sexta-feira, 21 de novembro de 2014

AUMENTO NA EMISSÃO DE GASES: GOVERNO NÃO ACEITA.

Governo não reconhece dados de emissão de gases do Observatório do Clima

Publicado em novembro 21, 2014  
queimada

O Ministério do Meio Ambiente informou que a metodologia utilizada pelo Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (Seeg) para o setor de mudança do uso da terra e florestas é diferente da metodologia oficial de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa no Brasil coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Os dados do Seeg foram apresentados na quarta-feira (19) pela organização da sociedade civil Observatório do Clima e apontou crescimento de 7,8% da emissão de gases de efeito estufa em 2013, em comparação com 2012. O levantamento mostra que houve uma mudança de trajetória negativa para o país, uma vez que, de 2011 para 2012, havia sido registrada queda de 4,7%.
“O governo brasileiro, assim como os demais países da Conferência das Partes da Convenção sobre Mudança do Clima, segue as diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima. Assim, o levantamento do governo considera as emissões líquidas, contabilizando a remoção de dióxido de carbono da atmosfera feita pela própria floresta. Já o Seeg valoriza os dados brutos, sem considerar de maneira destacada a remoção de gás carbônico das áreas protegidas, que somam mais de 60 milhões de hectares”, diz a nota.
Os dados atualizados das estimativas de emissões de gases de efeito estufa no Brasil foram anunciados no dia 13 de novembro pelo MCTI e mostram uma tendência de redução nas emissões.
“O Ministério do Meio Ambiente considera louvável iniciativas da sociedade civil que, junto com aquelas do governo, colaboram para a construção e aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas para mitigar a mudança do clima”, diz a nota ao ressaltar as diferentes metodologias.
Por Andreia Verdélio, da Agência Brasil.
Fonte : EcoDebate

ECONOMIA ESTAGNADA E AUMENTO NA EMISSÃO DE GASES-ESTUFA

Brasil eleva emissões sem aumentar riqueza, diz Observatório do Clima

A economia brasileira, praticamente estagnada, está crescendo pouco mas emitindo muitos gases-estufa. O motivo é o aumento nas taxas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, além do uso maior de combustíveis fósseis na matriz energética.
As emissões brasileiras de gases-estufa aumentaram 7,8% em 2013 em relação ao ano anterior e bateram em 1,5 bilhão de toneladas de CO2. É a primeira vez que aumentam desde 2008.
A reportagem é de Daniela Chiaretti, publicada pelo jornal Valor, 20-11-2014.
Esses dados fazem parte das estimativas anuais de emissões do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima. O SEEG é uma ferramenta desenvolvida em 2013 para calcular anualmente as emissões brasileiras e identificar sua origem. O Observatório do Clima, por sua vez, é uma rede de entidades da sociedade civil que estuda a mudança do clima no seu contexto brasileiro.
Embora desaquecida, a economia brasileira ficou menos eficiente em relação às emissões de gases de efeito estufa - está mais "carbonizada", como se diz no jargão. Em uma conta estimada feita por Tasso Azevedo, coordenador técnico do SEEG, produzir na economia de baixo carbono seria conseguir R$ 40 mil por tonelada de CO2. "Estamos bem longe de termos uma economia de baixo carbono", disse ele no seminário em que se divulgaram as novas estimativas.
A relação das emissões brasileiras de gases-estufa com o PIB era de R$ 3.251 em 2012 e passou a R$ 3.090 em 2013. Dito de outra forma, o dado demonstra que se criou menos riqueza emitindo-se mais.
"O aumento nas emissões não é nada desprezível. Todos os setores da economia emitiram mais em 2013", diz Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. Segundo ele, o aumento de 2013 representa uma reversão na tendência de queda que acontecia desde 2005, puxada pela redução nas taxas anuais de desmatamento. Em 2012, as emissões brasileiras chegaram a seu menor valor, com 1.454 milhão de toneladas de CO2 equivalente (medida que equipara os outros gases estufa ao CO2). O dado exato de 2013 é 1.568 milhão de toneladas.
O aumento das emissões foi puxado pelas mudanças no uso da terra (35% das emissões totais), com o crescimento no desmatamento da Amazônia e do Cerrado. Energia teve grande responsabilidade (30% das emissões) em função do aumento no uso de energia termelétrica de fontes fósseis e consumo de gasolina e diesel.
A agropecuária continua a ser a principal fonte de emissões: 63,4% em 2013, somando-se desmatamento, energia e resíduos resultantes da produção.
"O pano de fundo de tudo isso é que não trouxemos o tema da mudança climática ainda, de forma estratégica, para dentro das políticas públicas e do desenvolvimento do país", diz Rittl. "Estamos ignorando o clima nos planos de fomento da indústria, nos grandes incentivos à agricultura, nas obras de infraestrutura, na matriz energética. Não consideramos o clima nem para desenvolver estes setores, nem para torná-los menos vulneráveis", continua.
Pará (11,2%) e Mato Grosso (9,4%) lideram o ranking dos Estados mais emissores de gases-estufa no país, seguidos por São Paulo (8,5%) e Minas Gerais (7,5%).
Os brasileiros, per capita, emitem 7,8 t CO2. É o primeiro aumento de emissões por habitante desde 2004 (quando a emissão por brasileiro chegou a 16,4 tCO2 /habitante, índice puxado pelas altas taxas de desmatamento).
Os dados do SEEG estão disponíveis na plataforma online (www.seeg.eco.br). O trabalho envolve organizações como o Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), ImafloraImazon e Iclei.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A AMAZÔNIA E SUA IMPORTÂNCIA

Amazônia, a maior fonte gratuita de água doce

"A Amazônia é importante sim para todo o país e permitir sua destruição com o desmatamento radical é como, literalmente, 'matar a galinha dos ovos de ouro'. A região tem sido nos últimos 50 anos o 'almoxarifado' do Brasil e do Mundo", escreve Raimundo Nonato Brabo Alves, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, em artigo publicado por EcoDebate, 18-11-2014.
Eis o artigo.
floresta amazônica é o “radiador” do Brasil, amenizando o clima e mais eficientemente ainda “condensando” água para outros sistemas hidrológicos interligados.
Amazônia volta a ser objeto de discussão – depois do esquecimento por alguns meses que antecederam as eleições e não foi lembrada por nenhum candidato – como bioma importante, além de fonte inesgotável de produtos, na regulagem do ciclo hidrológico no Brasil. Cientistas afirmam que a estiagem calamitosa no sudeste tem a ver com o desmatamento na Amazônia, o que vem provocando grande repercussão na sociedade.
O resultado das urnas gerou também uma infeliz polarização, chegando a ser proposto por alguns desinformados um separatismo entre o Norte/Nordeste e o Sul/Sudeste. Impossível para a nação e seria como – numa linguagem metafórica – separar o aparelho digestivo do aparelho respiratório no corpo humano.
Amazônia é importante sim para todo o país e permitir sua destruição com o desmatamento radical é como, literalmente, “matar a galinha dos ovos de ouro”. A região tem sido nos últimos 50 anos o “almoxarifado” do Brasil e do Mundo. Além de fonte de inúmeros produtos/serviços essenciais como energia, madeiras, minerais e alimentos, é a primeira vez que é reconhecida a sua importância como alimentadora de água para outras regiões, com certeza seu maior volume de exportação – mesmo ainda não quantificado – um dos mais importantes serviços ambientais da região, que necessita urgentemente ser reconhecido pela sociedade.
Considerando que na biomassa da floresta 50% é água, o desmatamento de 1 hectare equivale em média à eliminação sumária de 300.000 litros de água do processo natural conhecido como evapotranspiração (água que vai do solo, absorvida pelas raízes e liberada pelas folhas até a atmosfera), pois as árvores funcionam com uma “bomba” permanente de elevação de água para a atmosfera e a floresta em interação com o solo, como uma “esponja” gigantesca de retenção de umidade. Já perceberam que não há formação de neblina onde não há vegetação no entorno. Pois a neblina nada mais é que o “vapor” de água da evapotranspiração das plantas.
Então quando se aventar que a Amazônia tem a maior fonte de água potável do planeta não se pode pensar somente na escala do Rio Amazonas e seus tributários, mais também na enorme quantidade de água represada em sua floresta em permanente troca com a atmosfera na forma de vapor, que é deslocada para outros biomas ou regiões ao sabor dos ventos, formando as chuvas tão necessárias para alimentar sistemas como o de Cantareira em São Paulo, já no distante trópico de Capricórnio.
Ainda é tempo de reverter esse quadro que já começa a dar pistas do tamanho da calamidade – veja-se o caos da região sudeste em desconforto e prejuízos – estabelecendo como política para a Amazônia o desmatamento zero e recompondo grande parte das áreas já desmatadas com reflorestamento, com prioridade para as matas ciliares e as nascentes.
É mais econômico deixar por conta da natureza manter essas “corredeiras” naturais de vapor d’água entre a Amazônia e demais regiões que construir no futuro gigantescas adutoras em áreas desertificadas. Evitando-se o desmatamento, permitimos que a floresta amazônica continue como o “radiador” do Brasil, amenizando o clima e mais eficientemente ainda “condensando” água para outros sistemas hidrológicos interligados.

AMAZÔNIA LEGAL: DIAGNÓSTICO AMBIENTAL

IBGE mapeia potencial de agressividade climática na Amazônia

Com dados provenientes de 326 estações meteorológicas, coletados durante três décadas, além de informações da SUDAM e do IBGE, o mapa integra os estudos produzidos pelo Diagnóstico Ambiental da Amazônia Legal. Em escala de 1:5.000.000 (1cm = 50km), sua versão digital está disponível clicando aqui.
A reportagem foi publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, 18-11-2014.
IBGE apresenta o mapa do Potencial de Agressividade Climática na Amazônia Legal que integra os estudos produzidos pelo Diagnóstico Ambiental da região. Foram analisados dados provenientes de 326 estações climatológicas e pluviométricas do banco de dados do antigo Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE) e da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), coletados entre 1960 a 1990, além de informações do Atlas Climatológico da Amazônia Brasileira (SUDAM, 1984) e do acervo do Amazônia Legal.
O mapa conjuga a análise das variáveis climáticas, ajustadas às características do relevo e da cobertura vegetal da Amazônia Legal, que ameniza os efeitos do clima.
A partir da integração e análise de todas as variáveis foram estabelecidas três grandes classes de agressividade (alta, média e baixa), subdivididas em níveis (fatores), segundo a combinação dos elementos: índice de concentração de chuvas; números de meses com excesso, número de meses com deficiência e totais médios anuais de chuva (tabela abaixo).
O mapa está em escala de 1:5.000.000 (1cm = 50km) e sua versão digital, nos formatos pdf e shape, pode ser encontrada no portal do IBGE, clicando aqui.
Arquivos em formato shape também estarão disponíveis em breve, como geoserviços, na INDE (Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais).
 

AUMENTO DO DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA.

