A cada 23 minutos, um jovem negro é morto no Brasil; ONU lança campanha Vidas Negras para alertar sobre violência
ABr
A cada 23 minutos, um jovem negro é morto no Brasil. A cada dia, são 66 vidas perdidas, totalizando 4.290 óbitos por ano. Segundo o Mapa da Violência, um rapaz negro tem até 12 vezes mais chance de ser assassinado em relação a um branco. Em comum nesses homicídios, está a presença do racismo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Essa é a premissa da campanha Vidas Negras, lançada pela entidade ontem (7) em Brasília.
O objetivo da iniciativa é chamar a atenção de governos, parlamentos, tribunais, organizações e da sociedade para o problema da violência contra essa parcela que já representa 54% dos brasileiros. De acordo com dados da ONU, enquanto nesse grupo a taxa de homicídios cresceu 18% de 2005 a 2015, com relação aos demais brasileiros, ela caiu 12%.
O material da campanha, incluindo os vídeos e pelas em redes sociais, está disponível no site da ONU e pode ser utilizado e compartilhado por qualquer pessoa: nacoesunidas.org/vidasnegras.
O coordenador residente das Nações Unidas no Brasil, Niky Fabiancic, discursa durante o lançamento da campanha Vidas Negra. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
O aumento da desigualdade também tem recorte de gênero. Segundo o Atlas da Violência 2017, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os assassinatos de mulheres negras aumentaram 22% no mesmo período, enquanto, entre mulheres não negras, o índice foi reduzido em 11%.
“O último genocídio formalmente reconhecido na Europa foi na Bósnia, e matou 1.500 pessoas em 1995. Quando falamos de jovens negros mortos, estamos falando do triplo disso por ano”, ressaltou o advogado Daniel Teixeira, do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, durante o lançamento da campanha.
Artistas foram convidados para estrelar vídeos sobre o assunto, que serão divulgados em emissoras e na Internet. “O racismo mata filhos, irmãos, vizinhos. Por trás de cada história há vidas negras interrompidas e que não são capas de jornal. Você não pode ficar indiferente”, enfatiza a atriz e escritora Elisa Lucinda em uma das peças.
Mais do que uma fatalidade ou coincidência, a campanha aponta o traço comum do racismo nesses números e da indignação seletiva construída historicamente na sociedade brasileira. Segundo pesquisa da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Governo Federal, 56% das pessoas entrevistadas afirmaram que a morte de negros choca menos do que a de brancos.
Para além de colocar o tema na opinião pública, a campanha pretende pautar, na agenda do Poder Público, a necessidade de combater o problema reconhecendo a necessidade de atacar a discriminação racial no país.
“O Brasil já é signatário de compromissos internacionais de eliminação do racismo, da xenofobia e da desigualdade racial. A gente espera que, a partir da campanha, haja uma maior sensibilização das autoridades e que as ações sejam potencializadas”, ressaltou Ana Cláudia Pereira, oficial de programas do Fundo de População da ONU (UNFPA) e uma das coordenadoras da campanha.
Para Jacira da Silva, do Movimento Negro Unificado, entre os desafios no campo das políticas públicas, estão a implementação do Estatuto da Igualdade Racial e a garantia de recursos para programas governamentais com foco no enfrentamento do problema. Esse conjunto de ações, acrescentou, passa por medidas voltadas a mitigar a violência contra negros, mas vai além, alcançando também a afirmação dos direitos dessas pessoas. “Precisamos exigir políticas públicas para o país. Essa juventude é violentada também quando não tem acesso ao mercado de trabalho, não tem lugar na escola e não é representada na mídia”, defendeu a ativista.
O secretário de Juventude do governo federal, Assis Filho, relatou que o governo vem atuando na área e deu como exemplo o Plano Juventude Viva. Segundo Filho, há R$ 12 milhões disponíveis aos municípios para projetos de redução da violência contra esse segmento. “O objetivo do Plano Juventude Viva é reunir todas as ações que existem no governo federal para combater esses altos índices de violência e que os municípios, para serem contemplados, possam de fato implementar ações concretas contra o genocídio dos negros no Brasil”, disse. Perguntado sobre que tipo de ações podem ser financiadas, o secretário não detalhou.
Para Luana Ferreira, assessora da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) do Ministério dos Direitos Humanos, nos últimos anos houve avanços importantes na área, como a reserva de vagas para negros em concursos públicos e universidades e a política de saúde voltada para esta população. Mas ainda é preciso avançar para enfrentar efetivamente o problema. “O desafio cotidiano da Seppir é dizer que vidas negras importam, que o racismo é estruturante nas relações, que o racismo institucional está presente em todos os espaços de poder e que é causa histórica da situação de letalidade a que esses jovens estão submetidos”, destacou na cerimônia.
