segunda-feira, 2 de maio de 2016

AMÉRICA LATINA E A CRISE ECONÔMICA.

ARTIGO: Nos últimos três anos, América Latina vive crise em câmera lenta

Leia artigo de José Manuel Salazar-Xirinachs, diretor regional da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para América Latina e Caribe. (*)
José Manuel Salazar-Xirinachs, diretor regional da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para América Latina e Caribe. Foto: OIT
José Manuel Salazar-Xirinachs, diretor regional da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para América Latina e Caribe. Foto: OIT
“Nos últimos três anos, a América Latina tem sido afetada por uma desaceleração econômica cujos efeitos cumulativos podem ser descritos como uma crise em câmera lenta. Por pelo menos dez trimestres consecutivos, a região tem experimentado uma queda nas taxas de crescimento que causou uma diminuição na taxa de ocupação (-2,9 pontos percentuais). Em comparação, na crise ou choque financeiro de 2009, os efeitos duraram quatro trimestres, a taxa de ocupação caiu apenas 1,8 ponto e, como sabemos, a recuperação foi rápida.
Os efeitos dessa nova crise, desencadeada em boa parte pela forte queda nos preços das matérias-primas, também se refletiram lentamente sobre o emprego, que inicialmente registrou impactos moderados. Mas, no ano passado, a situação mudou e a região teve o primeiro aumento significativo na taxa de desocupação em cinco anos.
O aumento do desemprego médio regional foi de meio ponto percentual –para 6,7%, no ano passado. Como destacou o “Panorama Laboral 2015”, da OIT (Organização Internacional do Trabalho), se as previsões de maior desaceleração se cumprirem, esse número pode subir para 6,9% em 2016. No momento, há cerca de 19 milhões de pessoas desempregadas na região.
Ao mesmo tempo, há indícios de diminuição do emprego assalariado e aumento do emprego por conta própria, um sinal de que a informalidade poderia subir. Quase metade da força de trabalho da nossa região, composta por mais de 280 milhões de pessoas, tem emprego informal, o qual geralmente envolve baixa renda, instabilidade no trabalho, falta de proteção e direitos.
As médias regionais expressam uma realidade heterogênea. Tanto a desaceleração da economia quanto as mudanças nas taxas de desemprego e outros indicadores do mercado de trabalho se manifestam em velocidades diferentes em cada país. Há inclusive alguns em contração aberta, enquanto outros mantêm números positivos. Mas além das diferenças, é evidente que na região como um todo houve uma mudança de ciclo e que o cenário, pelo menos agora, é pouco animador.
Esse panorama traz desafios concretos e imediatos, pois a piora da situação laboral implica que a crise se reflete na situação das pessoas, e afeta tanto os grupos mais vulneráveis, incluindo as famílias pobres, quanto a classe média, que vê suas expectativas de melhora serem frustradas.
O novo ciclo econômico coloca mais uma vez em evidência a necessidade urgente de avançar em processos de diversificação e desenvolvimento produtivo que impulsionem uma transformação das economias para um crescimento mais sustentado e inclusivo, com mais e melhores empregos. Este continua a ser o norte para a agenda de médio e longo prazos.
No entanto, no curto prazo, é claramente necessário que os países recorram a políticas macroeconômicas e de mercado de trabalho para mitigar os efeitos da desaceleração nas empresas, nos postos de trabalho e na renda.
A oportunidade é propícia para recorrer à orientação oferecida pelo “Pacto Mundial para o Emprego”, da OIT, adotado em 2009 por representantes de governos, trabalhadores e empregadores de todo o mundo, que contém um portfólio de políticas com eficácia comprovada em tempos de recessão econômica e de crise no mercado de trabalho.
Tratam-se de medidas para reduzir os impactos negativos sobre o emprego, apoiar as empresas, manter níveis de demanda agregada e impulsionar a geração e a recuperação de empregos em combinação com sistemas de proteção social.
É necessário encarar o desafio do emprego com criatividade e inovação. Atuar sobre o emprego é a maneira pela qual é possível beneficiar diretamente os grupos vulneráveis e a classe média, enquanto se promove a base produtiva da economia.
Caso contrário, essa crise em câmera lenta poderia não apenas complicar ainda mais a governabilidade, aumentando os conflitos sociais e a desconfiança nas instituições políticas, mas também deixar um legado de estagnação econômica no progresso de nossas sociedades e até mesmo de retrocessos nas conquistas econômicas e sociais alcançadas.”
Fonte : ONUBR

domingo, 1 de maio de 2016

AVALIAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR IRÁ INCLUIR ENEM.

