quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

COMO APROVEITAR O LIXO ORGÂNICO ?

Como aproveitar o lixo orgânico?

Publicado em janeiro 28, 2015 
Você sabia que o Brasil produz cerca de 150 mil toneladas de lixo por dia? E que menos da metade, 13%, é reciclado ou aproveitado como lixo orgânico? Preocupados com essas informações do Ministério do Meio Ambiente, resolvemos dividir com você uma dica de como aproveitar o lixo orgânico por meio da compostagem.
Mas antes, vamos lembrar: reciclagem é o processo em que determinados tipos de materiais, como latinhas de refrigerante e garrafas pets, entre outros, são reutilizados como matéria prima para a fabricação de novos produtos.
Já lixo orgânico é todo resíduo que tenha origem vegetal ou animal, produzido nas residências, escolas, empresas e pela natureza. A compostagem transforma o lixo orgânico em adubo e pode ser feita em casa. Há dois tipos de compostagem: a tradicional, feita apenas com a decomposição do material orgânico, e a feita com minhocas, conhecida como minhocasa.
Que tal aprendermos a fazer a compostagem tradicional? Peça ajuda de um adulto e vamos lá!
Você vai precisar de:
1 pote de sorvete, uma lata de tinta ou um balde
1 bacia rasa
Matéria seca: papelão, cascalho de árvore, serragem, folhas secas, aparas de grama e/ou palha de milho
Material úmido: resto de leite, filtro de café usado, borra de café, cascas de frutas, sobras de verduras e legumes e/ou iogurte
Luvas
O que você não pode usar:
Restos de comida temperada com sal, óleo, azeite ou qualquer tipo de tempero
Frutas cítricas em excesso, por causa da acidez
Esterco de animais domésticos, como gato e cachorro
Madeiras envernizadas, vidro, metal, óleo, tinta, plásticos, papel plastificado
Cinzas de cigarro e carvão
Gorduras animais (como restos de carnes)
Papel de revista e impressos coloridos, por causa da tinta
1º Passo
Com ajuda de um adulto, pegue o pote ou a lata e perfure o fundo. Você pode fazer isso manualmente, variando o tamanho dos buracos. É por eles que o chorume (líquido eliminado pelo material orgânico em decomposição) vai passar.
2º Passo
Coloque a bacia rasa embaixo do recipiente em que ficará o material orgânico, é ela que vai “recolher” o chorume. Ela não pode ficar em contato direto com a lata ou o pote, pois o chorume deve ter um espaço para escorrer. Use pedaços de tijolo ou algo que sirva de calço, para colocar a lata e deixá-la um pouco mais “alta” em relação à bacia.
Observação: a compostagem até pode ser feita em contato direto com o solo, mas neste caso o terreno deve ter boa drenagem e ser inclinado, para que o chorume não acumule em um local só.
3º Passo
A compostagem caseira não significa que o lixo pode ser jogado de qualquer jeito, um em cima do outro e pronto, está feito. É necessário colocar de forma adequada os resíduos orgânicos, formando camadas. Coloque um por um os materiais.
O que regula a ação dos microorganismos que vão decompor o material é a proporção de nitrogênio (material úmido – o lixo em si) e carbono (material seco – papelão, folhas secas, aparas de grama,etc). Essa relação deve ser de três para um. Ou seja, uma camada de nitrogênio para três camadas de carbono. Se a relação for diferente desta, não significa que não ocorrerá o processo de compostagem, apenas que vai levar mais tempo.
4º Passo
Depois dos passos anteriores, é necessário esperar alguns dias para que as ações aconteçam. A primeira fase é a decomposição, que dura em média 15 dias na compostagem doméstica. Durante esse tempo não é necessário mexer. Depois desses 15 dias é que essas “mexidas” podem ser feitas. Com um “garfo de jardim” ou trocando o material de lugar – para uma outra lata, por exemplo.
O tempo para ter o adubo final varia em função da quantidade de lixo usado e pela forma como a compostagem é feita. É possível chegar ao final do processo em 2 ou 3 meses. O indicativo de que o húmus (adubo) está pronto é quando a temperatura do composto se estabiliza com a temperatura ambiente. Para saber, use os sentidos: a cor é escura, o cheiro é de terra. E, quando o esfregamos nas mãos, elas não ficam sujas.
Fonte: Turminha MPF/ EBC
Publicado no Portal EcoDebate, 28/01/2015

O que Dilma não disse, mas poderia falar sobre a crise hídrica.