Autos de resistência
Na avaliação da pesquisadora da Universidade de Brasília Kelly Quirino, a redução da violência contra jovens negros passa pela mudança da política de combate às drogas, pelo desarmamento da polícia e por medidas que coíbam o abuso das forças de segurança, como o fim dos chamados autos de resistência, um recurso que pode ser usado por agentes para justificar o assassinato de uma pessoa como um ato de legítima defesa e de força necessária frente a suposto enfrentamento a uma determinada ação.
“Você tem as duas problemáticas: a polícia se utilizando de um ato administrativo para justificar as mortes e o próprio Judiciário, que não investiga homicídios comuns e não apura crimes cometidos pelo policial porque os autos de resistência são arquivados mesmo dentro da polícia”, argumenta a pesquisadora.
O tema motivou um projeto de lei (PL 4.471/2012), de autoria do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que dificulta o uso desse recurso e deixa mais rígida a investigação de casos de mortes envolvendo policiais. A proposta é uma das matérias incluídas na pauta do plenário da Câmara nesta semana no chamado pacote da segurança pública.
Por Jonas Valente, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/11/2017
Mudanças Climáticas: ‘Tostados, assados e grelhados’; análise de Luiz Marques (IFCH/Unicamp)
Jornal da UNICAMP Texto LUIZ MARQUES Fotos REPRODUÇÃO | GREENPEACE Edição de imagem LUIS PAULO SILVA
“Como disse antes, se não fizermos nada a respeito da mudança climática, seremos tostados, assados e grelhados num horizonte de tempo de 50 anos. (…) Se não encararmos essas duas questões – mudança climática e desigualdade crescente – avançaremos a partir de agora em direção a sombrios 50 anos” [I]. Quem fala é Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional, durante um painel da Future Investment Initiative, ocorrido em 25 de outubro em Riad, na Arábia Saudita.
É positivo que o FMI funcione como uma caixa de ressonância da ciência e que junte sua voz ao coro dos alertas sobre a situação-limite em que a humanidade e a biosfera se encontram. Mas o FMI é o primogênito e um dos principais gendarmes da ordem econômica internacional que está condenando os homens e a biosfera a serem “tostados, assados e grelhados num horizonte de tempo de 50 anos”. Não tem, portanto, autoridade moral para emitir alertas desse gênero. “Como disse antes”, afirma acima Lagarde… De fato, já em 2012, às vésperas da Rio+20, ela havia declarado num encontro do Center for Global Development, em Washington, que “a mudança climática é claramente um dos grandes desafios de nosso tempo, um dos grandes testes de nossa geração. Para os mais pobres e mais vulneráveis do mundo, a mudança climática não é uma possibilidade distante. É uma realidade presente” [II]. E anunciava então que o FMI desenvolveria pesquisas e daria suporte analítico aos países com políticas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), em particular através de instrumentos fiscais, como precificação do carbono e eliminação dos subsídios. Passados cinco anos, eis o que aconteceu:
1. Os subsídios à indústria de combustíveis fósseis continuam a crescer. Em 2013, eles montavam a US$ 4,9 trilhões e em 2015 atingiram US$ 5,3 trilhões, ou 6,5% do PIB mundial, segundo um estudo recente. “A eliminação desses subsídios”, afirmam seus autores, “teria reduzido as emissões de carbono, em 2013, em 21%, e em 55%, as mortes por poluição causada pela queima de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que teria elevado a renda em 4% do PIB global e o bem-estar social em 2,2%” [III]. Se entendidos stricto sensu, ou seja, como privilégio fiscal ou transferência de recursos estatais para essa indústria, os subsídios dos governos do G20 – os mesmos que prometeram seu fim em 2009 – montavam em 2015 a US$ 444 bilhões [IV].
2. Imposto sobre a emissão de carbono (carbon tax). A segunda medida apoiada por Lagarde era a precificação adequada do carbono: “corrigir seus preços significa usar uma política fiscal capaz de garantir que o malefício que causamos reflita-se nos preços que pagamos” [V]. Tal imposto foi sugerido já em 1973 por David Gordon Wilson [VI], do MIT, e reproposto agora, pela enésima vez, por 13 economistas, no âmbito de uma iniciativa presidida por Joseph Stiglitz e Sir Nicholas Stern [VII]. O estudo sugere que este seja em 2020 de 40 a 80 dólares por tonelada de CO2 emitido e, em 2030, de 50 a 100 dólares. Não se sabe em quanto esse imposto, se adotado, contribuiria para a redução das emissões de GEE. Mas se sabe que o FMI em nada tem contribuído para viabilizá-lo. De resto, em março último, Trump descartou-o e sem o apoio dos EUA, um dos maiores produtores mundiais de petróleo, ele parece hoje mais irrealista que nunca.
