sábado, 20 de julho de 2019

A PARTICIPAÇÃO DA ASEAN E DA AMÉRICA LATINA E CARIBE NA ECONOMIA GLOBAL.

A participação da ASEAN e da América Latina e Caribe na economia global, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

[EcoDebate] A Associação das Nações do Sudeste Asiático (Association of Southeast Asian Nations – ASEAN) é uma organização regional de países do sudeste asiático que foi criada, em 1967, por 5 países: Indonésia, Filipinas, Malásia, Singapura e Tailândia. Mas ao longo dos anos, outros 5 países foram incorporados: Brunei (1984), Vietnã (1995), Laos (1997), Camboja (1999) e Mianmar (1997). Além dos 10 países membros efetivos, são membros observadores Timor-Leste e Papua-Nova Guiné. Os principais objetivos da ASEAN são acelerar o desenvolvimento econômico, apoiar a integração comercial, fomentar a paz e a estabilidade regional.

Estes 10 países da ASEAN possuem aproximadamente a mesma população dos 34 países da América Latina e Caribe (ALC), compostos por: Antígua e Barbuda, Argentina, Aruba, Bahamas, Barbados, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Dominica, El Salvador, Equador, Granada, Guiana, Guatemala, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Suriname, Trinidad e Tobago, Uruguai e Venezuela. Em 1950, a população da ALC era de 169 milhões de habitantes, contra 165 milhões de habitantes do grupo de países da ASEAN. Em 2018, os números eram, respectivamente 642 milhões e 654 milhões.
Em termos econômicos, a trajetória dos dois grupos é bastante divergente. A participação dos 33 países da ALC (o FMI não possui dados de Cuba) no PIB global era de 12,2% em 1980, enquanto a participação dos 10 países da ASEAN era de 3,5%. Nas décadas seguintes a participação da ALC foi caindo e ficou em 7,3% em 2018 e deve ficar em 7,0% em 2024, enquanto a participação da ASEAN chegou, respectivamente, a 6,6% e 7,2%, conforme o gráfico abaixo. Portanto, o FMI estima que o PIB do grupo ASEAN será maior do que o PIB do conjunto da ALC em 2024.
Participação da ASEAN e da ALC no PIB mundial: 1980-2024
Participação da ASEAN e da ALC no PIB mundial: 1980-2024
Fonte: FMI, WEO, abril/2019 https://www.imf.org/external/datamapper/datasets/WEO
A ALC que tinha uma renda per capita em preços correntes (em poder de paridade de compra – ppp) bem superior à renda per capita da ASEAN deve ser ultrapassada nos próximos 5 anos, conforme mostra o gráfico abaixo. Em 1980, a ALC tinha uma renda per capita de US$ 4,5 mil, contra apenas US$ 1,4 mil da ASEAN. Mas em 2018 a diferença já havia caído muito, sendo US$ 15,8 mil para os latino-americanos e US$ 13,3 mil para os habitantes do sudeste asiático. Para 2024 o FMI estima que a renda per capita da ASEAN, de US$ 19,5 mil seja maior do que a da ALC de US$ 19,4 mil.
Renda per capita (preços correntes em ppp) da ASEAN e ALC: 1980-2024
Renda per capita (preços correntes em ppp) da ASEAN e ALC: 1980-2024
Fonte: FMI, WEO, abril/2019 https://www.imf.org/external/datamapper/datasets/WEO
Mesmo tendo um PIB menor, os países da ASEAN exportavam um pouco mais do que o conjunto dos países da ALC até o início da atual década. Mas desde 2012, a diferença tem aumentado em favor dos países asiáticos. Em 2017, a ALC exportou US$ 1,06 trilhão, enquanto a ASEAN exportou US$ 1,32 trilhão.
