quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Derretimento recorde na Antártida aumenta tempestades .


O recuo recorde do gelo marinho da Antártida em 2023 levou a tempestades mais frequentes sobre partes recém expostas do Oceano Antártico

Um estudo, “Record-low Antarctic sea ice in 2023 increased ocean heat loss and storms”, publicado na revista Nature revela que o recorde de derretimento do gelo marinho antártico em 2023 causou um aumento na perda de calor oceânico para a atmosfera e um consequente aumento na frequência de tempestades em áreas antes cobertas de gelo.

A pesquisa, usando dados de satélite e medições oceanográficas e atmosféricas, mostra que algumas regiões tiveram o dobro da perda de calor em comparação com períodos anteriores a 2015, com aumento de até sete dias de tempestades por mês.

Essa perda de calor pode alterar a circulação oceânica e o clima global, afetando a absorção de calor e dióxido de carbono pelos oceanos. Os autores apontam a necessidade de pesquisas adicionais para avaliar completamente os impactos climáticos dessa redução do gelo marinho.

Principais descobertas:

Recuo recorde do gelo marinho:

O ano de 2023 testemunhou um recuo sem precedentes do gelo marinho na Antártida, superando reduções observadas desde 2016.

A quantidade de gelo que não se reformou durante o inverno foi recorde, com impacto significativo em diversas áreas.

Aumento da perda de calor do oceano:

O estudo revelou que as áreas recém expostas do Oceano Antártico devido ao recuo do gelo marinho experimentaram um aumento drástico na perda de calor para a atmosfera.

Algumas regiões apresentaram o dobro da perda de calor em comparação com um período mais estável anterior a 2015.

Aumento na frequência de tempestades:

O aumento da perda de calor oceânico para a atmosfera foi acompanhado por um aumento na frequência de tempestades nas áreas anteriormente cobertas de gelo.

Em algumas regiões, a frequência de tempestades de junho a julho aumentou em até 7 dias por mês em comparação com o período de 1990 a 2015.

Implicações para o sistema climático e o oceano:

O recuo do gelo marinho e o aumento da perda de calor oceânico podem ter implicações importantes para a circulação oceânica e o sistema climático global.

A camada de água do fundo antártico, que normalmente absorve e armazena calor, pode ser afetada pelo recuo do gelo marinho, causando potenciais mudanças na forma como o oceano regula o clima.

Além disso, a capacidade do Oceano Antártico de absorver dióxido de carbono pode ser reduzida.

Necessidade de mais pesquisa:

Os autores enfatizaram a necessidade de mais pesquisas para entender completamente as implicações climáticas e ambientais do recuo do gelo marinho.

É crucial avaliar se o recuo do gelo marinho pode ter consequências ainda mais abrangentes para o sistema climático global.

As anomalias do fluxo de calor líquido do gelo marinho e da superfície revelam o aumento da perda de calor do oceano para a atmosfera nas regiões de declínio do gelo
As anomalias do fluxo de calor líquido do gelo marinho e da superfície revelam o aumento da perda de calor do oceano para a atmosfera nas regiões de declínio do gelo

Referência:

Josey, S.A., Meijers, A.J.S., Blaker, A.T. et al. Record-low Antarctic sea ice in 2023 increased ocean heat loss and storms. Nature 636, 635–639 (2024). https://doi.org/10.1038/s41586-024-08368-y

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394

Microplásticos encontrados em peixes e frutos do mar .

 

Microplásticos estão amplamente presentes nos frutos do mar consumidos por pessoas, sugere estudo

As pequenas partículas que se desprendem de roupas, embalagens e outros produtos plásticos estão se acumulando nos peixes que as pessoas consomem, de acordo com um novo estudo, conduzido por pesquisadores da Portland State University, destacando a necessidade de tecnologias e estratégias para reduzir a poluição por microplásticos no meio ambiente.

Com base em pesquisas anteriores sobre a prevalência de microplásticos em bivalves, como ostras do Pacífico e amêijoas, pesquisadores direcionaram o foco para peixes com nadadeiras e crustáceos comumente consumidos.

O novo trabalho foi publicado na revista Frontiers in Toxicology.

A equipe buscou preencher lacunas sobre a contaminação por microplásticos em peixes e frutos do mar do Oregon, além de compreender melhor as variações nos níveis tróficos, que classificam a posição de um peixe na cadeia alimentar, e os caminhos até os consumidores.

A equipe quantificou partículas antropogênicas, materiais produzidos ou modificados por humanos, encontradas no tecido comestível de seis espécies economicamente ou culturalmente importantes no Oregon: salmão Chinook (Oncorhynchus tshawytscha), lingcod (Ophiodon elongatus), sebastes (Sebastes melanops), camarão rosa (Pandalus jordani), lampreia do Pacífico (Entosphenus tridentatus) e arenque do Pacífico (Clupea pallasii)

Eles compararam as concentrações de partículas entre os níveis tróficos e avaliaram se a posição na cadeia alimentar influenciava o tipo e a quantidade de contaminantes nos tecidos comestíveis, além de analisar diferenças entre amostras obtidas diretamente de embarcações de pesquisa e aquelas adquiridas em supermercados e vendedores de frutos do mar.

O estudo encontrou 1.806 partículas suspeitas em 180 de 182 amostras individuais. Fibras foram as mais abundantes, seguidas por fragmentos e filmes.

Entre as espécies analisadas, o camarão rosa, que se alimenta por filtração logo abaixo da superfície da água, apresentou as maiores concentrações de partículas em seus tecidos comestíveis. O salmão Chinook teve as menores concentrações, seguido pelo sebastes e pelo bacalhau.

Embora o grupo esperasse que o processamento, desde a captura até o consumidor, introduzisse contaminantes adicionais de embalagens plásticas usadas para conservar os frutos do mar, isso não foi verdade para todas as espécies.

Os pesquisadores enxaguaram os filés de peixe e os camarões, replicando o que a maioria das pessoas faz em casa antes de prepará-los, sugerindo que, em alguns casos, contaminantes adicionais que podem aderir à superfície durante o processamento podem ser removidos com a lavagem.

Os resultados do estudo, no entanto, fornecem evidências da presença generalizada de partículas nos tecidos comestíveis das espécies marinhas e de água doce do Oregon.

Os pesquisadores afirmam que os resultados indicam a necessidade de mais estudos para entender os mecanismos pelos quais as partículas se deslocam para o tecido muscular, que é consumido pelos humanos, bem como de intervenções políticas para regulamentar as partículas antropogênicas.

Os autores não estão defendendo que as pessoas deixem de consumir frutos do mar, pois, como os autores destacam, os microplásticos já estão em todos os lugares: em água engarrafada, cerveja, mel, carne bovina, frango, hambúrgueres vegetarianos e tofu.

Microplásticos encontrados em peixes e frutos do mar
Nomes de espécies (comuns e científicas) e justificativa para amostragem. In DOI: 10.3389/ftox.2024.1469995

 

Referência:

Summer D. Traylor et al, From the ocean to our kitchen table: anthropogenic particles in the edible tissue of U.S. West Coast seafood species, Frontiers in Toxicology (2024). DOI: 10.3389/ftox.2024.1469995

 

* Com informações da Portland State University

in EcoDebate, ISSN 2446-9394

Comércio agrícola global, perda de biodiversidade e aumento do preço dos alimentos .

 Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

O mundo tem produzido cada vez mais alimentos e a demanda global crescerá bastante até 2050.

A população global deve crescer de aproximadamente 8 bilhões (2022) para cerca de 9,5 bilhões em 2050. Estima-se que a produção de alimentos precisará aumentar entre 50% e 70% em relação aos níveis de 2010 para atender às necessidades dessa população crescente, especialmente em países em desenvolvimento onde o crescimento populacional será mais acentuado.

Porém, a agricultura e a pecuária têm um impacto significativo nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), contribuindo de maneira substancial para o aquecimento global.

O setor agrícola responde por cerca de 20% das emissões globais de GEE, dependendo da metodologia utilizada para os cálculos. Quando incluídos desmatamento e mudanças no uso da terra associados à expansão agrícola, essa participação pode ultrapassar 30%. A pecuária contribui com aproximadamente 15% das emissões globais, de acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura).

Outro impacto da agropecuária é sobre a perda de biodiversidade. O artigo “Biodiversity impacts of recent land-use change driven by increases in agri-food imports” (Cabernard, Pfister & Hellweg, 2024), publicado na Nature Sustainability, constatou que o comércio internacional foi responsável por mais de 90% da perda de biodiversidade. A perda causada entre 1995 e 2022 se deve à conversão de áreas naturais em terras agrícolas.

Ao contrário dos modelos mais antigos que não consideravam áreas de pousio, perda permanente de espécies e tempo de recuperação do ecossistema, o novo modelo usou dados de satélite para avaliar todo o desenvolvimento de uma área, inclusive após o fim da agricultura. Este modelo também considera os fluxos comerciais e seu impacto em diferentes regiões.