Avaliação do Ensino Superior Irá Incluir Enem | infoEnem



Avaliação do Ensino Superior Irá Incluir Enem
Posted: 30 Apr 2016 04:18 AM PDT
Como o próprio nome diz, o maior concurso federal do Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), tem como função de origem avaliar os estudantes ao final desta etapa escolar. Agora a prova também passará a ser utilizada na avaliação de egressos do ensino superior.
A notícia foi dada em coletiva nesta semana, na qual o ministro da educação Aloizio Mercadante informou que a novidade fará parte de um pacote de medidas do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) para aperfeiçoar a avaliação da educação superior no Brasil.
Mercadante explicou, de maneira reduzida, que o Enem será utilizado em conjunto com o Enade, Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, que atualmente consiste na principal avaliação dos formandos e é aplicado ao final do curso de graduação.
Juntos, os dois exames irão compor um novo dado que será criado pelo Inep, o Indicador da Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD). O IDD basicamente será o equivalente a diferença dos resultados dos estudantes no Enem, quando deixam o ensino médio, com o do Enade, quando se formam na universidade.
Segundo o ministro, a intenção é justamente mensurar o que o aluno aprendeu durante o curso de graduação na instituição de ensino superior, o que não era possível de se fazer somente com a aplicação do Enade.
Questionado sobre a não obrigatoriedade de se prestar o Enem, o MEC acredita que não terá problemas, uma vez que o exame consiste na maior porta de entrada para as universidades públicas através do Sisu, e que por conta disso a maioria dos estudantes se inscrevem no exame.
O Inep pretende ainda revisar algumas regras do Enade e realizar mais mudanças na avaliação do ensino superior. Para saber mais sobre o assunto, confira a matéria completa da Agência Brasil, fonte desta publicação.
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SACOLA PLÁSTICA É UMA DAS MAIORES VILÃS DO MEIO AMBIENTE.

Sacola plástica é uma das maiores vilãs do meio ambiente

Publicado em abril 29, 2016 por 

Por Paola Lima, da Agência Senado
Belo Horizonte foi a primeira cidade no país a proibir o uso de sacola plástica em supermercados do município. Cresce no Brasil todo movimento para proibir o item não reciclável
Um bilhão e meio de sacolas plásticas são consumidas no mundo por dia. Práticas, gratuitas e presentes em praticamente toda compra do brasileiro, as sacolinhas têm alto custo ambiental: produzidas a partir de petróleo ou gás natural (recursos naturais não-renováveis), depois de usadas, em geral por uma única vez, costumam ser descartadas de maneira incorreta e levam cerca de 450 anos para se decompor. Nesse tempo, aumentam a poluição, entopem bueiros impedindo o escoamento das águas das chuvas ou vão parar em matas, rios e oceanos, onde acabam engolidas por animais que morrem sufocados ou presos nelas. Poucas chegam a ser recicladas.
Não à toa ganharam status de vilãs do meio ambiente. Já há algum tempo há uma mobilização social para acabar com elas.
— Retirar as sacolas plásticas de circulação traz como principal vantagem a preservação do meio ambiente, a despoluição, porque essas sacolas formam uma camada plástica de impermeabilização no solo, além de causar também efeitos de gases poluentes na atmosfera — alerta a coordenadora do Núcleo de Sustentabilidade da Universidade de Brasília (UnB), professora Izabel Zanetti.
A cidade de Belo Horizonte foi a primeira a proibir a distribuição das sacolas, com a Lei Municipal 9.529/2008, que obriga a substituição do uso de embalagens plásticas por sacos e sacolas ecológicas. Em abril, a Prefeitura de São Paulo divulgou um balanço do primeiro ano em vigor da Lei Municipal 15.374/2011, que proíbe a distribuição gratuita ou a venda de sacolas plásticas nos estabelecimentos comerciais da capital. A lei havia sido aprovada em 2011, mas passou por questionamentos judiciais e só pode ser regulamentada em fevereiro do ano passado.
Os dados da prefeitura paulistana mostram uma redução de 70% nas sacolas tradicionais — que passaram a ser substituídas por dois novos modelos: um verde, destinado ao descarte de itens recicláveis, e outro cinza, para o descarte dos demais resíduos, incluindo orgânico, papel higiênico, fralda e absorventes.
Também agora em abril, o movimento pelo fim das sacolas plásticas ganhou a adesão da Apple, a gigante norte-americana, considerada uma das maiores empresas do mundo em valor de mercado. Em uma nova política de preservação do meio ambiente, a Apple começa em abril a substituir suas tradicionais sacolinhas com logotipo por outras de papel reciclado. Além disso, os vendedores serão orientados a, no ato da compra, consultar o cliente para saber se quer a sacola ou se prefere colocar seu produto diretamente na bolsa ou mochila.

