segunda-feira, 29 de junho de 2015

ALEMANHA E O BLECAUTE NUCLEAR ATÉ 2022.

Alemanha fecha a mais antiga usina nuclear e mantém meta de blecaute nuclear total no país até 2022

Publicado em junho 29, 2015 
radiação

A central atômica de Grafenrheinfeld, a mais antiga em funcionamento na Alemanha, encerrará definitivamente neste sábado sua atividade, dentro do plano desenhado pelo governo após a catástrofe da usina japonesa de Fukushima e que fixa para 2022 o blecaute nuclear total no país. Matéria da EFE, no UOL Notícias.
Grafenrheinfeld, administrada por E.ON, estava em funcionamento há 33 anos e é a primeira central a fechar na segunda fase desta estratégia energética, aprovada em 2011 pela chanceler alemã, Angela Merkel, após ratificar o compromisso adquirido uma década antes por seu antecessor, o social-democrata Gerhard Schröder.
O fechamento provisório das oito usinas foi anunciado após a catástrofe de Fukushima.
A de Grafenrheinfeld, que fornecia em torno de 11,5% da energia consumida na Baviera, estado federado do sul, será a nona instalação cancelada, seis meses antes da data estabelecida, segundo a E.ON diante da falta de rentabilidade econômica pelos impostos por sua atividade.
As oito plantas restantes deverão ser desligadas até 2022. A próxima prevista é a de Grundremmingen B, no final de 2017.
“Fora. Acabou. A central de Grafenrheinfeld se desliga da rede. Um motivo de felicidade, embora ainda devam ser apagadas oito centrais”, lembraram os deputados dos Verdes no Twitter.
Em comunicado, a organização ambientalista Greenpeace qualificou o fechamento da usina de “grande êxito” do movimento anti-nuclear e de um “marco para a transição energética”.
O desafio é agora, destacou esta ONG, enfrentar a herança de toneladas de resíduos nucleares que devem ser armazenadas de maneira segura durante milhares de anos.
Para compensar o fechamento das nucleares, a política energética alemã está centrada no fomento das energias renováveis.
Publicado no Portal EcoDebate, 29/06/2015

REDUÇÃO DE GASES EFEITO ESTUFA - 35% DE REDUÇÃO EM RELAÇÃO ÀS EMISSÕES DE 2010.

COP21, Paris: Proposta do Observatório do Clima sugere 35% de redução em relação às emissões de 2010

Publicado em junho 29, 2015 
poluição

OC lança proposta de meta para o Brasil em Paris. Documento aponta medidas para limitar emissões em 2030 a 1 bilhão de toneladas de CO2 por ano

As emissões de gases de efeito estufa do país ficam limitadas a 1 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente até 2030. O número representa 35% de redução em relação às emissões de 2010. Para concretizar o plano, o Observatório do Clima lista o conjunto de providências que devem ser asseguradas por políticas públicas, colaborando para que o aumento da temperatura global não supere 2ºC.
São Paulo, 26 de junho de 2015 ‒ O Observatório do Clima (OC) lança hoje uma proposta que demonstra como o Brasil pode chegar a 2030 limitando suas emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa) a 1 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente. O documento sugere, no longo prazo, a neutralidade das emissões do Brasil e dos demais países em 2050, reduzindo consideravelmente o risco que o aquecimento global representa para o planeta.
O documento divulgado está sendo chamado de INDC da sociedade civil. As INDCs — sigla em inglês para Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas — consistem em metas que todos os países deverão apresentar até 1º de outubro deste ano para o novo acordo a ser assinado na 21ª Conferência do Clima das Nações Unidas, que acontecerá em Paris no mês de dezembro.
O governo brasileiro ainda não indicou as bases da INDC que levará para a reunião da França. O pacto internacional que será fechado lá almeja que o aumento da temperatura global não ultrapasse 2ºC — consenso científico e político entre os governos mundiais de limite máximo para evitar mudanças catastróficas.
Mesmo com todas as projeções de crescimento do PIB do Brasil, da população, da produção industrial e agropecuária, o número indicado para as emissões do país em 2030 significa uma redução de 35% do total estimado em 2010, marco da implementação da Política Nacional de Mudanças Climáticas no país.
O Brasil é um dos dez maiores emissores de CO2 do planeta. E, devido ao desmatamento descontrolado da última metade do século 20, contribuiu significativamente para o aumento verificado da temperatura global. Ao contrário do que ocorreu em outros países poluidores, a maior parte das emissões históricas do Brasil, causadas pela destruição da Amazônia, não gerou desenvolvimento. Um elemento-chave de proposta da sociedade civil para 2030 é que o país zere a perda de vegetação nativa.
Especialistas do Observatório do Clima discutiram várias opções de desenvolvimento de baixo carbono. “A sociedade civil está se antecipando ao governo, que ainda não apresentou as metas”, afirma Carlos Rittl, secretário-executivo do OC. Segundo ele, a proposição lançada pelo Observatório é plenamente realizável, pois conta com tecnologias disponíveis e em ampla utilização aqui.
Simultaneamente à proposta, está sendo apresentada uma nota técnica com medidas voltadas aos diferentes setores da economia. “Estamos mostrando que é possível para o país dar uma contribuição justa e ambiciosa, que seja ao mesmo tempo boa para o clima, reduzindo riscos, e boa para a economia, trazendo oportunidades em setores nos quais o Brasil já tem vantagens comparativas”, diz Rittl.
Crescimento responsável
Na prática, os especialistas criaram um caminho das pedras para uma economia de baixo carbono, demonstrando o conjunto de ações de adaptação às mudanças climáticas para os próximos anos, com base na realidade nacional. “Queremos assegurar à Presidente Dilma Rousseff que ela pode assumir essa meta para a redução de emissões porque temos condições de implementá-la. Pode ser o empurrão de que precisamos para formalizarmos um acordo global de clima que garanta não ultrapassarmos os 2oC de aumento de temperatura global”, salienta Tasso Azevedo, coordenador do SEEG, o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do OC.
No setor elétrico, está em pauta congelar a expansão de fontes térmicas de energia fóssil. Por isso, as principais providências estão relacionadas ao aumento de energia solar fotovoltaica distribuída, energia de biomassa (queima de bagaço de cana em termelétricas) e energia eólica, garantindo segurança energética em períodos de baixo nível de água em reservatórios de usinas hidrelétricas que fazem parte do Sistema Interligado Nacional. “Se o Brasil decidir olhar para sua vocação e potencial naturais, que são as energias renováveis como a solar e a eólica, vai mostrar que está disposto a fazer sua parte no que diz respeito à eletricidade”, afirma Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.
Pastos e veículos otimizados
Na área de transportes, as proposições se baseiam no que já está previsto na Política Nacional de Mobilidade Urbana, lei de 2012 que preconiza a ampliação da oferta de transporte público de passageiros e o estímulo para que as pessoas troquem o transporte individual pelo coletivo ou pelo não motorizado.
Focando em combustíveis, prevê-se o abandono gradual do uso de óleo diesel em ônibus urbanos nas regiões metropolitanas, em favor da eletricidade, bem como a adoção de fontes de energia mais limpas nos automóveis (prevalência de etanol e baterias). O plano é retomar o programa do álcool combustível para haver 80 bilhões de litros disponíveis e rodando na frota em 2030. “É uma meta ambiciosa, mas viável, se houver decisão política”, afirma André Ferreira, diretor-presidente do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), responsável pelos cálculos nesse quesito.
Quanto ao transporte rodoviário de carga, sugere-se aumentar a mistura de biodiesel no diesel de petróleo para 20%, o chamado B20, além de adaptação da frota às melhores práticas internacionais (caminhões e carros de melhor desempenho e menos poluentes).
Na agropecuária, para fazer frente ao crescimento do rebanho, projetado para mais de 260 milhões de cabeças, será necessário recuperar 18 milhões de hectares de pastagens degradadas e implementar 3,5 milhões de hectares de integração lavoura-pecuária-floresta. Outras medidas que reduzirão as emissões do rebanho bovino são: o aumento da qualidade das pastagens, a suplementação animal e a redução da idade de abate. O volume de tratamento de dejetos de animais também precisa dobrar. “Devemos aumentar a eficiência, sobretudo da pecuária de corte, o que traz ganhos para o produtor”, explica Marina Piatto, do Imaflora, que produziu as estimativas desse setor.
A expansão das áreas de lavoura, estimada em mais de 20 milhões de hectares, requererá que 70% da área de produção de grãos (83 milhões de hectares em 2030) adote o sistema de plantio direto e priorize o uso de variedades que realizam a fixação biológica de nitrogênio.
Etapas de evolução
Todos esses parâmetros para as políticas públicas devem estar relacionados no Plano Nacional de Adaptação às Mudanças do Clima, que os pesquisadores preveem que fique pronto até 2016. Ele consistirá num conjunto de metas para redução dos impactos sobre as populações e ecossistemas mais vulneráveis, incorporando planos de desenvolvimento e o conhecimento científico mais recente para abordar as características das diferentes regiões e dos setores econômicos.
O texto da INDC também indica que a redução sistemática e anual das emissões ocorrerá a partir de 1º de janeiro de 2021. Daí em diante, elas ficam cada vez mais limitadas ao longo de dois períodos de cinco anos, até que, em 2030, a emissão de GEE atinja a meta de máxima de 1 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente.
Em termos de viabilização financeira, os governos terão de assegurar que, até 2020, todos os seus planos plurianuais e orçamentos federais anuais já incluam recursos claros para financiamento das ações necessárias à consecução da INDC.

