quarta-feira, 1 de outubro de 2014


terça-feira, 30 de setembro de 2014

AGROPECUÁRIA E O DESMATAMENTO ILEGAL NO BRASIL

Agropecuária é responsável por 90% do desmatamento ilegal no Brasil

Publicado em setembro 29, 2014  
Derrubada irregular dá lugar ao gado e à soja. Grande parte dos produtos é destinada à exportação para Rússia, China, EUA e União Europeia, revela estudo.
Sojaanbau Brasilien
Entre 2000 e 2012, a agropecuária foi responsável por metade do desmatamento ilegal nos países tropicais. No Brasil, até 90% da derrubada ilegal da floresta neste período ocorreu para dar lugar ao gado e à soja. Os números fazem parte de um estudo da organização Forest Trends.
Segundo o relatório da ONG americana baseada em Washington, as situações mais críticas foram registradas no Brasil e na Indonésia. No Brasil, parte considerável dos produtos cultivados nessas áreas ilegais vai para o mercado externo: até 17% da carne e 75% da soja. Os destinos incluem Rússia, China, Índia, União Europeia e Estados Unidos.
Brasil e Indonésia são os maiores produtores do mundo de commodities agrícolas para a exportação. O que é colhido nas terras desmatadas ilegalmente nesses países vai parar em cosméticos, produtos domésticos, alimentos e embalagens.
“Naturalmente, os países compradores também são responsáveis. Afinal, eles estão importando e consumindo produtos sem prestar atenção em como foram produzidos. Consequentemente, estão criando uma demanda. E as companhias envolvidas no negócio estão lucrando”, avalia Sam Lawson, principal autor do estudo e consultor de instituições como o Banco Mundial e Greenpeace. Ele calcula que esse tipo de comércio gere uma receita de 61 bilhões de dólares, cerca de 140 bilhões de reais.
A pesquisa foi feita ao longo dos últimos três anos e reuniu dados publicados em mais de 300 artigos científicos, informações da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e dados de satélite.
Ilegalidade no Brasil
Ao mesmo tempo em que o estudo aponta o Brasil como líder nesse tipo de ilegalidade, ele reconhece que o país reduziu dramaticamente o desmatamento desde 2004. A taxa de derrubada ilegal na Amazônia caiu mais de 70% se comparada aos índices medidos entre 1996 e 2005.
“No Brasil, as florestas também estão dentro de propriedades privadas. E, em muitos casos, o único documento que o produtor rural tem para justificar sua plantação é um certificado de posse da terra. Eles não têm, necessariamente, a permissão para cortar a floresta para dar lugar a essa plantação”, diz Lawson.
Francisco Oliveira, diretor do Departamento de Políticas de Combate ao Desmatamento na Amazônia, do Ministério de Meio Ambiente, diz que a apropriação irregular de terras públicas, ou “grilagem”, é uma das principais causas do desmatamento ilegal. “Um grileiro nunca vai buscar uma autorização de desmatamento”, acrescenta.
O corte da mata também é feito por proprietários regulares de terra. Mas nem todos respeitam a lei: muitos retiram a vegetação nativa para expandir plantações sem a devida autorização, que é dada pelo governo estadual. Para aumentar o rigor na fiscalização, o governo federal pretende exigir que os estados repassem as autorizações de supressão de vegetação concedidas aos proprietários.
A legislação nacional obriga as propriedades rurais privadas a manter no mínimo 20% da vegetação natural, a chamada Reserva Legal. Por outro lado, ainda não existem dados oficiais que mostrem quem cumpre a lei. A esperança de separar “o joio do trigo” está no Cadastro Ambiental Rural (CAR), introduzido com o novo Código Florestal para ajudar no processo de regularização.
Esse cadastro tem que ser feito por todo proprietário e trará informações georreferenciadas do imóvel, com delimitação das Áreas de Proteção Permanente, Reserva Legal, entre outros. “A pessoa sabe que entrou para um sistema e vai tomar os devidos cuidados para não desrespeitar a legislação, e quer ser respeitada por isso”, analisa Oliveira.
Comida e floresta para todos
Cinco campos de futebol de florestas tropicais são destruídos a cada minuto para suprir a demanda por commodities agrícolas. A FAO também vê esses números com preocupação. A organização estima que, até 2050, o mundo precisará de cerca de 60 milhões de hectares extras para suprir a demanda por comida.
Para Keneth MacDicken, especialista em assuntos florestais da FAO, seria possível fazer essa expansão sem agredir as florestas. “Aumentar a produtividade, melhorar as técnicas e diminuir o desperdício são fundamentais”, diz.
Para acabar com a produção agropecuária em terras desmatadas ilegalmente, é importante mostrar que a legalidade é rentável. “Nesse processo, empresas como a Embrapa são muito importantes. Porque elas ajudam os proprietários rurais a produzir de forma mais eficiente e mais rápida”, exemplifica MacDicken.
Além do aumento na fiscalização e vigilância por satélite, Oliveira, do ministério de Meio Ambiente, aposta na parceria com produtores para mostrar que o consumidor também está ficando mais exigente. “Os compradores de soja no mercado internacional não estão querendo atrelar o nome ao desmatamento ilegal na Amazônia.” Essa percepção criou a chamada “moratória da Soja”, em que produtores se comprometeram a não estender o cultivo para áreas desmatadas.
Lawson só vê uma saída: “Nada vai funcionar se os governos não tomarem providências contra a ilegalidade”. O pesquisador admite que, hoje, o tema é mais discutido entre produtores e consumidores do que há dez anos. No entanto, se os números do desmatamento associado à expansão da agropecuária ainda são altos, a conclusão é que “esse combate ainda não está sendo feito como deveria”.
Matéria de Nádia Pontes, da Deutsche Welle, DW.DE, reproduzida pelo Portal EcoDebate, 29/09/2014
Fonte : EcoDebate

