sábado, 7 de dezembro de 2019

DIMINUI A EXTENSÃO DO GELO MARINHO NA ANTÁRTIDA.


Diminui a extensão do gelo marinho na Antártida, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


“Em nossa opinião, a evidência dos pontos de inflexão sugere que estamos em um estado
de emergência planetária: tanto o risco quanto a urgência da situação são acentuados”
Timothy Lenton (27/11/2019)

“Por muitas décadas, a espécie humana está em guerra com o planeta.
E o planeta está revidando” António Guterres (02/12/2019)

[EcoDebate] Cai uma das últimas desculpas dos negacionistas da crise climática. A extensão de gelo marinho ao redor da Antártida que crescia ligeiramente nas últimas 4 décadas, pela primeira vez, apresentou redução neste mês de novembro de 2019.
Os negacionistas do clima diziam que o degelo do Ártico estava sendo compensado pelo crescimento do gelo da Antártida. Isto nunca foi verdade, pois o continente gelado do sul estava e está perdendo volume de gelo em grande proporção. O que acontecia era que o aquecimento global provocava o derretimento do gelo continental, que caia no mar e aumentava a área e a extensão do gelo marinho.
A despeito das variações anuais, a reta de tendência dos dados mensais estava sempre direcionada para cima e a inclinação era positiva. Os gráficos abaixo mostram os dados relativos ao mês de novembro. Nota-se que entre 1978 e 2016 a inclinação da reta era de 0,4 + ou – 0,8% por década. Entre 1978 e 2018 a inclinação foi 0 (zero), mostrando estabilidade total. Mas entre 1978 e 2019, pela primeira vez, a inclinação da reta ficou negativa, marcando -0,1, sendo que, nos últimos 4 anos, a extensão de gelo na Antártida ficou abaixo da média histórica.
declínio da extensão do gelo marinho na Antártida
O mapa abaixo mostra que, em novembro de 2019, a extensão de gelo ficou em 14,9 milhões de km2, sendo que a média de 1981-2010 foi de 15,9 milhões de km2. Portanto, a redução foi de 1 milhão de km2, em novembro de 2019, em relação à média de 1981-2010.
extensão do gelo na Antártida em nov 2019
O artigo “Climate tipping points — too risky to bet against”, publicado na influente revista Nature (27/11/2019), mostra que entre os “pontos de inflexão” que estão levando a Terra a um “estado de emergência planetária”, estão os degelos dos polos e dos glaciares que vão liberar mais gases de efeito estufa e elevar o nível dos oceanos.
Os autores do artigo mostram que a estabilidade do Mar de Amundsen, na Antártida Ocidental, pode ter passado do ponto de inflexão, poios a ‘linha de aterramento’ onde o gelo, o oceano e a rocha se encontram está recuando irreversivelmente. Um estudo-modelo indica que, quando esse setor entra em colapso, pode desestabilizar o restante do manto de gelo da Antártica Ocidental. Este efeito dominó pode elevar o nível dos oceanos em até 3 metros.
Também a parte da camada de gelo da Antártica Oriental – a Bacia de Wilkes – está ficando igualmente instável. O trabalho de modelagem sugere que ela poderia adicionar outros 3 a 4 m ao nível do mar em escalas de tempo além de um século. Soma-se o fato de que a camada de gelo da Groenlândia está derretendo a uma taxa acelerada.
Isto quer dizer que as gerações futuras estão condenadas a viver com aumentos do nível do mar de cerca de 10 m ao longo dos próximos séculos. A taxa de fusão depende da magnitude do aquecimento acima do ponto de inflexão, pois quanto mais alto for a temperatura média da Terra, mais rápido será o degelo.
A figura abaixo, com base no relatório Especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sobre o oceano e a criosfera mostra as mudanças históricas observadas e modeladas no oceano e na criosfera desde 1950, bem como as projeções futuras sob um cenário de baixa emissão que limita o aquecimento global a menos de 2 graus Celsius, comparado a um cenário de alta emissão em que as temperaturas globais sobem acima de 4 graus Celsius. As mudanças são mostradas em relação a 1986-2005 para: (a) temperatura média global do ar na superfície; (b) temperatura média global da superfície do mar; (c) número de dias de ondas de calor marinhas nos oceanos da superfície; (d) conteúdo global de calor do oceano (0 a 2000 metros de profundidade); e) perda de massa da Groenlândia; (f) perda de massa antártica; (g) perda de massa da geleira; (h) pH médio global da superfície; (i) oxigênio médio global do oceano, em média, entre 100 e 600 metros de profundidade; (j) gelo marinho do Ártico; (k) cobertura de neve do Ártico; (l) área de permafrost próxima à superfície e (m) nível global do mar.
O nível do mar vai subir vários metros, dependendo do tempo a considerar e dos níveis das emissões futuras. As gerações que ainda vão nascer vão herdar um mundo mais complicado e mais inóspito, podendo haver uma mobilidade social descendente em um mundo com muitas injustiças ambientais, apartheid climático e conflitos de diversas ordens.
O fato é que o degelo dos polos, da Groenlândia e dos glaciares já começou e tende a se acelerar nas próximas décadas. Muitas áreas litorâneas vão ficar debaixo d’água e os danos sociais e econômicos serão de grande monta.
José Eustáquio Diniz Alves
Colunista do EcoDebate.
Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:
NSIDC. Sea Ice Index. Monthly Sea Ice Extent Anomaly Graph, November 2019
https://nsidc.org/data/seaice_index/
LENTON, Timothy M. Climate tipping points — too risky to bet against, Nature, 27/11/2019
https://www.nature.com/articles/d41586-019-03595-0

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/12/2019

ESTADO DO RIO TEM MAIS DA METADE DO TERRITÓRIO COM ALTO RISCO DE DESLIZAMENTOS.

Estado do Rio tem mais da metade do território com alto risco de deslizamentos


Estudo inédito aponta que 53,9% da área fluminense corre risco de deslizamento - Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias
Estudo inédito aponta que 53,9% da área fluminense corre risco de deslizamento – Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias
  
Por Caio Belandi / Arte de Márcio Silva da Costa / IBGE
Mais da metade da área do estado do Rio de Janeiro tem suscetibilidade a deslizamentos classificada como muito alta. É o que aponta o estudo do IBGE divulgado nesta sexta-feira, informando que 53,9% do território fluminense está no nível máximo de risco. Outros 19,9% estão classificados como alta suscetibilidade, a segunda faixa mais elevada.
O estado é o líder absoluto entre as unidades da federação em termos de áreas com maior suscetibilidade. O estado vizinho, Espírito Santo, aparece em segundo lugar, com 44,9% do território com suscetibilidade muito alta e 19,9%, alta.
A Região Sudeste, aliás, é a que concentra mais áreas de suscetibilidade a deslizamentos muito alta: 23,2%. Outros 24,6% do território estão classificados como alta.
Os dados são do mapa “Suscetibilidade a deslizamentos do Brasil: primeira aproximação”, estudo inédito divulgado hoje (29) pelo IBGE. O trabalho mostra que 5,7% da extensão territorial nacional tem suscetibilidade muito alta a deslizamentos, enquanto outros 10,4% estão na segunda faixa mais elevada.
Estado do Rio tem mais da metade do território com alto risco de deslizamentos
Alguns fatores explicam este fenômeno. Devido às características do meio físico, clima tropical e à alta pluviosidade, determinadas regiões do Brasil apresentam um conjunto de motivos que favorecem o desencadeamento de deslizamentos.
É o caso do Sudeste. Por apresentar áreas serranas e planálticas situadas em terrenos geológicos de grande mobilidade, a região é motivo de preocupação. Além dos fatores naturais, a dinâmica de uso e ocupação da terra, muitas vezes desordenada, potencializa a incidência de deslizamentos e agrava seus impactos.
“Por conta do relevo, de serem lugares mais acidentados, áreas como a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira mostram os níveis mais elevados de riscos. A vegetação (Mata Atlântica) tem um certo peso, mas o que predomina nessa afirmação é a declividade”, explica Therence de Sarti, geólogo do Instituto que colaborou com o estudo.
O Sul também apresenta muitas áreas com níveis altos de suscetibilidade a deslizamentos. A pesquisa mostra a região com 15,6% e 24,5%, respectivamente, nas faixas muito alta e alta. O terceiro estado com mais áreas classificadas no nível máximo no país é Santa Catarina, com 33,7% do território com suscetibilidade muito alta e 31,5%, com alta.
Episódios recentes ocorridos no estado sulista, em 2008, e no Rio de Janeiro (Ilha Grande/Angra dos Reis em 2009, Niterói em 2010 e Região Serrana em 2011) exemplificam de maneira trágica os danos gerados por deslizamentos nestas áreas.
No extremo oposto estão o Norte e o Centro-Oeste, regiões onde predominam áreas de grande planície e depressão. Elas concentram menos áreas de maior suscetibilidade a deslizamentos: 1,6% de muito alta e 6% alta no Norte e 3,6% e 8,2%, nesta ordem, no Centro-Oeste. O Nordeste aparece com 3,8% e 10,1%, respectivamente.
O estudo, feito sobre grade estatística, leva em consideração seis aspectos: Geologia, Geomorfologia, Pedologia, Declividade, Pluviosidade e Cobertura e uso da terra e Vegetação. A cada um deles foram determinados critérios de importância. A Declividade é o critério que mais contribuiu para a suscetibilidade a deslizamentos. Na outra ponta, a Pluviosidade é o que menos interfere nos riscos.
Após a análise de cada um desses aspectos, o IBGE chegou a um mapa final. “O Instituto analisou que faltava uma visão geral da situação dos deslizamentos no país. A partir desse mapa, podemos determinar mais lugares para detalhar o trabalho, e outros órgãos poderão se basear nele para estudos mais aprofundados”, pondera Therence.
O mapa “Suscetibilidade a deslizamentos do Brasil: primeira aproximação” faz parte do 2º volume da coleção “Macrocaracterização dos Recursos Naturais do Brasil”, que traz detalhamento dos aspectos naturais do Brasil. a coleção é direcionada a estudantes, professores, agentes públicos e gestores do meio ambiente.
Fonte: IBGE
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/12/2019

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

O CONSUMO SUPÉRFLUO DA ÁGUA ENGARRAFADA É UM DESASTRE AMBIENTAL.

O consumo supérfluo da água engarrafada é um desastre ambiental, por Henrique Cortez


poluição plástica nas praias
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
[EcoDebate] A indústria da água engarrafada é uma das atividades que mais crescem no mundo, mesmo diante de uma grande crise financeira global. O competente marketing da indústria fixou no inconsciente das pessoas o mito de que a água engarrafada é mais segura e saudável.
Mas, se ignorarmos o mito, veremos que consumir água engarrafada, onde a água da rede é tratada e potável, é uma injustificável insanidade ambiental.
No Brasil, é um mercado de 9 bilhões de litros ao ano, com um crescimento anual de 10%. Em termos mundiais, em 2017, foram consumidos 329 bilhões de litros de água engarrafada.
Não existe consumo sem impacto ambiental e com a água engarrafada não é diferente. O consumo responsável e o consumismo alienado podem ser diferenciados pelo impacto do consumo e pela sua sustentabilidade. A água engarrafada é, essencialmente, ambientalmente insustentável.
Bem, o mito, já incorporado ao inconsciente coletivo, diz que a água mineral natural é mais segura e saudável do que a água tratada de torneira. Será?
A água tratada de torneira é captada em águas superficiais, recebendo tratamento de filtragem e adição de cloro, o que a faz potável. O tratamento, no entanto, não elimina eventuais contaminações por metais pesados e agrotóxicos, por exemplo.
Ao longo do sistema de distribuição pode ser contaminada pela má qualidade das adutoras/tubulação ou nas caixas d’água.
A água mineral natural é captada em fontes subterrâneas e não recebe qualquer tipo de filtragem ou tratamento. Em geral contem mais sais minerais do que a água tratada.
Em termos reais, esta é a única vantagem da água mineral sobre a tratada.
As fontes subterrâneas e os aquíferos também podem e frequentemente são contaminados por metais pesados e agrotóxicos. Além disto, não recebendo tratamento e adição de cloro, a água mineral natural pode ser contaminada por bactérias.
A potabilidade da água tratada distribuída pelas concessionárias é rigorosamente acompanhada pelos órgãos ambientais. O mesmo já não é necessariamente verdade em relação às centenas de engarrafadoras.
Não são raras as notícias de que fontes e engarrafadoras de água mineral são interditadas em razão da contaminação por bactérias.
Existem muitos problemas de qualidade, tais como cor e sabor, na água tratada, mas pelo simples fato de que ela é tratada já a faz mais segura do que a natural engarrafada.
Isto sem falar que, em termos de R$/Litro, a água tratada chega às nossas casas por menos de R$ 0,05 por litro.
Em outra perspectiva a água engarrafada possui impactos ambientais muito maiores do que a tratada.
Segundo a Universidade de Queensland, os efeitos ambientais do uso de água engarrafada são extensos. Embora a maioria das garrafas possa ser reutilizada ou reciclada, a maioria das garrafas de plástico atualmente produzidas é fabricada com tereftalato de polietileno virgem (PET). O plástico é composto de combustíveis fósseis não renováveis, que são um recurso finito, e o uso deste produto incentiva a mineração que tem impactos ambientais associados. Há um grande consumo de energia na captação, transporte da água e também no tratamento da água na fábrica de engarrafamento. O consumo de energia adicional ocorre na produção da garrafa e na limpeza, enchimento, vedação, rotulagem e refrigeração das garrafas. Por fim, é necessária energia para transportar a garrafa para os varejistas e depois para o consumidor. A energia total necessária na produção de água engarrafada é de 5,6 a 10,2 MJ por litro, comparativamente à água da torneira, que normalmente requer 0,005 MJ por litro no tratamento e distribuição.
É relevante o impacto óbvio, mas desprezado pelos consumidores, que é a própria garrafa PET como resíduo. No Brasil, pouco mais de 55% das garrafas PET são destinadas à reciclagem, o que significa dizer que bilhões de garrafas entupirão nossos rios e mananciais, ou sobrecarregarão os aterros sanitários.
Enfim, a água engarrafada não é, de fato, mais segura ou saudável, é muito mais cara do que a água tratada e seus impactos ambientais são significativos.
Então, consumir por que mesmo?
Henrique Cortez, editor da revista eletrônica EcoDebate, é jornalista e consultor especializado em meio ambiente
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/12/2019

ENTOMOFAGIA, O CONSUMO DE INSETOS POR SERES HUMANOS.

Entomofagia, o consumo de insetos por seres humanos, artigo de Roberto Naime


O consumo de insetos grelhados no Laos faz parte da cultura gastronômica do país. Flickr
O consumo de insetos grelhados no Laos faz parte da cultura gastronômica do país. Foto: Flickr / RFI
[EcoDebate] Entomofagia é o consumo de insetos por seres humanos. A entomofagia é praticada em muitos países ao redor do mundo, principalmente em partes da Ásia, África e América Latina.
Insetos complementam o cardápio de aproximadamente dois bilhões de pessoas e tem sido parte da dieta humana desde tempos remotos.
Consta que os organismos dos insetos, são enriquecidos em Nitrogênio. Se alimentar de insetos é mera questão cultural e histórica.
Contudo, apenas recentemente a entomofagia tem atraído a atenção da mídia, instituições de pesquisa, chefes de cozinha e outros membros da indústria de alimentos, além de legisladores e agências de regulamentação na área alimentícia.
O Programa de Insetos Comestíveis da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) também tem examinado o potencial de aracnídeos (aranhas e escorpiões) para a alimentação animal e humana, uma vez que, por definição, estes não são considerados insetos.
O uso de insetos como alimento, tanto para humanos quanto na nutrição animal, conferem muitos benefícios ao meio ambiente, à saúde, à sociedade. Insetos têm altas taxas de eficiência na conversão alimentar pelo fato de serem animais de sangue frio.
A razão de quantidade de alimento por produção de carne (quanto de alimento é necessário para produzir o aumento em 1 kg no peso do animal) varia grandemente dependendo da classe do animal e das práticas de produção utilizadas, sendo que os insetos são extremamente eficientes nessa questão.
Em média, insetos podem converter 2 kg de alimento em 1 kg de massa corporal, em comparação a bovinos que necessitam de 8 kg de alimento para produzir 1 kg de ganho de peso.
Produzem menos gases de efeito estufa do que a pecuária convencional. Por exemplo, suínos produzem de 10 a 100 vezes mais gases de efeito estufa por quilograma de peso.
Podem se alimentar de resíduos orgânicos, como restos de alimento e dejetos humanos, compostagem e esterco animal, podendo transformá-los em proteína de alta qualidade, inclusive para utilização na alimentação animal.
Insetos utilizam muito menos água que a pecuária convencional. Besouros, por exemplo, são mais resistentes à seca do que o gado.
A criação de insetos é muito menos dependente de extensões de terra que a pecuária convencional.
O conteúdo nutricional dos insetos depende de seu estágio de desenvolvimento ou estágio metamórfico, habitat e dieta. No entanto, é amplamente aceito que insetos são fontes de nutrientes e proteínas de alta qualidade se comparados à carne bovina e ao pescado.
Insetos são particularmente importantes como suplemento alimentar para crianças que sofrem de má nutrição, pois a maioria das espécies tem alto teor de ácidos graxos (comparáveis ao pescado). Também são ricos em fibras e micro-nutrientes como cobre, ferro, magnésio, manganês, fósforo, selênio e zinco.
Insetos são considerados animais de baixíssimo risco em relação a zoonoses (doenças transmitidas de animais para humanos) como o vírus H1N1 (gripe aviária) e o mal da vaca louca.
A coleta e a criação de insetos podem se colocar como uma importante estratégia na diversificação dos meios de subsistência. Insetos podem ser diretamente e facilmente coletados na natureza. Para tal atividade se requer um mínimo de conhecimento técnico e pouco investimento para a aquisição de equipamentos básicos de coleta e criação.
Os estamentos mais pobres da sociedade, incluindo mulheres e pessoas sem terra, seja em áreas urbanas ou rurais, podem se encarregar de coletar os insetos diretamente do ambiente, de cultivar, processar e vender.
Essas atividades além de melhorar diretamente a alimentação, podem servir como opção de renda por meio da venda do excedente da produção em mercados livres de rua.
A coleta e criação de insetos pode também oportunizar ações empreendedoras sejam em economias desenvolvidas, em transição ou em desenvolvimento.
O processamento de insetos para a alimentação humana ou animal é algo que pode ser feito com relativa facilidade. Algumas espécies podem ser consumidas inteiras. Podem também vir a ser processados em pasta ou moídos como farinha, além disso, suas proteínas podem ser extraídas.
Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Aposentado do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.
Referência:
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/12/2019

ENERGIA SOLAR SERÁ A PRINCIPAL FONTE ELÉTRICA MUNDIAL ATÉ 2035.

Energia solar será a principal fonte elétrica mundial até 2035


Por: Ruy Fontes – Agência #movidos
energia solar
Um novo estudo divulgado pela Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, ou IEA na sigla em inglês) prevê que a solar fotovoltaica está no caminho para se tornar a fonte energética número um do mundo até 2035.
Entretanto, embora o crescimento da energia solar e demais fontes de energia renováveis soe otimista, os responsáveis pelo estudo afirmam que ele não será suficiente para desbancar a geração por combustíveis fósseis.
Dessa forma, a estimativa da IEA é de que as fontes limpas apenas ajudem a matriz elétrica mundial a acompanhar a crescente demanda por energia, que subiu 7% no ano passado em relação a 2017.
De acordo com o estudo, a capacidade instalada atual de usinas a carvão deverá se manter praticamente inalterada até 2040, com 2,2 Terawatts (TW).
O Gás Natural, fonte amplamente utilizada em países como EUA e Rússia, deverá apresentar crescimento de 39,47% em sua capacidade instalada nesse mesmo período,  subindo de 1,9 TW para 2,65 TW.
Contudo, a IEA estima que o maior crescimento será protagonizado pela geração solar fotovoltaica, que deverá atingir uma capacidade instalada mundial de 3,142 TW até 2035.
O volume será maior do que qualquer outra das fontes atuais, renovável ou não, incluindo a eólica, hídrica, gás natural e carvão.
Com base na tendência atual, o estudo afirma que as fontes de energia alternativas continuarão dominando o crescimento da geração elétrica mundial, respondendo por 2/3 dos 8,5 TW de nova capacidade que devem ser instalados até 2040.
Mas, esse crescimento não será homogêneo e sim concentrado em países como China e União Europeia (UE), que deverão apresentar até 80% de suas matrizes elétricas por fontes de energia limpa, enquanto no restante do mundo elas responderão por menos da metade da geração.
Fonte renovável mais popular no mundo, a energia solar fotovoltaica continuará a brilhar forte e estará na liderança da geração limpa em países como China, Japão e Índia até 2040.
Já em outras regiões ela deverá ficar em segundo lugar, como atrás da fonte eólica na União Europeia ou da hídrica em países da América do Sul, como o Brasil.
Os investimentos em renováveis, que ano passado foi de U$390 bilhões, deverão se manter em torno de U$440 bilhões até 2030, sugere a IEA, abaixo dos U$650 bilhões necessários para atingir as metas de sustentabilidade do setor elétrico mundial.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/12/2019

GÁS NATURAL E PETRÓLEO AUMENTAM AS EMISSÕES GLOBAIS DE CO2 EM 2019.

Gás natural e petróleo aumentam as emissões globais de CO2 em 2019



termelétrica
Termelétrica a carvão. (AP Photo/Chris Carlson)

Prevê-se que as emissões globais de CO2 subam 0,6% em 2019 devido ao forte crescimento do uso de gás natural e óleo, apesar do declínio no consumo de carvão. O gás natural é o principal fator de emissão global desde 2012

Por Ana Mesquita
O Global Carbon Project (GCP) publica sua análise anual das tendências do ciclo global do carbono, incluindo a primeira estimativa anual do aumento das emissões globais de dióxido de carbono fóssil (CO2) em 2019. As emissões globais de CO2 fóssil devem subir 0,6% em 2019 (variação: –0,2% a + 1,5%) devido ao crescimento sustentado do consumo de gás natural e petróleo e apesar do declínio no uso de carvão. Um declínio nas emissões globais em 2019 não pode ser descartado, dadas as incertezas na projeção.
O recente crescimento das tecnologias de baixo carbono (solar, eólica, veículos elétricos) permitiu, na melhor das hipóteses, reduzir o crescimento das emissões globais de combustíveis fósseis, mas está longe de levar às agressivas reduções de emissões que são necessárias para ficarmos em linha com o limite global de aquecimento “bem abaixo de 2 ° C”, estabelecido pelo Acordo de Paris para evitar os piores impactos das mudanças climáticas.
“As emissões de dióxido de carbono devem diminuir drasticamente para que o mundo atinja a marca ‘bem abaixo de 2 ° C’ estabelecida no Acordo de Paris, e todos os anos emissões crescentes tornam essa meta ainda mais difícil de alcançar”, disse Robbie Andrew, Pesquisador Sênior no Centro CICERO de Pesquisa Internacional do Clima na Noruega.
O lançamento de hoje inclui três artigos nas revistas Nature Climate Change, Environmental Research Letters e Earth System Science Data.
Carvão diminui à medida que o gás natural aumenta
As emissões globais de CO2 fóssil (combustíveis fósseis, indústria e cimento) cresceram 3% ao ano na década de 2000, mas o crescimento diminuiu desde 2010 para uma média de 0,9% ao ano e, de 2014 a 2016, houve apenas um aumento muito pequeno em emissões. As emissões voltaram a crescer novamente em 2017 (1,5%), 2018 (2,1%) e agora em 2019 (0,6%).
“O fraco crescimento das emissões de dióxido de carbono em 2019 foi devido a um declínio inesperado no uso global de carvão, mas essa queda foi insuficiente para superar o crescimento robusto do consumo de gás natural e petróleo”, disse Glen Peters, diretor de pesquisa da CICERO. “Os compromissos globais assumidos em Paris em 2015 para reduzir as emissões ainda não estão sendo acompanhados por ações proporcionais”, alertou. “Apesar da retórica política e do rápido crescimento de tecnologias de baixo carbono, como energia solar e eólica, veículos elétricos e baterias, é provável que as emissões globais de CO2 fóssil sejam mais de 4% maiores em 2019 do que em 2015, quando o Acordo de Paris foi adotado”, acrescentou.
Declínio inesperado no uso de carvão
Estimativas anteriores sugerem que as emissões de CO2 oriundas do uso de carvão diminuirão em -0,9% em 2019 (variação: -2,0% a + 0,2%), enquanto as emissões de CO2 provenientes do consumo de petróleo crescerão 0,9% (variação: + 0,3% a + 1,6%) e gás natural 2,6% (variação: + 1,3% a + 3,9%).
Durante a maior parte de 2019, parecia que o uso de carvão aumentaria globalmente, mas um desempenho econômico mais fraco do que o esperado na China e na Índia, e um ano recorde de hidrelétricas na Índia – causado por uma forte monção – mudou rapidamente as perspectivas de crescimento no uso de carvão”, explicou Andrew. “O uso de carvão nos EUA e nos 28 países da União Europeia caiu substancialmente, possivelmente em até 10% em ambas as regiões apenas em 2019, ajudando a reduzir o consumo global de carvão”, disse Andrew.
Enquanto o mundo observa os altos e baixos do uso global de carvão, o consumo de petróleo e gás natural continua a crescer fortemente, com o gás experimentando o crescimento mais forte.
“Comparado ao carvão, o gás natural é um combustível fóssil mais limpo, mas o uso inabalável de gás natural apenas cozinha o planeta mais lentamente que o carvão”, disse Peters.
“Embora possa haver algumas reduções de emissões no curto prazo do uso de gás natural em vez de carvão, o consumo de gás natural precisa ser eliminado rapidamente para atender a metas climáticas ambiciosas”, disse ele.
Redução de emissões nos EUA e na União Europeia
Quase todos os países contribuíram para o aumento das emissões globais, seja pelo crescimento das emissões ou reduções mais lentas do que o necessário.
As emissões nos EUA caíram 1,1% ao ano desde o pico em 2005, e essa tendência continua em 2019, com uma queda de –1,7% (faixa: –3,7% a 0,3%), compensando um aumento nas emissões relacionadas ao clima em 2018, o que elevou a demanda por aquecimento nos meses frios e por refrigeração nos meses quentes.
A redução de emissões nos EUA em 2019 foi motivada por uma queda de 10% nas emissões do uso de carvão, com o carvão sendo substituído por gás, vento e energia solar baratos. As emissões de CO2 resultantes da queda no uso de carvão (–10%) e petróleo (–0,5%) foram parcialmente compensadas pelos aumentos no consumo de gás natural (3,5%).
As emissões nos 28 países da União Europeia caíram constantemente em -1,4% ao ano na última década e a projeção é de diminuir em 1,7% em 2019 (variação: -3,4% a + 0,1%). Apesar do declínio esperado no uso de carvão, em torno de 10%, o crescimento no consumo de petróleo e gás natural fará com que a taxa de redução das emissões seja menor que em 2018 (-2,1%).
Crescimento das emissões na China e na Índia
A China teve baixo crescimento e declínios inesperados nas emissões de CO2 no período de 2014 a 2016, mas em 2017 e 2018 as emissões de CO2 aumentaram novamente 1,7% e 2,3%, respectivamente. Em 2019, as emissões de CO2 da China deverão aumentar 2,6% (variação de 0,7% a + 4,4%). As emissões chinesas poderiam ter crescido mais rapidamente se não fosse o crescimento econômico mais lento e o crescimento mais fraco da demanda de eletricidade.
“Havia esperança de que a China estivesse se afastando rapidamente do uso de carvão, mas o consumo de carvão no país continua a crescer, ainda que modestamente”, disse Jan Ivar Korsbakken,
pesquisador sênior do CICERO. “A China usa metade de todo o carvão do mundo, e o carvão deve permanecer como a maior fonte de energia e emissões de CO2 da China nos próximos anos”, acrescentou Korsbakken.
A China registrou baixo crescimento na demanda de eletricidade até agora em 2019 e nenhum crescimento na geração de eletricidade a carvão, pois um aumento na produção de energia a partir de fontes renováveis ​​e usinas nucleares conseguiu atender a maior parte do crescimento da demanda. Porém, um forte crescimento da produção de aço, cimento e outros produtos industriais intensivos em carvão manteve o consumo de carvão em alta. O uso de petróleo e gás continua a crescer rapidamente e juntos agora contribuem mais para o crescimento das emissões na China do que o carvão.
As emissões indianas de CO2 cresceram 5,1% ao ano na última década, mas espera-se que o crescimento seja muito mais fraco em 2019 em 1,8% (faixa: + 0,7% a + 3,7%). O fraco crescimento econômico na Índia levou a um crescimento mais lento no uso de petróleo e gás natural. Com uma economia enfraquecida, o crescimento na geração de eletricidade da Índia diminuiu de 6% ao ano para menos de 1% em 2019, apesar da eletrificação das aldeias aumentar a demanda potencial. Além disso, a adição de uma monção muito úmida levou a uma geração hidrelétrica muito alta e a um declínio na geração a partir do carvão.
Prevê-se que as emissões no resto do mundo – os 42% restantes das emissões globais – cresçam cerca de 0,5% em 2019 (variação de -0,8% a + 1,8%), muito menos do que na década anterior.
O crescimento contínuo das emissões gera aumento nas concentrações atmosféricas
As emissões globais de dióxido de carbono dos combustíveis fósseis e da indústria atingirão cerca de 36,8 bilhões de toneladas em 2019, um recorde. As estimativas preliminares da mudança no uso da terra para 2019 sugeriram um valor de 6 bilhões de toneladas de CO2, que é 0,8 bilhão de toneladas de CO2 mais alto que em 2018, devido ao aumento de incêndios florestais.
Enquanto isso, as emissões globais de dióxido de carbono de todas as atividades humanas (combustíveis fósseis, indústria e mudança no uso da terra) deverão atingir 43,1 bilhões de toneladas em 2019 (variação: 39,9 a 46,2 GtCO2).
A concentração atmosférica de CO2 atingiu, em média, 407,4 partes por milhão em 2018 e deve aumentar em 2,2 ppm em 2019 (+1,8 a + 2,6ppm), atingindo cerca de 410 ppm. Esse aumento está próximo da média da década passada por causa do retorno às condições neutras do El Niño, mas acima das décadas anteriores devido ao aumento das emissões de CO2.
Publicações:
Este comunicado de imprensa faz parte do Orçamento Global de Carbono 2019, a atualização anual do Projeto Global de Carbono. É baseado nas análises:
Friedlingstein et al. (2019) Global Carbon Budget 2019. Earth System Science Data. https://doi.org/10.5194/essd-11-1783-2019 
• Peters G.P., R.M. Andrew, J.G. Canadell, P. Friedlingstein, R.B. Jackson, J.I. Korsbakken, C. Le Quéré, and A. Peregon (2019). Carbon dioxide emissions continue to grow amidst slowly emerging climate policies. Nature Climate Changehttps://doi.org/10.1038/s41558-019-0659-6 
• Jackson, R.B., P. Friedlingstein, R. M. Andrew, J.G. Canadell, C. Le Quéré, G.P. Peters (2019). Persistent Fossil Fuel Emissions Threaten the Paris Agreement and Planetary Health, Environmental Research Lettershttps://doi.org/10.1088/1748-9326/ab57b3 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/12/2019