Publicado no Portal EcoDebate, 29/06/2015

DESERTIFICAÇÃO NO SEMIÁRIDO.

Especialista alerta para degradação e desertificação no Semiárido

Publicado em junho 29, 2015  
semiárido
“O processo de degradação e de desertificação está em marcha acelerada no Semiárido, então alguma coisa tem que ser feita e agora temos um agravante que é o aquecimento global”. O professor João Ambrósio de Araújo Filho é grande entendedor do Semiárido brasileiro. Possui vasta experiência no assunto manejo agrossilvipastoril da Caatinga. Ao longo de sua trajetória, realizou pesquisas de grande relevância social e ambiental para a região. Recentemente, ele integrou a programação do Curso de manejo florestal sustentável, realizado este mês em Campina Grande (PB), e nos concedeu entrevista sobre temas como sistemas de produção agrossilvipastoril, recuperação de áreas degradadas e estoque de forragem.  O pesquisador possui graduação em Agronomia pela UFC (1965), mestrado (1968) e doutorado (1975) em Range Management pela Universidade do Arizona e pós-doutorado pela Universidade de Reading, Inglaterra (1996). Foi professor adjunto da UFC (1970-1984) e da Universidade Estadual Vale do Acaraú (1994-2012), pesquisador da Embrapa (1984-2006), membro do Comitê de Zootecnia e Medicina Veterinária (1990-1992) e membro do Governing Board do Icrisat (Instituto Internacional de Pesquisa em Colheitas para os Trópicos Semiáridos – Índia, 2001-2003).
INSA – O que é um sistema de produção agroflorestal? 
JA – Eu tenho notado que as pessoas não estão muito precisas quando falam sobre sistemas de produção agroflorestal, aí falam manejo agrossilvipastoril e quase sempre só tocam nesse ponto como se fosse uma coisa à parte, mas não é. Não existe essa história de manejo agropastoril, a história é a seguinte: você tem um sistema de produção agroflorestal ou agrossilvicultural (nome mais correto, embora o uso tenha consagrado o termo agroflorestal), que é aquele que você combina árvores, florestas com culturas (agro) e/ou animais, simultaneamente, ou numa sequência temporal. Ou seja, é a combinação de árvores – que têm que ser nativas –, culturas (milho, sorgo, feijão, etc) e/ou animais, pode ter os dois, em uma mesma área, claro, simultaneamente ou numa sequência temporal.
INSA – O manejo agrossilvipastoril é viável para a Caatinga? 
JA – É a salvação da lavoura, como diz a história. Nós temos três modelos gerais (embora cada modelo possa comportar dezenas de sub-modelos). Primeiro: o agrosilvicultural (árvores e agricultura, só entra esses dois componentes), próprios para áreas que têm um potencial bom para a agricultura, áreas de inverno regular, sem ocorrências de seca, regiões localizadas nos climas de sub-úmido, úmido, etc (é o da Amazônia, do Cerrado). Segundo: nós temos o silvipastoril, esse é para a região semiárida, ele combina criação de animais com floresta.
Todas aquelas técnicas de manejo da Caatinga (raleamento, rebaixamento, enriquecimento), são sistemas de produção silvipastoril. Ele é bom para a região semiárida porque a presença do animal, a exemplo do boi, é uma espécie de tampão contra os efeitos da seca sobre a produtividade da área. O animal na área tem a capacidade de absorver os efeitos da estiagem e reduzir o impacto. Por exemplo, se você pega uma área de pecuária bem manejada e compara com uma área de agricultura, num período de seca como o atual, a agricultura vai perder 80% da produtividade, mas a pecuária perde em torno de 20%, se bem manejada, claro! Não na situação agora que, na maioria da Caatinga, a pecuária está como doente terminal. Por fim, temos o agrossilvipastoril, que combina animais, culturas e árvores. Vou dar um exemplo, um roçado ecológico é um sistema de produção agrossilvipastoril porque, durante o inverno, ele é um meio de produção de grãos (milho, feijão, etc), e no verão, é um banco de proteínas. É um sequencial, quer dizer, os animais só entram em uma estação do ano, a primeira estação é agrícola, a segunda é pastoril. Então, por isso, agrossilvipastoril. Esse modelo também é muito adequado para o Semiárido, principalmente em áreas de solos que têm certo potencial agrícola.
INSA – Quais estratégias podem ser utilizadas para o estoque de forragem? 
JA – Em primeiro lugar é utilizar a forragem dentro do percentual recomendado. Por exemplo, em uma área de Caatinga raleada, rebaixada, você deve ajustar a carga animal de tal maneira que a utilização da forragem disponível não ultrapasse 60% (tem que ficar sempre 40% do que está produzido, em dezembro tem que ter 40% no campo em relação ao que tinha em agosto). Isso vai garantir uma recuperação do solo, um aumento do teor de matéria orgânica e melhorar a chamada resiliência desse solo ou a capacidade de absorver principalmente os efeitos da seca. Agora, se está me falando em reserva alimentar estratégica, aí temos diversas alternativas de armazenagem de forragem (feno, silagem), ou então uso de cactáceas. Em alguns lugares pode ser a palma forrageira, a mais comum, mas vamos sanear uma injustiça muito grande. Nesses últimos quatro anos de seca, grande parte da nossa pecuária foi salva com mandacaru, em um processo puramente extrativista e predatório.
Porque durante os anos melhores não formamos áreas com mandacaru adensado para servir de reserva estratégica numa seca dessas? O mandacaru é mais lento que a palma, está certo, mas se já estão usando palma irrigada, então se você irrigar mandacaru, a coisa vai mudar. Há regiões, como o sertão do Ceará, por exemplo, que por questões climáticas e fisiológicas, o mandacaru produz melhor que a palma, em condições de sequeiro. Outra coisa é que tem a variedade de mandacaru sem espinhos, bem adaptada. Além disso, enquanto a palma tem de 7 a 8% de proteína, o mandacaru tem 18% de proteína. Infelizmente, eu sempre digo, se a gente tivesse investido em mandacaru metade do dinheiro que a gente investiu em palma, a gente estava melhor na maioria do nosso sertão baixo, da depressão sertaneja.
INSA – Com relação às áreas degradadas do bioma Caatinga, o que pode ser feito para reverter esse processo e recuperar as áreas produtivas?
