segunda-feira, 27 de agosto de 2012
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
O desastre de sempre: Ideb 2011
O desastre de sempre: Ideb 2011, artigo de Paulo Nathanael Pereira de Souza
[Correio Braziliense] É inegável que o Brasil cultiva, hoje, duas aspirações nacionais prioritárias: o fortalecimento da democracia e o desenvolvimento socioeconômico. Em ambos os casos, a educação do povo se torna indispensável pré-requisito.
E, quando se fala em educação popular, fala-se necessariamente na conclusão de um ensino básico de qualidade, com diploma dos cursos fundamental e médio (12 anos de escolaridade). O que, aliás, tem sido um sonho. Além de haver aproximadamente um milhão e meio de jovens fora da escola, estando eles em plena idade escolar, os que conseguem matrícula são, em grande parte, vítimas da reprovação e da evasão.
No ensino fundamental, o problema é menos grave, embora as taxas brasileiras sejam as mais altas da América Latina. No ensino médio, as causas se complicam porque apenas 1/3 dos concluintes do fundamental nele se matriculam e muitos dos que o fazem abandonam o curso no meio do caminho por achá-lo maçante, antiquado e discursivo.
No que estão carregados de razão. Afinal, vivemos a era da informação e temos novas gerações vidradas no saber ilustrado e digitalizado, de pouco texto e muita imagem, menos teoria e mais aplicabilidade das lições da sala de aula, sendo que, por essas e outras razões, nossas escolas funcionam ainda no passo lento dos carros de boi.
A pedagogia da integração dos saberes com a tecnologia avançada da comunicação (TV, DVD, computadores, tablet, telefone digital etc. etc.), que justificaria algum avanço no didatismo docente, está a anos luz do que se pratica nas salas de aula.
E que dizer do despreparo dos professores? São heróis do insucesso. Na sua (in) capacitação profissional, intoxicaram-se de teorias clássicas algumas, experimentais outras sem aprender, na prática, a aplicabilidade delas todas no dia a dia das aulas, pois os estágios duram uma parcela mínima da carga horária total do curso (de 10% a 20%).
O fracasso docente, medido por todas as avaliações, sejam internacionais, como as da Unesco e da OCDE, sejam nacionais, como o Saeb e o Ideb, mostra que o alunado da educação básica no Brasil se diploma, seja na 9ª série do fundamental, seja na 3ª do médio, sem saber ler e escrever com correção e clareza, ou fazer cálculos que ultrapassem as quatro operações aritméticas.
Como, pois, diante de um quadro desses, pretender que o Brasil alcance o status de nação do Primeiro Mundo (é bom lembrar que, se no PIB estamos entre os 10 países mais bem dotados, no IDH, que é o que conta hoje, nosso lugar é o 84º), e venha a ser uma democracia plena, em que o povo educado assume o protagonismo consciente da cidadania e gere com responsabilidade o seu destino?
Senhores governantes, a infraestrutura deste país é importante nos seus aspectos materiais de estradas, aeroportos etc. etc., mas depende essencialmente, para o sucesso final, da educação qualificada de todo o povo, mesmo os sem-teto e os moradores dos grotões da pátria conditio sine qua non de todo o resto.
Que os dados estarrecedores divulgados pela mídia no dia 15 do corrente mês referentes ao Ideb 2012 tenham o mérito de inquietar os brasileiros quanto ao futuro do País nos próximos anos e de inspirar os governos para a necessidade de ações de emergência capazes de tirar nossa educação do atoleiro em que se encontra. Como tenho assinalado em meus escritos: O Brasil, que sempre soube educar suas elites, jamais aprendeu a educar o povo. Vamos mudar?
Paulo Nathanael Pereira de Souza é doutor em Educação
Artigo originalmente publicado no Correio Braziliense e socializado pelo Jornal da Ciência / SBPC, JC e-mail 4568
EcoDebate, 24/08/2012
Área de gelo do Oceano Ártico sofre recuo recorde
Redução da área de gelo do Oceano Ártico
A área de gelo do Oceano Ártico apresentou um encolhimento recorde, superando o mínimo anterior de 2007, em um sinal de como a mudança climática está transformando a região, de acordo com algumas estimativas científicas. Matéria da Reuters, no Estadão.com.br.
“Atingimos a área mínima de gelo hoje (quinta-feira). Nunca se mediu menos do que agora”, disse à Reuters Ola Johannessen, diretor fundador do Nansen Environmental and Remote Sensing Center, na Noruega. “Está abaixo do mínimo de 2007.”
No entanto, o National Snow and Ice Data Center (NSIDC), dos Estados Unidos, considerado por muitos a principal autoridade com relação ao gelo marinho, projetou que o recorde de extensão mínima de 2007 deverá ser quebrado na semana que vem. A redução registrada no verão em geral continua em setembro.
Outros cientistas que monitoram o gelo interpretam os dados de satélite de formas ligeiramente diferentes.
Um painel sobre o gelo compilado pelo Instituto Dinamarquês de Meteorologia (DMI, na sigla em inglês) mostrou que a extensão de gelo encolheu um pouquinho a mais que o mínimo de 2007. O DMI informou que discordaria do NSIDC para julgar quando o recorde foi batido.
O gelo tem encolhido constantemente nas últimas décadas no Ártico, ameaçando o sustento das pessoas nativas e a vida selvagem. A mudança também tem ajudado a abrir uma área rica em petróleo e gás e traz a promessa de rotas marítimas novas e mais curtas.
“Isso se deve à mudança climática”, disse Nicolai Kliem, chefe do serviço de gelo do DMI, sobre o declínio do gelo no verão no longo prazo. Cientistas calculam que o gelo marinho no verão poderá desaparecer por completo nas próximas décadas.
O recuo do gelo pode estar se autoalimentando. O gelo reflete a luz solar de volta ao espaço e, à medida que encolhe, expõe a água escura que absorve mais calor, acelerando o derretimento.
EcoDebate, 24/08/2012
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
CAMPO DE REFUGIADOS NA TURQUIA
"Não estão fazendo o suficiente para ajudar sírios" , diz MSF
O diretor-geral da organização, Filipe Ribeiro, disse que é necessária uma assistência humanitária que não tenha relações com ações políticas e diplomáticas.
Jovem sírio ferido é carregado em maca em Alepo, na Síria: as autoridades sírias já comunicaram que a MSF não é bem-vinda.
Paris - A Médicos Sem Fronteiras (MSF), que há dois meses enviou uma equipe para a Síria, disse nesta terça-feira que garantir o acesso das organizações humanitários no país é indispensável e denunciou que a comunidade internacional ''não está fazendo o suficiente'' pela população do país.
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O diretor-geral da organização, Filipe Ribeiro, disse que é necessária uma assistência humanitária que não tenha relações com ações políticas e diplomáticas.
''O plano de paz da ONU não funcionou bem, mas não se deve confundir ação humanitária com política. Esperamos que a comunidade internacional nos deixe entrar no país e tratar dos pacientes'', disse o representante da associação.
É a primeira vez que a Médicos Sem Fronteiras trabalha no interior da Síria, após várias tentativas fracassadas e ''condições de acesso extremamente complexas''. Apesar de não se sentirem acuados nem pelo exército nem pelos rebeldes, a associação prefere não divulgar sua localização para garantir a continuidade da missão.
Segundo Ribeiro, as autoridades sírias já comunicaram que a MSF não é bem-vinda e que se encontra em situação ilegal. Porém, embora tenham dito que conhecem a localização da associação, que ficaria em uma zona controlada por rebeldes, não deram sinais de que atacariam a missão.
Desde meados de junho, a associação já atendeu mais de 300 pacientes e realizou cerca de 50 cirurgias na Síria, a maioria delas em pessoas com ferimentos de bala.
''Nossas portas estão abertas para todo o mundo'', indicou a cirurgiã Anna Nowak, que insistiu que não interessa saber se o paciente é um combatente ou uma vítima civil, mas ''se respira ou não, ou se tem alguma fratura''.
Fonte: EXAME.com
CAMPO DE REFUGIADOS NO SUDÃO DO SUL
© Shannon Jensen
5 de julho de 2012 - Avaliações preliminares revelam índices de mortalidade quase duas vezes maiores do que o limiar para emergências em um acampamento no estado do Alto Nilo, no Sudão do Sul, atual morada de um quarto dos quase 120 mil refugiados que fugiram do estado de Nilo Azul desde o final do ano passado, segundo alerta a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF).
Os índices de mortalidade são derivados de pesquisas rapidamente realizadas no campo de refugiados de Jamam, na região de Maban, anteriores às pesadas chuvas sazonais que inundaram o acampamento e aumentaram gravemente os riscos de doenças para os refugiados já enfraquecidos. Todas as agências envolvidas em atividades de socorro humanitário, lideradas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), devem encontrar alternativas melhores para as pessoas que estão vivendo em Jamam. Caso contrário, é quase certo que mais miséria e mortes acontecerão.
“Essas pessoas fugiram da terrível violência no Sudão e perderam membros de suas famílias durante a árdua jornada em busca de segurança, e agora estão assentadas em campos para refugiados em uma planície inundada, morrendo de doenças evitáveis devido às péssimas condições de vida”, disse Tara Newell, coordenadora de emergência de MSF em Jamam.
Trazendo na bagagem histórias de violência e extenuantes condições vividas em Nilo Azul, refugiados no estado do Alto Nilo, no Sudão do Sul, em muitos casos já doentes, chegam a um local inapropriado para acomodar centenas de milhares de pessoas. Um terreno desértico e argiloso nas estações secas e uma planície pantanosa inundada durante as chuvas; há poucas ilhas de solo seco e é extremamente complicado localizar áreas para perfurar e fazer poços. Os refugiados se depararam com abrigos e estrutura de saneamento inadequados, bem menos quantidade de água limpa do que o padrão mínimo necessário e, agora, as inundações estão aprofundando a crise.
Após chuvas fortes, grande parte do acampamento de Jamam – um dos três existentes na área – inundou. As latrinas inundadas contaminaram a água parada, que não é apropriada para consumo humano. Há ainda a falta de água potável. Muitos dos residentes, incluindo crianças, dormem com as roupas molhadas debaixo de cobertores ensopados, o que os torna vulneráveis à hipotermia.
Nas duas últimas semanas, as equipes médicas de MSF em Jamam trataram pelo menos 2500 pessoas com doenças diarreicas, respiratórias, malária e desnutrição. Com o aumento das chuvas, cada vez mais pessoas adoecem, principalmente de malária e hipotermia. Crianças pequenas são as mais vulneráveis.
“Nossa clínica já está repleta de crianças com pneumonia, diarreia e desnutrição”, disse a Dra. Erna Rijnierse, que trabalha com MSF em Jamam. “Se continuarem submetidas a essas condições, as consequências podem ser profundamente angustiantes.”
Os dados médicos preliminares reunidos por MSF no campo de Jamam na semana de 18 de junho, anterior às constantes chuvas fortes, revelaram um índice de mortalidade infantil de 2.8 em 10 mil por dia, acima do limiar de emergência de 2/10 mil por dia. O índice bruto, ou resultado consolidado, foi de 1.8. Uma morte a cada 10 mil pessoas por dia é o limiar de emergência, o que define esta como uma situação grave. Considerando somente o campo de Jamam, significa dizer que todos os dias cerca de duas a três crianças morrem. Sessenta e cinco por cento das mortes estivavam relacionadas à diarreia.
As chuvas vão também exacerbar ainda mais as condições de higiene nos acampamentos, criando condições ideais para a disseminação de doenças. A lama já está dificultando muitíssimo o transporte para todos os campos de refugiados na área. Para atender às demandas imediatas que salvariam vidas, estradas e pistas de pouso precisam de melhorias para facilitar o transporte de agentes comunitários e de equipamento pesado, para assim alcançar níveis adequados de assistência para essa população extremamente vulnerável e exausta.
“As condições de vida em Jamam estão agora simplesmente inaceitáveis”, disse Newell. “É preciso que todas as agências envolvidas, lideradas pelo ACNUR, unam-se para elaborar uma solução que possa proteger esses refugiados dos riscos à saúde associados às péssimas condições de moradia no acampamento. Temos de proceder com um grande senso de urgência.”
MSF oferece ajuda aos refugiados no estado do Alto Nilo desde novembro de 2011, em hospitais, clínicas móveis, centros de alimentação terapêutica intensiva e campanhas de vacinação contra o sarampo. Equipes da organização realizam mais de 6 mil consultas por semana para os refugiados no estado do Alto Nilo. MSF também distribui itens essenciais para sobrevivência (como lonas plásticas, cobertores e galões), providenciando água e pontos de reidratação, monitorando índices de mortalidade e morbidade entre os refugiados recém-chegados e prestando assistência de emergência às pessoas que se deslocam da fronteira rumo aos acampamentos e que se movimentam entre eles.
Fonte: www.msf.org.br/Emergencia-Sudao-Sul
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
O HOMESTEAD ACT (ATO DE PROPRIEDADE RURAL)
imagohistoria.blogspot.comEnquanto a Lei de Terras do Brasil colocava obstáculos ao trabalhador livre para o acesso à terra, o Homestead Act. de 1862, nos EUA, doava terra a todos os que desejassem nela trabalhar e produzir riquezas. O governo norte-americano oferecia 160 acres de terra arável a quem os cultivasse por pelo menos cinco anos. Isso atraiu para o oeste dos Montes Apalaches gente de todo o mundo, além dos naturais do país, que já viviam precariamente nas áreas urbanas do nordeste dos EUA, região em franco processo de industrialização na época.
Como resultado do Homestead Act, ocorreu a conquista do oeste do território e seu povoamento, a dinamização da economia, a formação de um grande mercado interno de consumo. que, por sua vez, estimulou o desenvolvimento industrial.Lembramos, todavia, que isso custou o massacre de populações indígenas, no qual houve a interferência direta do exército dos EUA.
A política de terras no Brasil e a existência da escravidão foram fortes fatores contra a imigração estrangeira. Enquanto, no período amplo de 1800 a 1955, os EUA receberam cerca de 40 milhões de imigrantes, o Brasil recebeu apenas 4,3 milhões. Com certeza, uma política democrática de acesso à terra teria beneficiado o desenvolvimento social e econômico do Brasil.
Rio+20 ou Rio+23?
A Rio+20 – Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que aconteceu em junho no Rio de Janeiro – reuniu 188 países, entre chefes de Estado e representantes, para discutir temas sobre desenvolvimento sustentável e definir uma agenda de ações para as próximas décadas. “Com o evento, temas como cidades, consumo e produção sustentáveis, desastres naturais, trabalho verde, governança local e outros avançaram para novos patamares de importância na discussão global”, destaca Renato Eugênio de Lima, geólogo e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Apesar da grande expectativa criada em torno do evento que marcou 20 anos de realização da Conferência Rio-92, no entanto, a Rio+20 sofreu muitas críticas por não apresentar medidas concretas e imediatas para o desenvolvimento sustentável em seu documento final “O futuro que queremos”. Assim, muitas ações e discussões foram deixadas para 2015, quando serão estabelecidos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que deverão ser adotados pelos países signatários. Esses padrões ainda não foram definidos, mas entram em voga daqui a três anos, quando findam os Objetivos do Milênio da ONU (veja box), definidos em 2000.
Faltaram resoluções e líderes
Vários pontos colocados para discussão na Rio+20 acabaram sem resolução, como o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) por meio de sua transformação em uma agência da ONU. O documento final da reunião prevê o fortalecimento do órgão, contudo não determina como isso ocorrerá. “Faltou a elaboração de um documento plausível, com objetivos, metas e prazos a serem cumpridos pelos países. O Brasil, enquanto líder das discussões, teve uma postura conciliadora entre as diferentes posições dos países participantes”, avalia Lucas César Sant´ana, geógrafo e docente da Universidade Estadual de Maringá (UEM), que participou do encontro como voluntário do comitê nacional de organização.
Outro assunto pendente diz respeito ao financiamento de ações para o desenvolvimento sustentável em países com menos recursos. Foi proposta a criação de uma espécie de agência financeira global, um fundo de US$ 30 bilhões por ano, constituído por recursos dos países ricos, medida essa não contemplada nas resoluções da Conferência. Sant´Ana aponta a conjuntura econômica mundial como um dos entraves para a falta de ações concretas resultantes da Rio+20. “A ideia me parece pertinente, porém o momento não foi oportuno para que se alcançasse a formação dessa agência, o que ficou para agendas futuras”, explica.
“Vários países não estavam seguros sobre qual caminho seguir num momento em que enfrentamos crise econômica, e isso gerou um sentimento de frustração. Por outro lado, os eventos oficiais paralelos à Conferência e às reuniões de ONGs e lideranças sociais foram muito instigadores, e as discussões, muito proveitosas”, pondera Lima.
Alexandre Soares Rosado, docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concorda que o documento final é vago em diversos pontos e não estabelece metas capazes de serem mensuradas. “Quando o assunto é preservação ambiental, não temos mais tempo para ‘meias-medidas’. Entretanto, ainda considero o documento importante e relevante por estabelecer uma boa base para uma discussão mais profunda no futuro”, salienta.
Para Walter Leal Filho, professor da Universidade de Hamburgo (Alemanha), “o documento [final da Conferência] lista muitas das ações necessárias no futuro, de forma que não se pode negar sua utilidade. O que nos falta agora são mecanismos para a implantação das medidas declinadas no documento”.
A ausência de líderes de países de destaque, como Barack Obama (presidente dos Estados Unidos), Angela Merkel (chanceler da Alemanha) e Yoshihiko Noda (primeiro-ministro do Japão) foi outro aspecto enfraquecedor da reunião. Segundo Rosado, a ausência desses nomes já era esperada. “Existem grandes interesses econômicos que se opõem de uma maneira equivocada aos temas discutidos em reuniões como a Rio+20. O problema é que negar ou fugir do problema não significa que ele irá desaparecer”, alerta. “A participação dos chefes de Estado dos EUA, Alemanha e Japão daria uma maior publicidade ao evento, entretanto seus representantes cumpriram seu papel, principalmente quanto ao posicionamento louvável da secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton com relação aos direitos das mulheres” (leia reportagem), defende Sant´ana.
Para que serve?
Apesar das críticas em relação ao documento final da Rio+20 e à ausência de chefes de Estado importantes, Rosado considera essenciais encontros como a Rio+20. “As críticas são inúmeras e incluem os gastos de se fazer reuniões desse porte. Sempre ficamos com uma sensação de ‘fala-se muito e pouco se faz’, mas ainda assim acredito que é de grande valor que os líderes das nações do globo se reúnam em torno de um objetivo comum. A força política dessas reuniões não deve ser menosprezada”, acredita.
“As discussões são naturalmente lentas quando temos tantos grupos distintos e muitas vezes com interesses conflitantes, mas é esse o melhor caminho para se conquistar uma agenda global, um pacto para um futuro melhor. Apenas espero que os líderes sejam mais pró-ativos e que tenhamos tempo suficiente para implantar as mudanças necessárias”, assinala Rosado.
Na opinião de Leal, esses eventos aumentam a visibilidade do tema. “Mesmo sendo por um espaço curto de tempo, essas reuniões são importantes para que a comunidade mundial se encontre, converse e analise os problemas atuais e futuros”. Já Rosado acrescenta que eventos desse porte servem para mobilizar a opinião pública em torno dos grandes temas relacionados à preservação do planeta. “Não são reuniões técnicas e os assuntos não são discutidos com a profundidade que merecem, mas corroboram a intenção de comprometimento de diversas nações do globo para alcançarmos um futuro melhor”, afirma.
Lima aponta que seria útil aperfeiçoar as reuniões prévias, com discussões mais profundas e maior exigência de comprometimento nos momentos anteriores as grandes Conferências. “É preciso também reforçar o papel das reuniões específicas, transformando as grandes reuniões em momentos de confirmação de avanços acordados em fóruns mais especializados”, sugere. Esses eventos, enfatiza, não devem tentar emplacar medidas de última hora, como se tentou em Copenhagen, na COP-15: “Estão em jogo interesses relevantes de cada país e isso não permite acordos sem prévia análise e longa discussão.”
Na análise de Sant´ana, o Brasil, como líder de uma conferência desse porte, perdeu a oportunidade de apresentar propostas mais efetivas. “Nós tivemos a Rio-92, passamos pela Rio+20 e não sabemos se teremos uma Rio+40. Se os problemas decorrentes da degradação ambiental já estão em curso, então por que suas soluções são proteladas?”, indaga. A questão que fica é quando partiremos da discussão à prática.
Objetivos do Milênio
Em 2000, a ONU estabeleceu com 189 países um compromisso para lutar contra a extrema pobreza e outros problemas sociais, acordo que resultou nos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), com o prazo até 2015 para serem alcançados. São eles:
1) Redução da pobreza;
2) Atingir o ensino básico universal;
3) Igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres;
4) Reduzir a mortalidade na infância;
5) Melhorar a saúde materna;
6) Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças;
7) Garantir a sustentabilidade ambiental;
8) Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento.
Matéria de Patricia Piacentini, no pré-Univesp – Número 23 – Balanço da Rio+20, indicada por Valdir Lamim-Guedes
EcoDebate, 20/08/2012