quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

RIO DE JANEIRO : MAPA DA DESIGUALDADE

MAPA DA DESIGUALDADE – 23 indicadores sobre sete temas-chave da realidade metropolitana do Rio de Janeiro


Casa Fluminense*
O Mapa da Desigualdade agrega 23 indicadores sobre sete temas-chave da realidade metropolitana do Rio de Janeiro: Mobilidade, Mercado de trabalho, Pobreza & Renda, Educação, Segurança Pública & Cidadã, Saúde e Saneamento Básico. Os dados são atualizados de acordo com a publicação mais recente por fontes oficiais.
A visualização na forma de mapas ilustrados mostra os diferentes padrões de vida dos 12 milhões de residentes nos 21 municípios que compõem a Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ). Um dos propósitos deste exercício é promover um olhar metropolitano para questões transversais e entender a situação de cada cidade neste cenário.
Com isso, a Casa Fluminense busca preencher uma lacuna em termos de difusão de informações públicas. Ampliar o alcance do conhecimento sobre os territórios e facilitar a assimilação dos dados disponíveis ajuda a qualificar o debate. O aprofundamento da democracia, a promoção da igualdade territorial e o horizonte do desenvolvimento sustentável são as metas.
Aproprie-se!
mobilidade urbana - rio de janeiro

MOBILIDADE URBANA

Mapa 1 – Pessoas que gastam mais de uma hora para ir de casa até o trabalho

Uso do tempo com o deslocamento casa-trabalho. Percentual da população residente ocupada que leva, em média, mais de uma hora para chegar até o local de trabalho, independente do(s) modal(is) utilizado(s). Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.

Mapa 2 – Pessoas que trabalham fora do município onde moram

Pendularidade. Percentual da população residente ocupada que trabalha em outro município e volta para casa diariamente. Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.

Mapa 3 – Pessoas que trabalham no município do Rio de Janeiro

Centralidade da capital. Percentual da população residente ocupada que trabalha no município do Rio de Janeiro e volta para a casa diariamente. Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.

MERCADO DE TRABALHO

Mapa 4 – Pessoas que trabalham sem registro formal

Taxa de informalidade. Percentual da população com idade para trabalhar (15 a 70 anos), residente no município, que está ocupada sem carteira assinada ou trabalha por conta-própria, sem registro formal. Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.

Mapa 5 – Pessoas desempregadas, procurando trabalho

Taxa de desemprego ou taxa de desocupação. Percentual da população com idade para trabalhar (15 a 70 anos), residente no município, que se encontra desempregada (mercados formal e informal) e alega estar procurando trabalho. Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.

Mapa 6 – Pessoas que não participam do mercado de trabalho

Taxa de participação no mercado de trabalho ou taxa de inatividade. Percentual da população, com idade para trabalhar (15 a 70 anos), residente no município, que não está ocupada em nenhum tipo de trabalho remunerado e alega não estar à procura de trabalho. Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.

POBREZA & RENDA

Mapa 7 – Renda média mensal por pessoa

Renda domiciliar per capita. Total da renda auferida mensalmente por uma família residente no município, dividido pelo número de membros. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), corrigido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), data-base: dezembro de 2015.

Mapa 8 – Pessoas que vivem com até R$ 140 reais por mês

Taxa de pobreza, vulnerabilidade. Percentual da população residente no município, que vivia com até R$ 140 mensais, em 2010. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.

Mapa 9 – Pessoas que vivem com até R$ 70 reais por mês

Taxa de pobreza extrema, indigência. Percentual da população residente no município, que vivia com até R$ 70 mensais, em 2010. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.

EDUCAÇÃO

Mapa 10 – Crianças de até 3 anos matriculadas na creche

Acesso à Creche. Percentual da população de 0 a 3 anos de idade, residente no município, que estava frequentando a escola em qualquer nível ou série. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.

Mapa 11 – Crianças de 4 e 5 anos na pré-escola

Acesso à pré-escola. Percentual da população de 4 a 5 anos de idade, residente no município, que estava frequentando a escola em qualquer nível ou série. Fontes dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.

Mapa 12 – Crianças e adolescentes fora da escola, entre 6 e 14 anos

Taxa de Evasão Escolar. Percentual da população entre 6 e 14 anos de idade, residente no município, que não estava frequentando a escola, em qualquer nível ou série. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.

Mapa 13 – Pessoas maiores de 18 anos com ensino médio completo

Escolaridade e capacitação. Percentual da população de 18 anos ou mais de idade, residente no município, que concluiu o ensino médio, em quaisquer de suas modalidades (regular seriado, não seriado, EJA ou supletivo). Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.

Mapa 14 – Nota média no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)

Qualidade do Ensino. Média entre os resultados das séries iniciais e finais das escolas públicas localizadas no município. O IDEB 2013 foi calculado a partir do desempenho obtido pelos alunos que participaram da Prova Brasil/Saeb 2015 e das taxas de aprovação, calculadas com base nas informações prestadas ao Censo Escolar 2015. Fonte dos dados: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), do Ministério da Educação (MEC), ano-base: 2013.