Leonardo Martinez-Diaz, do World Resources Institute, percebe bem a hipocrisia do FMI: “Uma das funções centrais do FMI é a vigilância macroeconômica. (…) O Fundo deveria colocar o risco climático no diálogo com os Estados, como um item formal de suas consultas”. E, sobretudo, “considerar as despesas em resiliência como investimentos dos Estados devedores” [VIII]. Mas isso Christine Lagarde não fez, e não fará, porque prejudicaria os interesses dos credores.
Voluntários posam nus, na geleira de Aletsch, nos Alpes suíços, durante campanha ambiental sobre o aquecimento global, em 2007 | Foto: Reprodução | Greenpeace
Quatro décadas de alertas científicos
Se é nula a credibilidade do FMI no que se refere à sua contribuição para mitigar essa situação extremamente grave, isso não altera o fato de que o diagnóstico de Lagarde baseia-se no mais consolidado consenso científico. Há décadas a ciência adverte que o aquecimento continuado da atmosfera e dos oceanos – causado sobretudo pela queima de combustíveis fósseis, pelo desmatamento e pelo surto global de carnivorismo – lançaria o século XXI num série de crescentes desastres sociais e ambientais. Quase quatro décadas atrás, em 1981, quando o aquecimento global era ainda de apenas 0,4o C acima dos anos 1880, James Hansen e colegas afirmavam num trabalho da Science [IX]:
“Efeitos potenciais sobre o clima no século XXI incluem a criação de zonas propensas a secas na América do Norte e Ásia Central como parte de uma mudança nas zonas climáticas, erosão das camadas de gelo da Antártica com consequente elevação global do nível do mar e a abertura da famosa passagem do Noroeste [no Ártico]. (…) O aquecimento global projetado para o próximo século é de uma magnitude quase sem precedentes. Baseados nos cálculos de nosso modelo, estimamos que ele será de ~2,5o C para um cenário com lento crescimento de energia e um misto de combustíveis fósseis e não fósseis. Esse aquecimento excederia a temperatura durante o período antitermal (6.000 anos atrás) e o período interglacial anterior (Eemiano) e se aproximaria da temperatura do Mesozoico, a idade dos dinossauros”.
Entre 1984 e 1988, James Hansen depôs três vezes no Senado dos Estados Unidos. Na última vez, diante de 15 câmaras de televisão, projetou cenários de aquecimento global de até 1,5o C em 2019 em relação à média do período 1951-1980, como mostra a Figura 1, reproduzida a partir desse histórico documento de 1988.
Figura 1 – Projeção de aquecimento médio superficial global até 2019, segundo três cenários
O Cenário A supõe uma taxa de aumento das emissões de CO2 típica dos 20 anos anteriores a 1987, isto é, um crescimento a uma taxa de 1,5% ao ano. O Cenário B assume taxas de emissão que estacionam aproximadamente no nível de 1988. O Cenário C é de drástica redução dessas emissões atmosféricas no período 1990 – 2000. A linha contínua descreve o aquecimento observado até 1987. A faixa cinza recobre o nível pico de aquecimento durante os períodos Antitermal (6.000 anos AP) e Eemiano (120.000 anos AP). O ponto zero das observações é a média do período 1951-1980.
As projeções de Hansen são uma das mais espetaculares demonstrações de inteligência do sistema Terra na história recente da ciência, que só hoje podemos aquilatar em sua real dimensão. Seus Cenários A e B anteciparam a uma distância de 30 anos um aquecimento médio global entre ~1,1o C e 1,5o C. Foi exatamente o que aconteceu, como mostra a Figura 2
Como se vê, desde 1970 as temperaturas médias globais têm se elevado 0,18o C por década e em 2016 elas atingiram +1,24o C em relação a 1880-1920. Mantida a aceleração do aquecimento médio global observada no triênio 2015-2017 (~0,2o C), deveremos atingir ou estar muito próximos, em 2019, do nível de aquecimento previsto no pior cenário assumido por James Hansen e colegas.