Projetos de lei visam estimular uso de plástico reciclável

No Senado, o trabalho pelo fim das sacolas plásticas está presente em duas propostas em tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ): os Projetos de Lei do Senado (PLSs) 322/2011 e 439/2012.
Do senador licenciado Eduardo Braga, atual ministro de Minas e Energia, o primeiro projeto proíbe a utilização, fabricação, importação, comercialização e distribuição de qualquer sacola que tenha polietileno, propileno e polipropileno na composição.
Já o segundo, criado por estudante que integrou o Projeto Jovem Senador, prevê a substituição nos estabelecimentos comerciais das sacolas plásticas comuns por sacolas reutilizáveis, confeccionadas em material reciclável e resistente ao uso, num prazo de cinco anos.
Presidente da Comissão de Meio Ambiente (CMA), onde os projetos terão de ser analisados, o senador Otto Alencar (PSD-BA) acredita que proibir a circulação das sacolas plásticas é fundamental para conservação do meio ambiente. O senador relata que, principalmente nas cidades de interior, onde não há coleta seletiva de lixo ou um aterro sanitário para descarte adequado dos dejetos, os sacos plásticos acabam descartados de qualquer jeito.
— Acho que essa proibição já deveria ter sido feita há muito tempo. As pessoas jogam o saco em qualquer lugar, fazem isso sem consciência do que pode acontecer e geram uma série de problemas. O governo deveria fazer também uma campanha educacional para que as pessoas tomem consciência da gravidade desse comportamento — pondera o senador, que conta já ter adquirido o hábito de, ao ir a uma farmácia, por exemplo, dispensar a sacolinha e carregar o medicamento nas mãos ou no bolso.

Redução

Hábito semelhante tem a dona de casa Patrícia Cardoso, moradora de Brasília, que há cerca de três anos reduziu consumo de sacolas plásticas. Patrícia conta que sua meta principal é diminuir a produção de lixo da casa e, em decorrência disso, já consegue usar menos sacolas.
— Eu levo um carrinho para compras na feira, tenho sacolas retornáveis para o supermercado e também uso caixas de papelão. Posso dizer que alcancei uma redução de 80% no consumo dessas sacolinhas — comemora.
As poucas sacolas que recebe nas compras, em casos pontuais ou numa emergência, usa para descartar o lixo molhado. Patrícia garante que o novo hábito não exigiu nenhum esforço grandioso. Foi apenas uma questão de ajustes no comportamento, como lembrar de levar a sacola retornável sempre que saía às compras e de recusar os sacos ao embalar produtos. Hoje, garante, essas ações já se tornaram automáticas.

