evidenciação observada pelos realizadores do projeto. Isto talvez fosse possível com a determinação isotópica do oxigênio presente nas chuvas em regiões exógenas à Amazônia, comparadas com determinações isotópicas da região da Amazônia Legal. Especialistas devem ser consultados para validar a viabilidade deste procedimento ou determinar sua inviabilidade e um método mais viável para comprovação. Mas, ao que se sabe, investigações isotópicas ainda são de difícil realização no país e não são técnica universalizada.
O casal Moss viajou por mais de 120.000 km no seu avião anfíbio transformado em laboratório aéreo, coletando amostras de água, num total de 1.160 de 524 rios, lagos e reservatórios. Na época, baseado nos resultados de análises físicas e microbiológicas, foi possível estabelecer um mapeamento evidenciando a qualidade das águas, identificando também ambientes não contaminados para propiciar atividades de conservação dos recursos hídricos. Os dados também possibilitaram a formação e operação de banco de dados.
O conjunto operacional e metodológico do projeto ajudou a entender a situação atual da dinâmica que afeta o ciclo hidrológico do país dentro de uma concepção holística. Começou a se criar a concepção de rios voadores que são massas de ar que carregam vapor de água de certas áreas, como Amazonas para outras regiões, sendo aparentemente responsáveis pelo equilíbrio da pluviosidade, em hipótese ainda não comprovada, mas muito evidenciada.
A quantidade de vapor de água transportada por estes rios voadores, é estimada pelo site do projeto em 200.000m3/s, que é uma vazão superior a todos os rios da região centro-oeste ou equivalente a vazão do rio Amazonas. O projeto iniciou em 2.007, ano em que uma escala de trabalho em Cuiabá possibilitou o contato direto com a equipe. Voando junto com os ventos, coletando amostras do vapor para análise, se buscava explicações para as inter-relações observadas.
A coleta de amostras de vapor de água das nuvens, permitiu a análise por parte de pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo, do campus Luiz de Queiróz em Piracicaba, São Paulo. O projeto também monitorou a trajetória dos rios voadores através de uma parceria com o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Desta forma foi possível procurar entender e caracterizar as possíveis consequências do desmatamento e das queimadas na Amazônia sobre o balanço hídrico e os eventuais impactos sobre as mudanças climáticas.
Desta semente, começou a ser revelada a verdadeira origem para os recursos hídricos que abastecem as populações de alguns dos grandes centros urbanos do país. O que era e contínua sendo uma hipótese muito viável, acumulou grande quantidade de evidências e parece cada vez mais claro que a ação antrópica irresponsável tem grandes consequências sobre o equilíbrio climático e a homeostase sistêmica dos grandes biomas encontrados no país. Não adianta os políticos atribuírem culpa a São Pedro cada vez que se aproxima um episódio eleitoral.
Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 06/08/2015
"Rios Voadores, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, 6/08/2015,http://www.ecodebate.com.br/2015/08/06/rios-voadores-artigo-de-roberto-naime/.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

JAPÃO , APÓS 70 ANOS DA BOMBA DE HIROSHIMA E NAGASAKI.