Energias fósseis x energias renováveis e de baixo carbono
Naturalmente, quem está no controle do mundo não se interessa por acurácia científica, quando esta interfere em seus planos de negócios. Os alertas de toda uma legião de cientistas no mundo todo continuam a se espatifar contra o muro inexpugnável das corporações, que impuseram e continuam a impor à humanidade e à biosfera o “Cenário A” previsto por James Hansen. Os números, melhor que quaisquer argumentos, revelam a extensão do crime: desde 1988, data do testimony de Hansen no Senado dos EUA, mais CO2 foi lançado na atmosfera do que entre 1750 e 1987, como mostra a Figura 3
Em 2017 teremos já ultrapassado 800 Gt de CO2 emitidos na atmosfera em quarenta anos. As corporações que lucram com essas emissões e com a destruição das florestas – em especial os xifópagos Big Oil & Big Food – venceram e continuam vencendo. Em Riad, na semana passada, Christine Lagarde acrescentou que “as decisões devem ser imediatas, o que provavelmente significará que nos próximos 50 anos o petróleo se tornará uma commodity secundária”. Foi contradita por Amin Nasser, presidente da estatal Saudi Arabian Oil Company (Aramco): “Alternativas, carros elétricos e renováveis estão definitivamente ganhando participação no mercado e estamos vendo isso. Mas décadas serão ainda necessárias antes que assumam uma participação maior na oferta de energia global” [X].
Mantido o paradigma expansivo do capitalismo (obviamente dependente das reservas restantes de petróleo, algo incerto), o prognóstico de Amin Nasser afigura-se mais credível que o de Christine Lagarde. Ele ecoa a convicção de seus pares de que a hegemonia dos combustíveis fósseis não será sequer ameaçada, quanto menos superada, por energias de baixo carbono pelos próximos dois ou três decênios. Barry K. Worthington, diretor da toda poderosa United States Energy Association, afirma, e é fato, que “nenhuma projeção credível” mostra uma participação menor que 40% dos combustíveis fósseis em 2050 [XI]. Mesmo o carvão, cujo declínio iniciado nos dois últimos anos parecia a muitos ser irreversível, resiste. Nos EUA, sua produção em 2017 será 8% maior que em 2016 [XII]. No mundo todo havia, em outubro de 2017, 154 unidades termelétricas movidas a carvão em construção e 113 em expansão, um número ainda superior ao das unidades que estão sendo desativadas [XIII].
Um argumento em favor da ideia de uma ainda longa hegemonia futura dos combustíveis fósseis provém de um trabalho de três pesquisadores da Universidade de Bergen, na Noruega [XIV]. Os autores partem da constatação de que em 2015 o consumo energético global foi de 17 Terawatts (TW), dos quais apenas 3,9% (0,663 TW) provieram de energias eólica (0,433 TW) e fotovoltaica (0,230 TW). Assumem em seguida a projeção de que esse consumo quase dobre em 2050, atingindo 30 TW. Detectam então indícios de que a taxa de crescimento das energias eólica e fotovoltaica comece a declinar já ao longo da próxima década, saturando sua capacidade instalada não acima de 1,8 TW em 2030, o que as levaria a assumir a forma da curva de uma função logística ou sigmóide (em “S”), como mostra a Figura 4.
Figura 4 – Capacidade instalada global total de energia eólica e fotovoltaica (pontos verdes) A linha contínua é a do modelo logístico (curva sigmóide), semelhante à evolução das energias hidrelétrica e nuclear. As linhas pontilhadas indicam um intervalo de confiança de 95%. O ponto vermelho indica os prognósticos das associoções de acionistas. O quadro inserido mostra o declínio previsto das taxas de crescimento dessas energias. | Fonte: J.P. Hansen, P.A. Narbel, D.L. Aksnes, “Limits to growth in the renewable energy sector”. Renewable and Sustainable Energy Reviews, 70, IV/2017, pp. 769-774.
A COP 23 e a “catastrófica brecha climática”
Como se sabe, abre-se hoje, 6 de novembro de 2017, em Bonn, mais uma reunião anual da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC), a 23ª Conferência das Partes (COP23). Sua agenda central será fazer avançar as diretrizes (rule-book) de implementação do Acordo de Paris, preparadas por um grupo de trabalho – o Ad-hoc Working Group on the Paris Agreement (APA) –, coordenado pela Nova Zelândia e pela… Arábia Saudita. Por improvável que seja a projeção de Christine Lagarde de que “nos próximos 50 anos o petróleo se tornará uma commodity secundária”, suas declarações na capital mundial do petróleo têm o mérito de reforçar o senso de urgência requerido para mais essa rodada de negociações. Esse senso de urgência é mais que nunca necessário, pois o contexto político e ambiental em que se abre a COP23 não poderia ser mais adverso, como bem indica o quadro atual de bloqueio do Acordo, em contraste com a angustiante aceleração da degradação ambiental nos últimos meses:
1. Quase dois anos após sua assinatura, o Acordo de Paris não foi ainda ratificado (i.e., não está em vigor) por 13 países produtores e detentores das maiores reservas mundiais de petróleo, conforme mostra a tabela abaixo
A esses 13 países que não ratificaram o Acordo, acrescentam-se os EUA, em vias de deixá-lo. De modo que mais de um terço da produção mundial de petróleo encontra-se em nações que não reconhecem oficialmente o Acordo de Paris, e não o reconhecem, declaradamente ou não, porque não têm intenção de diminuir sua produção.
