segunda-feira, 7 de maio de 2018

O 1% MAIS RICO ESTÁ FICANDO CADA VEZ MAIS RICO, E AS COISAS NÃO DÃO SINAIS DE MUDANÇAS



As pessoas mais ricas do mundo - o chamado 1% - terá nas mãos quase dois terços dariqueza do mundo até 2030.
A estimativa é trazida por um relatório da Biblioteca da Câmara dos Comuns britânica, encomendado pelo deputado trabalhista Liam Byrne.
1% mais rico da população mundial possui hoje 50,1% da riqueza das famílias de todo o mundo, de acordo com um relatório do Credit Suisse do ano passado.
A reportagem é de Will Martin, publicada por Business Insider Itália, 30-04-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.
1% mais rico da população mundial terá nas mãos quase dois terços da riqueza do mundo até 2030; isso é o que sustenta um relatório feito pela biblioteca da Câmara dos Comuns, o departamento de pesquisa do parlamento britânico.
elite mundial atualmente possui cerca de 50% da riqueza do planeta, mas é provável que o percentual continue a aumentar segundo o estudo da Câmara, encomendado pelo parlamentar trabalhista Liam Byrne.
Se as tendências observadas desde o crash financeiro de 2008 continuarem, observa o relatório, o chamado 1% terá em suas mãos 64% da riqueza global daqui a apenas 12 anos.
De acordo com o Guardian, que primeiro publicou essas estatísticas, após a crise financeira a riqueza possuída pelo 1% mais rico "está aumentando a uma média de 6% ao ano - muito mais rápido do que a riqueza dos restantes 99% da população do mundo, que aumenta em 3% ao ano".
Se a tendência continuar, em 2030 o 1% terá um patrimônio líquido total de 305.000 bilhões de dólares, mais do dobro dos 140.000 bilhões de dólares que possui em 2018.
"Se não tomarmos medidas para redefinir as regras que regem o funcionamento das nossas economias, estaremos nos autocondenando a um futuro que ficará para sempre marcado pela desigualdade", afirmou Byrne, o parlamentar que encomendou o relatório.
"É eticamente errado e economicamente desastroso, arriscar um novo boom de instabilidade, corrupção e pobreza."
No ano passado, o banco suíço Credit Suisse publicou um relatório onde se mostrava que 1% das famílias e dos indivíduos mais ricos do mundo já possui mais da metade da riqueza de todo o planeta; de acordo com os autores a desigualdade ainda está aumentando, quase dez anos após a pior recessão global desde os anos 1930.
De acordo com o relatório do Credit Suisse,"Os 50% mais pobres dos adultos coletivamente possuem menos de 1% da riqueza total enquanto os 10% dos mais ricos (adultos) detêm 88% dos ativos globais e o percentil mais rico possui sozinho a metade da riqueza total das famílias".
Em outras palavras, "O 1% mais rico possui 50,1% de toda a riqueza das famílias do mundo."
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

