domingo, 20 de dezembro de 2020

INVESTIGAÇÃO REVELA A EXTENSÃO DO DESMATAMENTO ILEGAL LIGADO À JBS, MARFRIG E MINERVA.


pecuária na Amazônia
Foto de arquivo

Investigação revela a extensão do desmatamento ilegal ligado à JBS, Marfrig e Minerva

Novo relatório da Global Witness mostra como as três maiores empresas de carne do Brasil não conseguem evitar o envolvimento de suas cadeias produtivas com grandes áreas desmatadas na Amazônia, e como isso não foi identificado nas auditorias feitas por DNV-GL e Grant Thornton, conhecidas empresas internacionais de auditoria.

Ao mesmo tempo, grandes bancos como Santander, Barclays e Morgan Stanley continuam a apoiar as gigantes da carne, apesar dos muitos avisos sobre suas práticas destrutivas.


A Global Witness revela hoje a extensão do desmatamento ligado às cadeias produtivas de algumas das maiores empresas de carne bovina do mundo: JBS, Marfrig e Minerva. A investigação constatou que entre 2017 e 2019, apenas no estado do Pará, essas empresas compraram gado de 379 fazendas com mais de campos de futebol de desmatamento ilegal, infringindo os termos de ajuste de conduta firmados com o Ministério Público Federal e as suas obrigações legais.

Avaliações erradas feitas pelos auditores internacionais DNV-GL e Grant Thornton para monitorar o cumprimento dessas obrigações não foram capazes de identificar esses casos, mas foram usadas pelas empresas para dar um “greenwash” (verniz ecológico) em suas credenciais ambientais.

A pesquisa também mostra como essas gigantes da carne bovina falharam em monitorar mais de 4.000 fazendas no Pará inseridas em suas cadeias produtivas, e com um total estimado de 140.000 campos de futebol de desmatamento, para evitar que gado dessas fazendas chegasse a seus frigoríficos.

Ademais, JBS e Marfrig compraram gado de pecuaristas acusados pelo Ministério Público Federal de grilagem de terras, abusos de direitos humanos de povos indígenas e ativistas dos direitos à terra, além do assassinato de representantes de movimentos de trabalhadores sem terra.

Essas falhas foram recompensadas por grandes bancos da UE e dos EUA, que financiaram as empresas de carne bovina em quase R$ 14 bilhões no período analisado. Nomes tradicionais como Santander, Deutsche Bank, Barclays, Morgan Stanley, BNP Paribas, ING e HSBC aparentemente falharam em fazer a due diligence de seu envolvimento com essa destruição e continuam a apoiar as empresas de carne bovina, apesar de muitos avisos sobre seus problemas. Grandes bancos brasileiros também estão envolvidos, com Bradesco e Banco do Brasil, que facilitaram mais de R$ 6 bilhões para as empresas no período.

A nova investigação da Global Witness, Carne Bovina, Bancos e Amazônia Brasileira, mostra como a ausência de leis em países consumidores e centros financeiros como a Europa e os EUA significa que as empresas de carne bovina, os bancos e investidores que as apoiam e os importadores e supermercados que compram sua carne podem continuar lucrando com o desmatamento desenfreado sem arcar com as consequências.

“Nossa investigação demonstra claramente que um setor privado não regulamentado e com políticas voluntárias de não desmatamento não conseguiu lidar com a destruição da floresta e os abusos dos direitos humanos relacionados. Isso pode contribuir para a perda permanente da floresta amazônica”, diz Chris Moye, Investigador Sênior da Amazônia na Global Witness. “Todos os envolvidos – fazendas que criam gado, gigantes da indústria da carne brasileira, auditores internacionais, financiadores tradicionais, supermercados, importadores e redes de fast-food – estão destruindo florestas tropicais, ou são cúmplices, com auditorias falhas realizadas por auditores americanos e europeus”, acrescenta.

“Existe uma alternativa. Governos em todo o mundo devem tomar medidas e garantir que as empresas, incluindo bancos, sejam responsabilizadas por seu papel na destruição da Amazônia, exigindo due diligence obrigatória sobre riscos de desmatamento. Isso teria um impacto real na viabilidade do modelo de negócios destrutivo das empresas de carne bovina e as obrigaria a enfrentar o desmatamento e os abusos de direitos humanos em suas cadeias produtivas”, conclui Moye.

A equipe da Global Witness usou diversas técnicas investigativas, incluindo imagens de satélite, análise geoespacial, mineração de dados, documentos publicamente disponíveis e entrevistas com fontes. A investigação fornece provas detalhadas de todas as alegações, com imagens de satélite para cada uma das 379 fazendas incluídas no relatório. Seis estudos de caso originais também ilustram como essas empresas de carne compraram de pecuaristas acusados de fraudes, grilagem de terras e violações de direitos humanos, ou que foram multados pelo Ibama por desmatamento ilegal.