Exportações da ASEAN e da ALC: 1994-2017
Exportações da ASEAN e da ALC: 1994-2017
WTO: http://stat.wto.org/StatisticalProgram/WSDBViewData.aspx?Language=E
Diante da guerra comercial que se desenrola entre os EUA e a China, os países da ASEAN buscam fortalecer os laços internos dentro da Associação, além de procurar parceiros para a ampliação do comércio e a continuidade do desenvolvimento econômico.
A 34ª Cúpula da ASEAN ocorreu nos dias 22 e 23 de junho de 2019 em Bangkok, capital da Tailândia, expressando preocupação com o “protecionismo e a hostilidade antiglobalização”. Os líderes da ASEAN defenderam um sistema comercial baseado no multilateralismo e mostraram insatisfação com a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, em janeiro de 2017, de retirar os Estados Unidos do projeto de tratado conhecido como Acordo de Cooperação Econômica Transpacífico (TPP).
Cúpula dos Chefes de Estado da ASEAN
Os líderes do bloco estão procurando outras formas de parceria. A ASEAN está avaliando um acordo comercial proposto pela China – um substituto para o TPP – que cobriria cerca de metade da população mundial. A Parceria Econômica Global Regional (RCEP) incluiria todos os dez estados membros da ASEAN, além da Índia, Japão, Coréia do Sul, Austrália e Nova Zelândia.
Se o bloco concordar com o acordo RCEP elaborado na China, será o maior acordo comercial do mundo. Mas a Índia expressou preocupação com o acordo, temendo que os produtos chineses possam inundar seu enorme mercado consumidor. Austrália e Nova Zelândia levantaram objeções à falta de proteção trabalhista e salvaguardas ambientais.
O fato é que a ASEAN já tem laços fortes de comércio com a China e a Índia – os dois grandes países que apresentam as maiores taxas de crescimento econômico – e tende a ter uma participação cada vez maior nas exportações globais. Além disto, a ASEAN não quer perder os laços comerciais com os EUA e a União Europeia e enfatiza mais o termo “Indo-Pacífico” do que o ”Ásia-Pacífico”. Desta forma, o bloco do sudeste asiático deve manter taxas de crescimento anuais acima de 5%, enquanto a ALC não tem conseguido superar as taxas de 2% ao ano.
Portanto, a perspectiva é que a ASEAN aumente a sua participação na economia global, buscando se equilibrar entre as influências dos EUA, da Índia e da China, para elevar a renda per capita e possibilitando a redução da pobreza. A ASEAN joga um papel central na segurança e na estabilidade do sudeste asiático. A ALC, ao contrário, parece isolada, sem rumo definido e presa à armadilha da renda média e à estagnação secular. O acordo do Mercosul com a União Europeia não parece que vai mudar a situação.
Para complicar tudo, todos terão que enfrentar os problemas do envelhecimento populacional e do “apartheid climático” que ameaça o futuro de toda a população mundial. Assim como os países só conseguem “enriquecer” antes de envelhecer só vão atingir alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) antes do agravamento das catástrofes climáticas. Ou seja, há pouco tempo para os países garantirem o progresso e, no futuro não muito distante, haverá a necessidade de muita luta para evitar um retrocesso global.