O que Dilma não disse, mas poderia falar sobre a crise hídrica

"Neste momento em que a crise hídrica impacta uma população estimada de 46 milhões de brasileiros, qualquer manifestação propositiva da maior autoridade da República seria muito bem-vinda", escreve André Trigueiro, jornalista, em artigo publicado no Portal G1, 26-01-2015.
Eis o texto.
"Minhas amigas e meus amigos,
Como se sabe, o Brasil vem enfrentando uma das piores estiagens de sua história, especialmente na região Sudeste, a mais rica e populosa do país.
Acompanhamos de perto a evolução dos acontecimentos nos estados e municípios castigados pela seca, sempre respeitando a autonomia federativa que confere a governadores e prefeitos, dependendo da localidade, a gestão dos recursos hídricos.
De nossa parte, monitoramos a situação dos rios federais que atravessam mais de um estado, como é o caso doParaíba do Sul, que corta os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Apesar de o país dispor de uma Lei Nacional de Recursos Hídricos, da Agência Nacional de Águas, dos Comitês de Bacias Hidrográficas e de outros instrumentos de gestão e governança, este governo entende que é preciso fazer mais. Nesse sentido, a atual crise hídrica representa uma excelente oportunidade para avançarmos ainda mais na direção de um modelo mais inteligente e eficiente de gerenciamento de recursos hídricos.
Decidimos, portanto, tomar as seguintes providências:
- Estou instituindo um Conselho de Notáveis com os mais prestigiados hidrologistas, cientistas e representantes das mais importantes instituições de pesquisa e universidades brasileiras (com pessoas de todos os estados) para que possam instruir o governo sobre como tornar o Brasil não apenas o país com o maior volume de água doce superficial de rio do mundo, mas também o mais eficiente no uso dessa água. Nosso compromisso é o de ampliar este debate com consultas públicas e trabalhar pela implementação das medidas sugeridas ainda este ano.
- Instruí o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, a convocar representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Agência Nacional de Águas (ANA) para que reapresentem as críticas formuladas por essas instituições contra o novo Código Florestal, no que se refere aos riscos que ele representaria às bacias hidrográficas. Em se confirmando que as alterações aprovadas pelo Congresso no texto original dessa lei carecem de estudos devidamente embasados sobre o seu impacto na resiliência dessas bacias, meu compromisso é o de mobilizar todos os esforços possíveis no sentido de reabrir o debate e, se for o caso, defender uma nova mudança na legislação.
- Ordenei ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que apresente no prazo de uma semana propostas de novos estímulos fiscais a produtos e serviços que promovam a drástica redução do consumo de água e energia nos mais diversos setores da economia. É preciso elevar os parâmetros já existentes e apoiar quem já investe em inovação.
- Determinei à ministra da Agricultura Kátia Abreu que realize um amplo levantamento das técnicas mais eficientes no uso de água pelo setor agrícola. Aproximadamente 70% das águas doces em nosso país são usadas nas lavouras, nem sempre com o devido cuidado ou orientação. O Brasil não pode continuar promovendo o uso perdulário de água nas irrigações com a utilização de pivô central, aspersores ou culturas de inundação, para citar apenas alguns exemplos de técnicas que já estão sendo abandonadas em muitos países. Há muito o que se avançar neste setor e pretendo ainda neste governo condicionar a concessão de crédito agrícola à eficiência no consumo de água no campo.
- Encomendei ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro, um estudo identificando quais os empreendimentos que mais consomem energia elétrica hoje no país. Nossa intenção é condicionar a liberação de recursos públicos, via Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou outros órgãos de fomento públicos, à apresentação de planos que confirmem a disposição desses setores em serem exemplos de eficiência e inovação.
- Declaro que este governo apoiará ostensivamente a ampla disseminação da água de reúso em todo o território nacional. Instruí o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu, a realizar os esforços necessários para a tão esperada regulamentação técnica da água de reúso, definindo seus parâmetros e características para que não haja mais nenhuma hesitação do mercado em investir nessa direção. Queremos apoiar todas as atividades que utilizem água de reúso em suas rotinas.
- É nosso desejo que todas as companhias públicas ou privadas de água e esgoto no país sejam mais eficientes. Não é possível que registremos em média 37% de perdas de água potável nas redes, desperdiçando preciosos recursos públicos. Para estimular a maior eficiência do setor, pretendemos condicionar a liberação de recursos federais à redução dessas perdas no sistema. Acertaremos caso a caso quais são as metas possíveis e aplicaremos as novas regras de financiamento.
- Este governo deverá encaminhar ao Congresso, logo após a votação para a Presidência da Câmara e do Senado, um projeto de lei determinando a criação de linhas especiais de crédito para todas as construções que sejam comprovadamente eficientes no consumo de água e energia elétrica, e que possuam certificações reconhecidas internacionalmente.
Encerro meu pronunciamento reconhecendo que esta terrível estiagem nos estimula a sermos ainda mais propositivos na Conferência do Clima, que terá lugar em dezembro em Paris. Infelizmente, ao que tudo indica, eventos extremos como esse poderão ser tornar cada vez mais frequentes em função das mudanças climáticas. Mas é meu dever, enquanto Chefe de Estado da maior potência "mega biodiversa" do planeta, preparar o país para qualquer um dos cenários previstos pelos cientistas. Sinto-me pronta para esta missão.
Convoco todos os brasileiros a unirem forças em favor das nossas águas – o bem mais precioso e indispensável à vida, sem o qual nenhuma atividade humana é possível – que a natureza generosamente nos proporcionou e que mantêm o Brasil em condição ainda invejável perante o mundo neste século XXI.
Boa noite."
OBS: A Presidente Dilma não escreveu esse discurso. Mas neste momento em que a crise hídrica impacta uma população estimada de 46 milhões de brasileiros, qualquer manifestação propositiva da maior autoridade da República seria muito bem-vinda.
Fonte : Instituto Humanitas U isinos

