sábado, 25 de novembro de 2023

A CRISE CLIMÁTICA E AMBIENTAL É UMA AMEAÇA À SAÚDE HUMANA E À VIDA NA TERRA .

A crise climática e ambiental é uma ameaça à saúde humana e à vida na Terra, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

“Os humanos são incapazes de viver em harmonia com o planeta. Eles não sabem como fazer
isso e como seria uma coexistência harmoniosa. Porque eles nem conseguem ver
o quão parasitas, destrutivos e venenosos são para a Terra”
George Tsakraklides (26/10/2023)

A humanidade já ultrapassou 6 das 9 fronteiras planetárias, sendo que duas delas – Mudança climática e Perda de biodiversidade – são o que os cientistas chamam de “limites fundamentais” e tem o potencial para conduzir o Sistema Terra a um novo estado que levaria a civilização ao colapso.

Em junho de 2019 escrevi, aqui no Portal Ecodebate, o artigo “A vida na Terra tem duas ameaças vitais: mudanças climáticas e ecocídio” (Alves, 19/06/2019) onde argumentei que a ideia utópica de uma harmonia entre o crescimento da população e o desenvolvimento econômico estava se transformando em uma distopia, pois o desenvolvimento sustentável se tornou um oximoro e o tripé da sustentabilidade (social, ambiental e econômico) se transformando em um trilema.

Agora em 2023, a crise climática e ambiental está mudando de patamar com consequências extremamente danosas para a humanidade e as demais espécies do planeta. Com a aproximação da 28ª Conferência das Partes das Nações Unidas (COP28) sobre mudanças climáticas, a ser realizada em novembro, em Dubai, e a 16ª Conferência sobre a biodiversidade, na Turquia em 2024, os ambientalistas de todo o mundo fazem um forte apelo para que ser reconheça que estas crises estão interligadas.

Neste sentido, mais de 200 revistas científicas da área da saúde uniram-se para exigir que as organizações globais e os líderes políticos reconheçam que a crise climática e ambiental é tão grave que constitui uma emergência sanitária global.

O editorial “Time to treat the climate and nature crisis as one indivisible global health emergency”, publicado no periódico acadêmico British Medical Journal (BMJ), dentre outras publicações, afirma que “a mudança climática e a perda de biodiversidade não são desafios independentes, mas uma crise unificada que deve ser abordada em conjunto para preservar a saúde e evitar uma catástrofe iminente”.

O mundo natural é constituído por um sistema global interdependente. Os danos a um subsistema podem criar efeitos de retroalimentação (feedback) que prejudicam outros. Por exemplo, secas, incêndios florestais, inundações e outros efeitos do aumento das temperaturas globais destroem a vida vegetal e levam à erosão do solo e, assim, inibem o armazenamento de carbono, o que significa mais aquecimento global. O degelo dos polos, da Groenlândia e dos glaciares libera o CO2 aprisionado no gelo, afeta a circulação das correntes marinhas, destrói a vida marinha e eleva o nível dos oceanos.

O aumento das temperaturas, os fenômenos meteorológicos extremos, a poluição atmosférica e a propagação de doenças infecciosas são algumas das principais ameaças à saúde, exacerbadas pelas alterações climáticas. Acrescente-se a isto os problemas sociais como escassez de terra e moradia, insegurança alimentar, estresse hídrico, agravando aumento da pobreza e da fome e migração em massa de refugiados climáticos. As mudanças no uso da terra forçaram dezenas de milhares de espécies a um contacto mais próximo, aumentando o intercâmbio de agentes patogênicos e o surgimento de novas doenças e pandemias.

Assim, a emergência sanitária global já está provocando o aumento das taxas de mortalidade. A grande seca que ocorre na Amazônia em 2023 tem prejudicado a saúde de milhões de pessoas que vivem na maior floresta tropical e na maior bacia hidrográfica do mundo, mostrando que a falta ou má qualidade da água e do ar afetam a saúde humana e aumentam o número de óbitos.