JA – Eu fiz uma consultoria para o projeto mata branca, em todo o Semiárido, sobre as técnicas existentes para recuperação de áreas degradadas. Eu não posso negar que fiquei decepcionado, porque em termos de recuperação de áreas degradadas todo mundo fala, mas não tem nada. E outra coisa muito interessante é que muita gente que está falando não tem noção da coisa. A degradação de uma área tem, em termos gerais, seis níveis, e é muito importante que se perceba em que nível se está, antes de definir que prática irá ser usada. Você tem a degradação que é simplesmente o início, quer dizer, apenas problemas na fisiologia das plantas mais importantes que está sendo explorada. A segunda fase é a mudança na composição da vegetação original, as espécies melhores começam a sumir, e as espécies intermediárias ou piores começam a aumentar na área, mas são espécies daquela comunidade. Começa a haver mudanças, por exemplo, a pressão de pastejo começa a fazer com que as melhores espécies forrageiras desapareçam e as intermediárias ocupem o lugar delas. Então você tem a degradação, mas quando olha, está bonito, está tudo verde, mas a qualidade muito baixa. Temos várias alternativas: uma alternativa muito interessante são os sistemas de produção agroflorestal, principalmente no caso da nossa pecuária pode ser silvipastoril ou agrosilvipastoril, são opções interessantes, agora precisam de um tempo e custam investimentos.
Porque em todo o Semiárido nós temos uma conta ambiental de proporções gigantescas, nós maltratamos e superutilizamos essa nossa vegetação da Caatinga a níveis totalmente incompatíveis com a sobrevivência dela. Por isso já temos 25% de área desertificada, temos degradação em mais de 25% da área (está degradada mesmo!) e essa conta quem é que vai pagar? Quem for recuperar. Por exemplo, você pega uma área no estágio 4 (desaparecimento da cobertura vegetal original), digamos que é uma pastagem. Vamos analisar o seguinte: o nível 1 de degradação é distúrbio fisiológico, no quarto, já é o desaparecimento da vegetação original. No primeiro, se faz só um ajuste, como é uma pastagem, reduz o número de animais, aumenta a produção e recupera a área, apenas reduzindo o número de animais, no quarto, você vai ter que tirar todos os animais de dentro da área, proteger a área, possivelmente ressemear, fazer o enriquecimento com espécies nativas, preferencialmente para recuperação da biodiversidade, talvez repor fertilidade, com adubos orgânicos, dependendo da área, e os animais vão ficar fora pelo menos 2 ou 3 anos, para poder entrar na área de volta. É aquela história: ou tu faz ou tu desertifica por completo. O processo de degradação e de desertificação está em marcha acelerada no Semiárido, então alguma coisa tem que ser feita e agora temos um agravante que é essa história muito certa do chamado aquecimento global.
A Caatinga possui um patrimônio imenso de espécies xerófilas, adaptadas à seca, mas no ritmo em que estamos, não vamos mais ter a vegetação porque estamos acabando com o que temos. Participei recentemente de um evento do Ministério do Meio Ambiente, em João Pessoa, sobre Unidades de Conservação. Por motivos óbvios, todos os locais escolhidos e mapeados para serem Unidades de Conservação ficavam em cima de serras, porque é onde resta vegetação arbórea e chove mais. É interessante e fundamental porque preservarmos a vegetação da Caatinga podemos ter um banco de sementes excepcional, vamos ter abrigo para a fauna, e assim por diante. Mas temos que montar também Unidades de Conservação em áreas degradadas, primeiro porque as espécies que estão lá na área degradada podem ser a base da recuperação da área. Há muitas espécies lá que, do nosso ponto de vista de pecuarista, não servem para coisa nenhuma, mas do ponto de vista da natureza são importantes, como espécies pioneiras. Segundo, toda área degradada tem as áreas relíquias, áreas de difícil acesso protegidas por touceiras de mandacaru, xique-xique, onde não entra boi, não entra cabra, nem ovelha, mas o extrato herbáceo está lá, e aquelas plantas são testemunhas do potencial desta área, do que ela pode evoluir se você proteger.
INSA – Quais os principais desafios para se promover o manejo da Caatinga?
JA – Treinamento de técnicos, sensibilização dos produtores, acesso a crédito e uso das tecnologias disponíveis. Já existem tecnologias prontas para serem usadas, o crédito está razoável, mas falta a sensibilidade do produtor e, porque não dizer, falta o treinamento dos técnicos. Qual escola de agronomia no Semiárido tem uma disciplina chamada “Caracterização do semiárido e do bioma Caatinga”? O pessoal sai da agronomia sem sequer saber o que é Caatinga. Nós temos que ter essa disciplina, assim como de recuperação de áreas degradadas do Semiárido, sobre técnicas de manejo da Caatinga para fins agrícolas e pastoris, nada disso existe. Não quero exagerar, mas é uma tendência muito grande de o pessoal das Universidades se voltar muito para o agronegócio. Para começo de conversa, 62 a 65% das propriedades do Semiárido têm menos que 10 hectares, e se você somar toda área dessas 65% corresponde a 5,6% da área total do Semiárido. É esse pessoal que está querendo ajuda. Agora, eles são responsáveis pela degradação? Muito. Mas acontece que a área deles é pequena. Aquele pessoal intermediário, dos 100 hectares para baixo, é que está o problema da degradação, então é uma situação muito crítica.
INSA – Como surgiu seu interesse pelo tema e que resultados alcançou em suas pesquisas?
JA – A gente trabalhou lá no Centro de Caprinos durante muitos anos, em 2008 desenvolvemos um trabalho sobre sistemas de produção para a região semiárida. Em 1992 comecei a ouvi falar em sistemas de produção agroflorestal. Na biblioteca do Centro de Caprinos, não tinha nada. Em 1995, fui para a Inglaterra fazer pós-doutorado na Universidade de Reading. Primeiro dia que fui para a Universidade, na biblioteca tinha 25 periódicos só sobre sistemas de produção agroflorestal, aqui na nossa não tinha um artigo. Quando voltei, em 1997, para montar esse experimento, observei a estrutura fundiária e disse: “bom, eu tenho que montar esse experimento para viabilizar ecológica e economicamente essa propriedade dos 10 hectares, que é um tamanho dominante”. Então todas as áreas do sistema agrossilvipastoril com que eu trabalhei montando esse experimento tinham 8 hectares, porque eu queria criar um sistema de produção que o pequeno produtor pudesse usar. Instalamos o sistema com três objetivos básicos: primeiro: fixar a agricultura no terreno, o que quer dizer que o produtor pudesse utilizar aquela área para produção de grãos e não ter que a cada dois anos ir plantar e queimar aquela área que ele preparou, ele vai usá-la durante décadas. Segundo objetivo: deter a degradação, e terceiro objetivo, melhorar a renda e a qualidade de vida dos agricultores. Os resultados foram alcançados. O sistema esteve em andamento durante uns 18 anos. E mostrou o seguinte: que pode fixar a agricultura. Aquele pedaço de terra que eu preparei em 1998 até 2010 estava produzindo o equivalente a quase 3 vezes a média da região, sem ter trazido nada de fora, o mais importante é isso, ninguém nunca usou um grama de inseticida comercial ou de adubo químico, tudo foi manejo dentro do sistema, tudo potencial do próprio sistema.
Entrevista do Insa – Instituto Nacional do Semiárido, publicada no Portal EcoDebate, 29/06/2015

domingo, 28 de junho de 2015

ATIVIDADE COM CRUZADINHA PARA OS TERCEIROS DO ENSINO MÉDIO.

