sexta-feira, 29 de abril de 2022

COMO AS PESSOAS SÃO EXPOSTAS À ÁGUA CONTAMINADA COM ANTIBIÓTICOS SEM SABER.

 análise da água

Foto: Shutterstock / UNEP

Como as pessoas são expostas à água contaminada com antibióticos sem saber

As pessoas ao redor do mundo estão, sem conhecimento, sendo expostas à água contaminada com antibióticos, o que pode dar início ao surgimento de patógenos resistentes a medicamentos e potencialmente alavancar outra pandemia global, segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

UNEP

O estudo, realizado no mês passado, próximo ao Dia Mundial da Saúde em 7 de abril, revelou que, globalmente, não é dada a devida atenção à ameaça que a resistência antimicrobiana representa, com a maioria dos antibióticos sendo lançada no meio ambiente por meio de banheiros ou por defecação a céu aberto. Em 2015, 34,8 bilhões de doses de antibiótico foram consumidos diariamente e cerca de 90% deles foram lançados no meio ambiente ainda como substâncias ativas.

Embora 80% das águas residuais no mundo não sejam tradadas, até nos países desenvolvidos as estações de tratamento frequentemente não conseguem filtrar microrganismos perigosos.  Isso pode gerar a reprodução de super microrganismos que podem contornar a medicina moderna e desencadear uma pandemia, alertam os autores do relatório.

Os antibióticos e outros medicamentos salvam vidas, mas precisam ser utilizados com cautela para que não haja uma resistência antimicrobiana, que apresenta riscos sociais, ambientais e financeiros para as empresas e para a sociedade em geral.Leticia Carvalho, diretora da Unidade Marinha e de Água Doce do PNUMA

Em 2019, as infecções que apresentaram resistência a antibióticos foram associadas à morte de quase 5 milhões de pessoas. Sem uma ação imediata, essas infecções poderão causar até 10 milhões de mortes por ano até 2050, revela o relatório: “Outra pandemia se esconde à vista de todas as pessoas. As consequências do contínuo desenvolvimento e disseminação da resistência antimicrobiana podem ser catastróficas”.

Os antimicrobianos são agentes cujo objetivo é matar os patógenos ou inibir o crescimento dos mesmos. A categoria inclui antibióticos, fungicidas, agentes antivirais, parasiticidas, assim como alguns desinfetantes, antissépticos e produtos naturais.

A resistência antimicrobiana ocorre quando microrganismos como bactérias, vírus, parasitas e fungos evoluem e se tornam imunes às drogas às quais eram vulneráveis anteriormente. Quanto mais os microrganismos são expostos aos produtos farmacêuticos, maior é a probabilidade de adaptação a estes.

“Os antibióticos e outros medicamentos salvam vidas, mas seu destino ambiental no curso de nossas águas tem importância. Eles precisam ser utilizados com cautela para que não haja uma resistência antimicrobiana, que apresenta riscos sociais, ambientais e financeiros para as empresas e para a sociedade em geral”, alerta Leticia Carvalho, diretora da Unidade Marinha e de Água Doce do PNUMA.

O que pode ser feito?

Segundo o relatório, essa ameaça global pode ser enfrentada por meio do controle da liberação da poluição por antibióticos, incluindo por meio da melhora no tratamento de esgoto e do uso mais seleto de antibióticos — frequentemente estes medicamentos são utilizados sem necessidade. O relatório recomenda a melhoria dos dados e do monitoramento de antimicrobianos e como estes são descartados. Também exige uma governança ambiental aprimorada e planos de ação nacionais para limitar a liberação de antimicrobianos.

O relatório pede aos países que adotem a abordagem One Health (“Uma Saúde”, na tradução literal), que está centrada na ideia de que a saúde humana e animal são interdependentes e ligadas à dos ecossistemas em que coexistem. A estratégia, por exemplo, exige que os países limitem o desmatamento, que frequentemente aproxima as pessoas de animais selvagens transmissores de vírus, permitindo que os patógenos saltem de uma espécie para outra.

“A pandemia de COVID-19 ensinou lições, uma delas é a necessidade de prevenir e enfrentar várias ameaças à saúde ao mesmo tempo, especialmente suas dimensões ambientais”, segundo o relatório.

Cinco fontes principais

Um estudo recente sobre a poluição farmacêutica dos rios do mundo concluiu que níveis mais altos de patógenos resistentes a antibióticos foram encontrados em países de baixa a média renda e foram associados a áreas com pouca infraestrutura de gestão de águas residuais e de resíduos, além das áreas onde há a fabricação de produtos farmacêuticos.

De acordo com um relatório do PNUMA, Há cinco fontes principais de poluentes que contribuem para o desenvolvimento e propagação da resistência antimicrobiana. Estes são:

  • saneamento, tratamento de esgoto e efluentes precários, agravados, por exemplo, pela defecação a céu aberto e o uso excessivo de antibióticos para tratar a diarreia;
  • efluentes da fabricação farmacêutica;
  • resíduos de centros de saúde;
  • uso de antimicrobianos e esterco na produção agrícola; e
  • liberações da produção animal.

Dimensões da mudança climática

Temperaturas mais elevadas também estão associadas ao aumento de infecções resistentes a antimicrobianos, conclui o relatório. Muitas doenças são sensíveis ao clima, e mudanças nas condições ambientais e de temperatura podem levar a um aumento na propagação de doenças bacterianas, virais, parasitárias, fúngicas e transmitidas por vetores.

Eventos climáticos extremos e a elevação dos lençóis freáticos podem fazer com que as águas residuais e os esgotos sobrecarreguem as estações de tratamento, permitindo que águas não tratadas e ricas em microrganismos resistentes a antimicrobianos contaminem comunidades vizinhas.

O relatório, que apresenta os destaques de um estudo mais detalhado a ser divulgado no final deste ano, pede que as autoridades formuladoras de políticas não baixem a guarda, mesmo quando a pandemia da COVID-19 recuar: “A pandemia de COVID-19 é um chamado de despertar para melhor compreender e aprimorar todas as áreas de preparação e prevenção de doenças infecciosas, incluindo suas dimensões ambientais”.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 09/04/2022

EUA E UNIÃO EUROPEIA RESPONDEM PELA MAIOR PARTE DA INSUSTENTÁVEL EXTRAÇÃO GLOBAL DE RECURSOS.

EUA e União Europeia respondem pela maior parte da insustentável extração global de recursos

As nações de alta renda são responsáveis por 74% do excesso global na extração de recursos no período 1970-2017, impulsionado principalmente pelos EUA e pelos países da União Europeia.

Isso é demonstrado em um estudo internacional liderado por Jason Hickel, pesquisador do Instituto de Ciência e Tecnologia Ambiental da Universitat Autònoma de Barcelona (ICTA-UAB), que determina a responsabilidade nacional pela degradação ecológica calculando até que ponto cada nação ultrapassou seu quinhão de limites de uso sustentável de recursos.

Universitat Autònoma de Barcelona*

Os impactos humanos nos processos do sistema da Terra estão ultrapassando várias fronteiras planetárias, não apenas em termos de emissões de CO2 e mudanças climáticas, mas também em mudanças no uso da terra, perda de biodiversidade, poluição química e fluxos biogeoquímicos. Esse colapso ecológico está sendo causado em grande parte pela extração global de recursos, que aumentou rapidamente ao longo do último meio século e agora excede dramaticamente os níveis seguros e sustentáveis.

Estima-se que a economia mundial consuma mais de 90 bilhões de toneladas de materiais por ano, bem acima do que os ecologistas industriais consideram o limite sustentável.

Este novo estudo propõe um novo método para determinar a responsabilidade nacional pela degradação ecológica. “Nem todas as nações são igualmente responsáveis por essa tendência; algumas nações usam substancialmente mais recursos per capita do que outras por meio de extração de materiais, produção, consumo e resíduos”, explica o pesquisador do ICTA-UAB Jason Hickel.

Entre 1970 e 2017, quase 2,5 trilhões de toneladas de materiais foram extraídos globalmente, com países de alta e média renda usando a grande maioria desses recursos. Destes, 1,1 trilhão de toneladas estavam acima do corredor sustentável.

O estudo mostra que os países de alta renda (com 16% da população mundial) são responsáveis por 74% do excesso de uso global de recursos no período 1970-2017, impulsionado principalmente pelos Estados Unidos (27%) e países de alta renda em a União Europeia (25%). A Espanha ocupa o 11º lugar na lista de 15 países que ultrapassam o limite planetário sustentável de uso de matéria-prima. A Espanha é responsável por 2% do excesso, atrás de países como Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Canadá e Itália, entre outros.

A China, um país de renda média alta, ocupa o segundo lugar globalmente e é responsável por 15% do uso global de material excedente. O restante do Sul Global (ou seja, países de baixa e média renda da América Latina e Caribe, África, Oriente Médio e Ásia) é responsável por apenas 8%. Da mesma forma, 58 países do Sul global, representando 3,6 bilhões de pessoas e incluindo a Índia, permanecem dentro de níveis sustentáveis.

A pesquisa, publicada na revista Lancet Planetary Health , analisou a extração doméstica, bem como os materiais envolvidos nos fluxos comerciais globais de recursos como combustíveis fósseis, madeira, metais, minerais e biomassa, usando dados do painel internacional de recursos da ONU e cálculos extrapolados .

A responsabilidade nacional mudou ao longo do período analisado. Embora o excedente dos Estados Unidos tenha crescido consistentemente em termos absolutos, sua participação no excedente global diminuiu gradualmente nas últimas duas décadas, uma tendência semelhante para a Europa e outros países de alta renda. Essa mudança se deve principalmente ao aumento do uso de recursos na China, que é composto principalmente de materiais de construção. A superação da China começou apenas em 2001, mas cresceu rapidamente nos anos seguintes.

“Os resultados mostram que as nações ricas têm a esmagadora responsabilidade pelo colapso ecológico global e, portanto, têm uma dívida ecológica com o resto do mundo”, explica Jason Hickel, que enfatiza que “essas nações precisam assumir a liderança em fazer reduções radicais na seu uso de recursos para evitar maior degradação, o que provavelmente exigirá abordagens transformadoras de pós-crescimento e decrescimento”.

Excesso médio anual per capita dos 15 maiores excessos absolutos
Excesso médio anual per capita dos 15 maiores excessos absolutos, 1970–2017. In https://doi.org/10.1016/S2542-5196(22)00044-4

Referência:

National responsibility for ecological breakdown: a fair-shares assessment of resource use, 1970–2017
Prof Jason Hickel, PhD, Daniel W O’Neill, PhD, Andrew L Fanning, PhD, Huzaifa Zoomkawala, BS
The Lancet Planetary Health – Volume 6, ISSUE 4, e342-e349, April 01, 2022
DOI:https://doi.org/10.1016/S2542-5196(22)00044-4

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Henrique Cortez *, tradução e edição.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 11/04/2022

A QUE PONTO NOS LEVARÁ A CRISE DE BIODIVERSIDADE NO BRASIL E NO MUNDO?

cachoeira


Foto: Heiko Behn em Pixabay

A que ponto nos levará a crise de biodiversidade no Brasil e no mundo? artigo de Elissandro Santana

Diante do cenário de degradação vivido e em curso, é preciso falar, com urgência, sobre biodiversidade em diversos espaços, passando pela escola, pelo trabalho e em casa

Inicialmente, cabe destacar que este texto é a retomada do artigo “Atravessamos a maior das crises, a de destruição da biodiversidade”, publicado, em 2021, no  Portal Desacato. Como o tema é bastante relevante, resolvi retomar a discussão, ampliando-a e repensando-a para mais reflexões acerca da crise da biodiversidade no Brasil e no mundo.

