quarta-feira, 11 de maio de 2016

PASSO À PASSO O PROCESSO DE IMPEACHMENTE/ FOLHA DE SÃO PAULO

Confira as 12 reviravoltas no processo de impeachment

Ueslei Marcelino - 7.dez.2015/Reuters
Brazil's President Dilma Rousseff reacts during a meeting with jurists defending her against impeachment at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil December 7, 2015. REUTERS/Ueslei Marcelino ORG XMIT: BSB02
A presidente Dilma Rousseff, que pode ser afastada hoje pelo Senado
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Cinco meses depois de o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, aceitar o pedido de impeachment de Dilma Rousseff, o processo chega em sua reta final nesta quarta-feira, com a votação dos senadores sobre a abertura do julgamento de impeachment da petista.
Mas ao longo de todo esse tempo houve inúmeras reviravoltas. Relembre as principais delas aqui.
1 - Eduardo Cunha acolhe pedido de impeachment na Câmara
A crise política se agravou de vez no dia 3 de dezembro do ano passado, quando o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, acolheu o pedido de impeachment de Dilma Rousseff baseado nas chamadas "pedaladas fiscais" praticadas por ela em 2015.
A aceitação de Cunha aconteceu no mesmo dia em que a bancada do PT decidiu votar a favor da continuidade do processo de cassação do mandato dele no Conselho de Ética da Câmara.
"Esse acolhimento se deu porque a argumentação traz a edição de decretos sem número que foram editados em descumprimento à lei orçamentária, afrontando a lei", disse Cunha à época.
"O embasamento disso é única e exclusivamente de natureza técnica. O juízo do presidente da Câmara é única e exclusivamente de autorizar a abertura, não de proferir seu juízo de mérito. A mim, não tenho nenhuma felicidade de praticar esse fato, não o faço por nenhuma motivação de natureza política."
2 - Delação de Delcídio do Amaral
Depois de certa "calmaria" no cenário político com o recesso do Congresso no início do ano, uma publicação antecipada da revista "IstoÉ" no dia 3 de março voltou a incendiar a crise. A edição trazia informações do depoimento do então senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS) à Polícia Federal, dizendo que ele havia firmado um acordo de delação premiada.
A reportagem afirmava que Delcídio teria se comprometido a revelar o suposto envolvimento de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquema de corrupção da Petrobras, investigado na operação Lava Jato.
Além disso, ele teria dito que ambos agiram no sentido de conter os efeitos da operação, via intervenção do poder Judiciário (Dilma) ou tentando calar testemunhas (Lula).
Em entrevista coletiva, o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, negou as acusações em nome do governo, dizendo que elas são "um conjunto de mentiras que não param em pé" e que a intenção de Delcídio era "sair da prisão e atingir pessoas", movido por vingança.
3 - Condução coercitiva de Lula
Um dia após a suposta delação de Delcídio vir à tona, o país amanheceu com mais uma notícia bombástica. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi levado para prestar depoimento à Polícia Federal como parte de uma nova fase da Operação Lava Jato.
Com a justificativa de "evitar tumultos", o juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato, despachou um mandado de condução coercitiva do ex-presidente, e a Polícia Federal foi até a casa dele em São Bernardo do Campo para levá-lo a prestar depoimento no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