Fiquem atentos à divulgação do desmatamento de 2014, artigo de Marco Gonçalves

Publicado em novembro 19, 2014 por 
desmatamento

A divulgação da taxa oficial de desmatamento pelo Ministério do Meio Ambiente tem sido feita poucos dias antes das conferências anuais da Convenção da ONU sobre a Mudança do Clima – as chamadas COP (abreviação de conference of the parties), que ocorrem no final do ano. Em 2014, a vigésima COP do Clima está programada para o período entre 1o e 12 de dezembro, em Lima (Peru). Desta forma, a taxa oficial de desmatamento na Amazônia – estimada pelo INPE por meio do Prodes – dever ser divulgada antes do embarque da delegação do governo brasileiro para o encontro no país vizinho.
No ano passado, porém, alguns jornais denunciaram que a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, pretendia alterar esse padrão e fazer o anúncio da taxa de desmatamento de 2013 após a COP-19, realizada em Varsóvia (Polônia). Isso porquê, especulava-se, os dados do INPE apontavam um aumento expressivo no corte ilegal da floresta amazônica em 2013, algo entre 20% e 28%. Com o adiamento, o Brasil – que tem recebido loas mundo afora pelos resultados alcançados na redução do desmatamento na Amazônia – não enfrentaria o constrangimento de apresentar-se perante seus pares com uma notícia tão ruim.
A revelação dessa manobra (leia aqui) forçou a ministra a agendar uma coletiva de imprensa para 14 de novembro, um dia antes de seu embarque para Varsóvia. Na ocasião, a titular do Meio Ambiente negou que houvesse intenção de adiar o anúncio dos dados para depois do encontro internacional. Visivelmente irritada, divulgou que, após quatro anos em queda, a estimativa oficial para o desmatamento em 2013 era de 5.843 km2, um aumento de 28% em relação a 2012.
Redução da transparência recomenda atenção
Por um longo tempo, a produção e anúncio dos dados sobre o desmatamento na Amazônia foram cercados de sigilo, uma “caixa preta” à qual apenas alguns técnicos do INPE e do Ministério do Meio Ambiente, além de algumas autoridades federais, tinham acesso. Diante do estrago político e diplomático que as elevadas taxas de desmatamento causavam, sua divulgação era protelada por semanas.
A demanda de entidades civis, institutos de pesquisa e academia por um processo mais transparente resultou na adoção, a partir de 2005, de um protocolo de divulgação com datas razoavelmente cumpridas e dados abertos ao público, disponíveis na internet. No entanto, ao longo de 2014, o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama adotaram uma postura autocrática, manejando a divulgação dos dados do desmatamento – seja os dados periódicos do Deter, seja os dados consolidados do Prodes, referentes a 2013 – segundo suas conveniências.
Em um contexto de tendência de crescimento do desmatamento na Amazônia, detectado desde junho passado, o governo federal decidiu alterar as regras para a divulgação de dados do sistema Deter. Antes mensais ou bimestrais, dependendo da época do ano, a partir de agosto sua divulgação será trimestral, segundo decisão anunciada no início de novembro e publicada na página do INPE (veja aqui).
O descumprimento dos prazos de divulgação ao longo de 2014 e a tendência de aumento do desmatamento apontada tanto pelo sistema Deter, operado pelo INPE, quanto pelo Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), operado pelo Imazon, recomendam à imprensa e à sociedade ficarem atentos. Se o Prodes revelar que o desmatamento em 2014 aumentou pelo segundo ano consecutivo, não é desprezível a hipótese de que o Ministério do Meio Ambiente tente, mais uma vez, protelar sua divulgação para depois da Conferência do Clima. A rigor, nada impede que, para não ter que enfrentar críticas em um evento internacional, a ministra decida mudar também a rotina de divulgação da taxa oficial de desmatamento.
Marco Gonçalves é jornalista e editor do site Mídia e Desmatamento na Amazônia.
Artigo socializado pelo site Mídia e Desmatamento na Amazônia e reproduzido pelo PortalEcoDebate, 19/11/2014

PRÉ-SAL: QUAL A SITUAÇÃO?

Petrobras no fundo do poço profundo do pré-sal, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Publicado em novembro 19, 2014 
pré-sal

[EcoDebate] Uma das mitificações mais enganosas que surgiram na era do jeito petista de governar foi dizer que: “o pré-sal é o passaporte para o futuro do Brasil”. Foi com o marketing das promessas de riqueza das profundezas oceânicas que a candidatura Marina Silva foi desconstruída nas eleições de 2014, especialmente no Rio de Janeiro, pois os prefeitos, vereadores e afins ficaram com medo de perder as benesses dos royalties de uma “dádiva da natureza” que, por enquanto, ainda é uma miragem.
Com todo o respeito às opiniões divergentes, o pré-sal pode ser tudo, menos futuro. O uso do petróleo para alavancar a economia é coisa dos séculos XIX e XX, uma vez que o futuro pertence às energias renováveis. Já nas próximas décadas, o mundo precisa superar a dependência dos combustíveis fósseis por dois motivos: 1) estamos perto do Pico do Petróleo e os custos de extração dos hidrocarbonetos estão ficando muito caros; 2) o mundo precisa parar de emitir CO2, pois o efeito estufa está acelerando o aquecimento global provocando mudanças climáticas indesejadas que podem trazer danos irreversíveis ao Planeta.
A descoberta de indícios de petróleo no pré-sal foi anunciada pela Petrobras em 2006. Foi dito que o Brasil se tornaria exportador líquido de energia fóssil. Porém, oito anos depois das promessas mirabolantes, o Brasil continua importador de petróleo e derivados. Mesmo com a queda do preço do barril de petróleo no mercado mundial (de US$ 110 para menos de US$ 80), a Petrobras anuncia o aumento do preço da gasolina no país. Isto porque os investimentos no pré-sal não são rentáveis a este nível de preço no mercado internacional. Ou seja, os consumidores brasileiros vão pagar no presente, as promessas do paraíso futuro, paraíso este que pode ficar só no sonho (ou virar pesadelo). E o pior, este aumento de novembro é só o primeiro, pois outros aumentos virão, já que o rombo financeiro da empresa que já foi “orgulho nacional” é muito alto e não tem perspectivas de alívio.
A Petrobras está atolada em denúncias de corrupção e em dificuldades financeiras. A empresa se endividou (boa parte em moeda estrangeira) para bancar seu plano de investimento de mais de US$ 200 bilhões (além de algumas compras injustificáveis e investimentos caríssimos). Dizem que o “petróleo é nosso”, mas toda a produção do pré-sal vai ter que sair diretamente para pagar as dívidas com os credores internacionais, especialmente a China (país que está reprimarizando a economia brasileira, pois exporta produtos industrializados para nós e importa petróleo bruto e outras commodities tupiniquins). O Brasil está mergulhando em uma nova dependência internacional.
A Petrobras, com 0,9% das reservas mundiais de petróleo, tem valor de mercado de US$ 74,4 bilhões. A Exxon tem 0,8% e vale US$ 406 bi; a BP Corporation, com 0,9%, é cotada a US$ 129 bi; a PetroChina também tem 0,9% e vale US$ 232 bilhões. A PriceWaterhouseCoopers (PwC), auditora dos resultados financeiros da Petrobras, recusou-se a aprovar o balanço do terceiro trimestre de 2014 e exigiu mais investigações internas sobre o suposto esquema de desvio de dinheiro na estatal, segundo reportagem de O Estado de S.Paulo.
Na quinta feira – por coincidência, um dia 13 – a Petrobras informou que não apresentaria as demonstrações contábeis do terceiro trimestre de 2014 com o relatório de revisão dos seus auditores externos, no prazo previsto pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em comunicado enviado à CVM, a empresa afirma que “a companhia não está pronta para divulgar as demonstrações contábeis referentes ao terceiro trimestre de 2014 nesta data”.
Na sexta-feira (14/11), a Polícia Federal (PF) deflagrou a sétima fase da Operação Lava Jato, cumprindo mandados de prisão e busca e apreensão em diversos Estados. Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, 14 de prisões temporárias e seis de condução coercitivas. Uma das pessoas detidas pelos 300 agentes federais envolvidos na operação é o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque.
É claro que todas estas denúncias de corrupção desmoralizam e desvalorizam a Petrobras. Porém, desde as descobertas do pré-sal, não só os maus resultados operacionais, mas também as expectativas negativas sobre o futuro fizeram as ações da Petrobras caírem de um valor acima de R$ 60,00, em 2008, para R$ 13,50 na primeira semana de novembro de 2014. No dia 14/11 a queda se aprofundou, com os papeis sendo negociados abaixo de R$ 13,00. O tombo foi espetacular, só não se sabe se chegou ao fundo do poço. O certo é que os problemas são abissais.

queda das ações da Petrobras

Mas a questão não é apenas de gestão e de fraturas internas na direção da empresa. Os altos custos da exploração dos hidrocarbonetos são evidentes. As jazidas de petróleo da camada pré-sal estão distantes do litoral, abaixo de 2.000 metros d’água, 2.000 metros da camada de sal, 3.000 metros de pós e pré-sal e poços a mais de 7.000 metros de profundidade. O custo de extração é altíssimo. Os riscos financeiro e ambiental também. O fato é que o petróleo barato já foi extraído e queimado e os novos campos requerem muitos recursos e a Energia Retornada sobre a Energia Investida (EROEI) muitas vezes não compensa a exploração.
Quanto mais “pro-fundo” está o petróleo mais “pro-alto” vão os preços dos combustíveis. Assim, vamos torcer para que as promessas do “Brasil do Futuro” não fiquem atoladas no fundo do poço do fundo do mar. Enquanto isto, os consumidores brasileiros devem se preparar para novos e seguidos aumentos do preço da gasolina e do diesel, que, por sua vez, vão impactar também no preço dos fretes e no aumento do custo dos alimentos.
O preço do litro de gasolina no Rio de Janeiro está acima de R$ 3,00 em novembro de 2014. Com uma renda per capita muito mais elevada que a brasileira, a população do Canadá paga o equivalente a R$ 2,45 por litro e os cidadãos dos Estados Unidos pagam R$ 1,87 por litro de gasolina. Desta forma, dizer que a gasolina brasileira está barata e defasada é piada. O povo brasileiro já paga caro pelos combustíveis e o custo vai aumentar ainda mais, pois dificilmente a “riqueza” do pré-sal vai mudar esta pobre realidade.
Portanto, parece que as despesas para se obter o passaporte para a estrada que leva ao futuro vão ser cada vez mais caras e vão pesar no bolso dos 200 milhões de brasileiros.
Referências:
ALVES, JED. Ascensão e queda da civilização dos combustíveis fósseis. EcoDebate, RJ, 02/04/2014
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

Publicado no Portal EcoDebate, 19/11/2014

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

UDESC 2015/ GEOGRAFIA 16/11/2014

Questão 40

Analise as proposições sobre os fatores do clima.
I. Quanto maior a latitude, menores são as médias térmicas anuais.
II. Quanto maior a altitude, menor a temperatura.
III. As massas de ar são enormes bolsões de ar, que se deslocam pela superfície da Terra por
diferença de pressão. À medida que elas se deslocam vão se descaracterizando pela
influência de outras massas de ar com as quais trocam calor.
IV. A maior ou menor proximidade de grandes quantidades de água exerce forte influência não
só no comportamento da umidade relativa do ar, mas também no da temperatura.
V. O relevo influi na temperatura e na umidade do ar, ao facilitar ou dificultar a circulação de
massas de ar.
Assinale a alternativa correta.
A. ( ) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.
B. ( ) Somente as afirmativas I, II e V são verdadeiras.
C. ( ) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.
D. ( ) Somente a afirmativa IV é verdadeira.
E. ( *) Todas as afirmativas são verdadeiras.

Questão 41

O ponto mais alto do Brasil é o Pico da Neblina, localizado na Serra do Imeri, no estado (do)
(de):
A. (* ) Amazonas
B. ( ) São Paulo
C. ( ) Rio de Janeiro
D. ( ) Goiás
E. ( ) Minas Gerais

Questão 42
Analise as proposições em relação ao continente africano.
I. No relevo predominam os planaltos em escudos antigos.
II. O Norte do continente tem grandes restrições para o uso agrícola em razão da presença
de um enorme deserto.
III. As florestas se concentram na região equatorial do continente.
IV. A população se concentra nas zonas litorâneas do continente.
Assinale a alternativa correta.
A. ( ) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.
B. ( ) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras.
C. ( ) Somente as afirmativas I e III são verdadeiras.
D. ( ) Somente a afirmativa IV é verdadeira.
E. ( *) Todas as afirmativas são verdadeiras.

Questão 43

Analise as proposições sobre a composição da população catarinense.
I. É uma população predominantemente de etnia branca, devido às políticas migratórias de
“embranquecimento” da população estabelecidas durante o período do Império.
II. Atualmente, o estado catarinense é marcado pelo fenômeno da migração de retorno, ou
seja, populações de outros estados que vieram para cá estão retornando a seus estados
de origem.
III. Verifica-se, no estado catarinense, um processo de redução da taxa de natalidade,
provocado, entre outros fatores, pelo prolongamento do tempo de estudo dos jovens.
IV. A redução da taxa de natalidade, combinada com o aumento das taxas de mortalidade, é
responsável pela redução do crescimento vegetativo em Santa Catarina.
V. No estado catarinense, as taxas de imigração da última década superam as taxas de
emigração.
Assinale a alternativa correta.
A. (* ) Somente as afirmativas I, III e V são verdadeiras.
B. ( ) Somente as afirmativas I, II, III e IV são verdadeiras.
C. ( ) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.
D. ( ) Somente as afirmativas III, IV e V são verdadeiras.
E. ( ) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras.

Questão 44

A produção de alimentos segue uma série de possibilidades e limitações que vão desde as
condições pedológicas do clima e da cultura de um povo. A religião é um elemento cultural que
também interfere nos hábitos alimentares e, consequentemente, na produção de alimentos.
Numere as colunas, relacionando os costumes alimentares às seitas religiosas.

(1) Islamismo    (4 ) A restrição alimentar acontece em um período específico: a
                               quaresma.

(2) Budismo      (1 ) A ingestão de bebidas alcoólicas é proibida, assim como a de
                              carnes de suínos, cães, macacos e animais selvagens.

(3)Judaísmo      (2 ) Não há leis proibindo ou permitindo a ingestão de alguns alimentos.
                             A conduta alimentar varia entre as vertentes de acordo com os                                                                princípios práticos e filosóficos do grupo, embora haja grupos                                                                veganos ,que não consomem produtos animais, pelo princípio de não                                                    causar danos a outras vidas.
         
(4) Catolicismo             ( 3) Os mamíferos permitidos na alimentação precisam ruminar e ter
                                           unhas fendidas, por isso não é permitida a ingestão de carne de
                                           suínos e de camelos.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
A. ( ) 3 – 1 – 2 – 4
B. ( ) 1 – 4 – 2 – 3
C. ( *) 4 – 1 – 2 – 3
D. ( ) 4 – 2 – 3 – 1
E. ( ) 2 – 3 – 4 – 1

Questão 45

A República do Haiti é um pequeno país, que possui cerca de 10 milhões de habitantes, dos
quais a grande maioria negra. A língua oficial é o francês e o crioulo, e a capital chama-se Porto Príncipe. O quadro social do país é bastante precário, em 2014 os jornais noticiaram a busca dos haitianos por trabalho no Brasil. Assinale a alternativa que contém o nome do continente onde o Haiti se localiza.
A. ( ) América do Norte
B. ( *) América Central
C. ( ) Ásia
D. ( ) América do Sul
E. ( ) África

Questão 46

O ano de 2014 foi marcado por fortes conflitos entre a Rússia e a Ucrânia. Analise as
proposições sobre a Ucrânia.
I. Está politicamente dividida, com sua porção ocidental desejosa de estreitar laços com a
União Europeia e a porção oriental, com a Rússia.
II. Pelo país passam importantes gasodutos que transportam o gás natural da região do mar
Cáspio para a Europa, cujo controle interessa tanto à União Europeia quanto à Rússia.
III. Vem tentando se aproximar da Rússia desde 1991, quando deixou a União Europeia.
IV. Possui grandes extensões de solos muito férteis, sendo grande produtora de cereais.
V. Ainda padece dos efeitos da poluição radioativa, decorrente do acidente nuclear de
Chernobyl, em 1986.
Assinale a alternativa correta.
A. ( ) Somente as afirmativas I, II, III e IV são verdadeiras.
B. ( *) Somente as afirmativas I, II, IV e V são verdadeiras.
C. ( ) Somente as afirmativas II, III, IV e V são verdadeiras.
D. ( ) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.
E. ( ) Somente as afirmativas I e V são verdadeiras.

Questão 47
Assinale a alternativa correta em relação às características e à atuação das massas de ar
sobre o território brasileiro.
A. ( *) Massa tropical atlântica: quente e úmida, provoca chuvas no litoral das regiões
nordeste, sudeste e sul do Brasil.
B. ( ) Massa equatorial atlântica: quente e seca, responsável pelas secas periódicas na
região nordeste.
C. ( ) Massa equatorial continental: quente e úmida, é o maior mecanismo formador de
chuvas nas regiões sudeste e sul do Brasil.
D. ( ) Massa tropical continental: fria e seca, provoca chuvas convectivas no Brasil central.
E. ( ) Massa polar atlântica: fria e úmida, é a principal responsável pelas fortes chuvas em Santa Catarina, nos meses de verão.

Questão 48
Analise as proposições em relação à espacialidade da economia catarinense.
I. De colonização mais recente, a região oeste catarinense abriga a agroindústria,
principalmente de suínos e aves.
II. No planalto de Canoinhas predomina a indústria moveleira e a extração de erva-mate.
III. A região nordeste possui, além da indústria metal-mecânica, um dos mais importantes
portos catarinenses – o porto de Itajaí – localizado na cidade do mesmo nome.
IV. A atividade turística, presente em quase todo o território catarinense, tem nos meses de janeiro o maior destino concentrado no litoral, sobretudo em cidades como Florianópolis e Balneário Camboriú; e no mês de julho, para a serra catarinense, em função da
possibilidade da ocorrência de neve e pelos hotéis fazenda.
V. O carvão, que foi a atividade econômica mais importante da região Sul de Santa Catarina, entrou em declínio no Governo Vargas, dando lugar a uma economia mais diversificada,
com destaque para as indústrias cerâmica, vestuário, calçado, entre outras.
Assinale a alternativa correta.
A. ( ) Somente as afirmativas I, III e V são verdadeiras.
B. ( ) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.
C. ( ) Somente as afirmativas I, II e V são verdadeiras.
D. ( ) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.
E. ( *) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.

Questão 49
Um dos grandes problemas da atualidade é a produção de lixo. Analise as proposições que
representam a redução de impactos ambientais.
I. Aumentar o tempo da obsolescência programada, isto é, a indústria aumenta a vida útil dos produtos.
II. Aumentar o uso do correio eletrônico, diminuindo com isso o uso de papéis em cartas,
memorandos, etc.
III. Facilitar e estimular a prática dos brechós, aumentando o reaproveitamento de roupas e objetos de utilidade doméstica, de decorações, alongando assim a vida útil de diversos
produtos.
IV. Aumentar a reciclagem de latas, vidros e outros materiais passíveis de reaproveitamento.
V. Reaproveitar a água das chuvas para lavação de roupas, calçadas, carros e vasos
sanitários.
Assinale a alternativa correta.
A. ( ) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.
B. ( ) Somente as afirmativas I, IV e V são verdadeiras.
C. ( ) Somente a afirmativa V é verdadeira.
D. ( ) Somente a afirmativa I é verdadeira.
E. (* ) Todas as afirmativas são verdadeiras.

Questão 50
O setor agropecuário é responsável por grande parte do PIB brasileiro, comportando a
produção para o consumo interno e para a exportação. Numere a coluna, relacionando o
cultivo descrito a sua característica.

(1) café                   ( 2) produção marcante sobre extensas áreas do oeste paulista,
                                   predominantemente em grandes propriedades e em latifúndios.

(2) cana-de-açúcar ( 3) importante cultivo de exportação brasileiro, as maiores regiões
                                   produtoras concentram-se nos estados do Mato Grosso e do
                                  Paraná.

(3) soja                   (4 ) tradicional cultivo no Rio Grande do Sul, hoje também marcante
                                     no interior da região nordeste do Brasil.

(4) uva                   (1 ) cultivo marcante no estado de Minas Gerais, sendo o Brasil o
                                    maior produtor mundial.

(5) trigo                ( 5 ) importante cultivo nos estados do Rio Grande do Sul, Santa
                                   Catarina e Paraná, sendo o Brasil ainda importador.

A sequência correta é, de cima para baixo.
A. ( ) 1 – 2 – 4 – 5 – 3
B. ( ) 4 – 3 – 1 – 5 – 2
C. (* ) 2 – 3 – 4 – 1 – 5
D. ( ) 3 – 4 – 2 – 1 – 5
E. ( ) 5 – 3 – 2 – 1 – 4

Fonte : UDESC Vestibular