ATIVIDADE RELACIONADA COM  A AGROPECUÁRIA

1- Um dos fatores responsáveis pela fragmentação das rochas que vão originar a formação do solo.
2- Ciência que estuda o solo.
3- Estado avançado de erosão do solo.
4- Pequeno grupo de grandes empresas que controlam certos ramos de atividades.
5- Teoria demográfica do século XVIII, que defendia a sujeição moral.
6- Uma das consequências provocadas a partir dos anos 70 com a rápida penetração do capitalismo no campo.
7- Um dos produtos no Brasil , contemplado com as tecnologias da agricultura.
8- Associação entre a indústria e a agropecuária que é cada vez mais dependente do aparato tecnológico.
9- Um dos melhores solos do Brasil resultante da decomposição do basalto mais o arenito. Bom para o plantio do café.
10- O processo de modernização acarreta várias consequências. Uma das perdas nesse processo é a ..............
11- Um dos sistemas usados na agricultura para evitar a erosão dos solos.
12- Uma das teorias demográficas que considera a própria miséria como sendo a responsável pelo acelerado crescimento populacional. 
13- Grandes propriedades rurais geralmente onde se pratica a monocultura voltada para a exportação.
14- Nome do sistema onde o agricultor entra com a propriedade e a mão de obra, sendo que a indústria entra com as técnicas de produção e os insumos necessários. 




















Fonte : Geo-Conceição

ESTAGNAÇÃO ECONÔMICAS: CAUSAS PROVÁVEIS.

O Rei está nu

Por: Alberto Machado Neto

Desde sempre é voz geral que o grande problema da falta de competitividade brasileira tem como razão central a famosa tríade maldita: Juros, câmbio e tributos. Mas, se tanto se fala, tanto se estuda, tanto se propõe e nada acontece, devem existir outras causas mais profundas.
Os fatores da citada tríade, agravados por nossa precária infraestrutura, são considerados os vilões de nossa estagnação econômica porque estão na face visível do problema, mas estão longe de representarem a causa-raiz.
Se um determinado remédio é ministrado por um longo tempo e não faz efeito contra os sintomas de uma doença, ou é porque é inadequado ou o diagnóstico está errado.
No caso da falta de competitividade, abrindo um pouco mais a lente, vamos nos deparar com outro conjunto de três fatores, que certamente antecedem os demais e estão no epicentro desse terremoto que não permite que nossa economia encontre um solo firme.
Analisando desse ângulo mais aberto, lá estão: a burocracia, a incompetência e a corrupção, não necessariamente nesta ordem, até porque os três fatores são extremamente sinérgicos e autoalimentantes de tal forma que cada um deles potencializa os outros dois e assim por diante.
A burocracia esconde a incompetência: Decisões demoradas, várias idas e vindas, organogramas contendo interseções de responsabilidades, exigência de inúmeras licenças, diversos níveis de fiscalização, muitas obrigações acessórias, entre outras, ao invés de contribuirem para a transparência dos processos, os tornam cada vez mais obscuros e torna difusa a cobrança na matriz de responsabilidades.
Por conta desse fato, abrem-se as portas para a incompetência e para a corrupção. Deixa-se de executar por causa da burocracia, quando na verdade falta gestão, coragem para assumir uma decisão ou insegurança para acolher uma alternativa.
Por sua vez, a corrupção também é alimentada pela incompetência, pois processos mal conduzidos, muitas vezes sem nenhum dolo, abrem margens para “jeitinhos”, nem sempre muito ortodoxos, que geralmente escondem interesses difusos.
A incompetência abre brecha para decisões políticas, facilmente contestáveis se demonstrada sua inviabilidade ou inconsistência com base em fatos concretos, na legislação ou nas melhores práticas vigentes. Mas, para subsidiar argumentos é preciso profundo conhecimento do tema e experiência adquirida, sempre usados dentro dos devidos princípios éticos.
A corrupção e a incompetência aumentam cada vez mais a burocracia, com a falsa finalidade de dar mais segurança aos processos, quando, na verdade, viabilizam mal feitos dando-lhes compatibilidade com a legislação vigente, no conhecido caso em que: É legal, mas não é ético.
Contratos mal estruturados e cheios de cláusulas inúteis, editais mal elaborados, pouca padronização, falta de investimento em planejamento, estudos de viabilidade precários, decisões tomadas para agradar essa ou aquela corrente política ou plano de poder, furos constantes nos orçamentos, milhares de aditivos contratuais, falhas nos acompanhamentos físico e financeiro, entre outros fatores, podem configurar, conforme o caso, tanto incompetência quanto interesses transversos.
Quando um país gasta muito ou errado, superfatura ou trabalha sem eficiência e com desperdícios, precisa arrecadar mais e aumentam-se os impostos.
Para acomodar interesses difusos pagam-se propinas aos corruptos e oferecem-se cargos aos “honestos”, que, muitas vezes, por pouca afeição às atividades a serem desempenhadas, ficam reféns de sua posição, salário e poder: “Jabuti não sobe em árvore. Se ele está lá é porque alguém o colocou”.
Quando um país precisa de mais recursos, toma emprestado e, para isso, aumentam-se os juros, ou usa-se esse recurso para combater a inflação e a indústria perde em competitividade.
Após descontar o que o Brasil perde nos intrincados mecanismos de corrupção e nas inúmeras idas e vindas dos meandros burocráticos, o pouco que sobra é mal utilizado.
E, infelizmente, tudo vai continuar como está até aparecer aquela criança do conto do Christian Andersen e avisar que o Rei está nu.
*Alberto Machado é diretor de Petróleo, Gás, Bioenergia e Petroquímica da ABIMAQ.

Fonte : www. Grandes Construções.com.br

sábado, 27 de junho de 2015

O AMOR VENCE

Em vez do ódio… #LoveWins

A Suprema Corte dos EUA reconheceu hoje o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo em âmbito federal, derrubando leis em 13 Estados que proibiam pessoas gays de se casar.
No mundo corporativo americano, onde 379 empresas haviam exortado a Suprema Corte a tomar esta decisão, ninguém ficou no armário para comemorar a vitória. A bandeira de cartões Visa tuitou: “Love. Accepted Everywhere,” e a Coca-Cola: “It’s now official. Love is love is love.”
A Goldman Sachs publicou nota à imprensa aplaudindo a decisão, enquanto no JP Morgan, Jamie Dimon disse que “essa era a coisa certa.” Screen Shot 2015-06-26 at 18.32.05
A hashtag #LoveWins (‘o amor vence’) explodiu no Twitter, e Mark Zuckerberg disponibilizou no Facebook uma ferramenta permitindo que os usuários apliquem uma bandeira do arco-íris (símbolo do movimento gay) sobre suas fotos de perfil para comemorar a decisão. Zuckerberg foi o primeiro a usá-la.
Houve também espaço para muito humor. Vários internautas lembraram a frase do Barão de Itararé: “O casamento é uma tragédia em dois atos: civil e religioso.” E complementaram: “Agora, os gays vão descobrir isso.”
Foi mais uma instância em que um grande avanço nos direitos civis veio pelo Judiciário. No Brasil, em 2011 o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu por unanimidade a união estável entre casais do mesmo sexo e, em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou uma resolução obrigando os cartórios de todo o país a registrar o casamento gay.
No Poder Legislativo, onde o populismo conservador com base religiosa tem feito barulho, há avanços pontuais.
Nesta quinta-feira, um dia antes da decisão da Suprema Corte, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou uma lei que punirá a discriminação por orientação sexual em estabelecimentos públicos e privados. O projeto havia sido apresentado em 2013 e recebeu 117 emendas desde então. Tentativas de aprovar uma lei federal que criminalize a homofobia no Brasil não saíram do lugar até agora, mas há dois dias, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou parecer ao STF no qual recomenda que a Corte dê ao Congresso prazo ‘razoável’para concluir a votação de projeto que criminaliza a homofobia e a transfobia.
A lei aprovada no Rio é ainda mais surpreendente porque o Estado é a base eleitoral de boa parte da chamada ‘bancada evangélica’ da Câmara dos Deputados, incluindo seu presidente, Eduardo Cunha.
No debate público brasileiro, o termo ‘evangélico’ tem sido usado como uma generalização, abarcando inúmeras denominações religiosas cristãs.JPMorgan
Trata-se de um equívoco.
Os protestantes tradicionais — batistas, metodistas e presbiterianos, por exemplo — possuem uma postura mais tolerante aos direitos civis, ao contrário de algumas igrejas de origem mais recente, chamadas de ‘neopentecostais’, que citam seletivamente o Velho Testamento para repudiar um grupo por sua orientação sexual.
Além de pregar o Evangelho, várias igrejas neopentecostais fazem um trabalho admirável de resgate social, que inclui a recuperação de dependentes químicos, hospitais e obras sociais. Apesar disto, alguns de seus portavozes — os que mais têm tido palanque — são os que usam os gays como bodes expiatórios da desconstrução dos valores tradicionais e das mudanças na sociedade e nos costumes.
Este ‘nós contra eles’, no entanto, não é unanimidade nem mesmo entre os neopentecostais. Em aparente resposta à crescente estridência do ‘pastor’ Silas Malafaia, o Senador Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal, postou recentemente em seu Facebook: “Em vez de odiar, ame. Em vez de perseguir, perdoe. Em vez de reclamar, ore. Em vez de desistir, lute.”
Na própria Igreja Católica, os progressos são visíveis. Em consonância com o Vaticano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) continua não aprovando o casamento gay e se mantém fiel ao conceito tradicional de família, mas não embarca na paranóia de alguns pastores de que existe uma ‘agenda gay’ sendo imposta à sociedade.
No recente sínodo sobre a família, os cardeais da Igreja Católica se debruçaram sobre a questão da família e da homossexualidade. Recomendaram que as paróquias do mundo todo acolhessem os fiéis gays e suas famílias com respeito e dignidade, e exortaram a criação de pastorais específicas para estes fieis.
Dias depois do sínodo, uma paróquia em Itaquera, na zona leste de São Paulo, incluiu em seu folheto litúrgico uma oração para que “a ofensiva homofóbica e histérica presente no Congresso Nacional” seja enfrentada “com ousadia e serenidade.”
A lenta abertura da Igreja Católica em relação ao tema começou com o Papa Francisco perguntando a repórteres, “Quem sou eu pra julgar?” e culminará no mês que vem, quando Francisco se reunirá com o movimento gay do Paraguai, um país com histórico de violência contra gays. Será a primeira vez que um Papa se encontrará publicamente com o que alguns conservadores chamam de ‘gayzistas’.
Na decisão desta sexta-feira (trecho abaixo), a Suprema Corte disse que os cidadãos gays “esperam não ser condenados a viver em solidão, excluídos de uma das mais antigas instituições da civilização. Eles pedem dignidade igual aos olhos da lei. A Constituição lhes dá este direito.”
SCOTUS
Por Geraldo Samor
Fonte : Revista Veja.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

ATIVIDADES ECONÔMICAS : VESTIBULAR 100% DO COLÉGIO SALESIANO ITAJAÍ

VESTIBULAR 100%
DISCIPLINA : GEOGRAFIA
Conceição Aparecida Fontolan

Tema: Atividades Econômicas/ Sociedade e Economia.
Objetivo: Identificar as principais caracteristicas dos setores econômicos.
Blog:  Atividades econômicas 05/11

01- (PUCRS) A sociedade pós-industrial modifica o mercado de trabalho. Com relação a essas modificações, é correto afirmar:

(A) O trabalho informal diminui, e aumenta o trabalho especializado regulamentado pelos sindicatos.
(B) O trabalho sistêmico ou rígido nos complexos industriais está presente, com o máximo de especialização.
(C) A relação do profissional com o emprego se tornou mais flexível em horários e locais de trabalho, sendo cada vez mais valorizada a criatividade e o conhecimento.
(D) O desemprego aumenta no setor terciário da economia, e a oferta de emprego é cada vez maior nos setores primário e secundário.
(E) O turismo deixa de ter uma participação ativa no mercado de trabalho devido ao aumento das horas de trabalho acordado por trabalhadores e sindicatos.

02- (UFPI) Em meados da década de 1990, em um artigo intitulado "Globalização: as oportunidades e os riscos", publicado no jornal Gazeta Mercantil, o economista Gilberto Dupas apontava a automação e o desemprego estrutural como "uma mancha escura pairando no coração do capitalismo vitorioso". Sobre essa questão, analise as alternativas a seguir, assinalando a que estiver INCORRETAS:

(A) A globalização diz respeito a uma mudança estrutural que atinge, indistintamente, as diferentes regiões do planeta e que pode ser exemplificada pela formação de blocos econômicos e associações regionais de livre mercado.
(B) Na origem da globalização está o que alguns chamam de "Terceira Revolução Industrial", cujas bases são a microeletrônica, a biotecnologia e a química fina.
(C) As condições favoráveis ao Neoliberalismo, feição política da globalização, deram-se a partir dos governos de Margareth Thatcher, na Inglaterra, Ronald Reagan, nos Estados Unidos e Helmut Kohl na Alemanha.
(D) O desemprego estrutural, ao qual Dupas se refere, diz respeito à ausência de recursos tecnológicos na agricultura, o que favorece, no mundo globalizado, um preocupante êxodo rural que resulta na segregação de uma camada social de miseráveis nas grandes cidades em todo o mundo.
(E) No âmbito das gestões públicas, a globalização é marcada pela busca de um "Estado Mínimo", redimensionando o tamanho e o papel dos Estados especialmente através das privatizações.

03- (UFMA) Analise o texto e as proposições seguintes.
Atualmente, o surgimento de novas atividades profissionais com diversos graus de qualificação favorece o desaparecimento de outras profissões, provocando inúmeros desempregos.

I. O desemprego em larga escala, na atualidade um processo novo e recente, sendo o resultado exclusivo das inovações do mundo globalizado.
II. Ao longo da história, as crises econômicas motivadas por fatores internos e externos e mudanças na atividade produtiva ainda provocam o desemprego conjuntural.
III. Na fase atual, as inovações tecnológicas e a concorrência mundial, motivada por corte nos custos de produção, principalmente o emprego conjuntural.
IV. O desemprego estrutural é tanto quantitativo como qualitativo, pois, respectivamente, reduz o número de postos de trabalho e exclui mão obra desqualificada.
Com base na análise do texto e das proposições, pode-se afirmar que estão corretas apenas:

(A) I e III
(B) II e III
(C) II e IV
(D) I e II
(E) III e IV

04- (FAC. TREVISAN) As últimas décadas do século XX assistiram a uma revolução nos sistemas de produção e de trabalho. As opções abaixo apresentam algumas das conseqüências dessas mudanças, À EXCEÇÃO:

(A) da substituição do trabalho humano por robôs flexíveis e programados.
(B) da substituição, na ocupação da mão-de-obra, do setor de serviços pelo setor industrial.
(C) do comando de sistemas de produção por computadores e programas sofisticados.
(D) da produção altamente concentrada combinada com uma flexível integração de empresas subcontratadas.
(E) do redimensionamento da escala de produção em função de mega-mercados ou mercados mundiais.

05- (FALM) A economia informal tem aumentado consideravelmente na última década, sobretudo no  mercado de trabalho metropolitano. Assinale a alternativa que NÃO caracteriza esse tipo de economia:

(A) Compõe-se de um conjunto heterogêneo de atividades que vão desde microempresas até empregados temporários, ambulantes e sub-empregados em geral.
(B) Está ligada à economia formal na medida em que lhes fornece mercadorias ou serviços e também comercializa seus produtos.
(C) Constitui-se num conjunto de atividades que busca escapar da cobrança de tributos e das  regulamentações legais do Estado.
(D) É constituída por todas as atividades organizadas de modo não capitalista, ou seja, baseada na apropriação coletiva dos espaços de circulação nas cidades.
(E) Pode contar com a força de trabalho de familiares assim como de alguns trabalhadores contratados, muitas vezes repelidos do mercado formal.