A condução coercitiva gerou polêmica e foi muito criticada por governistas, que viram a medida como "desnecessária", já que Lula nunca havia se negado a depor. Do outro lado, o acontecimento serviu como "combustível" das pessoas favoráveis ao impeachment de Dilma, que celebraram bastante a ação da Polícia Federal.
Lula, por sua vez, disse que "se sentiu um prisioneiro" ao ser levado para prestar depoimento, e aproveitou para fazer um discurso político. "O que aconteceu hoje, embora tenha me ofendido, me magoado... Eu me senti ultrajado. Se quiseram matar a jararaca, não mataram a jararaca, pois bateram no rabo, não na cabeça. Quero dizer que a jararaca tá viva."
4 - Protestos de 13 de março
No primeiro grande protesto convocado pelos movimentos pró-impeachment deste ano, um novo recorde foi estabelecido. As manifestações aconteceram em todos os Estados naquele domingo e, segundo números da Polícia Militar, pelo menos 3,3 milhões de pessoas estiveram nas ruas de todo o país protestando contra o governo de Dilma Rousseff.
Em São Paulo, o Datafolha registrou a maior manifestação popular desde as Diretas Já. Segundo o instituto, 500 mil pessoas estiveram na Avenida Paulista pedindo o impeachment da presidente.
5 - Lula ministro
Como tentativa de "estancar" a crise política e melhorar a articulação do governo no Congresso, a presidente Dilma Rousseff anunciou Lula como ministro-chefe da Casa Civil no dia 16 de março.
A decisão gerou polêmica e protestos do lado pró-impeachment - um grupo de manifestantes chegou a montar um "acampamento" em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na Avenida Paulista pedindo o fim do governo petista. O movimento segue ali até hoje.
6 - Vazam áudios de conversas de Lula e Dilma
Algumas horas após o anúncio de Lula como novo ministro da Casa Civil, a crise política teve nova reviravolta. Alegando "interesse público", o juiz Sergio Moro levantou o sigilo das escutas telefônicas feitas no celular do ex-presidente, e os áudios vazaram para a imprensa.
O mais polêmico deles trazia uma conversa de Lula com Dilma sobre a nomeação dele para o novo cargo. "Seguinte, eu tô mandando o 'Messias' junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!", afirmou Dilma.
Especulou-se que Dilma teria enviado o termo de posse para Lula para protegê-lo em caso de algum pedido de prisão do ex-presidente, uma vez que como ministro ele teria foro privilegiado podendo somente ser investigado pelo Supremo. A divulgação dos áudios gerou mais protestos em vários Estados, incluindo São Paulo e Brasília, onde muitos manifestantes foram às ruas pressionar o Congresso pelo impeachment.
7 - Manifestações contra o impeachment
Dias depois da divulgação dos áudios, movimentos sociais e sindicatos convocaram um ato contra o impeachment de Dilma Rousseff para o dia 19 de março. Naquela sexta-feira, centenas de milhares de pessoas foram às ruas "defender" a permanência da petista. Em São Paulo, segundo o Datafolha, 95 mil pessoas tomaram a Avenida Paulista e assistiram a mais um discurso inflamado do ex-presidente Lula.
"Este país precisa voltar a entender que democracia é a convivência na diversidade. Temos que convencê-los que democracia é acatar o resultado do voto da maioria do povo brasileiro", disse Lula sob os gritos de "Não vai ter golpe" da multidão.
8 - PMDB deixa o governo
O março de "pesadelos" para o governo terminou com um anúncio pouco surpreendente, porém bastante impactante. Após ter passado os últimos anos ao lado do PT, o PMDB, do vice-presidente Michel Temer, anunciou o rompimento com o partido.
"A partir de hoje, nessa reunião histórica para o PMDB, o PMDB se retira da base do governo da presidente Dilma Rousseff e ninguém no país está autorizado a exercer qualquer cargo federal em nome do PMDB", disse o senador Romero Jucá, vice do partido, após reunião que decidiu por aclamação a saída do governo.
