quarta-feira, 18 de novembro de 2020

VENENO À NOSSA MESA - O BRASIL É O MAIOR PAÍS QUE MAIS CONSOME AGROTÓXICOS.

 Veneno à nossa mesa – O Brasil é o país que mais consome agrotóxicos

IHU

Abrimos o especial sobre “Agro É Tóxico”, durante a pandemia sanitária de Sars-Cov-2, com um tema preocupante, o Brasil se destaca como o maior consumidor de agrotóxicos do mundo.

A reportagem é de Antony Corrêa, Jade Azevedo e Lucas Souza, publicada por Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, 12-11-2020.

O ano de 2020 está quase no fim, e já é considerado como um ano atípico, no qual, as condições de vida e subsistências de trabalhadoras e trabalhadores foi severamente afetada. No Brasil, temos a triste marca de 163.406 mortes pelo novo coronavírus até a metade do mês de novembro. Em contrapartida, há setores e grupos de empresas que parecem passar pelo oposto, com conquistas e lucros durante este período. É o que acontece com a indústria do agro-minério-negócio, além do aumento do seu Produto Interno Bruto (PIB) em cerca de 2,42% de janeiro a fevereiro, é crescente as aprovações de registros de agrotóxicos para fabricação e uso em nosso país.

Nos cinco primeiros meses do ano, em plena pandemia sanitária de Covid-19, o Ministério da Agricultura já havia publicado o registro de 150 agrotóxicos para uso no Brasil. Destes, 118 agrotóxicos foram liberados só entre março a maio, com 84 deles destinados agricultura e 34 para uso na indústria. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), aponta que parte dessas novas mercadorias devem ser reavaliadas, pelas possíveis ligações a casos de câncer. Concomitante a isso, as empresas que concentram a produção de veneno, já haviam solicitado a liberação de mais 216 produtos.

O número de aprovações neste ano já foi maior do que o ocorrido no mesmo período de 2019. O que é preocupante, já que no ano anterior se havia batido o recorde de aprovações, com 474 novos produtos anualmente. Em setembro de 2020 já havíamos atingido a marca de 315 novas autorizações publicadas, como se pode observar no gráfico a seguir.

registro anual de agrotóxicos no Brasil
Registro anual de agrotóxicos no Brasil de 2000-2020. (Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2020)

Como informa a Agência Repórter Brasil (2020), entre os agrotóxicos aprovados estão produtos que foram banidos em outras nações, como o Fipronil, inseticida banido em 2004 na França, o Clorotalonil, banido na União Europeia e Estados Unidos, e o Clorpirifós, banido na União Europeia. Estes dois últimos, por afetarem o as células favorecendo o aparecimento de câncer, e neurotoxicidade que afeta o desenvolvimento humano.

As aprovações só foram possíveis pelo fato de serem enquadradas como atividades essenciais durante a pandemia. As licenças para fabricação de veneno se distribuem entre 53 empresas de 11 países. No entanto, diferente de 2019, este ano, os registros se concentram nas mãos de empresas brasileiras, com destaque a AllierBrasil.

Uma herança para produzir alimentos lucro

No Brasil, o uso do agrotóxico foi integrado ao Plano Nacional de Desenvolvimento Agrícola (PNDA) de 1975, que incentivou financeiramente as indústrias de fabricação desses produtos, e contribuiu na difusão do argumento da produção de alimentos em escala para resolver o problema da fome no mundo. O Brasil, hoje, é o terceiro maior produtor de alimentos do mundo e o segundo maior exportador, atrás apenas dos Estados Unidos. E mesmo ao liderar essas produções de larga escala como a soja, o milho e carne, a fome no Brasil tem aumentado. O que suscita as questões: que tipo de “alimento” é produzido? Mercadoria? Para quem? Com que qualidade nutricional? E a que custo?