Devido ao aumento das exportações agrícolas, mais de 80% do uso da terra mudou na América Latina, África, Sudeste Asiático e Pacífico. Os principais importadores desses produtos são China (26%), EUA (16%), Oriente Médio (13%) e Europa (8%). Pontos críticos como Brasil, Indonésia, México e Madagascar registraram mais de 50% de perda devido à mudança no uso da terra. O estudo mostra que as conexões entre comércio global e perda de biodiversidade são altamente complexas, mas de grande importância.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que foram aprovados pela ONU no ano de 2015, estabeleceu, no Objetivo # 2, a meta de acabar com a fome até 2030, além de garantir o acesso de todas as pessoas, em particular os pobres e indivíduos em situações vulneráveis, incluindo crianças e idosos, a alimentos seguros, nutritivos e suficientes durante todo o ano. Porém, o quadro atual não é favorável.

De fato, a fome vinha diminuindo no mundo nas últimas décadas e o ODS # 2 expressou uma visão otimista da possibilidade de erradicar a fome no contexto da Agenda 2030 da ONU. Contudo, a situação mudou com a pandemia da covid-19 e piorou ainda mais com a invasão da Ucrânia pela Rússia e outros conflitos armados internacionais. Por conseguinte, o preço dos alimentos atingiu um nível recorde em 2022.

O gráfico abaixo, da FAO, mostra que os recordes históricos de alta do Índice de Preços dos Alimentos (FFPI) aconteceram em 1974 e 1975 (quando houve o primeiro choque do petróleo) e a década de 1971-80 foi a que teve a maior média decenal da série, com 110,2 pontos. Nas décadas de 1980 e 1990 os preços dos alimentos caíram e marcaram os menores valores do século XX. Mas a comida voltou a ficar mais cara no século XXI, com o índice FFPI de 2022 batendo o recorde de aumento em mais de 100 anos, além do recorde histórico de alta no quadriênio 2021-2024 (este foi o quadriênio com a média mais alta do preço dos alimentos em 100 anos).

FAO food price index 1961 2024

Historicamente, o aumento do preço dos alimentos provoca uma elevação do percentual da população mundial sujeita à fome e à insegurança alimentar. O conjunto das atividades antrópicas já superou a capacidade de carga do Planeta, mas os diversos governos do mundo só pensam no crescimento demoeconômico, sem tomar medidas efetivas para a restauração da natureza.

Por conseguinte, o aumento do preço dos alimentos é apenas um indicador de um conflito cada vez maior entre a ECOnomia e a ECOlogia e que é agravado pelas disputas econômicas e políticas.

Neste quadro, as perspectivas para o ano de 2025 é de manutenção de preços elevados para os alimentos. Além da perda de biodiversidade, o sofrimento será maior entre as populações mais pobres e nos países mais vulneráveis à volatilidade do preço dos bens de subsistência.

José Eustáquio Diniz Alves
Doutor em demografia, link do CV Lattes:
http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:

ALVES, JED. Crescimento demoeconômico no Antropoceno e negacionismo demográfico, Liinc em Revista, RJ, v. 18, n. 1, e5942, maio 2022 https://revista.ibict.br/liinc/article/view/5942/5595

ALVES, JED. A Era da comida barata acabou, Ecodebate, 06/12/2021
https://www.ecodebate.com.br/2021/12/06/a-era-da-comida-barata-acabou/

ALVES, JED. A crise climática agrava a crise alimentar, Ecodebate, 04/03/2024
https://www.ecodebate.com.br/2024/03/04/a-crise-climatica-agrava-a-crise-alimentar/

CABERNARD, L., PFISTER, S., & HELLWEG, S. (2024). Biodiversity impacts of recent land-use change driven by increases in agri-food imports. Nature Sustainability, 7(11), 1512-1524. DOI: https://doi.org/10.1038/s41893-024-01433-4

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394

Bateu o desespero! Governo LULA entra em desespero com decisão do META. HADDAD cancela férias .


 

#3 BOLSONARO ACIONA STF APÓS PEDIDO DE TRUMP! A MÁSCARA DE BIDEN E DA ESQUERDA CAIRAM .


 

QUE DESASTRE ÉPICO! LULA e Moraes saem completamente derrotados. Fiasco histórico .


 

BOLSONARO NA POSSE DE TRUMP! LULA FICOU LOUCO! TRUMP VIRÁ AO BRASIL! MORAES FICA FURIOSO COM CONVITE .