José Eustáquio Diniz Alves
Colunista do EcoDebate.
Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/07/2019

BRASIL : POBREZA MULTIDIMENSIONAL.

Pobreza Multidimensional – ONU estima que a miséria priva quase 7,8 milhões dos brasileiros de condições básicas de vida


Em 2015, 3,8% da população brasileira, o equivalente a quase 7,8 milhões de pessoas, vivia em situação de pobreza multidimensional — isto é, sofria privações no acesso a saúde, educação, água e saneamento, eletricidade e padrões de habitação adequados. A estimativa foi divulgada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em seu mais recente relatório sobre as múltiplas faces da miséria.
ONU
Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Foto: Agência Brasil
Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Foto: Agência Brasil
Em 2015, 3,8% da população brasileira, o equivalente a quase 7,8 milhões de pessoas, vivia em situação de pobreza multidimensional — isto é, sofria privações no acesso a saúde, educação, água e saneamento, eletricidade e padrões de habitação adequados. A estimativa foi divulgada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em seu mais recente relatório sobre as múltiplas faces da miséria.
Divulgado neste mês (11), o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) Global 2019 avalia as formas como indivíduos têm condições de vida básicas negadas por causa da miséria. O levantamento analisa o cenário de 101 países, cobrindo 76% da população global. A proposta da pesquisa é superar o viés unidimensional — que adota critérios únicos, como a renda per capita, por exemplo — nas discussões sobre pobreza.
Quanto mais próximo do zero está o IPM, menor é a pobreza multidimensional de uma nação. A taxa expressa o nível de privação vivido por uma sociedade. Para calcular o índice, o PNUD utiliza dez indicadores, divididos em três categorias. Sob a classificação ‘Saúde’, a agência mede a nutrição e a mortalidade infantil. No quesito ‘Educação’, são avaliados os anos de escolaridade e a frequência escolar. Em ‘Padrões de vida’, o organismo investiga dados sobre a disponibilidade de combustível ou energia para cozinhar alimentos, saneamento, água potável, eletricidade, moradia e recursos.
O índice brasileiro foi estimado em 0,016 — o mesmo da China. À frente do Brasil, na América Latina, estão Trinidad e Tobago (0,002), Santa Lucia (0,007), Guiana (0,014) e República Dominicana (0,015).
Para que uma pessoa seja considerada “multidimensionalmente pobre”, ela precisa ter privações em pelo menos um terço dos indicadores — no caso da mortalidade infantil, o que é avaliado é a ausência de uma baixa mortalidade de crianças. Quando privações são observadas em mais da metade dos indicadores, o indivíduo vive em pobreza multidimensional severa.
No Brasil, em 2015, 3,8% da população estava em condição de miséria multidimensional. Desse contingente de brasileiros, em torno de um quarto — 0,9% da população total — foi classificado como em situação de pobreza multidimensional severa.
De acordo com a pesquisa, a mortalidade infantil é o indicador que tem mais influência sobre a taxa do Brasil, respondendo por 49,8% do valor que estima as privações da população. Em seguida, vêm os anos de escolaridade (19,8%) e o acesso a saneamento (11,9%).
Para calcular o índice brasileiro, o PNUD utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) anual de 2015.
Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/07/2019