A VIDA DESMORONOU COMO UM CASTELO DE CARTAS



Leandro Renitz Oliveira, um homem loiro de 29 anos, de olhos avermelhados sentado no chão de uma rua do Centro de São Paulo, tem um pequeno ritual para quem lhe dirige a palavra na manhã desta terça-feira. Ele para de soluçar e tira uma carteira preta do bolso da calça jeans; vasculha nela e tira um cartão amassado com uma série de carimbos. Eles indicam cada pagamento que fez para viver no arranha-céu onde ficou com a mulher desde – de acordo com o primeiro carimbo – 16 de dezembro de 2016. Esse prédio é agora uma pilha de escombros flamejantes e uma coluna de fumaça cercada de moradores tão confusos quanto ele. Tudo isso está fisicamente na frente de Leandro, mas ele não desvia o olhar do cartãozinho. “Está vendo? Está tudo em ordem”, diz, mostrando para quem quiser ouvi-lo, com alguma esperança. “Agora o senhor é daqueles que vêm ajudar?”
A reportagem é de Tom C. Avendaño, publicada por El País, 01-05-2018.
Leandro faz parte das 150 famílias que ocupavam um prédio no Centro de São Paulo até que, em questão de segundos, desabou. Seus 24 andares de metal e concreto desmoronaram de repente, como um castelo de cartas: o incidente mais espetacular e provavelmente evitável da história paulistana recente. Se quase todos os inquilinos se salvaram, é porque o desmoronamento foi consequência de um incêndio que começou à 1h30 da manhã e durou horas, durante as quais os bombeiros tiveram tempo para evacuar a maioria dos 372 moradores. “Todos, menos essa pessoa”, explicava ao EL PAÍS Max Mena, coronel do Corpo de Bombeiros de São Paulo e um dos responsáveis pelas operações de resgate, na manhã desta terça. “Estávamos resgatando essa pessoa quando o prédio veio abaixo. Agora só falta buscar outras vítimas sob os escombros e se não encontrarmos nada nas próximas 48 horas, entraremos com máquinas para remover tudo.” Não muito longe, o capitão Marcos Palumbo admite: “Pela minha experiência, não é fácil encontrar gente com vida a essa altura.” Pelas informações da Prefeitura, há outros 44 moradores, que estavam cadastrados pela prefeitura, mas cujo paradeiro é desconhecido. Não se sabe se estavam no interior do prédio ou estavam longe do local na hora do incêndio.
As autoridades continuam focadas na questão principal: como um prédio inaugurado em 1966 no coração da maior cidade da América Latina, durante o boom da construção de estilo internacional daquela década, pode simplesmente desaparecer, sem mais nem menos. Mas para os inquilinos a questão principal é exatamente a contrária. É como eles vão sair dessa. Afinal, perderam tudo. “E tudo é tudo mesmo”, alerta estoicamente Lorraine, de 37 anos, até ontem inquilina de um apartamento e que hoje está sentada entre sacos de lixo nas escadarias de uma igreja próxima. “Tudo é a casa, meus documentos, minhas coisas e a vida inteira.” Ainda não sabem até que ponto as autoridades vão se ocupar deles. “Agora vão nos levar para albergues, mas não sei até quando e nem como vamos nos recuperar”, insiste.
Essa recuperação é um caminho íngreme. Poucos moradores tinham seguro (alguns não tinham sequer emprego). O prédio era administrado pelo Movimento Luta por Moradia Digna (MLD), que cobrava das famílias um preço simbólico para morar ali: entre 80 e 250 reais, dependendo de quem se pergunte. Daí os carimbos no cartãozinho de Leandro. Mas o MLD não era dono do prédio, era a União, razão pela qual estão sozinhos diante do perigo. “Eu morava perto de onde o fogo começou, no sétimo andar, e saí tão rápido que fiquei sem nada”, explica Leandro. “A televisão, a geladeira, o rack, o fogão... Então aqui estou, esperando que me deem algo... Porque você não pode... Enfim...”. Enquanto diz isso, abaixa a cabeça até o rosto ficar paralelo ao chão. Então ele começa a chorar de novo.
A desolação dos moradores se vê melhor de longe. Ao redor deles, o Centro de São Paulo continua sua vida como num dia normal. Como se não tivesse desmoronadoum de seus edifícios mais emblemáticos. Como se o mundo não tivesse acabado para 400 moradores. As lojas de música da Rua do Seminário, a 100 metros de distância, abriram. As barracas do Largo do Paissandu abriram. “No Centro de São Paulo, cada quarteirão é um mundo”, diz o vendedor de uma barraca, um jovem bastante alto de olhos verdes que aponta para a coluna de fumaça e para os moradores confusos. “Este é o meu e esse é o seu.”
E, no entanto, Aliane está perto da coluna de fumaça. Uma administradora do Butantã que, de fato, parece de outro planeta mais endinheirado a julgar pela pele bem cuidada, pelos gestos delicados e pelo preciso corte de suas roupas. Carrega três caixas cheias de roupas de marca usadas: ela as coletou entre seus vizinhos para doá-las às vítimas. “É o mínimo”, explica. “Antes eles não tinham nada e agora eles não têm nem onde cair mortos. Falando em português claro, estão em um estado de merda em uma cidade de merda.”
Fonte : Institutos Humanitas Unisinos

CHINA E ÍNDIA : ALIANÇA E A ASCENSÃO DO SÉCULO ASIÁTICO.

A aliança China-Índia (Chíndia) e a ascensão do século asiático, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


Participação da China e Índia e da soma UE e EUA no PIB Mundial
[EcoDebate] A China e a Índia são os dois países mais populosos do mundo e os Estados Unidos (EUA) e a União Europeia (UE) são os dois maiores polos econômicos do mundo. Mas esta realidade vai mudar na próxima década. A China e a Índia (Chíndia) vão continuar como os países mais populosos (a Índia vai ultrapassar a China em termos demográficos) e se transformarão, também, no maior polo econômico.
O gráfico acima, com dados do FMI (abril de 2018) em poder de paridade de compra (ppp), mostra que o polo União Europeia (UE) e Estados Unidos (EUA) representavam 51,6% do PIB mundial em 1980, contra apenas 5,2% da Chíndia. Mas esta realidade mudou rapidamente e, em 2017, a dupla UE+EUA tinha apenas 31,8% do PIB mundial e a Chíndia 25,7%. Para 2023, as projeções do FMI apontam para 28,6% de UE+EUA e de 30,3% da Chíndia.
Durante pelo menos dois milênios, a China e a Índia foram responsáveis pela maior parte da economia mundial e ainda, em 1820, representavam cerca de 50% do PIB global. Após o início da Revolução Industrial e do domínio energético e militar, os países ocidentais tomaram a frente no processo de desenvolvimento econômico e passaram a ter um peso crescente no PIB mundial. Nos últimos dois séculos, os dois gigantes demográficos encolheram em termos econômicos e foram suplantados pelos países ocidentais.
Mas houve uma nova reviravolta nas últimas décadas e a China e a Índia voltaram a liderar o crescimento econômico global e devem formar o polo mais forte do PIB mundial já nos anos de 2020. A China saiu na frente e conseguiu dar um salto exponencial depois das reformas feitas por Deng Xiaoping, em 1979. A Índia acelerou o passo a partir dos anos de 1990. O gráfico abaixo, da CNN, mostra alguns dados econômicos e sociodemográficos dos dois países.
dados econômicos e sociodemográficos da China e da Índia 
Embora China e Índia representem civilizações antigas e tenham vínculos seculares, nos tempos modernos os dois países enfrentam uma história de relacionamentos complicados. Desde 1950, os dois vizinhos (possuidores de arsenais nucleares) se envolveram em três conflitos militares em regiões fronteiriças em disputa. Outros pontos de discórdia incluem o ardente apoio de Pequim ao Paquistão, um arquirrival da Índia; enquanto o governo de Nova Délhi apoia o Dalai Lama, o líder espiritual tibetano exilado que é considerado um traidor separatista pelo governo chinês.
A competição econômica e estratégica entre a China – um estado de partido único governado pelos comunistas – e a Índia – a maior democracia do mundo – também se intensificou nos últimos anos, pois Pequim começou a expandir sua influência no tradicional quintal da Índia, especialmente com o lançamento do ambicioso plano de comércio global e infraestrutura, conhecido como Iniciativa “One Belt, One Road” (0BOR). Outros movimentos recentes que têm despertado forte suspeita na Índia vão desde o controle de um importante porto em Sri Lanka pela China e a assinatura de acordos comerciais inovadores com o Nepal, além da realização de operações antipirataria no oeste do Oceano Índico.
Mas apesar destas escaramuças, os dois países são tão grandes que seria impossível crescerem de forma autônoma, sendo que uma guerra, ou mesmo uma pequena hostilidade, poderia comprometer as metas individuais de progresso de cada um. Isto é ainda mais verdadeiro neste momento que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inicial uma guerra comercial e adota o lema de “America First”. Uma união mais efetiva entre os dois gigantes do Oriente poderia mudar de vez o eixo econômico e político do mundo.
Assim, surpreendentemente, enquanto acontecia a esperada cúpula intercoreana entre o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, no dia 27 de abril de 2018 (quando anunciaram a intenção de retirar todas as armas nucleares da península coreana e assinar um acordo de paz até o fim deste ano) acontecia também uma cúpula entre o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente chinês, Xi Jinping, na cidade de Wuhan (dias 27 e 28 de abril). Foi a primeira vez que Xi recebeu um primeiro-ministro indiano fora de Pequim.
O encontro a sós, entre os dois, foi seguido de reuniões alargadas, passeio de barco no belo East Lake e um jantar no resort que era um dos favoritos do antigo líder chinês Mao Zedong. Segundo o comunicado, o encontro informal visava “passar em revista os desenvolvimentos nas relações bilaterais numa perspectiva estratégica e de longo prazo”. Narendra Modi vai viajar novamente até à China em junho para participar na conferência que reúne os oitos membros da Organização para a Cooperação de Xangai. Além da China, Rússia e Índia, o grupo inclui os Estados da Ásia Central do Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Uzbequistão e Paquistão.
Isto quer dizer que está em gestação uma aliança para a formação da potência Chíndia, que, por sua vez pretende estreitar os laços com a Rússia e os países da Eurásia. O jornal Times of India publicou um twitter do primeiro-ministro Modi, dizendo: “O Presidente Xi e eu trocaremos pontos de vista sobre uma série de questões de importância bilateral e global. Vamos discutir nossas respectivas visões e prioridades para o desenvolvimento nacional, particularmente no contexto da situação internacional atual e futura”.
Artigo de Fu Xiaoqiang, no jornal ligado ao governo chinês, China Daily (26/04/2018) apresentou o título ilustrativo: “Cúpula pode anunciar ‘Século da Ásia’”. Ele diz que a reunião será um novo marco nas relações China-Índia, infundindo novo vigor nos laços bilaterais e inaugurando uma nova fase de cooperação. “O século da Ásia não virá sem o desenvolvimento da China e da Índia”, disse há 30 anos o ex-líder chinês Deng Xiaoping a Rajiv Gandhi, então primeiro-ministro da Índia. E há 15 anos, Atal Bihari Vajpayee, que era o primeiro-ministro indiano naquele país, enfatizou: “O século 21 se tornará o século da Ásia se a China e a Índia puderem construir um relacionamento estável e duradouro”.
Artigo de Laura Zhou (28/04/2018), no jornal South China Morning Post (SCMP), mostra que o encontro em Wuhan serviu para que Xi Jinping e Narendra Modi iniciassem um trabalho conjunto para melhorar a comunicação militar para evitar a repetição de conflitos ao longo de uma fronteira compartilhada de cerca de 3.500 quilômetros. O presidente chinês e o primeiro-ministro indiano enfatizaram que as duas nações devem trabalhar para aprofundar a confiança mútua e defender uma economia global aberta, apoiando um sistema comercial multilateral – uma crítica velada às ações comerciais protecionistas do presidente dos EUA, Donald Trump. O artigo cita a agência estatal Xinhua sobre os desdobramentos da reunião. “No próximo passo, os dois países devem fazer um plano abrangente de cooperação e melhorar ainda mais a comunicação estratégica para permitir a negociação oportuna sobre as grandes questões globais.”
Ou seja, a reunião reforçou a ideia de que a China e a Índia devem ser “bons vizinhos e bons amigos”. Que os dois países são o motor do crescimento econômico e devem investir mais na cooperação bilateral. China e Índia já fazem parte do grupo BRICS. Mas um relacionamento bilateral mais estreito é uma novidade. Além disto, a união da China e da Índia com a Rússia (RIC) pode formar um triângulo estratégico que aceleraria o fim da hegemonia Ocidental e o início da hegemonia do Oriente.
Segundo projeções da consultoria PwC, que atualiza anualmente as suas projeções sobre a economia internacional e o desempenho dos principais países no relatório “The World in 2050”, o eixo da economia global vai se deslocar para a Ásia. Em 2016, medido em poder de paridade de compra (ppp), os quatro maiores países eram China, com um PIB de US$ 21,3 trilhões, EUA com US$ 18,6 trilhões, Índia com US$ 8,7 trilhões e Japão com US$ 4,9 trilhões. Esta ordem vai se manter até 2030. Porém, em 2050 a China ampliará a diferença e terá um PIB de US$ 58,5 trilhões, a Índia assumirá a segunda colocação com US$ 44,1 trilhões, os EUA cairão para o terceiro lugar com PIB de US$ 34,1 trilhões e a Indonésia ocupará a quarta colocação com US$ 10,5 trilhões.
O gráfico abaixo mostra que o Brasil que estava em 7º lugar em 2016, com PIB de US$ 3,1 trilhões deve passar para o oito lugar em 2030 e subir para o quinto lugar em 2050, com PIB de US$ 7,5 trilhões. Entre os 32 países da lista abaixo, os dois últimos lugares são ocupados atualmente por Bangladesh e Vietnã. Porém, Bangladesh que estava em 31º lugar, em 2016, com PIB de US$ 0,63 trilhão, deve passar para o 23º lugar com PIB de US$ 3,1 trilhões em 2050. Mas o maior avanço deve acontecer com o Vietnã que estava em último lugar na lista de 32 países em 2016, com PIB de US$ 0,60 trilhão e deve saltar para 20º lugar em 2050, com PIB de US$ 3,2 trilhões.
Das 25 maiores economias em 2050, 13 estarão na Ásia. Mas o que chama mais a atenção é que a economia da China e da Índia (Chíndia) será 3 vezes maior do que a economia dos EUA em 2050. A economia conjunta de Rússia, Índia e China (RIC) será pouco menor do que o conjunto das outras 29 maiores economias (que inclui os países do G7: EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá).
o ranking do PIB das 32 maiores economias do mundo
Indubitavelmente, os países mais dinâmicos do mundo estão na Eurásia e a China e seus aliados se preparam para colocar em prática um grande plano de infraestrutura (OBOR) para aumentar a produtividade e a integração destes países. Se o século XIX foi do Reino Unido e o século XX foi dos EUA, o século XXI será da China, da Índia (da Rússia) e da Ásia, com destaque para as duas primeiras (e com grande peso dos regimes autoritários e autocráticos).
Parece que a preponderância da Ocidentalização vai ser superada pela ascensão do século asiático e pela Orientalização do mundo. O certo é que o centro dinâmico das novas tendências globais deve passar pela fortaleza da Chíndia. O encontro informal entre o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente chinês, Xi Jinping, na cidade de Wuhan, em 27 e 28 de abril, foi apenas mais um passo na direção do fortalecimento da região do sol nascente e do enfraquecimento relativo da região do sol poente.
Referências:
ALVES, JED. A retomada histórica das economias da China e da Índia, Ecodebate, 02/10/2017
https://www.ecodebate.com.br/2017/10/02/retomada-historica-das-economias-da-china-e-da-india-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
Steven Jiang. Friday’s other big summit: Why the Modi-Xi meeting matters, CNN, April 26, 2018
https://edition.cnn.com/2018/04/26/asia/modi-xi-summit-reset-intl/index.html
Laura Zhou. China, India agree to improve military communication for border peace. South China Morning Post (SCMP), 28 April, 2018
http://www.scmp.com/news/china/diplomacy-defence/article/2143859/china-india-agree-improve-military-communication-border
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/05/2018