Frente à importância do tema, é importante refletir sobre o fato de que de todas as crises pelas quais o mundo atravessa, de fato, a crise de biodiversidade é, sem dúvida, a maior delas, haja vista que esta desencadeia ou desencadeará muitas outras.

Em se tratando do Brasil, a crise de biodiversidade se dá em decorrência da agenda política de destruição voltada para os interesses dos mecanismos da economia clássica e para tentar entender os rumos que tomamos, é importante refletir historicamente. Nesse sentido, é importante trazer que ao longo de nossa existência como nação, nos tornamos escravos das mentalidades coloniais da época da invasão e absorvemos os imaginários do colonizador, por isso, cada vez mais, precisamos entender a raiz da mentalidade econômica, política e colonial moderna da desesperança no país.

Quando afirmo que a crise de biodiversidade é  a maior de nossas crises, no Brasil e em todo o Planeta, parto do pressuposto de que a exploração de recursos de forma insustentável gera impactos ambientais profundos, com efeitos que são ou serão sentidos em cadeia, haja vista que tudo está interligado na Biosfera. No que se refere às questões climáticas, o Brasil começou a sentir, nos últimos anos, os impactos da degradação, e essa crise se agrava ainda mais com a intensificação dos desmatamentos, das queimadas nos biomas de todo o país e pela fragmentação de diversos habitats, fator que acelera velozmente a perda de espécies.

Diante do cenário de degradação vivido e em curso, é preciso falar, com urgência, sobre biodiversidade em diversos espaços, passando pela escola, pelo trabalho e em casa. A crise na qual estamos mergulhados exige de nós o intercâmbio de saberes socioambientais para que, desta forma, a sociedade entenda parte da dinâmica da natureza e compreenda que na conservação e na preservação estão os alicerces para a continuidade de nossa existência. Toda essa rede de diálogos propiciará um despertar coletivo, e a partir desse ponto perceberemos que nossas escolhas políticas interferem diretamente em nosso futuro comum.

Diante do quadro atual, a educação ambiental adquire, mais do que nunca, um papel importantíssimo, mas ela sozinha não dará conta de todos os problemas, pois, como já mencionado, tudo está em rede. No momento, em muitas áreas do conhecimento, dentro e fora da academia, se fala sobre biodiversidade, mas pouco se aprofunda com os/as atores/atrizes sociais não acadêmicos sobre o que seria de fato isso, por isso, é urgente dialogar mais, de forma simples, a partir da educação ambiental, acerca desse fenômeno, seja em perspectiva conceitual ou exemplificativo-prática.

Por Biodiversidade, é necessário entender que esta se refere, diretamente, à variedade de seres vivos, considerando, sem exclusão, todas as formas e interações, porque tudo o que existe merece existir, partindo-se de uma concepção de Leonardo Boff e outros autores alicerçados em uma bioética. A biodiversidade é o caldeirão de misturas ecológicas que possibilita a continuidade da vida. É um fenômeno tão rico com características tão complexas que, por isso mesmo, demanda análises e estudos multidisciplinares para se chegar à completa montagem do quebra-cabeça. E aqui chegamos a uma noção didática muito importante, à de biodiversidade como um grande quebra-cabeça, em que cada peça se junta a outra peça para a formação de uma imagem do todo.

Para ampliar essa noção sobre biodiversidade, caro/a leitor/a, atentei-me a três pilares que são discutidos em profundidade pela Ecologia e pela Biologia da Conservação: diversidade genética, diversidade de espécies e diversidade de ecossistemas. Nesse sentido, é importante salientar que esses três pilares se conectam diretamente e o Brasil, claramente, tem interferido nessas três linhas, basta acompanhar por meio da mídia a destruição em Biomas como o Pantanal, o Amazônico, o Cerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica.

Em meio a tudo isso, urge compreender que, ao se destruir a diversidade de ecossistemas, mexe-se, automaticamente, nos outros dois níveis, na diversidade de espécies e, consequentemente, na diversidade genética. A cada árvore derrubada, a cada área queimada, a cada lançamento de dejetos, sejam líquidos ou sólidos, a cada animal que morre nos incêndios país adentro, e a cada aceno para a política da destruição do meio ambiente, do qual também somos parte, morremos um pouco e, muitas vezes, alienados, nem nos damos conta, ou nos damos e seguimos fingindo que está tudo bem.