Assim, o PT perdia sua maior base de apoio tanto na Câmara, quanto no Senado, onde o partido é maioria e por sua vez o PMDB abria mão de 7 ministérios e cerca de 600 cargos públicos.
9 - Votação do impeachment na Câmara
No dia 17 de abril, um domingo, a Câmara dos Deputados colocou em votaçãoo impeachment de Dilma Rousseff. Os 511 deputados - dois deles se ausentaram - aproveitaram seus "minutos de fama" em rede nacional e discursaram contra a corrupção, trocaram acusações e muitos aproveitaram o momento para dedicar seu foto a Deus e a membros da família.
Após mais de cinco horas em que a população parou para esperar o resultado, os deputados decidiram dar prosseguimento ao processo de impeachment por um placar de 367 a favor e 137 contra, ultrapassando a maioria mínima de dois terços necessária.
10 - PGR denuncia Lula e pede investigação contra Dilma, Aécio e Cunha
No início da semana passada, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, "apimentou" ainda mais a crise política ao oferecer denúncia contra o ex-presidente Lula e pedir uma investigação do Ministério Público contra Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Cunha - isso não significa que eles sejam considerados culpados, mas, sim, que Janot viu indícios de crimes e acredita ser necessário apurar melhor as acusações.
Como todos eles têm foro privilegiado - são congressistas e ministros -, é preciso de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para investigá-los, o que ainda não ocorreu.
11 - Ministro Teori Zavascki pede afastamento de Eduardo Cunha
A quinta-feira da semana passada amanheceu com outro acontecimento bombástico no cenário político. O ministro do STF Teori Zavascki determinou o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de suas funções.
A liminar de Teori baseou-se em pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, feito em dezembro de 2015, alegando que Cunha usava o cargo para "constranger, intimidar parlamentares, réus, colaboradores, advogados e agentes públicos com o objetivo de embaraçar e retardar investigações".
Cunha é réu no STF pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro; ele também é acusado de ter recebido propina no esquema da Petrobras investigado pela Operação Lava Jato. Com seu afastamento, o vice Waldir Maranhão assumiu o posto na Casa.
12 - Waldir Maranhão anula impeachment e depois revoga própria decisão
Quatro dias depois de ter assumido a Presidência da Câmara como interino - e a dois dias da votação do impeachment no Senado -, Waldir Maranhãodeterminou a anulação das sessões de votação do impeachment na Casa, o que anularia, em tese, a tramitação do processo.
Na decisão, o interino alegou que "não poderiam os partidos políticos ter fechado questão ou firmado orientação para que os parlamentares votassem de um modo ou de outro, uma vez que, no caso, deveriam votar de acordo com as suas convicções pessoais e livremente". O próprio Maranhão não seguiu a orientação de seu partido e votou contra o impeachment.
A determinação do interino, porém, não durou muito tempo. O próprio Maranhão voltou atrás ao final da segunda-feira - depois que o presidente do Senado, Renan Calheiros, decidiu prosseguir com o processo na Casa e manter a votação para esta quarta.
"Revogo a decisão por mim proferida em 9 de maio de 2016, por meio da qual foram anuladas as sessões do plenário da Câmara dos Deputados ocorridas nos dias 15, 16 e 17 de abril de 2016, nas quais se deliberou sobre denúncia por crime de responsabilidade número 1 de 2015", diz o texto da decisão de Maranhão.

sábado, 7 de maio de 2016

SANTA CATARINA : NEVE E AS CONDIÇÕES CLIMÁTICAS.

Neve em Santa Catarina: quais as condições climáticas necessárias?

Neve em Urubici

Que Santa Catarina é o estado brasileiro onde mais neva isso todo mundo já sabe, porém, para que haja a ocorrência do fenômeno, não basta apenas o frio intenso:  é preciso uma combinação de fatores climáticos. Veja:
Conforme ilustra o desenho, é preciso que as nuvens estejam úmidas e que tanto a temperatura da atmosfera como a temperatura do solo estejam baixas (em torno de zero grau ou menos). Além disso, é essencial que todo o caminho percorrido pelo vapor d’água que sobe até as nuvens (para formar os cristais de neve) e o que desce (já com ela formada) esteja gelado para que os cristais não derretam, se transformando em chuva. (Fonte: revistaescola.abril.com.br)


:: Locais onde mais neva em Santa Catarina
As cidades localizadas na serra catarinense, cuja altitude é bastante elevada, são as que mais registraram o fenômeno ao longo dos anos. São Joaquim, Urupema e Bom Jardim da Serra são apenas alguns exemplos, porém, a neve pode ser apreciada em várias outras cidades: confira aqui a matéria sobre os locais onde mais neva em Santa Catarina.
Dica: antes de decidir para qual cidade você vai viajar com a intenção de ver neve, dê uma olhada no que dizem os meteorologistas. 😉
:: Veja abaixo algumas imagens de neve em Santa Catarina

Urupema

Urubici

São Joaquim

Canoinhas
Fonte : Viva a Bela Santa Catarina

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O ENCOLHIMENTO DO MERCADO DE TRABALHO.

O encolhimento do mercado de trabalho em São Paulo e no Brasil, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Publicado em maio 6, 2016
população ocupada e taxa de ocupação, região metropolitana de São Paulo

[EcoDebate] O Brasil caminha para a sua mais longa e profunda recessão econômica da história. Do segundo trimestre de 2014 ao primeiro trimestre de 2016 já são 8 períodos recessivos consecutivos. Caiu o PIB e a renda per capita brasileira. Tudo indica que teremos recessão no restante do corrente ano, podendo até se prolongar para 2017. O impacto sobre o mercado de trabalho é descomunal. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do IBGE, tinha apontado que, em fevereiro de 2016, o número de desempregados no Brasil ultrapassou a barreira simbólica de 10 milhões de pessoas. Fora o incremento do desemprego oculto, do desalento e da “geração nem-nem-nem” (pessoas que nem estudam, nem trabalham e nem procuram emprego).
No dia 29/04, o IBGE divulgou os dados do primeiro trimestre. A taxa de desocupação no trimestre móvel encerrado em março de 2016 foi estimada em 10,9%, 1,9 ponto percentual acima da taxa do trimestre encerrado em dezembro de 2015 (9,0%) e 3,0 pontos percentuais a mais que no mesmo trimestre de 2015 (7,9%). A população desocupada (11,1 milhões de pessoas), 22,2% a mais (2,0 milhões de pessoas) que o contingente observado entre outubro e dezembro de 2015. No confronto com igual trimestre do ano passado, esta estimativa subiu 39,8%, significando um aumento de 3,2 milhões de pessoas desocupadas na força de trabalho. O quadro é grave.
A crise do mercado de trabalho é nacional, mas atinge de forma impactante a maior e mais dinâmica região metropolitana (RM) do país. A RM de São Paulo tem uma população de mais de 20 milhões de habitantes (equivale à população conjunta de Portugal e Grécia). Segundo dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), do Dieese e Seade, a População em Idade Ativa (PIA) era de 16,7 milhões de pessoas em março de 2009 e passou para 17,75 milhões em março de 2016. A População Ocupada (PO) era de 8,9 milhões de pessoas em março de 2009 e passou para 9,3 milhões em março de 2016. Assim, enquanto crescia o número de pessoas em idade de trabalhar, decrescia a quantidade de pessoas ocupadas. Como resultado, a taxa de ocupação (PO/PIA), que deveria crescer para aproveitar o bônus demográfico, infelizmente, caiu de 53,5% para 52,1% nos últimos sete anos.
Mas o pior foram as alterações de tendência. Entre março de 2009 e dezembro de 2010 a população ocupada (PO) na RMSP passou de 8,9 milhões para 9,7 milhões de trabalhadores e a taxa de ocupação passou de 53,5% para 57,2%. Portanto, crescia o número absoluto e relativo de pessoas com emprego.
Mas entre dezembro de 2010 e dezembro de 2014 houve uma estabilidade na PO (de 9,7 milhões para 9,8 milhões) e uma pequena queda na taxa de ocupação (de 57,2% para 55,5%). Esta estagnação do número de pessoas ocupadas, mas com aumento do número de pessoas não ocupadas é considerada uma das causas das grandes mobilizações de massa de junho de 2013, que foram lideradas pelos jovens, parte mais sensível das pessoas que sofrem com a menor oportunidade de meios para se ganhar a vida.
Mas a maior carga negativa veio depois das últimas eleições presidenciais de 2014. A tendência embicou para baixo. Entre dezembro de 2014 e março de 2016 a PO caiu de 9,8 milhões para 9,3 milhões de pessoas e a taxa de ocupação caiu de 55,5% para 52,1%. A taxa de ocupação atual é menor do que na grande recessão internacional de 2009. Neste ritmo, daqui a poucos meses, a RMSP terá mais gente em idade ativa sem trabalho do que com trabalho.
Mas o problema não se restringe somente à queda da população ocupada em termos absoluto e relativo. Caiu também o rendimento real das pessoas ocupadas. A PED mostra que o rendimento médio na RMSP era de R$ 2.160,00 em dezembro de 2010 e caiu para R$ 1.984,00 em fevereiro de 2016. Isto representou uma queda de cerca de 10% no poder de compra da população ocupada. No conjunto houve uma redução na massa salarial, reduzindo a demanda por consumo e acelerando a tendência à recessão.
A queda atual do mercado de trabalho na RMSP contrasta com o aumento que houve nas últimas décadas. A despeito das variações sazonais (queda nos primeiros meses do ano e aumento nos últimos meses) nota-se um aumento da PO de pouco mais de 6 milhões de pessoas para quase 10 milhões. Mas o teto ficou estável entre 2010 e 2014 e começou a cair rapidamente desde o início de 2015, aumentando a revolta da população com o governo e a situação do país. A atual queda do número de pessoas ocupadas na RMSP é a maior da história.