ECONOMIA INFORMAL E A FORÇA DE TRABALHO

Quase dois terços da força de trabalho global estão na economia informal, diz estudo da OIT


ONU
Mais de 61% da população empregada no mundo — 2 bilhões de pessoas — está na economia informal, segundo estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado na segunda-feira (30), enfatizando que a transição para a economia formal é essencial para garantir proteção social e condições de trabalho decente.
“A alta incidência de informalidade em todas as suas formas têm múltiplas consequências adversas para trabalhadores, empresas e sociedades, e é um importante desafio para a conquista do trabalho decente para todos”, disse Rafael Diez de Medina, diretor do Departamento de Estatísticas da OIT.
Bici-táxis no bairro antigo de Deli, Índia. De acordo com um novo relatório da OIT, cerca de 93% do emprego informal no mundo está em países emergentes e em desenvolvimento. Foto: OIT/Vijay Kutty
Bici-táxis no bairro antigo de Deli, Índia. De acordo com um novo relatório da OIT, cerca de 93% do emprego informal no mundo está em países emergentes e em desenvolvimento. Foto: OIT/Vijay Kutty
Mais de 61% da população empregada no mundo — 2 bilhões de pessoas — está na economia informal, segundo estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado na segunda-feira (30), enfatizando que a transição para a economia formal é essencial para garantir proteção social e condições de trabalho decente.
“A alta incidência de informalidade em todas as suas formas têm múltiplas consequências adversas para trabalhadores, empresas e sociedades, e é um importante desafio para a conquista do trabalho decente para todos”, disse Rafael Diez de Medina, diretor do Departamento de Estatísticas da OIT.
As conclusões constam no mais novo relatório da OIT, “Mulheres e homens na economia informal: uma foto estatística“. O estudo também fornece estimativas comparáveis sobre o tamanho da economia informal e um perfil estatístico do setor, usando critérios de mais de 100 países.
“Medir essa dimensão importante, agora incluída nos indicadores dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), pode ser visto como um passo excelente rumo à ação, particularmente graças a dados mais comparáveis dos países”, disse Medina.
A distribuição geográfica do emprego no setor informal mostra um cenário impressionante.
Na África, 85,8% do emprego é informal. A proporção é de 68,2% na Ásia e no Pacífico, de 68,6% nos Estados Árabes, de 40% nas Américas, e pouco acima de 25% na Europa e na Ásia Central.
No Brasil, o índice de informalidade no emprego total é de 46%, sendo maior entre os homens (37%), do que entre as mulheres (21,5%) no setor informal.
De maneira geral, 93% do emprego informal do mundo está nos países emergentes e em desenvolvimento. Globalmente, o relatório também concluiu que o emprego informal é mais frequente entre homens (63%) do que entre mulheres (52,1%).
“Dos 2 bilhões de trabalhadores informais do mundo, pouco mais de 740 milhões são mulheres”, disse a OIT, lembrando que elas estão mais presentes nos mercados informais em países de baixa e média renda, onde estão em situação de maior vulnerabilidade.

Fatores que afetam o nível de informalidade

A educação é o principal fator a afetar o nível de informalidade, disse o estudo, notando que quanto maior a escolaridade, menor o nível de informalidade.
“Pessoas que concluíram a educação secundária e superior têm menos chance de estar no mercado informal na comparação com trabalhadores que não têm escolaridade ou só completaram a educação primária”, disse a OIT.
Além disso, pessoas vivendo em áreas rurais têm duas vezes mais chances de estar no mercado informal na comparação com os trabalhadores de áreas urbanas, acrescentou o estudo.
De acordo com Florence Bonnet, um dos autores do relatório, os dados sobre essas questões são cruciais para a elaboração de políticas públicas efetivas.
“Para centenas de milhões de trabalhadores, a informalidade significa falta de proteção social, direitos no trabalho e condições de trabalho decente, e para as empresas significa baixa produtividade e falta de acesso a financiamento”, disse.

Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 03/05/2018

POLUIÇÃO DAS PRAIAS PODERÁ PROVOCAR UM COLAPSO NA ECONOMIA CARIOCA.

Poluição das praias poderá provocar um colapso na economia carioca, artigo de Sérgio Ricardo