Essas descobertas vêm à tona enquanto a Amazônia está sendo destruída a taxas alarmantes, com a revogação de proteções florestais pelo governo Bolsonaro, redução da fiscalização durante a COVID-19 e outra devastadora temporada de incêndios, criando o pior cenário possível. O desmatamento da Amazônia aumentou dramaticamente ao longo de 2019 e 2020, resultando na maior taxa de desmatamento desde 2008. No Brasil, 70% dessa destruição foi causada pelo desmatamento de terras para a pecuária. Sozinha, a produção de carne bovina no Brasil é considerada a principal causa de emissões provenientes de desmatamento na América Latina.

Preservar as florestas tropicais é fundamental para ajudar a interromper a degradação do clima e proteger as comunidades locais e os povos indígenas que dependem delas e as defendem. Além disso, a pandemia de Covid-19 destacou a importância de preservar os hotspots de biodiversidade, como a Amazônia, para prevenir a propagação de zoonoses.

A Global Witness está convocando os países que importam, financiam ou investem em commodities de risco florestal, como a carne bovina brasileira, a aprovar legislação exigindo que todas as empresas, incluindo instituições financeiras, identifiquem, previnam, mitiguem e relatem riscos de desmatamento e direitos humanos relacionados às florestas.

A Global Witness também pede que JBS, Marfrig e Minerva adotem total transparência em suas cadeias produtivas, a fim de permitir o escrutínio público das fazendas das quais essas empresas compram gado. Até que tais medidas sejam implementadas, nenhum financiador ou comprador pode confiar nas garantias das empresas de que seus compromissos relacionados à floresta estão sendo respeitados.

O Governo Federal do Brasil deve assegurar que dados independentes e publicamente disponíveis que rastreiam o ciclo de vida do gado sejam facilmente acessíveis, como as guias de trânsito animal que mostram de quais fazendas as empresas de carne compram.

Todas as empresas de carne bovina, bancos e auditores apresentados no relatório foram procurados para comentários (consulte as notas abaixo).

Leia a íntegra do relatório da Global Witness clicando aqui.

 

Notas:
• JBS, Marfrig e Minerva se comprometeram a não comprar gado de fazendas que desmataram após outubro de 2009, foram embargadas pelo Ibama ou se sobrepunham a terras protegidas ou indígenas. JBS e Minerva também têm termos de ajuste de conduta com o Ministério Público Federal do meio ambiente no estado do Pará, comprometendo-se a não adquirir gado de fazendas com desmatamento ilegal ocorrido após 22 de julho de 2008.
• O relatório também detalha várias relações financeiras em andamento entre grandes bancos da UE e dos Estados Unidos e empresas de carne bovina, apesar dos muitos avisos sobre suas relações com o desmatamento. Por exemplo, em 2019, o BNP Paribas, o ING Bank e o Santander lideraram a venda dos polêmicos “títulos de transição” sustentáveis da Marfrig, que permitiriam à empresa investir mais em seus frigoríficos na Amazônia, apesar de seu fracasso de uma década na remoção de fornecedores indiretos com desmatamento de suas cadeias produtivas. Enquanto isso, os compromissos declarados do Barclays com as florestas não o impediram de subscrever quatro negócios de títulos no exterior para a JBS desde 2017, no valor combinado de U$ 2,75 bilhões, apesar de a empresa estar muitas vezes ligada ao desmatamento da Amazônia e de seu envolvimento na grande investigação de corrupção da Lava-Jato. As respostas dos bancos às novas descobertas do relatório demonstram que eles continuam não fazendo a due dilligence necessária.
• Em resposta às nossas alegações, as empresas de carne bovina alegaram que as guias de transporte animal, que detalham a origem do gado que compram, não são documentos disponíveis ao público. Portanto, elas afirmaram que não conseguem monitorar o movimento do gado ao longo da cadeia produtiva para ver se os animais provêm de fazendas com desmatamento. No entanto, essas alegações são refutadas por várias análises legais que concluíram que tais documentos estão sim disponíveis ao público. Vários estados da Amazônia brasileira também estão agravando a situação ao dificultar o acesso a essas guias, que são essenciais para responsabilizar os pecuaristas e as empresas de carne bovina pelo cumprimento das leis brasileiras.
• A JBS teve a oportunidade de comentar sobre sua ligação com 327 fazendas com desmatamento ilegal e das quais a Global Witness alega que a empresa comprou gado entre 2017 e 2019. A empresa apresentou justificativas para cada fazenda, alegando que em 94% dos casos estavam cumprindo suas promessas legais e voluntárias de não desmatamento, e em 6% dos casos não tinha registros de compra de gado das fazendas em questão. A Global Witness avaliou todas essas explicações e as considerou inadequadas, sustentando suas alegações originais (consulte o relatório para mais detalhes).
• A Marfrig teve a oportunidade de comentar sobre sua ligação com 89 fazendas com desmatamento ilegal e das quais a Global Witness alega que a empresa comprou gado entre 2017 e 2019. A empresa alegou que 84 dessas fazendas cumpriram suas promessas voluntárias e legais de não desmatamento e que não foi possível identificar compras de gado de cinco delas, de acordo com as informações enviadas. A Global Witness, por sua vez, avaliou essas explicações e concluiu que todas as justificativas eram inválidas (consulte o relatório para mais detalhes).
• A Minerva teve a oportunidade de comentar sobre sua ligação com 16 fazendas com desmatamento ilegal e das quais a Global Witness alega que a empresa comprou gado entre 2017 e 2019. A empresa alegou que 13 das fazendas cumpriam suas promessas voluntárias e legais de não desmatamento e que não tinha registros de compras de três delas. A Global Witness, por sua vez, avaliou todas as justificativas e as considerou inválidas, sustentando as alegações iniciais (consulte o relatório para mais detalhes).
• Em suas respostas aos pedidos para comentar, DNV-GL e Grant Thornton alegaram que restrições às auditorias podem tê-las impedido de identificar os casos encontrados pela Global Witness.
• Quando questionados sobre o assunto, todos os bancos mencionados no relatório defenderam seu relacionamento com as empresas de carne.
• A Global Witness contratou a Profundo para pesquisar o financiamento de seis empresas do agronegócio ativas em Papua Nova Guiné, na Bacia do Congo e na Amazônia brasileira. As atividades de crédito, que incluem empréstimos e subscrições, foram analisadas entre janeiro de 2013 e março de 2019, enquanto a compra de ações e títulos foi analisada em sua data de depósito mais recente, abril/maio de 2019. É impossível saber quanto de um financiamento foi usado para financiar desmatamento, se é que isso aconteceu de fato. Ao publicar este conjunto de dados, não fazemos nenhuma alegação de que os bancos indicados financiam conscientemente a destruição da floresta tropical ou sejam culpados de qualquer delito específico. No entanto, descobertas detalhadas sobre algumas instituições apresentadas podem ser encontradas em nosso relatório Money to Burn.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 03/12/2020