população ocupada na região metropolitana de São Paulo

Se a população ocupada está caindo, a população ocupada com carteira de trabalho está caindo em ritmo maior, não só em São Paulo, mas em todo o Brasil. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho mostram que o Brasil perdeu 118.776 vagas com carteira assinada em março, mais do que havia perdido em fevereiro de 2016 (-104.582 vagas) e um grande retrocesso em relação a março de 2015, quando houve saldo positivo de 19,2 mil empregos. O número de empregos cortados é o saldo, ou seja, o total de demissões menos o de contratações no período. Em março, houve 1.374.485 admissões e 1.493.261 demissões. A redução é o pior resultado para março em 24 anos, desde 1992, quando a pesquisa começou a ser feita. A diminuição pode ser explicada pelo cenário de profunda retração econômica, com a crise política também contribuindo para minar a confiança de empresas e famílias, afetando decisões de investimento.

comportamento do emprego formal no Brasil

O colapso do emprego formal é assustador. Depois das últimas eleições presidenciais, entre dezembro de 2014 e março de 2016 foram fechadas 2,5 milhões de vagas com carteira assinada no Brasil. Nos últimos 12 meses foram 1,85 milhão de empregos formais perdidos. Isto dá uma média de 157 mil empregos perdidos por mês, ou 5.217 vagas com carteira de trabalho perdidas por dia, nos 16 meses em questão.
O emprego formal encolhe enquanto cresce a população em idade de trabalhar e que está engrossando as fileiras do desemprego aberto ou do desalento. E a situação está se agravando, pois, a perda de empregos no primeiro trimestre de 2016 foi de -323.052 vagas, muito maior do que as -64.907 vagas perdidas no primeiro trimestre de 2015. Há projeções que estimam uma perda de 2 milhões de empregos formais somente em 2016. Todo este processo vai atingir, em maior proporção, a população mais escolarizada, prejudicando o bônus demográfico e comprometendo o futuro do Brasil.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 06/05/2016

quinta-feira, 5 de maio de 2016

BRASIL : FORMAÇÃO DA DIVISÃO POLÍTICA



Fonte : plus55

ABALO SÍSMICO EM BELO HORIZONTE

UnB registra tremor de terra na Região Metropolitana de Belo Horizonte

Segundo universidade, abalo de 3.7 na Escala Richter foi em Esmeraldas.
Professor disse que reflexo do tremor pode ser sentido em raio de 100 km.

Do G1 MG
tremor de terra atingiu, na manhã desta segunda-feira (2), parte da Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com o professor George Sand, o abalo, de 3.7 na Escala Richter, teve o epicentro na cidade de Esmeraldas e pode ser sentido em um raio de 100 quilômetros.
No início da manhã desta segunda, o Observatório Sismológico da UnB havia informado que a intensidade do tremor era de 4.2 na Escala Richter. Por volta das 10h, o magnitude foi corrigida para 3.7.

Ainda de acordo com Sand, o tremor de 3.7 é considerado moderado para o Brasil. Ele informou que o abalo, registrado às 6h21, não compromete a estrutura das casas. Conforme o professor, esse é o maior abalo já registrado no local.
Segundo George Sand, o primeiro tremor na região, de 2.8 na Escala Richter, foi em 1992. Desde então, conforme o professor, foram cerca de 50 abalos, todos de baixa intensidade. Ele falou que entre as cidades que sentiram os reflexos do tremor estão Contagem, Betim, Mateus Leme, Igarapé, Pará de Minas, Ribeirão das Neves, Belo Horizonte e Florestal.
O Observatório Sismológico da UnB disse que novos abalos podem acontecer nos próximos dias na Região Metropolitana da capital. Conforme a universidade, os novos tremores devem ser bem menos intensos que o desta segunda.
O Corpo de Bombeiros informou que, até as 8h10, não havia sido chamado. O coordenador técnico da Defesa Civil de Betim, Gilberto Vieira Andrade, disse que moradores de vários bairros da cidade ligaram para o órgão e relataram ter sentido o tremor. Segundo Andrade, ninguém, porém, se queixou de danos.

Sete Lagoas
No último dia 24 de março, um tremor de terra foi registrado em Sete Lagoas, na Região Central de Minas Gerais. Não houve registro de danos na ocasião, segundo o Corpo de Bombeiros.
O professor George Sand, do observatório, explicou que a intensidade do tremor era fraca e que os moradores da região devem ter sentido o solo balançar por cerca de 15 segundos.

Sugestão : Ler sobre Terremotos no Brasil, no blog   Geo - Conceição, publicado em 03/2012, lembrando que o Brasil possui 48 falhas geológicas.
Fonte : G1

terça-feira, 3 de maio de 2016

ENEM : SIMULADO ONLINE 2016 SERÁ REABERTO NO FINAL DE SEMANA.

Simulado Online do Enem 2016 Será Reaberto no Fim de Semana | infoEnem



Simulado Online do Enem 2016 Será Reaberto no Fim de Semana
Posted: 03 May 2016 10:37 AM PDT
Nesta segunda-feira (02), a Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Educação (MEC) notificou que o primeiro Simulado Online do Enem 2016, disponibilizado através da plataforma Hora do Enem, ficará disponível para realização novamente no próximo final de semana, nos dias 7 e 8 de maio.
A justificativa do governo para a reabrir a prova digital por mais dois dias é que a procura superou as expectativas, uma vez que 500 mil estudantes participaram da simulação no último fim de semana.
Vale lembrar, no entanto, que devido a problemas no servidor, o Portal que oferece a prova (Hora do Enem) apresentou instabilidade durante a manhã do sábado (30 de abril), prejudicando inúmeros inscritos. Isso inclusive teve como consequência a prorrogação do prazo para realizar o simulado por mais 24h, estendendo-se até às 20h do domingo (1 de maio).
De qualquer forma, consiste em mais uma oportunidade para os cadastrados que não conseguiram prestar a prova realizarem o teste e treinarem seus conhecimentos para o exame nacional.
A avaliação conta com 80 questões objetivas das disciplinas tradicionais do ensino médio divididas entre as quatro grandes áreas do Enem. O MEC informou que 60 itens foram retirados de edições anteriores do exame e apenas 20 consistem em exercícios inéditos.
Os resultados parciais revelaram que a área em que os participantes tiveram maior rendimento foi ciências humanas, com média de 534 pontos. Na sequência ficaram as provas de matemática (524), linguagens e códigos (506) e o pior desempenho médio foi em ciências da natureza (500).