Após 70 anos, bomba ainda mata no Japão

Sete décadas depois de ser alvo de um ataque atômico, os moradores de Hiroshima continuam sob tratamento em razão da radioatividade e do impacto da bomba que devastou a cidade em um dos últimos episódios da 2.ª Guerra.
Um estudo que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha divulga hoje mostra que, em 2014, mais de 10 mil pessoas que sobreviveram aos ataques de 1945 foram tratadas nos hospitais de Hiroshima e Nagasaki por diferentes cânceres. Ainda hoje, centenas de pessoas morrem a cada ano como consequência das doenças causadas pelas bombas.
A reportagem é de Jamil Chade, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 06-08-2015.
Às 8h15 de 6 de agosto de 1945, a primeira bomba lançada pelos EUA explodiu sobre Hiroshima. O ataque matou mais de 120 mil pessoas e destruiu 90% da cidade.
Setenta anos depois, o local é o exemplo da reconstrução, com uma cidade de 1,9 milhão de habitantes, prédios imponentes e uma sociedade freneticamente ativa. Nestas sete décadas, o Japão passou a ser um aliado incondicional da Casa Branca e atravessou uma revolução tecnológica.
Como a cidade, o relato histórico do ataque também foi reconstruído. Hoje, dezenas de líderes políticos americanos justificam que as duas primeiras e únicas bombas atômicas utilizadas em combate anteciparam o fim da 2.ª Guerra, sugerindo que – em razão das explosões – vidas foram salvas.
Mas o que estudos revelam é que o impacto da bomba para a saúde da população persiste, enquanto críticos insistem que o ataque indiscriminado foi um crime de guerra.
“Os ecos da bomba ainda são sentidos”, alerta o relatório da Cruz Vermelha. “Setenta anos depois, os hospitais das duas cidades ainda estão tratando milhares de sobreviventes dos efeitos de longo prazo em seus estados de saúde”, indica o documento.
O que o estudo revela é que, mais do que em outros locais, grande parte da população das duas cidades continuam morrendo em razão de diferentes tipos de cânceres.
“Mesmo depois de tantas décadas, continuamos a ver o impacto catastrófico na saúde das pessoas que vivem em lugares que sofreram um ataque de uma arma nuclear”, declarou o presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Peter Maurer.
As autoridades japonesas estimam que, hoje, 200 mil pessoas que sobreviveram às bombas ainda vivam nas duas cidades. Mas, se o atual padrão de doenças for mantido, a previsão é de que milhares deles precisarão de tratamentos sofisticados nos próximos anos.
Apenas durante 2014, os dois hospitais mantidos pela Cruz Vermelha em Hiroshima e Nagasaki dedicados aos sobreviventes do ataque atenderam 10,6 mil pessoas. Desde os anos 50, esses dois hospitais receberam mais de 2,5 milhões de visitas de pacientes vítimas das bombas.
Entre os mortos a cada ano, o que chama a atenção dos especialistas é o elevado número de vítimas de câncer. O mais comum deles é o de pulmão, com 20% dos óbitos, depois há 18% com câncer no estômago e 14% no fígado.
Numa outra publicação também marcando os 70 anos da bomba, um estudo realizado pelo professor Kenji Kamiya, vice-presidente da Universidade de Hiroshima, concluiu que os riscos de sobreviventes de acidentes e ataques atômicos desenvolver câncer é multiplicado, em comparação a uma população sem essa exposição.
Seu estudo coletou dados do “Japanese Life Span Study”, que, desde 1950, acompanhou a vida de 94 mil sobreviventes. Quem mais desenvolveu as doenças foram as pessoas que, na época, tinham menos de 10 anos idade.
Para o estudo, saber o que ocorreu com a população de Hiroshima “não é apenas importante para entender os efeitos para a saúde da questão nuclear, mas para desenvolver limites de proteção e padrões para profissionais que estejam expostos a esses desastres, como médicos”.
Segundo a Cruz Vermelha, outro aspecto negligenciado tem sido o impacto psicológico, que “continua a assombrar cada um dos sobreviventes”. De acordo com um estudo publicado pela revista The Lancet, os efeitos psicológicos chegam a ser superiores ao impacto em termos de saúde após um desastre nuclear.
“Essa recordação dos 70 anos é um alerta sobre as consequências indiscriminadas das armas nucleares”, indicou Tadateru Konoé, presidente da Federação Internacional da Cruz Vermelha. “É um alerta que essas consequências viajam pelo tempo e, uma vez realizadas, não podem ser contidas”, completou o dirigente.
O aniversário dos 70 anos das explosões atômicas ocorre meses depois do fracasso da Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. O encontro diplomático não resultou em um acordo para estabelecer um plano para a eliminação dessas armas.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos.

HIROSHIMA

Hiroshima, 70 anos. "Não esqueçam da rosa radioativa e estúpida..."

Ouça e veja 'Rosa de Hiroshima' de Vinícius Moraes  com Ney Matagrosso 

Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

GNÔMON : RELÓGIO DO SOL

A observação do movimento aparente do Sol, pode ser realizada com a utilização de uma vareta cravada ( na vertical) em uma superfície plana e nivelada, instrumento esse chamado de gnômon, que permite , com base na sombra, marcar a altura do Sol.
Vamos observar como construir um gnômon?
Assista o vídeo.



terça-feira, 4 de agosto de 2015

MST OCUPAM SEDES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA.

Sem Terra ocupam 13 sedes do Ministério da Fazenda contra cortes na Reforma Agrária

Diversos Ministérios da Fazenda amanheceram ocupados por milhares de Sem Terra em todo o país, nesta segunda-feira (3). Até o momento, dez estados mais o Distrito Federal tiveram suas sedes dos Ministérios ocupados. São eles a capital Porto Alegre, Aracaju, Recife, Fortaleza, Florianópolis, Curitiba, Palmas, Porto Velho, João Pessoa, Salvador, Rio de Janeiro e São Luís.
A reportagem é publicada por Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, 03-08-2015.
Além dos prédios dos Ministérios, diversas outras mobilizações, como ocupações de terras, trancamento de rodovias e ferrovias e marchas pelas cidades estão ocorrendo pelo país. Ao todo, 18 estados estão mobilizados, além da capital federal (Veja abaixo o balanço completo).
Segundo os Sem Terra, o Movimento volta a denunciar a paralisação da Reforma Agrária no país com a realização de uma segunda Jornada de Lutas contra o ajuste fiscal do governo, que cortou quase 50% dos recursos da Reforma Agrária - de R$ 3,5 bilhões sobraram apenas R$ 1,8 bilhão.
O corte ameaça estagnar ainda mais o processo da Reforma Agrária, já que com menor orçamento fica ainda mais difícil do governo cumprir com o compromisso político assumido no início deste ano, de assentar 120 mil famílias acampadas no Brasil.
De acordo Kelli Maffort, da coordenação nacional do MST, corte de investimentos em setores fundamentais como educação e saúde, além dos cortes nas políticas sociais, só atingem o setor mais pobre da população.
"Não podemos ficar ao lado do ajuste fiscal. Nosso compromisso é com o povo. Exigimos o assentamento de todas as famílias acampadas. Temos famílias há mais de 10 anos debaixo da lona preta e que são vítimas da violência do latifúndio e do agronegócio. É preciso que o governo elabore um Plano de Metas para assentar no mínimo 50 mil famílias por ano, no período de 2016-2018", ressalta.
A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária realizada pelo MST em todo país. Durante toda essa semana todos os estados estarão mobilizados em luta permanente em defesa da pauta da classe trabalhadora camponesa.Confira abaixo as mobilizações em cada estado:
Bsb
Na madrugada desta segunda feira (3/8), cerca de 2.000 mil trabalhadores trabalhadoras Sem Terra ocuparam o Ministério da Fazenda, em Brasília, contra o ajuste fiscal do governo no orçamento da reforma agrária.
RS
Cerca de 2 mil trabalhadores do MST ocuparam o Ministério da Fazenda de Porto Alegre (RS), desde às 7 horas desta segunda-feira (3). Os Sem Terra cobram do governo federal o assentamento de 2.100 famílias acampadas no Rio Grande do Sul, a reestruturação dos assentamentos e a elaboração de um programa de produção de alimentos saudáveis.
PR