CAMPONESES EXPULSOS POR LATIFUNDIÁRIOS CORONÉIS.

Camponeses expulsos por latifundiários coronéis, artigo de Gilvander Moreira


Camponeses expulsos por latifundiários coronéis

Em Salto da Divisa, na região do Baixo Jequitinhonha, MG, o coronelismo vigorou durante várias décadas até que se construíram as condições históricas materiais para questioná-lo. Foi o que fez Aldemir Silva Pinto, da coordenação do Assentamento Dom Luciano, assentado desde 2015 no Assentamento Dom Luciano Mendes, na fazenda Monte Cristo.
Diz Aldemir: “Cansado de tanto ser injustiçado, eu, mesmo casado de novo, resolvi largar o serviço que eu estava fazendo para o gerente da fazenda Monte Cristo, pois julguei que era muito abuso o autoritarismo do gerente. Mandaram avisar ele. Ele chegou bravo e já me xingando. Xingou-me, xingou e eu fiquei em silêncio, em silêncio, até que ele perguntou: “Seu disgraça, você não tem boca não?” “Você já fechou a sua boca?”, perguntei. “Já”, disse ele. Aí eu comecei a falar, falar e ele disse: “Você merece é 30 tiros dentro da sua boca”. Ele estava com um revólver na cintura e eu com uma faquinha. Ele não respeitava ninguém. Xingava, mas daí a pouco mudava o tom e abrandava. Meu sangue ferveu e eu me aproximei dele e gritei: “Você vai me dar os tiros é agora”. Ele correu e eu corri atrás dele. E ele ficou rodeando o carro e eu correndo atrás dele. O motorista dentro do carro. “Agora que eu vou te furar todo. Espere aí,” eu gritava. O motorista começou a chamá-lo pra ir embora. Ele entrou no carro e o motorista saiu rápido. Parou a uns 150 metros e gritou: “Espere aí que eu vou na cidade buscar a polícia e um caminhão pra despejar você e sua família”. Três dias depois, ele voltou, mas sem polícia e sem caminhão. “Estou esperando a polícia e o caminhão que você foi buscar. Cadê?”, perguntei de longe. Ele respondeu: “Você está com a cabeça quente. Vem cá, vamos conversar”. Ele estava precisando de mim para trabalhar. Meu pai me aconselhou a ir conversar com ele mais de perto. Saí, novamente com uma faquinha na mão. Ele me disse: “Você está com a cabeça quente. Calma. Vim aqui pra você ir pegar aquela boiada e buscar a madeira, pois o homem está me cobrando a entrega da madeira”. Eu disse: “Não vou”. Ele: “Você tem que ir. Vá cangar os bois, sô”. “Tem de ir, não”, retruquei eu. “Eu preciso de você para pegar a boiada e buscar a madeira”, disse. Eu respondi: “Eu já te disse que eu não vou mais.” Ele: “Eu te pago mais.” “Pode me pagar o tanto que você quiser, mas não aceito mais”. Eu cangava seis juntas de boi pra puxar o carro. Ele, então, pediu que eu ensinasse a outro agregado a carrear como eu carreava. “Vamos combinar pra você trabalhar nos próximos três meses ensinando outro a carrear”, pedia ele pelo amor de Deus. Acabei aceitando trabalhar uma semana. Ensinei só a cangar os bois e disse: “Agora você se vira pra lá.” Parei de trabalhar na fazenda, mas fiquei vivendo na mesma casa como agregado. Após a morte da dona Inhá Pimenta – esposa do coronel Tinô da Cunha Peixoto -, durou cinco anos pra dividir a herança entre os sobrinhos, pois dona Inhá e o coronel Tinô não tiveram filhos. Nós agregados não recebemos nada de terra. Um dos herdeiros da terra onde eu e minha família estávamos morando, o Vianei, um dos sobrinhos de dona Inhá, após eu decidir que não ia ficar mais na fazenda, que precisava ir para a cidade para dar estudo para meus seis filhos, ele comprou uma casa na cidade de Salto da Divisa e me ofereceu pra agasalhar minha família. Saí do campo pra educar meus filhos. Eu disse a ele que a única coisa que queria era que me deixasse as portas abertas para que, se no futuro, eu viesse a precisar de um dia de serviço, eu poderia voltar a trabalhar na fazenda dele. Todos meus seis filhos fizeram o segundo grau, ensino médio. Saíram pra fora. Um foi para a cidade de São Paulo e teve que estudar mais. Todos estão criados e casados. Foram embora. O mais velho mora na capital de São Paulo. O mais novo, em Nova Serrana, MG. Outro trabalha em Belo Horizonte. Três filhas solteiras estão morando e trabalhando em Belo Horizonte e tem uma aqui em Salto da Divisa. O marido dela trabalha na empresa Mineradora Nacional de Grafite. Meus filhos me dizem: “Pai, pode ir trabalhando aí. O que a gente puder ajudar, vamos ajudar. Quando eu sair daqui da capital, eu vou para aí quando vocês receberem todos os direitos aí.” Ficou só eu, a mulher e dois netos que estão morando conosco aqui. Mesmo após mudar para a cidade de Salto da Divisa, continuei trabalhando na roça, em empreitadas roçando manga, fazendo cerca, trabalhando como vaqueiro, amansando boi carreiro e burro dos outros, com motosserra serrando madeira, retirando madeira da mata arrastando com seis juntas de boi. O que eu topasse de serviço grosseiro eu pegava. Eu sempre ouvia no rádio falar de reforma agrária. Toda nossa região era mata. Vários companheiros que estão aqui trabalharam junto comigo.”