SEGURANÇA PÚBLICA E CIDADÃ

Mapa 15 – Taxa de homicídios, a cada 100 mil habitantes (letalidade violenta)

Letalidade violenta. Corresponde ao somatório do número de homicídio doloso, roubo seguido de morte (latrocínio), lesão corporal seguida de morte e homicídio proveniente de oposição à intervenção policial, dividido pela população residente. Multiplica-se por 100 mil para obter a taxa comparável. Fonte de dados: Portal do Instituto de Segurança Pública (ISP), vinculado à Secretaria de Segurança Pública do governo do estado do Rio de Janeiro, ano-base 2016.

Mapa 16 – Taxa de homicídios de jovens negros, a cada 100 mil habitantes

Violência contra a juventude negra. Número de homicídios dolosos de jovens (15 a 29 anos) negros (pretos e pardos) ocorridos no município dividido pelo total de jovens negros residentes no município. Multiplica-se por 100 mil para obter a taxa comparável. Fonte de dados: Mapa da violência 2014, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, Flacso-Brasil, ano-base: 2012.

Mapa 17 – Mortes decorrentes de intervenção policial, taxa por 100 mil habitantes

Autos de resistência. Número de homicídios cometidos por policiais no município, dividido pela população residente. Multiplica-se por 100 mil para obter a taxa comparável. Fonte de dados: Portal do Instituto de Segurança Pública (ISP), vinculado à secretaria de segurança pública do governo do estado do Rio de Janeiro, ano-base: 2016.

SAÚDE

Mapa 18 – Expectativa de vida, medida em anos

Esperança de vida ao nascer. Número médio de anos que a população residente no município deverá alcançar, levando-se em conta o nível e o padrão de mortalidade por idade, prevalecentes no Censo de 2010, do IBGE. Fonte de dados: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), através do Atlas Brasil, lançado em 2013.

Mapa 19 – Gravidez na adolescência, 15 a 17 anos

Percentual de mulheres, de 15 a 17 anos de idade, residentes no município, que já tiveram filho. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, lançado em 2013.

Mapa 20 – Mortalidade infantil, a cada mil nascimentos

Taxa de mortalidade até um ano de idade. Número médio de crianças que não sobrevivem ao primeiro ano de vida em cada 1.000 crianças nascidas vivas, levando-se em conta o nível e o padrão de mortalidade infantil, prevalecentes no Censo de 2010, do IBGE. Fonte de dados: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), através do Atlas Brasil, lançado em 2013.

SANEAMENTO BÁSICO

Mapa 21 – Pessoas atendidas por serviço de esgotamento sanitário

Coleta de esgoto. Percentual da população total residente no município cuja residência está conectada a redes de esgoto, sendo atendida com esgotamento sanitário pelo prestador de serviços. Fonte de dados: Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), vinculado ao Ministério das Cidades (MCidades), ano-base: 2014.

Mapa 22 – Pessoas atendidas por rede de água

Abastecimento de água. Percentual da população total residente no município cuja residência está conectada a economias ativas de água, sendo atendida pelo prestador de serviços. Fonte de dados: Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), vinculado ao Ministério das Cidades (MCidades), ano-base: 2014.

Mapa 23 – Pessoas atendidas por serviço de coleta de lixo

Resíduos Sólidos. Percentual da população total residente no município que é atendida pelas distintas formas de coleta e destinação final do lixo. Fonte de dados: As informações são produzidas pelo IBGE e organizadas no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), vinculado ao Ministério das Cidades (MCidades), ano-base: 2014.
*A Casa Fluminense é um espaço permanente para a construção coletiva de políticas e ações públicas por um Rio mais justo, democrático e sustentável.
Da Casa Fluminense, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/01/2018

FEBRE AMARELA : ORIENTAÇÕES E VACINA FRACIONADA

Pesquisador da Fiocruz fala sobre vacina fracionada e dá orientações sobre a febre amarela