As ondas letais de calor ceifam vidas em todo o mundo. Entre 2000 e 2019, estima-se que cerca de 489.000 pessoas tenham morrido a cada ano devido ao calor, segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM). A cidade de Phoenix, nos Estados Unidos, teve o ano mais mortal já registrado, com mortes por calor aumentando em 50%. Se a temperatura global superar o limite de 2º Celsius, do Acordo de Paris, haverá uma pandemia provocada pelo excesso de calor, o que vai afetar especialmente as populações mais idosas.

Os dois gráficos abaixo mostram duas tendências demográficas que estão altamente correlacionadas. O gráfico da esquerda mostra que a população mundial de 80 anos e mais de idade que era de menos de 100 mil pessoas no ano 2000 deve chegar próximo de 1 bilhão de pessoas no ano 2100. Com o envelhecimento da população global, cresce também as mortes. O número de óbitos do mundo que estava abaixo de 50 milhões por ano em meados do século passado, chegou a 60 milhões atualmente, deu um salto para 70 milhões durante a pandemia da covid-19, voltou para casa de 60 milhões, mas vai ter um crescimento expressivo e deve chegar a 120 milhões de óbitos em 2100.

Portanto, o número de óbitos no mundo aumentará, inexoravelmente, devido ao envelhecimento populacional e a mudança da estrutura etária. Mas a emergência sanitária global pode agravar as fatalidades, afetando a saúde especialmente da população idosa.

231120 população mundial de 80 anos ou mais

Portanto, a crise climática e ambiental pode ter impactos significativos na saúde humana e no meio ambiente, e esses impactos podem, indiretamente, contribuir para o surgimento de condições que favorecem o surgimento de doenças e novos desafios para a saúde pública. Alguns dos fatores relacionados à crise climática que podem influenciar a saúde e a propagação de doenças são:

  • Aumento da temperatura: O aumento das temperaturas pode influenciar a distribuição geográfica de vetores de doenças, como mosquitos que transmitem doenças como malária e dengue.

  • Mudanças nos padrões de precipitação: Alterações nos padrões de chuva podem afetar a disponibilidade de água potável e contribuir para a propagação de doenças transmitidas pela água.

  • Eventos climáticos extremos: Eventos climáticos extremos, como furacões, inundações e secas, podem causar deslocamento populacional, falta de acesso a alimentos e água limpa, aumentando o risco de surtos de doenças infecciosas.

  • Mudanças nos ecossistemas: Alterações nos ecossistemas podem afetar a biodiversidade e, por sua vez, a dinâmica de doenças zoonóticas, que são transmitidas de animais para humanos.

  • Aumento da poluição do ar: A crise climática também pode estar associada a níveis mais elevados de poluição do ar, o que pode ter impactos negativos na saúde respiratória e aumentar a suscetibilidade a infecções respiratórias.

O estudo, publicado na revista Nature Medicine indicou que mais de 61 mil pessoas podem ter morrido durante as sufocantes ondas de calor da Europa no ano passado e países do Mediterrâneo – Grécia, Itália, Portugal e Espanha – tiveram a maior taxa de mortalidade de acordo com o tamanho da população.

Artigo publicado na revista acadêmica The Lancet (Romanello et al, 14/11/2023) mostrou que as mortes de pessoas com mais de 65 anos relacionadas ao calor extremo já aumentaram 85% desde a década de 1990 e o número de pessoas que correm o risco de morrer devido aos efeitos do calor extremo pode aumentar em cinco vezes até 2050.

Há oito anos, a revista Lancet começou a compilar as pesquisas mais recentes sobre como as mudanças climáticas afetam a saúde humana. Foi o primeiro esforço coordenado para destacar as descobertas científicas sobre as consequências das alterações climáticas para a saúde, publicado na esperança de tornar o tema mais central nas negociações climáticas globais. Os relatórios anuais da Lancet sobre este tema, que resumem pesquisas conduzidas por dezenas de cientistas de instituições líderes em todo o mundo, têm assumido um tom cada vez mais terrível.