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

AMEAÇA DE SECA NI SISTEMA CANTAREIRA.

Sob ameaça de seca do Cantareira, especialistas defendem medidas de curto prazo

Publicado em janeiro 26, 2015  
Sistema Cantareira pode secar em quatro meses, caso as chuvas continuem abaixo da média. Foto: Divulgação/Sabesp 
A possibilidade de o Cantareira, maior reservatório de água da região metropolitana de São Paulo, secar no início de junho, levanta questionamentos sobre o que ainda pode ser feito pelo Poder Público em um prazo tão curto. Especialistas entrevistados pela Agência Brasil estão pessimistas quanto a soluções imediatas para a crise e reforçam a necessidade de ampliar a economia de água. A maior parte das medidas apontadas, algumas já adotadas pelo governo estadual, dependem de investimentos e levam tempo para ficar prontas. A projeção de esgotamento, feita pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), aponta que esse cenário é possível caso as chuvas continuem 50% abaixo da média e a captação se mantenha nos níveis atuais.
“Sinceramente, não há o que fazer para substituir de imediato o Cantareira. É um sistema muito grande que tem participação significativa no fornecimento de água para São Paulo”, avaliou o geólogo Pedro Luiz Côrtes, professor da área ambiental da Universidade de São Paulo (USP) e do Mestrado em Gestão Ambiental da Universidade Nove de Julho. De acordo com ele, antes da crise hídrica, o Cantareira era responsável por fornecer 33 metros cúbicos por segundo (m3/s) dos 71 m3/s consumidos na região metropolitana de São Paulo. Atualmente, a vazão está em 17 m3/s. Apesar da redução, essa quantidade ainda é maior do que a que tem entrado no manancial.
Para o professor, a crise hídrica, que já provoca falta d’água em diferentes regiões da capital, está só no começo. “Se deixarmos de contar com a água do Cantareira e do Alto Tietê [segundo maior reservatório, que também registra níveis críticos], vamos perder mais de 50% da água que era utilizada para abastecimento da região metropolitana de São Paulo”, estimou. Ele aponta que isso trará consequências importantes para a vida da população. “Não só na qualidade de vida, mas na geração de empregos, na atividade econômica do comércio. Isso poderia ter sido evitado com um planejamento mais adequado”, avaliou.
Em relação às alternativas para o abastecimento, Côrtes apontou a retirada de água subterrânea. “A Sabesp [Companhia Estadual de Saneamento Básico] já vem buscando essa opção, os chamados poços artesianos. Mas não é possível substituir um manancial usando somente essa água”, apontou. A companhia não informou quanto capta com este recurso atualmente. A represa Billings, que tem tamanho similar ao Cantareira e está com mais de 50% da capacidade, também tem sido apontada como opção. “Mas tornar a Billings uma alternativa real demanda investimento muito significativo em captação, estação de tratamento, interligação à rede. Isso leva alguns anos”, declarou.
O uso da Billings também é defendido por entidades que formam a articulação Aliança pelas Águas. Marussia Whately, uma das coordenadoras da organização, alerta para a necessidade de rever a utilização desta represa. Ela acredita que, além de dar mais segurança hídrica ao estado, a iniciativa iria ajudar a construir um modelo mais sustentável de abastecimento. “Avançar no uso da Billings como um manancial de abastecimento seria uma solução mais sustentável de cuidado com a água. Vamos recuperar uma represa que já existe, usar uma fonte de água ao lado da cidade e não gastar bilhões para construir novas represas em locais distantes.”
Como ações de curto prazo, o Aliança pelas Águas, grupo criado no ano passado para buscar soluções para a crise hídrica, propõe medidas como campanhas de esclarecimento, envolvimento da sociedade e das prefeituras na gestão da crise, proibição e penalização de usos abusivos da água, manutenção dos incentivos na conta para quem economiza, redução de perdas no sistema de distribuição e criação de programas e ações para recuperação das áreas degradadas dos mananciais.
Outra medida apontada pelo professor da USP é a ampliação da captação de outros sistemas, como o Guarapiranga. Mas há um limite nessa interligação. “É preciso construir a infraestrutura para fazer captação e tratamento dessa água, porque estamos buscando alternativas para um sistema que é responsável por grande parte da região metropolitana”, explicou. Ele destaca, no entanto, que para aumentar a retirada de um manancial é necessário fazer estudos ambientais. “Até que ponto o Guarapiranga poderia suportar, porque a recuperação do Cantareira pode demorar muitos anos.”
O professor de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Escola Politécnica da USP, José Carlos Mierzwa, não vê muitas possibilidades para amenizar a crise que não seja a diminuição do consumo. Entre as alternativas para que se amplie a economia de água, ele propõe a substituição dos equipamentos hidráulicos por versões mais eficientes. “Isso possibilitaria [uma redução] em curto prazo, se houvesse campanha de incentivo por parte do governo, por meio de redução de imposto”, propôs. Ele cita, como exemplo, os vasos sanitários que possuem dois acionamentos de descarga, com menor ou maior vazão. Mierzwa estima que a economia é de aproximadamente 30%.
Sobre o aproveitamento de água da chuva, ele alerta que só é indicado usá-la em áreas em que não há risco de contaminação. “Descarga de bacia sanitária, lavagem de piso”, exemplificou. A água de reúso, com tratamento de água do sistema de esgoto, está sendo feita pelo governo estadual como alternativa para o abastecimento. “A questão que deveria ser priorizada, além de eventuais obras para trazer mais água, é investir seriamente em tratamento de esgoto”, defendeu. Segundo o professor, a capacidade de tratamento das estações hoje é de aproximadamente 30%. “Teria que investir em novas tecnologias para ampliar a capacidade das estações, produzir uma água melhor e recuperar a qualidade dos rios”, propôs.
Por Camila Maciel, da Agência Brasil.
Publicado no Portal EcoDebate, 26/01/2015

CRISE : ÁGUA E ENERGIA.

Água e Energia: Especialista diz que população terá de conviver com algum tipo de racionamento

Publicado em janeiro 26, 2015 
falta de água
Foto: Mídia Ninja / EBC
O coordenador do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (Ivig), do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), Marcos Freitas, afirmou, no sábado (23), que a crise de energia e de água “chegou ao país”. Segundo ele, a consequência é a população brasileira ter de conviver com algum tipo de racionamento,
Diferentemente de 2001, quando a crise de energia marcou o início de funcionamento da Agência Nacional de Águas (ANA), hoje as empresas do setor elétrico não têm dinheiro para ações emergenciais. Conforme Freitas, a situação é delicada, porque antigas usinas hidrelétricas estão deficitárias e precisam de modernização.
Para o técnico, de 2001 até hoje, o setor elétrico dotou-se de um sistema térmico que não existia. Na época, a geração hídrica representava 85% da capacidade. O restante era geração térmica. Atualmente, 60% são de fonte hídrica e o restante, térmica. “Houve investimento na geração térmica, o que é bom para aguentarmos o período seco. Naquele ano, éramos limitados em relação à geração térmica.”
Marcos Freitas afirmou que, este ano, haverá necessidade de racionamento de energia elétrica no Brasil e de água em algumas regiões, especialmente no Grande Rio e na Grande São Paulo, atingindo aproximadamente 30 milhões de pessoas.
Conforme Freitas, o racionamento deveria ter ocorrido no ano passado, “seja na troca de energia entre bacias transfronteiriças, caso de trazer energia da Argentina ou do Paraguai, ou na otimização dos recursos brasileiros, principalmente nos sistemas urbanos de abastecimento. Isto é segurança hídrica. É mais delicado que a falta de energia”, acrescentou.
Segundo ele, 2015 está começando com 18% de capacidade dos reservatórios no Sudeste eCentro-Oeste, contra 35% a 40% no início da crise energética. “Naquele ano, não tínhamos tanta térmica como agora”. Ele acredita que isso gerará impacto em um ano difícil para a economia. “Teremos de conviver com um custo de energia mais elevado e com algum regime de racionamento, que acaba sendo impositivo”.
O coordenador do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais explicou que ausência de planejamento gera blecautes e falta de energia, que é “muito mais perigoso que um racionamento”, porque pode atingir serviços essenciais como hospitais e transportes coletivos. Ele lembrou que, na crise de energia dos anos 2000, estudos indicaram retração da economia entre 0,5% e 1% do Produto Interno Bruto, que é a soma dos bens e serviços fabricados no país.
Freitas informou que outro agravante é o crescimento da agricultura de irrigação em várias regiões brasileiras, principalmente em São Paulo, aumentando o consumo de água dos rios. Em 2004, a área de irrigação equivalia a até 3,5 milhões de hectares no país. Hoje, supera 6 milhões de hectares.
Apesar de pequena em comparação com a agricultura de sequeiro (de chuva), em torno de 100 milhões de hectares, Freitas ponderou que a expansão da agricultura de irrigação tira o consumo de água dos rios e aumenta a competição com a geração hidrelétrica e com o abastecimento de água nas cidades.
De acordo com ele, a cultura que usa irrigação é a da cana-de-açúcar. Ele destacou que as hidrelétricas construídas após 2001/2002 são obrigadas a ter outorga de disponibilidade hídrica (oferta de água), além do potencial hidráulico, “mas são poucas”.
As usinas do Sudeste já estavam construídas e não têm outorga. Segundo Freitas, essa variável não é avaliada, o que aumenta o consumo de água de irrigação na agricultura e acelera a seca nos reservatórios.
Por Alana Gandra, da Agência Brasil.
Publicado no Portal EcoDebate, 26/01/2015

