terça-feira, 22 de julho de 2014

BIODIVERSIDADE : PROTOCOLO DE NAGOYA.

Biodiversidade: Protocolo de Nagoya entrará em vigor em outubro

Publicado em julho 17, 2014 por  EcoDebate.
Tratado de acesso e repartição de benefícios da biodiversidade recebe número necessário de ratificações. Brasil – país com a maior biodiversidade do planeta – não ratificou documento.
Foto: Ag. de Notícias do Acre (Creative Commons)
O Protocolo de Nagoya – oficialmente “Protocolo de Nagoya sobre Acesso a Recursos Genéticos e a Repartição Justa e Equitativa dos Benefícios Advindos de sua Utilização” (ABS, na sigla em inglês) – entrará em vigor dia 12 de outubro de 2014. O tratado foi ratificado por 51 Estados-membros da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD na sigla em inglês), condição para a entrada em vigor.
Nas últimas semanas, 12 países ratificaram o tratado, incluindo Belarus, Burundi, Gâmbia, Madagascar, Moçambique, Níger, Peru, Sudão, Suíça, Vanuatu, Uganda e, esta semana, o Uruguai. A sua entrada em vigor significa que a primeira reunião da Conferência das Partes na condição de reunião do Protocolo será realizada, de 13 a 17 de outubro, simultaneamente à XII Reunião da Conferência das Partes (COP) da CBD, em Pyeongchang, na Coreia do Sul, em outubro.
O Brasil – país que abriga a maior biodiversidade do planeta – é signatário, mas não ratificou o documento (acesse aqui a lista de países que ratificaram).
A ratificação do Protocolo de Nagoya por 51 partes da CDB representa um passo importante para o cumprimento da 16ª Meta de Aichi, que afirma que “em 2015, o Protocolo de Nagoya sobre Acesso a Recursos Genéticos e a partilha justa e equitativa de benefícios decorrentes da sua utilização estará em vigor e operacional, de acordo com a legislação nacional”.
A entrada em vigor do Protocolo de Nagoya proporcionará maior segurança jurídica e maior transparência, tanto para provedores quanto usuários de recursos genéticos, criando uma estrutura que promove o uso de recursos genéticos e conhecimentos tradicionais associados ao reforçar as oportunidades para uma partilha justa e equitativa de benefícios.
O protocolo criará novos incentivos para a conservação da biodiversidade e o uso sustentável de seus componentes, aumentando sua contribuição para o desenvolvimento sustentável e o bem-estar humano.
“Ferramentas práticas como o Protocolo de Nagoya são fundamentais para o uso sustentável e equitativa da biodiversidade. Congratulo os Estados-membros que ratificaram esse instrumento jurídico internacional importante. Ao cumprir a promessa feita na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável de 2002, fizeram uma contribuição significativa para a agenda de desenvolvimento sustentável pós-2015”, disse o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.
O brasileiro Bráulio Ferreira de Souza Dias, secretário executivo da CBD, completou: “O Protocolo de Nagoya é central para libertar o poder da biodiversidade para o desenvolvimento sustentável, através da criação de incentivos para a conservação e o seu uso sustentável, garantindo a equidade na partilha de benefícios. Felicito todas as partes que ratificaram o Protocolo, e convido outros Estados a fazê-lo a tempo de participar na reunião na Coreia do Sul”.
As seguintes partes ratificaram ou aderiram ao tratado: Albânia, Belarus, Benin, Butão, Botsuana, Burkina Faso, Burundi, Comores, Costa do Marfim, Dinamarca, Egito, Etiópia, União Europeia, Fiji, Gabão, Gâmbia, Guatemala, Guiné-Bissau, Guiana, Honduras, Hungria, Índia, Indonésia, Jordânia, Quênia, Laos, Madagascar, Ilhas Maurício, México, Estados Federados da Micronésia, Mongólia, Moçambique, Mianmar, Namíbia, Níger, Noruega, Panamá, Peru, Ruanda, Samoa, Seicheles, África do Sul, Espanha, Sudão, Suíça, Síria, Tadjiquistão, Uganda, Uruguai, Vanuatu e Vietnã.
Mais informações sobre o Protocolo de Nagoya em www.cbd.int/abs
Fonte: ONU Brasil

MANIFESTAÇÕES NO BRASIL APÓS COPA 2014.