Poluição na baía da Guanabara. Foto: Movimento Baía Viva
Poluição na baía da Guanabara. Foto: Movimento Baía Viva
[EcoDebate] O avanço da poluição das praias no litoral fluminense além de gerar graves problemas ambientais e de saúde pública poderá provocar perdas na economia com redução de empregos
A Constituição Federal brasileira (1988) e o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC) reconhecem a praia como ÁREA DE BEM COMUM DO POVO.
As praias, são a principal opção de lazer dos cariocas e fluminenses, sendo o Turismo uma das cadeias econômicas mais relevantes do território fluminense que apresenta um extenso e lindo litoral que abrange diversos municípios. A prática de Esportes Náuticos (como vela, canoagem, stand up, canoa, surf) tem sido prejudicados pela crescente poluição ambiental.
Dados de Março/2018, do monitoramento da balneabilidade das praias cariocas coordenado pelo INEA (Instituto Estadual do Ambiente), comprovam que – infelizmente – a grande maioria das praias de nossa baías estão impróprias ao banho tanto nas ilhas, como na Zona Sul e Barra da Tijuca.
A ONU (Organização das Nações Unidas) através dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), recomenda aos governos a adoção de Políticas Públicas voltadas à proteção dos oceanos e dos mares, bem como a preservação da biodiversidade marinha, como um direito humano.
A degradação ambiental no litoral brasileiro poderá gerar, nas próximas décadas, uma forte deseconomia (pois trata-se de uma “produção sacrificada”), com perda expressiva de empregos. Somente na Baía de Guanabara, a crescente degradação ambiental provoca um prejuízo econômico estimado em R$ 30 bilhões por ano!
Os principais impactos irreversíveis da poluição do litoral são: a redução da atividade pesqueira e a extinção de espécies marinhas, graves problemas de saúde pública e a perda de empregos e de receitas pelas cidades que dependem da cadeia produtiva do turismo, além de provocar uma forte desvalorização dos imóveis localizados na orla marítima.
A falta de tratamento de esgotos, o lixo flutuante e a poluição industrial tem contaminado os ecossistemas, como os manguezais, e as águas de uso balneário provocando doenças de veiculação hídrica e poluição visual.
O boto-cinza, que é uma espécie símbolo do Rio de Janeiro encontra-se ameaçado de extinção nas baías urbanas cariocas – Guanabara e Sepetiba: na década de 1990, existiam 800 indivíduos desta espécie na Baía de Guanabara e atualmente estão reduzidos a apenas 34! Já na Baía de Sepetiba, no início deste ano, ocorreu a mortandade de 170 botos.
O movimento Baía Viva, fundado nos anos 1990, defende as seguintes prioridades para reverter a poluição das praias:
1) A conclusão das obras dos Troncos Coletores de esgotos projetados desde 1995 (há 23 anos!) pelo Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), que ainda hoje estão incompletas. As ETEs (estações de tratamento de esgotos) foram construídas ou reformadas: no entanto, pela ausência dos Troncos Coletores tratam um volume irrisório, insuficiente de esgotos. A Baía de Guanabara recebe diariamente 18 mil litros de esgotos por segundo.
2) A implementação do Plano Municipal de Saneamento Básico abrangendo as baías, rios e lagoas cariocas. Este plano é de responsabilidade da Prefeitura do Rio de Janeiro em parceria com a estatal CEDAE, com a definição de metas ambientais anuais. Consideramos que há 2 (duas) prioridades para o saneamento do território da Ilha do Governador:
I – A implantação de um Programa de Saneamento Ambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Jequiá que recebe esgotos de cerca de 100 pessoas por dia. A poluição do manguezal do Jequiá tem ameaçado de extinção a pesca artesanal e as espécies raras da avifauna, além de provocar o adoecimento da população.
II – A implantação de um Programa de Despoluição das Praias e das Favelas com a eliminação das valas à céu aberto que lançam esgotos “in natura” (sem tratamento) nas praias e a construção de galeria de cintura na orla marítima da Ilha do Governador, com sua interligação com a ETIG (estação de tratamento situada no Tauá) que teve sua capacidade de tratamento ampliada pelo PDBG, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (PDBG).
3) Sinalização ecológica das praias com placas ou painéis informativos sobre as condições de balneabilidade, visando garantir o Direito de acesso à Informação Ambiental por parte dos banhistas, praticantes de esportes náuticos e turistas.
4) Participação das Universidades públicas no monitoramento independente da qualidade da balneabilidade das praias e da avaliação das condições parasitológicas e microbiológicas da areia, assim como sua publicidade.
Ao adotar um equivocado e poluente modelo de desenvolvimento insustentável que tem se caracterizado por sacrificar as praias, baías, lagoas e rios, na prática estamos literalmente matando a “galinha dos ovos de ouro”!
Sérgio Ricardo, é ecologista, gestor ambiental e membro-fundador do Movimento Baía Viva.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/05/2018

MUDANÇAS CLIMÁTICAS: CIENTISTAS PROJETAM UMA AMAZÔNIA SECA NO FUTURO.

Mudanças Climáticas: Cientistas projetam uma Amazônia seca no futuro


pesquisa

Estudo conduzido pela UCI examina o papel de árvores na transferência global de chuvas
University of California, Irvine*
Os modelos climáticos prevêem que um aumento nos gases de efeito estufa secará a floresta amazônica no futuro, ao mesmo tempo em que causará condições mais úmidas nas florestas da África e da Indonésia. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Irvine e outras instituições identificaram um fator inesperado, mas importante, nessa mudança de precipitação mundial: a resposta direta das próprias florestas a níveis mais altos de dióxido de carbono.
“As pessoas tendem a pensar que a maior parte da ruptura virá do calor que entra nos oceanos, o que, por sua vez, alterará os padrões de vento”, disse James Randerson, presidente da UCI na Ralph J. & Carol M. Cicerone. “Descobrimos que mudanças em larga escala na precipitação podem, em parte, ser atribuídas à maneira como as florestas tropicais respondem à superabundância de dióxido de carbono que os seres humanos emitem na atmosfera, particularmente em florestas densas na Amazônia e em toda a Ásia.”
Um novo estudo conduzido pelo ex-aluno de pós-doutorado da UCI Gabriel Kooperman e publicado hoje na revista Nature Climate Change , demonstra que as interações entre as florestas tropicais e o aumento dos níveis de CO2 contribuirão para um padrão assimétrico de mudança da precipitação nos trópicos.
Em muitos aspectos da ciência do sistema terrestre, os efeitos locais de fatores ambientais podem afetar regiões distantes através de sua influência na circulação e no movimento da umidade na atmosfera. O grupo liderado pela UCI prevê uma cascata de eventos similar, começando com estômatos, pequenas estruturas na parte inferior das folhas que se abrem e fecham para que as plantas absorvam o CO 2 que precisam crescer – e que também liberam vapor de água.
Quando mais CO2 está presente, esses orifícios não abrem tão amplamente, o que reduz a quantidade de água evaporada na atmosfera. Segundo os pesquisadores, esse pequeno processo no nível da planta, multiplicado pela floresta, causará mudanças na atmosfera, afetando a maneira como os ventos sopram e o fluxo de umidade vindo do oceano.
“Em muitas regiões de florestas tropicais, a umidade fornecida pela transpiração, que conecta a água subterrânea no nível da raiz diretamente à atmosfera quando é puxada até as folhas, pode contribuir tanto quanto a umidade evaporada do oceano que chove de volta a uma dada localização – que é a reciclagem de floresta tropical normal ”, disse Kooperman, agora professor assistente de geografia e ciências atmosféricas na Universidade da Geórgia .
“Mas com maior CO2 , árvores e florestas evaporam menos umidade no ar, então menos nuvens são formadas acima da Amazônia”, disse ele. “E, em vez de [juntar-se às nuvens geralmente abundantes e] chover sobre a floresta, o vapor do Oceano Atlântico sopra pelo continente sul-americano até a Cordilheira dos Andes, onde desce como chuva nas encostas das montanhas, com benefício limitado. para a floresta tropical na bacia amazônica ”.
Esta receita para a seca na América do Sul é exclusiva da Amazônia e distintamente diferente de um aumento na precipitação prevista sobre florestas na África Central e no continente marítimo, uma vasta área entre os oceanos Pacífico e Índico que inclui a Malásia, Papua Nova Guiné e arquipélago indonésio povoado.
Randerson disse que a redução na evaporação levará ao aquecimento das florestas em ilhas como Bornéu, Java e Sumatra, que são cercadas por ar úmido acima das superfícies quentes do oceano. “Você terá um contraste mais forte no aquecimento das ilhas em comparação com o oceano nas proximidades, e assim aumentará a brisa natural do oceano, puxando mais umidade desses sistemas oceânicos vizinhos para aumentar a chuva sobre as florestas”, disse ele. .
O projeto de pesquisa, que usou uma combinação de simulações padrão fornecidas através do Projeto de Intercomparação de Modelos Acoplados Fase 5 e simulações com o Modelo de Sistema de Terra da Comunidade, revelou que a resposta da vegetação tropical a um CO2 mais alto pode ser um importante condutor da mudança climática nos trópicos, de acordo com Kooperman.
Ele também destacou o fato de que as secas e mortalidade florestal resultantes na Amazônia e um potencial aumento de inundações em outras florestas tropicais podem ter um impacto sobre a biodiversidade, disponibilidade de água doce e suprimentos de alimentos para populações economicamente vulneráveis.
Este estudo foi apoiado pela Fundação Gordon e Betty Moore e pelo Departamento de Energia dos EUA e envolveu pesquisadores do Oak Ridge National Laboratory; a Universidade do Tennessee, Knoxville; Lawrence Berkeley National Laboratory; o Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica; e a Universidade de Washington.
Referência:
Forest response to rising CO2 drives zonally asymmetric rainfall change over tropical land
Gabriel J. Kooperman, Yang Chen, Forrest M. Hoffman, Charles D. Koven, Keith Lindsay, Michael S. Pritchard, Abigail L. S. Swann & James T. Randerson
Nature Climate Changevolume 8, pages434–440 (2018)
doi:10.1038/s41558-018-0144-7
https://www.nature.com/articles/s41558-018-0144-7
*Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/05/2018

BRASIL 2018 : CAI O NÚMERO DE PESSOAS OCUPADAS E COM CARTEIRA ASSINADA.

Cai o número de pessoas ocupadas e com carteira assinada no Brasil em 2018, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


“Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições
justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego”
Artigo 23 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (10/12/1948)
(1) - Cai o número de pessoas ocupadas e com carteira assinada no Brasil em 2018
[EcoDebate] O Brasil, carente de trabalho, oficialmente, já saiu da recessão desde o último trimestre de 2016. Porém, nunca houve uma “recuperação” econômica tão fraca e uma crise do mercado de trabalho tão profunda. Enquanto os bancos e o mercado financeiro projetam um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,5% a 3% em 2018, os dados sobre as condições de emprego são preocupantemente ruins.
Os últimos dados da PNAD Contínua do IBGE, divulgados na sexta-feira antes do 1º de maio (dia do trabalhador), mostram que a taxa de desocupação no trimestre móvel de janeiro a março de 2018 foi de 13,1%, significando que o desemprego aberto atingiu 13,7 milhões de trabalhadores. Se considerarmos a taxa composta de subutilização da força de trabalho (medida mais ampla do desperdício do potencial produtivo do país) o percentual foi de 23,6% no 4º trimestre de 2017, representando o desperdício do potencial de 26,4 milhões de pessoas aptas a trabalhar. Ainda não foi divulgada a taxa composta para o primeiro trimestre de 2018, mas com toda a certeza o número de pessoas desempregadas e desalentadas deve ultrapassar 27 milhões de trabalhadores. Este alto volume de pessoas não vão ter acesso ao direito humano básico que é ter uma ocupação para se auto sustentar.
Na série da PNADC que começou em 2012, o recorde de pessoas ocupadas foi de 92,9 milhões de pessoas no quarto trimestre de 2014. De lá para cá, este número caiu, chegou a 92,1 milhões no quarto trimestre de 2017 e diminuiu para 90,6 milhões no primeiro trimestre de 2018. Esta queda no número da força de trabalho ocupada é ainda mais preocupante quando se considera que a população total do país passou de 199,2 milhões de habitantes em 2012 para 209,2 milhões em 2018. Assim, a taxa de ocupação que chegou ao pico de 57% em 2014 caiu para 53,6% no primeiro trimestre de 2018, conforme mostra o gráfico acima.
Outro dado que demonstra a fragilidade do mercado de trabalho e representa uma perda de direitos de proteção social é a queda do número de empregos com carteira assinada, que estava em 36,9 milhões no segundo trimestre de 2014 e caiu para 32,9 milhões no primeiro trimestre de 2018, conforme mostra o gráfico abaixo. A recessão fez o Brasil perde quase 4 milhões de empregos com carteira assinada nos últimos 4 anos. Nunca o país teve uma perda tão grande e tão rápida do emprego formal e sem perspectiva de melhora no curto e no médio prazo.
(2) - Cai o número de pessoas ocupadas e com carteira assinada no Brasil em 2018 
A situação do mercado de trabalho é tão grave que até mesmo o emprego sem carteira assinada está em crise. O gráfico abaixo mostra que havia 11,3 milhões de pessoas de 14 anos ou mais de idade, empregadas no setor privado sem carteira de trabalho assinada, no pico de 2012 e este número caiu para 9,7 milhões no primeiro trimestre de 2016. O emprego informal cresceu para 10,7 milhões no primeiro trimestre de 2018, mas é um número menor do que em 2012.
Ou seja, até mesmo a recuperação do emprego precário e sem proteção social tem sido lenta e não voltou ao nível pré-crise 2014-2016. Portanto, o Brasil não tem conseguindo criar empregos – nem formais e nem informais – suficientes para absorver toda a força de trabalho em idade produtiva. Com a crise fiscal e as baixas taxas de poupança/investimento e altos níveis de endividamento o Brasil fica preso na armadilha do desemprego. Com o intenso e precoce processo de desindustrialização, as jovens gerações – uma parte daqueles que foram às ruas em junho de 2013 – são as mais prejudicadas.
Somente com empregos produtivos há geração de riqueza, base para se garantir o progresso de qualquer país. Com a falta de oportunidades decentes no mercado de trabalho, o Brasil está criando uma geração perdida, pois cresce o número de desempregados e o número dos chamados nem-nem-nem (jovens que nem estudam, nem trabalham e nem procuram emprego). Uma juventude sem perspectiva de melhoria de vida é presa fácil para o crime, engrossando as estatísticas dos atores e das vítimas da violência.
(3) - Cai o número de pessoas ocupadas e com carteira assinada no Brasil em 2018 
Sem trabalho o Brasil não tem futuro. O país vive o seu melhor momento do bônus demográfico. Nunca houve tantas pessoas em idade de trabalhar no país. Mas o desperdício representado pelo alto nível de desemprego e a baixa taxa de ocupação (além da baixa proporção de emprego formal) é o mesmo que jogar fora nossa janela de oportunidade e manter a população brasileira eternamente presa na armadilha da renda média.
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/05/2018