Campanha educativa garante novos hábitos

O consultor legislativo do Senado Luiz Beltrão, da área de meio ambiente, lembra que existem três tipos de políticas adotadas para mudar um hábito. A primeira delas é a política de comando e controle, por exemplo, leis que preveem multas e fiscalização, como as que terão origem a partir dos projetos do Senado. Um segundo tipo de política é a da medida econômica, como a cobrança das sacolas plásticas, o que impacta no bolso do consumidor, obrigando-o a repensar o uso das sacolas. O terceiro tipo são as políticas educativas: campanhas institucionais, mensagens e placas no mercado, propagandas na televisão e, acima de tudo, educação nas escolas.
— Se a gente não atingir as gerações mais novas, se nas escolas o tema não for tratado, outras medidas não vão adiantar. A reutilização e a reciclagem são o segundo, o terceiro passo. O primeiro passo é não gerar [o lixo poluente]. A nossa educação ambiental tem de atacar o problema na raiz — reforça Beltrão.
A professora Izabel Zanetti também concorda com a necessidade de uma atuação casada entre Legislativo e Executivo. Ela considera que é importante ter a lei disciplinando a questão, mas diz que é preciso também campanhas educacionais com a população — nas escolas e comunidades — e com os próprios governantes.
A proibição das sacolas plásticas já é prevista em lei em pelo menos 20 das 27 capitais brasileiras. A medida também foi adotada em dezenas de países pelo mundo. Na Irlanda, considerada um dos melhores exemplos de extinção das sacolas plásticas, elas passaram a ser cobradas em 2002 — por meio de um imposto batizado de Plas Tax, no valor de 22 centavos de euro por sacola — e, desde então, tiveram o consumo reduzido em mais de 90%.
Na China, onde cerca de 3 bilhões de sacolas eram consumidas por dia, a distribuição gratuita foi proibida. Já Chile e Alemanha incentivaram os comerciantes a oferecer aos clientes alternativa ao plástico, como sacolas de pano e caixas. Na França, o incentivo é para empresas que produzem sacolas biodegradáveis, que ganham benefícios para produzir mais. No Reino Unido, as sete maiores redes de supermercado fecharam acordo voluntário com o governo para reduzir o uso das sacolas plásticas em 50%. Em Bangladesh, uma lei federal proibiu totalmente o uso das sacolas.
Além deles, países como Canadá, Suécia, Estados Unidos, Austrália, Finlândia, Quênia, Taiwan, Ruanda e África do Sul também criaram leis para redução do consumo das sacolas plásticas.

Reutilização de sacolas esbarra em coleta ruim

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, as sacolas plásticas não são o maior vilão do meio ambiente. O problema maior é o consumo excessivo, aliado ao descarte inadequado. Em 2009, o ministério lançou em parceria com grandes redes de supermercado a campanha Saco é um Saco, para incentivar novos hábitos. Uma das propostas era apostar nos “Rs” do consumo consciente: recusar, reduzir, reutilizar e reciclar (veja quadro abaixo).
A mudança de comportamento da população também é uma das principais ações defendidas pelo Instituto Socioambiental do Plástico (Plastivida), que representa as empresas da cadeia produtiva. Segundo o presidente da entidade, Miguel Bahiense, a tríade mudanças de comportamento + sacolas de qualidade + descarte correto com reciclagem é o pilar para amenizar danos das sacolas plásticas ao meio ambiente.
Bahiense explica que o instituto lançou um programa de qualidade das sacolas plásticas a fim de garantir que elas possam ser mais bem aproveitadas pelo consumidor, evitando assim o consumo excessivo. As sacolas produzidas dentro das normas da ABNT, apesar de serem de plástico comum, são mais grossas e capazes de suportar até seis quilos. Assim, o consumidor pode usar menos sacolas para carregar suas compras, além de reutilizá-las com segurança para descartar o lixo molhado.
A Plastivida destaca que a sacola plástica é utilizada por cerca de 80% da população para embalar o lixo a ser jogado fora. Esse uso, reconhecido como uma prática aceitável pelos ambientalistas, ficaria comprometido com a saída das sacolas plásticas de circulação, já que a maioria da população não gostaria de incorporar o gasto com a compra de saco de lixo ao seu orçamento doméstico. Usar a sacola para jogar fora o lixo ou garantir que ela seja depositada nos lugares corretos para reciclagem já seriam ações de grande avanço ambiental, na avaliação da entidade.

Coleta de lixo

O descarte correto do plástico esbarra, porém, no deficiente sistema de coleta de lixo do país. Dados de 2014 do Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades, constataram que a prática da coleta seletiva ainda está longe da realidade da população brasileira.
O número de casas atendidas por serviços de coleta regular de lixo aumentou entre 2013 e 2014. O deficit de atendimento, no entanto, ainda é grande: 17,3 milhões de pessoas moram em regiões sem nenhum tipo de coleta, a maior parte em zonas rurais e pequenos municípios. Se a coleta regular não é universal, mais rara ainda é a seletiva, encontrada hoje em apenas 1.322 dos 5.561 municípios do país, pouco mais de 20% do total.
As informações coincidem com levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), feito no ano passado, logo após a entrada em vigor da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O estudo revelou que dos 64 milhões de toneladas de resíduos produzidos pela população, 24 milhões, ou seja, 37,5% foram enviados para destinos inadequados. A pesquisa envolveu 400 municípios, abrangendo 91,7 milhões de pessoas. Por dia, o brasileiro gera, em média, um quilo de lixo.
Para Flexa Ribeiro (PSDB-PA), também integrante da CMA, a reciclagem é o caminho ideal para o material plástico. Mas o senador reconhece que, sem a implantação da coleta seletiva, o plástico atualmente não é reciclado em quantidade suficiente para evitar a poluição.
— Então, se trabalharmos para tirar as sacolas para substituí- las por um material que seja biodegradável, evidentemente que estamos trabalhando para melhorar a questão ambiental, não só no Brasil, mas no mundo.

in EcoDebate, 29/04/2016

OS AGROTÓXICOS E OS PRODUTORES RURAIS.

Produtores rurais e seus familiares estão sujeitos a alterações respiratórias pela exposição a agrotóxicos

Publicado em abril 29, 2016 por 

O município de São José de Ubá, no noroeste do Estado do Rio de Janeiro, tem cerca de 7 mil habitantes, a maioria na área rural. A economia da cidade é baseada na agricultura familiar, principalmente no plantio de tomates, com uso excessivo de agrotóxicos e parte da sua produção é comercializada com outros estados, inclusive São Paulo. A ocorrência de sintomas respiratórios e alterações da função respiratória em trabalhadores rurais e familiares expostos a agrotóxicos foi constatada em pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, realizada por Rafael Junqueira Buralli.
Em de São José de Ubá (RJ), plantio de tomates tem uso excessivo de agrotóxicos
“O cenário natural montanhoso da região favorece a mobilização dos agrotóxicos aplicados nas plantações, contaminando o solo do entorno da cultura e águas superficiais e subterrâneas”, conta Buralli. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 14,2% das residências daquela cidade têm condições de saneamento básico adequadas. O estudo apurou que grande parte da população está exposta aos agrotóxicos desde a tenra idade, seja por morar próximo das áreas de plantio, trabalhando diretamente, ou mesmo ajudando seus familiares. “No grupo dos produtores rurais, a maioria era do sexo masculino e afirmou trabalhar com agrotóxicos por várias horas por dia, principalmente no período da safra. A maioria dos familiares era do sexo feminino”. Foram avaliadas 82 pessoas (48 trabalhadores rurais e 34 familiares). Entre os trabalhadores rurais, 81,3% afirmaram ter contato com agrotóxicos no momento da pesquisa, sendo que 77,1% dos produtores e 94,1% dos familiares afirmaram estar expostos domesticamente aos agrotóxicos.
A maioria dos produtores e familiares era casada, com renda familiar de até dois salários mínimos, meeiros ou arrendatários de pequenas áreas, com baixa escolaridade e nunca recebeu treinamento ou orientações para manipular agrotóxicos. No momento da avaliação, na safra de 2014, 66% das pessoas apresentaram algum sintoma respiratório. Os mais comumente relatados foram crise de tosse (40,0%), rinite (30,7%), sensação de aperto no peito (24,0%), sensação de falta de ar (17,3%) e chiado no peito (13,3%). “Quanto às alterações da função pulmonar, 20% dos produtores e 22,2% dos familiares apresentaram algum distúrbio respiratório”, aponta o pesquisador. “Após análises estatísticas, as alterações respiratórias se mostraram significativamente associadas ao fato de a pessoa ser produtor, manipular agrotóxicos regularmente e da quantidade de horas trabalhadas por dia”.
De acordo com bases de dados oficiais de morbidade e mortalidade, as principais causas de morte entre 2004 e 2010 em São José de Ubá, foram as doenças do aparelho circulatório, do aparelho respiratório, neoplasias, causas externas, transtornos mentais e comportamentais, doenças do sistema digestório, disfunções endócrinas, metabólicas. “Quanto ao câncer, as neoplasias mais frequentes com o desfecho óbito do paciente foram as de pulmões, estômago e laringe”, observa Buralli.
Internações
Quanto às internações hospitalares no município, entre janeiro de 2008 e agosto de 2015, as causas mais comuns foram as doenças do aparelho circulatório, respiratório, genitourinário e digestivo, neoplasias e transtornos mentais e comportamentais. “Todas essas doenças já foram associadas à exposição aos agrotóxicos em outros estudos e podem estar relacionadas também em SJU”, destaca o pesquisador.
Segundo Buralli, a primeira providência a ser tomada para contornar o problema seria melhorar o apoio técnico e atenção à saúde das pessoas que manipulam esses químicos, fornecendo treinamento para lidar com esses produtos e organizando o sistema de saúde para atender as necessidades específicas das populações expostas, tanto na prevenção ou tratamento de doenças relacionadas à exposição aos agrotóxicos. “Na cidade, não há um banco de dados contendo registros de morbidade e mortalidade por causas ocupacionais, nem programa específico de vigilância, promoção de saúde, prevenção e redução de danos à saúde das populações expostas”, ressalta.
De acordo com o pesquisador, a segunda providência seria a implantação de políticas públicas mais restritivas quanto à comercialização e consumo de produtos agrotóxicos. “Hoje, o Brasil é líder mundial no consumo de agrotóxicos e comercializa diversas substâncias proibidas no mundo inteiro”, alerta. “Os efeitos disso não são sentidos somente pelas famílias rurais, mas também pela população em geral, que vive próximo a áreas de plantio ou consome produtos envenenados”.
A orientadora do estudo, descrito em dissertação de mestrado, foi a professora Helena Ribeiro, do Departamento de Saúde Ambiental da FSP. O trabalho, no entanto, é parte de um projeto de avaliação de risco à saúde humana por exposição a metais e agrotóxicos em São José de Ubá, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e coordenado pelo professor Jean Remy Daveé Guimarães, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além da FSP e da UFRJ, também colaboraram pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNI-RIO) e Universidade de Brasília (UnB).
Foto: Wikimedia Commons
Por Júlio Bernardes, da Agência USP de Notícias, in EcoDebate, 29/04/2016

10 MILHÕES DE DESEMPREGADOS NO BRASIL.

10 milhões de desempregados e o desperdício da força de trabalho no Brasil, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Publicado em abril 29, 2016 por 
Tags: economia, trabalho

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[EcoDebate] A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do IBGE, teve início em 2012 e tem uma cobertura mais ampla do que a PNAD antiga e a PME (ver explicação abaixo), além de fornecer estimativas mensais sobre o mercado de trabalho.
Segundo os dados da PNADC, a população brasileira era de 197,97 milhões de habitantes no início de 2012 e passou para 204,76 milhões no trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2016. No mesmo período a População em Idade Ativa (PIA) passou de 156,38 milhões de pessoas para 165,33 milhões. A População Economicamente Ativa (PEA) passou de 95,64 milhões para 101,51 milhões de pessoas e a População Ocupada passou de 88 milhões para 91,13 milhões de pessoas.
Nota-se que entre 2012 e 2016 a população brasileira teve um aumento de 6,8 milhões de habitantes, a PIA teve aumento de 8,9 milhões de pessoas, a PEA teve aumento de 5,86 milhões e a PO teve aumento de somente 3,1 milhões de trabalhadores. Ou seja, a PO não acompanhou nem a PEA e nem a PIA. Neste sentido, a taxa de ocupação (PO/PIA) que havia subido de 56,3% no início de 2012 para 57,3% no trimestre encerrado em dezembro de 2013, caiu para 55,1% no trimestre encerrado em fevereiro de 2016, a menor taxa da série.
Observa-se que o número de pessoas de 14 anos ou mais de idade que não estavam ocupadas passou de 68,3 milhões de pessoas no início de 2012 para 74,2 milhões de pessoas no início de 2016. Evidentemente, é um número muito grande de indivíduos inativos. Entre os não ocupados que estavam procurando emprego se classifica como desocupados.
Os dados mais recentes da PNADC mostram que a população desocupada (10,371 milhões de pessoas) cresceu 13,8% (mais 1,3 milhão pessoas) em relação ao trimestre de setembro a novembro de 2015 e subiu 40,1% (mais 3,0 milhões de pessoas) no confronto com igual trimestre de 2015. A taxa de desocupação no trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2016 foi estimada em 10,2% para o Brasil, ficando acima da taxa do trimestre móvel encerrado em novembro de 2015 (9,0%) e superando, também, a do mesmo trimestre do ano anterior (7,4%).