A publicação de 14 de novembro de 2023 foi o relatório mais contundente até agora. Com base em pesquisas publicadas em 2022 e em dados preliminares sobre ondas de calor e inundações recordes em 2023, a Contagem Regressiva sobre Saúde e Mudanças Climáticas da Lancet alerta para “danos irreversíveis” devido ao ritmo limitado na mitigação das fontes do aquecimento global, principalmente a combustão de combustíveis fósseis.

Ao contrário dos “countdowns” anteriores, o relatório deste ano inclui projeções sobre a forma como as alterações climáticas influenciarão a saúde humana num cenário em que as temperaturas globais aumentam, em média, 2º Celsius em relação aos níveis pré-industriais. Esse aquecimento produziria um aumento de 370% nas mortes anuais relacionadas com o calor, colocaria mais 525 milhões de pessoas em risco de sofrer de insegurança alimentar moderada ou grave e potencialmente estimularia um aumento de 37% na propagação do vírus mortal da dengue, transmitido por mosquitos. Bilhões de pessoas podem ser afetadas pela crise climática.

A Contagem Regressiva da revista Lancet é publicada todos os anos antes da Conferência das Partes (COP). O momento da publicação do relatório visa estimular os negociadores climáticos a terem em conta as suas conclusões nas suas discussões.

A COP28 deste ano, que acontecerá em Dubai de 30 de novembro a 12 de dezembro, contará com um “dia da saúde” pela primeira vez na história do evento, um sinal de que a sobreposição entre clima e saúde está finalmente a tornar-se mais do que apenas uma reflexão tardia para os negociadores .

Portanto, embora a crise climática possa não gerar diretamente epidemias, ela deve criar condições que favorecem a propagação de doenças e representar desafios adicionais para a saúde pública. No longo prazo, as ondas letais de calor certamente irão provocar mais mortes do que a pandemia da covid-19.

A mitigação da crise climática e a adaptação a essas mudanças são cruciais para minimizar os impactos na saúde humana e na saúde das demais espécies vivas da Terra.

José Eustáquio Diniz Alves
Doutor em demografia, link do CV Lattes:
http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:

ALVES, JED. A vida na Terra tem duas ameaças vitais: mudanças climáticas e ecocídio, Ecodebate, 19/06/2019 https://www.ecodebate.com.br/2019/06/19/a-vida-na-terra-tem-duas-ameacas-vitais-mudancas-climaticas-e-ecocidio-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

Abbasi K, Ali P, Barbour V, Benfield T, Bibbins-Domingo K, Hancocks S et al. Time to treat the climate and nature crisis as one indivisible global health emergency BMJ, 25 October 2023 https://www.bmj.com/content/383/bmj.p2355

Marina Romanello et al. The 2023 report of the Lancet Countdown on health and climate change: the imperative for a health-centred response in a world facing irreversible harms, The Lancet, November 14, 2023 https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(23)01859-7/fulltext

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394

GELEIRAS DOS ANDES PERDERAM 42% DA SUPERFÍCIE NOS ÚLTIMOS 30 ANOS .

Geleiras dos Andes perderam 42% da superfície nos últimos 30 anos

Estudo aponta que as Geleiras dos Andes tropicais encolheram 42% entre 1990 e 2020, passando de um máximo de 2.429,38 km2 para apenas 1.409,11 km2.

Esse crescimento sem precedentes da perda de geleiras, tanto em extensão quanto em volume, pode ser atribuído às mudanças climáticas e a fatores não climáticos como o aumento das queimadas florestais nos últimos anos na Amazônia, que geram carbono negro que pode acelerar o recuo das geleiras.

degelo dos andes

As geleiras dos Andes tropicais estão passando por uma rápida redução, com potenciais impactos ambientais, culturais e econômicos para as populações locais, alerta um artigo científico publicado na revista Remote Sensing por especialistas da iniciativa MapBiomas Amazônia em colaboração com a Universidade Nacional Agrária La Molina, o Instituto de Pesquisas em Glaciares e Ecossistemas de Montanha, ambos do Peru, e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, do Brasil.