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A proposta da plataforma do MEC é super válida e interessante, porém prevê somente quatro simulados ao longo do ano, este primeiro e outro três, marcados para os meses de junho, agosto e outubro.
O ideal é praticar o máximo possível. Para isso você pode utilizar a Plataforma de Simulados do Portal infoEnem, lançada recentemente e que já ajuda centenas de candidatos a fazer simulados semanalmente para o Enem 2016. Clique aqui para saber mais detalhes e se cadastrar.
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segunda-feira, 2 de maio de 2016

RIO AMAZONAS E OS RECIFES EM SUA FOZ.

Cientistas descobrem recife oculto pela pluma de sedimentos do rio Amazonas

Publicado em maio 2, 2016 
Por Peter Moon, Agência FAPESP


Considerada uma das maiores descobertas da Oceanografia brasileira, formação se estende por 900 km e está repleta de espécies, como esponjas com mais de 100 kg (divulgação)

A 200 quilômetros da desembocadura do rio Amazonas, escondido sob a espessa pluma de sedimentos transportada pelo maior rio do mundo, há um enorme e riquíssimo recife.
Enorme porque até o momento é sabido que se estende por, no mínimo, 900 km da costa, entre o Maranhão e a Guiana Francesa. E riquíssimo por estar repleto de espécies endêmicas, muitas das quais desconhecidas, como esponjas gigantes com até 2 metros de diâmetro e que pesam mais de 100 kg.
“Encontrar esse recife foi uma grande surpresa”, disse Michel Michaelovitch de Mahiques, professor no Instituto de Oceanografia da Universidade de São Paulo (IO-USP) e um dos pesquisadores envolvidos na descrição do novo hábitat marinho. “A característica mais importante é que ele está em um local improvável. Nunca se procurou estruturas recifais em desembocadura de rio. É uma quebra de paradigma.”
O anúncio da descoberta está no artigo An extensive reef system at the Amazon River mouth, publicado na Science Advances, da American Association for the Advancement of Science.
A pesquisa, liderada por Carlos Eduardo de Rezende, da Universidade Estadual do Norte Fluminense, e por Fabiano Thompson, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, conta com cientistas de diversas universidades brasileiras.
O sonar de varredura utilizado na pesquisa foi adquirido com apoio da FAPESP durante o projeto“Incremento da capacidade de pesquisa em oceanografia no Estado de São Paulo”, que está inserido no Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais. A pesquisa contou com apoio do CNPq, Capes, Faperj e de outras instituições.
Thompson também destaca o inusitado da descoberta. “Os livros-texto ensinam que não há formação recifal na desembocadura de rios como o Ganges, o Orinoco ou o Amazonas, por causa de suas condições. Falta luz, por exemplo”, disse.
A falta de luminosidade se explica pela espessa pluma de sedimentos e de matéria orgânica que esses grandes rios despejam incessantemente nos oceanos, tornando as águas quase impenetráveis à luz solar. Sem luz solar não pode haver fotossíntese, que é a base da cadeia alimentar nos recifes de coral das águas tropicais.
Sem fotossíntese, há uma redução drástica na quantidade de oxigênio em suspensão, uma vez que o processo é responsável pela liberação do oxigênio no meio ambiente, seja ele aéreo ou aquático. Daí a ideia de que não poderiam existir recifes em desembocaduras de rios tropicais com grande aporte de sedimentos, os chamados rios barrentos.
Os pesquisadores contam que tal ideia permanece válida no caso dos recifes coralinos, aqueles cujas estruturas são formadas pelo acúmulo do esqueleto de corais mortos e que dependem da fotossíntese. Ocorre que recifes coralinos não são os únicos tipos de recifes. Há também os recifes formados por esponjas e algas calcárias. E é exatamente esse o caso do grande recife que floresce entre 60 e 120 metros de profundidade, a cerca de 200 quilômetros da foz do rio Amazonas.
A maior parte dos 300 mil m3 de água barrenta que o Amazonas despeja a cada segundo no Atlântico é carregada pelas correntes marítimas na direção norte e isso contribui para o novo recife não ser homogêneo, destacam os cientistas.
Corais e esponjas gigantes
O recife agora descoberto é dividido em três setores. O setor norte, que vai do Amapá até a Guiana Francesa e além (os pesquisadores acreditam que ele prossegue nas águas do Suriname), é o que se formou abaixo de uma pluma permanente cuja espessura chega aos 25 metros de profundidade. Abaixo desta pluma, a luminosidade é de apenas 2%. Em tais condições praticamente não há fotossíntese. Apesar disso, há coral, esponjas gigantes, peixes e lagostas.
O setor norte é o mais interessante do ponto de vista científico, justamente por ser o mais improvável. Na falta de fotossíntese, os pesquisadores já sabem que a cadeia alimentar é baseada na quimiossíntese, a capacidade que algumas bactérias muito simples têm de usar compostos nitrogenados e amônia para produzir energia. Essas bactérias são a base de alimentação de microrganismos, esponjas e moluscos.
O setor central do recife, que fica diante da ilha do Marajó, caracteriza-se por uma pluma menos espessa que aquela do setor norte. Sua densidade é variável e decresce na direção sul. A diminuição da pluma reduz o bloqueio aos raios solares.
Daí o setor central exibir uma transição entre os recifes de esponjas e algas calcárias que prevalecem ao norte e os recifes de formação coralina de águas tropicais claras que prevalecem no setor sul, entre o Pará e o Maranhão. É nessa região que se encontra o Parcel de Manoel Luiz, o maior recife de corais do Atlântico Sul, cuja existência é conhecida há décadas, por ser o local do maior cemitério de navios do Brasil.
“Aparentemente, o recife que acaba de ser descoberto começou a se formar entre 14 mil e 12 mil anos atrás. Em termos geológicos, é recentíssimo”, disse Mahiques.
E a explicação é simples. No auge da última era do gelo, há 21 mil anos, o nível do mar estava 130 metros abaixo do atual, com toda a plataforma continental brasileira exposta. Com o derretimento das grandes calotas glaciais que cobriam boa parte do hemisfério Norte, o nível dos mares subiu, alagando toda a plataforma continental e criando ambiente propício para a colonização pelos recifes.
O novo recife se estende por 9 mil km2. “Durante as duas expedições que fizemos em 2012 (com ao Navio Oceanográfico Atlantis) e 2014 (com o Navio Oceanográfico Cruzeiro do Sul), ficamos ao todos 15 dias no mar e mapeamos apenas 10% dessa área. Precisaríamos de mais 100 dias, ou três meses de mar, para mapear o que resta do recife,” disse Thompson. “A gente está longe de entender aquele sistema. Há inúmeros aspectos do recife que precisam ser estudado.”
A equipe pretende voltar em breve ao recife, usando o navio oceanográfico Alpha Crucis, o Cruzeiro do Sul, da Marinha brasileira, ou outra embarcação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
O artigo An extensive reef system at the Amazon River mouth (doi: 10.1126/sciadv.1501252), de Rodrigo Moura e outros, publicado na Science Advances, pode ser lido em:advances.sciencemag.org/content/2/4/e1501252.

in EcoDebate, 02/05/2016