(2) Em julho, reunido na China, o G20 deu uma demonstração de fraqueza ou de oportunismo ao ceder às pressões dos EUA e da Arábia Saudita para eliminar de sua declaração conjunta final qualquer menção à necessidade de financiar a adaptação dos países pobres às mudanças climáticas, condição de possibilidade do Acordo de Paris [XV].
(3) Em 18 de outubro passado, o Global Forest Watch revelou que em 2016 foram destruídos globalmente 297 mil km2 de florestas pelo avanço da agropecuária, da mineração, da indústria madeireira e de incêndios mais devastadores, criminosos e/ou exacerbados pelas mudanças climáticas [XVI]. Trata-se de um recorde absoluto em área destruída e de um recorde no salto de 51% em relação a 2015, como mostra a Figura 5.
Figura 5 – Perdas de cobertura florestal global de 2011 a 2016 | Fonte:Global Forest Watch
(4) Em 30 de outubro, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) reconheceu um avanço de 3,3 ppm (partes por milhão) nas concentrações atmosféricas de CO2 no intervalo de apenas 12 meses. Essas concentrações “deram em 2016 um salto, numa velocidade recorde, atingindo seu mais alto nível em 800 mil anos”. Desde 1990, afirma o boletim da OMM, houve um aumento de 40% na forçante radiativa total (o balanço entre a energia incidente e a energia refletida de volta para o espaço pelo sistema climático da Terra) causada pelas emissões de GEE, e um aumento de 2,5% apenas em 2016 em relação a 2015 [XVII].
(5) Enfim, o oitavo Emissions Gap Report, de 2017, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), adverte que as reduções de emissões de GEE acordadas em Paris estão muito aquém do requerido para conter o aquecimento médio global abaixo de 2o C ao longo deste século. Como faz notar Erik Solheim, diretor do (PNUMA), “as promessas atuais dos Estados cobrem não mais que um terço das reduções necessárias. (…) Os governos, o setor privado e a sociedade civil devem superar essa catastrófica brecha climática” [XVIII]. E reafirma que, se os compromissos nacionais (NDCs) forem implementados, chegaremos ao final deste século com um aquecimento médio global de cerca de 3,2o C (2,9o C a 3,4o C). Mas os governos estão descumprindo até mesmo esse terço por eles prometido em 2015. Segundo Jean Jouzel, ex-vice-presidente do IPCC, “os primeiros balanços das políticas nacionais mostram que, globalmente, estamos abaixo dos engajamentos assumidos em Paris. E sem os EUA, será muito difícil pedir aos outros países que aumentem suas ambições. (…) Para manter alguma chance de permanecer abaixo dos 2o C é necessário que o pico das emissões seja atingido no mais tardar em 2020” [XIX].
Não há que se preocupar. Faltam ainda mais de dois anos…
[I] Citado em Anmar Frangoul, “IMF’s Lagarde: If nothing is done about climate change, we will be ‘toasted, roasted and grilled’.” CNBC, 25/X/2017: “As I’ve said before, if we don’t do anything about climate change now, in 50 years’ time we will be toasted, roasted and grilled. (…) If we don’t address those two issues — of climate change and growing inequalities — we will be moving towards a dark 50 years from now”.
[II] Cf. Lawrence MacDonald, “IMF Chief Warns of Triple Crisis – Economic, Environment, Social – Details IMF Actions to Help on Climate”. Center for Global Development, 12/VI/2012.
[III] Cf. David Coady, Ian Parry, Louis Sears, Baoping Shang, “How Large Are Global Fossil Fuel Subsidies?”. World Development, 91, 17/III/2017. Para os autores, subsídios ocorrem: “when consumer prices are below supply costs plus environmental costs and general consumption taxes”.
[IV] Cf. Elizabeth Bast, Alex Doukas, Sam Pickard, Laurie van der Burg & Shelagh Whitley, Empty Promises. G20 Subsidies to Oil, Gas and Coal Production”, Novembro de 2015, p. 9 (em rede).
[V] Citado por Lawrence MacDonald (cit.).
[VI] Cf. Chris Berdik, “The unsung inventor of the carbon tax”. The Boston Globe, 10/VIII/2014.
[VII] Cf. Carbon Price Leadership Coalition (World Bank), Report of The High-Level Commission on Carbon Prices. 29/V/2017 (em rede).
[VIII] Cf. Leonardo Martinez-Diaz, “The IMF and Climate Change: Three Things Christine Lagarde Can Do to Cement Her Legacy on Climate”. World Resources Institute, 10/X/2017.
