quarta-feira, 18 de setembro de 2013

CÂNCER INFANTIL.

Cristo Redentor fica às escuras para alertar sobre câncer infantil

18/09/2013 - 16h48
Paulo Virgilio
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – O Cristo Redentor, monumento símbolo da cidade do Rio de Janeiro, ficará às escuras às 20h de hoje (18), por um minuto, para marcar o Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma. A iniciativa é da Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (Tucca) e tem como objetivo chamar a atenção para o retinoblastoma, tumor ocular bastante comum em crianças, e que pode ser curado com o diagnóstico precoce.
De acordo com a entidade, são registrados no Brasil, a cada ano, cerca de 400 novas ocorrências da doença, sendo que 40% delas são de origem hereditária. As estimativas apontam que 50% dos casos são identificados tardiamente, o que reduz a probabilidade de cura.
“Se o pediatra notar um brilho anormal ou uma mancha branca na pupila, é necessário encaminhar o paciente ao oftalmologista, que terá condições de fazer o diagnóstico preciso”, explica o médico Sidnei Epelman, oncologista pediátrico e presidente da Tucca. Ele defende que nas consultas regulares do pediatra seja feito o chamado teste do olhinho ou do reflexo vermelho, com o aparelho conhecido como oftalmoscópio.
O especialista alerta que, quando o tumor é identificado em estágio avançado, o tratamento requer a retirada dos olhos, sem contar o risco de morte da criança. Para o tratamento do retinoblastoma são empregados recursos terapêuticos como a quimioterapia intra-arterial.
A Tucca é uma organização não governamental, com 15 anos de atividade, que atende a crianças e adolescentes carentes com câncer, além de atuar na pesquisa, diagnóstico precoce e capacitação de profissionais. A ação para alertar sobre o retinoblastoma ocorrerá também, no mesmo horário – 20h – em dois locais da capital paulista, os relógios do Conjunto Nacional e da Sala São Paulo.

Edição: Beto Coura

MENSALÃO OU PASTELÃO ?

Celso de Mello vota a favor de reabertura de julgamento

18/09/2013 - 16h49
André Richter
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal  (STF), votou a favor do recurso que permite a reabertura do julgamento de 12 réus condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão. A votação sobre a validade dos embargos infringentes estava empatada em 5 a 5 e foi definida com voto de Mello, favorável ao recurso. Mesmo com a votação em 6 a 5, o resultado do julgamento não foi anunciado para que outras questões sejam decididas, após o intervalo da sessão.
Celso de Mello iniciou o voto afirmando que os julgamentos no Supremo devem ocorrer de forma imparcial, sem pressões externas, como da imprensa e da sociedade. Para o ministro, qualquer decisão tomada de acordo com clamor público é inválida. “Devem ser assegurados todos os meios e recursos da defesa, sob pena de nulidade de persecução penal”, explicou.

Segundo Mello, o cidadão tem assegurado direito constitucional de se manifestar, porém, o julgamento de qualquer réu não pode ser influenciado. “Todo cidadão tem direito à livre expressão. Sem  prejuízo da ampla liberdade de crítica, os julgamentos do Poder Judiciário, proferidos em ambiente de serenidade, não podem se deixar contaminar por juízos paralelos, resultantes de manifestações da opinião pública”, argumentou.

Sobre os embargos infringentes, Celso de Mello entendeu que os recursos são válidos, porque estão previstos no Regimento Interno do Supremo. De acordo com o ministro, a Lei 8.038/1990, que trata dos recursos em tribunais superiores, não excluiu a utilização do recurso. Para o ministro, nas ações penais que começam no STF, réus têm direito a novo julgamento, pois não há instância superior ao Supremo para que os réus possam recorrer das condenações.
Nas sessões anteriores, os ministros Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki, Rosa Weber, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski votaram a favor da validade do recursos. Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Marco Aurélio foram contra.
A questão gerou impasse porque os embargos infringentes estão previstos no Artigo 333 do Regimento Interno do STF, porém, a Lei 8.038/1990, que trata do funcionamento de tribunais superiores, não faz menção ao uso do recurso na área penal.
 
Edição: Carolina Pimentel

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Qual é o futuro do processo do "mensalão"?

Leia as perguntas e respostas abaixo e entenda o que pode acontecer com a Ação Penal 470 a depender do voto do ministro Celso de Mello
Na quarta-feira 18, o ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, tem uma decisão importante para tomar na Ação Penal 470, o julgamento do "mensalão". Mello deve decidir se o STF pode ou não acolher os chamados embargos infringentes, um tipo de recurso apresentado pelos réus. Os embargos infringentes estão previstos no regimento interno do STF, mas uma lei editada em 1990 sobre o funcionamento de tribunais superiores não faz menção ao uso da ferramenta na área penal. Sendo assim, há dúvidas se esses recursos podem ou não ser aceitos, e é isso o que o STF precisa esclarecer.
Abaixo, algumas questões em aberto sobre o que pode acontecer daqui para frente:
Por que Celso de Mello irá decidir tudo sozinho?
Celso de Mello dará apenas o "voto de minerva" na decisão dos embargos infringentes. Até aqui, a votação está empatada em 5 a 5. Votaram por acatar os embargos infringentes Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki, Rosa Weber, José Antonio Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski. Foram contrários aos embargos Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello.
Por que Celso de Mello não votou junto com os demais ministros?
Na quinta-feira passada, Celso de Mello tentou votar junto com os demais colegas, mas, de acordo com relato do jornal O Estado de S.Paulo, a iniciativa foi bloqueada pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa. Mello teria dito que votaria em cinco minutos, mas a alegação oficial era que a sessão não podia continuar pois três ministros deveriam participar de uma sessão do Tribunal Superior Eleitoral que começaria logo em seguida.
O que acontecerá se Celso de Mello votar contra os embargos infringentes?
Se o ministro não acatar os embargos, o Ministério Público Federal ou até mesmo o relator do processo, Joaquim Barbosa, podem pedir a prisão dos réus, já na quarta-feira. O plenário do STF é que deve decidir se as prisões devem ou não ocorrer de forma imediata.
Há outros recursos por parte dos réus?
Em tese, os réus têm direito a apresentar outro embargo de declaração, tipo de recurso que já foi rejeitado pelo STF. Expediente semelhante foi usado recentemente pelo deputado federal Natan Donadon (sem partido-RO). Condenado em ação penal pelo STF, Donadon apresentou um segundo embargo de declaração, mas o STF considerou que esta era uma medida meramente protelatória, cujo objetivo era mantê-lo fora da cadeia. Com a decisão, o STF determinou a prisão imediata de Donadon.
O que acontecerá se Celso de Mello votar a favor do embargos infringentes?
O STF está decidindo se os embargos infringentes podem ou não ser acolhidos. A base do julgamento é um recurso apresentado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Se o STF decidir pelo acolhimento, os réus que foram condenados com ao menos quatro votos por sua absolvição podem então apresentar os embargos infringentes.
Quem pode se beneficiar?
Segundo levantamento da Agência Brasil, seriam beneficiados pelos embargos infringentes pelo menos 12 réus: João Paulo Cunha, João Cláudio Genu e Breno Fischberg (no crime de lavagem de dinheiro); José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Marcos Valério, Kátia Rabello, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e José Salgado (no de formação de quadrilha); e Simone Vasconcelos (revisão das penas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas).
A aprovação dos embargos absolve Dirceu, Genoino e outros envolvidos?
Não. Se os embargos forem aceitos, os réus que têm direito a eles serão julgados novamente naqueles crimes. Nos outros, a decisão permanece.
Em caso de aprovação dos embargos, em quanto tempo eles serão julgados?
Não é possível saber. Após a publicação do acórdão do julgamento (o que deve ocorrer assim que possível), os réus têm 15 dias para apresentar os recursos. À medida que os embargos forem apresentados, eles serão distribuídos (eletronicamente) a algum dos ministros, que deve ser o novo relator e atrair para si todos os recursos. Joaquim Barbosa, relator original do "mensalão", e Lewandowski, o revisor, não participam do sorteio. A data do novo julgamento dependerá em grande parte da velocidade do trabalho do ministro sorteado. Ele precisará apresentar um novo relatório ao plenário que, então, decidirá novamente sobre a culpa dos réus.
Fonte : Revista Carta Capital

DESMATAMENTO ILEGAL NA AMAZÔNIA

Ibama intensifica fiscalização para combater desmatamento ilegal na Amazônia


Mais de 1,5 mil agentes ambientais e militares do Exército estão atuando na Amazônia Legal para combater o desmatamento ilegal. As equipes contam com seis helicópteros e mais de 100 veículos adaptados para apoiar as operações Onda Verde e Hileia Pátria, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Os primeiros resultados foram o embargo de 252 mil hectares e a apreensão de 117 mil metros cúbicos de madeira serrada e 68 mil de metros cúbicos de madeira em tora. Também foram emitidos 4 mil autos de infração, com multas que chegam a R$ 1,9 bilhão, e apreendidos 158 tratores, 86 caminhões, 291 motosserras e 44 armas de fogo.
De caráter preventivo, a Operação Onda Verde começou em fevereiro e tem seis frentes atuando centradas em áreas críticas, que respondiam por mais de 70% do desmatamento da Floresta Amazônica. Os fiscais ambientais estão concentrados no norte de Rondônia, nas imediações da capital, Porto Velho, e no sul do Amazonas, no eixo da Transamazônica, em que os alertas de desmatamento e de degradação são provocados por pressão da agropecuária, da grilagem e de assentamentos.
Com duração prevista até o fim do ano, a Onda Verde tem ainda duas bases em Mato Grosso, nos municípios de Sinop e Juína, com grande influência da agropecuária, e três bases no Pará, em Novo Progresso, onde se concentram os casos de grilagem e pecuária, e em Anapu e Uruará, com grande pressão da pecuária e dos assentamentos.
Em maio, foi incorporada uma nova frente de trabalho, a Hileia Pátria, que tem apoio logístico e de inteligência do Exército e atuação mais repressiva, para coibir a extração ilegal de madeira em terras indígenas e unidades de conservação. No Maranhão, agentes ambientais estão percorrendo as áreas indígenas de Alto Turiaçu, Awá, Caru e Arariboia, além da Reserva Biológica do Gurupi. Eles fecharam 27 serrarias, o que resultou na apreensão de 4 mil metros cúbicos de madeira beneficiada e em toras. As multas aplicadas até o momento chegam a quase R$ 4,5 milhões.
A Hileia Pátria tem ações também em Rondônia, no Pará, no Amazonas e em Mato Grosso. “Observamos em várias situações a tentativa de burlar a fiscalização com camuflagem de equipamentos com tratores pintados de verde e escondidos no meio da floresta”, disse o coordenador-geral de Fiscalização Ambiental do Ibama, Jair Schmitt.
Na terça-feira (10), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Ibama informaram que o número de alertas sobre desmatamento e degradação da Floresta Amazônica aumentou 35% entre agosto de 2012 e julho de 2013, na comparação com igual período anterior. As imagens de satélite do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter) orientam as equipes ambientais onde há concentração de alertas para que a fiscalização se intensifique nesses locais.
Segundo Schmitt, o aumento de alertas está relacionado à degradação por uso do fogo e por exploração seletiva da madeira. “O papel da fiscalização ambiental é fazer com que as áreas degradadas não sejam convertidas em corte raso [remoção total da floresta nativa em uma área] e que não exista uma atividade produtiva ilegal nessas áreas”.
Schmitt ressaltou que há uma mudança na dinâmica do crime ambiental, já que “o infrator não se arrisca mais a fazer o corte raso imediatamente”, por causa do trabalho dos fiscais e do monitoramento diário dos satélites. “O infrator primeiro começa fazendo uma degradação pelo fogo, mas o Ibama consegue interferir nesse processo antes que se converta em desmatamento ilegal.”
Edição: Nádia Franco

Reportagem de Ana Cristina Campos, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 16/09/2013

domingo, 15 de setembro de 2013

MAIS MÉDICOS.

Universidade federal se nega a ajudar programa Mais Médicos e CRM-PE investiga médicos que dão treinamento a estrangeiros

Ao menos 13 universidades federais em nove Estados do país disseram não ao Mais Médicos, programa do governoDilma Rousseff para suprir a carência desses profissionais no interior e nas periferias de grandes centros.
A participação das federais era prevista pela gestão petista para ser um braço acadêmico do programa, mediante indicação de tutores e supervisores para acompanhar a atividade dos médicos brasileiros e estrangeiros.
Ao lado do gestor do SUS em cada local, os supervisores também têm a atribuição de fiscalizar a jornada semanal de 40 horas dos médicos.
A reportagem é de Lucas Reis e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 14-09-2013.
Já os tutores, além do acompanhamento acadêmico dos bolsistas, ganham R$ 5.000 para serem ainda chefes dos supervisores - devendo acompanhar a atuação deles, que farão visitas aos médicos e manterão contato por telefone e pela internet.
Sem as federais, a gestão Dilma terá de recorrer a instituições estaduais, municipais ou até particulares, como no Amazonas, onde as duas únicas faculdades públicas de medicina se recusaram a aderir ao programa.
A Folha procurou as 45 instituições federais com curso de medicina, requisito do Ministério da Educação para adesão ao projeto. Dessas, 23 confirmaram a participação, 13 informaram que não aderiram, quatro ainda analisam e cinco não responderam.
Um dos principais motivos de resistência é a atuação dos médicos estrangeiros (principalmente cubanos) sem a necessidade de revalidação do diploma deles no país.
Além disso, algumas alegam faltar dados sobre a responsabilidade que os tutores terão sobre os participantes.
"A unidade acadêmica considerou inadequado se envolver no treinamento dos profissionais estrangeiros, uma vez que o decreto que criou o programa proíbe os conselhos regionais de medicina de verificar a legalidade da documentação apresentada", diz Lúcia Kliemann, vice-diretora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
A Universidade Federal de Ouro Preto afirmou, em nota, que "o grupo de docentes da medicina decidiu por não aderir a esta primeira etapa pelo fato de os médicos estrangeiros não realizarem o Revalida [prova para revalidar os diplomas de profissionais formados no exterior]".
Procurados pela reportagem, os dois ministérios que participam do Mais Médicos não comentaram a resistência das federais em aderir ao programa. A pasta da Saúde diz que o assunto é competência da Educação, para quem o tema cabe à Saúde.
Conselho investiga médicos que dão treinamento a estrangeiros em PE
Uma sindicância no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco investiga dois professores da Faculdade de Medicina da universidade federal local.
A acusação contra eles: ensinar medicina a um grupo de "não médicos". No caso, são os estrangeiros do programa federal Mais Médicos, que não têm o Revalida (exame de revalidação do diploma) e, por isso, não são considerados médicos pelo conselho.
Rodrigo Cariri, 36, e Paulo Roberto de Santana, 57, foram nomeados tutores da Universidade Federal de Pernambuco para o programa e participaram, no Recife, do período de treinamento aplicado aos profissionais estrangeiros.
"Estão nos processando como se tivéssemos cometido um erro médico", diz Cariri.
"No meu entender é perseguição política. Temos passado por constrangimento, estamos sendo acusados de faltar com a ética, minha família está sendo incomodada, preciso dar satisfações sobre isso o tempo todo."
Código de ética
O Sindicato dos Médicos de Pernambuco, após assembleia, enviou a acusação ao CRM com base no artigo 49 do Código de Ética Médica: "Assumir condutas contrárias a movimentos legítimos da categoria médica com a finalidade de obter vantagens".
O presidente do sindicato, Mário Jorge Lobo, traduz a acusação. "Os médicos estrangeiros não fizeram o Revalida e não tinham ainda este registro provisório. Portanto, não eram considerados médicos", afirma.
"E quem ensina medicina a não médicos está cometendo uma infração", completa.
Segundo Cariri, a AGU (Advocacia Geral da União) os representará no processo.
Os dois profissionais afirmam que continuarão participando do programa.
"Não estou cometendo um crime, apenas participando de um projeto nacional para levar mais médicos ao povo brasileiro", disse Santana.
O CRM-PE diz que a investigação corre em sigilo e que os dois médicos poderão até, em decisão extrema, ter os registros cassados.
"Nem tudo que é legal é ético. A legislação em questão não é a da Justiça comum", afirma a presidente do conselho regional, Helena Maria Carneiro Leão.
O sindicato nega promover perseguição política.
"Não foi uma denúncia do sindicato, mas da assembleia, que é soberana", disse Lobo à reportagem.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos.

sábado, 14 de setembro de 2013

Desperdício de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos tem consequências no clima, na água, na terra e na biodiversidade, ao custo de US$ 750 bilhões.

Novo estudo da FAO aponta que os custos econômicos diretos podem chegar a 750 bilhões de dólares por ano. São necessárias novas políticas e experiências bem sucedidas precisam ser ampliadas e replicadas
desperdício de comida

O impressionante volume de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos desperdiçados anualmente não só causam grandes perdas econômicas, como também tem impacto significativo nos recursos naturais dos quais a humanidade depende para se alimentar. Essa é a conclusão de um novo relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) lançado hoje.
Os Rastros do Desperdício de Alimentos: Impactos sobre os Recursos Naturais é o primeiro estudo que analisa os efeitos do desperdício de alimentos global a partir de uma perspectiva ambiental, focando particularmente em suas consequências para o clima, uso da água e do solo e biodiversidade.
Entre as suas principais conclusões podemos destacar:
·         A cada ano, os alimentos produzidos mas não consumidos utilizam um volume de água equivalente ao fluxo anual do rio Volga na Rússia e são responsáveis ​​pela emissão de 3.3 mil milhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera do planeta.
·         Além destes impactos ambientais, as consequências econômicas diretas do desperdício de alimentos (sem incluir peixes e frutos do mar) atingem o montante de 750 bilhões de dólares por ano, de acordo com as estimativas do estudo da FAO.
“Todos nós, agricultores e pescadores, processadores de alimentos e supermercados, governos locais e nacionais e consumidores individuais, temos de fazer mudanças ao longo de toda a cadeia alimentar humana para impedir que ocorra, desde já, o desperdício e, não sendo isto possível, promover a reutilização ou a reciclagem”, afirmou o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva.
“Não podemos simplesmente permitir que um terço de todos os alimentos produzidos seja perdido ou desperdiçado devido a práticas inadequadas, quando 870 milhões de pessoas passam fome todos os dias”, disse ele.
Acompanhando o novo estudo, a FAO também publicou um manual prático com as recomendações sobre como reduzir a perda e o desperdício de alimentos em cada etapa da cadeia alimentar.
Este manual inclui informações sobre uma série de projetos ao redor do mundo que mostram como os governos nacionais e locais, os agricultores, as empresas e os consumidores individuais podem tomar medidas para responderem ao problema.
O Subsecretário-Geral das Nações Unidas e Diretor Executivo do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA), Achim Steiner, afirmou: “A UNEP e a FAO identificaram a perda e o desperdício de alimentos como uma grande oportunidade para que os países façam a transição para uma economia verde inclusiva, de baixo carbono e eficiente na utilização de recursos. O excelente relatório apresentado hoje pela FAO destaca os muitos benefícios que podem ser obtidos, em muitos casos através de medidas simples e sensatas, ao nível das famílias, lojas, restaurantes, escolas e empresas, e que podem contribuir para a sustentabilidade ambiental, melhorias econômicas, segurança alimentar e para a realização do Desafio Fome Zero do Secretário-Geral Nações Unidas. Convidamos todos a adotarem o slogan de nossa campanha: Pensar, Comer, Conservar”.
O PNUMA e a FAO são parceiros na campanha Pensar.Comer.Conservar, lançada esse ano e que tem como objetivo auxiliar na coordenação dos esforços globais para reduzir o desperdício.
Onde acontece o desperdício?
De acordo com o estudo da FAO, 54% do desperdício de alimentos no mundo ocorre na fase inicial da produção, manipulação pós-colheita e armazenagem. Os restantes 46% ocorrem nas etapas de processamento, distribuição e consumo.
Geralmente, os países em desenvolvimento sofrem mais com as perdas* durante a produção agrícola, enquanto o desperdício na distribuição e consumo tende a ser maior nas regiões de renda média e elevada, que responde por 31-39% do desperdício (em comparação a 4-16% nas regiões com baixa renda.
Quanto mais tarde um produto alimentar se perde na cadeia alimentar, maiores são as consequências ambientais, de acordo com a FAO, já que ao custo inicial da produção devem ser adicionados os custos ambientais incorridos durante o processamento, transporte, armazenamento e utilização.
As regiões críticas
O estudo destaca várias regiões críticas do desperdício alimentar:
O desperdício de cereais na Ásia é um grave problema, com um enorme impacto sobre as emissões de carbono e o uso da água e do solo. O caso do arroz é particularmente evidente, em especial ao levar em consideração suas elevadas emissões de metano e seu elevado nível de desperdício.
Em relação à carne, apesar do volume de desperdício ser relativamente baixo em nível global, a indústria da carne gera um impacto considerável sobre o meio ambiente em termos de uso da terra e da pegada de carbono, especialmente nos países de elevado rendimento e na América Latina, que juntos são responsáveis por 80% do total do desperdício. Excluindo a América Latina, as regiões de alta renda são responsáveis ​​por cerca de 67% de todo o desperdício de carne.
No que diz respeito às frutas, o elevado nível desperdício contribui significativamente para a utilização desnecessária de água na Ásia, Europa e América Latina.
Da mesma forma, o elevado volume de desperdício dos produtos hortícolas nos países industrializados da Ásia, Europa e Sul e Sudeste da Ásia, resultam numa grande pegada de carbono para o setor.
Causas do desperdício de alimentos e opções para o enfrentar o problema
Segundo a FAO, o nível mais elevado de desperdício de alimentos nas sociedades ricas resulta de uma combinação entre o comportamento do consumidor e a falta de comunicação ao longo da cadeia de abastecimento. Os consumidores não conseguem planejar suas compras de forma eficaz e, por isso, compram em excesso ou exageram no cumprimento das datas de validade dos produtos; enquanto os padrões estéticos e de qualidade levam os distribuidores a rejeitar grandes quantidades de alimentos perfeitamente comestíveis.
Nos países em desenvolvimento, as grandes perdas pós-colheita, ainda na fase inicial da cadeia alimentar, são o principal problema, ocorrendo como resultado de limitações financeiras e estruturais nas técnicas de colheita e infraestrutura de transporte e de armazenamento, combinadas com as condições climáticas que favorecem a deterioração dos alimentos.
Para resolver o problema, o manual prático da FAO detalha três níveis onde são necessárias ações:
·         Deve ser dada prioridade à redução do desperdício de alimentos. Além da redução de perdas resultantes de más práticas nas atividades rurais, é necessário um maior esforço para equilibrar a oferta e a demanda, para que não se desperdicem recursos naturais desnecessariamente.
·         No caso dos excedentes alimentares, a melhor opção é a  reutilização dos alimentos na cadeia alimentar humana, através de mercados secundários ou da doação aos membros mais vulneráveis ​​da sociedade.Se os alimentos não estão em condições para o consumo humano, a melhor opção é desviá-los para a cadeia alimentar animal, poupando recursos que, de outra forma, seriam necessários ​​para produzir ração comercial.
·         Quando a reutilização não é possível, deve proceder-se àreciclagem e recuperação: a reciclagem de subprodutos, a digestão anaeróbia, a compostagem e a incineração com recuperação de energia, permite que se recupere a energia e os nutrientes provenientes do desperdício, o que representa uma vantagem significativa em relação aos aterros. Os restos de alimentos que acabam por apodrecer nos aterros são responsáveis por uma elevada produção de metano, um gás com efeito estufa particularmente prejudicial.
O governo alemão financiou a produção deste estudosobre rastros do desperdício de alimentos e do manual prático.
* Entenda a diferença entre perda e desperdício de alimentos
Diferença entre perda e desperdício
A perda de alimentos é a redução não intencional de alimentos disponíveis para o consumo humano que resulta de ineficiências na cadeia de produção e abastecimento: infraestrutura e logística deficiente, falta de tecnologia, insuficiência nas competências, conhecimentos e capacidade de gerenciamento. Ocorre principalmente na produção, pós-colheita e processamento, por exemplo quando o alimento não é colhido ou é danificado durante o processamento, armazenamento ou transporte e por isso fica perdido.
O desperdício de alimentos se refere ao descarte intencional de items próprios para alimentação, particularmente pelos varejistas e consumidores, e ocorre devido ao comportamento dos comerciantes e indivíduos.
Aqui nos referimos aos dois problemas e analisamos como uma combinação de ambos.
Nota: Para acessar o documento síntese do estudo ‘Food Wastage Footprint: Impacts on Natural Resources‘, no formato PDF, clique aqui.
Informe da Representação da FAO no Brasil, publicado pelo EcoDebate, 12/09/2013

Guerra: ação pobre, violenta e infantil.

[EcoDebate] O ser humano vive no mundo criando história, a partir de elementos inerentes a sua natureza e de outros que no mundo estão ao seu dispor. Cada elemento tem a função de ajudar a cada pessoa humana a atingir sua meta de destino, a plenitude de felicidade. Todo o projeto inicial na vida humana é cheio de encantos cheios de entusiasmo para o progresso genuíno.

Cada dia é um tempo de novidades e de criar situações novas para o seu ambiente e dos demais seres. Tudo começa no amanhecer, onde são apresentadas as metas de ação do dia a dia. O transcurso seguinte é o do planejamento em conjunto com a elaboração. O dia finaliza exigindo uma postura de descanso que envolve o reconhecimento de tudo aquilo que foi feito e os planejamentos para o dia seguinte. Tudo isso pode acontecer trazendo felicidade ou infelicidade, vai depender da motivação de cada pessoa.

Mas, na história humana o projeto de vida é simples, embora não seja percebido por muitos. Toda tecnologia deve ser produzida em função do ser humano e não da economia. Nossos sonhos e projetos devem ser oriundos do pensamento antropológico e não econômico.

Infelizmente, a história nos mostra claramente que as ações que mais se divulgam são aquelas que envolvem todo o conjunto lucrativo econômico. Isso nos faz perder o encanto pela beleza da vida e nos expõe ao ridículo da ganância e pelo poder. Já quando crianças as pessoas estão sendo educadas para viver em função da economia e começa a corrida desesperada pelas carreiras de posição social. Quem não consegue ser ágil, fica para trás e sofre as consequências de ficar a margem da monstruosidade da economia.

É por essa economia que se estabelecem competições de pessoas de um mesmo território, tanto nacional como internacional. As competições chegam ao absurdo monstruoso de brigas infantis e ridículas envolvendo um aparato de seres humanos com armas nas mãos.

É o que estamos vivendo no momento. As competições econômicas espalharam “minas” em todas as partes do mundo, artefatos que podem detonar a qualquer momento. A ideologia mentirosa de paz se espalha entre os países escraviza jovens para a guerra, ou seja, para irem para os campos de suicídios. Nesses campos desumanos os jovens perdem os sonhos e ideais genuínos pela vida.

A história da humanidade nos apresenta marcas de sangue de inocentes que continuam clamando por justiça e paz. Sinceramente, sem correr risco de erro, temos tudo para afirmar que grande parte dos governantes da atualidade não sabe olhar a história a partir do ponto de vista antropológico. Isso os faz planejarem o futuro distorcido, míope, sem antropologia.

As consequências do pós-guerra na vida das pessoas são cruéis e irremediáveis. Ainda hoje vemos as sequelas da Segunda Guerra Mundial enraizadas nas pessoas que forçosamente tiveram que passar por ela. Temos também, bem mais próximo ao nosso período, o exemplo sangrento e cruel da guerra no Iraque, onde inocentes morreram sem necessidade e as soluções no país não foram alcançadas.
Quando o cessar fogo acontece deixa as marcas da brutalidade e da estupidez dos pobres em humanidade.

Sinceramente, precisamos de pessoas ousadas em atitudes honestas com coragem de abandonar o império do mal. Precisamos de líderes que saibam mobilizar a paz sem armas, sem violência. Não temos como duvidar que o Papa Francisco lançou um programa de paz que vai além das religiões. É disso que precisamos.

A violência, a guerra é coisa de pessoas infantis que não aprenderam a dialogar. É o resultado de uma pobreza de valores humanos, algo como carinho a ternura, o cuidado, o zelo. Para os violentes não existem as palavras mágicas da gentileza, do agradecimento…

Violência e guerra são coisas do desespero daqueles que não sabem agir a partir da humanidade. Para que serve muita tecnologia se não se sabe usá-las? A imbecilidade está dominando o coração dos gananciosos pelo poder econômico.

Por trás de toda violência existe um ser humano pobre, doente, alguém que continua vivendo a infantilidade. Isso está exposto claramente. Qualquer pessoa sensata percebe que há algo de errado com o violento e sabe também que ele não sabe dominar seus impulsos e são dominados pela podridão na mente.

O problema na atualidade não são as armas da Síria. Os líderes da violência, como os Estados Unidos, precisam entender e aceitar que eles estão doentes e estão vendo o mundo a partir da doença que carregam. A mente deles precisa de tratamento de profunda humanidade. Enquanto houver ser humano doente, dominado pelo orgulho, prepotência, ganância não haverá paz no mundo.

O mundo não precisa de guerra, em momento algum precisou dela. O mundo sempre precisou e precisará de paz. Temos que nos conscientizar e nos educar pela paz e seus derivados. Precisamos ser líderes e promotores da criação da consciência e da educação da paz.

Os nossos hábitos precisam de renovação sadia pela verdade. O nosso dia a dia precisa ser incrementado por gestos gratuitos e generosos. Precisamos recuperar o encanto e fascínio pela vida e projetar o futuro a partir da antropologia. Valores humanos precisam ser reconhecidos.

Não podemos aceitar que os violentos que estão no poder sejam nossos representantes. Nem tampouco devemos aceitar que um país lidere a todo o momento violações de direitos humanos com a falsa propaganda de paz. Realmente, os Estados Unidos não representam nenhuma cultura de paz. Eles são líderes mundiais nas falsas propagandas de paz. São líderes mundiais em violações de direitos, ecológicos, sociais, humanos, políticos e etc.

Uma verdadeira antropologia nos faz crescermos, deixamos as atitudes pobres, violentas e infantis Precisamos adotar a antropologia como base do pensamento e incentivo de nossas ações. Com ela a ação pela paz é mais evidente. Os países, partindo dos Estados Unidos por serem de grande influência mundial, precisam adotar a antropologia como projeto de governo e nunca esquecerem que governam para pessoas humanas.

Gilmar Passos, teólogo e escritor.

EcoDebate, 12/09/2013