sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

AS VEIAS DO BRASIL : BACIAS HIDROGRÁFICAS.

O impressionante mapa colorido como o arco-íris (imagem abaixo) mostra o padrão de rede dos caminhos feitos por cada corpo hídrico brasileiro, registrados em todos os 27 Estados utilizando bases públicas de dados.
A reportagem é de Carlos Diego, publicada por ÁguasML e republicada Arch Daily, 07-01-2017.

O maior conjunto identificado em azul é a Bacia do Rio Amazonas, assim como você pode ver todas as outras cores as 08 bacias que compõe a hidrografia brasileira a partir das quais a Agência Nacional de Águas (ANA) entende a gestão e regulação dos recursos hídricos no Brasil, criando as bases para leis e demais regulações pertinente à todos.


Este mapa foi elaborado por Bruno Pinheiro, pesquisador de Gestão em Políticas Públicas na USP que dedica parte de seu tempo realizando mapeamentos sob novas perspectivas. O trabalho que inspirou essa iniciativa foi publicado no Imgur pela geógrafa Fejetlenfej, e consistia em um mapa das bacias hidrográficas norte-americanas que indica ordens de fluxo mais altas indicadas pelas linhas mais espessas.
Para produzir este tipo de imagens o pesquisador utilizou como recurso o software open-source QGIS e a base de dados utilizada é a disponibilizada pelo site HidroWeb da ANA no formato shapefile (.shp), especificamente os shapes Hidrografia 1:1.000.000 (2010) do catálogo disponível.


Conheça mais sobre as bacias e sub-bacias através de informações no site da Agência Nacional de Águas. Selecionamos aqui um documento que trata das Conjunturas dos Recursos Hídricos nas Regiões Hidrograficas Brasileiras para que possa conhecer detalhes de cada Região. Você pode acessar através deste link.
Para o download da Base de Dados Hidroweb acesse aqui
Para o software QGIS acesse aqui
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

OS CINCO GRANDES RISCOS GLOBAIS DE 2017.


Com a chegada de 2017, o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) divulgou a edição anual do estudo que procura antecipar os principais riscos e desafios globais para os próximos 12 meses.
O documento, intitulado Global Risks Report (Relatório de Riscos Globais, em tradução livre), avalia tendências e serve de bússola para a formulação de políticas e estratégias de governos e empresas.
A informação foi publicada por BBC Brasil, 12-01-2017.
Ele foi divulgado uma semana antes do início da reunião anual do Fórum em Davos, na Suíça, que conta sempre com a presença de acadêmicos e líderes empresariais e políticos do mundo inteiro.
Confira quais são as cinco maiores ameaças para o mundo em 2017, segundo a "bola de cristal" do WEF:

1) Eventos climáticos extremos

O relatório lembra que 2016 foi o ano mais quente da história, com temperatura global 1,14ºC acima da observada antes da Revolução Industrial.
Sugere que as mudanças climáticas trazem consequências sociais graves, como imigração - segundo o estudo, 21,5 milhões de pessoas tiveram que emigrar desde 2008 por eventos relacionados ao clima.
A entidade defende o cumprimento do Acordo de Paris, fechado em 2015 e que pressupõe a participação de todas as nações - não apenas países ricos - no combate ao aquecimento global.
"Muitos riscos causados por não se fazer nada a respeito do clima irão transbordar para ameaças sociais e geopolíticas. Veremos crescente imigração por riscos ambientais", afirmou Margareta Drzeniek-Hanouz, chefe do setor de Competitividade Global e Riscos do WEF.

2) Imigração em larga escala

Motivadas por catástrofes naturais e também por conflitos violentos, as ondas migratórias deverão se exacerbar em 2017, aponta o Fórum de Davos.
O relatório identifica ainda o risco de essa tendência ser explorada por políticos populistas, em busca de votos e aprovação popular.
"A imigração se mostrou ser um assunto político extremamente bem-sucedido entre os populistas anti-establishment, gerando uma ameaça eleitoral em vários países", afirma o texto, que enumera desafios decorrentes do avanço de "tensões culturais".
"A imigração cria tensões culturais: há necessidade de dar espaço para a tolerância religiosa sem abrir a porta para o extremismo. Há a necessidade de encorajar a diversidade que traz inovação sem alimentar ressentimento", aponta.
A organização reconhece que, assim como ocorre com a globalização, há setores da sociedade que não experimentam os benefícios gerais à economia proporcionados pela imigração.
"Os desafios humanitários continuarão a criar ondas de pessoas - e nos países onde há baixos índices de fertilidade e número de aposentados crescendo a imigração será necessária para trazer novos trabalhadores."

3) Grandes desastres naturais

Desastres naturais de grande escala são uma ameaça real à infraestrutura produtiva global, aponta o Fórum de Davos.
O relatório cita um estudo da Universidade de Oxford (Inglaterra) que simulou o impacto destrutivo de uma enchente na região costeira da China, que concentra produção para exportação.
Mais de 130 milhões de pessoas seriam afetadas em um eventual desastre, comprometendo a cadeia internacional de comércio.
"Interdependência entre diferentes redes de infraestrutura está aumentando o escopo de falhas sistêmicas (...) que podem se acumular e afetar a sociedade de formas imprevisíveis", prevê o relatório.

4) Terrorismo e vigilância

Ataques terroristas têm motivado um reforço na vigilância estatal sobre cidadãos, mas tais ferramentas muitas vezes são usadas com fins políticos, alerta o relatório, que diz ver a tendência com "preocupação".
"Em alguns casos, problemas de segurança e protecionismo (...) têm sido usados como razão para reduzir dissidências. Em outros casos, restrições às liberdades são efeitos colaterais de um pacote de segurança bem intencionado, (mas) essas tendências preocupantes estão aparecendo até mesmo em democracias."
Fórum de Davos projeta uma "situação potencialmente explosiva" em países que coíbem a liberdade de expressão em nome do combate ao terrorismo.
"Ferramentas tecnológicas estão sendo utilizadas para aumentar a vigilância e o controle sobre cidadãos e erradicar críticas (aos governos). Restringir novas oportunidade a formas democráticas de expressão e mobilização e, por consequência, toda uma gama de direitos, gera uma situação potencialmente explosiva."

5) Fraudes eletrônicas e roubo de dados

Outra ameaça citada pelo Fórum de Davos são as fraudes cibernéticas, que podem avançar diante de legislações frágeis e falta de ações conjuntas entre governos e setor privado.
Em entrevista à BBC Brasil, o presidente da empresa de análise de risco Marsh, John Drzik, que atuou na elaboração do relatório, diz que criminosos estão cada vez mais próximos das vítimas, pois aparelhos eletroeletrônicos domésticos estão sendo conectados à internet.
"A introdução de novas tecnologias deixará isso potencialmente ainda mais perigoso. Será possível invadir aparelhos domésticos como termômetros eletrônicos" exemplificou.
Drzik citou ainda a ameaça de ataques patrocinados por governos e orientados por interesses comerciais. "Precisaremos de coordenação entre países na esfera internacional e entre governo e iniciativa privada para desenvolver respostas de governança", afirmou.

Propostas de ação

O relatório também sugere ações para enfrentar as ameaças à economia global, concentradas em quatro frentes:
Reformas econômicas
Entre 1900 e 1980, a desigualdade social recuou nos países ricos, mas entre 2009 e 2012 a renda dos 1% mais ricos nos Estados Unidos, por exemplo, cresceu mais de 31%, lembra o relatório.
O documento defende a adoção de mecanismos de distribuição de benefícios econômicos, e cita o Bolsa Família, iniciativa federal de transferência de renda no Brasil, como medida eficiente na mitigação da desigualdade social.
Pontes culturais
Décadas de mudanças econômicas e sociais rápidas aumentaram o fosso entre as gerações e amplificaram conflitos de identidade pelo mundo, aponta o WEF.
O desafio diante de um cenário muitas vezes agravado pelo debate desinformado e pautado por emoções, aponta a entidade, é construir pontes que conectem diferenças culturais e preservem direitos individuais.
Gestão de mudanças tecnológicas
A automação da mão de obra respondeu por cerca de 86% dos empregos perdidos na indústria nos EUA entre 1997 e 2007, aponta o documento, que procura isentar a integração dos mercados globais pelo problema.
"Movimentos populistas tendem a focar a culpa pela perda de empregos na globalização (...) embora a evidência aponte a tecnologia como principal fator. As manufaturas nos Estados Unidos não regrediram. O país está produzindo mais do que nunca, apenas emprega menos trabalhadores", afirma o relatório.
Diante de transformações na natureza do trabalho, conclui o documento, novos empregos colaborativos precisam ser criados para minimizar a desocupação humana.
Cooperação global
O Fórum defende a importância de se resgatar a relevância de organismos de governança global, como as Nações Unidas e entidades de promoção do comércio internacional.
A tendência de valorização nacional e desvalorização internacional enfraquece os laços de confiança entre povos e nações, aponta o órgão.
A cooperação internacional também é fundamental, diz o WEF, para manter o aquecimento global dentro do limite de dois graus centígrados, cortando as emissões de carbono em 40-70% até 2050 e eliminando-as completamente em 2100.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

DESEMPREGO EM ALTA


A marcha lenta da economia global está aumentando a agitação social pelo mundo, e o Brasil, com a piora no mercado de trabalho local, alimenta esse mal-estar, aponta relatório da OIT (Organização Mundial do Trabalho) divulgado nesta quinta-feira (12).
Segundo a organização, o crescimento econômico mundial continua decepcionante, sem motivar a criação de empregos suficientes para compensar o número de pessoas que ingressam no mercado de trabalho.
A informação foi publicada por BBC Brasil, 12-01-2017.
Com isso, a taxa mundial de desemprego deverá subir de 5,7% para 5,8% em 2017, estima a OIT, elevando o contingente de desempregados em 3,4 milhões de pessoas na comparação com o ano anterior. Ao todo, serão 201,1 milhões de pessoas sem emprego no planeta neste ano.
No Brasil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o desemprego está em 11,9%, índice do trimestre encerrado em novembro de 2016, com 12,1 milhões de pessoas nesta situação.
A incerteza global com o desempenho da economia está aumentando o risco de agitação social e descontentamento em praticamente todas as regiões do mundo, aponta a OIT.
O chamado Índice de Agitação Social busca ser um termômetro da "saúde social" dos países.
Calculado pela OIT a partir de informações sobre protestos como manifestações de rua, bloqueios de vias, boicotes e rebeliões, pretende refletir a insatisfação da população com fatores como mercado de trabalho, condições de vida e processos democráticos.
No Brasil, o índice avançou 5.5 pontos em 2016, enquanto o aumento global foi de 0.7 ponto.
Como resultado da equação que soma insatisfação social e falta de trabalho, há um aumento na decisão das pessoas pela migração, aponta a OIT. O órgão cita estimativas que identificavam 232 milhões de migrantes internacionais no planeta em 2013, 89% em idade de trabalho.

Âncora brasileira

OIT estima que o PIB (Produto Interno Bruto, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) do Brasil irá recuar 3,3% em 2016, puxando para baixo a performance de toda a América Latina e Caribe.
A região deverá registrar a segunda recessão em menos de dez anos, com contração de 0,4% no PIB em 2016.
"Isso [recessão na América Latina] foi amplamente motivado pela performance econômica ruim do Brasil, dado o peso da influência do país na região e em parceiros de exportação", afirma o relatório da OIT, intitulado "Perspectivas Sociais e do Emprego no Mundo - Tendências de 2017".
O Brasil também impactará negativamente o emprego na região, que deverá recuar 0,3% em 2017, estima a organização. A OIT projeta o índice de desemprego no Brasil neste ano em 12,4%, um ponto acima do percentual de 2016.

Outras tendências

A organização destaca outros reflexos da precarização no mercado mundial de trabalho, como aumento das chamadas formas vulneráveis de ocupação - trabalhadores familiares não remunerados e trabalhadores por conta própria são exemplos desta situação.
Esse tipo de trabalho, diz a OIT, deve representar mais de 42% da ocupação total, ou 1,4 bilhão de pessoas em 2017, e o número deverá avançar 11 milhões por ano.
Outra tendência é a desaceleração da redução da pobreza dos trabalhadores - países em desenvolvimento deverão registrar nos próximos dois anos, por exemplo, aumento de mais de 5 milhões no número de trabalhadores que ganham menos de US$ 3,1 (R$ 9,84) por dia.
Ganhos fracos de produtividade, avanço tímido do investimento (movido em parte pela baixa nas commodities) e desaceleração do comércio global são fatores, segundo a OIT, que ajudam a explicar a marcha lenta da economia global - e os reflexos negativos no emprego.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

BACIAS HIDROGRÁFICAS QUE DEPENDEM DO CERRADO.

Manutenção das três principais bacias hidrográficas do país depende da preservação do Cerrado

Manutenção das três principais bacias hidrográficas do país depende da preservação do Cerrado. Entrevista especial com Fernando Tatagiba

IHU
cerrado
Vegetação do Cerrado
Depois de quatro anos de negociação e da realização de estudos fundiáriossocioeconômicos e ambientais envolvendo o governo estadual de Goiás e o Ministério do Meio Ambiente – MMA, a comunidade que reside nas proximidades do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, está na expectativa de que a área do parque seja ampliada de 65 mil hectares para 222 mil, no próximo mês.
Segundo o chefe do Parque Nacional da Chapada dos VeadeirosFernando Tatagiba, “a área atual do Parque, do ponto de vista da conservação, é considerada pequena, porque é insuficiente para garantir a sobrevivência de animais grandes”, como “a onça-pintada, a suçuarana, o lobo-guará, que estão na lista de animais ameaçados de extinção”. Na avaliação dele, a possibilidade de ampliar a área do parque para 222 mil hectares não só garantiria a conservação dos animais que precisam de mais espaço, mas permitiria “conservar também ecossistemas muito ameaçados e que não estão protegidos pelos limites atuais do parque nacional”.
Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone, Tatagiba explica que a conservação do parque nacional e do Cerrado como um todo é fundamental “porque o Cerrado abriga as três principais bacias hidrográficas do país: a do Rio da Prata, a do Rio São Francisco e boa parte da Bacia Amazônica, dado que Tapajós e Tocantins nascem no bioma Cerrado. As nascentes mais altas do Rio Tocantins estão na Chapada dos Veadeiros, e o Cerrado é conhecido como berço das águas. Então, ao conservar os ecossistemas do Cerrado, estamos conservando recursos hídricos, que são fundamentais para a manutenção da vida como um todo”.
O biólogo frisa ainda que é possível “adequar a produção agropecuária à conservação da biodiversidade”, estabelecendo “reservas legais de modo a formar corredores ecológicos para que seja possível ligar a biodiversidade dos imóveis privados com a biodiversidade do parque nacional”.

Fernando Tatagiba | Foto: EBC
Fernando Tatagiba é graduado em Biologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, mestre em Ciências Biológicas pelo Museu Nacional da UFRJ. Atuou como analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente – MMA e atualmente é chefe do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Quais são os impasses envolvidos na ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – PNCV? Quais as propostas do Ministério do Meio Ambiente – MMA, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio e, de outro lado, as propostas do governo de Goiás em relação ao Parque?
Fernando Tatagiba – O processo de ampliação do parque nacional começou há quatro anos. Nesse período, realizou-se uma série de estudos fundiários, socioeconômicos e de relevância ambiental da área a ser ampliada. Ao longo do processo, em setembro de 2015, foram realizadas três reuniões de consultas públicas, nas quais foi apresentada à comunidade do entorno uma proposta em termos de qual seria o limite do parque. Depois das consultas públicas, foram feitas diversas reuniões entre membros do governo federal, proprietários de terras e o governo de Goiás, para dirimir e tentar superar alguns conflitos de interesses. Nesse processo, a proposta de ampliação da área foi sendo lapidada e foram retirados atrativos turísticos privados, foram retiradas fazendas com produção agropecuária, bem como as Reservas Particulares do Patrimônio Natural – RPPNs e imóveis que já tinham iniciado o processo de reconhecimento da RPPN.
A área inicial proposta para a ampliação do parque era próxima de 250 mil hectares, mas, devido às negociações multilaterais, o MMA e o ICMBio chegaram a uma proposta de 222 mil hectares. Desse total, o governo do Estado de Goiás pediu que fossem retirados os imóveis que não têm título da terra, para que fosse feito o processo de regularização fundiária das terras e, assim, elas fossem incorporadas ao parque depois. A negociação está nesse ponto, e essa é uma fase natural de um processo de criação ou ampliação de uma área de unidade de conservação que tem como base o diálogo e a negociação. Hoje os gabinetes do MMA e o do governo de Goiás estão negociando o que será uma área ideal para ampliação do parque nacional.
Uma forma de garantir a proteção da Chapada dos Veadeiros é através da ampliação do Parque Nacional
IHU On-Line – Quais são os argumentos e interesses daqueles que defendem a ampliação do Parque e dos que são contrários a ela? O que seria uma área ideal para o Parque neste momento?
Fernando Tatagiba – É difícil dizer o que seria uma área ideal para uma unidade de conservação integral, como é o parque nacional. O ideal é sempre frente ao possível. Entretanto, é importante dizer que estamos falando da conservação da biodiversidade. Hoje, na Chapada dos Veadeiros e no Cerrado como um todo, habitam espécies que, para sobreviverem, requerem grandes extensões de terra, como, por exemplo, a onça-pintada, a suçuarana, o lobo-guará, que estão na lista de animais ameaçados de extinção. A área atual do parque, 65 mil hectares, do ponto de vista da conservação é considerada pequena, porque é insuficiente para garantir a sobrevivência de animais grandes. Passar de 65 mil para algo em torno de 220 mil hectares seria mais adequado para a conservação dessas espécies, como também seria possível conservar ecossistemas muito ameaçados e que não estão protegidos pelos limites atuais do parque nacional.
A forma como a Reserva Legal de uma determinada área é estabelecida num espaço possibilita criar corredores de biodiversidade entre o Parque Nacional e o espaço externo
IHU On-Line – Então há risco de perda de biodiversidade e de espécies da fauna, caso a área do parque nacional não seja ampliada?
Fernando Tatagiba – Há risco, sim, porque as áreas que não estão protegidas na forma de parque nacional ou de outro tipo de unidade de conservação de proteção integral estão sujeitas à supressão de vegetação, ou seja, ao desmatamento. É justamente isso que observamos no Cerrado como um todo e em algumas áreas da Chapada dos Veadeiros, que cobre uma área muito maior do que a do parque nacional. No limite sul da Chapada dos Veadeiros, já se percebem os efeitos da expansão da agropecuária. Então, existem áreas que estão sendo convertidas para a produção de grão ou gado. Uma forma de garantir a proteção da Chapada dos Veadeiros é através da ampliação do parque nacional.
IHU On-Line – Quais são as principais ameaças ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros hoje? A produção de soja em larga escala se tornou um problema ambiental para a região?
Fernando Tatagiba – De certa forma sim, mas há mecanismos que possibilitam adequar a produção agropecuária à conservação da biodiversidade. O Código Florestal estabelece mecanismos de conservação de vegetação de beira de rio, a manutenção de um percentual da terra de uma fazenda para a conservação, na forma de Reserva Legal. A forma como a Reserva Legal de uma determinada área é estabelecida num espaço possibilita criar corredores de biodiversidade entre o Parque Nacional e o espaço externo. Quando falamos de ameaças estamos falando das ameaças ao ecossistema e à sua biodiversidade, ou seja, das espécies que transitam entre o Parque Nacional e o seu entorno. Então, o que acontece fora do Parque pode ameaçar a integridade das comunidades protegidas pela Unidade de Conservação. A supressão de ecossistemas naturais fora do Parque também impacta o próprio Parque Nacional, porque está impactando negativamente os animais e plantas que vivem ali.
IHU On-Line – Há quanto tempo têm se intensificado os monocultivos nas proximidades do Parque Nacional? Já há propostas de fazer um manejo que concilie a preservação do Parque com a agricultura?
Fernando Tatagiba – Há. Uma das propostas tem relação com a implantação do Plano de Manejo da APA de Pouso Alto, porque a Área de Preservação de Pouso Alto é uma unidade de conservação estadual que circunda o Parque Nacional como um todo. Esse Plano de Manejo estabelece condições mais restritivas para a implementação da agricultura. Então, os proprietários não devem desmatar as áreas que estiverem mais perto do Parque Nacional ou de determinadas áreas mais sensíveis do ponto de vista ecológico. Outra medida é um projeto que está sendo financiado pelo MMA em parceria com o Fundo Brasileiro de Conservação da Biodiversidade, para auxiliar os proprietários rurais do entorno do Parque a fazerem o Cadastro Ambiental Rural – CAR. O que se propõe então é que se estabeleçam as Reservas Legais de modo a formar corredores ecológicos para que seja possível ligar a biodiversidade dos imóveis privados com a biodiversidade do Parque Nacional.
IHU On-Line – Como a discussão sobre a ampliação do Parque está repercutindo entre a comunidade local?
Fernando Tatagiba – De maneira geral, a percepção da comunidade com relação à ampliação do parque é bastante positiva. Claro que há setores, empresas e pessoas que veem isso de forma negativa, especialmente aqueles que terão seus imóveis afetados por conta da ampliação. Com relação a esses, é fundamental esclarecer que nenhuma área produtiva será afetada. Então, aqueles que têm imóveis podem ficar tranquilos, porque as áreas produtivas das fazendas estão sendo excluídas da ampliação do parque.
A maior parte da comunidade do entorno vê a ampliação de forma produtiva, porque o parque é bastante importante para a economia da região. Existe uma pesquisa de mestrado, que será defendida no início deste ano, que estima em R$ 70 milhões as receitas advindas da visita ao parque nacional, considerando os dados de 2015. Hoje, o município de Alto Paraíso de Goiás é o principal beneficiário econômico da visitação do parque, mas atualmente já trabalhamos para a abertura de um portão do parque no município de Cavalcante, porque 65% da área do parque está nesse município, que ainda não é beneficiado com a visitação. Com a ampliação da área, o parque passará a abranger mais dois municípios, Nova Roma e Teresina de Goiás. Com isso esperamos que, a partir da ampliação do turismo nesses municípios, o parque passe a ganhar mais visibilidade e impulso em termos de economia. Estamos trabalhando para que o parque nacional seja um indutor econômico em toda a região.
É fundamental esclarecer que nenhuma área produtiva será afetada pela ampliação do Parque
IHU On-Line – Há uma estimativa de quando será concluído o processo de negociação da ampliação do Parque Nacional?
Fernando Tatagiba – Hoje a negociação está na esfera do gabinete do ministro do MMA e do governador de Goiás. Em setembro de 2016, teria sido decretada a ampliação do parque, mas o governador, atendendo a um pedido do setor agrícola e agropecuário do estado, solicitou ao ministro do MMA um prazo de seis meses para aprofundar algumas análises fundiárias para ter mais segurança em relação à ampliação. Esse prazo termina em fevereiro, e a nossa expectativa, que trabalhamos na gestão do parque nacional, e da comunidade, que vê na ampliação uma oportunidade de desenvolvimento da região, é que a qualquer momento, a partir de fevereiro, seja decretada a ampliação do parque.
Conservar o Cerrado e o Parque Nacional e trabalhar para a ampliação do Parque significa garantir as condições de vida e bem-estar para o próprio ser humano
IHU On-Line – Qual a importância do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros em termos de ecossistema e da preservação do Cerrado, especialmente para evitar a crise hídrica?
Fernando Tatagiba – Vemos como fundamental a conservação do Cerrado e do Parque Nacional, especialmente porque o Cerrado abriga as três principais bacias hidrográficas do país: a do Rio da Prata, a do Rio São Francisco e boa parte da Bacia Amazônica, dado que Tapajós e Tocantins nascem no bioma Cerrado. As nascentes mais altas do Rio Tocantins estão na Chapada dos Veadeiros, e o Cerrado é conhecido como berço das águas. Então, ao conservar os ecossistemas do Cerrado, estamos conservando recursos hídricos, que são fundamentais para a manutenção da vida como um todo. Conservar o Cerrado e o parque nacional e trabalhar para a ampliação do parque significa garantir as condições de vida e bem-estar para o próprio ser humano.

