sábado, 18 de outubro de 2025

Pesquisadores apontam sério risco de extinção dos corais e algas marinhas .

 recife de corais

Recifes servem de habitat para milhares de espécies de peixes, invertebrados e outros organismos marinhos. Foto: Francesco Ungaro/Unsplash/UFSC

Poluição e aquecimento do oceano potencializa o surgimento de patógenos mais resistentes e ameaça a produção de novos medicamentos

Por Ricardo Weg

As constatações são alarmantes. Os pesquisadores afirmam categoricamente que o aquecimento dos oceanos é gravíssimo, e em quinze anos, poderemos ter extinção em massa de corais e diversos tipos de invertebrados e algas marinhas. Com isso, a produção de novos medicamentos humanos, e a maioria da biodiversidade dos oceanos podem ser gravemente comprometidas.

Estudos realizados por pesquisadores de diversas universidades e discutidos após novos levantamentos de campo em Fernando de Noronha em meados de setembro, reforçam essas previsões.

“As melhores evidências nos colocam o ano de 2040, como um momento que podemos chegar no aquecimento de mais dois graus celsius na temperatura global. Se nós mantivermos queimando combustível fóssil como carvão e petróleo, da forma que fazemos agora, adicionando gases estufa na atmosfera, poderemos ser os causadores da sexta extinção em massa em nosso planeta”, aponta o professor PHD, Tito Lotufo, do Instituto Oceanográfico da USP (IOUSP), um dos pesquisadores que esteve em Fernando de Noronha.

“Esses resultados, revelados por estudos recentemente publicados, foram publicizados nas discussões que tivemos aqui em Fernando de Noronha, na expedição viabilizada pelo Programa Ecológico de Longa Duração (PELD ILOC), e pelo Projeto Coral Vivo, entre outras instituições e colaborações”, confirma o professor PHD, Paulo Horta, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O alarme já disparou

O fato é que impondo aos nossos ecossistemas mais aquecimento e acidificação do oceano, isso compromete a saúde de corais, algas calcárias, e problemas em série para outros animais e plantas que dependem da estabilidade climática e da biogeoquímica, para sobreviver, para prosperar.

“As evidências científicas convergem que esse processo de aquecimento pode levar já em 2040 a um desaparecimento de até 70% dos nossos sistemas recifais, chegando aos 99 ou 100% no final desse século, ou seja, em 2100″, alerta Paulo Horta, caso o aquecimento seja de 2 graus ou mais.

Impactos na vida humana

Além da produção de medicamentos, da produção de pescados, da purificação do ar e da água, outros fatores impactam diretamente na vida humana ao destruirmos os recifes de corais e as florestas marinhas.

“Esses sistemas recifais protegem nossas cidades costeiras da erosão. Se continuarmos com o aquecimento global, praias de todo o mundo, conhecidas por suas belezas, serão erodidas. Todo o processo de urbanização, toda a infraestrutura urbana, será comprometida. Tudo isso depende dos sistemas recifais para se manter literalmente de pé”, aponta Paulo Horta.

Esses sistemas de fato filtram a água do mar, removendo poluentes e patógenos de todo o tipo, portanto as nossas praias por exemplo, que hoje são próprias para banho, poderão deixar de ser.

Alimentação e renda dependem de oceanos saudáveis

Não só a beleza da vida marinha está em risco. Se mantivermos o ritmo de destruição chegaremos num ponto de inflexão. “Se hoje os sistemas, apesar de suas fragilidades, e já estarem combalidos, ainda fornecem alimento para milhões de pessoas, em breve isso poderá deixar de existir”, alerta o professor Paulo Horta.

“Alimento e renda, é importante dizer. Porque sim, o turismo, a pesca, a maricultura, são atividades econômicas, que dependem de sistemas recifais. Essas florestas são construídas por animais e plantas. Todos nós, assim como os animais marinhos e plantas, dependem dessas florestas saudáveis”, destaca.

As florestas marinhas produzem oxigênio e absorveram milhares de milhões de toneladas de dióxido de carbono, e exportaram tudo isso para o oceano profundo.

