sexta-feira, 3 de agosto de 2018

O MUNDO DESPERDIÇOU 1,74 TRILHÃO DE DÓLARES EM DESPESAS MILITARES EM 2017.

O mundo desperdiçou 1,74 trilhão de dólares em despesas militares em 2017, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


“Imagine there’s no countries
It isn’t hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people living life in peace”
John Lennon
despesas militares globais: 1988-2017
[EcoDebate] Enquanto a sociedade civil luta para reduzir a pobreza e salvar o meio ambiente, os governos continuam gastando rios de dinheiro com despesas de guerra e com o poderio bélico para manter a hegemonia global e para reprimir os conflitos internos. Enquanto as campanhas ambientalistas incentivem os indivíduos a fazerem sua parte na defesa do meio ambiente, as autoridades constituídas continuam esterilizando grandes volumes de recursos em gastos militares improdutivos e letais. A produção de armas e instrumentos de destruição em massa, no mundo, contrasta com a falta de recursos para produzir alimentos orgânicos, energias renováveis e investimentos em saúde e educação da população global.
O relatório de 2018 do Instituto Internacional para a Investigação da Paz de Estocolmo (SIPRI – Stockholm International Peace Research Institute) mostra que os gastos militares no mundo chegaram à impressionante cifra de US$ 1.739.000.000.000,00 (um trilhão e setecentos e trinta e nove bilhões de dólares) no ano passado. E este valor vem subindo nas duas últimas décadas. O total de gastos militares em 2017, subiu 1,1% em termos reais em relação a 2016.
As despesas militares na Ásia e na Oceania aumentaram pelo 29º ano consecutivo. A China, o segundo maior gastador global, aumentou seus gastos militares em 5,6% para US$ 228 bilhões em 2017. Os gastos da China como parcela das despesas militares mundiais aumentaram de 5,8% em 2008 para 13% em 2017. A Índia gastou US$ 63,9 bilhões em suas forças armadas em 2017, um aumento de 5,5% em comparação com 2016, enquanto os gastos da Coreia do Sul, de US$ 39,2 bilhões, aumentaram 1,7% entre 2016 e 2017. As tensões entre a China e muitos de seus vizinhos continuam impulsionando o crescimento dos gastos militares na Ásia.
Conduzidos, em parte, pela percepção de uma crescente ameaça da Rússia, os gastos militares na Europa Central e Ocidental aumentaram em 2017, em 12% e 1,7%, respectivamente. Muitos países europeus são membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e, nesse contexto, concordaram em aumentar seus gastos militares. O total de gastos militares de todos os 29 membros da OTAN foi de US$ 900 bilhões em 2017, representando 52% dos gastos mundiais. E o presidente Donald Trump pressiona por gastos ainda maiores da OTAN.
Os gastos militares no Oriente Médio aumentaram 6,2% em 2017. Os gastos da Arábia Saudita aumentaram 9,2% em 2017 após uma queda em 2016. Com gastos de US$ 69,4 bilhões, a Arábia Saudita teve o terceiro gasto militar mais alto do mundo. O Irã (19%) e o Iraque (22%) também registraram aumentos significativos nos gastos militares em 2017.
Os Estados Unidos continuam a ter o maior volume de gasto militar do mundo. Em 2017, os EUA gastaram mais com as suas forças armadas do que os sete países que mais gastaram juntos. Em US$ 610 bilhões, os gastos militares dos EUA permaneceram inalterados entre 2016 e 2017. Mas a tendência de queda nos gastos militares dos EUA que começou em 2010 chegou ao fim e as despesas de guerra dos EUA, em 2018, devem aumentar significativamente para apoiar o aumento de pessoal militar e a modernização de armas convencionais e nucleares, conforme proposto pelo Partido Republicano e o presidente do país.
Após 13 anos consecutivos de aumento de 1999 a 2011 e gastos ficaram relativamente inalterados de 2012 a 2016. Mas o gasto militar global total aumentou novamente em 2017, como pode ser visto no gráfico acima. Os gastos militares em 2017 representaram 2,2% do produto interno bruto (PIB) global ou US$ 230 por pessoa.
O mundo seria muito diferente se todos estes recursos fossem utilizados para erradicar a pobreza e enriquecer o meio ambiente. Contudo, o lobby militar tem grande força para manter seus orçamentos e para continuar, sem restrições, emitindo gases de efeito estufa que provocam a aceleração do aquecimento global.
As Nações Unidas, no relatório “Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza” (PNUMA, 2011), mostrou que é possível erradicar a pobreza e fazer a transição do modelo “marron” de desenvolvimento atual para uma economia verde e sustentável com investimentos da ordem de 2% do PIB mundial – ou US$ 1,5 trilhão por ano.
Portanto, é preciso inverter a lógica da estratégia da logística da destruição e destinar parte dos 1,74 trilhão de dólares utilizados anualmente nos gastos militares para erradicar a pobreza e salvar o meio ambiente. Pacifismo e ambientalismo são bandeiras que se complementam.
A batalha pela justiça social e pela preservação da natureza passa necessariamente pela luta coletiva contra a corrida armamentista, pelo fim dos gastos militares, pelo desarmamento, pela harmonia entre os povos e pela paz em nível internacional, regional, nacional e local. Como sonhou John Lennon, “Imagine todas as pessoas vivendo em paz”.
You may say I’m a dreamer
But I’m not the only one
I hope some day you’ll join us
And the world will be as one
John Lennon
Referência:
SIPRI. Global military spending remains high at $1.7 trillion, 02/05/2018
https://www.sipri.org/media/press-release/2018/global-military-spending-remains-high-17-trillion
PNUMA, 2011, Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza – Síntese para Tomadores de Decisão, www.unep.org/greeneconomy
http://www.fapesp.br/rio20/media/Rumo-a-uma-Economia-Verde.pdf
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/07/2018

ACIDIFICAÇÃO DOS OCEANOS ESTÁ CAUSANDO GRANDE IMPACTO NA VIDA MARINHA.

Estudo mostra que a acidificação dos oceanos está causando grande impacto na vida marinha


Em uma nova pesquisa, cientistas afirmam que cortes nas emissões globais de CO2 são essenciais para limitar mais danos aos recifes de coral e às florestas de algas.

University of Plymouth*
As emissões de dióxido de carbono (CO2) estão matando os recifes de coral e as florestas de algas, já que as ondas de calor e a acidificação dos oceanos prejudicam os ecossistemas marinhos, alertaram cientistas.
Oos pesquisadores dizem que três séculos de desenvolvimento industrial já tiveram um efeito marcante sobre nossos mares.
Mas se os níveis de CO 2 continuarem a subir como previsto, as próximas décadas e os níveis de pH da água do mar terão um impacto ainda maior e potencialmente catastrófico.
As correntes oceânicas na área significam que há níveis naturalmente baixos de CO2 de água superficial , semelhantes aos que teriam estado presentes antes da Revolução Industrial global. No entanto, os vazamentos vulcânicos indicam como o aumento dos níveis de COafetará a ecologia futura, tanto no noroeste do Oceano Pacífico quanto em todo o mundo.
O autor principal, Dr. Sylvain Agostini, Professor Associado da Universidade de Tsukuba Shimoda Centro de Pesquisa Marinha, disse: “Estes CO2 . Escoa fornecer uma janela vital para o futuro Houve mortalidade em massa de corais do sul de Japão no ano passado, mas muitas pessoas Apegam-se à esperança de que os corais consigam se espalhar para o norte, por isso é extremamente preocupante descobrir que os corais tropicais são tão vulneráveis ​​à acidificação dos oceanos, pois isso os impedirá de se espalharem para o norte e escaparem dos danos causados ​​pela água. é muito quente para eles “.
A pesquisa foi liderada por cientistas da Universidade de Tsukuba, no Japão, da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, e da Universidade de Palermo, na Itália.
Envolveu equipes de mergulhadores de mergulho que realizaram investigações ao longo degradientes submarinos de CO 2 criados por vazamentos vulcânicos, registrando como a fauna e a flora respondem à acidificação da água do mar.
Eles descobriram que, embora algumas espécies de plantas se beneficiassem das condições cambiantes, elas tendiam a ser ervas daninhas e algas menores que cobrem o fundo do mar, sufocando os corais e diminuindo a diversidade marinha em geral.
Essas espécies, e alguns animais marinhos menores, estão prosperando porque são mais tolerantes ao estresse causado pelo aumento dos níveis de CO2 .
Jason Hall-Spencer, professor de biologia marinha na Universidade de Plymouth, disse: “Nosso local de pesquisa é como uma máquina do tempo. Em áreas com níveis pré-industriais de CO2, a costa tem uma quantidade impressionante de organismos calcificados, como corais e Mas em áreas com níveis médios atuais de CO2 na superfície da água do mar , encontramos muito menos corais e outras formas de vida calcificadas e, portanto, menos biodiversidade, mostrando os grandes danos causados ​​pelo homem devido às emissões de CO2 nos últimos 300 anos e, a menos que consigamos reduzir as emissões de CO2, veremos, sem dúvida, uma grande degradação dos sistemas costeiros em todo o mundo. ”
Professor Kazuo Inaba, ex-diretor do Centro de Pesquisa Shimoda Marinha, acrescentou: “Os pescadores locais estão ansiosos para saber como a acidificação dos oceanos vai afetar sua subsistência correntes fluindo passado Japão trazer águas que têm naturalmente baixos níveis de CO2 e beneficiar de peixe a partir da matriz habitats calcificados em torno de nossas ilhas. Se formos capazes de cumprir as metas do Acordo de Paris para limitar as emissões, devemos ser capazes de limitar ainda mais os danos às florestas de algas, recifes de corais e todos os ecossistemas marinhos. ”
Área de estudo (Shikine-Jima, Japão) mostrando estações intertidal e subtidal, e a variabilidade espacial em p CO 2 . A distribuição espacial de p CO 2 foi calculada usando o algoritmo do vizinho mais próximo no software ArcGIS 10.2 ( http://www.esri.com/software/arcgis/ ).
Área de estudo (Shikine-Jima, Japão) mostrando estações intertidal e subtidal, e a variabilidade espacial em p CO 2 . A distribuição espacial de p CO 2 foi calculada usando o algoritmo do vizinho mais próximo no software ArcGIS 10.2 ( http://www.esri.com/software/arcgis/ ).
Referência:
Ocean acidification drives community shifts towards simplified non-calcified habitats in a subtropical temperate transition zone
Sylvain Agostini, Ben P. Harvey, Shigeki Wada, Koetsu Kon, Marco Milazzo, Kazuo Inaba & Jason M. Hall-Spencer
Scientific Reports volume 8, Article number: 11354 (2018)
https://doi.org/10.1038/s41598-018-29251-7
https://www.nature.com/articles/s41598-018-29251-7
* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/07/2018

MANGUEZAIS : EXTENSÃO GLOBAL FOI REDUZIDA PELA METADE EM 40 ANOS.

Extensão global de manguezais foi reduzida pela metade em 40 anos, alerta UNESCO


A destruição de manguezais põe em risco a biodiversidade e a produção de alimentos em zonas costeiras

ONU

Formação de mangue em Cuba. Foto: Flickr (CC)/Anusa Kreft
Formação de mangue em Cuba. Foto: Flickr (CC)/Anusa Kreft

Em mensagem para o Dia Internacional de Conservação do Ecossistema de Mangues, lembrado em 26 de julho, a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, alerta que manguezais estão ameaçados, sobretudo por conta do desenvolvimento das zonas costeiras. “Estima-se que, em 40 anos, a cobertura global de mangues foi reduzida pela metade”, afirmou a chefe da agência da ONU. Destruição ambiental põe em risco a biodiversidade e o ser humano.
“Os mangues constituem uma proteção contra tempestades, tsunamis e o aumento do nível do mar. Eles impedem a erosão da costa, regulam a qualidade da água costeira, mantêm áreas de pesca e contribuem para melhorar a segurança alimentar de muitas comunidades costeiras”, ressaltou a dirigente.
Audrey disse ainda que esses ecossistemas “também fornecem um habitat para espécies marinhas em perigo”. “Além disso, seus mecanismos naturais para armazenar o carbono da atmosfera, conhecidos como ‘estoques de carbono azul’, que realizam o sequestro de carbono e auxiliam a mitigar os efeitos dos distúrbios climáticos ao longo das costas”, completou a chefe da UNESCO.
Algumas das reservas da biosfera e geoparques da agência da ONU contam com mangues em seus territórios. Nessas localidades, o organismo internacional trabalha para acumular conhecimento sobre essas formações naturais, além de melhorar sua gestão e preservação. A UNESCO também visa criar estratégias para promover o desenvolvimento sustentável de tribos indígenas instaladas nesses ecossistemas.
Outra frente de atuação da instituição é a Iniciativa Carbono Azul, que tem a participação da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO. Realizado em conjunto com a ONG Conservation International e a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o projeto busca combater as mudanças climáticas, protegendo e recuperando ecossistemas marinhos. Um dos focos do programa são os mangues, pântanos-de-maré e os prados marinhos.
Em 2018, o Equador sedia as comemorações globais da data em prol da proteção dos mangues, que estão presentes na Reserva da Biosfera do Arquipélago de Colón, em Galápagos. Audrey convidou a comunidade internacional a se inspirar no país latino-americano e a “renovar os nossos esforços para apoiar a preservação de um ecossistema que é essencial para o nosso planeta e para seus habitantes”.
Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/07/2018

DESENVOLVIDOS E EM DESENVOLVIMENTO : UMA CLASSIFICAÇÃO ULTRAPASSADA PARA PAÍSES ?

Desenvolvidos e Em Desenvolvimento: uma classificação ultrapassada para países?



dólar
Foto: EBC
Estudo da Fiocruz publicado pelo periódico PLOS Neglected Tropical Diseases questiona divisão de países entre desenvolvidos e em desenvolvimento
Um estudo do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado hoje (12/7) na revista PLOS Neglected Tropical Diseases – uma das mais respeitadas do mundo na área de doenças negligenciadas – questiona a divisão de países entre industrializados, em desenvolvimento e subdesenvolvidos.
Segundo a pesquisa, o conceito de Países em Desenvolvimento Inovadores (IDCs), para definir um grupo de nações com programas científicos de impacto, seria uma alternativa à tradicional segmentação.
A discussão acerca do papel dos IDCs no controle e prevenção de epidemias foi realizada com base nas redes de colaboração em pesquisa sobre zika e ebola. O papel central do Brasil, qualificado no estudo dentro do conceito de IDC, na rede de pesquisa em zika, se refletiu na liderança de instituições brasileiras nos trabalhos sobre a epidemia e na capacidade de controle do surto. Em contraste, os países africanos que não são definidos como IDCs, afetados pela epidemia de ebola, participaram de maneira menos expressiva na rede de pesquisa sobre a doença e contaram predominantemente com especialistas externos para controlar a epidemia.
Proposto pela primeira vez em 2005, o termo IDC desafiou o senso comum de que os países em desenvolvimento não teriam capacidade de inovação. Originalmente, o conceito era definido a partir de uma classificação global dos países com maior número de patentes depositadas nos Estados Unidos.
No novo trabalho, a proposta foi incluir o número de patentes depositadas internacionalmente. Desta forma, segundo os resultados da pesquisa, a lista atualizada de IDCs tem como primeiro lugar a China, ultrapassando EUA, Índia e Japão. O Brasil perde três posições no ranking e passa a ocupar o 15º lugar.
A pesquisa examina, ainda, a contribuição dos IDCs em temas de interesse nacional. Para isso, os pesquisadores analisaram publicações científicas de autores afiliados a IDCs para mostrar que esses países investem acima da média mundial em pesquisa e desenvolvimento em Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs). “A capacidade de pesquisa e inovação que os IDCs já dispõem e suas significativas participações nas redes de produção de conhecimento poderão contribuir expressivamente para que a humanidade alcance mais rapidamente os objetivos do desenvolvimento sustentável”, afirma Carlos Morel um dos pesquisadores da Fiocruz que participou do estudo.
“Nossa pesquisa mostra claramente um papel proeminente dos IDCs na inovação em saúde, pesquisa e desenvolvimento em doenças tropicais negligenciadas (DTNs) e em preparação, prevenção e controle de epidemias”, ressalta o pesquisador. De acordo com Morel, o conceito de IDCs, desde a sua criação, tem impacto positivo na análise de inovação dos países.
Além disso, pontua o pesquisador, ao levar em consideração a resposta das nações às epidemias de zika e ebola, mostra a importância de haver uma infraestrutura sólida na área de saúde e redes de colaboração em pesquisa para que haja uma resposta rápida e efetiva nos casos de crises na área de saúde.
Em uma comparação entre três índices de inovação, os resultados se mostram diversos. Quando o índice considerado é o Bloomberg – um dos principais provedores mundiais de informação para o mercado financeiro – os três primeiros países do ranking são Coreia do Sul, Suécia e Alemanha. Já o índice global de inovação mostra nas primeiras colocações Suíça, Suécia e Holanda. De acordo com o índice desenvolvido pelos pesquisadores do INPI e Fiocruz, China, Japão e Estados Unidos são os líderes de inovação mundial.
A pesquisa completa está disponível no link: http://journals.plos.org/plosntds/article?id=10.1371/journal.pntd.0006469.
Informe da Fiocruz, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/07/2018

OBESIDADE EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES ATINGE ÍNDICES ALARMANTES.

Obesidade em crianças e adolescentes atinge índices alarmantes, alerta especialista



saúde

124 milhões de crianças e adolescentes no mundo são obesos

Por Luana Moreira
Dados revelados por um estudo realizado pela Imperial College de Londres em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS) revelaram que a obesidade infantil atinge atualmente dez vezes mais crianças e adolescentes do que na década de 1970. Isso significa que nos últimos quarenta anos o número de crianças e adolescentes obesos – entre 5 e 19 anos – aumentou dez vezes, correspondendo a 124 milhões de pessoas. A Organização também estima que em 2022 existirão mais crianças obesas do que abaixo do peso em todo o mundo.
A estatística de crianças obesas no Brasil também é muito elevada. Um em cada três brasileiros apresenta sobrepeso ainda na infância. O Ministério da Saúde estima que 33% das crianças brasileiras entre 5 a 9 anos, hoje já estejam acima do peso. O índice de meninos obesos alcança 16,6% e dentre as meninas a taxa chega a 11,8%, segundo informações contidas nas Pesquisas de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE 2008-2009. Já entre os jovens com idades de 18 a 24 anos, o percentual de obesos aumentou em 110% nos últimos dez anos no país.
Os números são bastante preocupantes e apontam para uma grande possibilidade de que esses indivíduos se mantenham obesos ou com sobrepeso durante a vida adulta. O especialista em endoscopia digestiva e gastroenterologia, Henrique Eloy, explica que a obesidade na infância e adolescência é um assunto extremamente importante, pois, acomete pessoas que estão em um processo de formação de personalidade e desenvolvimento físico. “A obesidade nessa fase prejudica a saúde desses pacientes, não somente na área física, como a psíquica e a vida social. Com causas multifatoriais, a obesidade está sofrendo maior estímulo por parte de características socioculturais e comportamentais da sociedade atual, mas também pode ser causada por fatores genéticos e hereditários”, comenta.
No âmbito sociocultural, a obesidade nas crianças e adolescentes vem sendo impulsionada pelo aumento do consumo de alimentos industrializados – fast-food, comidas ricas em gordura e pobres em nutrientes –, aliado ao sedentarismo. “Com os avanços tecnológicos, as crianças passam mais tempo sentadas usando aparelhos eletrônicos e praticam pouca, ou nenhuma atividade física”, explica.
Já em relação a hereditariedade, Henrique Eloy aponta que vários estudos comprovam que se uma criança tem um pai obeso, ela terá 40% de chance de vir a se tornar um adulto obeso. “Se os dois pais são obesos, essa possibilidade dobra, assim essa criança terá 80% de chance de se tornar um adulto obeso, contra 10% de possibilidade, caso nenhum dos pais forem obesos. Portanto, a carga genética é muito importante para essas crianças. Em um estudo recente divulgado pelo ‘The BMJ’ (Briths Medical Journal) foi revelado que filhos de mulheres que levem um estilo de vida saudável contam com 75% menos probabilidade de serem obesos. Este é um dado muito importante, pois, evidencia que a influência da família na adoção de bons hábitos físicos e alimentares, podem ser essenciais para a prevenção da obesidade infanto-juvenil”, elucida.
Segundo Henrique Eloy, é muito raro encontrar alguma síndrome hereditária que possa explicar uma obesidade acentuada nas crianças, mas quando isso acontece, na maioria dos casos o problema pode ser provocado pela síndrome de Prader- Willi.
De acordo com Henrique Eloy, a obesidade na infância é ainda mais preocupante no que se refere às doenças que podem ser desencadeadas por esta condição. “Crianças obesas podem desenvolver hipertensão arterial, dislipidemia (aumento do colesterol triglicérides), diabetes, apneia, depressão, asma brônquica e problemas osteoarticulares, cardiovasculares, ortopédicos e hepáticos. Entre as meninas, a obesidade pode causar um amadurecimento físico precoce, ocasionando uma puberdade antecipada e ciclos menstruais irregulares”, aponta.
O médico aponta que todas as alterações causadas pela obesidade em crianças podem levar a uma queda da capacidade física destes pacientes, assim como a um declínio em seus rendimentos escolares. “Estes fatores fazem com que essa criança sofra com comportamentos discriminatórios por parte dos colegas de colégio, levando a casos de bullying, que nós tanto conhecemos, e que quando acontecem, podem agravar ainda mais todas essas alterações, principalmente, no âmbito psíquico”, explica.
Henrique Eloy orienta que o tratamento da obesidade em crianças e adolescentes deve ser multidisciplinar, contando com o acompanhamento obrigatório de uma equipe formada por um pediatra, nutricionista pediátrico, endocrinologista, psicólogo, psiquiatra – quando for necessário o uso de algum medicamento –, e até mesmo de um instrutor de esportes. “A principal ferramenta terapêutica é a mudança comportamental de toda a família. Não adianta direcionar o tratamento somente a criança ou adolescente, pois a família inteira tem que se comprometer com esse tratamento”, afirma.
O tratamento medicamentoso e cirúrgico em crianças é totalmente contraindicado, já em adolescentes, a prática deve ser realizada somente em casos excepcionais, com a indicação formal de toda a equipe multidisciplinar. “É de suma importância nestes casos, que antes da realização de uma cirurgia, seja avaliada a maturação óssea destes pacientes, pois caso ela não esteja completa, a operação não pode ser autorizada. Para evitar o uso da cirurgia, os procedimentos endoscópicos – como o Balão intragástrico – pode ser uma indicação eficaz para o tratamento da obesidade em adolescentes”, conclui.
Colaboração de Luana Moreira, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/07/2018

OCEANOS : A ACIDIFICAÇÃO É UM DESAFIO PARA A CIÊNCIA, GOVERNOS E COMUNIDADES.

A acidificação dos oceanos é um desafio para a ciência, governos e comunidades


pesquisa

University of Tasmania*
Um novo estudo do Instituto de Estudos Marinhos e Antárticos (IMAS), publicado na revista científica Nature Climate Change , destacou os desafios enfrentados por cientistas, governos e comunidades, à medida que níveis crescentes de CO2 são absorvidos pelos oceanos do mundo.
Pesquisadores descobriram que nos últimos séculos o pH da superfície do oceano caiu dez vezes mais rápido do que nos últimos 300 milhões de anos e que os impactos estão sendo sentidos em todo o mundo.
Estima-se que o custo econômico para os recifes de corais, pesca silvestre e aqüicultura do processo conhecido como acidificação dos oceanos chegue a mais de US $ 300 bilhões por ano.
A professora-associada Catriona Hurd, principal autora do estudo, que também incluiu pesquisadores da CSIRO Oceans and Atmosphere e ACE CRC , disse que a acidificação dos oceanos representa uma série de desafios significativos.
“Estudar como os oceanos vão mudar, à medida que absorvem mais CO2 da atmosfera, é um campo relativamente recente da ciência”, disse o professor associado Hurd.
“Quanto mais os cientistas olham para a acidificação dos oceanos, mais estamos chegando para entender como ela é complexa e quão amplos e diversos serão os impactos.
“O processo não está acontecendo a taxas uniformes em todo o mundo, e os cientistas descobriram uma grande variabilidade regional e local, impulsionada por diferenças físicas, químicas e biológicas nos oceanos”, disse o professor Hurd.
“A detecção de tendências e mudanças no pH também é complicada pela ampla gama de outros processos dinâmicos que estão afetando os oceanos, incluindo a circulação, temperatura, ciclagem de carbono e ecossistemas locais.
“Em algumas partes do mundo, como o Chile e a costa oeste dos EUA, algumas áreas de pesca já estão se adaptando à acidificação dos oceanos por meio de parcerias entre cientistas, indústria e governo.
“Outros impactos globais provavelmente exigirão colaboração e ação semelhantes em nível internacional”.
O Professor Associado Hurd disse que uma questão importante para os cientistas e formuladores de políticas é se os humanos devem tentar mitigar a acidificação dos oceanos alterando a química dos oceanos, ou se as comunidades devem simplesmente se adaptar.
“Mesmo que as emissões globais de carbono parassem hoje, espera-se que as futuras mudanças na acidificação do oceano sejam muito duradouras devido à quantidade de CO2 já presente na atmosfera e nos oceanos.
“Nosso desafio como cientistas é aumentar nossas observações e modelar as mudanças no pH dos oceanos em todo o mundo.
“Estaremos então em melhor posição para trabalhar com governos e comunidades para aumentar a conscientização sobre a ameaça da acidificação oceânica e para ajudar a desenvolver respostas”, disse o professor Hurd.
Referência:
Current understanding and challenges for oceans in a higher-CO2 world
Catriona L. Hurd, Andrew Lenton, Bronte Tilbrook & Philip W. Boyd
Nature Climate Change (2018)
https://www.nature.com/articles/s41558-018-0211-0
* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/07/2018

IBGE: A NOVA PROJEÇÃO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA.

A nova projeção da população brasileira do IBGE, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


diferentes projeções para a população brasileira: 2010-2100

População / Demografia

[EcoDebate] O IBGE divulgou as novas projeções da população brasileira, na última quarta-feira, dia 25 de julho, com a população estimada em 208,5 milhões de habitantes em 2018. A grande novidade, em relação à projeção anterior, é que o pico populacional acontecerá em 2047, quando o número de brasileiros chegará a 233,2 milhões de pessoas. Nos anos seguintes, haverá um decrescimento demográfico e a população brasileira deverá ficar com 228,3 milhões de habitantes em 2060.
Projeções demográficas não são exercícios de tiro ao alvo, pois é muito difícil acertar na mosca com décadas de antecedência. Traçar o caminho provável é mais importante do que supor o ponto exato da chegada. O que as projeções fazem é computar um cenário populacional de médio e longo prazo, a partir de técnicas demográficas sofisticadas, considerando a estrutura por idade e sexo (em um dado momento), o histórico da dinâmica das taxas de mortalidade, fecundidade e migração, no passado recente, e as suposições sobre as tendências futuras das três taxas, que constituem os três componentes básicos da demografia. Estimar o volume e a composição dos indicadores demográficos do futuro é fundamental para o bom planejamento das políticas públicas e para a correta tomada de decisão dos investimentos do setor privado. Quando se alteram as condições socioeconômicas, que afetam os componentes demográficos, os números projetados também se modificam. Por isto, as projeções demográficas precisam ser atualizadas periodicamente.
Nas projeções divulgadas cinco anos atrás (revisão de 2013), o IBGE previa uma população de 209,2 milhões de habitantes em 2018, um pico populacional de 228,4 milhões em 2042 e uma população de 218,2 milhões em 2060. Portanto, o que mais mudou não foram os números de 2018, mas sim a data do máximo populacional e a população projetada para 2060. Na projeção divulgada essa semana, a população de 2018 é menor do que a prevista na revisão 2013, mas a população das décadas seguintes é maior. O que aconteceu foi uma mudança na população de partida (2010), usando a estrutura etária do censo de 2010 com calibração para melhorar a cobertura para a população em idade mais jovem e também uma revisão das taxas de fecundidade para o futuro, que, neste momento, não indicam uma queda tão rápida como na revisão anterior
Para efeito de comparação, o gráfico acima apresenta o resultado do volume populacional entre 2010 e 2060, segundo as duas últimas projeções do IBGE e a projeção média realizada pela Divisão de População da ONU, revisão 2017. Nota-se que a projeção da ONU, entre 2010 e 2060 está muito próxima da revisão 2018, do IBGE, com o pico populacional ocorrendo também em 2047 e a população de 2060 em 229,3 milhões contra 228,3 milhões. A projeção da ONU se estende até o final do século e estima uma população de 190,4 milhões de habitantes em 2100.
Observa-se que até 2030 as três projeções apresentadas no gráfico são muito semelhantes. As diferenças ocorrem nas décadas seguintes e decorrem de hipóteses diferenciadas, fundamentalmente, sobre o comportamento futuro da taxa de fecundidade. Indubitavelmente, o censo de 2020 vai trazer elementos mais precisos sobre a dinâmica demográfica brasileira atual e fornecerá elementos mais precisos para subsidiar um nova projeção populacional a ser realizada no início da década de 2020.
O que temos de incerteza e de certeza sobre as projeções sobre o futuro da população brasileira no século XXI?
Não há certeza sobre o número exato da população nas próximas décadas e nem a data precisa do momento em que a população vai fazer a transição do crescimento para o decrescimento demográfico (pico populacional). Mas há uma certeza muito grande que a população brasileira vai continuar crescendo nas duas próximas décadas, deve passar por um ponto de inflexão em algum momento da década de 2040 e deve apresentar decrescimento populacional na segunda metade do atual século. É difícil saber qual será o volume exato da população brasileira em 2100, mas se não for os 190 milhões previstos na projeção da ONU, existe uma alta probabilidade que seja um valor menor do que o atual.
Outra certeza é que a sociedade brasileira vai passar por um rápido processo de envelhecimento populacional e a proporção de idosos vai superar a proporção de jovens de 0 a 14 anos. Mas isto é assunto para um outro artigo.
Referências:
IBGE: Projeção da População das Unidades da Federação por sexo e idade: 2000-2030, revisão 2013 http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/projecao_da_populacao/2013/default.shtm
IBGE: Projeção da População (revisão 2018), Rio de Janeiro, 25/07/2018
https://www.ibge.gov.br/estatisticas-novoportal/sociais/populacao/9109-projecao-da-populacao.html?=&t=o-que-e
UN/DESA, World Population Prospects: The 2017 Revision.
https://esa.un.org/unpd/wpp/
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/07/2018