(EcoDebate, 12/01/2017) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.

INTERNET : O ÓDIO QUE SUSPENDE A ÉTICA.

Internet: o ódio que suspende a ética. Artigo de Zygmunt Bauman

Os sujeitos solitários diante de um celular, da tela de um tablete ou de um computador portátil, que têm apenas outras pessoas "virais" para se defrontar, parecem colocar para dormir a razão e a moral, deixando sem rédeas as emoções que normalmente são controladas.
A opinião é do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em artigo publicado no jornal Avvenire, 28-01-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.
Os problemas gerados pela atual "crise migratória", exacerbados pelo pânico sobre as migrações, pertencem à categoria das questões mais complexas e controversas: neles, de fato, o imperativo categórico e moral se choca com o medo do "grande desconhecido", personalizado pelas massas de estrangeiros que encontramos às nossas portas.
O medo impulsivo estimulado pela visão de pessoas "alheias" que trariam consigo perigos inescrutáveis entra em competição com o impulso moral causado pela visão da miséria humana. Quase em nenhum outro caso poderia ser maior o desafio à tentativa moral de persuadir a vontade a seguir o seu imperativo; e raramente poderia ser mais dilacerante a tarefa da vontade que procura fechar os ouvidos a esse imperativo moral.
Todos nós poderíamos ser alistados em um momento ou outro, ou simultaneamente, nos diversos papéis desse combate: "campo de batalha", "soldado" ou "canhão". E alguns de nós poderiam, por isso, ser tentados pela "grande simplificação" oferecida pela web.
Lá, nesse refúgio, somos salvos da inevitabilidade de nos confrontarmos com o adversário cara a cara. Poderíamos nos deparar com a armadilha da mentira conflitual e que ataca o respeito de si com o simples expediente de fechar os olhos diante da presença do adversário, chegando até a fechar os ouvidos aos seus argumentos.
Esses dois aspectos são facilmente visíveis online, enquanto não o são em nada no mundo real. Previsivelmente, é o que constataram alguns pesquisadores em muitos usuários de internet, tendo-os estudado para explicar quais são as funções da rede na defesa de si mesmo em relação a ver e a ouvir o que acontece no campo de batalha.
Na "zona de segurança" delimitada por essa escolha, são admitidas apenas pessoas que pensam da mesma forma, enquanto aqueles do campo adversário são impedidas de entrar. Basta pouco, em termos de decisão e de coerência, para apertar a tecla "delete" do computador e eliminar a controvérsia e os seus protagonistas da memória digital.
A partir do momento em que pôr em discussão qualquer coisa envolve o risco de sermos desmentidos e, portanto, consideramos mais conveniente evitar o debate, eis que a eliminação da necessidade de discutir a importância e a gravidade dos imperativos morais se apresenta como um alívio: "Tornar-se moralmente cego e surdo agora é o suficiente, obrigado...".
Com essa moralidade tornada cega e surda, não devemos nos admirar que "milhões de norte-americanos – como foi demonstrado em um recente estudo publicado pela National Academy of Science – acreditam que as suas posições são fundamentalmente filantrópicas, enquanto os outros são o mal a ser combatido".
Donald Trump, de longe o mais popular entre os candidatos republicanos para a presidência dos Estados Unidos e que já tem uma longa e crescente história de ódio racial e religioso, graças à típica invectiva "nós contra eles" e à recusa de se dissociar dos discursos repletos de ódio de alguns dos seus partidários, foi identificado como "o candidato perfeito para a nossa época viral" por Emma Roller, colunista do New York Times (29-12-2015).
Por que isso? Como descobriu um psicólogo da Universidade do Havaí, os momentos virais mais recorrentes são aqueles que "vêm diretamente do inconsciente" – enquanto "o ódio, o medo do outro, a raiva" vêm diretamente do fundo pulsional.
Os sujeitos solitários diante de um celular, da tela de um tablete ou de um computador portátil, que têm apenas outras pessoas "virais" para se defrontar, parecem colocar para dormir a razão e a moral, deixando sem rédeas as emoções que normalmente são controladas.
Obviamente, a internet não é a causa do crescente número de internautas moralmente cegos e surdos; mas ela facilita e alimenta de maneira notável esse crescimento.
A primeira reação diante do outro, por isso, tende a ser de vigilância e de suspeita, um momento de ansiedade indefinida, um impulso a buscar uma tábua de salvação, que é causa de mais nervosismo, justamente por ser indefinida. E, durante esse processo, o respeito pelos imperativos morais é suspenso.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

