sábado, 12 de janeiro de 2019

DERRETIMENTO DO MANTO DE GELO DA GROENLÂNDIA LIBERA TONELADAS DE METANO NA ATMOSFERA.

Derretimento do manto de gelo da Groenlândia libera toneladas de metano na atmosfera.  


Derretimento do manto de gelo da Groenlândia emite toneladas de metano de acordo com um novo estudo, mostrando que a atividade biológica subglacial afeta a atmosfera muito mais do que se pensava anteriormente.

Bristol University 

degelo
Degelo. Foto de arquivo

Uma equipe internacional de pesquisadores, liderada pela Universidade de Bristol, coletou amostragem da água de degelo que escorre uma grande bacia (> 600 km 2 ) do manto da Groenlândia durante os meses de verão.
Conforme relatado na Nature, usando novos sensores para medir o metano no escoamento de água de degelo em tempo real, eles observaram que o metano era exportado continuamente sob o gelo. Eles calcularam que pelo menos seis toneladas de metano foram transportadas para o local de medição a partir dessa parte da camada de gelo, aproximadamente o equivalente ao metano liberado por até 100 vacas.
O gás metano (CH 4 ) é o terceiro gás de efeito estufa mais importante na atmosfera após vapor d’água e dióxido de carbono (CO 2 ). Embora, presente em concentrações mais baixas que o CO 2 , o metano é aproximadamente 20 a 28 vezes mais potente. Portanto, quantidades menores têm o potencial de causar impactos desproporcionais nas temperaturas atmosféricas. A maior parte do metano da Terra é produzida por micro-organismos que convertem matéria orgânica em CH 4 na ausência de oxigênio, principalmente em áreas úmidas e em terras agrícolas, bem como nos estômagos de vacas e arrozais. O restante vem de combustíveis fósseis como o gás natural.
Embora algum metano tenha sido detectado anteriormente nos núcleos de gelo da Groenlândia e em um lago subglacial antártico, esta é a primeira vez que as águas de degelo produzidas na primavera e no verão em grandes bacias de gelo têm sido continuamente fonte de de metano, do leito para a atmosfera.
O principal autor, Guillaume Lamarche-Gagnon, da Escola de Ciências Geográficas de Bristol , disse: “O que também chama a atenção é o fato de termos encontrado evidências inequívocas de um sistema microbiano subglacial generalizado. Embora soubéssemos que os micróbios produtores de metano provavelmente eram importantes em ambientes subglaciais, o quão importante e difundido eles realmente eram era discutível. Agora vemos claramente que os microrganismos ativos, vivendo sob quilômetros de gelo, não estão apenas sobrevivendo, mas provavelmente impactando outras partes do sistema terrestre. Este metano subglacial é essencialmente um biomarcador para a vida nestes habitats isolados. ”
A maioria dos estudos sobre as fontes de metano do Ártico se concentra no permafrost, porque esses solos congelados tendem a conter grandes reservas de carbono orgânico que podem ser convertidas em metano quando descongelam devido ao aquecimento do clima. Este último estudo mostra que os lençóis de gelo, que contêm grandes reservas de carbono, água líquida, micro-organismos e muito pouco oxigênio – as condições ideais para a criação de gás metano – também são fontes atmosféricas de metano.
A co-pesquisadora Dra. Elizabeth Bagshaw, da Universidade de Cardiff, acrescentou: “As novas tecnologias de sensores que usamos nos dão uma janela para essa parte inédita do ambiente glacial. A medição contínua de água derretida nos permite melhorar nossa compreensão de como esses sistemas fascinantes funcionam e como eles afetam o resto do planeta ”.
Com a Antártida detendo a maior massa de gelo do planeta, os pesquisadores dizem que suas descobertas justificam a transformação do foco para o sul. O Prof. Lamarche-Gagnon acrescentou: “Várias ordens de magnitude a mais de metano foram colocadas abaixo da camada de gelo da Antártida do que abaixo das massas de gelo do Ártico. Como fizemos na Groenlândia, é hora de colocar números mais robustos na teoria ”.
Referência:
Greenland melt drives continuous export of methane from the ice sheet bedby Guillaume Lamarche-Gagnon, Jemma L. Wadham, et al. Nature, Doi: 10.1038/s41586-018-0800-0
http://dx.doi.org/10.1038/s41586-018-0800-0
* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/01/2019

2019 COMEÇA COM RECORDE DE DEGELO NOS POLOS.

2019 começa com recorde de degelo nos polos, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


Os dados mostram que os níveis de degelo do início de 2019 na Antártida estão batendo todos os recordes históricos

extensão da camada de gelo
[EcoDebate] O ano de 2019 começa com recorde de degelo nos polos. Depois de cinco anos sucessivos (2014, 2015, 2016, 2017 e 2018) de recordes de temperaturas globais, fato sem precedentes no Holoceno (últimos 12 mil anos), a deglaciação cresce e tende a aumentar o nível dos oceanos, além de liberar o dióxido de carbono e o gás metano que estão presos sob o gelo, retroalimentando o fenômeno do aquecimento global.
A tendência de perda de gelo é clara ao longo dos últimos 40 anos. As curvas do gráfico acima tem uma distribuição bimodal, pois o hemisfério Norte tem pico de gelo entre fevereiro e março, quando o hemisfério Sul está no vale (mínimo de gelo). O máximo do gelo global acontece entre outubro e novembro. Seguindo as curvas anuais (todas com este mesmo tipo bimodal de distribuição), nota-se que elas mostram uma tendência de queda em relação à média de 1981-2010, embora haja oscilações anuais de curto prazo diferentes da tendência de longo prazo.
Todavia, chama a atenção que o padrão de queda na extensão de gelo, desde setembro de 2016, não tem paralelo nos últimos 40 anos, quando se começou as medidas por satélite. A curva de 2016 sofreu uma queda abruta no último trimestre do ano (outubro a dezembro) e continuou batendo recordes de baixa nos dois primeiros meses de 2017 e 2018. Embora tenha havido variações mensais, o processo de degelo voltou a bater recordes no final de 2018 e no começo de 2019.
O derretimento do gelo marinho vem acontecendo de forma mais abrangente no Ártico, mas preocupa mais na Antártida que possui grandes plataformas congeladas sobre o continente. Na média de 1981-2010, na Antártida, a área congelada foi de 7,19 milhões de km2 no dia 01 de janeiro de cada ano. Mas no dia 01/01/2019, a área com gelo foi de 5,47 milhões de km2, uma diferença para menos de 1,73 milhão de km2 (superior a toda a área da região Nordeste do Brasil de 1,56 milhão de km2). A seguir essa tendência, parece que o verão do hemisfério sul vai reduzir a quantidade de gelo marinho para o nível mais baixo do Holoceno. Isto pode ser um presságio de uma grande catástrofe ambiental a acontecer num futuro não muito distante.
a extensão do gelo marinho na Antártida
A região congelada sobre a água do mar protege parcialmente o bloco de gelo continental da Antártida de entrar em colapso e cair no mar. Por exemplo, o tempo em que a Plataforma Ross está desprotegida do gelo no mar se ampliou e, em 2019, aconteceu de maneira mais precoce: no dia de Ano Novo. O gelo marinho vai continuar diminuindo durante todo o mês de janeiro e fevereiro, podendo continuar diminuindo até início de março. Isto faz com que a energia das ondas, à medida que se infiltra no interior continente, cause fraturas e estresse nas plataformas que estão congeladas por milênios na Antártida.
Iniciado o processo de faturamento das plataformas, seria apenas uma questão de tempo até que as enormes geleiras terrestres da Antártida Ocidental, como as geleiras de Doomsday em Thwaites e Pine Island, colapsem, elevando o nível do mar em até 3 metros e inundando grande parte de todas as cidades costeiras do Planeta. Também na Antártica Oriental, pesquisadores alertaram que a Geleira Totten, , uma enorme camada de gelo com volume suficiente para elevar o nível do mar em pelo menos 3,5 metros, parece recuar, graças ao aquecimento das águas oceânicas. Recentemente se descobriu que um grupo de quatro geleiras a oeste de Totten, além de um punhado de pequenas geleiras mais ao leste, também está perdendo gelo.
O nível do mar já está subindo nas últimas décadas e é cada vez maior as áreas litorâneas do Brasil afetadas pelo avanço do mar. São inúmeros casos, como os que ocorreram na Praia da Macumba, na Zona Oeste do Rio, que perdeu parte do muro de contenção colocado pela prefeitura e grandes trechos da calçada desabaram com a força das ondas; destruição de várias casas na Baía da Traição, no litoral de Paraíba; e, no início de 2019, várias casas foram impactadas na praia Barra de Cunhaú, no município de Canguaretama, a 75 quilômetros de Natal, onde três mil moradores estão ameaçados de inundação e a prefeitura decretou situação de emergência.
O fato inexorável é que o aumento das emissões de gases de efeito estufa (a queima de combustíveis fósseis, liberação de gás metano na pecuária, etc.) eleva a temperatura da atmosfera e dos oceanos e aumenta o degelo global, acelerando a subida do nível dos oceanos. O degelo total dos polos e dos glaciares poderia provocar a elevação do nível dos oceanos em algo como 70 metros. Mas apenas 5% de degelo já seria suficiente para elevar as águas marinhas em mais de 3 metros, fenômeno capaz de provocar grandes danos.
Artigo de Paul Voosen, publicado na revista Science (21/12/2018) mostra que há cerca de 125 mil anos, durante o último breve e quente período entre as eras glaciais, a Terra foi inundada, com as águas subindo de 6 a 9 metros em relação ao padrão atual. As temperaturas durante esse período (Eemiano), eram pouco maiores do que as temperaturas atuais. A fonte de toda a água que inchou os oceanos foi o colapso do manto de gelo do oeste da Antártida. Os glaciologistas se preocupam com a estabilidade atual dessa formidável massa de gelo. Sua base está abaixo do nível do mar, sob o risco de ser prejudicada pelo aquecimento das águas oceânicas, sendo que as geleiras em franjas estão recuando rapidamente.
A partir de uma amostra extraída de um núcleo de sedimentos, o artigo fornece evidências de que o manto de gelo desapareceu no passado geológico recente sob condições climáticas semelhantes às atuais. O período Eemiano não é um análogo perfeito, já que seus níveis do mar provavelmente foram impulsionados por pequenas mudanças na órbita da Terra e no eixo de rotação. Mas as evidências sugerem que o recente degelo na camada de gelo é o começo de um colapso similar, ao invés de uma variação de curto prazo.
Os dados do National Snow & Ice Data Center (NSIDC) mostram que os níveis de degelo do início de 2019 na Antártida estão batendo todos os recordes históricos. Pelo princípio da precaução a humanidade deveria se preocupar com a elevação do nível dos oceanos. Há cerca de dois bilhões de pessoas que vivem a menos de dois metros do nível do mar no mundo.
Se a história do Eemiano se repetir, áreas agricultáveis e áreas urbanas densamente povoadas ficariam debaixo d’água, elevando a probabilidade de aumento da fome, da pobreza, dos refugiados climáticos e, até mesmo, de um colapso civilizacional.
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Referências:
Tamsin Edwards. How soon will the ‘ice apocalypse’ come? The Guardian, 23/11/2017
https://www.theguardian.com/science/head-quarters/2017/nov/23/climate-change-how-soon-will-the-ice-apocalypse-come-antarctica
Eric Holthaus. Antarctic sea ice is ‘astonishingly’ low this melt season, Grist, Jan 3, 2019
https://grist.org/article/antarctic-sea-ice-is-astonishingly-low-this-melt-season/
EarthSky. More East Antarctica glaciers are waking up, January 4, 2019
https://earthsky.org/earth/east-antarctica-glaciers-melt-ice-loss-sea-level-rise
Paul Voosen. Antarctic ice melt 125,000 years ago offers warning, Science, Vol. 362, Issue 6421, pp. 1339, 21 Dec 2018, DOI: 10.1126/science.362.6421.1339
http://science.sciencemag.org/content/362/6421/1339?fbclid=IwAR31FgJA-6qIWBNqNLQUt8NElrGJ00vhf_grzyAhCmwpAvimUdopaZuPBLc
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/01/2019

LIXO JOGADO NAS PRAIAS GERA IMPACTOS AMBIENTAIS, ECONÔMICOS E PREJUÍZO AOS BANHISTAS.

Lixo jogado nas praias gera impactos ambientais, econômicos e prejuízo aos banhistas

Lixo jogado nas praias: Além de deixar a água imprópria para o banho, poluição na areia e nos oceanos causa a morte de animais marinhos




lixo na praia
Comlurb recolheu 757 toneladas de lixo durante Réveillon 2019, sendo 385 em Copacabana. Foto: Comlurb

As festas de fim de ano e as férias levam às praias um grande número de turistas que nem sempre descartam o lixo em local adequado. Segundo um levantamento do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), todos os anos, cerca de 190 mil toneladas de materiais plásticos são lançados ao mar, na costa brasileira.
O descarte incorreto do lixo, principalmente nas praias, interfere diretamente no desenvolvimento das espécies marinhas. De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Queensland, na Austrália, a contaminação dos oceanos, principalmente por plásticos, é responsável pela morte de cerca de 100 mil animais todos os anos.
Segundo o presidente do conselho da Associação MarBrasil, Ariel Scheffer, cerca de 700 espécies marinhas são afetadas pela poluição plástica nos mares, incluindo mais de 260 espécies sob algum grau de ameaça de extinção. “Muitos animais se enroscam e ficam feridos ao terem contato com esse tipo de material, mas o problema principal é a ingestão do plástico, que não é um elemento natural no trato digestivo e acaba causando a morte”, explica.
O biólogo, que é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, destaca que as aves marinhas e as tartarugas são as mais prejudicadas por confundir sacolas com alimentos da cadeia alimentar, como águas vivas e pequenos organismos. “Dos animais encontrados mortos, 100% das tartarugas verdes e 75% das aves marinhas possuem algum tipo de plástico no estômago.”
Mas o problema não está apenas nos chamados “macroplásticos”, que são facilmente visíveis por pessoas e animais. As partículas de plástico com menos de cinco milímetros, denominadas de “microplásticos”, podem ser ingeridas indiretamente por peixes, aves, tartarugas e mamíferos marinhos, levando seis vezes mais tempo para serem eliminados do organismo do que o macroplástico, que é ingerido diretamente. Em muitos casos, estes microplásticos entram na cadeia alimentar do homem, quando ele se alimenta de frutos do mar.
Além de impactar as espécies marinhas, os resíduos descartados nas praias também interferem na vida dos banhistas, que podem se ferir com determinados objetos. A sujeira também reduz a balneabilidade, que é o índice usado para verificar a qualidade da água destinada à recreação. Desse modo, ela se torna imprópria para o banho, podendo gerar contaminação por doenças de pele.
Os prejuízos afetam ainda a economia dos municípios, que precisam aumentar as despesas com a limpeza das praias e perdem a receita com o turismo. No setor da navegação e nas atividades pesqueiras, a produtividade tende a diminuir devido à morte dos peixes e à poluição dos oceanos.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/01/2019

O ENVELHECIMENTO POPULACIONAL NO BRASIL.

O envelhecimento populacional no Brasil, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


envelhecimento populacional no Brasil
[EcoDebate] O Brasil está passando por um forte e rápido processo de envelhecimento populacional. A estrutura etária brasileira rompeu com séculos de estabilidade após o início da queda da taxa de fecundidade, no final da década de 1970. A cada ano, diminui a base da pirâmide e aumenta o número absoluto e a proporção de idosos na população.
No dia 22 de novembro de 2018, fiz uma exposição sobre “O envelhecimento populacional no Brasil”, no II Congresso Nacional de Envelhecimento Humano, em Curitiba. A apresentação pode ser acessada no link disponível abaixo, na referência deste artigo.
O gráfico resume os valores absolutos e relativos do envelhecimento populacional brasileiro. Nota-se que, em 1950, havia 2,6 milhões de idosos (com 60 anos e mais), representando 4,9% da população total. Este número deu um salto para 29,8 milhões em 2020 (representando 14% do total populacional). O número absoluto de idosos vai dobrar nas próximas duas décadas e deve alcançar 60 milhões de idosos entre 2040 e 2045.
A população brasileira vai atingir o pico populacional em 2047, com 233 milhões de habitantes, iniciando uma fase de decrescimento no restante do século. Mas a quantidade de idosos vai continuar crescendo até 2075, quando atingirá o pico de 82 milhões de idosos de 60 anos e mais. Segundo as projeções da ONU (que são muito parecidas com as projeções do IBGE), o número de idosos no Brasil será em torno de 75 milhões em 2100.
Para garantir qualidade de vida para a população brasileira envelhecida é preciso aproveitar o 1º bônus demográfico (que vai até 2037) e, especialmente, garantir o 2º bônus demográfico, que não tem prazo de validade, mas depende do aumento das taxas de poupança e investimento e do aumento geral da produtividade da economia.
As políticas públicas não podem focar apenas os idosos, pois seria impossível manter uma boa qualidade de vida para a Terceira Idade, sem grandes investimentos também nas crianças, nos jovens e nos adultos em idade de trabalhar. O investimento em saúde, educação e no “Pleno emprego e trabalho decente” é fundamental para garantir a solidariedade intergeracional.
Mais informações na apresentação abaixo:
Referência:
ALVES, JED. O envelhecimento populacional no Brasil, II Congresso Nacional de Envelhecimento Humano (CNEH), em Curitiba, 22 a 24 de novembro de 2018
https://pt.scribd.com/document/393950139/O-Envelhecimento-Populacional-no-Brasil
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/01/2019

CINCO DICAS PARA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL E EQUILIBRADA.

5 dicas para uma alimentação saudável e equilibrada em 2019.                                         


Seja qual for a sua resolução de ano novo, uma dieta saudável e equilibrada vai trazer muitos benefícios em 2019 e nos próximos anos.

O que comemos e bebemos pode afetar a capacidade do nosso corpo de combater infecções, bem como a probabilidade de desenvolver problemas de saúde mais tarde — entre eles, a obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e diversos tipos de câncer.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reuniu cinco orientações para começar o Ano Novo com uma alimentação saudável.
ONU

Nos lanches, prefira frutas a alimentos processados, que costumam ser ricos em açúcar e sal. Foto: PEXELS (CC)/Daria Shevtsova
Nos lanches, prefira frutas a alimentos processados, que costumam ser ricos em açúcar e sal. Foto: PEXELS (CC)/Daria Shevtsova
Seja qual for a sua resolução de ano novo, uma dieta saudável e equilibrada vai trazer muitos benefícios em 2019 e nos próximos anos. O que comemos e bebemos pode afetar a capacidade do nosso corpo de combater infecções, bem como a probabilidade de desenvolver problemas de saúde mais tarde — entre eles, a obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e diversos tipos de câncer.
Os ingredientes exatos de uma dieta saudável dependem de diferentes fatores, como a idade da pessoa e seu nível de atividade. Uma alimentação adequada também depende dos tipos de alimentos que estão disponíveis nas comunidades onde se vive. Mas em todas as culturas, existem algumas dicas comuns de alimentos que podem ajudar a ter uma vida mais longa e saudável.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reuniu cinco orientações para começar 2019 com uma alimentação saudável:

1. Coma alimentos variados


Prefira alimentos frescos e variados aos processados. Foto: PEXELS (CC)
Prefira alimentos frescos e variados aos processados. Foto: PEXELS (CC)
Nossos corpos são incrivelmente complexos e — com a exceção do leite materno para bebês — nenhum alimento contém todos os nutrientes de que precisamos para que nosso organismo funcione da melhor maneira. Para manter o corpo forte e saudável, as dietas devem, portanto, conter uma grande variedade de alimentos frescos e nutritivos. Algumas dicas para garantir uma dieta equilibrada:
  • Em sua dieta diária, procure comer uma mistura de alimentos básicos, como trigo, milho, arroz e batatas, com leguminosas, como lentilhas e feijões, além de muitas frutas e vegetais frescos e alimentos de origem animal (no caso desses últimos, apenas para quem não é vegetariano e ou vegano);
  • Escolha alimentos integrais, como milho não processado, aveia, trigo e arroz, quando puder. Eles são ricos em fibras valiosas e podem te ajudar a se sentir saciado por mais tempo;
  • Caso consuma carne, escolha as peças mais “magras” sempre que possível ou remova a gordura “visível”;
  • Tente cozinhar ou ferver os alimentos em vez de fritá-los;
  • Para lanches, escolha vegetais crus, nozes sem sal e frutas frescas em vez de alimentos com alto teor de açúcares, gorduras ou sal.

2. Reduza a quantidade de sal


Foto: PEXELS (CC)/Artem Bali
Foto: PEXELS (CC)/Artem Bali
Em grandes quantidades, o sal pode elevar a pressão arterial (hipertensão), o que é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Em todo o mundo, a maioria das pessoas consome muito sal: em média, usamos o dobro do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – 5 g, o equivalente a uma colher de chá por dia.
Mesmo não adicionando sal “extra” em nossa comida, devemos estar cientes de que ele é comumente colocado em alimentos processados ou bebidas e, muitas vezes, em quantidades elevadas.
Algumas dicas para reduzir a ingestão de sal:
  • Ao cozinhar e preparar alimentos, use sal com moderação e reduza o uso de molhos e condimentos salgados (como molho de soja, caldo de carne ou molho de peixe);
  • Evite lanches ricos em sal e tente escolher alimentos saudáveis e frescos em vez de alimentos processados;
  • Ao usar vegetais enlatados ou secos, nozes e frutas, escolha variedades sem adição de sal e açúcares;
  • Remova condimentos salgados da mesa e evite adicioná-los por simples hábito. Nosso paladar pode se ajustar rapidamente e, quando isso acontece, é provável que você aprecie alimentos com menos sal e mais sabor;
  • Verifique os rótulos dos alimentos e procure produtos com menor teor de sódio.

3. Reduza o uso de certas gorduras e óleos


OPAS recomenda reduzir o consumo de carnes processadas. Foto: PEXELS (CC)
OPAS recomenda reduzir o consumo de carnes processadas. Foto: PEXELS (CC)
Todos nós precisamos de um pouco de gordura em nossa dieta, mas comer demais – especialmente os tipos errados de gordura – aumenta os riscos de obesidade e doenças cardiovasculares.
As gorduras trans produzidas industrialmente são as mais perigosas para a saúde. Descobriu-se que uma dieta rica nesse tipo de gordura aumenta o risco de doença cardíaca em quase 30%.
Algumas dicas para reduzir o consumo de gorduras:
  • Troque manteiga, banha e “ghee” por óleos mais saudáveis, como soja, canola, milho, cártamo e girassol;
  • Caso consuma alimentos de origem animal, escolha carnes brancas, como frango e peixe, que geralmente têm menor teor de gorduras, e limite o consumo de carnes processadas;
  • Verifique os rótulos e sempre evite alimentos processados, “rápidos” e fritos, que contenham gordura trans produzida industrialmente. Ela é frequentemente encontrada em margarina e “ghee”, bem como em lanches pré-embalados, fast food, assados e fritos.

4. Limite a ingestão de açúcar


Foto: PEXELS (CC)
Foto: PEXELS (CC)
O excesso de açúcar não é ruim apenas para os dentes, mas aumenta o risco de ganho de peso e obesidade, que podem levar a sérios problemas crônicos de saúde.
Tal como acontece com o sal, é importante ter em mente a quantidade de açúcares “ocultos” que podem ser encontrados em alimentos e bebidas processados. Uma única lata de refrigerante, por exemplo, pode conter até dez colheres de chá extras de açúcar.
Algumas dicas para reduzir a ingestão de açúcar:
  • Limite a ingestão de doces e bebidas açucaradas, como refrigerantes, sucos de frutas, concentrados líquidos e em pó, água aromatizada, bebidas energéticas e esportivas, chá e café prontos para consumo e bebidas lácteas com diferentes sabores;
  • Escolha lanches frescos e saudáveis em vez de alimentos processados;
  • Evite dar alimentos açucarados para crianças. Sal e açúcares não devem ser adicionados aos alimentos complementares oferecidos a meninos e meninas com menos de dois anos de idade e devem ser limitados após essa idade.

5. Evite o uso nocivo de álcool


OMS aponta que não há níveis seguros para o consumo de álcool. Foto: PEXELS (CC)
OMS aponta que não há níveis seguros para o consumo de álcool. Foto: PEXELS (CC)
O álcool não faz parte de uma dieta saudável, mas em muitas culturas, as celebrações de Ano Novo estão associadas ao seu consumo nocivo. Em geral, beber demais ou com muita frequência aumenta o risco imediato de lesões, além de causar efeitos de longo prazo, como danos ao fígado, câncer, doenças cardiovasculares e transtornos mentais.
A OMS informa que não há nível seguro de consumo de álcool. Para muitas pessoas, mesmo os níveis baixos de consumo ainda podem estar associados a riscos significativos à saúde. Confira algumas dicas da OPAS:
  • Lembre-se: consumir menos álcool é sempre melhor para a saúde e é perfeitamente aceitável não beber;
  • Você não deve beber álcool se: estiver grávida ou amamentando; dirigir, operar máquinas ou empreender outras atividades que envolvam riscos relacionados; tem problemas de saúde que podem ser agravados pelo álcool; está tomando medicamentos que interagem diretamente com o álcool; ou tem dificuldades em controlar seu consumo;
  • Se você ou alguém que você ama tem problemas com álcool ou outras substâncias psicoativas, não tenha medo de pedir ajuda a um profissional de saúde ou serviço especializado em drogas e álcool. A OMS também desenvolveu um guia de autoajuda para orientar pessoas que desejam reduzir ou interromper seu uso. Acesse aqui.
Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/12/2018

RETOMADA À CAÇA DE BALEIAS NO JAPÃO É RETROCESSO, DIZ BRASIL.

Retomada à caça de baleias no Japão é retrocesso, diz Brasil


O ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, chamou ontem (26) de “grande retrocesso no cenário global” a decisão anunciada pelo governo do Japão de retomar a caça de baleias e deixar Comissão Internacional da Baleia (CIB).

caça de baleia
Caça de baleia. Foto: Agência Brasil – EBC / Reuters/Toru Hanai/Direitos Reservados

Em nota, o Ministério do Meio Ambiente informa que tal iniciativa “ ignora a posição majoritária dos países”. Ressalta ainda que o Brasil é um defensor de todas as formas de vida.
“O Brasil historicamente postula pela defesa de todas as formas de vida nos mares do planeta, principalmente dos cetáceos [animais marinhos que pertencem à classe dos mamíferos], que têm muitas espécies ameaçadas de extinção”, diz o comunicado. “Temos muito a avançar e somente por meio da atuação integrada dos países-membros da CIB poderemos ter êxito na proteção dessas espécies e em outras agendas relacionadas, como o combate ao lixo no mar e ao aquecimento global.”
O texto destaca também que há no Brasil um esforço para garantir a preservação de várias espécies. “Em nossa zona exclusiva, protegemos as baleias jubarte e franca, os golfinhos, as tartarugas e manejamos a pesca de espécies comerciais para garantir a sobrevivência das espécies mais exploradas. Além disso, ampliamos as unidades de conservação costeiras marinhas de 1,5% para 26%, para preservar os hábitats da fauna marinha.”
O comunicado lembra que, na Declaração de Florianópolis, foi reafirmada a importância da manutenção da moratória à caça comercial de baleias e da obrigação da CIB de garantir financiamento adequado para atividades de conservação e uso não letal e não extrativo de cetáceos, como o turismo de avistamento.
O governo da Austrália também lamentou a decisão das autoridades japonesas e apelou para que revisem a medida e abandonem a iniciativa de retomar a caça comercial de baleias a partir de julho de 2019.
Da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/12/2018

CRESCE A PRESENÇA DE MULHERES CHEFES DE FAMÍLIA ENTRE IDOSOS NO BRASIL.

Cresce a presença de mulheres chefes de família entre os idosos no Brasil, artigo de José Eustáquio Diniz Alves.         
     


[EcoDebate] O Brasil passou por uma mudança significativa na relação de poder no seio das famílias nos primeiros 15 anos do século XXI. Enquanto o total de famílias brasileiras aumentou 39% em 15 anos, passando de 51,5 milhões em 2001 para 71,3 milhões em 2015, as famílias chefiadas por mulheres dobrou em termos absolutos, subindo de 14,1 milhões em 2001 para 28,9 milhões em 2015, um aumento relativo de 105%. Em termos percentuais, as famílias chefiadas por homens diminuiu de 72,6% em 2001 para 59.5% em 2015, enquanto o percentual de famílias chefiadas por mulheres subiu de 27,4% para 40,5%, no mesmo período.
Mas este aumento não foi uniforme entre os diversos grupos etários. A distribuição por idade das mulheres chefes de família tem a forma de um “U”, ou seja, as percentagens são mais altas nos extremos das idades e mais baixas no meio, como pode ser observado no gráfico abaixo. Em 2001, este formato era mais acentuado e a percentagem de chefias femininas era mais elevada entre as adolescentes e as idosas. Em 2015, houve um aumento nos grupos etários intermediários, diminuindo bastante a envergadura da forma em “U”.
No grupo etário de 15 a 19 anos o percentual de mulheres chefiando as famílias era de 55,6% em 2001 e passou para 57,6% em 2015. Isto acontece porque muitas dessas mulheres são adolescentes com filhos que não possuem cônjuge e moram com os pais, fruto das altas taxas de fecundidade na adolescência, que apesar da diminuição na última década, apresenta um nível elevado e incompatível com a baixa taxa de fecundidade total. Nos grupos etários entre 25 e 59 anos a percentagem fica abaixo de 40%.
distribuição relativa das famílias chefiadas por mulheres
Entre as idosas (60 anos e mais), ao longo do curso de vida, o percentual de mulheres chefes de família volta a ficar acima da média para o conjunto das idades. Isto ocorre porque cresce novamente o percentual de famílias monoparentais femininas em decorrência de separações ou viuvez e o percentual de mulheres vivendo sozinhas. O fato é que, depois de adultas, a chefia feminina cresce com a idade e, entre os idosos brasileiros, há quase paridade (50%/50%) entre as chefias entre homens e mulheres.
A tabela abaixo mostra que o percentual de mulheres chefes de família na população como um todo, em 2001, era de 27,4% e entre a população idosa era de 37,8%. Em 2015, estes percentuais subiram para 40,5% e 45,5%. Devido ao processo de envelhecimento populacional, o percentual de chefias idosas aumentou entre 2001 e 2015, com os homens idosos chefes passando de 16,9% para 24,2% e as mulheres chefes idosas passando de 27,2% para 29,6%.
distribuição absoluta e relativa de chefes de família entre idosos
Em 2001, havia 6,3 milhões de homens idosos chefes de família, número que passou para 10,3 milhões em 2015, um aumento de 62,7% em 15 anos. Já as chefias femininas entre os idosos passou de 3,8 milhões em 2001 para 8,6 milhões em 2015, um aumento de 123,6%.
O perfil dos chefes de família, por sexo, foi descrito no livro “Mulheres Chefes de Família no Brasil: Avanços e Desafios”, dos autores Suzana Cavenaghi e José Eustáquio Alves e publicado pela Escola Nacional de Seguros, no Dia Internacional da Mulher, 08 de março de 2018. O estudo (que pode ser acesso livremente), indicou que o grande crescimento da chefia feminina entre 2001 e 2015 não se deve apenas aos fatores clássicos de empoderamento feminino – como a educação e o emprego – mas também aos indicadores de maior envolvimento com as responsabilidades domésticas.
Indubitavelmente, o Brasil passa por um reordenamento da estrutura de poder no seio das famílias. Quer seja por oportunidades, fatalidades ou conveniências diversas, há uma tendência para uma maior equidade entre homens e mulheres nos arranjos familiares no país. E o interessante é que a maior equidade de gênero ocorre com mais força entre a população idosa.
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Referência:
CAVENAGHI, S., ALVES, JED. Mulheres Chefes de Família no Brasil: Avanços e Desafios, Rio de Janeiro, ENS-CPES, 2018. http://www.funenseg.org.br/arquivos/mulheres-chefes-de-familia-no-brasil-estudo-sobre-seguro-edicao-32_1.pdf
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/12/2018