[IX] Cf. J. Hansen et al., “Climate Impact of Increasing Atmospheric Carbon Dioxide”. Science, 213, 4511, 28/VIII/1981.
[X] Citado por A. Frangoul (cit.).
[XI] Citado por Lisa Friedman, “Trump Team to Promote Fossil Fuels and Nuclear Power at Bonn Climate Talks”. The Washington Post, 2/XI/2017.
[XII] Cf. U.S. Energy Information Administration, Short-Term Energy Outlook, Coal, 11/X/2017 (em rede).
[XIII] Cf. Adam, Morton, “The world is going slow on coal, but misinformation is distorting the facts”. The Guardian, 16/X/2017: “More coal-fired capacity is still being built than closed each year, though the gap has narrowed significantly”.
[XIV] Cf. J.P. Hansen, P.A. Narbel, D.L. Aksnes, “Limits to growth in the renewable energy sector”. Renewable and Sustainable Energy Reviews, 70, IV/2017, pp. 769-774.
[XV] Cf. John Sharman, “US ‘forces G20 to drop any mention of climate change’ in joint statement”. The Independent, 18/III/2017.
[XVI] Cf. Mikaela Weisse & Liz Goldman, “Global Tree Cover Loss Rose 51% in 2016”, GFW, 18/X/2016.
[XVII] “Greenhouse gas concentrations surge to new record”. World Meteorological Organisation, 30/X/2017..
[XVIII] Cf. Erik Solheim, The Emissions Gap Report 2017. A UN Environment Synthesis Report, p. XIII.
[XIX] Cf. Pierre Le Hir, “Réchauffement climatique: la bataille des 2o C est presque perdue”. Le Monde, 31/XII/2017.
Luiz Marques é professor livre-docente do Departamento de História do IFCH /Unicamp. Pela editora da Unicamp, publicou Giorgio Vasari, Vida de Michelangelo (1568), 2011 e Capitalismo e Colapso ambiental, 2015, 2a edição, 2016. Coordena a coleção Palavra da Arte, dedicada às fontes da historiografia artística, e participa com outros colegas do coletivo Crisálida, Crises SocioAmbientais Labor Interdisciplinar Debate & Atualização (crisalida.eco.br).
Do Jornal da UNICAMP, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/11/2017
Economia Indonésia ultrapassa o Brasil, artigo de José Eustáquio Diniz Alves
[EcoDebate] A Indonésia e o Brasil estão entre os seis países mais populosos do mundo, ficando atrás apenas da China, da Índia e dos Estados Unidos (o Paquistão parece que já ultrapassou o Brasil). A população da Indonésia era de 148 milhões de habitantes em 1980 e passou para 264 milhões em 2017, enquanto o Brasil tinha 122 milhões de habitantes em 1980 e 211 milhões em 2017, segundo dados da Divisão de População da ONU.
O ritmo de crescimento demográfico entre os dois países é aproximadamente semelhante. Mas o ritmo de crescimento econômico é diametralmente diverso. O Brasil representava 4,3% do PIB mundial em 1980 e a Indonésia apenas 1,4%. Mas em 2017 a Indonésia com 2,57% ultrapassou o Brasil, que representava apenas 2,54% do PIB mundial. Em 2022, a participação da Indonésia na economia internacional deve subir para 2,8% e o Brasil deve cair para 2,3%. Portanto, a diferença vai aumentar a favor do país asiático, como mostra o gráfico acima.
A diferença é que o PIB da Indonésia tem crescido acima de 5% ao ano desde a crise asiática de 1998, enquanto o Brasil teve um crescimento médio em torno de 4% ao ano nos melhores momentos da década passada e está tendo um decréscimo da renda per capita na segunda década do terceiro milênio.
O gráfico abaixo mostra a renda per capita (em poder de paridade de compra – ppp) da Indonésia e do Brasil, segundo dados do FMI. A renda per capita brasileira, em 1980 era de US$ 4,8 mil, contra US$ 1,25 mil da Indonésia. Cada brasileiro era em média 3,8 vezes mais rico do que os indonésios. Mas em 2017 esta diferença já tinha diminuído bastante, estando o Brasil com renda per capita de US$ 15,5 mil e a Indonésia com US$ 12,4 mil. Para 2022, as estimativas do FMI são US$ 18,3 mil para o Brasil e US$ 16,9 mil para a Indonésia. Entre 1980 e 2022 a renda per capita da Indonésia terá multiplicado por 13,5 vezes e a do Brasil por somente 3,8 vezes.
Ou seja, a Indonésia já tem uma economia maior do que a brasileira, mas o Brasil ainda tem uma renda per capita superior, pois tem uma população um pouco menor do que a Indonésia. Mas no ritmo que as coisas estão indo a reversão pode acontecer em meados da próxima década.