Após Copa 'esvaziada' nas ruas, manifestantes querem mobilização nas eleições

Depois de um período de Copa do Mundo marcado por manifestações reduzidas e ações violentas da polícia, parte dos movimentos sociais que nos últimos meses vêm organizando protestos de rua, disseram que pretendem dar continuidade às manifestações e devem direcionar sua atenção para as eleições no final do ano.

A reportagem é de Luis Kawaguti, publicada por BBC Brasil, 16-07-2014.
Especialistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que o fracasso de grupos de manifestantes em organizar protestos de larga escala durante o Mundial - como os ocorridos durante a Copa das Confederações no ano passado - se deveu em grande parte à ação dos chamados Black Blocs.
"Foi um erro de cálculo (dos manifestantes) partirem para a violência. Mas são movimentos ainda embrionários, não têm uma cúpula que pense em termos estratégicos e táticos", disse o professor de ética e ciência política da Unicamp (Universidade de Campinas), Roberto Romano.
Ao depredar lojas e agências bancárias durante passeatas, esses manifestantes mascarados provocaram uma dura resposta da polícia. Essa tática foi intensificada durante a Copa.
Para impedir que qualquer protesto se aproximasse de estádios ou instalações da Fifa, foram utilizados enormes contingentes de agentes policiais e o uso em larga escala de gás lacrimogêneo e balas de borracha dificultando a ação dos manifestantes.
Manifestantes ouvidos pela reportagem disseram que na maioria dos casos foram as forças de segurança que deram início à violência e os Black Blocs teriam adotado uma postura defensiva.
A maioria dos representantes de movimentos sociais ouvidos pela BBC Brasil afirmou que a forte repressão policial durante a Copa desestimulou a participação mais ampla do povo em protestos, como também dos próprios articuladores das manifestações.
As manifestações mais significativas reuniram algumas centenas de pessoas, especialmente na abertura do mundial em São Paulo, no dia 12 de junho, em um ato do MPL (Movimento Passe Livre) no dia 19 do mesmo mês e no na final no Rio de Janeiro no último domingo.
Em todos os casos houve intervenção da polícia para encerrar os protestos.
Além disso, dezenas de ativistas foram presos no Rio de Janeiro e em São Paulo antes dos eventos, acusados do crime de organização criminosa.
"Ninguém é ingênuo de cair na mão do Estado. Sabemos com quem estamos lidando", disse Vanessa dos Santos, do Comitê Popular da Copa de São Paulo, referindo-se à postura das polícias de usar a força contra manifestantes.
Para Lucas Monteiro, militante do MPL (Movimento Passe Livre), a falta de uma agenda de reivindicações explica melhor o esvaziamento das manifestações durante a Copa.
"No ano passado havia uma pauta clara e objetiva (a redução nas tarifas do transporte público). (Na Copa) não havia um pauta unificadora".
Articulação
Passada a Copa, muitos dos movimentos que surgiram ou ganharam força ao criticar e protestar contra a realização do Mundial agora se concentram em pressionar as autoridades pela libertação de colegas ativistas presos.
Eles se articulam também para levar suas bandeiras para a discussão política que começa a tomar vulto com a aproximação das eleições no Brasil.
Esse é o caso do movimento Território Livre, que participou da manifestação na abertura da Copa em São Paulo e agora planeja novas ações para protestar contra a prisão de dois ativistas e também organizar protestos durante o período eleitoral.
"As pessoas ficaram enfeitiçadas durante a Copa, mas nós continuamos fazendo pressão. Acreditamos que com a derrota do Brasil nossas reivindicações estão sendo incorporadas pela população", disse Rafael Padial, membro do Território Livre.
O Comitê Popular da Copa, que atuou como espaço de articulação e também organizando protestos, diz ter agenda oficial de ações ao menos até dezembro de 2014. "Os jogos acabaram mas a Copa não acabou, muita coisa vai ficar. Temos que discutir o modelo de cidade, os gastos com segurança, com armamentos (não letais). Os municípios se endividaram e essa conta fica", disse Santos.
Segundo Milton Lahuerta, professor de teoria política e coordenador do laboratório de política e governo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o espetáculo da Copa acabou "suplantando" os protestos durante o Mundial, mas com a chegada das eleições a tendência é que eles voltem a crescer.
"Mas acredito que não teremos protestos grandiosos como os do ano passado. Serão grupos específicos protestando em suas áreas, como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto)".
Ele disse ainda que deve haver uma tendência de que as autoridades continuem usando ações robustas da polícia para lidar com protestos violentos pelo menos até o fim do pleito - quando uma nova política de segurança pode ser adotada pelos governos eleitos.
Mas até lá, segundo ele, a polarização já presente nos protestos que ocorreram até agora pode dar origem também até a brigas entre militantes de partidos na corrida pela Presidência. Além disso, os diversos movimentos sociais podem protestar de acordo com seu alinhamento a partidos políticos específicos.
Para o professor Romano ainda é cedo para dizer se os movimentos sociais que surgiram ou se fortaleceram no âmbito da Copa do Mundo tiveram sucesso ou não. Ele disse que os grupos demonstraram ter uma "vitalidade embrionária" e mostraram as deficiências dos partidos políticos atuais, incapazes de representar certos setores da sociedade.
Porém a continuidade desses movimentos dependerá da política de segurança dos governos - que até agora têm mantido a estratégia de adotar ações de força contra protestos violentos.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

