domingo, 20 de dezembro de 2020

MUDANÇAS CLIMÁTICAS ACELERAM A PERDA DE BIODIVERSIDADE.

 

Mudanças climáticas

Mudanças climáticas aceleram a perda de biodiversidade

Um número considerável de metas de biodiversidade existentes e propostas pós-2020 por organizações internacionais correm o risco de ser seriamente comprometidas devido às mudanças climáticas, mesmo se outras barreiras, como a exploração de habitat forem removidas, argumentam os autores de um estudo liderado por Almut Arneth do Instituto Karlsruhe de Tecnologia (KIT).

Karlsruhe Institute of Technology (KIT), Climate and Environment Center*

De acordo com sua análise publicada no PNAS, o aquecimento global acelera a perda de biodiversidade. Vice-versa, medidas para proteger a biodiversidade também podem mitigar os impactos das mudanças climáticas. Os autores sugerem que abordagens flexíveis para a conservação permitiriam respostas dinâmicas aos efeitos das mudanças climáticas nos habitats e nas espécies. (DOI: 2009584117)

Cerca de um milhão de espécies de plantas e animais estão ameaçadas de extinção em todo o mundo. No entanto, pelo menos 13 das 17 metas de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas dependem da biodiversidade, incluindo a diversidade de espécies, a diversidade genética dentro das espécies e a diversidade dos ecossistemas. A biodiversidade regula processos fundamentais, como a formação do solo e os ciclos de água, gases-traço e nutrientes e, assim, contribui notavelmente para a regulação do clima. A perda contínua de biodiversidade faz com que a humanidade enfrente problemas ecológicos, sociais e econômicos. “Além da superexploração de recursos naturais na terra e na água, ou poluição ambiental, as mudanças climáticas também causam perda de diversidade biológica. Esse impacto aumentará no futuro ”, diz Almut Arneth, Professor da Divisão de Pesquisa Ambiental Atmosférica do Instituto de Meteorologia e Pesquisa Climática (IMK-IFU), Campus Alpine do KIT em Garmisch-Partenkirchen. Ela liderou um estudo internacional que agora é publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos da América (PNAS) sob o título “As metas de biodiversidade pós-2020 precisam abraçar as mudanças climáticas”.

Metas para a conservação da biodiversidade mundial perdidas

Em seu estudo, cientistas da Alemanha, França, Itália, Espanha, Rússia, África do Sul, México e Japão analisaram as chamadas metas de Aichi para a proteção mundial da biodiversidade, adotadas pela 10ª Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Biodiversidade em Nagoya, prefeitura de Aichi, em 2010 para cumprimento até 2020. A maioria dessas metas será perdida. Além disso, os pesquisadores analisaram o conjunto de metas revisadas de proteção da biodiversidade atualmente negociadas pelas partes para o período após 2020, que devem ser alcançadas até 2030 ou 2050. Eles descobriram que muitas metas existentes ou propostas estão em risco devido ao aquecimento global, mesmo que o aumento médio da temperatura global permanecesse no limite inferior das projeções. “Certamente é um grande desafio, mas também uma oportunidade importante para lidar melhor no nível político com as interações entre mudanças climáticas e perda de biodiversidade, e para coordenar melhor as metas de biodiversidade com o Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ”, explica Arneth. As metas de biodiversidade propostas devem, portanto, considerar as mudanças climáticas de forma muito mais explícita, ela pensa.

As espécies estão deixando reservas naturais

Arneth dá um exemplo: Uma meta de biodiversidade para reservas naturais deve considerar o fato de que a composição e o crescimento da vegetação mudarão com a mudança climática e que certas espécies de plantas e animais irão migrar ou serão ameaçadas, se as condições climáticas estiverem mudando. Por exemplo, a mudança climática faz com que as geleiras das montanhas diminuam. Em regiões semi-áridas, entretanto, os ecossistemas de vales mais baixos dependem do degelo das geleiras no verão. Se este fluxo de água derretida diminuir devido ao recuo das geleiras, a precipitação por si só pode não ser suficiente para abastecer as plantas na bacia com água. Isso também afetará os animais que dependem das plantas.

O estudo ressalta a demanda por uma redução rápida e significativa das emissões antrópicas de gases de efeito estufa e por conter as mudanças climáticas. Vice-versa, também mostra que medidas para proteger a biodiversidade contribuiriam para a proteção do clima. “Uma melhor coordenação de acordos políticos e descobertas científicas pode acelerar a descarbonização urgente da economia e garantir a desaceleração das mudanças climáticas por medidas de proteção da biodiversidade”, resume Arneth.

Referência:

Almut Arneth, Yunne-Jai Shin, Paul Leadley, Carlo Rondinini, Elena Bukvareva, Melanie Kolb, Guy F. Midgley, Thierry Oberdorff, Ignacio Palomo, Osamu Saito: Post-2020 biodiversity targets need to embrace climate change. PNAS, 2020. DOI: 2009584117
https://doi.org/10.1073/pnas.2009584117

 

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 10/12/2020

A ÁGUA COMO MERCADORIA NO MERCADO FUTURO DE WALL STREET.

A água como mercadoria no mercado futuro de Wall Street

O Hidronegócio avança no Mercado Futuro

Artigo de Roberto Malvezzi (Gogó)

[EcoDebate] Nada de novo sob o sol, o capitalismo tudo transforma em mercadoria, cuja mercadoria mais vil é o ser humano (Marx em algum lugar dos Manuscritos). Um dia chegaria também na água, como chegou na terra, na biodiversidade, na cultura, nas religiões, nas pessoas humanas, inclusive nos órgãos humanos. A notícia é que a água começou a ser cotizada como uma comoditie no mercado futuro de Wall Street, cujo preço flutuará “como fazem o petróleo, o ouro e o trigo, tendo como base o índice Nasdaq Veles California Water (NQH2O) informou hoje CME Group” (El País).

O preço do metro cúbico da água terá como valor de mercado seu custo na Califórnia, onde o agro e hidronegócio escasseou a quantidade de água pelo uso intenso na irrigação. Portanto, em qualquer lugar do mundo, inclusive nos países pobres, o valor da água será referenciado no seu custo na Califórnia. Como toda comoditie, o valor da água será universal e único.

O mundo das ciências sociais define o capitalismo como uma forma organizada e racional de acumulação do capital. Baseado na propriedade privada intocável – por isso a reação ao Papa Francisco que disse na Fratelli Tutti não ser a propriedade privada uma deusa intocável -, na transformação de tudo e todos em mercadoria, na obsessão organizada de acumular bens e riquezas, na sacralidade do mercado, o capital avança agora para um bem essencial a todas as formas de vida: a água.

Como a água tem múltiplos usos – o capital só fala deles, mas não dos múltiplos valores -, ela pode ser privatizada em múltiplas atividades econômicas: agricultura, indústria, abastecimento doméstico, engarrafamento etc. A decisão do Congresso Brasileiro de privatizar o saneamento básico atende aos interesses de empresas privadas em se apossar do abastecimento doméstico de mega cidades como São Paulo e outras no mundo.

Até agora havia – e há – resistências da sociedade civil no mundo inteiro. Também de certos setores religiosos, como Francisco na Laudato Si’. Houve guerras contra a privatização da água em Cochabamba e outros lugares do mundo. Centenas de cidades, cujos serviços de água tinham sido privatizados, recuaram em favor de serviços públicos. A razão foi simples, os preços subiram de forma exorbitante e a qualidade do abastecimento piorou. Mas, essas resistências apenas fazem com que a Oligarquia Internacional da Água (Ricardo Petrella) mude e aperfeiçoe suas estratégias.

Um exemplo claro se dá na Doutrina Social da Igreja Católica. Enquanto Francisco condena a privatização da água na Laudato Si’ (LS 27-31), um dicastério escreve “Aqua fons vitae” e, nas entrelinhas, como o diabo gosta, aceita a privatização da água (AFV 30). Aliás, um documento estranho, só encontrável em inglês e de responsabilidade do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Mas, esse documento merece uma análise à parte.

Sabemos que estamos numa mudança de época, outros falam até numa mudança de era. A humanidade e a Terra serão completamente diferentes do que são hoje até o final desse século. O futuro que a humanidade lá encontrará, entretanto, ninguém sabe qual é, mas o capitalismo tem certeza que nele tudo estará privatizado.

Roberto Malvezzi (Gogó)*,  possui formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do São Francisco. Membro da Equipe de Assessoria da REPAM (Rede Eclesial Pan Amazônica)
www.robertomalvezzi.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 11/12/2020

DAVID ATTENBOROUGH E NOSSO PLANETA.

 “Todos os nossos problemas ambientais se tornam mais fáceis de resolver com menos gente e mais difíceis e, em última instância, impossíveis de resolver com cada vez mais pessoas”. David Attenborough

David Attenborough e Nosso Planeta

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

[EcoDebate]

O magnífico documentário “David Attenborough: A Life on Our Planet” (Netflix, 2020) é uma obra em defesa da natureza e de crítica ao estilo de vida que a humanidade vem adotando ao longo dos dois últimos séculos.

O naturalista britânico, de 94 anos de idade, fala sobre sua trajetória e a evolução da vida na Terra, lamenta a perda de áreas selvagens do planeta e oferece sua visão de um futuro possível.

O documentário começa mostrando uma cidade abandonada e em ruinas em um cenário desolador. É o território atual ao redor da usina nuclear de Chernobyl, uma área outrora movimentada que foi evacuada após um erro humano que criou uma zona de alta radioatividade e que a tornou inabitável. Só mais tarde os diretores do documentário puxarão sua câmera para trás para revelar que o território que envolve a cidade, vazio de atividades antrópicas, possibilitou a regeneração de uma vida selvagem exuberante.

Considerando o documentário como sua “declaração de testemunha” sobre o meio ambiente, David Attenborough traça sua carreira de mais de 60 anos como naturalista, revelando o quão abruptamente a biodiversidade do planeta se degenerou diante dele. Usando imagens de documentários antigos, o filme mostra imagens exuberantes desde quando ele começou seu trabalho, como um jovem produtor e pesquisador da flora e fauna de todos os continentes.

Além da fotografia majestosa, muitas informações são apresentadas. O público é informado que, de 6 trilhões de árvores existentes, o mundo já perdeu 3 trilhões nos dois últimos séculos e cerca de 15 bilhões são derrubadas a cada ano. Attenborough explica como as árvores são importantes para o equilíbrio ambiental e climático do Planeta e mostra o processo de destruição da vegetação verde e a perda de diversidade que aconteceu durante o seu ciclo de vida.

Para ilustrar o esvaziamento dos oceanos, os diretores do documentário intercalam habitats de corais prósperos com imagens de grandes peixes eviscerados, congelados e empilhados para o mercado. A sobrepesca, a poluição em geral e dos plásticos em particular, o aquecimento global e a acidificação dos oceanos está provocando o branqueamento dos corais e a destruição da vida marinha.

As mudanças climáticas e a 6ª extinção em massa das espécies são as duas principais ameaças existenciais à vida humana na Terra e à continuidade da civilização. Porém, para deixar uma mensagem de esperança o documentário mostra, como primeiro exemplo, a agricultura sustentável na Holanda, que tornou o país um dos líderes mundiais na exportação de alimentos. E como segundo exemplo, as restrições à pesca em torno da nação do arquipélago de Palau no Pacífico, que permitiram que a vida marinha se recuperasse.

Contrastando a beleza das imagens de uma vida selvagem maravilhosa, com as feias cenas de devastação e destruição, o filme é um alerta sobre a crise ecológica do século XXI e os perigos que abarcam a vida no Planeta.

Um fato essencial do documentário é a discussão demográfica, que geralmente é jogada para debaixo do tapete. Contudo, David Attenborough sempre se preocupou com o crescimento desregrado da população mundial e com a ocupação ampla e irrestrita de todos os territórios do Planeta em detrimento da vida selvagem e da biodiversidade.

Attenborough nasceu em 1926, quando a população mundial era de cerca de 2 bilhões de habitantes e atualmente o número de habitantes globais se aproxima de 8 bilhões. Portanto, houve um crescimento de 4 vezes em menos de 100 anos. Mas além de tanta gente, houve um crescimento muito maior do volume de produção e consumo. Não existe consumo sem população e nem população sem consumo.

Assim, o impacto do crescimento da população deve ser multiplicado pelo grau de afluência. E o fato inegável é que estamos em um mundo antropicamente cheio e que o enriquecimento da humanidade se dá às custas do empobrecimento do meio ambiente. Por conta disto, Attenborough diz: “Todos os nossos problemas ambientais se tornam mais fáceis de resolver com menos gente e mais difíceis e, em última instância, impossíveis de resolver com cada vez mais pessoas”.

José Eustáquio Diniz Alves
Colunista do EcoDebate.
Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 11/12/2020

MUDANÇAS CLIMÁTICAS : O ÁRTICO ESTÁ ESQUENTANDO DUAS VEZES MAIS RÁPIDO QUE A MÉDIA GLOBAL.

Mudanças Climáticas: O Ártico está esquentando duas vezes mais rápido que a média global

WMO

A mudança climática continua a perturbar o Ártico, com a segunda maior temperatura do ar e a segunda mais baixa no verão, causando uma cascata de impactos, incluindo a perda de neve e incêndios florestais extraordinários no norte da Rússia em 2020.

Isso está de acordo com o 15º Arctic Report Card da NOAA , uma compilação de observações ambientais originais revisadas por pares e análises de 133 cientistas de 15 países.

A transformação sustentada para um Ártico mais quente, menos congelado e biologicamente alterado permanece clara, concluiu.

“Quase tudo no Ártico, do gelo e neve à atividade humana, está mudando tão rapidamente que realmente não há razão para pensar que, em 30 anos, muito de tudo será como é hoje”, disse Rick Thoman, um dos editores do Arctic Report Card, que foi lançado durante uma conferência de imprensa virtual organizada pela American Geophysical Union como parte de sua reunião de outono .

O  Arctic Report Card  fornece atualizações anuais sobre sete tópicos: Temperatura do ar na superfície; Cobertura de neve terrestre; Manto de gelo da Groenlândia; Gelo marinho; Temperatura da superfície do mar; Produtividade primária do oceano Ártico; e degelo da Tundra.

O Ártico está esquentando duas vezes mais rápido que a média global, com impactos de longo alcance para os padrões de tempo e clima no resto do mundo.

De acordo com o relatório provisório da OMM sobre o Estado do Clima Global, 2020 está definido como um dos três anos mais quentes já registrados, com o calor mais notável sendo observado no Ártico da Sibéria, onde as temperaturas estavam mais de 5 ° C acima da média. O calor siberiano culminou em 20 de junho, quando atingiu 38,0 ° C em Verkhoyansk, provisoriamente a temperatura mais alta conhecida em qualquer lugar ao norte do Círculo Polar Ártico. Isso alimentou a temporada de incêndios florestais mais ativa em um registro de dados de 18 anos, conforme estimado em termos de emissões de CO 2  liberadas por incêndios.

As principais descobertas do Arctic Report Card incluem:

Nos oceanos

Arctic Report Card 2020

A perda de gelo marinho na primavera de 2020 foi particularmente precoce nas regiões do Mar da Sibéria Oriental e do Mar de Laptev, estabelecendo novos recordes de baixa no Mar de Laptev em junho. O fim da extensão do gelo marinho no verão em 2020 foi o segundo menor no recorde de satélite de 42 anos, com 2012 sendo o ano mínimo recorde.

As temperaturas médias da superfície do mar de agosto em 2020 foram ~ 1-3 ° C mais altas do que a média de agosto de 1982-2010 na maior parte do Oceano Ártico, com temperaturas excepcionalmente quentes nos mares de Laptev e Kara que coincidiram com a perda precoce de gelo marinho neste região.

Durante julho e agosto de 2020, a produtividade primária do oceano regional no Mar de Laptev foi ~ 2 vezes maior em julho e ~ 6 vezes maior em agosto em comparação com suas respectivas médias mensais.

As baleias Bowhead têm sido um recurso básico para os povos indígenas costeiros por milênios e são adaptadas de forma única para o ecossistema marinho ártico. O tamanho da população do Ártico Pacífico aumentou nos últimos 30 anos, provavelmente devido aos aumentos na produção primária do oceano e ao transporte para o norte do zooplâncton de que se alimentam.

Mudanças nas temperaturas do ar, tempestades, gelo marinho e condições do oceano se combinaram para aumentar as taxas de erosão do permafrost costeiro, em regiões onde uma alta proporção de residentes do Ártico vive e as atividades industriais, comerciais, turísticas e militares estão se expandindo.

Na terra

Arctic Report Card 2020

A temperatura média anual do ar na superfície da terra no Ártico medida entre outubro de 2019 e setembro de 2020 foi a segunda mais quente desde que a manutenção de registros começou em 1900 e foi responsável por conduzir uma cascata de impactos nos ecossistemas árticos durante o ano.

Nove dos últimos 10 anos viram temperaturas do ar pelo menos 1 ° C acima (2,2 ° F) da média de 1981-2010. As temperaturas do Ártico nos últimos seis anos excederam os recordes anteriores.

As temperaturas excepcionais do ar quente da primavera na Sibéria resultaram em extensão recorde de cobertura de neve em junho no Ártico da Eurásia, conforme observado nos últimos 54 anos.

Os incêndios florestais extremos em 2020 na República Sakha do norte da Rússia coincidiram com temperaturas incomparáveis ​​do ar quente e perda recorde de neve na região.

Desde 2016, as tendências de verdura da tundra divergem fortemente por continente, diminuindo drasticamente na América do Norte, mas permanecendo acima da média de longo prazo na Eurásia.

De setembro de 2019 a agosto de 2020, a camada de gelo da Groenlândia experimentou uma perda de gelo maior do que a média de 1981-2010, mas substancialmente menor do que a perda recorde de 2018/19.

As geleiras e mantos de gelo da Groenlândia continuaram uma tendência de perda de gelo significativa, dominada em grande parte pela perda de gelo do Alasca e do Ártico Canadá.

Da World Meteorological Organization (WMO), com tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 11/12/2020

PODEMOS SER OBRIGADOS A NOS VACINAR? SIM.

 vacina covid-19

Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Direitos Reservados/Abr

 Podemos ser obrigados a nos vacinar? Sim

Artigo de Ana Lúcia Amorim Boaventura

[EcoDebate] A Lei 6.259/75, recepcionada pela Constituição Federal de 1988, criou o Programa Nacional de Imunizações. Desde então, algumas vacinas são obrigatórias, conforme prevê a referida lei e o Decreto 78.231/76 que a regulamenta.

De acordo com essas normas, as vacinas obrigatórias são aquelas definidas pelo Ministério da Saúde que elabora, de acordo com o comportamento epidemiológico das doenças em todo território nacional ou por regiões do país, lista bienal atualizada das vacinas.

Segundo o art. 29 da Lei 6.259/75 “é dever de todo cidadão submeter-se e os menores dos quais tenha a guarda ou responsabilidade, à vacinação obrigatória”, ficando dispensado somente aquele que apresentar atestado médico de contraindicação da aplicação da vacina.

Mas, nem todas as vacinas são obrigatórias e o Estado não pode usar de força para coagir os indivíduos a se vacinarem. Do mesmo modo que o voto é obrigatório, ninguém vai até a sua casa e o arrasta para as urnas.

Fake News com esse teor tem circulado nas redes sociais fazendo um desserviço à população, com viés decadente da velha política que se aproveita da falta de informação e do medo do coronavírus.

O que é já é feito no Brasil, em caso de descumprimento do calendário vacinal obrigatório, é a privação de certos direitos como o salário-família, matrículas em creches, pré-escolas, ensinos fundamental e médio e universidades, de acordo com a faixa etária do aluno, alistamento militar e recebimento de benefícios sociais concedidos pelo Governo.

Porém, ocorre que as vacinas obrigatórias devem ser gratuitas e serem fornecidas com observância aos princípios da eficiência e da segurança por serem tipo de serviço público.

Especificamente no caso das vacinas contra o coronavírus, não sabemos se o Estado terá condições de fornecê-las gratuitamente. Caso não o faça, não poderá exigir a obrigatoriedade. Ponto nevrálgico das discussões internacionais sobre essas vacinas é sua eficácia e segurança. O Estado não pode colocar em risco a população, prestando um serviço público que coloque em risco a saúde e a vida dos usuários; nem ao menos ineficaz, tanto em relação à prestação do serviço em si, quanto aos resultados obtidos.

Em meio a tanta falta de credibilidade, jogo de interesses e oportunismo em torno dessa doença, fica extremamente complicado tomarmos uma decisão segura sobre a vacina. Como se já não bastasse ter que lidarmos com as consequências devastadoras da pandemia, que mais parece a Caixa de Pandora, tendo na vacina sua última esperança incerta de frear todas as mazelas do caos que vivemos desde março.

Ana Lúcia Amorim Boaventura é advogada especialista em Direito Médico e da Saúde, professora da faculdade de Medicina da PUC-GOIÁS.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/12/2020

AQUECIMENTO E SECAS REDUZEM O TEMPO DE VIDA DE ÁRVORES EM FLORESTAS TROPICAIS.

Aquecimento e secas reduzem o tempo de vida de árvores em florestas tropicais

Impacto no futuro poderá ser sentido nas características dos biomas e no papel que essas árvores desempenham nos estoques de carbono (CO2), levantando preocupações em relação à capacidade de absorção desse gás de efeito estufa (foto: Anéis de crescimento de jatobá: cada linha clara na vertical representa um ano de vida da árvore)
Impacto no futuro poderá ser sentido nas características dos biomas e no papel que essas árvores desempenham nos estoques de carbono (CO2), levantando preocupações em relação à capacidade de absorção desse gás de efeito estufa (foto: Anéis de crescimento de jatobá: cada linha clara na vertical representa um ano de vida da árvore)

Luciana Constantino  |  Agência FAPESP

Temperaturas elevadas e o clima mais seco que vêm sendo registrados com maior frequência nos últimos anos em vários países estão afetando a dinâmica das florestas tropicais, como Amazônia e Mata Atlântica. Sob essas condições climáticas, as árvores morrem mais rapidamente.

Em biomas nos trópicos elas já crescem, em média, duas vezes mais rápido do que as de florestas temperadas e boreais e vivem menos – 186 anos, em média, contra 322 anos, respectivamente. As florestas tropicais úmidas abrigam cerca de 50% das espécies de animais terrestres e plantas do planeta, apesar de representarem apenas 7% da área terrestre mundial.

Como a previsão é de que a temperatura global continue subindo – ao menos 1,5 °C acima do nível pré-industrial (1850-1900) nas próximas décadas –, isso pode provocar mudanças nas características de cada um desses biomas tropicais, resultando, no futuro, em alterações da biodiversidade e diminuição do número de espécies.

Também deve afetar o papel que essas árvores desempenham nos estoques de carbono (CO2), levantando preocupações em relação à capacidade de absorção desse gás de efeito estufa no futuro. As florestas são o maior reservatório de biomassa terrestre, principalmente as tropicais, responsáveis pela metade desse estoque.

Para se desenvolverem, as plantas precisam de uma grande quantidade de CO2 na fase de crescimento. Com isso, acabam processando por meio da fotossíntese cerca de um quinto do total anual do carbono atmosférico. Assim, pequenas mudanças no funcionamento da floresta podem alterar significativamente os níveis desse gás.

Esse cenário de redução da longevidade ligada a efeitos climáticos em biomas tropicais está traçado em estudo liderado por pesquisadores brasileiros e publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), da Academia Norte-Americana de Ciências.

De acordo com a pesquisa, “nas planícies tropicais quentes foram encontradas diminuições consistentes na longevidade das árvores em locais secos e com temperaturas médias anuais acima de 25,4Ë?C”.

“Observamos no estudo que, quando a temperatura média passa dos 25,4°C, a taxa de crescimento está num pico, em patamar alto, e a longevidade diminui. É um efeito além do esperado pela relação negativa entre crescimento e longevidade das árvores. Mas também está ligado à disponibilidade hídrica. Quando o local seca, cria um estresse na planta. Então ela atinge tamanhos menores e morre mais jovem, mesmo sendo uma espécie que poderia ficar maior”, explica à Agência FAPESP Giuliano Locosselli, atualmente pesquisador do Instituto de Botânica. Ele é primeiro autor juntamente com Marcos Buckeridge, professor e diretor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), que resultou de um projeto de pesquisa apoiado pela FAPESP.

Locosselli também foi um dos autores de outra pesquisa, publicada recentemente na revista Nature Communications, que já havia apontado relação inversa entre a taxa de crescimento das árvores e a longevidade, independentemente da espécie e do local onde se encontram (leia mais em: https://agencia.fapesp.br/34444/). Agora, o novo estudo coloca lupa sobre o comportamento em florestas tropicais e aponta o papel do clima e da disponibilidade hídrica nesses quadros.

Ao ser questionado sobre como ficariam essas árvores diante de estimativas de agências ligadas às Nações Unidas (ONU) de que a temperatura média da Terra pode subir mais de 1,5 °C até 2050, Buckeridge afirma que a forma de evitar um cenário pior para os biomas seria bloquear o aquecimento global.

Porém, ele lembra que há o fenômeno da inércia, ou seja, mesmo se agora fossem suspensas todas as emissões de gases de efeito estufa que provocam o aquecimento, a temperatura ainda assim manteria a tendência de alta por um período. “Acho que o cenário dos 25,4 °C [utilizado no estudo] não tem mais como reverter. No ponto em que estamos é preciso trabalhar com medidas de mitigação das mudanças climáticas e de adaptação, como plantar novas árvores”, avalia o professor, que participou como autor no relatório especial Mundo em Aquecimento de 1,5 °C, do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), da ONU.

Já Locosselli cita o caso da floresta do Congo, a segunda maior tropical do mundo, só atrás da Amazônia. “Atualmente ela ainda não é afetada pelo efeito da temperatura, como já se viu na região amazônica. Mas, a partir desse grande aumento de temperatura, começaremos a observar sinais de elevação da mortalidade. Isso vai ao encontro do que vimos no nosso estudo. Sob esse ponto de vista, o cenário é bastante sombrio”, completa.

Documento divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês) apontou que a temperatura média global entre 2016 e 2020 (de janeiro a julho) está entre as mais quentes do que qualquer outro período. Atualmente, é estimada em 1,1 °C acima da era pré-industrial e 0,24 °C mais quente do que a média global para 2011-2015. Além disso, dados das agências norte-americanas Nasa e National Oceanographic and Atmospheric Administration (NOAA) apontaram os anos de 2016 e 2019 como o primeiro e o segundo mais quentes de todos os tempos, respectivamente.

Metodologia

Para realizar o estudo Global tree-ring analysis reveals rapid decrease in tropical tree longevity with temperature, o grupo de Locosselli e Buckeridge avaliou dados de anéis de crescimento de mais de 100 mil árvores no mundo. Cada um desses anéis, localizados nos troncos, representa um ano de vida da planta, permitindo uma estimativa da idade das árvores e da velocidade (taxa) de crescimento. Também foi analisado como o clima influencia no tempo de vida.

“Esses efeitos independentes da temperatura e da disponibilidade de água na longevidade das árvores nos trópicos são consistentes com as previsões teóricas de aumentos nas demandas evaporativas no nível da folha sob um clima mais quente e seco, e podem explicar os aumentos observados na mortalidade de árvores em florestas tropicais, incluindo a Amazônia, e mudanças na composição da floresta na África Ocidental”, escrevem os pesquisadores no artigo da PNAS.