Por que quase todas as famílias do município de Salto da Divisa foram forçadas a sair do campo e ir para a cidade?2 O mesmo Aldemir recorda: “Saíram pra buscar melhoria de vida, pois tinha muita gente e muitas vezes nem medicina tinha pra se valer na hora da doença. Não tinha escola e nem estradas. Não tinha transporte. Se a gente não tivesse um jegue para levar a feira, a gente tinha que levar a feira na cabeça, da cidade até a roça. Muitas famílias foram embora para o Pará em busca de terra. Depois que a fazenda do coronel Tinô da Cunha Peixoto, de 19 mil hectares, foi dividida, os herdeiros começaram a fazer pressão nas famílias pra saírem. Uns foram espremidos. Um, por exemplo, o fazendeiro passou a não oferecer nenhum dia de serviço. Eu falei com ele pra não sair, pois ele tinha nascido e sido criado lá. Mas como ficar sem trabalhar, sem ganhar algo para o sustento? Esse fazendeiro falou que aquele agregado iria morrer ali, mas que não daria uma casa pra ele na cidade.”
Na dissertação de mestrado de Luis Antonio Alves, intitulada Ação Pastoral das Irmãs Dominicanas em Salto Da Divisa, MG, de 1993-2005, é relatado pormenorizadamente o processo de formação do povo saltense: história sangrenta3, com o extermínio dos povos indígenas botocudos, existentes na região, e a instalação da cultura do clientelismo e coronelismo em Salto da Divisa. “Os sobreviventes desse extermínio criaram uma dependência muito grande dos fazendeiros, em questões de trabalho, moradia, alimentação, vestuário… Enfim, não tinham nenhuma perspectiva de vida, e constata-se que tal dependência passou de geração para geração. Criou-se uma consciência de subordinação para com os fazendeiros, o que levou a população a como que agradecer as migalhas que comia como se fossem obra de caridade. Salto da Divisa foi marcada pelo sofrimento de seus habitantes, piorado com o aumento das grandes fazendas de gado. A grande maioria da população urbana da cidade de Salto da Divisa de hoje origina-se da expulsão forçada ou “amigável” das terras tituladas pelos grandes latifundiários, entre os anos 1970 a 1990, décadas nas quais começou a desaparecer o agrego, isto é, o uso partilhado da terra, dando lugar ao uso exclusivo das terras, para pastos ou comercialização” (ALVES, 2008, p. 29).
Enfim, eis uma amostra da expropriação da terra dos camponeses, no Brasil, e de como os desterrados foram e ainda continuam sendo violentados pelo latifúndio, pelos latifundiários e capital reinante.
Belo Horizonte, MG, 09/7/2019.
Referência.
ALVES, Luís Antonio. Ação Pastoral das Irmãs Dominicanas em Salto da Divisa, MG, de 1993-2005. (Dissertação). São Paulo: Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, 2008. Disponível emhttp://livros01.livrosgratis.com.br/cp080579.pdf
Terra para quem nela vive e trabalha
Foto: Divulgação / Portal das CEBs
Obs.: Abaixo, vídeos que versam sobre o assunto apresentado, acima.
1 – Comunidade Quilombola Braço Forte, em Retomada/Salto da Divisa, MG/A luta pela terra/09/6/2016.
2 – Clamor por terra: Sem Terra João Augusto – Acampamento Dom Luciano/Salto da Divisa, MG – 04/03/2012
3 – Famílias do Acampamento Dom Luciano na posse da Fazenda Monte Cristo, em Salto da Divisa. 22 10 14
1 Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Ciências Bíblicas; assessor da CPT, CEBI, SAB, CEBs e Movimentos Sociais Populares; prof. de “Movimentos Sociais Populares e Direitos Humanos” no IDH, em Belo Horizonte, MG. E-mail: gilvanderlm@gmail.com – www.gilvander.org.br – www.freigilvander.blogspot.com.br – www.twitter.com/gilvanderluis – Facebook: Gilvander Moreira III
2 Sr. João Augusto dos Reis relata ao advogado Élcio Pacheco realidade de injustiça semelhante à relatada a nossa pessoa enquanto fazíamos essa pesquisa de doutorado, injustiças que se abatiam sobre as famílias que viviam como agregados das famílias Cunha Peixoto e Pimenta. Veja no vídeo https://www.youtube.com/watch?v=l9P7o9KxUa8
3 Sobre a história do Vale do Jequitinhonha, cf. RIBEIRO, Eduardo Magalhães. Lembranças da terra: história do Mucuri e Jequitinhonha. Belo Horizonte: s. ed., 1995; SANTOS, Rafael Souza. O Vale do Jequitinhonha. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1971.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/07/2019

ESTUDO APONTA AUMENTO DOS CASOS DE CÂNCER NA POPULAÇÃO ENTRE 20 E 49 ANOS.

Estudo aponta aumento dos casos de câncer na população entre 20 e 49 anos


saúde

Dados podem servir para indicar políticas públicas a serem adotadas
ABr
O aumento dos casos de câncer na população entre 20 e 49 anos, de 1997 a 2016 chamou a atenção de especialistas. Nesse período, a incidência por ano do câncer da glândula tireóide registrou uma elevação de 8,8%, o de próstata 5,2% e o de cólon e reto 3,4%. Os dados fazem parte do estudo elaborado pelo Observatório de Oncologia, que teve como tema Câncer antes dos 50: como os dados podem ajudar nas políticas de prevenção.
O trabalho foi apresentado na quarta-feira (17), durante o Fórum Big Data em Oncologia, que ocorreu no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O encontro foi organizado pelo Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC).
De acordo com o estudo, houve aumento ainda na mortalidade por alguns tipos da doença. O maior percentual foi de câncer no corpo do útero, que subiu 4,2% por ano; seguido por cólon e reto com 3,2%, mama 2,5%, cavidade oral 1,2% e colo de útero 1%.
A líder do TJCC e presidente da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), Merula Steagall, disse que após pesquisas da Sociedade Americana de Câncer, divulgadas em fevereiro, nos Estados Unidos, identificando a ligação entre obesidade e o aumento nos casos de câncer em indivíduos mais jovens, especialistas do Observatório de Oncologia, que pertence ao TJCC, se dedicaram ao estudo para verificar o que ocorria no Brasil e analisaram dados gerados no setor de Saúde. Foram analisados dados do DATASUS e do Inca.
O resultado, além de um alerta, vai servir para indicar tipos de políticas que podem ser adotadas pelos gestores e impedir que a tendência tenha um crescimento maior.
“Os que aumentaram na incidência e na mortalidade eram cânceres relacionados ao tipo de vida. A gente está pressupondo que álcool, tabaco, alimentação não saudável e falta de prática de exercício podem estar refletindo no aumento de incidência”, detalhou Merula Steagall.
A pesquisadora ainda diz acreditar que o aumento da mortalidade se deu porque as pessoas procuram o tratamento em estágio avançado da doença. ”Como se espera que o câncer é uma doença depois dos 50 anos mais predominantemente, porque as células estão mais envelhecidas e começa uma produção irregular que acarreta no câncer, a pessoa entre 20 e 50 não está atenta para isso. O sistema não facilita o fluxo para ir rápido para um diagnóstico”.
Demora
No encontro, os especialistas destacaram dois fatores que contribuem para esses números: a falta de acesso a informações e aos tratamentos. “Esse fator da demora de acesso a um especialista e a um centro adequado também acarreta na mortalidade e a pessoa perde o controle da doença”, contou.
Merula acrescentou que em termos de tecnologia, nesses 20 anos, houve avanços, então, para o especialista é triste verificar que o progresso científico não teve impacto na vida das pessoas. “Não teve resultado para muitos tipos de cânceres. Dos 19 analisados, 10 aumentaram a mortalidade”, observou, destacando a importância da mídia no alerta e na divulgação da vida saudável.
“Você tem que planejar a sua terceira idade enquanto é jovem. Só que as pessoas jovens acham que a mortalidade para elas está distante. Falo isso como uma pessoa com doença genética e como a morte estava sempre próxima sempre me cuidei, me tratei, procurei fazer esportes e tive alimentação saudável. É importante alertar porque precisamos planejar o nosso envelhecimento.”
Diagnóstico
A médica mastologista, Alice Francisco, teve uma experiência própria com diagnóstico precoce. Ao fazer um exame de rotina para verificar um histórico familiar de hipotireoidismo ficou constatado, mesmo sem ter sintomas, que tinha câncer na tireóide. A avaliação foi há 12 anos, o tratamento foi feito, o tumor sumiu, mas dois anos depois voltou. “Precisei fazer novamente o tratamento. Foi uma coisa bem inesperada para a situação do meu diagnóstico naquele momento”, revelou.
Alice completou que foi muito importante ter o diagnóstico precoce e que pôde ver o quanto é relevante o impacto nos resultados dos tratamentos. A médica reforçou a necessidade de ter bons hábitos alimentares e físicos. “Para mim, isso foi muito importante e adaptar ao meu dia a dia. Hoje eu repercuto muito isso como profissional de saúde e estudo tudo. Uma das minhas linhas de estudo é a atividade física, então, mudou muito a minha forma de ser profissional depois de ter passado por isso”, indicou.
Parceria
Segundo a presidente da Abrale, o objetivo da entidade é trabalhar junto com o Ministério da Saúde para a definição, entre outras medidas, de maior divulgação de informações sobre o que é a doença, como pode ser diagnosticada e quais são os fatores de risco.
No encontro, foi apontada a diferença de acesso das informações e à disponibilidade de tratamento entre as regiões do país, com maior dificuldade no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste. O diretor do Departamento de Informática do SUS (DATASUS/SE/MS), Jacson de Barros, que participou dos debates, reconheceu que é preciso qualificar mais as equipes de atendimento, que podem apresentar um diagnóstico precoce, facilitar o tratamento e em muitos casos evitar a morte do paciente. Para ele, isso pode também reduzir as sub-notificações. “A gente quer mudar a forma de disponibilizar os dados do DATASUS para que todo mundo consiga além do acesso, poder fazer estudos longitudinais, acompanhar o desfecho. A ideia é aprimorar todo esse sistema”, disse.
O diretor afirmou que falta infraestrutura para permitir o registro adequado da informação. Um estudo do ano passado dos hospitais que têm mais de 50 leitos mostra que mais da metade não tem prontuário eletrônico, ou seja, faz o básico quando o paciente entrou, se precisou ficar internado e quantos dias permaneceu na unidade, mas não é feita uma análise clínica. “Mesmo assim, com as informações que a gente tem ainda dá para sair muito suco de laranja, mesmo não tendo as informações clínicas”, afirmou.
Para resolver o problema das regiões onde há carência de acesso à informação, ao diagnóstico e ao tratamento, o diretor disse que o Ministério da Saúde está fazendo um mapeamento para adequar o primeiro atendimento a fazer o registro adequado. “Será um mapeamento baseado na classificação do IBGE, e para cada região vamos subsidiar soluções para investimento de infraestrutura na ponta e para melhor atender e registrar”, disse.

Por Cristina Indio do Brasil, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/07/2019

quarta-feira, 17 de julho de 2019

AS SACOLAS PLÁSTICAS E O INÍCIO DE UM NOVO TEMPO.

As sacolas plásticas e o início de um novo tempo, artigo de Mariana Schuchovski


lixo plástico
Foto: UNEP
[EcoDebate] Desde o último dia 26 de junho, partir desta quarta-feira (26), os estabelecimentos do Estado do Rio de Janeiro estão proibidos de oferecer sacos ou sacolas plásticas descartáveis aos seus clientes, devido a aprovação da Lei 8.006/2018. Na mesma semana, a cidade de São Paulo (SP) sancionou um projeto de lei municipal para a proibição do fornecimento de canudos plásticos na cidade. Seguindo esse ritmo, logo medidas semelhantes estarão presentes em todo Brasil.
E agora, o que podemos fazer? Muitos de nós passamos a vida inteira usando copos e canudos plásticos em festas, restaurantes e escritórios, e sacolas plásticas para as compras. Essas mudanças são reflexo de um tema importante e discutido há muito tempo. Os impactos que causamos ao meio ambiente precisa ser repensado urgentemente. Economia circular, negócios de impacto, sustentabilidade, economia de baixo carbono, empreendedorismo social, indústria 4.0… Com a definição de um novo marco legal e diante de tantos temas relevantes, fica evidente que estamos vivenciando momentos de grande transformação. Uma verdadeira disruptura.
Como consumidores e cidadãos, sabemos da importância de consumir de forma consciente, priorizando produtos e serviços que minimizem os impactos negativos ao capital natural e à biodiversidade, ao mesmo tempo em que respeitem os direitos humanos e as relações sociais e trabalhistas. Isso tudo, sem deixar de lado a viabilidade econômica, aspecto igualmente importante para o equilíbrio e o desenvolvimento sustentável. Mas como sociedade, precisamos também assumir o compromisso de produzir de forma responsável. Em outras palavras: a conscientização sobre as responsabilidades na atuação de cada organização, instituição e indivíduo.
As sacolas e os canudos plásticos são a ponta do iceberg, quase como um chavão, pois representam apenas uma tímida parcela da quantidade de plástico e de matérias-primas de origem fóssil (como petróleo) que consumimos. No entanto, muito maior do que o impacto na quantidade do plástico consumido, é o impacto na mudança de hábitos. E é justamente aí que reside a grande transformação, importante e urgente. Esta mudança ocorre mais lentamente do que a adaptação tecnológica, já que vivemos tempos de inovação acelerada, pois envolve questões culturais, econômicas, sociais, dentre tantas outras.
No caso dos canudos, por exemplo, foram adotadas inúmeras formas de conscientização da população sobre os perversos impactos do plástico sobre a vida marinha e a terrestre. Vídeos, postagens e campanhas diversas evidenciando a realidade com o engajamento de tantas pessoas famosas e não famosas, foram cruciais para desencadear o processo de revisão sobre a maneira como consumimos.
Apesar da dificuldade de se conscientizar uma população de que o novo modelo é melhor do que o modelo anterior, a mudança de hábitos passa a ser duradoura. “A mente que se expande a uma nova ideia, jamais retornará ao seu estado original”, Einstein declarou muito sabiamente.
Torçamos para que esta premissa possa valer também para tantos outros produtos e processos que precisamos rever. Embora recente e, talvez ainda pouco consolidado, dificilmente voltaremos a consumir canudos plásticos. O mesmo se aplica às sacolas plásticas. Elas são só o começo. E não tem mais volta.
*Mariana Schuchovski é Doutora em Engenharia Florestal, professora de Sustentabilidade no ISAE Escola de Negócios e fundadora da Verde Floresta – Sustentabilidade, Meio Ambiente e Florestas.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/07/2019

MICROCLIMA E ÁREAS VERDES.

Microclima e áreas verdes, artigo de Roberto Naime


arborização
O material particulado é um dos poluentes que mais afetam a respiração humana e também um dos mais absorvidos pelas plantas – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Microclima e áreas verdes

[EcoDebate] Aconteceram grandes e relevantes alterações no cenário global dos últimos tempos. Dados indicam que pela primeira vez na história, na última década, a população urbana do mundo se tornou maior que a rural. No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), PNAD 2015, mais de 84% da população reside em áreas urbanas. A urbanização descontrolada, sem o adequado planejamento e as condições de infraestrutura urbana, tornam o quadro ainda mais grave.
Esta grande alteração causa várias consequências para o meio urbano, como ausência de áreas verdes, modificações no microclima das cidades, elevação das temperaturas, mudanças nos regimes eólicos, reduções na umidade do ar e até alterações na absorção de água pelos solos. A grande quantidade de veículos automotores resultante das carências de mobilidade geradas pela ausência de sistemas públicos bem aparelhados, faz com que as temperaturas das cidades se elevem em valores de 5 a 10 graus em média, principalmente nas áreas mais centrais.
Arborizações adequadas e até o uso de técnicas de coberturas verdes, instaladas sobre lajes de concreto, ajudam muito a amenizar as temperaturas e reconstituir localmente climas muito afetados. Telhados verdes também auxiliam na absorção de poeira, redução da sonoridade, como a arborização, contribuindo para melhor qualidade de vida das populações (MINKE, 2.005).
As superfícies vegetais tanto arbóreas quanto de telhados verdes, garantem além de melhor conforto térmico e ambiental, que elementos orgânicos possam absorver o gás carbônico resultante da combustão dos veículos. Este procedimento de sequestro dos gases de efeito estufa, muito contribui para a redução de efeito do aquecimento global.
A retenção de água tanto por árvores e folhagens quanto por coberturas verdes, patrocina e contribui para a regulação da umidade ambiental, permitindo maior evaporação (FERREIRA, 2007). As cidades e núcleos urbanos, em geral muito impermeabilizados, geram menor recarga dos aquíferos subterrâneos e dificuldades de escoamento que produzem frequentes enchentes. Áreas verdes ou coberturas verdes patrocinam importantes dispositivos para amortecimento dos escoamentos superficiais que geram as inundações.
Estudos científicos comprovaram que em São Paulo estas técnicas potencializaram os efeitos de microclima aumentando em 15,7% a umidade do ar e gerando redução de temperatura de 5,3 graus (CATUZZO, 2013). Particularmente no uso de telhados verdes, o isolamento térmico proporcionado pelas camadas vegetais possibilita ambiente interno mais agradável aumentando a reflexão e diminuindo a absorção nas coberturas, reduzindo assim as temperaturas ambientais.
A sustentabilidade, a arborização ou a integração ecológica ainda é um tema pouco difundido no país e pouco integrado às normas legais, que negligenciam estes valores. No sul do Brasil, possivelmente em função das imigrações europeias, existe maior sensibilização para este tema ou para assuntos vinculados. A oferta de incentivos pode induzir mais rapidamente a indução de procedimentos ambientalmente sustentáveis. Mas todas as alterações culturais ou paradigmáticas demandam tempo e participação comunitária para a difusão de concepções.
FERREIRA et al (2012) em estudo de microclima na cidade de Juiz de Fora em Minas Gerais, observam que o intenso processo de urbanização resultou na permuta de ambientes naturais por cenários cada vez mais artificiais. E este procedimento, sem adequado planejamento, gera inúmeros danos e impactos ambientais, particularmente na dimensão dos campos térmicos gerados no ambiente urbano.
Particularmente nas áreas de vegetação natural que são substituídas por processos de urbanização que caracterizam como “exacerbados”. Novamente destacam que a presença de vegetação nos grandes centros, contribui de forma favorável para a manutenção de umidade nos solos, atenuando o aquecimento e detendo a irradiação, favorecendo a reflexão de calor.
Áreas verdes tem grande relevância na montagem de cenários locais de microclimas como já se sabe e nem precisa comprovação científica para determinar este fato que gera sensações sobre todos os indivíduos, que podem atestar suas sensações.
As áreas verdes e os telhados ecológicos se configuram como áreas de frescor e umidades mais elevadas em relação a suas áreas circunvizinhas. E isto não necessita de nenhuma comprovação científica além de sensação que é comum às práticas e às experiências de todos os indivíduos que mobilizam uma mínima atenção ao tema.
Não são leis ou diplomas legais ou meras induções geradas por isenções tributárias que vão resolver o problema. Neste caso, como em todos os outros, acompanhado de estímulos financeiros, deve haver maior conscientização individual e nova atitude coletiva.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Aposentado do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
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Referências:
CATUZZO, H. Telhado Verde: Impacto na temperatura e umidade do ar. O Caso da Cidade de São Paulo. 2013. 206f. Tese (Doutorado) – Departamento de Geografia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013.
FERREIRA, C. C. M., ASSIS , D. C., PIMENTEL, F. O. e OLIVEIRA, D. E. O estudo do microclima gerado por praças em relação aos seus arredores na cidade de Juiz de Fora – MG Revista Geonorte, Edição Especial 2, V.2, N.5, p.496 – 508, 2012.
FERREIRA, M. F. Teto Verde: O Uso De Coberturas Vegetais Em Edificações. Departamento de Artes & Design. Relatório. 2007. Disponível em: . Acesso em: Fev. 2014.
MINKE, G. Techos Verdes. Espanha: EcoHabitar. 2005
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/07/2019