A CAMADA DE GELO DA GROENLÂNDIA ENFRENTA DERRETIMENTO IRREVERSÍVEL.

A camada de gelo da Groenlândia enfrenta derretimento irreversível

Em um estudo publicado esta semana na The Cryosphere , pesquisadores do National Center for Atmospheric Science e da University of Reading demonstram como a mudança climática pode levar ao aumento irreversível do nível do mar à medida que as temperaturas continuam a subir e a camada de gelo da Groenlândia continua a diminuir.

University of Reading*

A enorme camada de gelo enfrenta um ponto sem retorno, além do qual não mais crescerá totalmente, alterando permanentemente os níveis do mar em todo o mundo.

A camada de gelo da Groenlândia é sete vezes a área do Reino Unido e armazena uma grande quantidade de água congelada da Terra. Nas taxas atuais de derretimento, contribui com quase 1 mm para o nível do mar por ano e é responsável por cerca de um quarto do aumento total do nível do mar.

Desde 2003, apesar dos períodos sazonais de crescimento, o manto de gelo da Groenlândia perdeu 3,5 trilhões de toneladas de gelo.

A elevação do nível do mar é um dos efeitos mais graves da mudança climática, ameaçando áreas costeiras em todo o mundo e colocando em risco milhões de pessoas que vivem em áreas baixas. Bangladesh, Flórida e o leste da Inglaterra estão entre muitas áreas conhecidas como particularmente vulneráveis.

Em cenários nos quais o aquecimento global vai além de 2 ° C, a meta do Acordo de Paris, devemos esperar uma perda significativa de gelo e vários metros de aumento do nível do mar global para persistir por dezenas de milhares de anos, de acordo com a nova pesquisa. Quanto mais quente o clima, maior será o aumento do nível do mar.

Além disso, mesmo que as temperaturas voltem aos níveis atuais mais tarde, os cientistas mostraram que a camada de gelo da Groenlândia nunca vai voltar a crescer totalmente uma vez que derrete além de um ponto crítico. Depois desse ponto, o nível do mar permaneceria permanentemente dois metros mais alto do que agora, independentemente de outros fatores que contribuem para o aumento do nível do mar.

Isso ocorre porque o manto de gelo é tão grande que tem um impacto substancial no clima local e, à medida que diminui, a Groenlândia experimenta temperaturas mais quentes e menos neve.

Uma vez que o manto de gelo recue da parte norte da ilha, a área permanecerá livre de gelo.

Para evitar o aumento irreversível do nível do mar que o derretimento causaria, os cientistas dizem que a mudança climática deve ser revertida antes que o manto de gelo tenha diminuído para o limite de massa, que seria alcançado em cerca de 600 anos na maior taxa de perda de massa dentro da faixa provável do Quinto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

O professor Jonathan Gregory, Cientista do Clima do National Center for Atmospheric Science e da University of Reading, disse: “Nossos experimentos enfatizam a importância de mitigar o aumento da temperatura global. Para evitar a perda parcialmente irreversível da camada de gelo, a mudança climática deve ser revertida – não apenas estabilizado – antes de chegarmos ao ponto crítico onde a camada de gelo diminuiu muito. ”

Para estudar a camada de gelo, os cientistas do Centro Nacional de Ciência Atmosférica simularam os efeitos do derretimento da camada de gelo da Groenlândia sob uma gama de possíveis aumentos de temperatura, variando do aquecimento mínimo ao pior cenário.

Em todos os climas futuros, como o presente ou mais quente, a camada de gelo diminuiu de tamanho e contribuiu para um certo grau de elevação do nível do mar.

É importante ressaltar que havia cenários em que o derretimento da camada de gelo poderia ser revertido. Mas, eles contam com ações para neutralizar o aquecimento global antes que seja tarde demais.

Esta é a primeira vez que o manto de gelo da Groenlândia é estudado com tantos detalhes, usando um modelo de computador que combina modelos do clima e do manto de gelo.

degelo na groelândia
Imagem: National Snow and Ice Data Center

Referência:

Large and irreversible future decline of the Greenland ice sheet
The Cryosphere, 14, 4299–4322, 2020
DOI https://doi.org/10.5194/tc-14-4299-2020

 

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 03/12/2020

NENHUM SISTEMA DE SAÚDE DO MUNDO ESTÁ PREPARADO PARA AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS.

 aquecimento global

Imagem: NASA

Nenhum sistema de saúde do mundo está preparado para as mudanças climáticas

Todos os países – ricos ou pobres – têm sistemas de saúde precários frente aos desafios que as mudanças climáticas já começam a impor.

Esta é a principal mensagem da edição 2020 do relatório Contagem Regressiva Lancet (Lancet Countdown), um estudo sobre a relação entre mudança climática e saúde. O levantamento acompanha 40 indicadores nesse tema, e a edição, lançada em 2/12, apresenta as perspectivas mais preocupantes até o momento.

Por ClimaInfo

Os novos dados mostram que apenas metade dos países pesquisados elaboraram planos nacionais de saúde e clima, com apenas quatro informando financiamento nacional adequado, e menos da metade dos países realizou avaliações de vulnerabilidade e adaptação para a saúde. Enquanto isso, dois terços das cidades globais pesquisadas esperam que a mudança climática comprometa seriamente a infraestrutura de saúde pública.

Segundo o relatório, nas últimas duas décadas houve um aumento de 54% de mortes relacionadas ao calor entre idosos, com um recorde de 2,9 bilhões de dias adicionais de exposição a ondas de calor afetando quem tem mais de 65 anos em 2019 – quase o dobro da alta anterior. Nesse mesmo período, o Brasil experimentou 39 milhões de dias a mais de exposição às ondas de calor afetando sua população idosa em comparação com o início dos anos 2000. O cálculo da exposição de populações vulneráveis a ondas de calor é expresso em dias/pessoa, ou seja, o número de dias de ondas de calor em relação ao número de pessoas afetadas.

O documento ainda destaca que o calor e a seca provocaram aumento acentuado de exposição a incêndios, causando danos ao coração e ao pulmão devido à fumaça, além de queimaduras e deslocamentos de comunidades. Esse cenário foi especialmente devastador no Brasil em 2019, que devido às queimadas na Amazônia viu saltar em 28% o número de dias em que sua população esteve exposta a um risco de incêndio de muito alto a extremo desde o início do século.

“A pandemia nos mostrou que quando a saúde é ameaçada em escala global, nossas economias e modos de vida podem chegar a um impasse”, diz Ian Hamilton, diretor executivo da Lancet Countdown. “Os incêndios devastadores dos EUA e as tempestades tropicais deste ano no Caribe e no Pacífico, coincidindo com a pandemia, ilustraram tragicamente que o mundo não tem o luxo de lidar com uma crise de cada vez”.

“A pandemia da COVID-19 lançou um holofote sobre a capacidade atual dos sistemas de saúde para lidar com choques futuros que a mudança climática já começa a gerar”, afirma Hugh Montgomery, co-presidente da Lancet Countdown e doutor em terapia intensiva na University College London. Para ele a mudança climática amplia as desigualdades existentes na saúde entre os países e dentro deles. “Nosso relatório mostra que, assim como na Covid-19, os idosos são particularmente vulneráveis, e aqueles com uma gama de condições pré-existentes, incluindo asma e diabetes, correm um risco ainda maior”.

O relatório – uma colaboração entre especialistas de mais de 35 instituições, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Banco Mundial e liderado pelo University College London – vem a público às vésperas do 5º aniversário do Acordo de Paris, quando o mundo se comprometeu a limitar o aquecimento global a bem abaixo de 2ºC.

“Chegamos ao 5º aniversário do Acordo de Paris enfrentando as piores perspectivas para a saúde pública que nossa geração já viu”, lamenta Wenjia Cai, diretora do recém-lançado Centro Regional Lancet Countdown para a Ásia, sediado na Universidade de Tsinghua, em Pequim. “O não cumprimento de nossos compromissos climáticos pode tirar alguns objetivos-chave de desenvolvimento sustentável do alcance, assim como nossa capacidade de limitar o aquecimento.”