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Portanto, o número de pessoas desocupados ultrapassou o limiar dos 10 milhões de pessoas procurando trabalho. Isto representa um grande problema social e é reflexo direto da crise econômica que tem provocado quebradeira e falência de empresas.
Mas o problema do desperdício da força de trabalho é mais amplo, pois além dos 10,4 milhões de desocupados o Brasil tem mais 60 milhões de pessoas de 14 anos ou mais de idade que são inativas. Uma parte refere-se aos aposentados, pensionistas, estudantes, etc. Mas um número considerável destes inativos são pessoas que poderiam estar ocupadas ou procurando emprego, mas desistiram de buscar uma inserção no mercado de trabalho.
Portanto, além dos 10,4 milhões de desempregados de fevereiro de 2016, existem os desempregados ocultos, os desalentados e um enorme contingente de pessoas que, por algum motivo, não conseguem ou não querem uma inserção produtiva no mercado. Por exemplo, as pesquisas mostram que existe uma alta percentagem de jovens que nem estudam, nem trabalham e nem buscam emprego (“geração nem-nem-nem”). Estamos diante de uma geração perdida de jovens sem esperança de pleno emprego e trabalho decente.
Assim, quanto menor for o crescimento da população ocupada maior será o sofrimento das pessoas e das famílias. Não existe desenvolvimento humano sem o aproveitamento do potencial de trabalho da população. Não existe empoderamento das pessoas sem a autonomia que a capacidade soberana de geração de renda garante.
A atual crise econômica brasileira está gerando uma grande perda no mercado de trabalho. Sem o crescimento da taxa de ocupação não há como aproveitar o bônus demográfico. E sem o aproveitamento do bônus não há como o Brasil dar o salto de renda média para renda alta. O pior, se a situação continuar desta forma a população brasileira passará por um processo de empobrecimento amplo, geral e irrestrito.
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Definições sobre a PNADC do IBGE:
PIA = Pessoas de 14 anos ou mais de idade
PEA = Pessoas de 14 anos ou mais de idade, na força de trabalho, na semana de referência
PO = Pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência
Desocupados = Pessoas de 14 anos ou mais de idade, desocupadas na semana de referência
“A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) destina-se a produzir informações contínuas sobre a inserção da população no mercado de trabalho associada a características demográficas e de educação, e, também, para o estudo do desenvolvimento socioeconômico do País, agregando a produção de resultados anuais sobre temas permanentes da pesquisa (como trabalho infantil e outras formas de trabalho, migração, fecundidade etc.) e outros aspectos relevantes selecionados de acordo com as necessidades de informação.
A pesquisa é realizada por meio de uma amostra de domicílios, extraída de uma amostra mestra, de forma a garantir a representatividade dos resultados para os diversos níveis geográficos definidos para sua divulgação. A cada trimestre, são investigados 211.344 domicílios particulares permanentes, em aproximadamente 16.000 setores censitários, distribuídos em cerca de 3.500 municípios.
Periodicidade: Mensal, para um conjunto restrito de indicadores relacionados à força de trabalho e somente para o nível geográfico de Brasil; trimestral, para indicadores relacionados à força de trabalho; anual, para os demais temas permanentes da pesquisa e indicadores complementares relacionados à força de trabalho; e variável, para outros temas ou tópicos dos temas permanentes a serem pesquisados com maior periodicidade ou ocasionalmente.
Abrangência geográfica: Brasil, Grandes Regiões, Unidades da Federação, 20 Regiões Metropolitanas que contêm Municípios das Capitais (Manaus, Belém, Macapá, São Luís, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Vale do Rio Cuiabá, e Goiânia), Municípios das Capitais e Região Integrada de Desenvolvimento da Grande Teresina”. IBGE:

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 29/04/2016