A VARIABILIDADE CLIMÁTICA NO SUDESTE.

"Adaptação às mudanças climáticas deve ser uma prioridade de política pública", afirma Carlos Nobre

O renomado climatologista Carlos Afonso Nobre está muito preocupado com a crise hídrica. No Sudeste, para que a estação chuvosa janeiro-março fique na média histórica, seria preciso chover 60% a 80% mais que o usual nos dois meses que faltam.
O problema é que não há como prever se isso vai ocorrer. No ano passado, o bloqueio atmosférico (massa de ar que impede a entrada de umidade) durou até meados de fevereiro. A boa notícia é que, neste janeiro de 2015, ele foi rompido pela frente fria dos últimos dias --mas nada impede a sua volta.
As condições do Sudeste, afirma, fazem dele uma região de baixa previsibilidade para secas e chuvas, mesmo na escala de semanas.
Secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação,Nobre se encontra na posição desconfortável de ser um destacado estudioso da mudança do clima com funções executivas num ministério em que o titular (Aldo Rebelo) já pôs o fenômeno em dúvida. Evita tratar do assunto, porém, por ter convivido pouco com o novo ministro.
De todo modo, Nobre não abandona a prudência científica. "É difícil atribuir ao aquecimento global um extremo climático como as secas do Sudeste", afirma nesta entrevista, concedida por escrito.
A impossibilidade de se relacionar diretamente a mudança climática a episódios específicos não significa, porém, que governos não devam se preparar para o aumento de eventos extremos causado por ela, diz Nobre em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, 26-01-2015.
Eis a entrevista.
O verão 2013/14 foi o mais seco em 62 anos no Sudeste, em especial na bacia que alimenta o Cantareira. Já é possível avaliar se o de 2014/15 irá superá-lo ou igualá-lo?
Ainda não, pois fevereiro e março são meses da estação chuvosa. De qualquer maneira, para que a estação chuvosa no Sudeste se encerrasse dentro da média histórica, as chuvas em fevereiro e março deveriam ficar de 60% a 80% acima da média.
Até novembro e dezembro de 2013, as previsões sazonais não haviam sido capazes de indicar a estiagem que viria em janeiro de 2014.
De fato, não há quase nenhuma previsibilidade para a região Sudeste e Centro-Oeste quando se trabalha com uma escala de meses. Tal região não está entre os locais do planeta com previsibilidade climática sazonal, como o norte do Nordeste, partes da Amazônia e Sudeste da América do Sul (centro-leste da Argentina, Uruguai e Paraguai, e sul do Brasil).
A variabilidade climática no Sudeste é fortemente influenciada por frentes frias e por fenômenos atmosféricos de grande escala, como os bloqueios, que geram os veranicos [com estiagem] no meio da estação chuvosa, que são difíceis da prever. Isso aumenta o nível de incerteza na gestão dos recursos hídricos.
Isso vale para a maior parte do Brasil?
No semiárido do Nordeste, as previsões de secas com antecedência de alguns meses têm alto índice de acerto, quase 80%, e são forma importante para políticas de mitigação dos impactos das secas. Para a estação chuvosa principal do semiárido, de fevereiro a maio deste ano, as previsões indicam risco de chuvas abaixo da média, um quadro de continuidade do deficit hídrico de vários anos.
No caso da Amazônia, é significativo o risco de grandes incêndios florestais, como em 1998 em Roraima?
Para o norte da Amazônia, especialmente Roraima, as chuvas dos últimos meses têm estado um pouco abaixo da média histórica, e fevereiro e março são meses do período mais seco do ano. A principal explicação para chuvas abaixo da média no norte da Amazônia é o El Niño [superaquecimento das águas do Pacífico que aquece a atmosfera], ainda que o episódio atual seja considerado fraco e deva se enfraquecer-se nos próximos meses. Não se espera uma seca tão intensa em Roraima como foi aquela de 1997-98, reflexo do mega-El Niño ocorrido então.
Em janeiro de 2014, o bloqueio atmosférico permaneceu até meados de fevereiro. Com a frente fria que chegou a SP nesta quinta-feira (22), pode-se dizer que o pior já passou?