Por fim, podemos chegar a outro patamar da discussão, à ideia de que a biodiversidade ultrapassa os limites dos três pilares mencionados, da diversidade genética, da diversidade de espécies e da diversidade de ecossistemas. A biodiversidade, por ser um fenômeno complexo, como mencionado, se relaciona com todos os elementos que possibilitam a vida e pode ser discutida à luz da Sociologia, das Ciências Políticas, das Linguagens e todas as áreas do conhecimento. Nesse ínterim, vale a pena trazer a metáfora das peças de dominó ou do grande tabuleiro de xadrez, para a compreensão de que para a biodiversidade cada peça importa, da política, à economia, à cultura e fica fácil entender isso quando se percebe que a política interfere diretamente no meio ambiente e que esta se atrela aos interesses das elites dominantes.

É por isso que, de forma simples, todos precisamos perceber que um voto sem compromisso com a vida pode representar a destruição ambiental e que somente a partir de uma consciência sócio-político-econômico-ambiental será possível arrancar esperança no futuro e conservar a vida!

Nosso futuro depende de nossa mudança de mentalidade e, consequentemente, de uma postura crítica em relação a todas as insustentabilidades político-cultural-economicamente que estão postas e que foram construídas historicamente pelos donos do poder. Caso não mudemos e, com isso, não desviemos da rota atual, condenaremos, de uma vez por todas, o nosso futuro!

Elissandro Santana é Professor da faculdade Nossa Senhora de Lourdes, membro do Grupo de Estudos da Teoria da Dependência – GETD, coordenado pela Professora Doutora Luisa Maria Nunes de Moura e Silva, revisor da Revista Latinoamérica, colunista da área socioambiental, latino-americanicista e tradutor do Portal Desacato.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 11/04/2022

OMS ALERTA PARA PRESENÇA DE SALMONELLA EM CHOCOLATE.

OMS alerta para presença de Salmonella em chocolate

29 abril 2022

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou, nesta quarta-feira (27), que mais de 150 casos de infecção pela bactéria Salmonella (S.) Typhimurium estão sendo investigados em 11 países, após o consumo de chocolate contaminado. 

O alerta sanitário pede um recall dos produtos Kinder produzidos na Bélgica e considera que, até o momento, o risco de propagação da doença no mundo é moderado. 

Os sintomas da salmonelose são relativamente leves e os pacientes se recuperam sem tratamento específico, na maioria dos casos. Os riscos são maiores para algumas crianças e pacientes idosos.

 

Chocolate produzido na Bélgica originou o surto. O produto é distribuído para 113 países.
Legenda: Chocolate produzido na Bélgica originou o surto. O produto é distribuído para 113 países.
Foto: © Tetiana Bykovets/Unsplash

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta nesta quarta-feira (27) informando que mais de 150 casos de salmonelose estão em investigação em 11 países, após as pessoas terem consumido chocolate contaminado. Na última segunda-feira, a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido divulgou 65 casos de contaminação pela bactéria Salmonella (S.) Typhimurium em chocolates Kinder, produzidos na Bélgica. O produto é distribuído em pelo menos 113 países.

O alerta sanitário da OMS confirma que há suspeitas também na Bélgica (26), França (25), Alemanha (10), Irlanda (15), Luxemburgo (1), Holanda (2), Noruega (1), Espanha (1), Suécia (4), Reino Unido (65) e Estados Unidos da América (1), o que levou a marca a fazer um recall global. Do número de pessoas contaminadas, as crianças menores de 10 anos foram as mais afetadas, representando cerca de 89% dos casos. Até o momento, os dados confirmam que nove pacientes foram hospitalizados e nenhuma fatalidade foi registrada. 

Os primeiros relatos de contaminação datam de dezembro, confirmando a origem do patógeno na cidade belga de Arlon, em tanques de leitelho de uma fábrica da Ferrero Corporate. Por este motivo, a agência da ONU considerou o risco de propagação na Europa e no mundo como moderado “até que haja informações disponíveis sobre o recall total dos chocolates”. 

Através de sequenciamento genético foi possível identificar que esta cepa é resistente a seis tipos de antibióticos. No entanto, os sintomas da salmonelose são relativamente leves e os pacientes se recuperam sem tratamento específico, na maioria dos casos. Os riscos são maiores para algumas crianças e pacientes idosos, para os quais uma possível desidratação pode tornar o quadro grave.

Sintomas - A doença pode durar entre dois e sete dias. Os sintomas que aparecem entre seis e 72 horas incluem febre aguda, dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia que pode ser hemorrágica como foi relatado na maioria dos casos no surto atual.

A doença surge após consumo de água contaminada ou alimentos de origem animal, principalmente ovos, carnes, aves e leite. A transmissão de pessoa para pessoa também pode ocorrer por via fecal-oral.

A OMS informa ainda que a salmonelose ocorre com frequência em animais domésticos, como gatos, cães, pássaros, répteis e tartarugas, bem como em silvestres, como aves, suínos e bovinos.

FONTE : ONU

BENEFÍCIOS CLIMÁTICOS DAS FLORESTAS VÃO MUITO ALÉM DO SEQUESTRO DE CARBONO.

 Florestas saudáveis, como esta na ilha de Dominica, podem mitigar as mudanças climáticas por meio de processos biofísicos e do sequestro de carbono

Florestas saudáveis, como esta na ilha de Dominica, podem mitigar as mudanças climáticas por meio de processos biofísicos e do sequestro de carbono. Crédito: Santiago Florez

Benefícios climáticos das florestas vão muito além do sequestro de carbono

As florestas influenciam o clima e promovem a estabilidade, reduzindo temperaturas extremas e inundações em todas as estações e em todas as latitudes

Por Santiago Florez*

A política e as negociações climáticas historicamente se concentraram no papel das florestas no sequestro de dióxido de carbono e na mitigação do aquecimento global. Um novo estudo (1) expandiu esse foco para revisar três mecanismos biofísicos pelos quais as florestas influenciam o clima em diferentes latitudes. Através da evapotranspiração, rugosidade do dossel e albedo, as florestas influenciam o clima e promovem a estabilidade, reduzindo temperaturas extremas e inundações em todas as estações e em todas as latitudes, descobriram os pesquisadores.

Para Emilia Pramova , pesquisadora da empresa de manejo florestal OpenForests, estudos como este podem ajudar os formuladores de políticas a abandonar a “visão do túnel de carbono” e reconhecer o papel das florestas na promoção da biodiversidade, resiliência e bem-estar social, além de outras adaptações à das Alterações Climáticas.

Resfriando Florestas Tropicais

Embora todas as latitudes se beneficiem da cobertura florestal, “a mensagem é muito clara: os maiores benefícios estão nos trópicos”, disse Louis Verchot , um dos autores do artigo e principal cientista do Centro Internacional de Agricultura Tropical da Colômbia.

As florestas tropicais têm uma enorme quantidade de biomassa e “estão fotossintetizando todos os dias do ano … .

Esse mecanismo, explicou ele, “é essencialmente um sistema de ar condicionado”. Por exemplo, onde Coe trabalha no Brasil, as áreas desmatadas são “5°C mais quentes em média durante o ano” do que as áreas florestadas.

Além da fotossíntese, a equipe descobriu que a evapotranspiração nas florestas tropicais aumenta a cobertura de nuvens e promove a precipitação ao liberar compostos orgânicos voláteis biogênicos , que são “extremamente reativos na atmosfera. Eles criam núcleos de condensação de nuvens [e] alteram a distribuição de gotículas dentro das nuvens, o que as torna mais brilhantes e mantêm o ciclo hidrológico”, disse Verchot.

A maior parte das massas de ar que passam pela floresta amazônica, por exemplo, vem do Oceano Atlântico. Quando chegam ao oeste da Amazônia e aos Andes, “60% a 70% [de sua massa] caiu em algum lugar [como chuva], foi bombeada de volta para a atmosfera por árvores e caiu novamente”, explicou Verchot. .

A superfície irregular de um dossel florestal (2- rugosidade do dossel ) também atenua os efeitos de temperaturas mais quentes. A rugosidade do dossel leva ao aumento da turbulência do ar, que redistribui o calor do solo da floresta para a atmosfera. Segundo Coe, quando as áreas perdem a rugosidade da copa (como ocorre quando são desmatadas), o resultado tem “um efeito de frigideira. Coloca uma tampa na atmosfera que mantém o aquecimento local.”

As florestas normalmente têm albedo baixo e temperaturas mais altas, pois a vegetação densa absorve mais energia do que as pastagens ou o solo nu. O efeito de aquecimento do baixo albedo é superado nas florestas tropicais, no entanto, pela evapotranspiração e rugosidade do dossel, resultando em resfriamento durante todo o ano.

Resiliência Econômica e Social

Os efeitos combinados do sequestro de carbono e controles biofísicos são “necessários para orientar as decisões políticas que apoiam a mitigação do clima global, a adaptação local e a conservação da biodiversidade”, escrevem os autores. Verchot disse que os formuladores de políticas em países tropicais em particular “precisam olhar para essas oportunidades [para a conservação florestal] e incorporá-las em seu modelo de desenvolvimento”.

Para Mateo Estrada , líder indígena Siriano e coordenador ambiental da Organização dos Povos Indígenas da Amazônia Colombiana, a nova pesquisa ajuda a criar “espaços de diálogo onde empresas, governos e moradores urbanos possam reconhecer a importância das florestas para seu sucesso econômico e sobrevivência”. Por exemplo, Bogotá, uma cidade com mais de 7 milhões de habitantes, pode perder cerca de 60% de suas chuvas anuais se o desmatamento continuar na Amazônia.

As comunidades indígenas “estão protegendo grandes porções de florestas e têm um papel climático muito importante”, disse Coe. Estrada acredita que a melhor maneira de proteger as florestas tropicais é “resolver as necessidades das pessoas que vivem lá… precisamos de novas economias baseadas em nosso Conhecimento Tradicional”, citando a necessidade de proteger as tradições indígenas, proteger a biodiversidade genética da região por meio de patentes , e proteger o apoio ao turismo local e esforços de conservação.

Em todo o mundo, as florestas fornecem estabilização climática local, ao mesmo tempo que sequestram dióxido de carbono. Proteger, expandir e melhorar a gestão desses ecossistemas – especialmente as florestas tropicais – é uma das melhores estratégias para mitigar e adaptar-se ao aquecimento global. “Essas florestas são um dos nossos maiores ativos; [eles são] uma das melhores maneiras de estabilizar o clima e ajudar a salvar vidas simplesmente não fazendo nada. Basta mantê-los no lugar”, concluiu Coe.

—Santiago Flórez ( @rflorezsantiago ), Escritor de Ciências

Referências:

Flórez, S. (2022), Climate benefits of forests go far beyond carbon sequestration, Eos, 103
https://doi.org/10.1029/2022EO220205

1
Lawrence Deborah, Coe Michael, Walker Wayne, Verchot Louis, Vandecar Karen
The Unseen Effects of Deforestation: Biophysical Effects on Climate
Frontiers in Forests and Global Change
https://doi.org/10.3389/ffgc.2022.756115

2
Monica Herrero-Huerta, Alexander Bucksch, Eetu Puttonen, Katy M. Rainey, “Canopy Roughness: A New Phenotypic Trait to Estimate Aboveground Biomass from Unmanned Aerial System”, Plant Phenomics, vol. 2020, Article ID 6735967, 10 pages, 2020. https://doi.org/10.34133/2020/6735967

 

Henrique Cortez *, tradução e edição.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/04/2022