Riscos no Brasil

Um destaque que diz respeito ao Brasil são as mortes relacionadas à dieta alimentar: no Brasil são muito significativas – quase 248 mil por ano, dos quais quase 38 mil estão ligadas ao consumo excessivo de carne vermelha.

A poluição que causa milhares de mortes prematuras por inalação partículas finas (PM2,5) também é apontado no relatório com um problema crítico no país, sendo o transporte movido a combustíveis fósseis o principal responsável.

O relatório aponta ainda que houve um aumento das horas de trabalho perdidas devido ao calor extremo na América Latina – foram mais de 4 bilhões de horas perdidas em 2019 no Brasil, e as perdas médias nos últimos quatro anos são 36% maiores do que no início da década de 90. Enquanto isso, a dengue avança no continente, com o mosquito Aedes aegypti se adaptando cada vez mais aos ambientes urbanos de Brasil e Peru, ajudado, segundo o relatório, pelo armazenamento improvisado de água em resposta às estiagens e cortes de abastecimento.

Retomada Verde

Um editorial da Lancet publicado junto com o novo relatório destaca que a mudança climática e o risco de pandemia zoonótica compartilham os mesmos fatores, tornando-os inextricavelmente entrelaçados, de modo que devem ser tratados em conjunto.

Os 120 acadêmicos e médicos por trás do novo relatório dizem que se forem tomadas medidas urgentes para enfrentar a mudança climática – implementando planos para cumprir os compromissos de limitar os aumentos de temperatura global a bem abaixo de 2ºC – será possível mitigar esses choques e obter benefícios econômicos e de saúde. Ao mesmo tempo, estas ações poderiam reduzir o risco de futuras pandemias, porque os motores da mudança climática também podem impulsionar o risco de pandemia zoonótica (doenças infecciosas causadas por microorganismos que saltam de animais não humanos para humanos).

“Se quisermos reduzir o risco de futuras pandemias, devemos priorizar a ação sobre a crise climática – uma das forças mais poderosas que impulsionam as zoonoses hoje”, declara Richard Horton, editor-chefe da The Lancet. Para ele, este é o momento de proteger a biodiversidade e fortalecer os sistemas naturais dos quais depende nossa civilização. “Assim como vimos com a COVID-19, uma ação retardada causará mortes evitáveis.”

Os 7 milhões de mortes anuais por poluição do ar associadas à queima de combustíveis fósseis em todo mundo dão um exemplo desse potencial. Na Europa, modestos passos para promover setores de energia e transporte mais limpos viram as mortes por poluição atmosférica PM2,5 cair de 62 por 100 mil em 2015 para 59 por 100 mil em 2018. Globalmente, as mortes por PM2,5 ambientais associadas ao carvão caíram em 50 mil no mesmo ano.

Os ganhos de saúde, por sua vez, poderiam gerar muitos bilhões em benefícios econômicos. Por exemplo, a melhoria marginal da qualidade do ar da União Européia nos cinco anos até 2019 poderia valer cerca de US$ 8,8 bilhões por ano, se mantida constante.

Como a produção de alimentos é a fonte de um quarto das emissões mundiais de gases de efeito estufa, o relatório sugere que existe uma oportunidade semelhante para tratar de algumas das 9 milhões de mortes anuais ligadas à má alimentação. Com a pecuária sendo particularmente intensiva em emissões, o relatório examinou as mortes causadas pelo excesso de consumo de carne vermelha e constatou que a mortalidade aumentou 70% nos últimos 30 anos. Uma dieta com menos carne bovina teria portanto benefícios de saúde diretos e também indiretos, pela diminuição das emissões.

“Há uma oportunidade genuína de alinhar as respostas à pandemia e à mudança climática para proporcionar uma tripla vitória: melhorar a saúde pública, criar uma economia sustentável e proteger o meio ambiente”, afirma Maria Neira, diretora do Departamento de Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Saúde da Organização Mundial da Saúde. “Mas o tempo é curto. A incapacidade de enfrentar essas crises convergentes de modo simultâneo pode elevar a produção de combustíveis fósseis, colocando a meta mundial de 1,5ºC fora do alcance e condenando o mundo a um futuro de choques de saúde induzidos pelo clima.”

Outras conclusões-chave do relatório incluem:

• Novos dados a explorar: mortalidade relacionada com o calor, os custos econômicos da mortalidade relacionada com o calor e a perda de capacidade de trabalho, os benefícios para a saúde das dietas com baixo teor de carbono;

• A segurança alimentar global está ameaçada pelo aumento da temperatura e da freqüência de eventos climáticos extremos; o potencial de produção das principais culturas mundiais diminuiu de 1,8 – 5,6% de 1981 até os dias de hoje;

• Mais de 156 milhões de pessoas vivem em grandes áreas urbanas com níveis preocupantemente baixos de espaço verde;

• Dados por país disponíveis para algumas regiões mediante solicitação.

[1] Para a dengue, a suscetibilidade climática global à transmissão aumentou em 15% desde 1950.

A susceptibilidade à transmissão da malária em áreas montanhosas aumentou 39% na região africana da OMS, e 150% na região do Pacífico Ocidental da OMS desde os anos 50.

Desde 1982, a área da linha costeira adequada para surtos de infecções por vibrio aumentou 61% no Báltico e 99% no nordeste dos EUA (de 51% 1982-1986 para 82% 2015-2019) no Báltico, e 26% 1982-1986 a 55% 2015-2019 no nordeste dos EUA).

O relatório está disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)32290-X/fulltext

 

Do ClimaInfo, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/12/2020

CAI A NATALIDADE E A FECUNDIDADE NOS EUA DEPOIS DA PANDEMIA DA COVID-19

Cai a natalidade e a fecundidade nos EUA depois da pandemia da Covid-19

“Diferentemente das pragas da idade das trevas ou das doenças contemporâneas que ainda não compreendemos, a praga moderna da superpopulação é solúvel pelos meios que descobrimos e com os recursos que possuímos. O que falta não é conhecimento suficiente da solução, mas consciência universal da gravidade do problema e educação dos bilhões que são suas vítimas” Martin Luther King (1966)

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

[EcoDebate]

A taxa de natalidade (filhos pela população total) e a taxa de fecundidade (filhos por mulher) estão caindo nos EUA há bastante tempo, mas com a pandemia do novo coronavírus a trajetória de queda parece ser mais acentuada, embora ainda não haja dados definitivos.

O número de crianças nascidas vivas nos EUA bateu o recorde em 2007 e já apresentava tendência de redução. Dados do Center for Disease Control and Prevention (CDC) mostram que o número de nascidos vivos atingiu um pico em 1990, com 4,16 milhões de nascimentos, teve um declínio nos anos 1990 e voltou a subir na primeira década do século XXI, quando chegou a 4,06 milhões em 2000 e atingiu o zênite de 4,32 milhões de nascimentos em 2007. O gráfico abaixo mostra que o número de nascimentos ficou abaixo de 4 milhões a partir de 2010, atingindo 3,79 milhões em 2018.

crescimento da economia, da população e da renda per capita mundial

A taxa geral de fecundidade, que estava em torno de 90 por mil em 1970, caiu para 59,1 por mil em 2018 e os dados preliminares mostram que a taxa continua caindo em 2019 e chegou a 58 por mil no primeiro quadrimestre de 2020.

O Instituto PEW classifica as diferentes gerações da seguinte maneira: Geração silêncio (1928-45), Geração Baby boomers (1946-1964), Geração X (1965-80) e Geração do milênio ou Y ou Millennials (1981-96). Enquanto a “Geração Silêncio” era formada por filhos de famílias que passaram pela Grande Depressão e pela Segunda Guerra, valorizavam demais o emprego, o comportamento obediente e a liderança autoritária e tiveram muitos filhos e formaram a “Geração baby boomers”; a “Geração do milênio” é contemporânea das tecnologias digitais, do emprego flexível, do alto padrão de consumo e da busca individual pelo prazer. A “Geração do milênio” não está interessada em formar famílias grandes e há uma alta parcela de pessoas que prefere não ter filhos (childlessness).

Portanto, as novas gerações já apresentam uma tendência de adotar famílias menores. E esta realidade foi agravada pela pandemia da covid-19. Matéria de Eliana Dockterman, na revista Time (15/10/2020), mostra que muitas americanas jovens estão adiando a gravidez e outras estão, inclusive, desistindo de ter filhos. O resultado é que no ano de 2021 deve nascer menos 500 mil bebês, fazendo o número de nascidos vivos cair para 3,3 milhões de crianças no ano que vem, número equivalente àqueles da década de 1970 quando a população dos EUA era muito menor.

natalidade e fecundidade nos EUA

Se o número de nascimentos anuais permanecer abaixo de 4 milhões e a esperança de vida ao nascer ficar próxima de 80 anos, então a população dos EUA tenderia a ficar em torno de 320 milhões de habitantes (4 milhões vezes 80 = 320 milhões). Mas o número real dependeria das tendências da imigração. Se o fluxo de imigrantes ficar acima de 1 milhão por ano, então é possível que a população dos EUA chegue a 400 milhões até o final do século XXI. Mas uma queda mais substancial da fecundidade geraria uma população menor.

Qualquer número entre 350 e 400 milhões de habitantes não é pouca gente. Os EUA são o segundo maior emissor de gases de efeito estufa (GEE) e possuem emissões per capita muito elevadas. Uma redução da fecundidade é uma boa notícia para o meio ambiente. Como mostrou o relatório do Fórum Econômico Mundial, de janeiro de 2020, a crise climática é o maior risco global da atualidade. O esforço para reduzir as emissões de CO2 deve ser geral, mas, sem dúvida, menos crianças significa menos emissões.

Como disse o grande naturalista David Attenborough: “Todos os nossos problemas ambientais se tornam mais fáceis de resolver com menos pessoas e mais difíceis e, em última instância, impossíveis de resolver com cada vez mais pessoas”.

José Eustáquio Diniz Alves
Colunista do EcoDebate.
Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:

CDC, Births: Final Data for 2018, NVSS, Volume 68, Number 13, November 27, 2019
https://www.cdc.gov/nchs/data/nvsr/nvsr68/nvsr68_13-508.pdf

ELIANA DOCKTERMAN. Women Are Deciding Not to Have Babies Because of the Pandemic in USA, Time, 15/10/2020 https://time.com/5892749/covid-19-baby-bust/

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/12/2020

IMPORTÂNCIA DA BIODIVERSIDADE DO SOLO PARA PRODUÇÃO ALIMENTAR.

Importância da biodiversidade do solo para produção alimentar

Relatório aponta que degradação do solo afeta pelo menos 3,2 bilhões de pessoas ou 40% da população mundial; FAO diz que manejo sustentável do solo é vital para se alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS.

ONU News

Importância

Tecnologias podem ajudar a utilizar os solos de forma mais sustentável, FAO/Tanzania
Tecnologias podem ajudar a utilizar os solos de forma mais sustentável, FAO/Tanzania

Um novo relatório da agência mostra que os organismos do solo desempenham um papel crucial na produção de alimentos, preservação da saúde humana, recuperação de locais poluídos e combate à mudança climática. Mas a contribuição do solo continua subestimada,

Em comunicado, a vice-diretora-geral da FAO, Maria Helena Semedo, disse que “a biodiversidade do solo e o manejo sustentável são pré-requisitos para o cumprimento de muitos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”

Os solos são um dos principais reservatórios globais de biodiversidade.

Eles hospedam mais de 25% da diversidade biológica mundial. Além disso, mais de 40% dos organismos vivos em ecossistemas terrestres estão associados aos solos durante seu ciclo de vida.

Segurança alimentar

O papel dessa biodiversidade é fundamental para a agricultura e a segurança alimentar.

Os microrganismos que vivem nos solos, por exemplo, transformam compostos liberando nutrientes para alimentar as plantas. Essas transformações também são vitais para a filtração, degradação e imobilização de contaminantes.

A diversidade contribui também para melhorar o controle, prevenção ou supressão de pragas e patógenos.

Ameaças

Plantio de Acácias pode ajudar a recuperar solos degradados, Pnud Chad/Jean Damascene Hakuzim
Plantio de Acácias pode ajudar a recuperar solos degradados, Pnud Chad/Jean Damascene Hakuzim

Todas essas funções ​​podem ser ameaçadas por atividades humanas, mudanças climáticas e desastres naturais.

O uso excessivo e impróprio de agroquímicos é um dos principais fatores. Outros exemplos incluem desmatamento, urbanização, intensificação agrícola, perda de matéria orgânica, impermeabilidade da superfície, acidificação do solo, poluição, salinização, incêndios florestais, erosão e deslizamentos de terra.

Soluções baseadas na natureza podem ter um papel significativo para mitigar a mudança climática.

Os microrganismos que vivem no solo desempenham um papel fundamental no sequestro de carbono e na redução das emissões de gases de efeito estufa. Parte das emissões podem ser absorvidas pelas plantas e armazenada no solo através de decomposição microbiana, o que permite a retenção do carbono por longos períodos de tempo.

Esta biodiversidade também apoia a saúde humana, direta e indiretamente, através da regulação de doenças e da produção de alimentos.

Pragas

Degradação dos solos tem impato em migrações e insegurança alimentar, PMA/James Belgrave
Degradação dos solos tem impato em migrações e insegurança alimentar, PMA/James Belgrave

Diversas bactérias e fungos são usados ​​na produção de molho de soja, queijo, vinho e outros alimentos e bebidas fermentados. A relação entre as raízes das plantas e a biodiversidade do solo permite que as plantas gerem produtos químicos, como antioxidantes, que as protegem de pragas e outras ameaças.

Quando as pessoas consomem essas plantas, elas se beneficiam desses antioxidantes, estimulando seu sistema imunológico e contribuindo para a regulação hormonal.

Esses microrganismos também podem ajudar a prevenir doenças inflamatórias crônicas, incluindo alergia, asma, doenças autoimunes, inflamatórias intestinais e depressão.

Além disso, desde o início dos anos 1900, muitos medicamentos e vacinas foram derivados de organismos do solo, como é o exemplo de antibióticos bem conhecidos como a penicilina.

Segundo a FAO, com o aumento de doenças causadas por microrganismos resistentes, este recurso tem um enorme potencial para fornecer novos medicamentos para combatê-los.

Futuro

Projeto em Cuba, apoiado pela ONU, de recuperação de solos, Pnud
Projeto em Cuba, apoiado pela ONU, de recuperação de solos, Pnud

De acordo com o relatório, a adoção de práticas sustentáveis ​​ pelos agricultores continua sendo baixa devido à falta de suporte técnico e incentivos.

A publicação também destaca a necessidade de promover tecnologias inovadoras, como novas técnicas moleculares que permitem uma melhor compreensão dos organismos do solo.

Neste Dia Mundial, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, também destacou a importância deste recurso para a vida humana.

Impacto

Em comunicado, o especialista em solo da agência, Abdelkader Bensada, disse que os humanos “dependem e continuaram a depender dos serviços ecossistêmicos fornecidos pelos solos.”

Segundo o Pnuma, a poluição do solo tem um impacto adverso na segurança alimentar de duas maneiras. Primeiro, reduzindo o rendimento das safras devido aos níveis tóxicos dos contaminantes. Segundo, porque as safras de solos poluídos não são seguras para consumo por animais e humanos.

A poluição também pode fazer com que a qualidade do solo diminua com o tempo. Atualmente, a degradação da terra e do solo está afetando pelo menos 3,2 bilhões de pessoas, cerca de 40% da população mundial.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/12/2020 

O PIX É REALMENTE SEGURO?

 PIX

Imagem: Banco Central

 

O Pix é realmente seguro?

O Pix é realmente seguro? Novo sistema de pagamentos do Bacen possui diversas camadas de segurança para evitar fraudes

Para especialistas, o novo sistema é uma forma completamente segura e interoperável de pagamento, que vem para mudar a intermediação financeira do país

Por Camila Borba

Com transferências realizadas 24 horas por dia, todos os dias do ano – incluindo finais de semana e feriados, o Pix mudou o jogo dos meios de pagamento, pois cada transação custa muito pouco. O novo sistema, além de ser muito rápido e ter uma disponibilidade nunca antes vista no mercado financeiro, é seguro e eficaz tanto para quem paga quanto para quem recebe. Desde que foi anunciado pelo Banco Central, em fevereiro de 2020, a novidade já era esperada com grande expectativa pelo mercado de pagamentos brasileiro e, até o momento, a espera valeu a pena. Sua estreia oficial aconteceu no último dia 16 de novembro, e desde então, as operações bancárias ganharam uma nova velocidade e disponibilidade.

O Banco Central divulgou um manual de segurança, com todos os requisitos que os bancos e demais instituições de pagamento devem seguir para evitar fraudes. Em resumo, todas as transações e dados dos usuários precisam ser protegidos por suas medidas de segurança principais: a criptografia e a autenticação. “Os protocolos de segurança do Pix são os mesmos que para TEDs e DOCs, só que a nova modalidade possui ainda mais camadas segurança que são oferecidas pelas próprias instituições, pois elas usam os recursos como reconhecimento facial e biometria disponíveis nos smartphones”, explica Renata Alba, Gerente de Risco e Compliance e Jurídico da fintech Juno (www.juno.com.br), especializada em desburocratização de serviços financeiros.

Outro aspecto de segurança que o Bacen aponta é que o Pix substitui com tranquilidade a necessidade de dinheiro vivo em transações simples, como realizar compras no comércio, o que significa que os clientes não vão mais precisar carregar moedas e cédulas, diminuindo as chances de assaltos, por exemplo. “A primeira coisa que dá pra gente dizer é que a ideia do Pix é substituir o dinheiro em papel e isso por si só já é um movimento que traz mais segurança para o usuário final, que não vai precisar sair com dinheiro na carteira, evitando assaltos” afirma Marta Savi, responsável pelo Regulatório e Compliance da Juno.

Renata explica que por ser um sistema do próprio Banco Central, os processos de segurança envolvidos para que as instituições possam operar com o Pix são muito mais criteriosos do que em outros meios de pagamento, como o cartão de crédito, por exemplo. “É importante trazer também que as instituições que vão trabalhar como participantes diretos, como a Juno por exemplo, elas têm que ser autorizadas pelo Banco Central, e elas também tiveram que passar por todo um processo de homologação para poder oferecer Pix para seus clientes. Então foi um processo bastante longo, envolveu áreas de tecnologia, integrações, testes, e também a parte regulatória. Tudo isso para garantir a segurança do usuário e do comerciante que vai receber pagamentos por Pix”, ressalta a especialista.

Os participantes do Pix podem ser diretos ou indiretos. Entenda suas principais diferenças:

Participante direto: os participantes diretos são as instituições autorizadas a operar pelo Banco Central. No sistema de pagamentos instantâneos do BC, o participante direto oferece uma conta transacional para o usuário final que, para fins de liquidação, é o titular da conta.

Participante indireto: é a instituição que também oferece uma conta transacional para o usuário final, mas que não é titular da conta de Pagamentos Instantâneos no Banco Central nem possui uma conexão direta com o SPI (Sistema de Pagamentos Instantâneos). Esse tipo de participante utiliza os serviços de um liquidante no SPI com o objetivo de liquidar pagamentos instantâneos.

Nota da redação: Sobre o mesmo tema sugerimos que leia, também: PIX : o que é, como funciona, vantagens e riscos

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 09/12/2020