De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em setembro deste ano, a fome, insegurança alimentar grave, atingiu cerca de 4,6% da população entre 2017 a 2018. São mais de 10 milhões de brasileiros com menos do que o necessário para suprir as demandas nutricionais. Essa pesquisa é apresentada, cinco anos depois do Brasil ter saído do mapa da fome. Estatística da qual o país tem se aproximado rapidamente com os desmontes da política de segurança alimentar. Outro argumento para o agrotóxico defendido por corporações transnacionais é que isso representa a modernização da técnica e agricultura. Ao investigar o tema, se percebe que a aplicação do agrotóxico no agronegócio é mais do que um melhoramento técnico. É uma articulação política e econômica entre latifundiários, indústrias transnacionais químicas e de biotecnologia que trabalham pelo mercado, o que amplia a taxa de lucro e o poder político global desses conglomerados.

O agronegócio financia a política

No Brasil, existe uma articulação se torna nítida ao olharmos para os financiadores da Frente Parlamentar da Agropecuária, popular bancada ruralista. Essa, recebe recursos do Instituto Pensar Agro, financiado por 38 associações do agronegócio ─ conglomerados que concentram o controle deste ramo no país e no mundo. No Infográfico a seguir podemos observar 12 dessas associações, que exercem maior influência.

 

Brasil: O maior consumidor de agrotóxicos

A média anual de uso dos agrotóxicos no Brasil entre 2012 a 2014 totalizaram 877.782 toneladas, de acordo com o atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia de 2017, contabilizando: 334.628 toneladas no Centro-Oeste, 244.911 no Sul, 188.512 no Sudeste, 101.460 no Nordeste e 28.271 no Norte.

Em 2017, com cerca de 550 mil toneladas de ingredientes ativos, o Brasil alcançou o título de maior consumidor de agrotóxicos em volume de produto do planeta ㅡ de acordo com os dados da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados apresentados em audiência de 2019 em Brasília.

Leonardo Melgarejo, engenheiro agrônomo e integrante do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos, comenta que existem estudos que tentam dizer o contrário, e são amplamente divulgados em órgãos institucionais, pela Frente Parlamentar da Agricultura, a bancada ruralista.

Esses “números são feitos com base [na venda e] no valor do agrotóxico utilizado por hectare”, o que coloca países como o Japão na frente do Brasil. Podemos ter a falsa impressão de que esses países consomem mais veneno, por gastarem mais dólares em agrotóxicos que são mais seguros. “Nessa conta parece que no Brasil se usa menos do que fato é utilizado. Nós usamos mais venenos e os piores venenos”, alerta Melgarejo.

O pesquisador destaca como confiável o método produzido na Universidade Federal do Mato Grosso, por Wanderlei Pignati, que considera para o cálculo os principais municípios produtivos, a área cultivada das principais culturas e as informações dos produtos mais aplicados. Isso permite chegar a uma média que extrapolam para toda a área cultivada, e se estima os dados que faltam das vendas ilegais de agrotóxicos. Essa estimativa é de “um bilhão de litros de agrotóxicos por ano. Dá uns 30% a mais do que as vendas contabilizadas pelo IBAMA”, observa.

Melgarejo observa que a flexibilização da legislação tem aumentado o descuido com a informação e consequentemente a contaminação. Um exemplo recente é o caso do Paraquat, proibido em 2017 pela ANVISA, com o prazo de três anos para a retirada do produto do mercado brasileiro. Em setembro, o produto deveria ser banido e excluído de todas as prateleiras. Contrariando as suas decisões anteriores a Anvisa cedeu às pressões do agronegócio e autorizou o uso do estoque de Paraquat.

Entenda um pouco mais: o que são agrotóxicos?

De acordo com o decreto nº 4.074, de 4 de janeiro de 2002, os agrotóxicos são: produtos e componentes resultantes de processos físicos, químicos ou biológicos. Destinados ao uso nos setores de produção, armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na produção de florestas nativas ou implantadas. Também são utilizados em outros ecossistemas com a finalidade de alterar a composição da flora e fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos. São conhecidos ainda como substâncias e produtos desfolhantes, dessecantes, estimulantes e inibidores de crescimento.

Um marco regulatório da Anvisa de 2019, alterou a classificação de toxicidade dos agrotóxicos, adotando o padrão internacional, com cinco divisões, o Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos (GHS). Por este novo padrão, são considerados venenos extremamente tóxico apenas aqueles produtos que causarem morte horas depois do contato ou ingestão pelo indivíduo. Agrotóxicos “pouco tóxicos” não terão mais a advertência de risco no rótulo. Dessa forma, dos agrotóxicos aprovados no início do ano, apenas seis produtos haviam sido classificados como extremamente ou altamente tóxicos. Podemos observar esta nova classificação no infográfico.

O veneno paira no ar

Pode ser considerado um agrotóxico todo produto que for tóxico para a agricultura e pecuária. Leonardo Melgarejo, aponta que os agrotóxicos podem ser extratos de plantas como também de síntese química. Esse último, predomina na agricultura atualmente, e são formulações desenvolvidas em laboratórios que geram o xenobiótico. Essas substâncias têm uma finalidade específica, como matar determinado inseto, entretanto possuem ações colaterais. Um exemplo desse efeito colateral citado pelo engenheiro agrônomo, é a “luta dos produtores de uva contra os produtores de soja, quando os produtores de soja usam o 2,4-D, que é um herbicida para limpar as suas lavouras”. O que acontece é que este herbicida fica à deriva no ar, atinge os parreirais dos vizinhos, e afeta a produção das uvas.

Caso semelhante é relatado pela agricultora assentada Maria Aparecida Mota Belarmindo (Cida), 43 anos, natural da Paraíba, e moradora do Assentamento Olívio Albani, em Campo Erê, Santa Catarina. Ela nos relatou o caso ocorrido na região em 2007, em que fazendeiros despejavam veneno sobre o acampamento localizado entre os latifúndios. “Quando a gente veio pra cá, eles passavam de avião o veneno, nas propriedades deles, a gente fica bem no meio, e nos quatro lados tem fazendeiro. A gente denunciou para Ministério Público, para IBAMA, para a FATMA, pra tudo”, lembra a camponesa.

Ela conta que logo em seguida da aplicação dos agrotóxicos, muita gente ficou doente por causa das águas, daquele veneno. Parte das pessoas afetadas foram internada no hospital em Campo Erê e parte em Palma Sola. Entre os sintomas estava a diarréia e vômito. Cida, relembra que os vizinhos durante este período continuaram a aplicação do veneno até o final da safra, e depois que o caso repercutiu, passaram a fazer as aplicações com máquinas de solo.

Ela associa alguns problemas na saúde mental das pessoas no assentamento à exposição ao veneno, “tem bastante gente muito ansiosos, nervosos aqui no assentamento, por causa disso, por causa do veneno”. Outro problema que permanece atualmente, é a monocultura de pinus que cerca a vizinhança, e que Cida também considera um veneno para a saúde.

A camponesa e assentada relata que depois de um longo período, mesmo não havendo mais aplicação de veneno por aviões, os impactos da persistência do agrotóxico e envenenamento da terra são perceptíveis. “A gente plantava as frutas e não dava nada, principalmente a parreira, a uva, não dava por causa dos veneno da soja”. Ela relata, que mesmo com barreiras contra o veneno, seu vizinho seguia a plantação de soja. “Teve uma época ali que as minhas uvas não vinham por causa disso […] aqui no assentamento [agora] é proibido plantar soja por causa do veneno, porque ele é muito mais forte, mata mais, e trás outras doenças e outras pragas”, destaca.

Cida e tantas outras camponesas e camponeses que produzem agroecologicamente e/ou que estão em processo de transição são pontos de resistência que em meio às contradições do sistema e violência do agro-minério-negócio, florescem por meio de suas experiências ancoradas em um projeto de sociedade e de campo que é popular e que respeita às formas milenares de produzir da natureza.

Neste atual cenário do Brasil o debate sobre a produção de alimentos e uso de agrotóxicos é constante dentro da luta dos Movimentos Sociais pelo direito à alimentação e Reforma Agrária Popular, que discute técnicas agrícolas, pecuárias, questões políticas, conômicas, sociais e formativas de concepção de mundo, enquanto projeto de campo e sociedade. Neste bojo, publicaremos ao longo das semanas o “Especial Agro é tóxico”, com o intuito de pôr elementos para a discussão sobre: o cenário nacional, a legislação sobre agrotóxico, saúde e contaminação e a contraposta que vem sendo construída pelos movimentos sociais do campo, por meio da agroecologia e Reforma Agrária Popular.

(EcoDebate, 16/11/2020) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

A COVID-19 BATE TODOS OS RECORDES GLOBAIS EM NOVEMBRO.

 A covid-19 bate todos os recordes globais em novembro

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

[EcoDebate] Em vez de retroceder a pandemia avança no mundo. Os primeiros casos da covid-19 foram identificados na China em dezembro de 2019. Mas a doença só foi definida como uma epidemia na China em janeiro de 2020 e só foi reconhecida como uma pandemia global no dia 11 de março pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Da China, a pandemia se espalhou para outros países do Leste Asiático, atingiu fortemente o Irã e depois chegou à Europa e aos Estados Unidos (EUA). A pandemia chegou forte na América Latina entre maio e julho. Em diferentes ondas, o surto pandêmico avançou em fluxos e refluxos pelas diferentes regiões do mundo, mas os recordes de casos e de mortes aconteceram nas duas semanas de novembro. No dia 15/11, o mundo registrou mais de 54 milhões de casos e 1,32 milhão de mortes, no montante acumulado.

O número global de pessoas infectadas foi de 772 mil casos em março, pulou para 4,3 milhões em junho, 8,6 milhões em setembro, 12 milhões em outubro e deve ultrapassar 15 milhões em novembro. O número global de vidas perdidas para a covid-19 foi de 42 mil em março, bateu o recorde de 193 mil em abril, reduziu o ritmo nos meses seguintes, mas ficou em 172 mil no mês de outubro. Tudo indica que novembro de 2020 terá um novo pico de mortalidade com mais de 200 mil vítimas fatais em um único mês.

O gráfico abaixo, da OMS, mostra o número de casos por semana epidemiológica ao longo do ano de 2020, com destaque para as grandes regiões. O que mais chama a atenção no gráfico é o crescimento continuado e sustentado do número de casos semanais ao longo de 2020. Na semana de 03 a 09 de fevereiro ocorrem 23 mil casos no mundo. Na semana de 13 a 19 de abril foram 540,9 mil casos. Na semana passada, de 09 a 15 de novembro foram cerca de 4 milhões de casos. Portanto, o número de casos semanais cresceu de forma expressiva e ainda não há sinais de interrupção.

Dos 4 milhões de casos da semana de 09 a 15/11, um montante de 1,84 milhão ocorreram na Europa, o número de 1,45 milhão nas Américas, cerca de 374 mil no Sudeste da Ásia, 238 mil no Mediterrâneo Oriental, 41 mil na África e 33 mil no Pacífico Ocidental.

OMS, mostra o número de casos por semana epidemiológica ao longo do ano de 2020

O gráfico seguinte, também da OMS, mostra o número de óbitos por semana epidemiológica ao longo do ano de 2020. Na semana de 03 a 09 de fevereiro ocorrem 508 mortes no mundo e o pico foi atingido na semana de 13 a 19 de abril com 51 mil óbitos na semana. Nas semanas seguintes houve oscilação, mas sempre com montantes menores do que o pico de abril. Contudo, na semana de 02 a 08 de novembro houve 53,9 mil mortes superando o pico de abril. E o pior, a subida não parou ai e na semana de 09 a 15 de novembro houve o recorde de 60 mil óbitos em 7 dias, representando mais de 8,5 mil mortes por dia (o que dá 6 mortes por minuto no mundo).

Dos 60 mil óbitos da semana de 09 a 15/11, a metade, um montante de 29 mil, ocorreu na Europa, um número de 19 mil óbitos nas Américas, cerca de 4,5 mil no Sudeste da Ásia, 5,8 mil no Mediterrâneo Oriental, 836 na África e 438 no Pacífico Ocidental.

covid-19 - número de óbitos por semana epidemiológica ao longo do ano de 2020

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou para a chegada do inverno no Hemisfério Norte e sua relação com o aumento do surto de infecções na Europa e na América do Norte. Alguns países estão na 2ª onda e outros na 3ª onda. Diversos países da Europa e da América do Norte estão tomando medidas de isolamento social e quarentena contra o novo ressurgimento da covid-19. Provavelmente, medidas serão tomadas para evitar aglomerações no natal e no réveillon.

Segundo dados do Ministério da Saúde, na semana que passou, de 08 a 14 de novembro, houve um aumento significativo do número de casos e de mortes no Brasil, revertendo a tendência de queda que vinha ocorrendo desde o início de agosto.

Parece que a segunda onda da covid-19 no país vai começar para valer depois da “primeira onda” (primeiro turno) das eleições de 2020.

As autoridades públicas precisam olhar para o que acontece na Europa e na América do Norte para tomar medidas preventivas no sentido de evitar uma nova grande onda de mortandade no território brasileiro.

José Eustáquio Diniz Alves
Colunista do EcoDebate.
Doutor em demografia, link do CV Lattes:
 http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:

ALVES, JED. A pandemia de Coronavírus e o pandemônio na economia internacional, Ecodebate, 09/03/2020

https://www.ecodebate.com.br/2020/03/09/a-pandemia-de-coronavirus-covid-19-e-o-pandemonio-na-economia-internacional-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. A América Latina responde por mais de 40% das mortes da covid-19 há mais de 2 meses, Ecodebate, 24/08/2020 https://www.ecodebate.com.br/2020/08/24/a-america-latina-responde-por-mais-de-40-das-mortes-da-covid-19-ha-mais-de-2-meses/

ALVES, JED. A Argentina ultrapassa o Chile e ocupa o 10º lugar no ranking global dos casos da covid-19, Ecodebate, 31/08/2020 https://www.ecodebate.com.br/2020/08/31/a-argentina-ultrapassa-o-chile-e-ocupa-o-10-lugar-no-ranking-global-dos-casos-da-covid-19/

ALVES, JED. A Índia é o novo epicentro da pandemia global, Ecodebate, 14/09/2020

https://www.ecodebate.com.br/2020/09/14/covid-19-a-india-e-o-novo-epicentro-da-pandemia-global/

ALVES, JED. A pandemia bate recorde nos EUA e Trump perde as eleições, Ecodebate, 09/11/2020 https://www.ecodebate.com.br/2020/11/09/a-pandemia-bate-recorde-nos-eua-e-trump-perde-as-eleicoes/

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/11/2020

terça-feira, 10 de novembro de 2020

CONFIRMADO LA NIÑA, DE MODERADO A FORTE, EM 2020/2021; VEJA OS IMPACTOS ESTIMADOS.