No Paraná, cerca de 400 trabalhadores rurais do MST ocuparam a delegacia do Ministério da Fazenda em Curitiba (PR). Os Sem Terra também estão mobilizados em pedágios nos municípios de Arapongas, Mandaguari, Jataizinho, Ortigueiro.
CE
No Ceará, cerca de mil Sem Terra ocuparam o Ministério da Fazenda.
PA
No Pará, 2 mil trabalhadores rurais Sem Terra ocuparam a ferrovia de Carajás, em Parauapebas, utilizada pela Vale para escoar o minério extraído das minas do sudeste paraense até o porto de Itaqui, em São Luis (MA).
MT
No Mato Grosso, cerca de 400 camponeses marcham pela cidade de Jaciara. A marcha percorrerá o centro da cidade passando pelo Fórum municipal Câmara de Vereadores e Prefeitura, onde serão pautados o apoio contra o despejo das famílias que estão acampadas no latifúndio Fazenda Nossa Senhora Aparecida, que está em nome de Waldemir Ival Lotto, Presidente Executivo do Grupo Amaggi.
RJ
Os trabalhadores rurais do MST também ocuparam o Ministério da Fazenda na capital fluminense.
AL
Em Maceió, milhares de trabalhadores e trabalhadoras Sem Terra se concentraram na Praça Sinimbu no centro da cidade. Também na capital alagoana 300 Sem Terra trancaram a entrada do Porto da cidade. Além da realização da política de Reforma Agrária, os Sem Terra reivindicam a destinação das terras do grupo João Lyra para assentamentos.
SC
Em Florianópolis, cerca de 500 trabalhadores rurais de Santa Catarina ocuparam a Receita Federal com o intuito de denunciar os cortes no orçamento da Reforma Agrária pelos ajustes fiscais do governo federal.
PE
Em Recife, capital pernambucana, cerca de mil Sem Terra vindos do Agreste, Sertão e Zonas da Mata do estado ocuparam o prédio sede do Ministério da Fazenda.
RO
Em Rondônia, os Sem Terra que ocuparam a Secretária da Receita foram recebidos com violência pela policia. Até o momento, existe a informação de dois Sem Terra feridos e cinco detidos. Cerca de 300 Sem Terra também ocuparam o Incra.
BA
Na Bahia, além da Secretária da Fazenda ter sido ocupada em Salvador, três centros da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foram ocupados, além da diretoria regional de educação de Teixeira de Freitas.
PB
Em João Pessoa, cerca de 1.200 integrantes do MST ocuparam o Ministério da Fazenda na capital.
TO
Trabalhadores rurais de Tocantins também ocuparam a Secretaria da Fazenda do Estado, na capital Palmas. Os Sem Terra denunciam a falta de políticas públicas voltadas para os camponeses, a legalização da grilagem de terras da União pelo Instituto de Terras do Tocantins (Intertins), a exploração irregular das terras do Projeto Sampaio por alguns fazendeiros da Região do Bico do Papagaio e a criminalização dos movimentos e das lutas sociais por parte dos órgãos de segurança do Estado.
SE
Em Aracaju, cerca de 200 pessoas ocuparam o Ministério da Fazenda.
MG
Em Minas Gerais, duas rodovias foram trancadas. Uma na região do Triângulo Mineiro (BR 365) e outra no norte de Minas.
RN
No Rio Grande do Norte, cerca de 800 Sem Terra trancaram a rodovia que dá acesso ao aeroporto internacional Governador Aluísio Alves.
MA
Cerca de 400 trabalhadores rurais ocuparam o Ministério da Fazenda na capital São Luís. Antes da ação, os Sem Terra realizaram uma plenária para debater as questões sobre a situação da Reforma Agrária.
SP
Em São Paulo, cerca de 200 Sem Terra ocuparam a Fazenda Santo Henrique, pertencente à empresa Cutrale, entre os municípios de Iaras, Borebi e Lençóis Paulista, no interior do estado de São Paulo, neste domingo (2).

Essa é a 15ª vez que a propriedade, que pertence ao grupo Cutrale, maior produtor de laranja do país, é ocupada últimos 20 anos. Os Sem Terra denunciam a grilagem de 2,6 mil hectares de terra pela empresa.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos.

CRISE ECONÔMICA ATUAL BRASILEIRA.

A crise atual reflete dependência estrutural da economia brasileira, constata economista

De forma inovadora e em total sintonia com o objetivo de reflexão aprofundada sobre os rumos políticos e econômicos do Brasil – temática principal do 12º Congresso dos Químicos do ABC, realizado no início deste mês – a Direção do Sindicato recebeu em seu Seminário de Planejamento a Professora Leda Maria Paulani para debate sobre os dilemas estruturais da economia brasileira.
Leda Paulani é professora na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) desde 1988. É pesquisadora do CNPq e da FAPESP e autora de importantes livros, como “Modernidade e discurso econômico” (editora Boitempo, 2005) e “Brasil delivery” (editora Boitempo, 2008), além de dezenas de artigos publicados nas mais renomadas revistas acadêmicas das Ciências Humanas. De 2004 a 2008 foi presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política. Entre janeiro de 2001 e abril de 2003 foi assessora chefe do gabinete da Secretaria de Finanças da Prefeitura de São Paulo, retornando à mesma Prefeitura para, entre janeiro de 2013 e fevereiro de 2015, assumir a Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, no governo de Fernando Haddad.
Leda fez uma ampla reconstrução histórica do processo de financeirização do capitalismo. A partir de meados dos anos 1970, o capitalismo ingressa numa fase em que a valorização financeira vai adquirindo papel cada vez mais importante, até assumir o comando do processo de acumulação.
Para Leda, “o processo de valorização do valor que é definidor do capitalismo, estaria sob o comando da lógica financeira, que é rentista e curto-prazista, além de ainda mais contraditória do ponto de vista do funcionamento do sistema como um todo, ou se quisermos, do ponto de vista da acumulação sistêmica”. Evidências desta financeirização são a incrível sucessão de crises financeiras de escala internacional assistidas nos últimos trinta anos e a multiplicação por três da relação entre ativos financeiros e PIB mundial, a qual salta de 1,12, em 1980, para 3,37 em 2010.
A inserção da economia brasileira no processo de acumulação capitalista mundial aconteceu em cinco momentos, analisados didaticamente pela Profa. Paulani.
primeiro tem início com a chegada dos colonizadores portugueses, que usam o território brasileiro como objeto de espoliação e fonte de oferta de metais preciosos e matérias primas no contexto da acumulação primitiva vivido pelo capitalismo europeu.
segundo momento é marcado pela economia brasileira como produtora de bens agrícolas e matérias primas baratas, alavancando a acumulação no Centro capitalista europeu e nos EUA.
Já no terceiro momento, a partir da segunda metade da década de 1950, a economia brasileira é objeto de deslocamento espacial do capital do Centro, que instala indústrias no ABC, por exemplo, em busca de mercado que faltava em tempos de super acumulação industrial na Europa e EUA.
quarto momento, já na década de 1970, é marcado pela economia brasileira como tomadora de empréstimos. O Brasil passa a ser o devedor que faltava a um capital financeiro robusto e ávido por aplicações no contexto de uma crise de sobre acumulação irresolvida no Centro capitalista.
quinto e atual momento é a economia brasileira como plataforma internacional de valorização financeira, ofertando ganhos financeiros em tempos de capitalismo rentista. Este momento foi inaugurado nos governos Collor e Itamar Franco, no início da década de 1990, aprofundado nos governos FHC, e mantido inalterado nos governos Lula e Dilma.
governo FHC (1995-2002) assumiu como programa de governo o neoliberalismo e definiu as condições fundamentais para o ingresso ativo do país na era da financeirização, através da estabilização monetária, para viabilizar o cálculo rentista; da resolução dos problemas originados pela moratória de 1987, para recuperar a confiança dos credores; pela adoção de uma política monetária de elevadíssimos juros reais; de um rígido controle fiscal de modo a gerar superávits primários cada vez maiores; e pelas privatizações.
A ascensão de Lula ao governo federal (2003-2010) não muda este programa. O governo não muda a política econômica herdada de FHC e assume rígido controle da liquidez (logo no início do governo, em fevereiro, foram abruptamente cortados da economia cerca de 10% de seus meios de pagamento); elevadíssimos juros reais (em março, governo sobe para 26,5% ao ano a taxa de juros de seus títulos, que já havia sido elevada para 22% num dos últimos atos do governo anterior); enormes superávits primários (governo se compromete a produzir um superávit maior do que o exigido pelo FMI: 4,25% do PIB ao invés de 3,75%).
Desta forma, Lula governa para assegurar de forma prioritária a inserção da economia brasileira nos circuitos mundiais de acumulação. E vai além de FHC, adotando medidas adicionais para completar o processo de inserção da economia brasileira nos circuitos internacionais de valorização financeira: extensão da reforma previdenciária ao funcionalismo público; reforma da Lei de falências, dando mais garantias aos bancos em relação a empréstimos realizados para empresas; e novas medidas para aumentar o grau de abertura financeira da economia.
Como resultado da financeirização, temos hoje uma queda acentuada da atividade industrial (em 2014, representou pouco mais de 10% do PIB) e do nível de investimentos (a taxa de investimentos atual é inferior àquela verificada na conturbada década de 1980).
A crise atual, assim, é fenômeno esperado para uma economia dependente dos capitais estrangeiros, e ainda altamente vulnerável, mesmo com o crescimento das reservas internacionais (hoje na casa dos US$ 350 bilhões), pois o Passivo Externo Líquido da economia brasileira (recursos de estrangeiros aqui aplicados em dívida pública e empresas) é muito elevado, da ordem de US$ 1 trilhão, dos quais metade de curto-prazo.
Leda concluiu analisando que o Estado brasileiro sempre funcionou como a locomotiva da acumulação do capitalismo brasileiro. “Quando o Estado sai de cena, por força dos imperativos neoliberais, a acumulação produtiva estanca e depois regride. Ela só é retomada, em patamares bastante baixos, com os investimentos estatais do PAC, do Programa Minha Casa Minha Vida”.
Em síntese, para Leda, “a economia brasileira é hoje uma economia financeirizada, com um acelerado processo de centralização de capitais e completamente integrada ao capitalismo rentista dominante. A principal ferramenta para a engorda dos recursos de rentistas internos e externos é o Estado, que sustenta, sem nenhuma razão teórica ou empírica que a justifique, a maior taxa real de juros do mundo. Por essa via ele destina uma parte substantiva da renda real gerada pela economia brasileira para a sustentação do rentismo”.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

ATUALIDADES : VESTIBULAR

Corrupção: uma questão cultural ou falta de controle?

Por Andreia Martins
Fonte : Uol vestibular Atualidades
Suborno, propina, carteirada, “rouba, mas faz”. Casos como Mensalão e Operação Lava Jato estampando manchetes de jornal. Quem já não escutou alguém dizer que no Brasil a corrupção é algo natural? Muito se fala que ela faz parte de quem somos. No entanto, a corrupção é fenômeno inerente a qualquer forma de governo, seja democrático ou despótico, em países ricos ou em desenvolvimento. Então o que nos faz acreditar que a prática é uma característica brasileira, parte do modo de viver que nós chamamos de “jeitinho brasileiro”?
Bem, primeiro vamos entender o que é corrupção. A palavra corrupção vem do latimcorruptus, que significa quebrado em pedaços. Na república romana, ela se referia à corrupção de costumes. No mundo contemporâneo, sua prática pode ser definida como utilização do poder, cargo público ou autoridade – também chamada de tráfico de influência -- para obter vantagens e fazer uso do dinheiro público ilegalmente em benefício próprio ou de pessoas próximas.
Engana-se quem acha que a prática ganha essa nomenclatura apenas quando falamos de grandes corporações ou órgãos públicos. A corrupção privada está presente em atitudes do nosso dia a dia, como desviar dinheiro do condomínio, burlar um imposto, pagar um valor extra para ter um serviço feito antes do tempo legal, subornar um guarda de trânsito para evitar uma multa ou pagar por um lugar melhor na fila do restaurante.
No último ranking da corrupção, organizado pela Transparência Internacional e divulgado em dezembro de 2014, o Brasil aparece na 69ª posição entre 175 países. O ranking mede o índice de percepção da corrupção. Para calcular a nota que define a posição, e vai de 100 (menos corrupto) a zero (mais corrupto), a ONG pergunta a entidades da sociedade civil, agências de risco, empresários e investidores qual é a percepção sobre a transparência do poder público.
O Brasil aparece atrás de países como Uruguai e Chile (ambos no 21º lugar), Botsuana (31º) e Cabo Verde (42º). A Dinamarca manteve o primeiro lugar no ranking com nota 92, seguida da Nova Zelândia (91); Finlândia (89), Suécia (87) e Noruega (86). Na outra ponta da tabela, Somália e Coreia do Norte aparecem em último, com oito pontos.
O que faz da Dinamarca um país menos corrupto? No documento, o país é citado como uma nação que tem um forte Estado de Direito, apoio à sociedade civil e regras claras de conduta para as pessoas que ocupam cargos públicos. O relatório menciona o exemplo dado pelo país de criar um registro público com informações sobre os proprietários de todas as companhias dinamarquesas, iniciativa criada pela ONG norte-americana Global Financial Integrity para o combate à lavagem de dinheiro, à sonegação de impostos e à corrupção. Até agora, apenas Reino Unido e Dinamarca aderiram à campanha.
O ambiente social do país também colabora. O professor dinamarquês Gert Tingaard Svendsen, especialista em corrupção, publicou este ano o livro Trust, onde mostra como na Dinamarca a confiança social é alta. Segundo ele, quando as pessoas confiam umas nas outras e nas instituições, há maior cooperação, a burocracia é menor e os investimentos em segurança são reduzidos.
O professor fez uma pesquisa em 2005, em 86 países, perguntando às pessoas se elas confiavam nas outras. Na Dinamarca, 78% (três em cada quatro pessoas) disseram que sim. O Brasil aparece no final da lista: apenas 10% dos entrevistados (uma em cada 20 pessoas) disseram que confiam nas outras.
Além dos baixos índices de corrupção, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia têm outra coisa em comum: investem alto em educação. Um levantamento feito pela Folha, no final de 2013, apontou que existe sim uma relação entre corrupção e educação.
O estudo cruzou dados do Índice de Percepção da Corrupção e do Pisa, exame internacional que avalia estudantes de 15 e 16 anos em matemática, leitura e ciências. Os dados mostraram que os países menos corruptos estão no topo da lista. O Brasil ficou em 58º na avaliação do Pisa e, em 2013, ocupava o 72º lugar no ranking de corrupção.
Brasil e a corrupção na política
No Brasil, boa parte da percepção de que somos um país corrupto se deve aos sucessivos escândalos políticos de desvios de dinheiro público e à impunidade dos envolvidos na maioria dos casos. Daí surge outra “máxima” do senso comum: a de que “o poder corrompe”.
A frequência de denúncias e a falta de punições criou uma imagem de que a política aqui é, necessariamente, corrupta. Para estudiosos, essa noção é equivocada e contribui para que a corrupção seja aceita de forma quase natural, ou seja, se você foi eleito para um cargo público, já se espera que você não seja honesto.
Entre as práticas de corrupção mais comuns na política estão o nepotismo (quando o governante elege algum parente para ocupar um cargo público), clientelismo(compra de votos), peculato (desvio de dinheiro ou bens públicos para uso próprio),caixa dois (acúmulo de recursos financeiros não contabilizados), tráfico de influênciauso de "laranjas" (empresas ou pessoas que servem de fachada para negócios e atividades ilegais), fraudes em obras e licitações, venda de sentenças,improbidade administrativa e enriquecimento ilícito.
Para muitos, a corrupção é um fator moral e cultural. Como descreveu o antropólogo Sérgio Buarque Holanda no livro Raízes do Brasil (1936), o brasileiro (segundo ele, um indivíduo cordial, que pensa com a emoção) teria desenvolvido uma histórica propensão à informalidade, o que se refletiria nas suas relações com outros indivíduos, instituições, leis e a política.
Esse comportamento explicaria a origem, mais tarde, do “jeitinho brasileiro”. Nessa predisposição à informalidade, entre o que pode e o que não pode por meios legais, a malandragem, o "jeitinho" e frases como "você sabe com quem está falando?", como cita Roberto DaMatta, surgem como formas de se obter vantagens e burlar regras seja no âmbito do poder os nas nossas relações do dia a dia.
Mudar esse comportamento só seria possível com mecanismos de controle e de fiscalização que coíbam ou reduzam as condições para práticas corruptas. Como pontua Claudio Abramo, diretor executivo da Transparência Brasil, no textoCorrupção, ética e moral, hoje a corrupção não é apenas uma questão moral, mas entender o cenário que permite que ela seja tão frequente é fundamental.
“Não é o homem que molda o ambiente, mas o ambiente que molda o homem. São as condições materiais que regulam as interações entre as pessoas que determinam a maior ou menor propensão de elas se meterem em tramóias desonestas. Conforme essa perspectiva interessa pouquíssimo se um indivíduo é honesto ou desonesto. O que importa é que, se o sujeito for desonesto, as condições em que ele age deixem-lhe pouca margem para que aja desonestamente”, pontua Abramo.