Em temos do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Brasil também está à frente da Indonésia, mas a diferença está diminuindo. Embora o Brasil estivesse em 79º lugar no ranking dos países em 2015 e a Indonésia em 113º lugar, o IDH do país asiático tem crescido em ritmo mais rápido do que o do país latino-americano. Entre 1990 e 2015 o IDH da Indonésia cresceu 30%, enquanto o IDH do Brasil cresceu somente 23%.
Este breve contraste entre a Indonésia e o Brasil reforça a percepção de que a economia brasileira está desarranjada e que os últimos governos brasileiros têm errado bastante no direcionamento das políticas macroeconômicas do país. Enquanto a Indonésia é um país emergente, o Brasil está numa trajetória consistente e persistente de nação submergente.
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Primeiro navio de carga autônomo e com zero emissão de carbono.
[EcoDebate] O jornal Wall Street Journal noticiou que o primeiro navio de carga automatizado sem tripulação do mundo será lançado em 2018. O Yara Birkeland, construído na Noruega, usará GPS, radar, câmeras e sensores para navegar em torno de outras embarcações e transitará por conta própria. As baterias serão recarregadas quando estiver estacionado para carga e descarga.
A previsão é que o navio custe cerca de US$ 25 milhões (o que é aproximadamente três vezes mais caro do que um navio-contêiner padrão do mesmo tamanho). Mas os investidores dizem que sem a necessidade de combustível ou tripulação, os custos operacionais anuais serão reduzidos em até 90%.
O navio se tornará autônomo por etapas, disse Yara. Em 2018, operará inicialmente como uma embarcação tripulada, passando para operação remota em 2019 e espera-se que seja capaz de realizar operações totalmente autônomas a partir de 2020. O Yara Birkeland está sendo desenvolvido conjuntamente pela empresa agrícola Yara International e pela empresa de tecnologia Kongsberg Gruppen.
Foi apelidado de “Tesla dos mares” e está programado para começar a entregar fertilizantes de uma instalação de produção para o porto de Larvik a cerca de 37 milhas de distância, no final de 2018. A perspectiva dos fabricantes é que o navio também reduza as emissões. A empresa diz: “Queremos ter emissão zero”.
O lançamento do Yara Birkeland vem reforçar a tendência de veículos autônomos, que é uma das promessas da Revolução 4.0. Ainda não está claro quais seriam os benefícios de todos os avanços tecnológicos incorporados no transporte autônomo. Mas parece que é uma tendência que veio para ficar e terá muitos impactos sobre o emprego na área de transporte.
O setor de transporte, em geral e o marítimo, em particular, são caros e poluidores. Se as inovações vierem para melhorar o setor de transporte de cargas e para descarbonizar sua pegada ecológica, poderão trazer impactos positivos para a economia, a sociedade e o meio ambiente. Mas isto é só um pequeno pedaço de todas as transformações que precisam ser feitas para reduzir os efeitos degradantes da sobrecarga das atividades antrópicas sobre o Planeta.
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Crescimento do rebanho e aumento no uso de fertilizantes nitrogenados elevam emissões na Agropecuária
Crescimento recorde do rebanho e aumento de 23% no uso de fertilizantes nitrogenados elevam emissões na Agropecuária
Foto: EBC
As emissões de gases de efeito estufa na agropecuária subiram quase 2% entre 2015 e 2016. É o maior crescimento registrado dos últimos cinco anos. Esse é um dos resultados do relatório elaborado pelo Imaflora para o 5º Seminário Nacional sobre Gases de Efeito Estufa, realizado pelo Observatório do Clima. O relatório mostra ainda que quando se toma o período de 1970 a 2016, os indicadores apontam para um crescimento anual das emissões de gases de efeito estufa, que representam 22% das emissões brutas brasileiras.
O que explicam os números atuais são, principalmente, dois fatores: o número recorde de bovinos que, ao lado da redução no abate, levou o país a ter 220 milhões de cabeças (IBGE); e o salto em 25% no uso de fertilizantes nitrogenados na agricultura (ANDA): “nunca havíamos registrado um crescimento tão grande para uma mesma fonte, de um ano para outro”, explica Ciniro Costa Júnior, pesquisador do Imaflora, que lembra que isso ocorreu em um ano de crise.
O estado do Mato Grosso é o maior emissor, com 12%, Minas Gerais fica em segundo lugar com 11% e o Pará em terceiro, com 10% do total das emissões da agropecuária brasileira.
Os cálculos levam em conta os dados fornecidos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas e pelo Inventário Nacional, do Ministério da Ciência, Tecnolgia e Inovação. No entanto, não consideram as emissões provocadas pelas áreas degradadas e o sequestro de carbono das áreas bem manejadas (variação do estoque de carbono nos solos agrícolas) que atualmente, é negativo. O SEEG fez esse exercício de cálculo e concluiu que se essa variável fosse considerada, as emissões de gases de efeito estufa na agropecuária seriam 7% maiores. “É importante termos essa informação já que o Brasil assumiu o compromisso de recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e da implantação de 5 milhões de hectares de sistema integrado lavoura,pecuária e floresta entre 2020 e 2030, ao assinar o Acordo de Paris”, lembra Ciniro.
Falta monitoramento – No relatório analítico do trabalho anterior (SEEG 2016), o Imaflora faz uma análise do Plano ABC e da baixa procura pelo financiamento destinado à agricultura de baixa emissão de carbono. O estudo aponta que mesmo os juros subsidiados não são suficientes para atrair o produtor, dada à complexidade da burocracia exigida. E constata que mesmo com o sistema de monitoramento do programa pronto, não é possível saber, se fato, a proposta de reduzir as emissões de gases de efeito está acontecendo, pois não chegou a ser implantado. Isso porque o sigilo em torno do tomador do crédito não permite a localizar a fazenda onde o crédito seria aplicado, portanto, informações essenciais à análise do sucesso do plano ABC, não estão disponíveis; como o tipo de solo, seu estágio de degradação, o manejo da pastagem, entre outras informações.
Por isso, essas análises sugerem que os bancos, os produtores, as processadoras e a sociedade civil, se engajem para que permitam o monitoramento e avaliação do programa que desde 2011 destinou aproximadamente 20 bilhões de reais em créditos.
Colaboração de Fátima Nunes, Imaflora, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/11/2017
“A taxa global de aquecimento do oceano tem muitas consequências para a vida neste planeta. Agora estamos aprendendo que o Mar Vermelho está se aquecendo ainda mais rápido do que a média global”, diz a doutoranda em ciência do mar ma KAUST, Veronica Chaidez.
As análises, conduzidas por uma equipe multidisciplinar abrangendo as três divisões da KAUST, fornecem dados vitais que poderiam ajudar a prever o futuro da biodiversidade marinha do Mar Vermelho, quando suplementados por evidências a serem reunidas nos limites térmicos dos organismos locais.
As análises de dados de detecção de satélites de 1982 a 2015 mostram que as temperaturas máximas da superfície do Mar Vermelho aumentaram a uma taxa de 0,17 ± 0,07 ° C por década, superando a taxa global de aquecimento oceânico de 0,11 ° C por década. Verificou-se que as temperaturas máximas da superfície do mar aumentaram de norte a sul ao longo da bacia do Mar Vermelho, com as temperaturas mais frescas localizadas nos golfos de Suez e Aqaba, no extremo norte. Esses dois golfos, no entanto, estão mostrando as maiores taxas de variação em relação ao resto da bacia em 0,40-0,45 ° C por década; quatro vezes mais rápido do que a taxa média global de aquecimento do oceano.
O Mar Vermelho do Norte experimenta temperaturas máximas em julho, enquanto o Mar Vermelho do Sul é mais quente do final de julho a meados de agosto. Curiosamente, as temperaturas da superfície do mar atingiram o seu máximo em uma área na costa leste do Mar Vermelho, a cerca de 200 km ao sul de Jeddah, de meados de agosto a início de setembro. Esta anomalia pode ser causada pelos padrões de vento únicos nesta região.
As temperaturas máximas de superfície também são registradas cerca de um quarto do dia antes da década.
São necessários esforços de monitorização sistemática para avaliar os impactos dessas taxas de aquecimento rápido nos eventos de decapagem dos corais e na mortalidade por organismos de massas marinhas, acrescenta Chaidez. Atualmente, não existe um controle desse tipo no Mar Vermelho, mas Chaidez está testando as capacidades térmicas de algumas plantas e animais da bacia em seu laboratório. Um modelo que incorpora dados sobre temperaturas, limites térmicos do organismo e outros dados biológicos relevantes pode ajudar a prever os impactos do aquecimento no ecossistema local.
Evidências sugerem que temperaturas quentes no Mar Vermelho já estão desafiando a capacidade de seus organismos marinhos para se adaptar e sobreviver. Os organismos marinhos geralmente se adaptam ao aumento da temperatura do oceano, migrando para os pólos. Esta não é uma migração fácil no Mar Vermelho, uma vez que é um espaço semi-fechado, tornando seus organismos vulneráveis.
Referência:
Decadal trends in Red Sea maximum surface temperature V. Chaidez, D. Dreano, S. Agusti, C. M. Duarte & I. Hoteit Scientific Reports 7, Article number: 8144 (2017) doi:10.1038/s41598-017-08146-z https://www.nature.com/articles/s41598-017-08146-z