06- (UFOP) Analise o gráfico abaixo.
Com base nos dados contidos no gráfico, assinale a alternativa correta sobre as características do trabalho no Brasil.
Brasil: Participação feminina e masculina na População Economicamente Ativa – 1940-2001


(A) Nos últimos 50 anos, ocorreram um aumento nos percentuais de participação masculina nas atividades produtivas e uma diminuição da participação feminina.
(B) Os dados indicam que a participação de homens no mercado de trabalho vem diminuindo, porém ainda é superior à participação feminina.
(C) Os indicadores demonstram que as mulheres passaram a desenvolver atividades produtivas somente a partir da década de 1940.
(D) Um fator determinante do crescimento da participação da mulher no mercado de trabalho tem sido a diminuição da oferta de mão-de-obra masculina.

07- (UFOP) “A divisão sexual do trabalho assume formas conjunturais e históricas, constrói-se como prática social, ora conservando tradições que ordenam tarefas masculinas e tarefas femininas na indústria, ora criando modalidades da divisão sexual das tarefas. A subordinação de gênero, a assimetria nas relações de trabalho masculinas e femininas se manifesta não apenas na divisão de tarefas, mas nos critérios que definem a qualificação das tarefas, nos salários, na disciplina do trabalho.” (CARLOTTO, C. M. O Conceito de gênero e sua importância para a análise das relações sociais. Serv. Soc. Rev., Londrina, v. 3, n. 2, p. 205, jan./jun. 2001).
Sobre o trabalho feminino, é correto afirmar:

(A) Mesmo no mundo globalizado, o trabalho feminino é muito utilizado em formas de emprego precárias, como contratos de curta duração e empregos em tempo parcial.
(B) Os rendimentos das mulheres trabalhadoras mais escolarizadas tendem a ser superiores aos dos homens em igual posição.
(C) Observa-se uma diminuição da presença das mulheres em atividades de maior prestígio e rendimentos devido à melhoria da qualificação da mão-de-obra masculina.
(D) O trabalho doméstico é exercido predominantemente pelas mulheres em razão da baixa qualificação da mão-de-obra feminina.

08- (UEG) “Após a onda milenária da era rural, após a onda bem mais breve do maquinismo industrial, mil novos sintomas anunciam o advento de uma terceira onda, de uma era pós-industrial capaz de exaltar a dimensão criativa das atividades humanas, privilegiando mais a cultura do que a estrutura. [...] A informação e o conhecimento oferecem muito mais oportunidade a quem os detém”.
TOFFLER, Alvin. A terceira onda. Rio de Janeiro, Record, 1998. In: OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução à Sociologia. 24. ed. São Paulo: Ática, 2002. p. 105. (Adaptado).
A análise do texto acima permite inferir a seguinte ideia:

(A) na última década, a redução do analfabetismo e o crescimento médio da escolaridade no Brasil foram fatores determinantes para a redução do desemprego estrutural.
(B) o desenvolvimento de novas tecnologias, aliado ao conhecimento e à informação, ampliou as condições de emprego, sobretudo nos países do Sul, onde atuam as empresas transnacionais.
(C) por força das inovações tecnológicas, da crescente concorrência e de novos métodos de produção, o mercado de trabalho tornou-se mais exigente, reduzindo assim as condições de empregabilidade.
(D) nos países subdesenvolvidos marcados por uma economia agroexportadora, o desemprego estrutural vem superando o desemprego conjuntural, uma vez que a tecnologia absorve a mão-de-obra excedente.

09- (ESPM) Leia o texto:Um dos aspectos mais marcantes da sociedade brasileira é a combinação de elevados níveis de pobreza à altíssima desigualdade social. Trata-se de um nível muito alto, uma vez que, na média, a renda da população brasileira é superior à recebida por quase três quartos da população mundial e, na maioria dos países com renda per capita semelhante à brasileira, os níveis de pobreza são notadamente inferiores.
(O que faz os ricos, ricos. Marcelo Medeiros. 2005)
De acordo com o texto e seus conhecimentos prévios, pode-se aferir que:

(A) o IDH brasileiro é baixo.
(B) o coeficiente de Gini é alto.
(C) o PIB per capita alcança a cifra de dois dígitos.
(D) o PIB brasileiro é baixo.
(E) a concentração de renda aumentou nos últimos anos.

10- (PUCRJ) O Índice de Exclusão Social, criado em 2002, sintetiza a situação de cada município brasileiro no que se refere à renda familiar, taxa de emprego, desigualdade de renda, taxa de alfabetização e de escolarização, porcentagem de jovens e número de homicídios. Entre as regiões brasileiras, foi identificada uma grande desigualdade: o Norte e o Nordeste são caracterizados como “selvas de exclusão”, enquanto o Centro Sul abriga os “acampamentos de inclusão” e “novas formas de exclusão social”.
Essas novas formas de exclusão encontradas no Centro Sul, típicas das grandes cidades, podem ser identificadas, principalmente, por

(A) inserção precária no mercado de trabalho, violência urbana, segregação socioespacial.
(B) baixos níveis de renda, precária escolarização e elevadas taxas de migração campo-cidade.
(C) reduzidos graus de consumo, limitada oferta de bens culturais e desestruturação do emprego formal.
(D) elevação das taxas de mortalidade, evasão de pessoal qualificado e redução da desigualdade.
(E) ingresso da mulher no mercado de trabalho, redução da renda da classe média, segregação racial.

11- (UPE) A desregulamentação, que aumenta no mercado de trabalho brasileiro, faz crescer um fenômeno econômico que vem sendo bastante estudado pela Geografia Humana e Econômica. Com esse fenômeno, proliferam as pequenas empresas sem funcionários com vínculo empregatício que prestam serviços. De 2002 a 2008, esse fenômeno cresceu aproximadamente 22% nas regiões metropolitanas do país.
A que fenômeno estamos nos referindo?

(A) Desqualificação Profissional
(B) Crescimento do Setor Binário
(C) Expansão da Terceirização
(D) Desregulamentação Terciária da População Inativa
(E) Globalização do Setor Secundário

12- (UPE) O texto a seguir apresenta uma afirmação separada da outra pela palavra PORQUE.
A maior parte da população economicamente ativa do Brasil, em suas diversas regiões, exerce atividades profissionais no Setor Primário PORQUE o ritmo de crescimento da população brasileira decresce, a população idosa aumenta de forma significativa e o país passa por uma fase de transição demográfica. Assinale

(A) se a afirmação é verdadeira e a razão uma afirmação falsa.
(B) se a afirmação e a razão são verdadeiras.
(C) se a afirmação é falsa e a razão uma afirmação verdadeira, mas que não justifica a afirmação.
(D) se a afirmação e a razão são falsas.
(E) se a afirmação é verdadeira e a razão uma afirmação também verdadeira e justifica a afirmação.

13- (UNEB) Lembranças de Makoko, uma das mais famigeradas comunidades de posseiros em Lagos, na Nigéria — metrópole presa entre a modernidade e a miséria. Com centenas de modos de transferência assíncronos (ATM, na sigla em inglês), recordes de centros de internet e milhões de telefones celulares, essa cidade agitada e congestionada com 8 milhões a 17 milhões de habitantes (dependendo de onde se traça a linha de contorno ou de quem faz a contagem) está conectada à grade global. Centro internacional de negócios empresariais e capital comercial do país mais populoso da África, Lagos atrai perto de 600 mil novos visitantes todos os anos. Mas a maioria dos bairros, mesmo alguns dos melhores, não dispõe de água encanada, saneamento básico e eletricidade. Makoko — parte sobre terra firme, parte flutuando sobre lagoas — é uma das comunidades mais carentes da megalópole.
Bairros como esse existem no mundo todo. [...] Quando os governos negam a essas comunidades o direito de existir, as pessoas demoram mais para melhorar suas casas. Quando as autoridades do Rio de Janeiro decretaram guerra às favelas nos anos 60, por exemplo, as pessoas temiam ser expulsas de suas casas, ou que estas fossem incendiadas e por isso não tinham pressa em melhorá-las. A maioria das favelas permaneceu primitiva — pouco diferentes das cabanas de barro e dos barracos de madeira de Mumbai e Nairóbi. Mas quando os políticos perceberam a reação e passaram a se comprometer com as comunidades, elas começaram a proliferar sem controle.
(NEUWIRTH, 2013. p. 22-24-26).
Considerando-se as informações contidas no texto e os conhecimentos sobre a organização do espaço mundial, é correto afirmar:

(A) As regiões onde a urbanização ainda é incipiente se restringem ao Sudeste Asiático.
(B) A economia subterrânea, nas favelas, movimenta grandes capitais sem a interferência do Estado.
(C) A proliferação das favelas nos hemisférios Norte e Sul saiu do controle dos órgãos governamentais, porque a explosão demográfica impede ações que sejam capazes de inibir a ocupação desordenada do solo.
(D) A formação de mutirões possibilitou aos favelados a urbanização de espaços onde os centros comerciais e o comércio informal compartilham os lucros.
(E) A informalidade do submundo econômico, nas favelas, é responsável pelo tráfico de drogas, pela violência e por demais mazelas das grandes cidades, ameaçando, assim, o desenvolvimento global.

14- (IFS) Quando se trata de ciência e tecnologia no Brasil, podemos dizer que se configuram como grandes desafios, exceto:

(A) A inclusão digital.
(B) A absorção de grande contingente de mão de obra especializada disponível.
(C) A garantia da democracia e da liberdade individual.
(D) A proteção contra as espionagens.
(E) O desenvolvimento de tecnologias capazes de melhorar a qualidade de vida dos brasileiros.

15- (UFPR) Observe a tabela abaixo:


 Com base na tabela e nos conhecimentos de Geografia, assinale a alternativa correta.

(A) O índice de Gini revela que a tradição liberal dos EUA se reflete em uma desigualdade de renda mais elevada que a dos outros países selecionados.
(B) A grande população da China torna difícil para esse país alcançar um IDH elevado devido aos custos dos sistemas de saúde e de educação.
(C) Os EUA possuem o maior PIB em virtude do volume de suas exportações de alta tecnologia e das remessas de lucros de empresas multinacionais desse país para suas sedes.
(D) Embora possua o segundo maior PIB, o elevado contingente populacional da China implica uma renda per capita baixa, refletida no seu nível de desenvolvimento humano.
(E) A comparação entre Brasil e China mostra que o crescimento do PIB não tem efeito sobre o IDH porque esse índice é calculado com base nas estatísticas de saúde e de educação.

16- (FGV) Baseados na análise de pesquisas e nos dados de várias Pnad (Pesquisa Nacional de Analise de Domicílios) sobre o mercado de trabalho nos últimos 20 anos, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) lançou, em outubro de 2013, um relatório com informações precisas sobre o trabalho no Brasil. Entre as informações apontadas, destaca-se que:

(A) à semelhança do que ocorre em países europeus, o desemprego de jovens supera os 20% há mais de uma década.
(B) comércio e serviços aumentaram sua participação no emprego total de 1992 a 2012, enquanto a indústria acumulou pequena queda.
(C) a informalidade aumentou em todos os níveis de qualificação profissional, principalmente entre os super-qualificados.
(D) a grande maioria das vagas oferecidas nas atividades industriais ocorre fora das áreas metropolitanas.
(E) o desemprego feminino tornou-se menor do que o masculino, e as diferenças salariais entre os gêneros também diminuíram.

17- (UNITAU) O processo de trabalho informacional é determinado por processo produtivo que introduz uma nova divisão internacional do trabalho. Nesse processo, o valor agregado é gerado principalmente pela inovação, tanto de processo como de produtos. Aponte a afirmativa INCORRETA quanto à consequência da evolução do emprego nos países desenvolvidos na economia informacional.

(A) Elevação do emprego rural, devido à ampliação da produção agrícola moderna.
(B) Declínio do emprego industrial tradicional.
(C) Aumento do emprego no setor de serviços relacionados à produção e aos serviços sociais.
(D) Rápida evolução do emprego para profissionais especializados.
(E) Estabilidade no emprego, na atividade de comércio varejista.

18- (UCPEL) O IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, foi criado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e é calculado para diversos países desde 1990. O índice varia de 0 a 1, sendo que quanto mais perto de 1, maior é o desenvolvimento humano, ou seja, a qualidade de vida medida do país ou do local onde é calculado com base em indicadores. Analise as seguintes afirmativas sobre o IDH.

I. O IDH é calculado em função da média de três componentes: fertilidade, educação e renda do chefe do domicílio.
II. O indicador do nível educacional do IDH é medido por uma combinação da taxa de alfabetização de pessoas de 15 anos ou mais e da taxa bruta de matrículas em relação à população de 7 a 22 anos de idade.
III. O indicador de renda do IDH é medido pelo Produto Interno Bruto (PIB), real per capita em dólares, segundo o critério de Paridade do Poder de Compra.
IV. O indicador de fertilidade do IDH é medido pelo número médio de filhos por mulher em idade de procriar, ou seja, considerado dos 15 aos 49 anos de idade.
V. O indicador de longevidade do IDH é medido pela esperança de vida ao nascer.

Marque a opção certa.

(A) I e IV estão corretas.
(B) II, III e V estão corretas.
(C) III e IV estão corretas.
(D) II , IV e V estão corretas.
(E) I, III e IV estão corretas.

19- (UFMT) A crise econômica, na qual a Europa se encontra, suscita uma série de análises como a que segue:
A crise por que passa a Europa é quase sempre apresentada em termos dos países que ganham ou perdem: quais Estados endividados foram lançados para a periferia, com uma correspondente perda de soberania; e quais os “membros centrais” da UE que, liderados pela Alemanha, mostraram sua força. Mas uma cisão demográfica potencialmente mais perigosa começa a se abrir na União Européia: é a linha que divide não as nações individualmente, mas sim gerações inteiras. O novo estopim é o espectro do desemprego juvenil, que tem o potencial desestabilizador de colocar os europeus jovens contra os velhos, ou os “ricos” de hoje contra os “pobres” de amanhã. Por toda a Europa, há a sensação inevitável de que as leis demográficas estão se voltando brutalmente contra os jovens. (Política Externa, março/abril/maio 2012.)  Sobre a crise europeia, é correto afirmar:

(A) A crise envolve aquelas nações periféricas, de economias mais precárias, deixando de lado os demais países-membros da União Européia.
(B) As maiores consequências socioeconômicas dessa crise são vividas pelos alemães e ingleses.
(C) A crise colocará frente a frente os jovens, cujas perspectivas são pouco promissoras, e os idosos, que se beneficiam do Estado de bem-estar social.
(D) A crise envolve principalmente o futuro e tende a se transmitir para as próximas gerações, o que explica o fato de a maioria dos países da UE estabelecer leis para reduzir a natalidade.
(E) O desemprego juvenil é conjuntural e reflete a queda do nível de escolaridade em países como Noruega, Suécia e Finlândia.

20- (UERJ) O exame da distribuição de renda da população auxilia na avaliação do grau de justiça social, da qualidade da ação previdenciária do Estado e da eficácia das políticas públicas de combate à pobreza.
Observe o gráfico que indica a razão entre a renda anual dos 10% mais ricos e a renda anual dos 40% mais pobres, no Brasil, nos anos de 2001 a 2008.


LUCCI, Ellian. BRANCO, Anselmo L., MENDONÇA, Cláudio. Território e sociedade no mundo globalizado. São Paulo: Saraiva, 2010.

Considerando os dados apresentados, é possível afirmar que a principal ação governamental que contribuiu para a mudança verificada na distribuição da renda na sociedade brasileira durante o período indicado foi:

(A) elevação do valor real do salário mínimo
(B) redução da carga tributária do setor produtivo
(C) diminuição da taxa básica de juros ao consumidor
(D) ampliação do investimento público em infraestrutura

21- (FGV-RIO) A fria letra da lei tem sentido para o mundo racional das instituições do Estado, mas não necessariamente para o cidadão que seria por ela beneficiado. A começar pelo fato de que o Estado brasileiro, por várias razões, não é um Estado onipresente. O fiscal ocasional das relações de trabalho será substituído na sequência da fiscalização pelo arbítrio do fazendeiro e até pela força de seus pistoleiros e jagunços. Na crua realidade cotidiana de trabalhadores que vivem no limiar da civilização, a vida é organizada segundo os preceitos do poder pessoal e da violência costumeira. Há alguns anos, houve o caso de um desses trabalhadores, no Mato Grosso, que, fugindo da fazenda de seu cativeiro, teve que caminhar 400 km por dentro da mata até achar uma pequena cidade onde, no fim das contas, não havia nenhum representante da Justiça do Trabalho. Acabou empurrado de um lado para outro na busca do abrigo da lei que, afinal, não encontrou.
José de Sousa Martins, O direito ao não direito.  http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,direito-ao-nao-direito,911448,0.htm

(A) As iniciativas governamentais de combate ao trabalho em condições degradantes são destinadas ao fracasso, já que o Estado não é capaz de fiscalizar as relações de trabalho.
(B) Não basta apenas promulgar leis que ampliem os direitos dos trabalhadores; é preciso que o Estado garanta as condições para que essas leis sejam cumpridas.
(C) A recusa dos direitos sociais inscritos na lei é comum em sociedades arcaicas, nas quais o povo não é afetado pelas condições degradantes de trabalho.
(D) No Brasil contemporâneo, as instituições do Estado se impõem sobre as relações tradicionais baseadas no poder pessoal.
(E) Em sociedades modernas, tais como a brasileira, o Estado não deve intervir para assegurar o cumprimento dos direitos sociais da população.

22- (UFGD) Analise o gráfico a seguir.
Taxa de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou mais de idade, segundo as Grandes Regiões – 2011

(Fonte: IBGE, PNAD 2011) Adaptado por Geo- Conceição
De acordo com as informações apresentadas, é correto afirmar que:

(A) As disparidades regionais do Brasil foram completamente superadas no que se refere aos indicadores educacionais, pois as taxas de analfabetismo ficaram abaixo de 10% em todas as regiões brasileiras.
(B) As menores taxas de analfabetismo concentram-se em regiões onde existem os maiores níveis de desenvolvimento econômico e social, demonstrando que ainda há diferenças significativas entre o Sudeste-Sul e Norte-Nordeste no Brasil.
(C) As maiores taxas de analfabetismo concentram-se nas regiões Centro-Oeste e Norte devido ao fato de serem áreas com reduzida presença da infraestrutura necessária para o crescimento econômico.
(D) A maior taxa de analfabetismo encontra-se na região Nordeste pelo fato de essa região também possuir a maior concentração populacional do Brasil.
(E) A taxa de analfabetismo na região Norte é a menor das regiões brasileiras devido à presença reduzida de população nessa área.

23- (UFPA) “Nos últimos vinte anos o Brasil tem desenvolvido novas formas técnicas e organizacionais, como a informatização e a automação nas atividades agropecuárias, na indústria e nos serviços, os atuais tipos de contratação e as políticas trabalhistas conduziram, entre outros aspectos, a um aumento do desemprego e da precarização das relações de trabalho.
” SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 2001. p. 220. (Texto adaptado).
As implicações das mudanças tecnológicas no mundo do trabalho, no Brasil, sugeridas no texto, estão identificadas na alternativa:

(A) A redução dos postos de trabalho nas atividades agropecuárias e industriais foi compensada pelo investimento dos setores público e privado em postos de trabalho nos grandes centros urbanos.
(B)  As ampliações das necessidades produtivas, sobretudo a partir da revolução das telecomunicações, têm contribuído para o aumento do desemprego no setor informal da economia.
(C) As novas formas de contratação de trabalho, principalmente a terceirização, são um dos indicadores de que as relações de emprego se tornaram precárias, o que foi acompanhado da redução da renda do trabalhador brasileiro.
(D)  A crescente diversificação das profissões atende às novas necessidades produtivas do mercado, no entanto é responsável pelo crescimento do desemprego no setor de serviços e na economia informal do país.
(E) O crescimento e a distribuição dos polos regionais de informática pelo território nacional foram responsáveis pela redução dos subempregos, na medida em que se absorveram os desempregados do mercado formal.

24- (MACK) 
Flagrantes mostram roupas da Zara sendo fabricadas por escravos (http://noticias.uol.com.br)

“O quadro encontrado pelos agentes do poder público, e acompanhado pela Repórter Brasil, incluía contratações completamente ilegais, trabalho infantil, condições degradantes, jornadas exaustivas de até 16h diárias e cerceamento de liberdade (seja pela cobrança e desconto irregular de dívidas dos salários, o truck system, seja pela proibição de deixar o local de trabalho sem prévia autorização). Apesar do clima de medo entre as vítimas, um dos trabalhadores explorados confirmou que só conseguia sair da casa com a autorização do dono da oficina, só concedida em casos urgentes, como quando levou seu filho ao médico (...)
As vítimas libertadas pela fiscalização foram aliciadas na Bolívia e no Peru.
(...) Em busca de melhores condições de vida, deixam os seus países rumo ao “sonho brasileiro”.
O conteúdo da reportagem tem relação com a questão do trabalho no mundo contemporâneo e

(A) ocorre apenas em países subdesenvolvidos, fato que justifica a opção de instalação da empresa mencionada no Brasil.
(B) caracteriza a exploração de trabalhadores em condições desumanas, seja em países ricos ou pobres, no que se convencionou chamar de “precarização do trabalho”.
(C) tem se tornado cada vez menos frequente, pois o processo de Globalização tem permitido o combate desse fenômeno em todos os países do mundo.
(D) não ocorre na Europa e na América do Norte, regiões onde os imigrantes são tratados segundo o respeito às leis trabalhistas, em países cujos governos igualam o tratamento entre trabalhadores nativos e estrangeiros.
(E) envolve apenas trabalhadores estrangeiros em áreas urbanas do Brasil, não se verificando condições desse tipo de superexploração do trabalho nas áreas rurais.

25- (FGV-SP) Analise a distribuição da PEA (População Economicamente Ativa) por setor de atividade e assinale a alternativa que melhor explique seu significado.


 (A) Com maior contingente de trabalhadores no setor primário do que no secundário, pode-se afirmar que o Brasil, a despeito do crescimento econômico, ainda se mantém como uma economia agroexportadora.
(B) O setor secundário emprega cerca de um terço do que emprega o setor terciário, o que indica
que a economia brasileira é assentada mais pelo capital especulativo do que pelo capital produtivo.
(C) O grande contingente de trabalhadores no setor terciário é típico de um país urbanizado, dado que as atividades deste setor são mais intensas em cidades.
(D) O setor primário emprega 20,9% da PEA, o que indica que seu desenvolvimento é orientado por uma estrutura agrícola tradicional que demanda mão de obra numerosa.
(E) Os setores primário e secundário empregam percentuais bem inferiores da PEA, em relação ao terciário, o que é um indicador de déficit na balança comercial, na medida em que demonstra que o país não produz a maior parte dos produtos industriais e agrícolas para atender à demanda interna.

GABARITO
01- C
02- D
03- C
04- B
05- D
06- B
07- A
08- C
09- B
10-A
11-C
12-C
13-B
14-B
15-D
16-B
17-A
18-B
19-C
20-A
21-B
22-B
23-C
24-B
25- C

Colaboração : Ernesto Aparecido Fontolan.