Controle e fiscalização

No Brasil, os órgãos fiscalizadores começaram a surgir principalmente depois da Constituição de 1988. Hoje, o Estado possui diversas instituições de controle e fiscalização da atividade governamental, como o TCU (Tribunal de Contas da União), os Tribunais de Contas dos Estados e de vários Municípios, e a CGU (Controladoria Geral da União), criada em 2003.
 O TCU, por exemplo, tem a função de controlar os gastos públicos. Os governantes têm de prestar contas ao órgão sobre suas decisões de gastos. O Ministério Público também recebe denúncias e ajuíza ações penais e civis por improbidade administrativa por meio dos procuradores da República.
Outra ferramenta é a Lei 12.846/2013, conhecida como lei anticorrupção. De caráter não penal, institui e regula a responsabilidade objetiva e civil de empresas pela prática de atos de corrupção contra a administração pública nacional ou estrangeira. Já a Lei da Ficha Limpa, que entrou em vigor em 2010, impede a candidatura em eleições de políticos com condenações por órgãos colegiados, um passo importante para a ética na política.
A Lei de Acesso à Informação Pública (Lei 12.527/2011), que determina que qualquer cidadão tem o direito de examinar documentos produzidos ou custodiados pelo Estado, desde que não estejam protegidos por sigilo ou se referirem a informações de caráter pessoal, também serve para acompanhar os gastos dos governos.
Mas, além da lei, ainda temos que desenvolver o hábito de investigar e acompanhar as atividades dos ocupantes de cargos públicos com ajuda desses mecanismos. Na Suécia, por exemplo, a lei de acesso à informação existe há 200 anos, já sendo parte da rotina dos cidadãos, quem veem na lei uma aliada no combate à corrupção.
E mesmo com esses diversos mecanismos, são muitos os casos em que as brechas na Justiça e legislação permitem que políticos e empresas envolvidos em escândalos não sejam punidos ou cumpram curto período na prisão, recebam benefícios em troca de informações e não sejam banidos da vida pública. Daí surge outra famosa expressão: “o Brasil é o país da impunidade”.
Embora muito se fale que hoje a corrupção no Brasil é mais denunciada do que antigamente, sem a correta punição dos envolvidos é como se de nada adiantasse tomar conhecimento das ilegalidades. Se hoje denunciamos mais, talvez seja hora de avançar para tempos onde também se puna mais.

DIRETO AO PONTO

Suborno, propina, carteirada, “rouba, mas faz” e o “jeitinho brasileiro”. Quem já não escutou alguém dizer que no Brasil a corrupção é algo natural? Muito se fala que ela faz parte de quem somos. No entanto, a corrupção é fenômeno inerente a qualquer forma de governo, seja democrático ou despótico, em países ricos ou em desenvolvimento.
No último ranking da corrupção, organizado pela Transparência Internacional e divulgado em dezembro de 2014, o Brasil aparece na 69ª posição entre 175 países. O ranking mede o índice de percepção da corrupção.
A corrupção envolve fatores morais, ausência de medidas punitivas ou do cumprimento delas e, no caso do Brasil, de certa forma trata-se de uma questão cultural. Como descreveu o antropólogo Sérgio Buarque Holanda no livro Raízes do Brasil (1936), o brasileiro teria desenvolvido uma histórica propensão à informalidade, o que se refletiria nas suas relações com outros indivíduos, instituições, leis e a política.
Hoje, para acompanhar mais de perto os gastos na administração pública, o Estado possui diversas instituições de controle e fiscalização da atividade governamental. No entanto, no Brasil ainda denunciamos mais do que punimos os envolvidos em escândalos de corrupção.


Por Andreia Martins