PROTOCOLO DE NAGOYA.

Brasil não ratifica protocolo de Nagoya

O prazo para o Brasil garantir assento à mesa das negociações sobre as regras internacionais da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) no mundo se esgotou. O Secretário da CDB, o brasileiro Bráulio Dias, anunciou a entrada em vigor hoje, 11/07/2014, do Protocolo de Nagoya sobre Acesso a Recursos Genéticos e Repartição Justa e Equitativa de Benefícios Derivados de sua Utilização, adotado em 2010 no âmbito da CDB.

A reportagem foi publicada pela Rede GTA - Grupo de Trabalho Amazônico, 14-07-2014.
Para o Protocolo de Nagoya entrar em vigor em 2014 são necessárias as assinaturas de pelo menos 50 países, “o protocolo só começa a valer para o país 90 dias depois que ele apresenta seu voto na ONU”, explica Bráulio Dias.
Infelizmente o cenário para a participação ativa do Brasil na primeira reunião das Partes do Protocolo, concomitantemente à 12ª Conferência das Partes (COP-12) da CDB, em PyeongchangRepública da Coreia, de 6 a 17 de outubro de 2014, não é o mais apropriado. O Brasil, não ratificando o protocolo, participará como mero observador da reunião, tendo que obedecer as regras impostas por outros países pelo Protocolo sem serem de acordo com as necessidades e realidades brasileiras.
A ministra do Meio AmbienteIzabella Teixeira, sempre afirmou que o Brasil ratificaria o protocolo até este ano, no entanto o texto foi enviado ao Congresso Nacional, no final de 2012, pela presidente Dilma Rousseff e até agora segue pendente de aprovação.
Os opositores da participação do Brasil no Protocolo de Nagoia, como a Frente Parlamentar da Agropecuária acreditam que a ratificação será um atraso para o agronegócio no país.
O deputado Luiz Carlos Heinze da Frente Parlamentar da AgropEcuária afirma que, “o Protocolo não deu vazão a agropecuária do país. O Brasil somente conseguiu chegar a ser esta potência econômica graças ao agronegócio, este é o setor que mais exporta”.
Ainda existem suspeitas que o Protocolo ainda não foi ratificado, por estarem esperando a aprovação da proposta de alteração da Medida Provisória no 2.186-16, (23 de agosto de 2001), que trata do acesso ao patrimônio genético, a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado, a repartição de benefícios para a conservação e uso sustentável da biodiversidade.
O departamento que acompanha esse tema no Ministério das Relações Exteriores (MRE) acredita que o Protocolo não esteja subordinado ao APL, porém estão fortemente vinculados, sendo que um não funcionará sem o outro. Além dos argumentos relacionados ao agronegócio e ao novo projeto de lei, os contrários à ratificação afirmam que o Brasil não possui condições para o funcionamento do Protocolo de Nagoya, havendo desafios para os próprios técnicos do assunto.
O deputado Heinze ainda observa a grande barreira para as exportações das commodities, “os laboratórios de certos países como Estados Unidos e da Europa utilizam recursos naturais brasileiros e o nosso país não recebe nada em troca, como vamos trocar essa biodiversidade por dinheiro? O que traz dinheiro é o agronegócio para esse país!”.
Brasil é detentor de cerca de 15 a 20% da biodiversidade do planeta, foi um dos principais negociadores do Protocolo de Nagoya e um dos primeiros países a assiná-lo. O Protocolo tem por objetivo final incentivar a conservação e o uso sustentável da biodiversidade. Garantirá maior equidade entre os países responsáveis pela conservação da biodiversidade do planeta, e aqueles que usualmente se beneficiam de sua utilização comercial (p.ex., na indústria farmacêutica, agricultura ou de cosméticos). Além disso, criará maior facilidade e segurança jurídica para o acesso legal à biodiversidade de outros países, inclusive às espécies exógenas utilizadas pela agricultura nacional.
Entretanto sem a ratificação do país com maior biodiversidade do mundo neste importante documento, o Brasil ficará fora das importantes decisões internacionais não podendo defender seus interesses, colaborar de forma justa e equitativa, e muito menos questionar o Estado pelo descumprimento de normas e regras no cenário político ambiental.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos.

domingo, 20 de julho de 2014

FORMAÇÃO ÉTNICA DA POPULAÇÃO BRASILEIRA.

A diversidade étnica e a questão racial.


A população brasileira é formada por três tipos étnicos básicos: os indígenas, o branco e o negro africano.
     No século XX, mais um grupo étnico veio participar da formação da população brasileira: os asiáticos, representados principalmente pelos japoneses e chineses.
A miscigenação desses grupos étnicos deu origem a diversos grupos mestiços ou a uma diversidade étnica.























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Os grupos brancos formadores da população brasileira e a predominância portuguesa no delineamento de nossa cultura.

O elemento branco que participou da formação da população brasileira é originário de vários grupos étnicos, tanto europeus como asiáticos e africanos. Entretanto foi da Europa que veio a maior parte desse grupo, podendo-se destacar.
- Os atlanto-mediterrâneos – a maior parte da população brasileira descende desse grupo, representados pelos portugueses, italianos, espanhóis e franceses, sendo que estes últimos participaram, em número bastante reduzido, na formação da população brasileira.
Fonte : Revista Escola.abril.com.br

- Os germanos ou teutões – representados pelos alemães, austríacos, neerlandeses ou holandeses, suíços, ingleses e escandinavos, sendo que os primeiros foram os que mais participaram numericamente na formação da população brasileira.



- Os eslavos – representados pelos russos, poloneses, tchecos, eslovacos e iugoslavos, destacando-se os poloneses, que se fixaram principalmente no Paraná.

Da Ásia, apenas alguns grupos brancos destacaram-se na formação da população brasileira: os sírio-libaneses e os judeus. Estes últimos, presentes no Brasil desde o tempo colonial, eram na maioria cristãos novos.



Do continente africano o Brasil recebeu pequeno número de imigrantes brancos. 

Contudo podem-se destacar os egípcios, que aqui chegaram principalmente após a revolução egípcia que levou Gamal Abdel Nasser ao poder em 1954.
De todos os imigrantes citados destacam-se os portugueses. A história da imigração portuguesa no Brasil confunde-se com nossa própria história. Foram eles o colonizadores e os responsáveis pela formação inicial da neopopulação brasileira através do processo de miscigenação com índios e negros africanos, pois, de 1500 a 1808, portanto por três séculos, eram os únicos europeus que podiam entrar livremente no Brasil. Mesmo após 1808, eles predominaram em número como imigrantes para o Brasil. 
Viveram de várias províncias de Portugal e, mesmo das ilhas dos Açores e da Madeira. É isso que explica a variedade de aspectos ou características físicas desse povo migrou em grande escala para o Brasil, como também para a África, onde Portugal manteve colônias até poucas décadas atrás (Angola, Moçambique e Guiné Portuguesa). Vieram portugueses morenos e louros ou mesmo ruivos, demonstrando que Portugal não possuía uma homogeneidade étnica, e sim uma população mesclada de várias origens, incluindo- se judeus e mouros.



Dos portugueses recebemos a herança cultural fundamental, na medida em que realizaram uma transplantação cultural para o Brasil, destacando-se, resumidamente: a língua portuguesa, a religião católica, as instituições administrativas, o tipo construções de povoados, vilas e cidades, a arquitetura, o folclore (folguedos, festas, canções, jogos, artes em cerâmicas e nos bordados, a alimentação (ainda hoje se fala em pimenta do reino, farinha do reino e azeite portugueses), entretanto, nos vários aspectos culturais, houve o amálgama não só de elementos da cultura indígena e do negro como também de povos que migraram para o Brasil.

O Negro

a) Áreas de introdução do negro no Brasil.

O negro foi trazido para o Brasil para ser utilizado como mão- de- obra escravizada.
Sua introdução obedeceu às necessidades da evolução da economia capitalista brasileira. Entretanto, certas atividades econômicas destacaram-se no conjunto como polarização da imigração forçada do negro para o Brasil. Essas atividades foram:
- a agroindústria da cana-de-açúcar, iniciada no século XVI, no Nordeste e no Recôncavo Baiano:
- a lavoura do algodão no Maranhão, nos séculos XVII e XVIII.
- a mineração, nos séculos XVII e parte do XVIII, no Planalto Central e em Minas Gerais.
- a lavoura da cana-de-açúcar, no Rio de Janeiro, e a cultura cafeeira, no século XIX, no Espírito Santo, Rio de Janeiro e em São Paulo.
A imigração forçada do negro africano para o Brasil, processo opressivo, aviltante e vergonhoso da história, realizou-se, principalmente, nesses quatro focos ou áreas, correspondentes às quatro atividades econômicas citadas.



b) Os grupos negros africanos introduzidos no Brasil e suas contribuições culturais.

Conforme as culturas que representavam (ritos religiosos, dialetos, usos, costumes e características físicas) e a partir do confronto com os negros do Brasil, tornou-se possível distinguir dois grandes grupos africanos dos quais o negro brasileiro descende: as culturas sudanesas (que incluem as guineano-sudanesas islamizadas) e as culturas bantas.
Os sudaneses são originários da África ocidental, de regiões próximas do Golfo da Guiné, que correspondem, na atualidade, às áreas ocupadas pela Nigéria, Gana, Togo, Benim, Daomé, Costa do Marfim etc.
Os negros pertencentes ao grupo sudanês foram introduzidos principalmente em Salvador.
O outro grupo, o dos bantos, veio em maior número. São originários de regiões próximas ao Rio Congo, correspondendo, na atualidade, às áreas de Angola e Moçambique.



Quanto às contribuições do negro africano na formação da “cultura brasileira”, vários aspectos podem ser apontados.

Primeiramente, cumpre destacar que a situação ou condição de escravizado dificultou-lhe ou mesmo impossibilitou-lhe manter na íntegra sua cultura, bem como impediu-os de utilizar suas técnicas ou mesmo de desenvolver novas técnicas no contato com o novo meio cultural ou social. Diante disso, eles foram “podados” em suas manifestações culturais plenas, ocorrendo, assim, tanto o sincretismo com um processo de transformação (transformação cultural caracterizada pela influência de elementos de outra cultura, com a perda ou alteração dos já existentes). 



Fonte : Melhem Adas e Sergio Adas - PANORAMA GEOGRÁFICO DO BRASIL.
Atualizado e ilustrado por : Geo-Conceição.

ENEM : CUIDADO COM E-MAIL QUE TENTA ENGANAR CANDIDATOS.

InfoEnem



Posted: 19 Jul 2014 09:16 AM PDT
Muita atenção!
Mesmo que você não seja um dos 8,4 milhões de inscritos para o Exame Nacional do Ensino Médio deste ano (Enem 2014), este alerta também lhe serve. Entretanto, se fará a prova nos dias 8 e 9 de novembro, certamente está mais propenso a cair neste “novo” golpe!
Está circulando um e-mail na internet , elaborado por criminosos, trazendo a seguinte mensagem: “Identificamos que ocorreu um erro na emissão do cartão de inscrição do candidato com o email@radiobras.gov.br cadastrado em nosso sistema, podendo resultar no cancelamento de sua inscrição em até 48 horas. Evite o bloqueio do seu cadastro pois o Enem é a única forma de ingresso para 2015 em faculdades públicas, requisições para PROUni, Fies e outros programas aos quais o Governo Federal oferece a população”.
E o pior de tudo é que seu formado e design são extremamente convincentes! Veja uma foto do falso e-mail:


Como dito anteriormente, este e-mail é malicioso. Certamente a intenção dos criminosos é obter dados importantes dos estudantes e de seus respectivos parentes para efetuar golpes futuramente. E nossa obrigação, claro, é alertá-lo do perigo! Por isso, você não deve abri-lo de maneira alguma! Inclusive, recomendamos que atualize seu anti-virus.
Duas características do e-mail já comprovam a maliciosidade da mensagem:
  1. O endereço eletrônico utilizado para envio é da Radiobras, empresa extinta que deu lugar à Empresa Brasil de Comunicação (EBC) em 2007.
  2. A citação de nota oficial nº 12838-2014, que teria sido lançada pela assessoria de imprensa do Ministério da Educação (MEC), sobre candidatos com erros no cadastro. O Inep já se pronunciou garantindo que não emitiu tal nota e que não realiza recadastramento de candidatos para o Enem.
Portanto, não existe dúvidas do intuito desse e-mail. Trata-se de uma tentativa de obtenção de dados sigilosos para aplicação de golpes! Aliás, o texto pede, de maneira escancarada, exatamente isso. Veja: “Preencha manualmente o recadastramento passo a passo e normalize já sua situação (repare que algum parente pode ter usado seu e-mail para cadastro de informações). Segue abaixo o link para consulta e regularização do seu cadastro.”
Assim sendo, além de não abrir (e muito menos fornecer seus dados!) pedimos que divulguem este artigo em blogs e redes sociais para que o menor número de vítimas caia no golpe. Afinal, como envolve a prova mais importante do país, certamente as pessoa que não forem alertadas acabarão cedendo suas informações!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

FMI X BRICS

Os BRICS se rebelam contra o FMI e criam seu próprio banco

Em julho de 1944, representantes de 44 países se reuniram em um hotel em Bretton Woods, New Hampshire, Estados Unidos, para criar um novo modelo de relações comerciais e financeiras entre os principais países do mundo. Setenta anos depois, os países emergentes se cansaram de esperar uma mudança de regime das instituições financeiras internacionais que saíram daquela reunião e deram um passo à frente para mudar a ordem existente, e agora reivindicam seu novo papel na economia mundial.


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A reportagem é de Alicia González, publicada pelo jornal El País, 13-07-2014.
Os presidentes de BrasilRússiaÍndiaChina e África do Sul (que formam o acrônimo BRICS) assinam nesta terça-feira em Fortaleza, Brasil, a constituição de um banco de desenvolvimento, com um aporte inicial de 50 bilhões de dólares (cerca de 110 bilhões de reais) para formar o capital do banco e 100 bilhões (220 bilhões em reais) de capacidade de empréstimo, e um fundo de reservas de outros 100 bilhões para ajudar os países do grupo no caso de uma possível crise de liquidez, como as vividas em alguns países europeus durante a crise financeira. São 200 bilhões de dólares (moeda que será utilizada nas transações das duas organizações) para determinar o valor do grupo e dar uma demonstração de sua força econômica.
“A conclusão dessas duas iniciativas passará uma mensagem forte sobre a vontade dos BRICS de aprofundar e reforçar sua associação econômica e financeira”, destacou para a imprensa na semana passada o embaixador brasileiro José Alfredo Graça Lima. “As duas instituições financeiras criadas funcionarão de forma similar ao Banco Mundial (BM) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI)”, afirmou. Sem dúvida, a criação do banco é um passo decisivo para a consolidação do grupo. “É importante que as maiores economias emergentes tenham sido capazes de colocar em funcionamento um projeto assim, do contrário sua credibilidade como grupo seria questionada. É um primeiro passo evidente, mas agora precisam passar para a ação”, afirma Jim O’Neill, o inventor do termo BRIC há 13 anos, quando era economista-chefe da Goldman Sachs, e atualmente pesquisador no think tank Bruegel.
A iniciativa levanta dúvidas quanto a seu alcance e sobre quão efetiva ou ineficiente será a coordenação do grupo. Sua criação demorou quase dois anos devido a divergências internas, que finalmente foram resolvidas com uma participação em partes iguais no capital, apesar da intenção inicial de que a China fosse sócia majoritária, e com a sede da entidade em Xangai. “A verdadeira questão é para que esses países realmente querem um novo banco e o que querem apoiar com ele. Não se sabe se é um mecanismo a ser explorado no sentido de assumir uma maior responsabilidade global, algo mais fácil do que conseguir mais representação no FMI ou no BM, ou se querem financiar conjuntamente projetos de infraestrutura nos países do grupo”, aponta O’Neill. “Não estou certo, só o tempo dirá.”
Em 2010, o FMI aprovou uma reforma de suas cotas para dar mais peso às potências emergentes no órgão, sobretudo a China. Mas a reforma está emperrada no embate entre democratas e republicanos no Congresso dos Estados Unidos e, a essas alturas, a iniciativa se tornou até obsoleta. “É realmente ridículo e decepcionante que o Congresso norte-americano não tenha aprovado a mudança das cotas. Na verdade, o peso dado na época a alguns países emergentes ficou velho e é cada vez mais evidente que a governança global atual está muito longe de ser boa”, admite O’Neill.
Até agora os BRICS não se destacaram por uma grande capacidade de coordenação no cenário internacional, apesar de sua constituição oficial como grupo em 2009 em plena crise financeira, ainda que o protagonismo na época tenha se concentrado no G-20, agora também em declínio. “A intenção é que o banco dos BRICS se torne, com o tempo, uma alternativa ao Banco Mundial e ao FMI e que seja um novo jogador entre as instituições financeiras globais. É um objetivo ambicioso, que exigirá um grau de coordenação e harmonia que nem sempre vimos nesse grupo”, acrescenta de Nova Délhi Vivek Dehejia, professor de Economia da Universidade de Carleton, do Canadá.
Em vários artigos, Nicholas Stern, presidente do Grantham Research Institute da London School of Economics e da Academia Britânica, defendeu, ao lado do prêmio Nobel Joseph Stiglitz, a necessidade de um novo banco de desenvolvimento que dê respostas às necessidades urgentes dos países emergentes em termos de infraestrutura.Lord Stern afirma que o gasto com infraestrutura nesses países deve aumentar dos 800 bilhões de dólares atuais (mais de 1,7 trilhão de reais) para pelo menos 2 trilhões (4,4 trilhões de reais) na próxima década.
“Do contrário, será impossível conseguir uma redução da pobreza e um crescimento inclusivo no longo prazo”, defende Stern em sua análise. As salvaguardas impostas pelo Banco e pelo Fundo em seu funcionamento, assim como as duras condições associadas a seus empréstimos, deram eficiência ao financiamento vindo desses organismos, mas não será fácil colocar em marcha um modelo de funcionamento do zero, e os desembolsos, para Dehejia, ainda vão demorar para acontecer. “Por hora, a importância é mais por seu simbolismo geopolítico, de que os BRICS são algo mais do que um acrônimo. Representa uma promessa, mas teremos de se esperar para ver como se concretiza”, acrescenta o economista indiano.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos.

SELEÇÃO ALEMÃ : LIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOCIAL .VALEU.

A lição da Seleção Alemã. Responsabilidade social dentro e fora do campo

A seleção alemã promoveu a mais terrível goleada  da história numa semifinal de Copa do Mundo,  jamais sofrida pela seleção brasileira em toda sua existência. No entanto, a incrível seleção alemã goleou, também fora de campo, todas as demais seleções, a FIFA e o governo do Brasil.
A reportagem é de Antonio Fernando Pinheiro Pedro e publicado pelo portal Ambiente Legal, 09-07-2014.
Como já havia feito antes, na Copa 2010, na África do Sul e na Eurocopa, na Polônia e na Ucrânia, a Federação Alemã de Futebol (DFB, na sigla original) promoveu ações sociais beneficiando a comunidade local onde se hospedou.
A atitude, de pura responsabilidade social, constitui uma retribuição, um agradecimento pela hospitalidade. Assim foi o que sucedeu na Bahia, local escolhido pelos alemães, para centro de treinamento durante a Copa 2014.
Em agradecimento à recepção e hospitalidade dos brasileiros, a DFB, doou 10 mil euros para a aldeia Pataxó em Santa Cruz de Cabrália, que o time visitou no dia seguinte à sua chegada ao Brasil.
A delegação e jogadores alemães, também visitaram uma escola municipal local, onde brincaram e interagiram com as crianças. Note-se que a DFB  já vinha auxiliando financeiramente a escola, através do projeto “Sonhos de Crianças”.
Não contente com o apoio institucional já proporcionado, a delegação alemã já anunciou, por meio de sua assessoria de imprensa, novos investimentos no local, a compra de mobiliário e a reforma do único campo de futebol do lugar – que deverá ter o mesmo padrão “Copa” do campo utilizado no centro de treinamento montado na região para a seleção germânica.
Respeito ao meio ambiente
O complexo, batizado de Campo Bahia, possui 15 mil metros quadrados. Conta com 14 casas coletivas, de dois andares, com vista para o mar, 65 quartos, área de convivência e piscina de 700 metros quadrados, salões para confraternização, restaurante e uma cozinha aberta, de frente para a praia.
O empreendimento foi licenciado pela Secretaria de Meio Ambiente da Bahia, e atendeu a várias prescrições do órgão ambiental de Santa Cruz de Cabrália, dentre as quais ,que as construções não superassem a altura dos coqueiros e que as árvores cortadas fossem replantadas em outro local, por se tratar de área de vegetação nativa.
A licença ambiental foi demorada, embora pedida com antecedência e foi concedida, finalmente, em fevereiro de 2014. As obras duraram 5 meses. O suporte fornecido pelos alemães à comunidade local , como contrapartida ao empreendimento, incluiu o apoio à gestão de resíduos sólidos, suprimento de água potável e tecnologia da informação para o desenvolvimento das escolas da região.
Planejamento econômico
O apoio àquela região adveio de uma decisão estratégica, relacionada à falta de qualidade da estrutura de apoio existente no nordeste às fortes seleções da Copa. Descontente com o padrão dos  hotéis nas cidades sedes dos jogos de sua seleção, na primeira fase da Copa (no Nordeste brasileiro), a DFB decidiu construir seu próprio centro de treinamento, na Ilha de Santo André, ao Norte de Cabrália, no litoral baiano.
O objetivo dos alemães, com a construção do centro, foi manter a privacidade e harmonia do grupo, minimizar os efeitos dos deslocamentos entre os jogos e atender todas as necessidades dos jogadores e comissão técnica da seleção.
De fato, a Ilha de Santo André, há anos é tida como um recanto dos mais atraentes e discretos do sul da Bahia. Sua extensa praia  abrange piscinas naturais que servem de refúgio a cetáceos e tartarugas marinhas.  Há antigas sedes de fazendas de cacau e pousadas sofisticadas. Um local escolhido para refúgio e descanso de altos executivos e turistas descolados. A decisão estratégica dos alemães não poderia ter sido, portanto, mais acertada.
Com isso, os alemães reuniram, planejamento, conforto, ambientação e rentabilidade do investimento.
Popularidade e identidade
Conforme noticiado pelo portal R7: “Todos os jogadores, sem exceção, “caíram no samba”: Podolski postou fotos ao lado dos torcedores locais; Klose comemorou o seu aniversário de 36 anos dançando junto com índios pataxós; Özilse aventurou na capoeira; Neuer e Schweinsteiger vestiram a camisa do Bahia, pularam e entoaram cânticos do clube .”
Mesmo após infligir o maior vexame à nossa seleção, os alemães, sem hipocrisia, deram prova de grandeza e espírito esportivo, refletida na postagem de um de seus principais jogadores, Podolski, nas redes sociais: “Respeite a AMARELINHA com sua história e tradição. O mundo do futebol deve muito ao futebol brasileiro, que é e sempre será o país do futebol. A vitória é consequência do trabalho, viemos determinados, todos nós crescemos vendo o Brasil jogar, nossos herois que nos inspiraram são todos daqui. Brigas nas ruas, confusões, protestos não irão resolver ou mudar nada, quando a Copa acabar e nós formos embora, tudo voltará ao normal então muita paz e amor para esse povo maravilhoso, um povo humilde, batalhador e honesto um país que eu aprendi a amar”.
Agradecida e satisfeita com interação diária com os moradores do local, a delegação alemã despediu-se com festa, e, simbolicamente, já ganhou o troféu da Seleção- Padrão de Sustentabilidade da Copa do Mundo de  2014.
Foto: Podolski e os Pataxós. Fonte: Ambiente Legal.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos.