quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

TRABALHO ESCRAVO NO BRASIL.

"Não somos escravos", imigrantes revelam estigma e como combatem crime

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A QUE PONTO CHEGARAM AS RELAÇÕES SOCIAIS NO BRASIL.

Brasileiros! Humanizem-se! artigo de Amadeu Roberto Garrido de Paula

artigo de opinião
[EcoDebate] Digo de início que o lulopetismo foi desastroso. Um populismo com linguagem (a linguagem serve mais para enganar do que esclarecer) de esquerda. Ou bolivariana, vertente política tosca e carente dos mínimos fundamentos científicos. O “socialismo científico”, pelo menos, tinha como fonte o marxismo.
Marxismo que incorreu em graves desvios: o “ismo”, que o próprio Marx renegou; a “mais-valia”, fenômeno a que se deu enorme complexidade, a simplesmente exprimir que boa parte do lucro patronal vem de salários e rendimentos baixos; o postulado de que a livre concorrência gera a crise, o que ocorreu na sociedade planificada e opressiva das vocações proposta por Marx; o socialismo como sucedâneo de economias desenvolvidas, quando se verificou o contrário; a consciência de um “homem novo”, enquanto o homem contemporâneo é pior que os homens velhos.
O PT se perdeu, primeiro, com a infiltração de uma série de “militantes”, provavelmente a maioria, que sequer tinham folheado as primeiras páginas da cartilha “História da Riqueza do Homem”, de Leo Huberman, fartamente conhecida pelos estudantes de 1968; segundo, porque seus “intelectuais” foram considerados “menores” que os trabalhadores de fábrica; terceiro, porquanto se posicionaram contra o Parlamentarismo, para glória de seus líderes, assim como ocorreu com o PDT, o PSDB e o PMDB, todos difusores de um lamentável culto à personalidade; finalmente, porque o peculiar “presidencialismo de coalizão” do Brasil serviu para todos os tipos de negociação, política, econômica, e para a corrupção mais devastadora da história do Brasil.
Da outra banda, os críticos de três governos desbussolados foram professores, especialistas, jornalistas, escritores, não a grande massa que tomou as ruas, contaminada de um número menor de direitistas, sem nenhuma visão sistêmica da política e de seus corretos propósitos.
E do embate burro dos leigos surgiram os coxinhas e as mortadelas. Coxinha de rico e mortadela de pobre. Um sanduíche de boa mortadela quente é muito mais gostoso do que uma coxinha. E, desse modo triste, dividiu-se a sociedade brasileira, os grupos sociais, de amigos e até mesmo famílias. Como se fossem dois segmentos opostos fundados na Lei da Boa Razão. São todos quixotescos.
Antes das redes sociais, tudo ficava latente, sem maiores consequências. A partir dessa comunicação superficial de um povo carente de educação elementar, vêm à luz as coisas mais disparatadas. Nossa cultura empobrece e nossos horizontes são cada vez mais sombrios.
A morte de Dona Maria Letícia demonstrou, com a reunião cavalheiresca de inimigos, a natural essência do homem. Contudo, a morte está tão banalizada que não tem significado algum. Inclusive para sobre ela tripudiar, como o fizeram alguns idiotas de tais redes.
Por outro lado, alguns não deixaram de vaiar, inclusive o Presidente da República, ao ir abraçar Lula. A que ponto chegaram as relações sociais no Brasil! Um país sem respeito à vida humana, pela maioria de seu povo. Coxinhas e mortadelas adorariam um fuzilamento recíproco. E todos reclamam de um menino que mostra um revólver, distribuído a mancheias, para obter 100 reais num semáforo. As instituições brasileiras estão em crise, mas, muito mais grave, é a crise das consciências.
Amadeu Roberto Garrido de Paula, é Advogado e membro da Academia Latino-Americana de Ciências Humanas.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/02/2017

O PIOR E O MELHOR DO ANIMAL HUMANO.

O pior e o melhor do animal humano, artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

artigo de opinião
[EcoDebate] A opção que se coloca no mundo não é apenas a permanência da democracia ou o controle fascista da humanidade, mas as conquistas básicas da civilização humana que permitem a convivência entre as pessoas.
A superação da “lei do talião”, dente por dente e olho por olho, é uma conquista da civilização humana. Embora com tantas críticas e resistências, a ideia de justiça passou da vingança privada para a esfera do Estado. É ele que detém o monopólio da violência e da justiça.
Embora o Estado seja na maioria dos países o espelho da estruturação real da sociedade, o exercício legal do poder pela classe dominante, que faz e executa as leis conforme as suas conveniências – a tal da superestrutura jurídica, como dizia Marx -, há que ser reconhecer que sem regras e sem uma instância de ordem a convivência humana de 7 bilhões na face da Terra seria impossível de existir.
Gandhi, quando criticava a lei do talião, dizia que “no olho por olho todos terminaremos cegos”. É simples acrescentar que no “dente por dente todos terminaremos banguelas”.
A civilização humana experimenta um quadro de rupturas drásticas, consigo mesma e com o ambiente necessário para a existência da vida, particularmente dos seres humanos. Entretanto, nesse momento que deveria ser o da razão, é quando os instintos piores do animal humano afloram, numa real “struggle for life”, construindo muros, enxotando pessoas, “desplazando” os mais fracos, os que menos tem espaços para sobreviver. Para muitos é a predominância do cérebro reptiliano que herdamos de nossos ancestrais.
O capital mudou. Antes desejava que toda humanidade consumisse seus produtos. Hoje, com a consciência dos limites ecológicos – água, solos, minerais, etc. – quer reservar o melhor para uma parte restrita da humanidade. Fala-se que, para sustentar o padrão mundial da classe dominante, a Terra comporta cerca de 2 a 3 bilhões de pessoas (Lovelock), sendo que o restante será fatalmente eliminado por tragédias sociais ou climáticas.
Existem novos humanismos, de respeito ao imigrante, ao meio ambiente, a todos os seres vivos (Laudato Si’), à todas as pluralidades, a consciência da interligação de todos com o tudo. Porém, esse novo é subalterno diante dos instintos primitivos de sobrevivência que se tornam lei, governos e cultura do ódio.
Esse é o embate desse início de milênio. Ou avançamos para formas mais civilizadas de convivência, ou chafurdaremos no pior do animal humano.
Roberto Malvezzi (Gogó), Articulista do Portal EcoDebate, possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco.
www.robertomalvezzi.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/02/2017

IMPACTOS DA PRODUÇÃO DE CARNE.

Impactos da produção de carne, artigo de Roberto Naime

impactos do consumo de carne
[EcoDebate] Até há bem pouco tempo atrás, as discussões ambientais restringiam-se a proteger ursos panda, evitar desperdício de água e reciclar latinhas de cerveja.
A crise ambiental mais complexa, é resultante da repetição ao longo de décadas, de hábitos de consumo coletivos e individuais predatórios, mas abençoados pela lógica de mercado e por uma cultura de sobre-consumismo permanente.
Entre os hábitos está o consumo indiscriminado de carne de qualquer origem. A atual manutenção, em “estoques vivos”, de 30 bilhões de aves, peixes e mamíferos de dezenas de espécies exerce uma tremenda e inédita pressão sobre todos os ecossistemas.
Basta lembrar que cada um desses animais, assim como cada um dos quase sete bilhões de animais humanos, demandam sua porção de terra, de água, de comida e de energia, despeja seus dejetos sobre a terra e gera emissão de poluentes no solo, no ar e na água.
Não há como negligenciar que cada hambúrguer, nugget, salsicha e lata de atum provoca um impacto e um respectivo custo ambiental que aproximam a civilização humana da bancarrota ecológica.
E urgente repensar os paradigmas de consumo global, como única alternativa viável para evitar as grandes catástrofes que se anunciam com tanto vigor.
Estima-se, que no mundo, a cada segundo, uma área de floresta tropical do tamanho de um campo de futebol seja desmatada para produzir carne de boi equivalente a 257 hambúrgueres.
O custo total de determinada coisa não é apenas o valor do dinheiro que se gasta para comprar. Este é apenas o “preço nominal” ou “custo econômico”.
Os procedimentos tem custos econômicos, culturais, sociais, estéticos, ambientais e até morais. E a produção de carne gera vários tipos de custos, quase todos desconhecidos dos indivíduos.
Além do que se paga diretamente no balcão do mercado e que corresponde ao custo econômico da carne, há outros fatores envolvidos que deveriam compor o preço final do produto.
O custo ambiental da carne é um dos maiores problemas ambientais da Terra. Uma série de cálculos e estudos estabelece a relação do consumo de carne com a saúde do planeta.
No Brasil, em média, um quilo de carne bovina é responsável por cerca de 10 mil metros quadrados de floresta desmatada, pelo consumo de 15 mil litros de água doce limpa, pela emissão de relevantes quantidades de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso na atmosfera e pelo despejo de fósforo, mercúrio, bromo, chumbo, arsênico, cloro, entre outros elementos tóxicos provenientes de fertilizantes.
Também pelo descarte de efluentes como sangue, urina, gorduras, vísceras, fezes, ossos e outros que acabam chegando aos rios e oceanos, depois de contaminarem solo e aquíferos subterrâneos.
E pelo consumo de energia elétrica e de combustíveis fósseis, e também pela destinação de antibióticos, hormônios, analgésicos, bactericidas, inseticidas, fungicidas, vacinas e outros fármacos, via urina, fezes, sangue e vísceras, que inevitavelmente atingem os lençóis freáticos.
Isto gera pesados encargos para os cofres públicos com tratamentos de saúde, decorrentes da contaminação gerada pela pecuária e gastos do poder público com infraestrutura e saneamento necessário para equilibrar os danos causados pela pecuária, além de custos pelas isenções fiscais e subsídios concedidos pelos governos estaduais e federal para as atividades pecuárias.
Tudo isso está presente em cada quilograma de alcatra, maminha, picanha e outros cortes, consumidos diariamente e nos churrascos domingueiros. Mas nada disso é computado no balcão do açougue.
É importante observar que estes dados relativos à produção de 1kg de carne de boi não são estimativas alarmistas, são constatações lúcidas de estudos científicos e dados oficiais.
A criação de suínos, caprinos, bubalinos e ovelinos gera números semelhantes.
Ou seja, a produção industrial de carnes é uma das fontes mais importantes de poluição do meio ambiente, exigindo áreas gigantescas, consumindo enorme volume de recursos naturais e energéticos e onerando os cofres públicos, além de gerar bilhões de toneladas de resíduos tóxicos sólidos, líquidos e gasosos, que contaminam solo, água, plantas, animais e pessoas.
A legislação brasileira é rigorosa em relação à poluição industrial. Porém, não há fiscalização para o setor pecuário e a aplicação das leis ambientais tornaria praticamente inviável a atividade.
Se o governo brasileiro retirasse incentivos e subsídios, cobrasse impostos e obrigasse a internalizar os custos energéticos, o uso de recursos naturais e os danos ambientais, cada quilo de alcatra custaria uma pequena fortuna.
Em 1960, um grande tsunami atingiu a costa de Bangladesh. Apesar dos prejuízos materiais, não houve uma única perda humana. No entanto, vários milhares de pessoas morreram quando um tsunami de magnitude similar arrasou a mesma área, em 1991.
Neste meio tempo, os imensos manguezais, que davam proteção natural àquela região, foram devastados para dar lugar a inúmeras fazendas industriais de carnicicultura (criação de camarões em cativeiro).
Um outro mundo é possível. Ocorre enfatizar que a manifestação não é de natureza ideológica, sendo apenas pequena reflexão isenta. Mas uma nova autopoiese sistêmica para o arranjo social, é imprescindível.
Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/02/2017

ENSINO MÉDIO : FALTA DE PROFESSOR SEM FORMAÇÃO ESPECÍFICA.

Ensino médio sofre com professor sem formação específica

Quase a metade dos professores do ensino médio do País dá aulas de disciplinas para as quais não têm formação específica. O problema atinge redes públicas e escolas privadas e é mais grave em algumas matérias, como física. Mais especificamente: dos 494 mil docentes que trabalham no ensino médio, 228 mil (46,3%) atuam em pelo menos uma disciplina para a qual não têm formação. O número de professores com formação adequada em todas as aulas dadas representa 53,7% do total.
Quase um terço (32,3%) só dá aulas em matérias para as quais não tem formação específica. Outros 14% se desdobram entre a área em que são titulados e outras para as quais não são habilitados.
Ao comentar os dados do Censo Escolar de 2015, tabulados pelo Movimento Todos pela Educação, a professora Elaine Assolini (Departamento de Educação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto) ressalta que a situação, no que se refere à formação inicial do professor, é grave e bastante delicada. Os baixos salários, aliados às condições de trabalho e às poucas perspectivas de desenvolvimento profissional, têm tornado essa formação cada vez menos atrativa.
“A raiz de todo o problema”, argumenta ela, “se encontra no processo de formação inicial, ou seja, nos cursos de graduação, em especial nos cursos de licenciatura, responsáveis pela formação do professor. E uma formação acadêmica forte, uma formação inicial consistente que, de fato, prepare o professor para os desafios das salas de aula ao longo de seu magistério, é imprescindível”.
sala de aula, professor, alunos
Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Na ausência de professores com formação específica, mobilizam-se aqueles professores com formação em áreas afins. Por exemplo: na falta de professores de física ou química, são recrutados professores com formação em matemática. “Ocorre que cada área do conhecimento, cada disciplina, tem as suas especificidades e a sua didática concernentes àquela área.” Ou seja, não se trata de desconsiderar professores com formação em áreas afins, mas de mostrar a necessidade de uma formação específica.
A professora Elaine defende uma reformulação dos cursos de licenciatura. Hoje, as disciplinas não se inter-relacionam ou são ministradas de forma estanque. Além disso, nem sempre o estágio curricular remunerado atende às necessidades formativas do estudante. É preciso estar sensível também às mudanças vertiginosas e ininterruptas ocorridas em uma sociedade em plena transformação.
A professora Elaine sublinha a importância de uma formação profissional decente para o processo educacional e de aprendizagem, ou mesmo para o desenvolvimento de um trabalho pedagógico. “Se estamos partindo do pressuposto de que (o professor) não conhece as particularidades daquela disciplina, ele chega à sala de aula com algumas lacunas, que poderão impedi-lo de preparar a sua aula de forma a torná-la interessante e instigante.”
Para ela, esse é um momento de reflexão, de debate, que merece a atenção dos estudiosos e pesquisadores que se dedicam a investigar o complexo quadro da formação inicial dos professores.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/02/2017

BELEZA ORGÂNICA E CONSUMO CONSCIENTE.

Beleza orgânica e consumo consciente, artigo de Alinne Mirelle

artigo de opinião
 [EcoDebate] Para higienizar o corpo é preciso primeiro despoluir a mente. Muitas pessoas não sabem, mas diariamente elas se contaminam involuntariamente com diversas substâncias tóxicas provenientes de seus cosméticos e produtos de higiene. Não é exagero afirmar que o banheiro é um verdadeiro campo minado. Os ingredientes químicos encontrados nos shampoos, condicionadores, sabonetes, hidratantes, desodorantes, perfumes, maquiagens, creme dental, entre outros itens convencionais, formam um verdadeiro coquetel nocivo que intoxica a pele (o maior órgão humano) e também polui rios, mares e inúmeros organismos sempre que escoa pelo ralo.
Estudos apontam que toxinas e venenos entram na corrente sanguínea muito mais através da pele do que por alimentos. Isso ocorre porque tudo que é passado na pele é absorvido diretamente pelo organismo. Estima-se, ainda, que o corpo humano acumula por ano 2,5 kg de química provenientes dos cosméticos. Daí fica mais fácil compreender porque muitas doenças, alergias, obesidade, tipos de câncer e mutações também estão relacionadas às inúmeras substâncias sintéticas encontradas nas formulações desses convencionais.
Mas se despoluir é uma possibilidade ao alcance de qualquer pessoa. A exclusão ou substituição de maquiagens ou produtos de higiene convencionais não traz prejuízos à beleza e à higienização. A natureza é capaz de suprir todas as necessidades humanas, de alimentação, lazer, medicinal e também cosmética – sendo sempre a melhor opção para a saúde e o planeta. É justamente o consumo do natural orgânico a alternativa para não ser refém dessa contaminação.
Apesar de o pensamento logo ser associado à alimentação, o termo “orgânico” não se limita às frutas, verduras e outros alimentos. Ele abrange todo um conceito de sustentabilidade baseado em princípios ecológicos, sociais e econômicos que envolvem toda sua cadeia produtiva, desde a origem da matéria-prima ao descarte do produto. Ou seja, pode ser um tomate, um suco, um biscoito, uma roupa, uma maquiagem, um sabonete, um absorvente, um creme dental…
Consumir um cosmético orgânico significa ter um produto, no mínimo, 95% natural, biodegradável, sem ingredientes transgênicos, não testado em animais, entre outras questões. Já o convencional tem, geralmente, 95% de ingredientes sintéticos, derivados de petróleo, metais pesados, pode ser contaminado com agrotóxicos, é testados em animais – muitas vezes com métodos cruéis. E as razões de a maioria das empresas cosméticas não usar ingredientes orgânicos se dão porque a extração de ativos naturais exige maior investimento enquanto os artificiais são muito (muito, muito, muito) mais baratos. Mas a principal é justamente a falta de atenção que a maioria dos consumidores tem para com esses detalhes.
Uma boa notícia é que empresas nacionais que se empenham em seguir na contramão das gigantes da cosmética mundial começam a conquistar seu espaço no Brasil. Crescem de acordo com o aumento da conscientização ambiental e do interesse em qualidade de vida. Além disso, a eficácia dos naturais e orgânicos supera e surpreende nos resultados, proporcionando, inclusive, benefícios psicológicos. A beleza, antes meramente superficial, impressa, passa a ser expressa (de dentro pra fora), holística, orgânica ou integral – um conceito que abrange o amor e respeito a si e a todos os seres vivos.
Alinne Mirelle, Agente de Beleza Integral, jornalista ambiental e pós-graduanda em Educação e Meio Ambiente.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/02/2017

POSSÍVEL AUMENTO DO NÍVEL DO MAR.

O nível do mar pode subir 2,5 metros até 2100, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

cenários de elevação do nível do mar até 2100
[EcoDebate] Um novo relatório divulgado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dia 19/01/2017 (último dia da presidência de Barack Obama), apresenta uma série de estimativas atualizadas para o futuro aumento do nível do mar, tanto nos Estados Unidos como em todo o mundo. Sugere que, sob extrema mudança climática futura, os níveis globais do mar poderiam aumentar mais de 2,5 metros (8,2 pés) até o final do século, conforme mostra o gráfico acima. Isto representa uma das maiores estimativas já apresentadas em um relatório federal dos EUA.
Relatório anterior da NOAA, de 2012, sobre a elevação global do nível do mar incluía quatro possíveis cenários climáticos, cada um envolvendo diferentes graus de aquecimento do oceano e derretimento dos glaciares ao redor do mundo. No cenário mais extremo, a elevação poderia resultar em 2,0 metros (6,6 pés) de elevação do nível médio do mar global até o ano 2100. No mínimo, sugeriu 21 cm (0,7 pés) de aumento do nível do mar o final do século.
O novo relatório inclui seis possíveis cenários climáticos e atualiza tanto as estimativas mais elevadas quanto as menores do nível do mar. Sugere que, no cenário mais extremo, os níveis médios do mar possam subir 2,5 metros (8,2 pés) até o ano 2100. E no cenário mais baixo, o nível do mar pode subir cerca de 30 cm (um pé) até o final do século. As probabilidades estão apresentadas na tabela abaixo (p. 22 do relatório).
probability of exceeding GMSL scenarios in 2100
É importante notar que a estimativa mais alta representa o pior cenário, que tem uma baixa probabilidade de ocorrer mesmo sob uma trajetória climática normal. A probabilidade de um aumento de 50 cm até 2100 é de 96% (RCP8,5). Apenas este aumento já vai provocar grandes prejuízos em áreas urbanas e rurais.
As estimativas destinam-se a ajudar os tomadores de decisão a formular políticas sobre como proteger as comunidades no caso improvável de que tal cenário ocorra no futuro. O novo relatório também inclui uma série de projeções regionais, que os autores desenvolveram usando um modelo informado por suas estimativas globais de aumento do nível do mar. O modelo foi capaz de explicar uma ampla variedade de processos conhecidos por afetar o nível do mar regional.
Em muitos lugares, o movimento da terra desempenha um grande papel no aumento dos níveis de água. Em partes da Louisiana, por exemplo, o solo está realmente afundando – este é um processo chamado “subsidência”, que pode ser exacerbado por uma variedade de atividades humanas, incluindo a extração de água subterrânea. Mudanças nas correntes oceânicas ao longo do tempo também podem afetar a forma como a água é distribuída em todo o mundo. E pesquisas recentes sugerem que o derretimento de geleiras também pode afetar o campo gravitacional da Terra – e até mesmo sua rotação – de formas que podem influenciar a distribuição de água ao redor do globo.
O fato é que tem crescido a concentração de CO2 e outros gases de efeito estufa na atmosfera. Isto faz aumentar o aquecimento global. Os anos de 2014, 2015 e 2016 foram os mais quentes já registrados. A temperatura global está aumentando cerca de 0,19º C por década. Neste ritmo, a temperatura do Planeta pode ultrapassar os 2,5º C até o final do século, tornando mais provável a elevação do nível do mar ao patamar de 2,5 metros.
O degelo do Ártico e da Antártica atingiu níveis recordes em 2016 e já há indicações de que em 2017 será ainda pior. O gráfico abaixo (a atualização diária pode ser acompanhada no link abaixo do site ArctischePinguin) mostra o declínio da área do gelo marinho global (soma do Ártico e Antártica) e não deixa dúvidas de que o degelo está aumentando. O mês de janeiro de 2017 já bateu todos os recordes de colapso da área de gelo nos dois hemisférios. O ritmo de degradação é extremamente inédito e preocupante.
from NSIDC sea ice concentration data
O gráfico abaixo mostra claramente a redução do volume de gelo nos dois hemisférios. Existe uma tendência de longo prazo do degelo que pode ser vista pelas curvas anuais cada vez mais baixas. Mas a queda observada a partir de setembro de 2016 é um fato sem precedentes e mostra que o processo de desglaciação está se acelerando perigosamente. No passado, foi o Ártico e a Groenlândia (hemisfério Norte) que lideraram o derretimento, a partir do segundo semestre do ano passado a Antártica passou a ser o grande destaque para a elevação do nível dos oceanos.
GIOMAS monthly global ice volume
O avanço do mar já tem provocado muitos prejuízos nas áreas litorâneas de todo o mundo. Muitas praias brasileiras foram afetadas. Em 2016, houve várias inundações nas praias da cidade de Santos, em São Paulo. A travessia de balsas entre Santos e Guarujá ficou paralisada e a orla da Ponta da Praia ficou cheia d’água diversas vezes. No dia 29 de outubro, uma ressaca destruiu trechos do calçadão do Leblon e invadiu a avenida Delfim Moreira, levando areia e entulho até a calçada dos prédios, interrompendo o trânsito e gerando prejuízos nas garagens dos edifícios de um dos bairros mais ricos da cidade do Rio de Janeiro.
No longo prazo, o degelo do Ártico, da Antártica, da Groenlândia e dos glaciares vai provocar o aumento do nível do mar, que pode chegar a mais de 2 metros até 2100 e até algo entre 6 e 9 metros nos próximos dois séculos. Isto seria terrível para as cidades e as áreas baixas de produção agropecuária, provocando fome e refugiados do clima.
Com a posse de Donald Trump o quadro climático global deve piorar muito nos próximos anos. Pode ser o sinal de colapso, que sempre acompanha aquelas civilizações que não conseguem respeitar os limites ecológicos do Planeta.
Referências:
John Upton. Study Reveals Stunning Acceleration of Sea Level Rise, Climate Central, 22/02/2016
Open Mind. Sea Level Acceleration, 30/01/2017
NOAA, Global And Regional Sea Level Rise Scenarios For The United States, Silver Spring, Maryland, January 2017
Judith Curry. The ‘threat’ of climate change, 29/01/2017

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/02/2017