Segundo Buckeridge, além das altas temperaturas, a maior quantidade de CO2 na atmosfera contribui para acelerar a atividade metabólica das plantas. Na última década, houve um crescimento de 1,5% ao ano nas emissões de gases de efeito estufa, incluindo o carbono. Em grande parte foram provocadas por fontes fósseis de energia e alterações no uso da terra, como o desmatamento e as queimadas, de acordo com o relatório Lacuna de Emissões 2019, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Os pesquisadores explicam que em áreas frequentemente atingidas por queimadas a longevidade das árvores é consideravelmente menor. Essa variável chegou a ser analisada, mas, por questões metodológicas, ficou fora do estudo.

Neste ano, por exemplo, dois dos biomas brasileiros já registraram recorde de focos de incêndio, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Até outubro, o Pantanal teve o pior ano desde 1998, quando o instituto começou a monitorar focos ativos de fogo no local, e na Amazônia o número de ocorrências nos primeiros dez meses de 2020 superou o total de 2019.

‘Trabalho de formiguinha’

O estudo liderado pelo grupo brasileiro teve a colaboração de pesquisadores de universidades britânica, como a de Leeds, alemã e chilena. Levou cerca de quatro anos para ficar pronto e envolveu especialistas de diferentes áreas.

“Esse trabalho traz uma visão global, com dados, por exemplo, de bancos públicos de pesquisa e de mais de 200 estudos científicos. Neste sentido, seria impossível realizá-lo 10, 20 anos atrás porque não havia muitos estudos sobre florestas tropicais ou a relação envolvendo anéis de crescimento das árvores”, enfatiza Locosselli.

Tanto ele como Buckeridge destacam a importância do desenvolvimento de pesquisas, com o apoio de instituições como a FAPESP e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), para o avanço da ciência. “Esse tipo de estudo pôde ser realizado porque houve conhecimento acumulado ao longo dos anos. O trabalho de formiguinha é o que gera a cereja do bolo”, afirma Buckeridge.

Atualmente, com o cenário de contenção de gastos públicos, principalmente pós-pandemia de COVID-19, estão em discussão no Brasil projetos que propõem cortes e desvinculação de recursos orçamentários destinados à produção de ciência, desenvolvimento de pesquisas e novas tecnologias. Para se contrapor a essas propostas, cientistas, pesquisadores e estudiosos têm divulgado manifestos e buscado alertar para os riscos ao futuro da ciência.

“Aquela ciência que às vezes não entendemos e que talvez hoje tenha uma resposta local pode se unir a outras pesquisas semelhantes e dar uma resposta global amanhã. Nossa pesquisa dá essa visão global”, completa Locosselli.

O artigo Global tree-ring analysis reveals rapid decrease in tropical tree longevity with temperature pode ser lido em: https://www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.2003873117.

 

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/12/2020

A BIODIVERSIDADE DO SOLO É A BASE DA VIDA HUMANA.

A biodiversidade do solo é a base da vida humana

FAO

Ao cuidarmos de nossas rotinas diárias, muitas vezes não temos consciência que abaixo de nossos pés repousa uma notável comunidade de diversas plantas, animais e micróbios que compõem nossos solos.

Os solos são mais do que apenas “sujeira” – eles são um grande reservatório da biodiversidade global, apoiando a agricultura e a segurança alimentar, regulando as emissões de gases de efeito estufa e promovendo a saúde vegetal, animal e humana. Sem eles nosso mundo não seria o mesmo.

Por muito tempo, presumimos que os solos estariam garantidos. Vamos manter o solo vivo e proteger sua biodiversidade! Aqui estão algumas razões do porquê precisamos agir:

  • Os solos são uma reserva de biodiversidade

Os solos abrigam comunidades subterrâneas. Existem mais organismos vivos em uma colher de sopa de solo do que pessoas na Terra! Um solo saudável e biodiverso inclui vertebrados, invertebrados, vírus, bactérias, fungos, líquenes e plantas que fornecem uma infinidade de funções e serviços ecossistêmicos que beneficiam tudo e todos. Na verdade, os solos abrigam mais de 25% da biodiversidade do nosso planeta! Essa comunidade diversa de organismos vivos dentro deles faz com que permaneçam saudáveis e férteis. Todo o mundo de criaturas no solo alimenta e protege as plantas e, em troca, nutrem o solo.

  • A biodiversidade do solo é essencial para nossos alimentos

Os solos são essenciais para nossos sistemas alimentares. De fato, estima-se que 95% dos nossos alimentos sejam, direta ou indiretamente, produzidos em nossos solos!

Solos saudáveis e com biodiversidade nos permitem cultivar uma variedade de vegetais e plantas necessários para uma boa nutrição humana. Os organismos no solo tornam os nutrientes disponíveis para as plantas. A nutrição depende da disponibilidade e do equilíbrio dos nutrientes nas partes comestíveis das plantas, o que depende da presença destes no solo. Portanto, quanto mais biodiverso é o solo, mais nutritivo é o nosso alimento.

  • A biodiversidade do solo é necessária para nossa saúde.

A biodiversidade do solo é uma fonte importante de recursos químicos e genéticos necessários para o desenvolvimento de medicamentos. Os microrganismos do solo são usados para produzir antibióticos. A penicilina, por exemplo, um dos antibióticos mais usados no mundo, vem originalmente de um pequeno fungo que vive no solo. Pesquisas em solos saudáveis podem ajudar não apenas a entender o papel de microrganismos nos ecossistemas, mas também podem ser usadas para melhorar a segurança alimentar e para manter pragas e doenças sob controle. Estudos mostram que a exposição de crianças a microrganismos em solos saudáveis pode melhorar a resistência a doenças e prevenir problemas de saúde como alergias, asma, doenças autoimunes e depressão.

  • A biodiversidade do solo nos ajuda a respirar e a lutar contra as mudanças climáticas.

Os organismos do solo têm a capacidade de decompor ou limpar certos tipos de poluição. Por exemplo, eles podem decompor alguns poluentes orgânicos e convertê-los em substâncias não tóxicas.

E não é só isso, os solos são uma parte essencial do ciclo do carbono. Solos saudáveis fornecem o maior estoque de carbono na terra. Eles podem ajudar a regular a qualidade do ar e a emissão de gases de efeito estufa através do sequestro de carbono, que limpa o ar para respiramos.

  • Precisamos manter os solos saudáveis e sua diversidade.

A biodiversidade do solo está em perigo. Algumas práticas de cultivo não sustentáveis, incluindo o mau uso de agrotóxicos nas lavouras, os efeitos das mudanças climáticas e a poluição do solo, são algumas das coisas que podem provocar consequências adversas na saúde e na biodiversidade dos solos.

Mudanças no uso da terra, práticas insustentáveis de manejo do solo, impermeabilização do solo, poluição e aumento da frequência de incêndios podem danificar irremediavelmente a biodiversidade do solo e suas funções. Alguns ecossistemas podem nunca se recuperar. Precisamos nos concentrar na preservação de nossos solos antes que cheguem a este estágio.

  • Podemos ajudar na proteção da biodiversidade do solo.

O manejo sustentável do solo, adaptado ao tipo de solo e seu uso, é parte integrante da proteção da biodiversidade do solo.

Algumas dessas práticas são simples, por exemplo, evitar a retirada de vegetação da cobertura do solo, manter a diversidade de culturas, evitar monoculturas, compostar e usar abrigos naturais, como sebes, para ajudar a prevenir os efeitos erosivos do vento e da água em grandes campos.

Outras práticas são mais complexas. A rotação de culturas ou a agrofloresta, por exemplo, podem atenuar as mudanças climáticas através da redução e armazenamento de carbono na biomassa das plantas e dos solos.

Todos nós podemos desempenhar um papel e proteger a biodiversidade do solo, aumentar a conscientização e defender a educação da biodiversidade do solo, gerenciar os recursos de maneira sustentável, apoiar a biodiversidade do solo e a pesquisa de sustentabilidade, investir em inovação e recusar, reduzir, reutilizar e reciclar materiais antes de enviá-los para um aterro.

Através da Parceria Global Solos (Global Soil Partnership), a FAO está aumentando a conscientização através de um concurso de fotos e vídeos que destaca o Dia mundial do Solo (5 de dezembro) nesse ano, com o tema: “Mantenha o solo vivo, proteja sua biodiversidade”. Em novembro de 2020, a FAO lançará um novo relatório global sobre o estado do conhecimento da biodiversidade do solo, suas ameaças e soluções.

Dependemos muito dos solos para tudo o que fazemos. Eles são a base para alimentos, rações, combustível e estão no cerne de muitos ecossistemas. O combate à perda da biodiversidade do solo é fundamental para a segurança alimentar global e para o cumprimento de mais da metade dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Os solos são um recurso natural muito valioso – mas devemos lembrar que eles também são finitos. Isso significa que quando o solo se degrada, não é recuperável dentro de uma vida humana. Sustentabilidade é a chave. Vamos começar a fazer da saúde do solo e da biodiversidade uma prioridade.

*Traduzido do Inglês por Eliane Resende sob supervisão de Valter Bianchini e Aline Czezacki

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/12/2020