Holocausto climático – Esses sistemas são fundamentais para a vida no planeta. No entanto, “desgovernos em diferentes escalas, municipais, estaduais, e claro, planetárias, estão alimentando o holocausto climático”, afirma o professor.

“Para termos governança planetária, governança do oceano e para que nós tenhamos ações implementadas em todos os mares, propusemos, discutimos aqui em Fernando de Noronha o programa ‘Florestas Marinhas para Sempre’.

Esse programa pretende garantir financiamento não só para diagnóstico mas para ações contundentes, emergentes e urgentes, de saneamento, de tudo aquilo que seja tratamento para sistemas recifais, sistemas marinhos costeiros adoecidos, para que eles eles possam ser devidamente e urgentemente restaurados, garantindo suas contribuições para a própria natureza, e para as nossas sociedades, hoje e sempre”, conclui Paulo Horta.

Ricardo Weg, jornalista e pós-graduando em Cultura Oceânica e Sustentabilidade (UFSC)

 

Citação
EcoDebate, . (2025). Pesquisadores apontam sério risco de extinção dos corais e algas marinhas. EcoDebate. https://www.ecodebate.com.br/2025/09/24/pesquisadores-apontam-serio-risco-de-extincao-dos-corais-e-algas-marinhas/ (Acessado em outubro 18, 2025 at 08:30)

 
in EcoDebate, ISSN 2446-9394

Japão ‘aposta’ na fotossíntese artificial .

 Artigo de Vivaldo José Breternitz (*)

O Japão decidiu investir pesado na fotossíntese artificial, uma tecnologia ainda em estágio inicial, mas com potencial promissor, pretendendo transformar dióxido de carbono, água e luz solar em combustível para aviões e insumos para a indústria química.

Trata-se de um projeto que une ambição científica e estratégia política. Em um país com escassez de recursos naturais, a proposta é buscar a autonomia energética convertendo o principal símbolo da crise climática, o CO₂, em uma fonte de recursos para a economia do futuro, através de um processo que reproduz a fotossíntese.

O governo japonês anunciou um plano para chegar à utilização dessa tecnologia em escala industrial até 2040, tornando-a peça importante nos esforços para atingir a meta de alcançar a neutralidade de carbono até 2050.

Para o Japão, a possibilidade de produzir combustível para aviação e outros produtos para a indústria química a partir do CO₂ capturado representa não apenas uma redução da dependência externa, mas também a criação de novas cadeias produtivas de alto valor tecnológico. Mais do que uma política ambiental, é uma aposta na competitividade internacional, com foco em áreas onde o Japão já possui expertise consolidada, como química avançada, materiais e fotônica.

No campo da pesquisa, o país parte de uma posição bastante forte. Universidades e centros de inovação têm apresentado avanços significativos, como a criação de novos fotocatalisadores, materiais que, quando expostos à luz são capazes de acelerar reações químicas sem serem consumidos no processo, e hidrogéis, materiais que têm a capacidade de absorver e reter grandes quantidades de água ou outros fluidos biológicos em sua estrutura sem se dissolverem. Esses materiais são capazes de facilitar a conversão da luz solar nos combustíveis e produtos químicos desejados.

Do ponto de vista financeiro, a ideia é apoiada pela NEDO (New Energy and Industrial Technology Development Organization), um órgão estatal voltado à pesquisa e desenvolvimento que desde 1978 apoia trabalhos nas áreas de energias renováveis e tecnologias emergentes.

As aplicações mais promissoras estão em setores difíceis de descarbonizar.

A aviação, por exemplo, exige combustíveis de alta densidade energética e não há no horizonte esperanças de eletrificação. A indústria química básica poderia se beneficiar de insumos sintetizados a partir do CO₂, em vez de derivados de petróleo, abrindo caminho para uma situação de neutralidade em carbono.

Ainda assim, os desafios são consideráveis. A eficiência dos processos ainda é baixa e a produção em escala industrial permanece distante. Em Tóquio, há consciência de que alcançar os resultados desejados exigirá não apenas inovação científica, mas também um ambiente político e econômico favorável.

Especialistas alertam que os primeiros produtos devem ser mais caros que os derivados de petróleo, o que exigirá incentivos, créditos de carbono, obrigação de mistura nos combustíveis e certificações que comprovem o impacto ambiental positivo ao longo do ciclo de vida dos novos produtos.

Sem apoio político consistente, o risco é que a nova tecnologia permaneça confinada aos laboratórios, mas, se o plano funcionar, o Japão poderá se posicionar como líder em um setor emergente, capaz não apenas de reduzir suas emissões, mas também de exportar tecnologia e conhecimento para o mundo.

Fotossíntese artificial direcionada para síntese orgânica

Fotossíntese artificial direcionada para síntese orgânica

Referência:

Mori, S., Hashimoto, R., Hisatomi, T. et al. Artificial photosynthesis directed toward organic synthesis. Nat Commun 16, 1797 (2025). https://doi.org/10.1038/s41467-025-56374-z

(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – vjnitz@gmail.com.

 

Citação
EcoDebate, . (2025). Japão ‘aposta’ na fotossíntese artificial. EcoDebate. https://www.ecodebate.com.br/2025/09/30/japao-aposta-na-fotossintese-artificial/ (Acessado em outubro 18, 2025 at 08:30)

in EcoDebate, ISSN 2446-9394

Degradação dos solos por atividades agrícolas .

 

artigo

Antonio Mario Reis de Azevedo Coutinho (*)

O solo é um dos elementos fundamentais da biosfera, essencial para a humanidade, tendo em vista a sua função para a produção agrícola e para o equilíbrio dos ecossistemas terrestres. Trata-se de um recurso natural que pode ser considerado como não-renovável a curto e médio prazos, considerando-se o tempo médio que leva para a sua formação. Desta forma, o solo deve ser considerado como um dos recursos naturais mais importantes para o planeta, sendo que a sua exploração não deve jamais exceder a capacidade de uso, o que poderia levar ao desenvolvimento de processos de degradação.

A adoção de sistemas intensivos de exploração agrícola, têm causado alterações marcantes nas propriedades físicas, químicas e biológicas dos solos, principalmente nos horizontes mais superficiais, diminuindo a sua capacidade produtiva.

Características como estrutura, porosidade, densidade, condutividade hidráulica, fertilidade, teor de matéria orgânica, condutividade elétrica do extrato de saturação e porcentagem de sódio trocável, têm sido modificadas de forma desfavorável, implicando sério comprometimento do sistema solo-água-planta, podendo evoluir para processos de degradação.

Entre os principais fatores responsáveis pelos processos de degradação do solo encontra-se a ação antrópica. O homem ao intervir no ambiente para o estabelecimento de sistemas agrícolas, frequentemente utiliza-se de forma inadequada dos recursos naturais, causando impactos ambientais negativos. Estes impactos podem manifestar-se sobre o solo, sobre os recursos hídricos, comprometendo o desenvolvimento sustentável dos agroecossistemas.

A FAO reconhece seis grupos de degradação dos solos: degradação física; erosão hídrica e erosão eólica; degradação química; degradação biológica; degradação por excesso de sais.

2. ASPECTOS GERAIS SOBRE A DEGRADAÇÃO DE SOLOS

A degradação do solo é um grave problema que afeta amplas áreas do mundo, cuja principal riqueza tem sido tradicionalmente a agricultura. A velocidade e intensidade dos processos de degradação que ocorrem nessas áreas são função de diversos fatores e variam de umas zonas para outras.

Segundo FAO (1980), a degradação do solo pode ser definida como o processo que diminui a capacidade atual e potencial do solo para produzir (quantitativa e qualitativamente) bens ou serviços. Trata-se de um fenômeno dinâmico, que provoca mudanças na qualidade e na produtividade dos solos.

De acordo com MON E IRURTIA (1996), a degradação do solo é a conseqüência de qualquer processo físico, químico, biológico ou mecânico, induzido pelo homem, que produza alguma perda das características ou propriedades do solo, conduzindo à diminuição de sua capacidade produtiva atual ou futura. A degradação do solo induzida pelo homem é o resultado das interações entre a atividade humana e os recursos solo, clima, relevo e vegetação.

Segundo LAL (1989), a degradação do solo inclui deterioração física, química e biológica, tais como declínio na sua fertilidade, declínio na condição estrutural, erosão, salinidade, alcalinidade, acidez e efeito de elementos tóxicos, poluentes ou inundação excessiva (LAL apud FAGERIA, 2006).

Além do mais, a degradação do solo pode causar outras alterações, a exemplo de: a) redução da diversidade e atividade biológica da biota; b) alteração na dinâmica e ciclagem dos nutrientes e no fluxo de energia no ecossistema; c) acúmulo de compostos poluentes provocados pela queda na taxa de degradação e mudanças nas características físico-químicas (MICRORGANISMOS E PROCESSOS BIOLÓGICOS (…), 1994).

Atualmente, as principais causas da degradação do solo são as práticas de determinados tipos de sistemas de cultivo que conduzem a uma diminuição da qualidade do solo. Entre as práticas de cultivo inadequadas pode-se destacar: excesso da ação do arado no solo, seja pela freqüência ou intensidade, podendo conduzir a uma grave diminuição da estabilidade estrutural; trabalho do solo praticado a uma profundidade constante originando o processo de compactação dos horizontes sub-superficiais (pé-de-arado e pé-de-grade); a substituição de adubos orgânicos exclusivamente por adubos sintéticos, provocando um decréscimo no conteúdo de matéria orgânica do solo, contribuindo para a degradação da estrutura.

Além destas, outras práticas podem ser relacionadas com a degradação dos solos, como a utilização de águas salinas na irrigação de solos de regiões áridas e semi-áridas, sem um manejo adequado do solo e da água, levando à salinização dos solos, bem como à utilização exclusiva de fertilizantes sintéticos, através do uso de fórmulas, contribuindo para o aumento da salinidade nos solos irrigados e desequilíbrios de fertilidade.

Estima-se que 0,3% a 0,5 % (4 milhões a 7 milhões de hectares) da terra produtiva do mundo está sendo retirada da produção a cada ano e que a taxa de degradação está se acelerando. Havia uma projeção que, pelo final do século passado, 10 milhões de hectares (0,7%) seriam perdidos a cada ano (FAO, 1983 apud FAGERIA, 2006). Segundo MABBUT, a degradação do solo afeta cerca de 35% da superfície do planeta (MABBUT apud FAGERIA, 2006).

Entre os recursos naturais, os solos podem ser considerados como um dos mais importantes, tendo em vista a sua função essencial de permitir o desenvolvimento dos cultivos para a produção de alimentos, garantindo a subsistência da humanidade.

Por este motivo, devem ser utilizados de maneira bastante criteriosa e racional, sendo que a sua exploração não deve jamais exceder a capacidade de suporte de uso, o que pode levar ao desenvolvimento de processos de degradação.

A adoção de sistemas intensivos de exploração agrícola podem causar alterações marcantes nas propriedades físicas e químicas dos solos, principalmente nos horizontes mais superficiais, podendo evoluir para processos de desertificação.

► Para acessar o artigo na íntegra, no formato PDF, clique no link 250930 +a DEGRADAÇÃO SOLOS VERSÃO 2025-1

(*) Antonio Mario Reis de Azevedo Coutinho. Engenheiro Agrônomo – Mestre em Geoquímica e Meio Ambiente (MSc) – Possui especialização em Engenharia de Irrigação (UFBA). Se aposentou como pesquisador da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola – EBDA – Laboratório de Solos – Ondina.

 

Citação
EcoDebate, . (2025). Degradação dos solos por atividades agrícolas. EcoDebate. https://www.ecodebate.com.br/2025/09/30/degradacao-dos-solos-por-atividades-agricolas/ (Acessado em outubro 18, 2025 at 08:29)

in EcoDebate, ISSN 2446-9394