20 GRUPOS ESTRANGEIROS TÊM 3 MILHÕES DE HECTARES DE TERRAS NO BRASIL.



Pelo mundo, mais de 30 milhões de hectares foram adquiridos por apenas 490 proprietários. Os dados da organização Grain referem-se ao ano de 2016 e contam – ainda que de maneira incompleta – a história recente do land grabbing, um fenômeno mundial que pode ser definido como a mega aquisição de terras por investidores estrangeiros. Grandes corporações, fundos. A Grain avisa: essa tendência continua crescendo.
A reportagem é de Alceu Luís Castilho, publicada por De Olho Nos Ruralistas, 09-01-2017.
E o Brasil é um dos principais protagonistas. Principalmente como território dessas aquisições. Mas já aparece também como comprador. O relatório da Grain inclui entre os destaques pelo mundo a expansão do grupo JBS na Austrália. A empresa já tem cinco estabelecimentos com 10 mil hectares, com produção anual de 330 mil cabeças de gado. Somente a JBS australiana exporta para mais de 80 países – o que ilustra bem a escala global do land grabbing.

África e América do Sul

agronegócio brasileiro também está presente na Colômbia, com o grupo Mónica Semillas, que leva o nome da empresária matogrossense Mônica Marchett – filha do produtor de soja Sérgio João Marchett, um dos acionistas principais da empresa. A Grain identificou 8.889 hectares de soja e milho da Mónica na Colômbia. Mas a corporação possui ainda 70 mil hectares na Bolívia e terras no Paraguai. Segundo a Grain, a empresa já foi condenada a pagar 2 milhões de pesos por subsídios indevidos, que violam a lei de terras colombiana.
Paraguai aparece duas vezes com brasileiros no relatório, pelas atividades do Grupo Favero e de Wilmar dos Santos. Ambos sojeiros. O primeiro tem 33.719 hectares. Santos teria 1.000 hectares – o critério da Grain para grandes propriedades é o piso de 500 hectares. O Senado paraguaio expropriou 11 mil hectares de Tranquilo Faveropara um parque. Wilmar dos Santos é definido no relatório como um dos muitos brasileiros “colonialistas”, produtores de soja transgênica. Os agrotóxicos de Wilmardos Santos estariam envenenando animais e cursos d’água utilizados por camponeses.
Asperbras representa os investimentos brasileiros no Congo, com propriedades que somam 50 mil hectares. O empresário Francisco Colnaghi tem um leque amplo de culturas no país: cana de açúcar, pecuária, soja e milho. O total de área plantada já teria ultrapassado 100 mil hectares. Ainda na África, o Brazil Agrobusiness Group – deFrademir Saccol – aparece no relatório com 8 mil hectares de arroz em Gana. Seiscentos camponeses despejados foram à Justiça contra a empresa.
No Sudão, o Pinesso Group – da família sulmatogrossense Pinesso – possui 12 mil hectares para produção de grãos, em parceria com o governo local. E mira o Moçambique. (No Brasil, em 2015, o grupo tinha 110 mil hectares no Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul e no Piauí e estava em recuperação judicial por uma dívida de R$ 571 milhões.)