Como disse, prever bloqueios atmosféricos com semanas de antecedência não é factível. Mas, de fato, a situação a partir da chegada de uma fraca frente fria ao Sudeste nos últimos dias é diferente daquela de janeiro e fevereiro de 2014.
A repetição em 2014 e 2015 de condições de estiagem grave, ao menos no Sudeste, pode ter relação com o aquecimento global? Afinal, 2014 foi declarado pela Nasa e pela Noaa o mais quente já registrado. Qual é a chance de que seja apenas uma coincidência?
O fato de que as observações globais indicam a continuidade da tendência de aquecimento global, com 2014 sendo o ano com a mais alta temperatura à superfície desde 1860, é algo bem esperado, em razão da crescente quantidade de gases do efeito estufa na atmosfera. Por outro lado, é bem mais difícil atribuir ao aquecimento global um extremo climático como as secas do Sudeste. São necessários estudos com modelos climáticos globais complexos, nos quais se simula o clima com e sem os aumentos dos gases-estufa.
Além disso, sempre é necessário estabelecer quais são os mecanismos físicos para a mudança. No caso de bloqueios atmosféricos, envolveria entender mecanismos complexos. Como a propagação de ondas atmosféricas de milhares de quilômetros está respondendo ao aquecimento global? Trata-se de uma tarefa cientificamente bastante desafiadora.
Como se explica que reservatórios relativamente próximos, como Guarapiranga/Billings e Cantareira tenham comportamento tão díspares?
Em anos de bloqueios atmosféricos grandes sobre o Sudeste, toda a região apresenta chuvas abaixo da média. O efeito de ilha urbana de calor [afetadas pela temperatura mais elevada da cidade, massas úmidas de passagem viram tempestades], porém, atua para fazer com que os deficits sobre a região metropolitana de São Paulo sejam menores do que em regiões vizinhas, como o Cantareira.
Por outro lado, mesmo excetuando fenômenos de grande escala como os bloqueios, observa-se uma diminuição relativa das chuvas sobre o Cantareira nas últimas décadas e um aumento das chuvas sobre a cidade. Hipoteticamente, esse efeito de longo prazo pode estar relacionado com a ilha urbana de calor, mas estudos em andamento precisarão comprovar, ou não, essa hipótese.
O governo federal já trabalha com a hipótese de que a Grande São Paulo chegue a um estado de calamidade pública, com esgotamento completo do sistema Cantareira, por exemplo?
Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) desenvolveu um modelo hidrológico para o sistema Cantareira e instalou, em abril e maio de 2014, 33 pluviômetros automáticos para melhorar o monitoramento das chuvas sobre as bacias de captação. Como não é factível prever hoje as chuvas em fevereiro e março, pode-se apenas traçar cenários. No caso de continuidade de chuvas abaixo da média nesses meses, de fato há risco de o reservatório não ter condições de manter o abastecimento nos níveis atuais.
O que o poder público deve fazer no médio e no longo prazos para prevenir a repetição dessa situação limítrofe? Diria que se trata do principal problema no campo da adaptação à mudança do clima?
Adaptação às mudanças climáticas deve ser uma prioridade de política pública. Hidrólogos devem incorporar o fato de que os extremos climáticos estão se tornando mais frequentes e, em muitos casos, mais intensos. Em outras palavras, as séries históricas de observações hidrológicas não podem mais ser consideradas estacionárias. O planejamento da utilização dos recursos hídricos deve levar em conta isso. A atual crise hídrica já está tendo um impacto em demonstrar que o Brasil precisa urgentemente buscar desenvolver sistemas e infraestruturas resistentes ao aumentos dos extremos climáticos.
Qual é a sua avaliação da Conferência de Lima e sua expectativa com relação a Paris, em dezembro?
Lima trouxe progressos incrementais. Embora exista a expectativa de algo maior em Paris, creio que seja realista não esperar uma revolução. Além disso, é preocupante a relativa diminuição recente dos preços dos petróleo e gás: se persistir, irá causar um inevitável aumento das emissões de gases do efeito-estufa.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

RACIONAMENTO DE ÁGUA.

Crise se agrava e os três principais Estados do país cogitam racionar água

Depois de São Paulo, agora é a vez das autoridades de Minas Gerais e do Rio de Janeiro admitirem oficialmente que já há planos de racionamento de água nos dois Estados. Com o agravamento da crise hídrica na região Sudeste, o coração econômico do país, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, afirmou que o Brasil também enfrentará “problemas graves” no fornecimento de energia, inclusive um possível racionamento, se os reservatórios das principais hidrelétricas do país ultrapassarem o limite mínimo “prudencial” de 10% de armazenamento de água. Braga participa de uma reunião com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, na tarde desta sexta-feira, para discutir a crise no setor.
A reportagem é de Heloísa Mendonça, publicada pelo jornal El País, 23-01-2015.
Em Minas Gerais, a presidenta da Copasa (Companhia de Saneamento de MG), Sinara Meireles Chenna, disse que a situação dos reservatórios no Estado está “crítica”. Ela alertou, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira, que Minas pode ficar sem água dentro de quatro meses caso não chova ou a população não diminua o consumo em até 30%. “Se todo mundo continuar gastando o que estamos gastando, em quatro meses já não teremos mais nada. É preciso racionar água”, afirmou.
Nesta sexta-feira, a Copasa irá encaminhar ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) uma declaração da situação de escassez, que, caso seja aprovada, permitirá a empresa adotar mecanismos como racionamento de abastecimento e multas ou sobretaxas para os consumidores que abusarem da utilização da água.
No Rio, o secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, afirmou que o Estado enfrenta a pior crise hídrica da região dos últimos 84 anos. Em entrevista à TV Globo nesta sexta-feira, Corrêa disse que a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) já tem um plano de racionamento de água, caso seja necessário. O nível do reservatório doParaibuna, o maior dos que abastecem o Rio de Janeiro, atingiu o volume zero pela primeira vez, desde a época que começou a ser feito. Segundo técnicos da secretaria, o volume morto pode durar, pelo menos, mais seis meses.
Após as declarações do secretário, o governador do Estado, Luiz Fernando Pezão, enfatizou que o Rio não deve enfrentar racionamento. De acordo com o jornal O GloboPezão afirmou que o Estado poderá suportar além do período da seca, mas reiterou que a população precisa contribuir com a economia de água. Ainda de acordo com a publicação,Pezão disse também que a tarifa de água não vai aumentar, uma vez que a Cedae já sinalizou que não há necessidade.
Racionamento de energia
Preocupado com a seca que assola a região Sudeste, o ministro Eduardo Braga admitiu que um racionamento de energia elétrica será decretado caso o nível dos reservatórios chegue ao limite chamado de "prudencial", estabelecido em 10%. Ele destacou, no entanto, que o Brasil está longe deste cenário.
"Mantido o nível que nós temos hoje dos reservatórios, nós temos energia para abastecer o Brasil. É óbvio que, se tivermos mais falta de água, se passarmos do limite prudencial de 10% nos nossos reservatórios, aí estamos diante de um cenário que nunca foi previsto em nenhuma modelagem”, afirmou.
Segundo os dados mais recentes publicados pelo site Operador Nacional do Sistema (ONS), os reservatórios no Sudeste/Centro-Oeste, os mais importantes para geração hídrica no país, estão em 17,43%.
Nenhum reservatório de hidrelétrica pode funcionar com menos de 10% de água. Ele tem problemas técnicos que impedem que as turbinas funcionem. Portanto não é no Sudeste. É em qualquer lugar", destacou.
Braga se reuniu com o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, nesta quinta-feira para tratar o assunto. "Estamos também muito preocupados com a situação hidrológica. Inclusive amanhã [nesta sexta-feira] teremos uma reunião na casa Civil com a ANA (Agência Nacional de Águas), o Ministério do Meio Ambiente, de Ciência e Tecnologia e outros, porque o nível hidrológico chegou a níveis mínimos em várias regiões", explicou.
Os reservatórios no Nordeste estão com 17,18% e os do Norte com 35,2%. Apenas a região Sul apresenta indicadores melhores, com 67,17%, de acordo com a ONS.
Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

PAÍSES EM QUEDA MUNDIAL EM SEU PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB).

Argentina, Brasil e América Latina perdem posição relativa no PIB mundial, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Publicado em janeiro 21, 2015 
participação do pib da américa latina

[EcoDebate] A América Latina foi uma região que apresentou uma das maiores taxas de crescimento econômico entre 1950 e 1980. Houve melhoras em diversos indicadores sociais, como na educação e saúde e redução da pobreza, embora o continente latino-americano seja conhecido como a região mais desigual do mundo.
Todavia, a crise econômica dos anos de 1980 fez a pobreza e o desemprego subirem, enquanto a renda per capita ficou estagnada. Este período ficou conhecido como a “década perdida”. Nos anos de 1990 houve uma certa estabilização dos indicadores macroeconômicos, mas a retomada das taxas de crescimento econômico mais significativas só voltaram a ocorrer (mesmo que em patamares menores do que no ciclo pós-Segunda Guerra) após os anos de 2002 e 2003.
O menor ritmo de crescimento fez cair a participação do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e Caribe (ALC), Brasil e Argentina no PIB mundial, entre 1980 e 2013. Nestes quase 25 anos, houve perda relativa, especialmente frente as economias asiáticas, lideradas pela China. A maior perda ocorreu entre 1980 e 1990 quando a participação da ALC caiu de 11,5% para 9,5%, do Brasil caiu de 4% para 3,3% e da Argentina caiu de 1,2% para 0,78%. Mas o declínio relativo continuou até 2002 no caso da Argentina, quando atingiu apenas 0,65% do PIB mundial e 2003 no caso da ALC (8,4%) e do Brasil (2,7%).
Porém, após 2002 houve crescimento acima da média mundial, com pequena recuperação do peso relativo da região na economia global, mas sem voltar aos níveis de 1980. Em 2013 o PIB da ALC chegou a 8,7% do PIB mundial, o da Argentina a 0,9% e do Brasil a 2,8% do PIB global. Foi a valorização dos preços das commodities exportadas que favoreceu os termos de intercâmbio internacional, permitindo uma retomada do crescimento com avanços sociais.
Mas o ano de 2014 não foi nada bom para a região, pior ainda para o Brasil e a Argentina. Segundo relatório da Cepal, o crescimento do PIB da ALC ficou em 1,1%, bem abaixo do desempenho mundial que foi de quase 3%. Enquanto Panamá e Republica Dominicana cresceram 6% e Colômbia 5,2%, o Brasil cresceu 0,2% e a Argentina -0,2%. Os dois maiores países da América do Sul cresceram muito menos do que o Haiti.

crescimento do pib na américa latina

Para 2015 (dois mil e “crinze”) as perspectivas não são melhores. O Brasil vai fazer um ajuste fiscal como anunciou o novo Ministro da Fazenda – Joaquim Levy – e a Petrobras que era a principal “locomotiva” da cadeia industrial está em uma crise sem precedentes e incapaz de liderar qualquer recuperação. Assim, deve haver aumento do desemprego, aumento da pobreza e redução da renda e das condições de vida. Já há estimativas de queda do PIB brasileiro em 2015.
Em entrevista ao jornal O Globo, o ex-ministro argentino – Domingo Cavallo – disse que a Argentina terá, em 2015, um ano mais complicado, com uma das taxas de inflação mais altas do mundo, mais recessão e aumento do desemprego. Segundo ele, o país tampouco conseguirá chegar a um acordo com os chamados “fundos abutres”, sendo que a situação da Argentina hoje não é muito diferente daquela vivida há 12 anos. O FMI estima queda do PIB argentino em 2015.
Matéria do jornal Folha de São Paulo, com base em análise da consultoria Marsh, mostra que o Brasil passou para o bloco dos países emergentes que não apresentam grandes oportunidades para investidores, ao lado da Rússia e da África do Sul. A situação da Argentina é ainda pior do ponto de vista de atração de capitais externos.

investimento global

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI) o Brasil continua em penúltimo lugar no ranking anual de competitividade divulgado em 14/01/2015. Quando comparado aos seus 14 principais concorrentes em termos econômicos, o Brasil ficou à frente apenas da Argentina. Para elaborar o estudo, a CNI leva em consideração oito fatores considerados decisivos para as empresas conquistarem mercados internos e externos, como disponibilidade e custo de mão de obra, custo de capital, infraestrutura, impostos, ambiente macro e microeconômico. Brasil e Argentina possuem enormes déficits no balanço de pagamento e cada vez recorrem mais à atração de capitais externos.
Mas a fase de lua de mel com o capital internacional já passou. A América Latina e seus principais países podem ter uma segunda década perdida, em termos de crescimento econômico. Consequentemente, as condições sociais podem se agravar dificultando o processo de redução da pobreza e da desigualdade. A pior situação é da Venezuela, segundo os dados da Cepal. Atualmente o desempenho econômico latino-americano perde até para a África Subsaariana.
Desta forma, não será fácil segurar a lanterninha do crescimento econômico mundial, especialmente porque a ALC é a região mais desigual do mundo e as condições sociais e ambientais também não avançam de forma adequada.
A tensão social deve aumentar. A alternativa é repensar o modelo de produção e consumo que está patinando em termos econômicos, é injusto socialmente e é ecologicamente insustentável
Referências:
CEPAL, Balance Preliminar de las Economías de América Latina y el Caribe, Santiago do Chile, dez 2014
http://www.cepal.org/es/publicaciones/balance-preliminar-de-las-economias-de-america-latina-y-el-caribe-2014
Mercado Aberto. Brasil está entre emergentes fracos, diz consultoria. Folha de São Paulo, 14/01/2015
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/mercadoaberto/2015/01/1574610-brasil-esta-entre-emergentes-fracos-diz-consultoria.shtml
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Publicado no Portal EcoDebate, 21/01/2015
Para citar este artigo: "Argentina, Brasil e América Latina perdem posição relativa no PIB mundial, artigo de José Eustáquio Diniz Alves," in Portal EcoDebate, 21/01/2015,http://www.ecodebate.com.br/2015/01/21/argentina-brasil-e-america-latina-perdem-posicao-relativa-no-pib-mundial-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.