 Confirmado La Niña, de moderado a forte, em 2020/2021; Veja os impactos estimados

O La Niña se desenvolveu e deve durar até o próximo ano, afetando as temperaturas, a precipitação e os padrões de tempestades em muitas partes do mundo, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

A declaração global de um evento La Niña é usada por governos para mobilizar o planejamento em setores sensíveis ao clima, como agricultura, saúde, recursos hídricos e gestão de desastres. A OMM está agora intensificando seu apoio e aconselhamento para agências humanitárias internacionais para tentar reduzir os impactos entre os mais vulneráveis ​​em um momento em que as capacidades de enfrentamento são esticadas pela pandemia COVID-19.

O La Niña deste ano deve ser moderado a forte. A última vez que houve um evento forte foi em 2010-2011, seguido por um evento moderado em 2011-2012.

La Niña refere-se ao arrefecimento em grande escala das temperaturas da superfície do oceano no Oceano Pacífico equatorial central e oriental, associado a alterações na circulação atmosférica tropical, nomeadamente ventos, pressão e precipitação. Geralmente tem impactos opostos sobre o tempo e o clima como o El Niño, que é a fase quente do chamado El Niño Oscilação Sul (ENOS).

“El Niño e La Niña são os principais condutores naturais do sistema climático da Terra. Mas todos os eventos climáticos de ocorrência natural agora ocorrem em um contexto de mudança climática induzida pelo homem, que está exacerbando as condições meteorológicas extremas e afetando o ciclo da água ”, disse o Secretário-Geral da OMM, Professor Petteri Taalas.

“La Niña normalmente tem um efeito de resfriamento nas temperaturas globais, mas isso é mais do que compensado pelo calor retido em nossa atmosfera pelos gases de efeito estufa. Portanto, 2020 continua no caminho de ser um dos anos mais quentes já registrados e espera-se que 2016-2020 seja o período de cinco anos mais quente já registrado ”, disse o professor Taalas. “Os anos de La Niña agora são mais quentes do que os anos com fortes eventos El Niño do passado.”

A nova atualização ENSO da OMM afirma que há uma alta probabilidade (90%) das temperaturas da superfície do mar tropical do Pacífico permanecerem nos níveis de La Niña até o final de 2020, e talvez até o primeiro trimestre de 2021 (55%). Isso segue mais de um ano de condições ENOS neutras (ou seja, nem El Niño nem La Niña). A atualização é baseada em previsões dos Centros Produtores Globais de Previsões de Longo Prazo da OMM e interpretação de especialistas.

É importante observar que El Niño e La Niña não são os únicos fatores que impulsionam os padrões climáticos globais e regionais. Não há dois eventos La Niña ou El Niño iguais, e seus efeitos nos climas regionais podem variar dependendo da época do ano e de outros fatores. Portanto, os tomadores de decisão devem sempre monitorar as previsões sazonais mais recentes para obter as informações mais atualizadas.

Atualização Global Sazonal do Clima - Parcelas de precipitação e temperatura para novembro - janeiro de 2021
Atualização Global Sazonal do Clima – Parcelas de precipitação e temperatura para novembro – janeiro de 2021

Impactos de La Nina 2020 (resumo) 

As últimas previsões sazonais indicam que o Grande Chifre da África (precipitação abaixo do normal), Ásia Central (precipitação abaixo do normal) e Sudeste Asiático, algumas das ilhas do Pacífico e a região norte da América do Sul (precipitação acima do normal) verão alguns as anomalias de precipitação mais significativas associadas ao evento La Niña de 2020.

África

O evento La Niña deste ano coincide com uma importante estação de chuvas e plantio em grande parte da África Oriental,  que deverá apresentar condições mais secas do que o normal . Isso, somado aos impactos existentes da  invasão de gafanhotos do deserto , é mais um desenvolvimento preocupante que pode aumentar os desafios de segurança alimentar na região.

La Niña pode levar ao aumento da precipitação na África Austral e isso é indicado por alguns modelos de previsão sazonal recentes. No entanto, existem algumas nuances neles e, portanto, as previsões atualizadas devem ser monitoradas ao longo dos próximos meses. La Niña também pode afetar a temporada de ciclones tropicais do sudoeste do Oceano Índico, reduzindo a intensidade. Especialistas da OMM e colegas humanitários se reunirão em novembro para realizar uma análise completa da temporada que está por vir.

Ásia Central

Na Ásia Central, os eventos La Niña são conhecidos por levar a uma redução nas chuvas de janeiro a maio. No entanto, a última previsão sazonal destaca uma maior probabilidade de que uma área do Levante até a Ásia Central tenha probabilidade de ver chuvas abaixo do normal ainda mais cedo do que o normal.

SE Ásia e Pacífico

O La Niña é frequentemente associado a condições úmidas em grandes partes do Sudeste Asiático, Austrália e as últimas perspectivas sazonais são consistentes com as condições históricas do La Niña.

Para as ilhas do Pacífico, os efeitos do La Niña variam de país para país. Aqueles no Pacífico Central e Oriental podem ser mais suscetíveis a chuvas abaixo do normal, enquanto os países do Sudoeste do Pacífico ficarão mais sujeitos a chuvas acima do normal.

Sul da Ásia

Em eventos anteriores de La Niña, o Sul da Ásia experimentou uma mistura de efeitos, que vão desde condições mais secas do que as normais no extremo sul, mais úmido em grande parte das regiões centrais de junho a setembro e novamente mais seco no extremo norte / norte oeste.

As últimas perspectivas sazonais fornecem um quadro misto semelhante, com condições de seca esperadas nos próximos meses no norte da região, enquanto o resto da região deverá apresentar condições quase normais. No extremo sul da região, o último GSCU indica uma chance de chuvas acima do normal, enquanto a edição de setembro indica uma possibilidade de chuvas abaixo do normal. A situação continuará a ser monitorada.

América do Norte, América Central e Caribe

Na América do Norte, o La Niña normalmente traz acima da média ao longo da camada norte do continente, juntamente com precipitação abaixo da média e em todo o sul. Os resultados do modelo de previsão mais recente são consistentes com esta análise de impacto histórico.

No Caribe, os eventos La Niña podem contribuir para um aumento na intensidade da temporada de furacões. A temporada de 2020 tem sido uma das mais ativas já registradas.

América do Sul

Na América do Sul, o La Niña pode trazer chuvas acima do normal em grandes partes do norte do continente, enquanto mais ao sul, abaixo do normal, podem ocorrer chuvas nas costas leste e oeste. O evento La Niña de 2020 mostra características muito semelhantes, com a parte norte do continente provavelmente tendo chuvas acima do normal, enquanto grande parte do cone sul provavelmente terá chuvas abaixo do normal.

Fonte: World Meteorological Organization – WMO

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/10/2020

O MOVIMENTO "TOO GOOD TO GO ", CONTRA O DESPERDÍCIO DE COMIDA.

 desperdício de alimentos

O movimento “Too good to go”, contra o desperdício de comida

Artigo de Vivaldo José Breternitz

Nestes tempos em que a pandemia, aliada a conflitos armados, secas, inundações, pragas e crises econômicas, podem deixar cerca de 265 milhões de pessoas sujeitas à fome, vale a pena refletirmos sobre nosso relacionamento com a comida, especialmente em termos de desperdícios.

Afinal, um terço de toda a comida que se produz é desperdiçada; são cerca de 51 toneladas por segundo.

Um movimento nascido em 2015 na Dinamarca, usa um aplicativo batizado “Too good to go”, algo como “muito bom para ser jogado fora”, como a principal ferramenta para diminuir esse desperdício.

A ideia é que restaurantes, lojas de fast food, padarias e outros estabelecimentos desse tipo, vendam no final do dia a comida que não foi consumida nos horários normais, a preços que na Europa oscilam entre 3 e 5 euros.

Os interessados em comprar essa refeições, contatam o estabelecimento de sua preferência, fazem reservas e pagam através do aplicativo; no horário fixado, retiram suas compras. Um detalhe: o conteúdo é surpresa, e as refeições vêm em uma embalagem chamada “magic box” (caixa mágica).

Participam 45 mil estabelecimentos de 14 países da Europa e dos Estados Unidos, que já venderam 40 milhões de “magic boxes”.

É uma solução do tipo ganha-ganha: os preços são baixos pelos padrões europeus e os empresários obtém uma receita marginal. A natureza também agradece, pois o movimento já permitiu que se evitasse o lançamento na atmosfera de 100 mil toneladas de dióxido de carbono.

Os idealizadores do movimento lembram aos compradores que se trata de uma filosofia e não de uma jogada de marketing, mostrando na tela de seus smartphones, quando concluem a compra, uma mensagem lembrando o benefício feito à natureza.

Vivaldo José Breternitz é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/10/2020

SAIBA COMO LIDAR COM AS CRISES DE ANSIEDADE.

 saúde

 

Saiba como lidar com as crises de ansiedade

Artigo de Patrícia Rondon Gallina

A ansiedade é um distúrbio que ocorre quando a pessoa gera muita expectativa sobre algum acontecimento, mas essa expectativa não ocorre de forma isolada, muito pelo contrário, trata-se de episódios constantes na vida do indivíduo. Este excesso de apreensão e expectativa pode desencadear sintomas psicológicos como medo, preocupação, hiperatividade, dificuldades para lidar com problemas, estresse e também sintomas físicos como por exemplo, o suor, tremores, náuseas, dores abdominais, dor no peito e respiração ofegante.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, no Brasil mais de 18 milhões de pessoas sofrem com a ansiedade, destes a maior parte são mulheres entre 19 e 60 anos de idade.

Algumas situações do dia a dia podem desencadear ou favorecer quadros de ansiedade. É o que vem acontecendo na quarentena com o distanciamento social, incertezas sobre o futuro, crises financeiras, de saúde e políticas, fatores que fizeram disparar o número de pessoas que passaram a lidar com a ansiedade no atual momento.

Segundo os levantamentos do IQVIA, o uso de medicamentos neste período para tratar sintomas de ansiedade aumentou de forma significativa, os remédios controlados da classe dos ansiolíticos que agem diretamente no sistema nervoso central, cresceram cerca de 15% enquanto que os medicamentos fitoterápicos que buscam tratar os mesmos sintomas cresceram cerca de 40%. Os médicos entrevistados ainda relataram o número crescente de pacientes novos que passaram a fazer algum tipo de tratamento ou acompanhamento psicológico.

Se você está passando pelo desconforto das crises de ansiedade e acredita que pode lidar com isso sozinho, você deve desenvolver alguns hábitos que irão lhe ajudar na manutenção dos sintomas.

E os principais hábitos que devem ser adquiridos são aqueles que nos auxiliam no relaxamento tais como:

Dormir bem – a qualidade do sono reflete diretamente no nosso desgaste físico e emocional, portanto uma noite bem dormida melhora o humor e a disposição.

Praticar atividades físicas – os exercícios físicos regulares auxiliam no bem-estar físico e psíquico.

Fazer meditação – cinco minutos por dia já são suficientes para trabalhar a tranquilidade e também a inteligência emocional.

Ter um hobbie – ocupe a mente com atividades que lhe proporcionem prazer e ocupem a mente.

Mudar a sua perspectiva de vida – pessoas ansiosas tendem a pensar em tudo que pode acontecer de ruim em uma determinada situação, mude o ângulo e tente ser mais positivo, ver o lado bom da vida vai gerar menos angústia.

Vale destacar que a ansiedade possui vários níveis de gravidade e que deve ser diagnosticada por especialistas e tratada com uso de medicação somente quando necessário, evitando a automedicação.

Autora: Patrícia Rondon Gallina é farmacêutica e professora do Centro Universitário Internacional Uninter.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 03/11/2020