De olho no Brasil

Mas o Brasil aparece bem mais vezes no relatório como alvo dos investidores. E com quantidades de terra – adquiridas ou geridas por estrangeiros – ainda mais fabulosas. Vejamos:
1) A BrasilAgro, com capital da argentina Cresud (que já foi um investimento de George Soros e também tem aporte chinês), possui 166 mil hectares para cana, grãos e pecuária.
2) O fundo canadense Brookfield Asset Management possui 97.127 hectares para produção de soja e cana de açúcar em terras brasileiras. E está de olho na aquisição de mais usinas.
3) A empresa Universo Verde Agronegócios também atende pelo nome de Chongqing Grain Group, a maior empresa estatal chinesa do setor de grãos. No Brasil, segundo o relatório da Grain (a ONG, não a empresa), o grupo possui 100 mil hectares, mais da metade deles “como se fossem de brasileiros”. O MST ocupou em 2015 uma área de 75o hectares em Porto Alegre, definindo-a como improdutiva.
4) Outra empresa estatal chinesa, a Cofco, aparece com 145 mil hectares de cana no relatório. Com direito a capital de Singapura, do fundo de private equity Hopu Investment Management e do Banco Mundial.
5) A francesa Louis Dreyfus Commodities comparece ao relatório sobre land grabbing com nada menos que 430 mil hectares no Brasil. Para cana, arroz, laranjas e laticínios. E ainda opera mais 500 mil hectares, sem direito de propriedade. O grupo controla 10% do mercado mundial de matérias primas agrícolas, informa a Grain. O grupo está em 12 estados brasileiros.
6) A Índia também já se faz presente no Brasil. A Shree Renuka Sugars – aqui, Renuka do Brasil – possui 139 mil hectares de cana de açúcar, a partir da compra, nos últimos anos, de usinas brasileiras. O grupo Equipav possui 49,7% das ações.
7) A japonesa Mitsubishi atua em terras brasileiras pela Agrex do Brasil. São 70 mil hectares de soja nos estados do MaranhãoTocantinsPiauí e Goiás. O brasileiro Paulo Fachin tem 20% de participação no grupo.
8) Mais duas empresas japonesas estão no relatório da Grain. A Sojitz Corporation(aqui, Contagalo) produz 150 mil hectares de soja, milho e trigo. Os planos são de triplicar a produção e adquirir mais 200 mil hectares.
9) A outra empresa japonesa é a Mitsui & Co, com 87 mil hectares de grãos na Bahia, no Maranhão e em Minas Gerais. A face brasileira do grupo é a SLC-MITEmpreendimentos Agrícolas.
10) A Holanda entra na lista com o Grupo Iowa, na matriz BXR Group. São 12 mil hectares de grãos na Bahia. O BXR pertence ao checo Zdenek Bakala (estamos falando de globalização, afinal), em parceria com o Credit Suisse.
11) A Nova Zelândia aparece com discretos 850 hectares em Goiás. Maior exportadora mundial de produtos lácteos, ela abastece com essa atividade a Dairy Partners America, parceria com a suíça Nestlé.
12) A antiga metrópole também faz parte dessa nova colonização: Portugal está na lista brasileira de land grabbing com a Nutre, ou Prio Foods no Brasil, com 29.528 hectares. Um terço dessa área fica no Maranhão, onde a empresa pretende adquirir mais 14 mil hectares.
13) Outro país marcado pelo histórico de metrópole, o Reino Unido, compõe esse cenário com o fundo de investimentos Altima Partners (ou, regionalmente, El Tejar), com 130 mil hectares para pecuária e grãos, principalmente no Mato Grosso.
14) E, falando em investidores estrangeiros, que tal, novamente, o nome de George Soros? O estadunidense – que ilustra a foto principal desta reportagem – controla 127 mil hectares no Brasil, segundo a Grain, por meio da Adecoagro, em parceria com um fundo de pensão holandês. O leque de culturas é variado: café, cana, grãos, pecuária.
15) Os seis últimos investidores da lista são estadunidenses. Comecemos com o Archer Daniels Midland e seus 12 mi hectares para produção de óleo de palma no Pará.
16) Um dos nomes mais conhecidos da lista, a multinacional Bunge administra 230 mil hectares de cana de açúcar no Brasil, por meio de parcerias, e ainda tem 10 mil hectares da usina (o nome não deixa de conter uma ironia) Guarani.
17) E ainda temos 25 mil hectares com o Galtere, um fundo de investimentos criado por ex-vendedor da Cargill, para produção de arroz e soja. O grupo tem na mira mais 22 mil hectares.18) A cana de açúcar volta a aparecer no relatório com 35 mil hectares da própria Cargill. A Proterra Investiment Partners investiu, em 2015, US$ 175 milhões em usinas no Brasil.
19) O Teachers Insurance and Annuity Association (TIAA), fundo de pensão de professores, administra uma das fatias mais representativas entre os investidores estrangeiros: 424 mil hectares. Em parceria com a brasileira Cosan. Leia mais aqui: “Fundo americano de professores passa a controlar 270 mil hectares no Brasil“.
20) Finalmente, e reiterando que esta lista trata apenas dos investimentos mencionados pela Grain no relatório de 2016, a YBY Agro controla 320 mil hectares de terras no Brasil. A empresa foi criada por dois ex-executivos brasileiros do Bank of America. Mas 45% da companhia pertencem a fundos privados dos Estados Unidos. Outros 35% ficam com o grupo brasileiro Francioni Brothers y Golin. As terras ficam no cerrado.
Total de terras de brasileiros no mundo, conforme a lista parcial da Grain (OceaniaÁfrica e América do Sul): 124 mil hectares.
Total de terras controladas no Brasil pelos 20 grupos estrangeiros mencionados: 2,74 milhões de hectares. Um Haiti. Ou metade da Croácia.
Média por grupo: 137 mil hectares.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos