terça-feira, 31 de março de 2015

PRODUÇÃO DE ENERGIA ATRAVÉS DO LIXO ORGÂNICO.

Maior parte do lixo produzido no Brasil é orgânico e poderia ser aproveitado.

Publicado em julho 7, 2014 
Lixo, uma montanha de problemas

Somente na cidade de São Paulo, mais de 5 mil toneladas de resíduos orgânicos domésticos são enviados diariamente para aterros sanitários. Resíduos podem ser aproveitados na forma de adubo orgânico.

Mais da metade de todo lixo produzido no Brasil é composto por resíduos orgânicos que inclui restos de alimentos como frutas, legumes e folhagens que consumimos diariamente. Essas sobras que, muitas vezes, vão para aterros sanitários e lixões, podem ser transformados em adubo orgânico para serem utilizados em hortas, parques, praças e jardins.
São Paulo acaba de lançar um projeto para compostagem doméstica, que deverá distribuir 2 mil composteiras para reutilização de resíduos orgânicos.
O projeto contempla uma das propostas defendidas há anos pelos catadores. O objetivo dos trabalhadores desse ramo é chegar a um patamar de 100% de reciclagem, como defendeu Alex Cardoso, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), em recente entrevista à Radioagência BdF.
“Nós temos hoje no Brasil um potencial de 53 a 56% de materiais passíveis de reciclagem. E na nossa parte é que tenha investimento para fazer a compostagem e a partir da compostagem fazer biodigestores. E a partir dos biodigestores produzir a biomassa para geração de energia. E o reaproveitamento dos resíduos da construção civil para que se possa construir ruas e blocos para fazer pavimentação.”
Nos aterros sanitários, os resíduos orgânicos causam problemas ambientais, como por exemplo, a formação de chorume tóxico, ao se misturar a outras substâncias, que pode infiltrar-se no solo e contaminar a água subterrânea.
Diariamente, em São Paulo, são enviados para o aterro sanitário 18 mil toneladas de resíduos, sendo 10 mil toneladas de origem doméstica. Somente na capital paulista, mais de 5 mil toneladas de resíduos orgânicos domésticos são enviados todos os dias para aterros sanitários.
De São Paulo, da Radioagência BdF, Leonardo Ferreira.
EcoDebate, 07/07/2014

PRODUÇÃO DE ENERGIA E OS IMPACTOS.

O que dizem da energia limpa e quem fica com o ‘menor impacto’, artigo de Lou-Ann Kleppa

Publicado em março 31, 2015 
artigo

[Amazônia Real]  Em dois documentários feitos sob a perspectiva dos atingidos pela indústria eólica – um realizado pelo CPT (Conselho Pastoral da Terra) Bahia, Energia Eólica: a caçada pelos ventos! (2013) e outro, Vento Forte, realizado pelo CPP (Conselho Pastoral dos Pescadores) e lançado esse ano – acompanhamos os relatos dos danos ambientais e sociais causados pelas (várias) empresas de geração de energia eólica.
Para quem acompanhou as transformações causadas pelas usinas hidrelétricas, o esquema se repete: contratos abusivos, audiências públicas de fachada, devastação da flora e fauna, controle sobre a água (ao menos no período da construção), desapropriação e remoção de comunidades tradicionais.
Assim como no caso das hidrelétricas no Madeira se propalava que usinas a fio d’água eram sinônimo de energia limpa, o senso comum diz que as usinas eólicas também geram energia limpa. A fonte é renovável, não é? Falar de “impacto” é pouco, porque o dano não pode mais ser mitigado. Trata-se de transformações em que o desgaste provocado é irreversível. A remoção de pessoas é uma constante. A disputa por territórios é perpetuada. Grandes obras de infraestrutura implicam em remoções forçadas de comunidades inteiras, sejam obras para a Copa, as Olimpíadas, ou para geração de energia. Para onde vai essa energia toda?
A energia produzida ali não se destina ao entorno. Assim como Santo Antônio e Jirau tiveram sérios problemas em relação às linhas de transmissão, as usinas eólicas estão criando elefantes brancos mal planejados. Aqui se aplica bem a frase perolar proferida por um colega: “Primeiro atiram a flecha, depois correm com o alvo, pra tentar fazer a flecha acertar o alvo.”
Com tais “regras do jogo”, não há nenhuma fonte limpa. 31 novas usinas solares foram contratadas pelo Governo em leilão realizado no ano passado. A novíssima fonte se reúne à matriz energética nacional repisando os trilhos da concentração econômica, licenciamento e instalação compulsórias nos locais mais propícios à maximização da geração, o que significa novas levas de remoções sumárias e efeitos ambientais “imprevistos”.
Não estamos fazendo opção por fontes com “menor impacto”. Todas as fontes estão sendo inventariadas para serem utilizadas extensivamente, como demonstra o projeto de expansão do parque nuclear brasileiro no vale do rio São Francisco, ou as dezenas de novas hidrelétricas na Amazônia, projetadas para serem instaladas até 2018. A escolha já foi feita em nome dos conglomerados eletrointensivos que ficam muito contentes em poderem ostentar selos de “sustentabilidade”.  Os documentários anunciam uma nova geração de moinhos de gente, que mesmo assim se apresentam como negócios limpos.
No modelo que temos hoje, a indústria eletrointensiva é a maior consumidora de energia, e sua demanda é infinita: nunca se produziu tanta energia no Brasil e nunca se pagou tão caro por ela. Tem alguma coisa errada nessa conta. Será que, com nosso poder de organização e planejamento, não somos capazes de repensar esse modelo predatório de geração de energia?

foto lou
Lou-Ann Kleppa, que está publicando artigo neste site como colunista convidada, é professora da Universidade Federal de Rondônia (Unir), graduada em Letras pela Universidade de São Paulo, tem mestrado e doutorado em Lingüística pela Universidade Estadual de Campinas (SP), e doutorado sanduíche em Neurolingüística pela Radboud University Nijmegen. Foi diretora do documentário “Entre a cheia e o vazio”. 

Artigo originalmente publicado no Amazônia Real e reproduzido pelo Portal EcoDebate, 31/03/2015

segunda-feira, 30 de março de 2015

A ECONOMIA BRASILEIRA.

'Não perdi a esperança porque existe a classe emergente'

Pessimista com os rumos do ajuste fiscal e com a economia brasileira no longo prazo, o economista Yoshiaki Nakano identifica uma fagulha de esperança: o pragmatismo das classes ascendentes. Comparando o ajuste brasileiro com os casos bem-sucedidos da história, Nakano lamenta a alta dos juros, a falta de um corte mais drástico de despesas públicas e a garantia para o empresariado de que o real não vai voltar a se apreciar.
A entrevista é de Diego Viana, publicada pelo jornal Valor, 27-03-2015.
Nakano, que foi tesoureiro e secretário do governo estadual paulista de 1995 a 2001, secretário especial do Ministério da Fazenda e consultor do Banco Mundial, teme também que o país fique enredado na "armadilha da renda média", sem forças para aumentar produtividade e integrar-se em cadeias globais de valor. Mas os novos consumidores no país permitem ao economista manifestar algum otimismo: são eleitores avessos à inflação e dispostos a reivindicar melhores serviços públicos.
Luis Ushirobira/ValorNakano: "O mundo se reorganizou nos últimos 40 anos e perdemos o bonde".
Diretor da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio VargasNakano fala da metodologia que a escola adota para aumentar a fixação de conhecimentos pelos alunos. O método de aprendizagem por problemas recusa as tradicionais aulas expositivas e obriga os estudantes a reter o conteúdo ao explicar uns para os outros o que aprenderam.
Eis a entrevista.
Desde 2013, o sr. tem argumentado sobre a necessidade do ajuste fiscal. Como avalia o ajuste tal como proposto?
Não sou otimista com o ajuste que está sendo feito. A maior parte dos ajustes bem-sucedidos tem três componentes. Uma política cambial com regras críveis, forte contração da despesa, de no mínimo 3% do PIB, e juros baixos para estimular investimento e consumo. A economia se recupera rapidamente. Ajustes que aumentam impostos normalmente não dão certo. A primeira etapa costuma ser a desvalorização cambial que aponta para o empresariado - se o câmbio permanecer competitivo, vai ter condições de exportar. Depois do ajuste cambial, que dá o estímulo à economia, tem o problema do impacto inflacionário. Aí vem o ajuste fiscal: cortam-se despesas do governo, o que dá credibilidade e segura a inflação.
Bem ou mal, desvalorização estamos tendo.
No nosso caso, ninguém tem segurança de que o câmbio vai ficar nesse nível. O empresário brasileiro demora pelo menos dois anos para responder a um ajuste cambial. Nenhum empresário está fazendo operações de adiantamento de câmbio. Todo mundo está esperando para ver o que acontece.
Se o câmbio se mantiver nesse nível, a indústria tem fôlego para se recuperar ou a desindustrialização é irreversível?
Tem fôlego para um longo processo de recuperação, mas o problema de longo prazo é mais complicado. O mundo se reorganizou nos últimos 40 anos e perdemos o bonde. A integração da indústria se deu com ampliação de cadeias globais de valor agregado. Todo esse processo da década de 80 para cá se deu por meio de acordos de livre comércio. Ficamos fora. Só fizemos o Mercosul, o clube dos não competitivos, que não tiveram coragem de fazer um projeto de país. Se temos dificuldade de fazer um mísero ajuste fiscal, imagina mudar toda a estrutura industrial. Nossa economia é fechada e vai continuar assim. Mas uma coisa pelo menos já aconteceu: a indústria brasileira em 1980 era contra qualquer negociação de livre comércio. Hoje, é a favor. O governo é que não é.
Os Estados Unidos preparam elevação dos juros, o que provoca alta do dólar ao redor do mundo. Quando os EUA elevaram os juros em 1979, o Brasil quebrou. Como isso refletirá em nós desta vez?
Teremos o mesmo problema. Se tiver conta de capital totalmente livre, vai ter saída súbita de dólares. Mas os EUA estão numa armadilha e a Europa está entrando na mesma: a armadilha do afrouxamento monetário. Em 2013, só de [BenBernanke [ex-presidente do Fed] falar que pararia de comprar títulos no longo prazo, o juro disparou e deu confusão. Estão postergando tanto quanto podem. O afrouxamento torna a base monetária maior do que precisaria ser: são sobras de reservas bancárias que os bancos não conseguem emprestar por falta de demanda de crédito. As empresas preferem pagar a dívida a investir, sabendo que a economia vai crescer devagar.
O sr. comentou também sobre a necessidade de reformas e enfatizou a reforma política, porque as classes emergentes não se sentem refletidas nos partidos.
Ainda não perdi a esperança neste país porque existe essa classe emergente, que, diferentemente da classe média tradicional, é pragmática. Vai reagir em função do bolso. O que querem? Emprego, inflação baixa, melhorar as condições de vida, poder consumir. Quando a política de um país adquire um componente pragmático, e isso hoje constitui a maioria da população, adquire fator de racionalidade. É a economia que interessa, é o emprego, inflação baixa. E isso pode mudar o país. Por exemplo, a carga tributária: finalmente a população está descobrindo que paga muito imposto.
A Eesp está adotando novo método de ensino no momento em que, no mundo todo, as escolas de economia são questionadas por seus alunos. Isso vem desde o manifesto pós-autista, há mais de dez anos, e culmina com greves estudantis nos EUA e no Reino Unido.
Um dos problemas é que a economia se "matematizou". Tudo o que a economia diz ficou restrito ao campo da lógica formal, mas os fenômenos econômicos, sociais e políticos não são redutíveis à lógica formal. Outra razão é que o ensino da economia é desastroso. Adota-se, particularmente no Brasil, um modelo de ensino ultrapassado: aulas expositivas. A capacidade do aluno de reter o que o professor diz é muito baixa. Depois de um mês, ele lembra no máximo 5%.
A crise do ensino de economia se reflete no mercado de trabalho?
As empresas não procuram tanto o conhecimento específico da área de formação, mas uma série de outras habilidades: capacidade de comunicação, resolução de problemas, análise, tomada de decisão, trabalho em grupo, liderança. No nosso método, para cada tópico que o professor ensina há um problema do mundo real. O aluno deve destrinchar, interpretar, analisar. Isso desenvolve a capacidade analítica. O aluno toma o particular para pensar o universal e volta do geral para o particular. Ele se torna um verdadeiro economista, não alguém que tenta resolver um problema pelo senso comum.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

REDUÇÃO NO NÚMERO DE FILHOS POR FAMÍLIA.

Redução no número de filhos por família é maior entre os 20% mais pobres do país

Publicado em março 30, 2015 
Nos últimos dez anos, o número de filhos por família no Brasil caiu 10,7%. Entre os 20% mais pobres, a queda registrada no mesmo período foi 15,7%. A maior redução foi identificada entre os 20% mais pobres que vivem na Região Nordeste: 26,4%.
Os números foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e têm como base as edições de 2003 a 2013 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento mostra que, em 2003, a média de filhos por família no Brasil era 1,78. Em 2013, o número passou para 1,59. Entre os 20% mais pobres, as médias registradas foram 2,55 e 2,15, respectivamente. Entre os 20% mais pobres do Nordeste, os números passaram de 2,73 para 2,01.
Para a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, os dados derrubam a tese de que a política proposta pelo Programa Bolsa Família estimula as famílias mais pobres do país a aumentar o número de filhos para receber mais benefícios.
“Mesmo a redução no número de filhos por família sendo um fenômeno bastante consolidado no Brasil, as pessoas continuam falando que o número de filhos dos pobres é muito grande. De onde vem essa informação? Não vem de lugar nenhum porque não é informação, é puro preconceito”, disse.
Entre as teses utilizadas pela pasta para explicar a queda estão os pré-requisitos do programa. “O Bolsa Família tem garantido que essas mulheres frequentem as unidades básicas de Saúde. Elas têm que ir ao médico fazer o pré-natal e as crianças têm que ir ao médico até os 6 anos pelo menos uma vez por semestre. A frequência de atendimento leva à melhoria do acesso à informação sobre controle de natalidade e métodos contraceptivos”.
A demógrafa da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE Suzana Cavenaghi acredita que o melhor indicador para se trabalhar a questão da fecundidade no país deve ser o número de filhos por mulher e não por família, já que, nesse último caso, são identificados apenas os filhos que ainda vivem no mesmo domicílio que os pais e não os que já saíram de casa ou os que vivem em outros lares.
Segundo ela, estudos com base no Censo de 2000 a 2010 e que levam em consideração o número de filhos por mulher confirmam o cenário de queda entre a população mais pobre. A hipótese mais provável, segundo ela, é que o acesso a métodos contraceptivos tenha aumentado nos últimos anos, além da alta do salário mínimo e das melhorias nas condições de vida.
“Sabemos de casos de mulheres que, com o dinheiro que recebem do Bolsa Família, compram o anticoncepcional na farmácia, porque no posto elas só recebem uma única cartela”, disse. “É importante que esse tema seja estudado porque, apesar de a fecundidade ter diminuído entre os mais pobres, há o problema de acesso e distribuição de métodos contraceptivos nos municípios. É um problema de política pública que ainda precisa ser resolvido no Brasil”, concluiu.

A GRANDE FENDA AFRICANA - NATGEO







domingo, 29 de março de 2015

NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO.

Novo Acordo Ortográfico Será Cobrado no Enem 2016 | infoEnem



Posted: 29 Mar 2015 09:23 AM PDT
As regras de ortografia da Língua Portuguesa estão em transição. O Novo Acordo Ortográfico está em período de adaptação desde 2009 até 2016. Isso significa que até 31 de dezembro de 2015, as duas ortografias são oficialmente aceitas.
Como o exame nacional geralmente é aplicado no final de cada ano, é esperado que o Enem 2015 aconteça entre outubro e novembro deste ano, período em que as duas ortografias, a antiga e a nova, são aceitas. Já a partir de 1 de janeiro de 2016, somente a nova ortografia será aceita como correta na norma formal da Língua Portuguesa.
No caderno de Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias, não é comum haver muitas questões de gramática que requeiram que o aluno saiba regras de ortografia. Entretanto, como esse é o último ano de adaptação, o Enem pode surpreender muitos candidatos e professores trazendo nessa prova questões que tratem sobre o uso formal da Língua e a aplicação da ortografia.
Além das questões, a parte do exame que mais preocupa os candidatos quando se trata do Novo Acordo Ortográfico é a redação. Para escrever a dissertação, é necessário seguir a norma culta da Língua Portuguesa aplicando todas as regras gramaticais, o que inclui a ortografia oficial. Essa norma é a Primeira Competência da Redação do Enem, ou seja, o primeiro critério de avaliação. Escrever gramaticalmente correto vale 200 pontos de um total de 1000 na redação.
Por isso, caso você esteja se preparando para prestar vestibular esse ano, deve se atentar para esse fato. As provas realizadas ainda em 2015, como possivelmente será o Enem, podem ser escritas ainda na ortografia antiga. As provas realizadas em 2016, mesmo que seja segunda fase de algum vestibular desse ano, deverão obrigatoriamente serem escritas a luz da nova ortografia.
Para treinar redações, conheça o Programa de Correção do infoEnem, onde você poderá ter uma redação corrigida por semana, nos mesmos critérios do exame! Ao fazer redações, você pode estudar as novas regras ortográficas conforme escreve e já ir se preparando para as provas feitas a partir do ano que vem.


Estude com as Melhores Apostilas Para o Enem 2015

    Artigo Original: Novo Acordo Ortográfico Será Cobrado no Enem 2016 Baixe gratuitamente o e-Book: Manual do Sisu 2015 / Manual do Prouni 2015
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sábado, 28 de março de 2015

ISOSTASIA : MOVIMENTOS EPIROGENÉTICO

A superfície da Terra está subindo embaixo dos nossos pés.

Brian K. Sullivan


  • MODIS/Aqua/NASA
    Camada de gelo mostra sinais de derretimento a oeste do Alasca, em imagem feita em 4 de fevereiro de 2014 por satélites da Nasa. O estreito de Bering, coberto com gelo, se situa entre Alasca e Rússia
    Camada de gelo mostra sinais de derretimento a oeste do Alasca, em imagem feita em 4 de fevereiro de 2014 por satélites da Nasa. O estreito de Bering, coberto com gelo, se situa entre Alasca e Rússia
Nos EUA, nos últimos doze meses, houve alertas mais do que suficientes de como o clima pode afetar nossas vidas. A Califórnia está entrando no quarto ano de seca porque não teve neve suficiente. Boston está começando a emergir de uma quantidade recorde de neve. Quase todos os dias, voos são cancelados, crianças perdem aulas e pais enviam cheques às seguradoras para se protegerem de inundações, furacões e tornados.
No entanto, também existem impactos de longo prazo que a maioria das pessoas talvez não perceba. Por exemplo, se você mora no Canadá, no norte dos EUA ou em determinadas partes da Europa, o solo sob seus pés está subindo. E o motivo, de certo modo, é o clima.
Mas não o clima no sentido da chuva de ontem ou do vento da semana passada. O fenômeno foi causado pelas neves que se acumularam e criaram enormes mantos de gelo que cobriram a terra na última Era do Gelo. OK, foi muita neve, por um longo período de tempo, mas a questão tem mais a ver com o clima do que simplesmente com as condições meteorológicas.
Independentemente da causa, a mudança é perceptível. "Podemos monitorá-la em tempo real", disse Theresa Damiani, pesquisadora de geologia da Investigação Geodésica Nacional (NGS), da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), em Camp Springs, Maryland.
Compensação da Terra
O peso dos mantos de gelo, que tinham diversos quilômetros de espessura em alguns lugares, empurrou a superfície da Terra para baixo. Quando o gelo derreteu e recuou, o solo começou a subir novamente.
A NOAA descreve o fenômeno como o que acontece quando um colchão velho volta ao formato original depois que uma pessoa se levanta de manhã. Quando os mantos de gelo começaram a recuar, ocorreu uma recuperação rápida em muitas regiões, que desacelerou ao longo dos séculos, disse Damiani.
"O solo vem se recuperando e continua nisso", disse Damiani. "Leva um período muito longo".
A superfície da Terra sobe cerca de 1 milímetro por mês no Canadá e aproximadamente a mesma quantidade ao longo de um ano nos EUA, disse ela. Para um lugar como a Baía de Hudson, no Canadá, as mudanças seriam visíveis ao longo da vida de uma pessoa, disse ela.
"Se você construiu um atracadouro, parece que o oceano está baixando", disse Damiani.
Não é que o nível do oceano esteja caindo ? é que a terra está voltando a subir.
Ao calcular o aumento dos oceanos devido ao atual derretimento das geleiras e dos mantos de gelo, os pesquisadores precisam levar em consideração essas taxas de recuperação, de acordo com um relatório da NOAA publicado em dezembro de 2012.
Área coberta
É claro que a terra só está subindo nas áreas cobertas pelo manto de gelo. No hemisfério ocidental, essa região abrange quase todo o Canadá até a Nova Inglaterra, passando pelos Grandes Lagos e chegando à Região Centro-Oeste, às Grandes Planícies do norte e ao Noroeste do Pacífico.
Além do limite dos lugares em que o gelo empurrou o solo para baixo, existem áreas onde a superfície está, na verdade, assentando-se mais abaixo. O que aconteceu aí é que o terreno na beira dos mantos de gelo se comportou como a geleia que se esparrama para fora de um sanduíche esmagado.
As mudanças podem provocar pequenos terremotos, embora eles sejam muito fracos e passem despercebidos para a maioria das pessoas.
O movimento é acompanhado por meio de satélites de posicionamento global e é utilizado para assegurar que os mapas continuem sendo exatos, disse Damiani.
"A tarefa da minha agência, a NGS, é a de monitorar o formato do planeta", disse Damiani.
Os países escandinavos também monitoram a lenta taxa de recuperação da superfície ao longo dos últimos 14.000 anos, um ou dois séculos a mais ou a menos, desde que os mantos de gelo atingiram o auge na última Era do Gelo.
A paciência é, sem dúvida, um dos requisitos para esse trabalho.
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Nasa registra o que o aquecimento global já fez no meio ambiente 11 fotos

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As transformações no meio ambiente causadas pelas mudanças climáticas são registradas em um banco de imagens da Nasa. As imagens foram, em geral, tiradas na mesma época do ano, respeitando as estações. A paisagem da geleira Muir, no Alasca (EUA), foi registrada à esquerda no ano de 1882 e à direita mais de um século mais tarde, em agosto de 2005 1882/G.D. Hazard; 2005/Bruce F. Molnia/World Data Center for Glaciology