O estudo aponta que entre 1990 e 2020 foi constatada uma perda de 42% da cobertura das geleiras tropicais andinas, que passou de um máximo de 2.429,38 km2 para apenas 1.409,11 km2. O recuo registrado nas últimas três décadas equivale a quase metade da extensão das geleiras tropicais andinas registrada em 1990. Esse crescimento sem precedentes da perda de geleiras, tanto em extensão quanto em volume, pode ser atribuído às mudanças climáticas e a fatores não climáticos como o aumento das queimadas florestais nos últimos anos na Amazônia, que geram carbono negro que pode acelerar o recuo das geleiras ao entrar na superfície das geleiras.

“A queima das florestas gera carbono negro, que acelera o recuo das geleiras quando entra em contato com sua superfície”, explica Efrain Turpo, que liderou o estudo. Turpo destaca que a perda de geleiras afeta a integridade dos ecossistemas que dependem do ciclo da água, agricultura, abastecimento de água potável, geração de eletricidade, turismo, entre outros. Maria Olga Borja, coautora do artigo, reforça a importância de reduzir as emissões que se originam na destruição de florestas para dar lugar a outros usos da terra, como agricultura e pecuária. O estudo ressalta ainda a urgência de os governos nacionais tomarem medidas decisivas para combater a crise climática, incluindo políticas e programas de adaptação às alterações climáticas, nomeadamente em bacias com geleiras, de forma a reduzir os impactos do degelo.

As geleiras tropicais andinas estão localizadas entre o Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio (entre as latitudes 23?N e 23?S) dentro da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). O ritmo de mudança é rápido, com uma perda média anual de 28,42 km2. As mais afetadas foram as geleiras que estão a menos de 5.000 metros acima do nível do mar, que em 30 anos perderam quase 80,25% de sua área. A aceleração foi mais significativa a partir de 1995, quando a perda da Bacia Amazônica supera a de outras bacias. Em 2020 elas possuíam uma área aproximada de 869,59 km2.

Ao cobrir toda a região dos Andes tropicais em 36 anos de mapeamento anual, este estudo do MapBiomas Amazônia pode ser considerado o mais abrangente atualmente disponível, diz Raúl Espinoza, coautor do trabalho.

Os países mais afetados

países mais afetados pelo degelo dos AndesAs geleiras tropicais andinas estão presentes, com extensões muito variadas, em todos os países andinos. Aqueles com as maiores áreas são Peru (72,76%), Bolívia (20,35%) e Equador (3,89%). As maiores áreas glaciais, 44,75% do total, ocorrem na faixa entre -14° a -10° latitude, que contém as Cordilheiras Peruanas Blanca, Vilcanota, Vilcabamba e Urubamba. Nesses países, o recuo das geleiras em 2020 em relação a 1990 foi de 41,19% no Peru, de 42,61% na Bolívia e de 36,37% no Equador.

Colômbia, Chile e Argentina juntos respondem por 6,89% da cobertura das geleiras tropicais andinas (3,89%, 2,18%, 0,78% e 0,04%, respectivamente). A Venezuela tem percentual inferior a 0,01%, ou cerca de 0,03 km2. Apesar disso, teve uma perda de cobertura em 2020 em relação a 1990 de 96,93%. Na Colômbia, esse percentual foi de 60,19%; no Chile, de 47,24%; e na Argentina, de 45,47%.

Além dos impactos ambientais e econômicos, a retração das geleiras leva à perda de bens culturais, uma vez que as montanhas nevadas são de especial valor para as populações locais. “As populações dos países andinos vivem ainda hoje uma simbiose única entre o telúrico, o emocional e o natural, de modo que suas montanhas nevadas ao longo da Cordilheira dos Andes formam parte de sua visão de mundo, envolvendo mitos, lendas e práticas sociais e culturais ancestrais que sobrevivem até hoje, então a perda das geleiras representa um impacto em sua vida material e simbólica cotidiana”, aponta o sociólogo Raúl Borja Núñez.

Metodologia

Espinoza destaca a abordagem metodológica inovadora utilizada, uma vez que a extensão das geleiras foi derivada por meio de algoritmos de classificação semiautomatizados aplicados a dados de satélite. Ele afirma que isso tem sido possível graças aos avanços em termos de acessibilidade e continuidade temporal dos dados de satélite e ao desenvolvimento de plataformas de computação em nuvem.

“A análise do MapBiomas Amazônia apresenta uma nova compreensão das mudanças que as geleiras estão experimentando anualmente em diferentes áreas da cordilheira tropical dos Andes, conhecimento que é vital para uma melhor gestão dos recursos hídricos e adaptação às mudanças climáticas das populações andinas”, afirma Maria Olga Borja, coautora do artigo. Graças aos avanços nos últimos anos na acessibilidade e continuidade temporal dos dados de satélite e no desenvolvimento de plataformas
de computação em nuvem, como o Google Earth Engine, foi possível mapear a evolução histórica da mudança das geleiras.

O MapBiomas Amazônia utiliza tecnologia de ponta para monitorar as mudanças no uso da terra na Bacia Amazônica e monitorar as pressões sobre suas florestas e ecossistemas naturais. Essa iniciativa resulta da colaboração da Rede MapBiomas, com sede no Brasil, e da Rede Amazônica de Informações Socioambientais Georreferenciadas (RAISG), que reúne organizações civis de seis países amazônicos.

Leia o artigo completo em: https://www.mdpi.com/2072-4292/14/9/1974/htm (acesso aberto) Saiba mais sobre o projeto MapBiomas Amazônia aqui: https://amazonia.mapbiomas.org/

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394

PERDA DE GELO NOS ANDES AMEAÇA BACIA AMAZÔNICA .

 Perda de gelo nos Andes ameaça Bacia Amazônica

Perda de gelo nos Andes ameaça Bacia Amazônica

A perda de gelo nos Andes, uma das maiores cadeias de montanhas do mundo, tem um impacto significativo na Bacia Amazônica, a maior floresta tropical do mundo.

Estudo do MapBiomas Amazônia aponta que as Geleiras dos Andes tropicais encolheram 42% entre 1990 e 2020, passando de um máximo de 2.429,38 km2 para apenas 1.409,11 km2. Esse crescimento sem precedentes da perda de geleiras, tanto em extensão quanto em volume, pode ser atribuído às mudanças climáticas e a fatores não climáticos como o aumento das queimadas florestais nos últimos anos na Amazônia, que geram carbono negro que pode acelerar o recuo das geleiras.

Esta perda de gelo é uma grande ameaça porque os Andes fornecem água para a Bacia Amazônica por meio de rios e riachos que fluem da montanha para a floresta. À medida que o gelo derrete, esses rios e riachos estão se tornando mais irregulares, com períodos de seca mais longos e inundações mais frequentes.

Essas mudanças estão tendo um impacto negativo no ecossistema da Bacia Amazônica. As secas estão causando a morte de árvores e plantas, enquanto as inundações estão destruindo habitats e levando à erosão do solo.

Os cientistas estimam que a perda de gelo nos Andes poderia reduzir o fluxo de água para a Bacia Amazônica em até 20%. Isso teria um impacto devastador na floresta, que é essencial para o clima global.

A Bacia Amazônica é um importante sumidouro de carbono, absorvendo grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera. A perda de gelo nos Andes poderia levar a um aumento nas emissões de gases de efeito estufa, o que agravaria as mudanças climáticas.

O governo brasileiro, que é responsável pela maior parte da Bacia Amazônica, está tomando algumas medidas para mitigar os impactos da perda de gelo nos Andes. O governo está investindo em projetos de reflorestamento e conservação para ajudar a proteger a floresta.

No entanto, mais ação é necessária para proteger a Bacia Amazônica. Os governos de outros países da América do Sul, que também são afetados pela perda de gelo nos Andes, precisam se unir para encontrar soluções para esse problema global.

 

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394