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

CIDADES GLOBAIS.











ladiesdamoda.com.br

O conceito de cidade global refere-se ao desempenho econômico, logístico, estrutural e o grau de influência em nível global. Quando se fala em cidades globais imagina-se que seja uma cidade de grande aglomeração urbana (metrópole ou megalópole), mas essa ideia fica em segundo plano. Desse modo, existem cidades consideradas médias que são globais, em contrapartida outras são megacidades com mais de 10 milhões de habitantes e nem por isso ocupa essa condição.

Atualmente são reconhecidas 55 cidades globais, porém esse total não ocupa um mesmo grupo. Essas cidades são classificadas em três grupos, que recebem o nome alfa, beta e gama. A variação é de acordo com os níveis de influência desempenhado na esfera global. A pontuação máxima de uma cidade global é 12, apenas quatro cidades atingiram tal nível, são elas: Nova York, Tóquio, Londres e Paris. A Europa possui a maior quantidade de cidades globais (22 cidades).

A seguir as cidades que compõem os grupos alfa, beta e gama:

Alfa: representa o grupo de cidades de maior destaque e influência no cenário global, com essas características temos um número seleto de 10 cidades: Londres, Paris, Frankfurt, Milão (europeias), além de Nova York, Tóquio, Los Angeles, Chicago, Hong Kong e Cingapura.

Beta: grupo constituído por dez cidades (sendo quatro europeus), são elas: São Francisco, Sidney, Toronto, Zurique, São Paulo, Cidade do México, Madri, Bruxelas, Moscou e Seul.

Gama: esse grupo integra trinta e cinco cidades (sendo quatorze delas europeus). As cidades são: Osaka, Pequim, Boston, Washington, Amsterdã, Hamburgo, Dallas, Dusseldorf, Genebra, Xangai, Montreal, Roma, Estocolmo, Munique, Houston, Barcelona, Berlim, Jacarta, Johannesburgo, Melbourne, Praga, Santiago, Taipe, Varsóvia, Atlanta, Budapeste, Buenos Aires, Copenhague, Istambul, Kuala Lumpur, Manila, Miami, Mineapolis, Bangoc e Caracas.

Fica clara a hegemonia de cidades europeias em todos os níveis, isso mostra o crescimento em diversos aspectos desse continente e que tem feito frente à potência mundial, os Estados Unidos.

Fonte : Alunos OnLine
Por Eduardo de Freitas

domingo, 28 de setembro de 2014

CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS PARA FALTA DE ÁGUA.

Chuvas Aliviam Problemas, Mas Não Resolvem

Chuvas diminuem naturalmente com o retorno do período seco no outono

(Fonte: http://jornaldotempo.uol.com.br Por: Aline Cardoso)

Foto: Sergio Castro/Estadão Conteúdo
A falta de chuva e o calor recorde têm trazido sérios problemas para uma das maiores matrizes de abastecimento de água do mundo. A capacidade dos reservatórios do Sistema Cantareira atingiu o menor nível em toda história. O Sistema, que é formado por quatro represas e abastece 47% da Grande São Paulo, atingiu a marca preocupante de 19,4%, segundo a Sabesp. Isso acontece porque a chuva tem sido insuficiente sobre as nascentes das principais Bacias Hidrográficas do Sudeste.
Para se ter uma ideia, em dezembro de 2013 choveu apenas 62,9mm, quando o normal de chuva para o mês era de 226,8mm, segundo dados da Sabesp. Esse foi o pior mês de dezembro desde que a medição começou a ser feita, há 84 anos. A chuva acumulada sobre a cidade de São Paulo tem pouca importância para o aproveitamento no Sistema de distribuição de águas da Sabesp, já que a maior parte dos municípios que compõem o Sistema estão entre o norte da Grande São Paulo e o sul de Minas Gerais.
Apesar de dias seguidos com tempo quente e seco, a precipitação na Capital paulista ficou dentro da média climatológica em janeiro, que é de 238,7mm. Já nas regiões que alimentam o Sistema Cantareira, como os principais rios e suas nascentes, o acumulado em janeiro ficou abaixo do normal. Entre Camanducaia-MG e Mairiporã-SP, área de grande importância dentro do Sistema Cantareira, o volume acumulado foi 87,8 mm, sendo que a média é de 260mm. Além da falta de chuva, outro fator contribuiu para o desabastecimento: o mês de janeiro foi o mais quente da história em São Paulo, o que ajudou elevar o consumo de água em toda a Região Metropolitana. Neste mês de fevereiro, houve escassez de chuva. Foram poucos episódios de pancadas fortes e em pontos isolados, o que também ajudou para o cenário atual.

A previsão da Somar Meteorologia indica retorno das chuvas ainda esta semana
Para aliviar a situação dos reservatórios do Sistema Cantareira, seria necessário uma sequência de dias chuvosos entre o sul de Minas Gerais até o norte de São Paulo. Essa área engloba os municípios de Joanópolis, Extrema, Piracaia, Itapeva, Nazaré Paulista, Monte Verde e Mairiporã. São nessas localidades que se encontram as nascentes dos principais rios que alimentam os quatro grandes reservatórios do Sistema: Represas de Paiva Castro, Águas Claras, Cachoeira, Atibainha, Jaguari e Jacareí.
“A previsão é de que as chuvas mais generalizadas e homogêneas devam começar a se intensificar entre o final de fevereiro e o início de março” – afirma o meteorologista Willians Bini da Somar. Esse cenário deve aliviar a queda nos níveis dos reservatórios, mas não será suficiente para recuperá-los até o final da estação chuvosa, que se encerra entre março e abril. Durante o período seco, entre junho e agosto, é normal mais uma vez o desabastecimento dos reservatórios, e a expectativa de uma nova recuperação viria apenas com as chuvas que se iniciam entre outubro e novembro.
O mês de janeiro de 2014 foi extremamente atípico, especialmente quanto ao calor e a distribuição de chuva, devido a um bloqueio atmosférico. Esse sistema que está sobre o Sudeste e Sul do país impede a passagem de frentes frias. De acordo com as projeções da Somar Meteorologia, esse bloqueio deve ser rompido a partir de sexta-feira, e as frentes frias devem finalmente avançar sobre a Região Sudeste. “O modelo mostra que em meados do dia 20, teremos outra frente fria que consegue organizar toda a umidade da amazônia, e assim teremos dias mais chuvosos, com precipitações mais fortes e generalizadas” – comenta o meteorologista Celso Oliveira. A chuva deve recuperar pouco o nível das represas, o que não é suficiente para recuperar o deficit hídrico.
Fonte : Jornal Gazeta

CRISE DA ÁGUA.

Crise da água: fenômeno climático ou omissão do poder público?


Mais de 17 milhões de pessoas, principalmente os habitantes das regiões metropolitanas da capital e de Campinas, já sofrem os impactos da mais grave crise no abastecimento de água no estado de São Paulo. Diariamente, os sistemas Cantareira e Alto Tietê, responsáveis pelo suprimento para mais de 9 milhões de pessoas, registram redução no volume de água armazenada, o que configura o pior cenário no abastecimento da história do estado. Desde maio deste ano, Cantareira já opera com o volume morto.
Infelizmente, não se trata de um problema regional. O que boa parte da população do mais poderoso estado da federação sente na pele hoje já é bem conhecido por cidadãos de regiões tão distantes quanto Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Pernambuco. Tampouco se pode afirmar que a crise pegou as autoridades responsáveis pelo abastecimento de surpresa. Não é de hoje que o problema vem se instalando, de forma sorrateira. Desde 2013 as chuvas não ocorrem no volume esperado. A maioria dos meses daquele ano registrou níveis de pluviosidade abaixo da média dos últimos 30 anos. A situação se agravou entre outubro daquele ano e os três primeiros meses de 2014, quando eram esperados cerca de 600 milímetros de chuva, mas caíram menos de 300 milímetros.
As autoridades põem a culpa na falta de chuva, mas o fenômeno climático não explica o problema sozinho. Ele é resultado da perigosa conjunção de fatores como falta de planejamento, má administração de recursos, eventos climáticos extremos e consumo excessivo.
E a tendência é piorar. Caso não sejam adotadas medidas urgentes, uma crise severa é prevista para o ano que vem, porque qualquer que seja o regime de chuva dos próximos meses, dificilmente ele será suficiente para recompor os reservatórios ao nível necessário.
A crise levanta questões que todos os cidadãos devem fazer a si mesmos e aos candidatos para as próximas eleições. No caso de São Paulo, a portaria que renovou a outorga da concessão da administração do Cantareira, em 2004, já indicava que as autoridades estaduais não deveriam depender tanto das chuvas para o fornecimento da água do sistema. Entretanto, o governo ignorou vários relatórios que apontavam para essas evidências, sem tomar medidas preventivas adequadas. Ao contrário do que era necessário, não houve uma reformulação nos mesmos modelos de gestão e planejamento que são adotados há 20 anos, para adaptá-los aos novos ciclos naturais e aos novos perfis de consumo.
Contamos hoje, nos grandes centros do País, com sistemas de abastecimento muito antigo, com graves carências de manutenção, que precisam ser profundamente reformados. Somente no estado de São Paulo, a simples manutenção no sistema de distribuição evitaria um desperdício da ordem de 25%, o que abasteceria 3,7 milhões de pessoas.
Além da manutenção da rede de distribuição, do combate ao desperdício e de campanhas educacionais voltadas para o reuso da água, outras medidas de caráter estrutural devem ser adotadas urgentemente, tais como a promoção de eficiência do uso de recursos hídricos, a melhoria da qualidade da água, a criação de políticas de moradia para evitar a ocupação em regiões próximas a mananciais e o combate à poluição.
Também se impõem ações voltadas para a proteção das florestas, matas auxiliares, Mata Atlântica e dos mananciais, sem esquecer a realização de obras para aumentar a capacidade de armazenamento das represas – obras que não podem parar por falta de recursos ou por quaisquer outros motivos.
Para financiar essas ampliações, muitos países definem multas para quem polui os mananciais ou consome água em excesso. Em compensação, praticam políticas de isenção de impostos para empresas que invistam na manutenção e expansão do sistema de abastecimento bem como bônus e descontos que compensem a compra de equipamentos que economizem água.
Parcerias público-privadas são bem-vindas para obras de esgoto e fornecimento de água.
Já que a crise não foi evitada a tempo, façamos com que a estiagem deste ano nos ensine quanto o nossos sistemas de distribuição e abastecimento são frágeis, quão escassa e valiosa é a água – mesmo num país tropical – e como é importante o envolvimento da população e dos governantes na preservação de um recurso tão vital para todos.
Paulo Oscar Auler Neto
Vice-presidente da Sobratema
Fonte : Revista GRANDES CONSTRUÇÕES

sábado, 27 de setembro de 2014

LENIÊNCIA : ESPÉCIE DE DELAÇÃO PREMIADA

Com medo de condenação, empreiteiras propõem acordo para revelar corrupção na Petrobras
Por leniência, empresas terão de confessar participação em desvio de dinheiro da estatal


CURITIBA e BRASÍLIA — Pressionadas pelo volume de provas e pelo alto risco de condenação, pelo menos duas grandes empreiteiras que têm contratos com o governo estão negociando com o Ministério Público Federal um acordo de leniência para confessar participação em desvios de dinheiro da Petrobras e, a partir daí, obter redução de penas em processos criminais.

Essa é a primeira vez na História do país em que emissários de grandes empreiteiras manifestam interesse em colaborar com a Justiça em um caso relevante de corrupção. O acordo de leniência é uma espécie de delação premiada para empresas acusadas de crimes.

Se concretizado, o acordo pode ajudar o MPF e a Polícia Federal a desvendarem toda a estrutura da corrupção em torno de contratos e obras da Petrobras que já vem sendo denunciada por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, e por ex-auxiliares do doleiro Alberto Youssef.

A iniciativa de propor o acordo de leniência partiu das empreiteiras. Representantes de pelo menos duas delas fizeram contatos com integrantes da força-tarefa encarregada das investigações da Operação Lava-Jato, oferecendo-se para uma possível delação. Os procuradores gostaram da ideia, mas advertiram que as empresas precisarão de fato colaborar com as investigações se quiserem se livrar de parte de futuras punições.

— Estamos conversando com mais de uma (empreiteira). Não negamos a possibilidade de um acordo de leniência. Mas as exigências são grandes. Só vamos aceitar se as exigências forem cumpridas — disse ao GLOBO uma das autoridades responsáveis pelas investigações.

EMPREITEIRAS TERÃO DE CONFESSAR CRIMES

Nos primeiros contatos, os procuradores explicaram aos representantes das empresas que elas terão de confessar os crimes cometidos, pagar multas proporcionais aos danos causados aos cofres públicos e se comprometer a não cometer novos delitos. As empresas teriam que adotar práticas de boa governança como transparência, lisura e retidão. A Siemens, envolvida em fraudes no metrô de São Paulo, já fez esse acordo na Alemanha.

As duas empreiteiras interessadas no acordo de leniência estão entre as sete maiores do país, segundo a fonte do GLOBO. Representantes dessas construtoras procuraram o Ministério Público porque sabem que têm poucas chances de escapar de pesadas condenações. Os procuradores já estão, inclusive, preparando ações para responsabilizar empreiteiras por lavagem de dinheiro. A acusação terá como base os depósitos das empreiteiras na MO Consultoria e na GFD, empresas vinculadas ao doleiro Alberto Youssef.

Não há prazo para os acordos de leniência serem fechados. O resultado final depende do grau de colaboração de cada empresa com as investigações da Operação Lava-Jato.

As revelações da contadora Meire Poza de que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o deputado André Vargas (sem partido-PR) ajudaram o doleiro Alberto Youssef nas negociações com fundos de pensão de empresas estatais serão a nova munição da oposição na CPI mista da Petrobras.

O líder do Solidariedade na Câmara, Fernando Francischini (PR), disse que vai apresentar requerimentos para ouvir os diretores do Postalis, fundo de pensão dos Correios, e do Funcef, da Caixa Econômica. Mesmo o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), não descartou que a CPI venha a investigar o caso, embora tenha destacado que o foco da CPI hoje é outro.

Meire Poza já trabalhou para Youssef e, em agosto, prestou depoimento à Polícia Federal indicando que teria sido feito um acordo para que Renan Calheiros e André Vargas, na época filiado ao PT, ajudassem o doleiro a fechar negócios com os dois fundos. As negociações, que renderiam R$ 50 milhões a Youssef, não foram adiante porque o doleiro acabou preso em março, durante a Operação Lava-Jato, da PF. O teor do depoimento de Meire foi revelado ontem pelo GLOBO.

— Vamos apresentar requerimentos para saber com quem (entre os políticos) os diretores dos fundos falaram — disse Francischini.

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), defendeu que o caso dos fundos de pensão também seja investigado na CPI. O partido já pediu que Meire Poza preste depoimento na comissão, mas o requerimento até agora não foi votado.

Ontem, o fundo de pensão dos Correios, o Postalis, confirmou, em nota, que havia recebido proposta para que fizesse um investimento Marsans Viagens, uma das empresas de Youssef. O Postalis afirmou, no entanto, que a proposta foi rejeitada, e que a decisão não foi tomada por conta da prisão doleiro, cuja ligação com a Marsans nem seria de conhecimento do fundo de pensão. “A decisão foi eminentemente técnica”, diz a nota.

Segundo o Postalis, no dia 28 de março, 11 dias após a prisão do doleiro Youssef, um parecer técnico recomendou a rejeição da proposta. A negativa foi referendada em reunião do comitê de investimentos um mês depois.

“O investimento teve parecer negativo por parte da equipe de analistas da área financeira e, em seguida, pelo Comitê de Investimentos do Postalis, conforme ata de 28/04/2014 daquele comitê. Não havia nada na documentação analisada que pudesse ligar o papel aos senhores Paulo Roberto Costa e/ou Alberto Youssef. O Postalis nunca teve conhecimento de que o investimento tivesse qualquer relação com essas pessoas”, diz a nota.

RENAN DIZ QUE NUNCA OUVIU FALAR DE YOUSSEF

Renan Calheiros negou, em nota, conhecer Youssef. Disse também que sequer tinha ouvido falar do doleiro antes dos fatos relacionados a ele se tornarem públicos. “Portanto, a possibilidade de ter me encontrado com a referida pessoa a qualquer pretexto é zero. Também é zero a chance de ter tratado de temas não republicanos com qualquer pessoa”, afirmou Renan, na nota.

O ministro Teori Zavascki, do STF, informou que a CPI da Petrobras tem o direito de convocar quem quiser para prestar depoimento, inclusive Paulo Roberto Costa. Segundo o ministro, não cabe a ele autorizar ou vetar a presença de alguém na comissão. A explicação foi dada em resposta a pedido de autorização feito pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), para o depoimento de Costa ao Congresso na próxima quarta-feira.
Fonte : O GLOBO

PETROBRAS E A DESVALORIZAÇÃO

26/09/2014 - 

Investigação

Paulo Roberto Costa recebeu US$ 23 mi para facilitar contratos de Petrobras com empreiteira

Segundo jornal 'O Globo', ex-diretor de Abastecimento da estatal confessou o esquema dentro do acordo de delação premiada com a Polícia Federal

Paulo Roberto Costa aceitou acordo de delação premiada da Polícia Federal
Paulo Roberto Costa aceitou acordo de delação premiada da Polícia Federal (Ueslei Marcelino/Reuters)
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, revelou à Polícia Federal que recebeu 23 milhões de dólares (55,2 milhões de reais) de uma empreiteira para facilitar contratos dela com a estatal. A informação, divulgada pelo jornal O Globo nesta sexta-feira, é apenas um das que constam nas 68 páginas de depoimentos no âmbito da delação premiada que Costa fez com a Polícia Federal. Paulo Roberto é um dos investigados na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Ele já contou também quem estava envolvido em esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro na estatal, como revelou reportagem de VEJA
Ao contar sobre sua participação no caso, Costa revelou um detalhe que chamou a atenção da Polícia: ele recebeu os 23 milhões de dólares sem a ajuda do doleiro Alberto Youssef, tradicional participante dos esquemas de corrupção da estatal, como já foi revelado pela Operação Lava Jato. Esta teria sido uma comissão "por fora". Era praxe que Costa negociasse os contratos e Youssef fizesse a movimentação financeira. 
Ainda segundo a publicação, o ex-diretor confessou ter recebido outros 1,5 milhão de dólares (3,6 milhões de reais) para "não atrapalhar" a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, negócio que acarretou prejuízo milionário à Petrobras. 
Os 23 milhões de dólares estão bloqueados em 12 contas bancárias na Suíça e, provavelmente, serão repatriados. Já a comissão de 1,5 milhão de dólares foi paga por um intermediário de um dos grupos envolvidos na compra - o nome está sob sigilo. 
Paulo Roberto Costa foi diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras entre 2004 e 2012, ano em que foi demitido pela atual presidente da estatal, Maria das Graças Foster. 
O Globo também mostrou nesta sexta que a presidente Dilma Rousseff foi informada em 2009 sobre “indícios de irregularidades graves” nas obras da refinaria Abreu e Lima, obra superfaturada da Petrobras. A presidente chegou a pedir para a Controladoria Geral da União (CGU) apurar o caso, mas o processo acabou arquivado em janeiro de 2014, sem punições. 
Envolvidos - Reportagem de VEJA do início do mês revelou que Paulo Roberto acusou, em depoimentos à Polícia Federal, uma verdadeira constelação de participantes do esquema de corrupção. Entre eles estão os presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). Do Senado,  Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, e Romero Jucá (PMDB-RR), o eterno líder de qualquer governo. 
Nesta semana, o doleiro envolvido na Operação Lava Jato, Alberto Youssef, aceitou também acordo de delação premiada, se comprometendo a entregar tudo o que sabe sobre a engrenagem bilionária que envolvia desvio de recursos públicos, inclusive da Petrobras, e lavagem de dinheiro.
Fonte : Revista Veja