Foto: EBC
Por Tatiane Vargas (Informe Ensp)
Informe Ensp conversou com o pesquisador do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Luiz Antonio Bastos Camacho, que participou do estudo sobre o fracionamento da vacina de febre amarela. Na entrevista, Camacho fala sobre as características do fracionamento da vacina e sua durabilidade, além da transmissão urbana da doença, do volume de doses disponíveis e do treinamento realizado na Fundação com profissionais de saúde que atuam e vão atuar na campanha de vacinação Informação para todos, vacina para quem precisa, promovida pelo Ministério da Saúde no início de 2018.
Informe Ensp: Estamos enfrentando uma epidemia de febre amarela?
Luiz Antonio Camacho: Não, não temos ainda número de casos para chamar de epidemia. O que temos são surtos, alguns casos pontuais no Rio de Janeiro, e até mesmo em São Paulo, mas não configura uma epidemia. Chamamos surto por que é localizado no tempo e no espaço e também ainda com um número relativamente pequeno pra configurar uma epidemia. Toda essa mobilização é para evitar uma epidemia como a que tivemos em 2017. Existe potencial para isso, considerando a cobertura vacinal relativamente baixa nestas capitais. Além disso, existe o risco de re-urbanização da febre amarela, ou seja de transmissão urbana.
Informe Ensp: O que significa exatamente a questão da transmissão urbana da febre amarela?
Luiz Antonio Camacho: Para começar, o macaco é uma vítima tanto quanto nós. Matar os macacos não será a solução. Quem transmite a doença é o mosquito, mas se uma pessoa encontrar um macaco caído ou morto, a orientação é não tocar nele. Ligue imediatamente para o número 1746 e acione a Vigilância Sanitária.
No ciclo de transmissão da febre amarela, a doença e o vírus são os mesmos, no ciclo silvestre e no ciclo urbano. O que muda é que o mosquito que transmite. Na mata, é outra espécie, o Sabethes, e ela está adaptada a se alimentar de sangue de primatas não humanos, ou seja, os macacos. Sendo assim, esse ciclo fica na floresta e eventualmente se espalha a ponto de matar macacos, e virar uma epizootia, que é uma epidemia em animais.
O homem entra acidentalmente nesse ciclo porque vai pra mata fazer ecoturismo, vai trabalhar, ou mora tão próximo à mata, que pode ser picado por um mosquito que não é um mosquito urbano. Então o homem não é uma fonte de sangue habitual do Haemagogos e Sabethes, que são espécies de mosquito proveniente da mata.
Com a aproximação da transmissão, inclusive dos macacos, que podem ser infectados na mata, mas estão muito próximos da área urbana, aonde você tem o Aedes aegypti, temos a possibilidade de reurbanização a partir de casos humanos. No início do século passado, essa doença era urbana, tinha epidemias que dizimavam a população, porque não existia uma vacina. A vacina é de 1937, mas Oswaldo Cruz acabou com o Aedes aegypti antes disso, então a doença foi controlada porque controlou o vetor.
Informe Ensp: A dose fracionada da vacina apresenta durabilidade de pelo menos oito anos. O senhor poderia explicar o motivo dessa diferença com relação a dose padrão?
Luiz Antonio Camacho: Na verdade, essa estimativa de oito anos é devido ao tempo que temos dados. Não sabemos ainda se dura mais de 8 anos, mas nossos dados garantem que em oito anos a maior parte dos indivíduos ainda está com anticorpos no sangue. Fiz questão de destacar anticorpos no sangue, por que mesmo que não detectemos o anticorpo no sangue não significa que o indivíduo não tenha alguma proteção. Temos que ter muito cuidado pois essas questões não são ciências exatas, é ciência biológica, existe uma margem de erro, de variação. 1/5 da dose garante que os indivíduos tenham anticorpos até pelo menos 8 anos. Depois desse período ainda não sabemos, mas vamos continuar acompanhando essas pessoas para obter novos dados.
Informe Ensp: Como se pretende fazer o acompanhamento dessas pessoas que tomaram a dose fracionada? Além disso, quem tomou há dez anos deve tomar de novamente?
Luiz Antonio Camacho: Não. Quem tomou a dose plena não deve tomar novamente. Há uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) que preconiza uma dose para vida toda e o Ministério da Saúde acompanhou, deixando de lado as controvérsias sobre a questão.
Nesse momento, a política é: temos um grande contingente de pessoas que nunca foi vacinada. Sendo assim, temos que unir todos nossos esforços para vacinar essa parcela da população. Isso significa concentrar doses existentes, recursos, seringas, recursos humanos, entre outros, para garantir que toda população tenha recebido ao menos uma dose. Posteriormente, vamos cuidar de outra dose, caso necessário.
Com os dados que temos atualmente da dose fracionada da vacina, garantimos que quem tomar vai estar protegido e a duração da imunidade é de pelo menos oito anos. A partir disso, vamos prosseguir com os estudos e poderemos dizer daqui a um tempo se quem tomou a dose fracionada precisará ou não de um reforço.
Informe Ensp: Aqueles que tomaram a dose plena, há 20 anos, por exemplo, deverão tomar outra dose?
Luiz Antonio Camacho: Nesse momento, eles não são prioridade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz, baseada em alguns dados, que não é necessário vacinar novamente. Uma dose é para toda vida. No Ministério da Saúde, trabalhamos hoje uma orientação programática e estratégica voltada para a campanha de vacinação atual que busca imunizar quem nunca tomou nenhuma dose da vacina.
Informe Ensp: No caso da população mais vulnerável, como idosos, crianças e gestantes, qual orientação? 
Luiz Antonio Camacho: Recomenda-se que as gestantes se vacinam somente em situações de risco, como estamos vivendo agora. Caso contrário, não. No caso dos idosos, recomenda-se tomar em situações de risco acompanhada de orientação médica. No que diz respeito ao tipo de vacina, às gestantes, idosos e crianças abaixo de dois anos recomenda-se a dose plena, por não termos informações sobre dose fracionada nessa população.
Informe Ensp: A quantidade de vacina que temos atualmente é suficiente para atender a população?
Luiz Antonio Camacho: Uma das razões de fracionar é que atualmente possuímos uma demanda concentrada no tempo e no espaço. [O Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos] Bio-Manguinhos/Fiocruz entregou, no ano passado, aproximadamente 60 milhões de doses de vacinas de febre amarela. Agora estamos entrando em campanha em três cidades muitos grandes (São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador). Desta forma, por maior que seja a produção de Bio-Manguinhos, a demanda concentrada no tempo e no espaço nos força a lidar com um número de doses disponível, e com o estoque estratégico que precisamos ter num curto espaço de tempo. Isso nos força a fracionar. Isso significa que não está faltando vacina e o fracionamento é para lidar com essa situação emergencial.
A Fiocruz tem um lado de produção de vacina e tem também um lado de produção de conhecimento. O que estamos fazendo hoje é uma saúde pública baseada em evidências científicas. As evidências científicas vem de trabalhos como o que eu apresentei no treinamento realizado na última terça-feira [17 de janeiro], na Ensp. Esses trabalhos nunca se esgotam, um puxa o outro e temos sempre que lidar com a melhor evidência científica disponível naquele momento.
Essa campanha com a vacina fracionada é uma oportunidade para estudos adicionais, como foi feito no Congo. Nossa vacina foi pra lá em 2016 numa campanha que vacinou toda a capital. Foram 7 milhões de pessoas imunizadas com a nossa vacina, pois tínhamos evidências científicas de que podíamos fracionar. Paralelamente, eles coletaram dados e confirmaram que as pessoas tinham respondido à vacina fracionada da mesma forma que a vacina plena. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, pretendemos fazer isso, vacinar e coletar sangue para verificar empiricamente o desempenho da vacina em condições não controladas de pesquisa clínica.
Informe Ensp: Na última terça-feira (17/1), foi realizado, na Ensp/Fiocruz, um treinamento para profissionais de saúde do município do Rio de Janeiro sobre o fracionamento da vacina. O senhor poderia falar sobre o encontro?
Luiz Antonio Camacho: A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro foi quem organizou e desenvolveu todo o treinamento e fomos convidados a participar para apresentar o estudo sobre o fracionamento da dose. Participaram do treinamento não apenas profissionais da ponta, mas também profissionais que tem a ver, direta ou indiretamente, com a campanha de vacinação. O treinamento foi destinado aos profissionais de saúde do município do Rio de Janeiro, buscando informá-los sobre a campanha de vacinação da febre amarela com dose fracionada, para que, assim, possam informar à população quando questionados sobre o fracionamento da dose.
Mais 200 profissionais de saúde que atuam no município do Rio de Janeiro lotaram o auditório térreo da Ensp para receber informações sobre a dose fracionada da vacina. A atividade contou com a presença do subsecretário Estadual de Vigilância em Saúde do Rio de Janeiro, Alexandre Chieppe, da superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Cristina Lemos, além do mim e da coordenadora da Assessoria Clínica (Asclin) de Bio-Manguinhos, Maria de Lourdes de Sousa Maia, com quem dividi a apresentação sobre o estudo do fracionamento da vacina.
Na ocasião, o secretário apresentou o boletim epidemiológico do Rio de Janeiro e destacou que estamos passando por um novo ciclo de febre amarela, que se comporta muito próximo de outras arboviroses urbanas. Alexandre destacou ainda que o Rio de Janeiro foi o primeiro estado a fazer a vacinação antes da circulação do vírus e reforçou que não há problema na oferta de vacinas.
Minha fala foi em conjunto com a Lourdes, especificamente sobre estudo que comprova a imunogenicidade da dose fracionada. A pesquisa com doses reduzidas teve início em 2009, com a aplicação de diferentes dosagens em 900 voluntários de um estudo clínico. Em 2017, os mesmos voluntários foram chamados para participar de uma segunda etapa que avaliou a soropositividade, ou seja, a imunidade que eles ainda tinham após o período de oito anos. Da amostra inicial, foram analisados dados de 319 participantes.
Os resultados apontaram que mesmo com a aplicação de 1/5 da dose padrão, a vacina de febre amarela de Bio-Manguinhos ainda sustentava a proteção similar à inicial. A dose fracionada em 1/5 não é, portanto, mais fraca que a dose padrão. Isso acontece porque, apesar de fracionada, a dose ainda induz o organismo a produzir anticorpos em níveis necessários à proteção contra a doença.
Em sua dose plena, a vacina já é conhecida e aplicada pelos profissionais de saúde, que dominam a técnica. Não se tratou de um treinamento sobre técnica de vacinação, até mesmo por que, nesse caso, o que muda é apena a seringa. É uma fração da dose, a vacina normalmente é feita com 0,5 ml e nessa campanha com a dose fracionada ela vai ser de 0,1 ml, portanto 1/5 da dose, e para isso vai ser exigido outra seringa de 0,1 ml. É um volume muito pequeno, e a seringa precisar ser apropriada para obter dose precisa em volume tão pequeno.
O objetivo maior desse treinamento foi informar os profissionais de saúde para que eles possam informar a população. É claro que eles também vão receber um treinamento com essa pequena mudança na técnica, pois a diluição da vacina é a mesma, apenas na hora de aspirar o conteúdo, é que o volume é menor. Mas nesse momento a ideia foi informar os profissionais pra que eles possam informar a população
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/01/2018

MEGACIDADES : 20% MAIS DE ÁRVORES SIGNIFICARIAM AR E ÁGUA MAIS LIMPAS

20 por cento mais árvores em megacidades significariam ar e água mais limpas, menor consumo de energia


Floresta da Tijuca, RJ. Foto: EBC
Floresta da Tijuca, RJ. Foto: EBC
Por Jason Awerdick, Elsevier*
Plantar 20% mais árvores em nossas megacidades dobraria os benefícios das florestas urbanas, como redução de poluição, seqüestro de carbono e redução de energia, de acordo com um estudo publicado em Ecological Modelling . Os autores do estudo, que foi realizado na Universidade Parthenope de Nápoles, na Itália, dizem que os planejadores das cidades, os moradores e outras partes interessadas devem começar a procurar dentro das cidades recursos naturais e conservar a natureza em nossas áreas urbanas plantando mais árvores. Seu trabalho foi selecionado por um comitê científico internacional para receber o prêmio Atlas.
Quase 10 por cento da população mundial vive em megacidades – cidades de pelo menos 10 milhões de pessoas. Enquanto essas pessoas geralmente dependem da natureza fora da cidade por sua alimentação e recreação, a natureza dentro da cidade sob a forma de florestas urbanas pode proporcionar enormes benefícios. Uma floresta urbana contém a única árvore no quintal de alguém, a fileira de árvores ao longo de uma rua ou uma área arborizada em um parque público; Juntar-se a essas áreas com árvores adicionais amplia o tamanho da floresta urbana.
Foram estudados muitos exemplos famosos de florestas urbanas nas megacidades, desde o Central Park em Nova York até o St. James Park em Londres e o Bosque de Chapultepec na Cidade do México. Em média, cerca de 20% da área de cada uma das megacidades do mundo é hoje a floresta urbana. Mas o novo estudo revela que outros 20% poderiam ser transformados em florestas – algo que mudaria a vida dos moradores para melhor.
“Ao cultivar as árvores dentro da cidade, os residentes e os visitantes recebem benefícios diretos”, explicou Theodore Endreny, Ph.D., PH, PE, autor principal do trabalho e agora professor do Departamento de Engenharia de Recursos Ambientais da Universidade Estadual de New York ESF campus. “Eles estão recebendo uma limpeza imediata do ar que está ao seu redor. Eles estão recebendo esse resfriamento direto da árvore, e até comida e outros produtos. Existe potencial para aumentar a cobertura das florestas urbanas em nossas megacidades, e isso faria elas mais sustentáveis, melhores lugares para viver “.
No estudo, a equipe usou uma ferramenta chamada i-Tree Canopy para estimar a atual cobertura arbórea nas cidades e o potencial para uma maior cobertura florestal urbana, e elaborou os benefícios que trariam. Eles estimaram a cobertura atual da árvore em dez megacidades nos cinco continentes, analisaram os benefícios das florestas urbanas – incluindo a remoção de poluição do ar, economia de energia e fornecimento de alimentos – e aproximou o valor atual desses benefícios em mais de US $ 500 milhões por ano.
Criando um modelo para cada megacidade, eles estimaram benefícios como reduções na poluição do ar, escoamento retardado de águas pluviais, energia de construção e emissões de carbono e avaliaram como esses benefícios mudaram à medida que a cobertura da árvore aumentou. O modelo levou em conta a cobertura da árvore local, população humana, poluição do ar, clima, uso de energia e poder de compra. A equipe ficou surpresa ao descobrir que cada cidade tem o potencial de hospedar uma cobertura adicional de 20 por cento da floresta urbana.
No entanto, os planejadores e as autoridades da cidade precisarão mudar sua percepção dos recursos naturais disponíveis para as cidades antes que os residentes possam aproveitar os benefícios de mais árvores: quanto menos cidades dependerem da natureza fora da área metropolitana e quanto mais se concentrem nas terras na conservação da natureza dentro da cidades, mais saudáveis e sustentáveis serão essas cidades.
“Todos podem agir para aumentar as áreas da floresta urbana em nossas cidades, não apenas os planejadores da cidade”, acrescentou o Dr. Endreny. “Você pode visitar o recurso gratuito itreetools.org para descobrir quanta cobertura há em sua cidade agora, descubra onde você poderia plantar mais árvores em sua área e ver como os benefícios da floresta urbana aumentam à medida que mais árvores são plantadas. ”Referência:
Implementing and managing urban forests: A much needed conservation strategy to increase ecosystem services and urban wellbeing
Ecological Modelling
Volume 360, 24 September 2017, Pages 328-335
https://doi.org/10.1016/j.ecolmodel.2017.07.016
* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/01/2018

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

SUPER-RICOS FICAM COM 82% DA RIQUEZA GERADA NO MUNDO








Metade mais pobre da população mundial não ficou com nada do que foi gerado no ano passado, diz pesquisa da Oxfam.
Cerca de 7 milhões de pessoas que compõem o grupo dos 1% mais ricos do mundo ficaram com 82% de toda riqueza global gerada em 2017, aponta um estudo divulgado nesta segunda-feira (22) pela organização não-governamental britânica Oxfam antes do Fórum Econômico Mundial, que ocorre em Davos, na Suíça.
A reportagem é de Helton Simões Gomes, publicada por G1, 22-01-2018.
A metade mais pobre da população mundial, por outro lado, não obteve nada do que foi gerado no ano passado. Esse grupo reúne 3,7 bilhões de pessoas, mostra o relatório “Recompensem o trabalho, não a riqueza”.
Para fazer seus levantamentos, a ONG britânica de combate à pobreza usa dados sobre bilionários da revista "Forbes" e informações sobre a riqueza em escala global de relatórios do banco Credit Suisse.

1 bilionário a cada 2 dias

Entre os mais ricos do mundo, há um grupo ainda mais VIP, formado apenas por bilionários. Segundo o estudo, o número de bilionários registrou o maior crescimento histórico. Entre março de 2016 e março de 2017, o mundo ganhou um novo bilionário a cada dois dias e o grupo somou 2.043 pessoas. A cada 10 deles, nove são homens, ao passo que, entre os mais pobres, a maioria é mulher.
Oxfam atribuiu o crescimento isso a dois fatores:
  • A variação positiva das principais bolsas de valores do mundo eleva o patrimônio dessas pessoas, que possuem muitos ativos financeiros. “Eles estão mais sujeitos ao sabor das variações na Bolsa”, explica Rafael Georges, coordenador de campanhas da Oxfam.
  • A quantidade de distribuição de lucros e dividendos também cresceu e ajudou a levar o patrimônio de ricos ao patamar bilionário. Mas isso, diz Georges, foi feito às custas da precarização de relações trabalhistas. O movimento, conduzido entre 2008, início da crise global, e 2012, foi realizado por cerca de 100 países. Em 2017, chegou atrasado ao Brasil, que colocou sua reforma em prática somente em novembro.

Renda

No ano passado, a riqueza da elite global aumentou em US$ 762 bilhões, quantia suficiente, segundo a Oxfam, para acabar com a pobreza extrema mais de sete vezes. Enquanto isso, a metade mais pobre da população mundial vive com renda diária entre US$ 2 a US$ 10.
De acordo com cálculos da entidade britânica, dois terços da riqueza dos bilionários é oriunda de heranças, rendimentos vindos da atuação empresarial em setores monopolizados e de vantagens adquiridas por meio de relações com os governos.

Super-ricos x super-pobres

Citando dados do banco Credit Suisse, o estudo mostra que a distância entre os muito ricos e os muito pobres continua aumentado. E, diminuí-la, exigiria um crescimento da economia que é insustentável para o meio ambiente.
Entre 1980 e 2016, o grupo 1% mais rico ficou com 27% do crescimento da renda global. No mesmo período, a metade mais pobre do mundo ficou com 13% da riqueza gerada.
Caso esse nível de desigualdade se mantenha, fazer todos passarem a ganhar US$ 5 a mais por dia necessitaria que a economia crescesse 175 vezes.

Bilionários x super-pobres

Oxfam revisou a quantidade de bilionários que detém a mesma renda de metade da população mais pobre do mundo. O relatório anterior aponta que, em 2016, só oito bilionários detinham renda equivalente à metade mais pobre do mundo.
Essa comparação é feita com base em informação do Credit Suisse, que alterou a metodologia de cálculo de patrimônio no fim do ano passado. A reavaliação constatou um aumento substancial nas posses dos mais pobres em países como ChinaÍndia e Rússia. Como são muito populosos, o número de bilionários cuja renda em 2016 equivalia à dos mais pobres ficou em 61.
Em 2017, uma maior concentração de renda no topo e um aperto mais intenso na base econômica levaram o número para cima: 42 bilionários concentram a mesma quantidade de dinheiro da metade mais pobre da população global.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

FEBRE AMARELA : ENTENDA UM POUCO MAIS.

Especialistas da Fiocruz explicam vacina da febre amarela e circulação do vírus


ABr
Diante do avanço da febre amarela no país, com aumento do número de casos confirmados e de mortes, a preocupação com a doença tem aumentado e levado a uma corrida pela vacina em alguns estados. A situação levou inclusive o governo a fracionar a vacina contra a febre amarela em algumas regiões e antecipar a campanha de imunização de 19 de fevereiro para 25 de janeiro nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ouvidos pela Agência Brasil explicam as mudanças no protocolo de vacinação contra a doença e como ocorre a circulação do vírus no país:
Prazo da vacina
O assessor científico sênior de Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-manguinhos)/Fiocruz, Akira Homma, destaca que em 2013 a Organização Mundial de Saúde (OMS) mudou a recomendação de tomar a vacina da febre amarela a cada dez anos para uma única dose na vida. A decisão foi anunciada após uma reunião do grupo específico de vacinas da organização.
“Analisando os dados de duração de imunidade que dispunham de todo o mundo, especialmente na África, chegaram à conclusão que uma dose é o suficiente para imunizar a pessoa para a vida inteira. E essa recomendação também foi endossada pela OMS e pela Organização Pan-Americana de Saúde [Opas]. Depois, o Ministério da Saúde também adotou esse critério. É resultado de uma análise e inúmeros estudos no mundo que mostram que uma dose é o suficiente para a vida inteira”, explicou.
Cerca de 3,5 milhões de doses de vacina contra a febre amarela foram enviadas ao Brasil pelo Grupo de Coordenação Internacional para Fornecimento de Vacinas
De acordo com a Fiocruz, estudos comprovam a eficácia da dose fracionada da vacina. Foto: OMS/ONU/Divulgação 
 
Na época da decisão, segundo Homma, também havia um desabastecimento da vacina contra a febre amarela no continente africano, como ocorre atualmente em algumas regiões do Brasil. “Então, em vez de imunizar uma pessoa três ou quatro vezes, o grupo [da OMS] decidiu que era melhor imunizar a população inteira uma vez. Agora vem aparecendo a mesma situação aqui no Brasil, então o ministério [da Saúde] resolveu seguir essa recomendação da OMS”.
Após a determinação, a Fiocruz iniciou estudos clínicos para confirmar a imunização plena contra febre amarela com apenas uma dose integral da vacina. Os resultados, no entanto, devem ser conhecidos a partir de 2020.
Fracionamento
Quanto ao fracionamento das doses da vacina contra a febre amarela – medida adotada por estados como São Paulo e Rio Janeiro para ampliar a imunização –, o cientista explica a medida é emergencial, tomada quando é necessário vacinar uma população grande em um curto espaço de tempo. No caso do Brasil, o uso da dose fracionada foi decidido diante da expansão de novas áreas de risco da febre amarela nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
“É uma área que tem 20 milhões de habitantes e é preciso vacinar todo mundo num prazo muito curto”, avalia.
Segundo ele, o método já foi usado anteriormente, na África, em 2016, quando houve uma epidemia de febre amarela no continente que deixou os países sem doses suficientes. Homma destaca que estudos conduzidos no Brasil pela Fiocruz há oito anos mostraram que a dose reduzida da vacina oferece proteção “no mesmo nível da dose total”.
Rio de Janeiro - Postos de saúde amanhecem com filas para a vacinação contra a febre amarela. ( Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Postos de saúde amanhecem com filas para a vacinação contra a febre amarela no Rio de Janeiro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
 
Cada frasco da vacina contra febre amarela contém cinco doses integrais, com 0,5 mililitro (ml) cada. Na dose fracionada, é aplicado 0,1 mililitro em cada pessoa.
“Quer dizer, com um frasco de cinco doses nós podemos vacinar 25 pessoas. O fracionamento é feito na hora na aplicação, essa é a vantagem. O processo de produção é o mesmo, toda a vacina é igualzinha, você faz a reconstituição da vacina da mesma forma, não muda nada. Todos os operadores já sabem fazer isso há anos. Só que, em vez de usar 0,5 ml, que é a dose plena, usando uma seringa especial vai permitir retirar 0,1ml de uma forma muito precisa”.
Restrições à vacina
 De acordo com o especialista da Fiocruz, grávidas só devem se vacinar contra a febre amarela se estiverem em uma zona endêmica, de alta circulação de vírus, e se houver recomendação médica, já que a vacina é feita com vírus vivo atenuado e pode atingir o feto. Crianças menores de 9 meses também não devem ser vacinadas, assim como idosos. Entre 9 meses e 2 anos, será aplicada a dose integral, bem em pessoas que viajarão para países que exigem a certificação internacional da vacina.
A imunização também não é recomendada para pessoas com doenças que comprometem o sistema imunológico, como aids, em tratamento quimioterápico, com doença hematológica ou que foi submetida a transplante de células-tronco.
O Laboratório de Bio-Manguinhos é o único produtor de vacina da febre amarela da América Latina e um dos quatro no mundo qualificados pela OMS. No ano passado, a produção na unidade foi de 64 milhões de doses, a pedido do Ministério da Saúde. Em anos normais, são feitas de 15 a 20 milhões de doses. Pare este ano, o ministério já solicitou cerca de 50 milhões de doses, segundo Homma.
Ciclos do vírus
O coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio, explica que todos os casos registrados no Brasil atualmente são do ciclo silvestre da doença, quando o vírus circula na natureza, entre mosquitos que vivem nas copas das árvores, dos gêneros Sabethes e, principalmente, Haemagogus.
“Nas áreas de mata, o mosquito transita o vírus com primatas não humanos. Acidentalmente o homem pode ser infectado quanto adentra esses ciclos e é picado por um mosquito desses que normalmente se alimenta desses macacos. O que vemos hoje no Brasil é esse ciclo silvestre, são pessoas que acidentalmente são infectadas porque adentraram no ciclo silvestre”.
De acordo com a secretaria de Saúde mineira, 65 municípios já confirmaram mortes de macacos por febre amarela (Arquivo/Fábio Massalli)
Macacos também são infectados pelo vírus, mas não transmitem a doença. Foto: Fábio Massalli/Arquivo/Agência Brasil 
 
Na febre amarela urbana, sem registros no Brasil desde 1942, os infectados são os humanos e os vetores são os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. No mundo, o registro mais recente de grande número de casos de febre amarela urbana ocorreu em Angola, em 2016, quando morreram mais de 350 pessoas.
Segundo Rivaldo Venâncio, por causa da proximidade de algumas cidades com regiões de Mata Atlântica, com zonas de floresta, há risco de reintrodução do vírus da febre amarela em áreas urbanas. O especialista explica que os macacos não transmitem a doença e que são aliados na detecção da circulação do vírus porque servem de alerta.
“Os macacos que adoecem infectados pelo vírus da febre amarela servem como uma sirene para os epidemiologistas e autoridades sanitárias saberem que naquela região está circulando o vírus. Os macacos são nossos amigos, eles, diretamente, não infectam o ser humano em hipótese alguma. No ciclo urbano também, o humano não transmite diretamente para outro, é necessário o mosquito transmissor”.
Surtos
Segundo Venâncio, surtos de febre amarela costumam se repetir a cada oito ou dez anos e uma das hipóteses é que os ciclos estejam relacionadas a mudanças no meio ambiente. “Alguns pesquisadores apontam a influência da ampliação das fronteiras agrícolas do país, onde passamos a cultivar soja e outras coisas, por exemplo, em Tocantins e no interior do Nordeste, Centro-Oeste, que estaria forçando a movimentação dos primatas e com eles os mosquitos que deles se alimentam. Outros falam que, para além da ampliação da fronteira agrícola, o uso do maquinário, presença humana e uso de agrotóxicos também estaria forçando essa movimentação. Outros pesquisadores falam nas alterações climáticas, dentre as quais uma certa mudança no padrão das chuvas e de elevação de temperaturas, o chamado aquecimento global”, lista.
Segundo o coordenador da Fiocruz, pesquisas também investigam a ligação entre o avanço atual da febre amarela no país e o rompimento Barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em novembro de 2015, em Mariana (MG), que liberou cerca de 60 milhões de metros cúbicos de rejeito no Rio Doce.
Sintomas e transmissão
Causada por vírus e transmitida por vetores, a febre amarela é uma doença infecciosa grave. Os sintomas aparecem de forma repentina, com febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. Na forma mais grave da doença pode ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), hemorragia e cansaço intenso.
De acordo com a OMS, há registros da doença em 47 países das Américas do Sul e Central e da África. A transmissão é feita por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. Em áreas florestais, o vetor é principalmente o mosquito Haemagogus e no meio urbano a febre amarela é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue.
Ao ser picada por um mosquito infectado e contrair o vírus, a pessoa pode se tornar fonte de infecção em locais com a presença dos mosquitos vetores, já que a doença não é transmitida diretamente de uma pessoa para outra. O vírus da febre amarela também atinge outros vertebrados, como macacos, que podem desenvolver a forma silvestre da doença sem apresentar sintomas, mas com carga viral suficiente para infectar mosquitos
Por Akemi Nitahara, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/01/2018