terça-feira, 10 de novembro de 2020

AQUECIMENTO DE 2°C LIBERARIA BILHÕES DE TONELADAS DE CARBONO DO SOLO.

 solos

Foto: FAO/ABr

Aquecimento de 2°C liberaria bilhões de toneladas de carbono do solo

Os solos globais contêm duas a três vezes mais carbono do que a atmosfera, e temperaturas mais altas aceleram a decomposição – reduzindo a quantidade de tempo que o carbono passa no solo (conhecido como “turnover de carbono no solo”).

University of Exeter*

O novo estudo de pesquisa internacional, liderado pela Universidade de Exeter, revela a sensibilidade do turnover do carbono do solo ao aquecimento global e, subsequentemente, reduz pela metade a incerteza sobre isso nas projeções de mudanças climáticas futuras.

A estimativa de 230 bilhões de toneladas de carbono liberadas com o aquecimento de 2°C (acima dos níveis pré-industriais) é mais de quatro vezes o total das emissões da China e mais do que o dobro das emissões dos EUA nos últimos 100 anos.

“Nossas regras de estudo fora a maioria das projeções extremas – mas sugere, no entanto, as perdas de carbono do solo substanciais devido às alterações climáticas em apenas 2°C o aquecimento, e este nem sequer incluem as perdas de carbono mais profundo permafrost “, disse o co-autor Dr. Sarah Chadburn , da Universidade de Exeter.

Esse efeito é chamado de “feedback positivo” – quando as mudanças climáticas causam efeitos indiretos que contribuem para mais mudanças climáticas.

A resposta do carbono do solo às mudanças climáticas é a maior área de incerteza na compreensão do ciclo do carbono nas projeções das mudanças climáticas.

Para resolver isso, os pesquisadores usaram uma nova combinação de dados observacionais e Modelos do Sistema Terrestre – que simulam o clima e o ciclo do carbono e, posteriormente, fazem previsões sobre as mudanças climáticas.

“Nós investigamos como o carbono do solo está relacionado à temperatura em diferentes locais da Terra para descobrir sua sensibilidade ao aquecimento global”, disse a autora Rebecca Varney , da Universidade de Exeter.

Modelos de última geração sugerem uma incerteza de cerca de 120 bilhões de toneladas de carbono a 2°C de aquecimento médio global.

O estudo reduz essa incerteza para cerca de 50 bilhões de toneladas de carbono.

O co-autor, Professor Peter Cox , do Exeter’s Global Systems Institute , disse: “Reduzimos a incerteza nesta resposta às mudanças climáticas, que é vital para calcular um orçamento global de carbono preciso e cumprir com sucesso as metas do Acordo de Paris.”

O trabalho foi realizado em colaboração com cientistas do Met Office e institutos nos EUA e na Suécia.

O estudo, publicado na Nature Communications, é intitulado “A spatial emergent constraint on the sensitivity of soil carbon turnover to global warming”

Referência:

Varney, R.M., Chadburn, S.E., Friedlingstein, P. et al. A spatial emergent constraint on the sensitivity of soil carbon turnover to global warming. Nat Commun 11, 5544 (2020). https://doi.org/10.1038/s41467-020-19208-8

 

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Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

EcoDebate, ISSN 2446-9394, 03/11/2020

MUDANÇAS CLIMÁTICAS PODEM AUMENTAR AS SECAS SEVERAS.

 reservatório seco

Mudanças climáticas podem aumentar as secas severas

Mega secas – que duram duas décadas ou mais – tendem a aumentar graças à mudança climática, de acordo com uma pesquisa liderada pela Universidade de Queensland.

O professor Hamish McGowan, da UQ, disse que as descobertas sugerem que a mudança climática levaria ao aumento da escassez de água, redução da cobertura de neve no inverno, incêndios florestais mais frequentes e erosão do vento.

A revelação veio após uma análise dos registros geológicos do Período Eemiano – 129.000 a 116.000 anos atrás – que ofereceu uma representação do que poderíamos esperar em um mundo mais quente e seco.

“Descobrimos que, no passado, uma quantidade semelhante de aquecimento foi associada a condições de mega seca em todo o sudeste da Austrália”, disse o professor McGowan.

“Essas condições mais secas prevaleceram por séculos, às vezes por mais de 1000 anos, com os eventos do El Niño provavelmente aumentando sua gravidade.”

A equipe se engajou na paleoclimatologia – o estudo dos climas passados – para ver como será o mundo como resultado do aquecimento global nos próximos 20 a 50 anos.

“O Período Eemiano é o mais recente na história da Terra quando as temperaturas globais eram semelhantes, ou possivelmente um pouco mais altas do que o presente”, disse o professor McGowan.

“O ‘calor’ daquele período foi em resposta ao forçamento orbital, o efeito no clima de mudanças lentas na inclinação do eixo da Terra e a forma da órbita da Terra em torno do sol.

Professor Hamish McGowan usando uma lanterna frontal rastejando por uma pequena caverna para obter acesso às estalagmites a cerca de 120 metros abaixo da superfície na Gruta Cave, NSW.“Nos tempos modernos, o aquecimento é causado por altas concentrações de gases de efeito estufa, embora este período ainda seja um bom análogo para nossas previsões climáticas atuais e futuras”.

Os pesquisadores trabalharam com o serviço de Parques e Vida Selvagem de New South Wales para identificar estalagmites nas Cavernas Yarrangobilly na seção norte do Parque Nacional Kosciuszko.

Pequenas amostras do pó de carbonato de cálcio contido nas estalagmites foram coletadas, depois analisadas e datadas na UQ.

Essa análise permitiu que a equipe identificasse períodos de precipitação significativamente reduzida durante o Período Eemiano.

“São descobertas alarmantes, em uma longa lista de descobertas alarmantes que cientistas do clima divulgaram nas últimas décadas”, disse o professor McGowan.

“Esperamos que esta nova pesquisa permita novas percepções sobre nosso clima futuro e os riscos que ele pode trazer, como secas e incêndios florestais associados.

“Mas, o mais importante, se os humanos continuarem a aquecer o planeta, este é o futuro que todos podemos estar olhando.”

A pesquisa foi parte de um projeto apoiado pela Snowy Hydro Ltd para desenvolver a compreensão da provável variabilidade do clima em um mundo mais quente e o impacto no hidroclima do sudeste da Austrália.

O artigo foi publicado em Nature Scientific Reports (DOI: 10.1038 / s41598-020-75071-z ).

Referência:

McGowan, H., Campbell, M., Callow, J.N. et al. Evidence of wet-dry cycles and mega-droughts in the Eemian climate of southeast Australia. Sci Rep 10, 18000 (2020). https://doi.org/10.1038/s41598-020-75071-z

 

* Da University of Queensland, com tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 03/11/2020

ÁRTICO ESTÁ MORRENDO E TEM MENOR NÍVEL DE GELO EM OUTUBRO.

 

Ártico está morrendo e tem o menor nível de gelo em outubro, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

“O principal impulso pelo qual fui dirigido foi o esforço sincero para compreender os
fenômenos dos objetos físicos em sua conexão geral e para representar a natureza
como um grande todo, movido e animado por forças internas”
Alexander von Humboldt (1769-1859)

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

[EcoDebate]

O gelo do Ártico está desaparecendo a uma velocidade estonteante. A extensão de gelo do polo Norte em outubro de 2020 é a menor de todos os tempos.

As figuras abaixo mostram que a extensão de gelo no Polo Norte era de 9,3 milhões de km2 em 1992, caiu para 7,5 milhões de km2 em 2013 e 5,3 milhões de km2 em 2020. A média do período 1981-2010 foi de 8,3 milhões de km2, portanto, em outubro de 2020 houve uma redução de 4 milhões de km2 em relação à 1992 e de 2 milhões de km2 em relação à média de 1981-2010.

a extensão de gelo no Polo Norte era de 9,3 milhões de km2 em 1992, caiu para 7,5 milhões de km2 em 2013 e 5,3 milhões de km2 em 2020

O gráfico abaixo mostra que a perda de gelo nos meses de outubro tem ocorrido ao ritmo de -10,1% por década e que o maior degelo ocorreu em 2020. Nesta marcha, poderia ocorrer a perda total de gelo antes do fim do atual século.

a perda de gelo nos meses de outubro tem ocorrido ao ritmo de -10,1% por década e que o maior degelo ocorreu em 2020

Existe um círculo vicioso preocupante. O aquecimento global tem levado ao degelo do Ártico e quando o gelo ou a neve desaparecem, dão lugar ao oceano mais escuro ou a uma vegetação que refletem menos os raios solares e absorvem em maior proporção o calor. O fenômeno eleva as temperaturas da água e do ar, piorando, assim, o problema. Já é possível navegar tranquilamente nos meses de setembro do polo norte e agora a navegação já pode ser feita em outubro, o que é bom para os interesses econômicos do comércio, mas é péssimo para o meio ambiente (Alves, 14/10/2020).

No mês de setembro, um bloco de gelo com cerca de duas vezes o tamanho de Manhattan se separou da maior plataforma de gelo remanescente do Ártico, no nordeste da Groenlândia, após temperaturas recordes no verão. Com o aquecimento do Ártico ocorrendo pelo menos duas vezes mais rápido que o aquecimento global médio, a taxa de derretimento da Groenlândia pelo menos triplicou nas últimas duas décadas. Se este ritmo continuar, o derretimento poderá fazer, em futuro distante, com que o nível do mar suba em até 7 metros, afogando as cidades costeiras.

Para agravar o problema, a aceleração do aquecimento do Ártico aumenta o risco de feedback auto reforçador de degelo do permafrost. Existem duas vezes mais carbono preso no permafrost do que o que já foi lançado na atmosfera. A erosão do permafrost pode ser completamente desastroso, já que o metano é várias vezes mais poluente do que o CO2. À medida que as temperaturas globais aumentam, também é possível que ainda mais metano possa ser emitido do fundo do mar raso da plataforma ártica da Sibéria Oriental.

redução da extensão do gelo no Ártico

Matéria do jornal The Guardian (27/10/2020) mostra que cientistas encontraram evidências de que depósitos de metano congelado no Oceano Ártico – conhecidos como os “gigantes adormecidos do ciclo do carbono” – começaram a ser liberados em uma grande área da encosta continental da costa leste da Sibéria. Altos níveis do potente gás de efeito estufa foram detectados a uma profundidade de 350 metros no Mar de Laptev, perto da Rússia, gerando preocupação entre os pesquisadores de que um novo ciclo de feedback climático pode ter sido acionado, o que poderia acelerar o ritmo do aquecimento global.

Este círculo vicioso que se auto reforça, pode aquecer a temperatura em velocidade acelerada e tornar várias partes da Terra inabitáveis, sendo que as ondas letais de calor e os eventos climáticos extremos podem matar mais gente do que a atual pandemia da covid-19. O aumento das rotas de navegação, da extração de petróleo e de outras atividades econômicos no Ártico só agravam o quadro da perda de gelo.

Artigo de Maria-Vittoria Guarino et. al. publicado na Nature Climate Change (10/08/2020), utilizou a última geração de modelos climáticos para simular o gelo do mar Ártico durante o período quente de 120.000 anos antes da última era do gelo. As simulações mostraram que, durante essa era, o Ártico provavelmente nunca esteve sem gelo no verão. A equipe também fez simulações de modelos para o futuro e descobriu que o gelo marinho do Ártico provavelmente desaparecerá entre 2030 e 2050.

Outro novo estudo, publicado na revista “Nature Climate Change”, usou a última geração de modelos climáticos para simular o gelo do mar Ártico durante o período quente de 120.000 anos antes da última era do gelo. As simulações mostraram que, durante essa era, o Ártico provavelmente estava sem gelo no verão. A equipe também fez simulações de modelos para o futuro e descobriu que o gelo marinho do Ártico provavelmente desaparecerá entre 2030 e 2050.

Uma ameaça adicional do degelo vem da possibilidade do reaparecimento de vírus e bactérias retidos nas camadas mais profundas do Polo Norte e que podem emergir à superfície, na medida em que o gelo se transforma em água. Vírus liberados e maior circulação humana são bombas- relógio para o surgimento de novas epidemias.

Como mostrou Dana Nuccitelli (28/10/2020) o Ártico vive um pacto suicida, com uma relação mutualmente destrutiva entre o degelo e o aquecimento global: “O clima mais quente e a perda de gelo do mar Ártico formam um verdadeiro pacto suicida. Há uma espiral da morte com o círculo vicioso de feedback entre derretimento-aquecimento, pois mais derretimento de neve e gelo geram ainda mais aquecimento, em um ciclo contínuo”.

O que está acontecendo no Polo Norte em outubro de 2020 deve servir de alerta para o mundo, pois a morte do Ártico pode significar também a morte da civilização humana que não conseguiria prosperar em um mundo em constante aquecimento e em uma Terra inabitável.

José Eustáquio Diniz Alves
Colunista do EcoDebate.
Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:

ALVES, JED. O degelo do Ártico e o atalho na rota comercial norte entre o Leste Asiático e a Europa, Ecodebate, 14/10/2020 https://www.ecodebate.com.br/2020/10/14/o-degelo-do-artico-e-o-atalho-na-rota-comercial-norte-entre-o-leste-asiatico-e-a-europa/

Jonathan Watts. ‘Sleeping giant’ Arctic methane deposits starting to release, scientists find. The Guardian, 27/10/2020 https://www.theguardian.com/science/2020/oct/27/sleeping-giant-arctic-methane-deposits-starting-to-release-scientists-find

Dana Nuccitelli. Warmer climate and Arctic sea ice in a veritable suicide pact, Yale Climate Connections, 28/10/2020 https://yaleclimateconnections.org/2020/10/warmer-climate-and-arctic-sea-ice-in-a-veritable-suicide-pact/

Maria-Vittoria Guarino et. al. Sea-ice-free Arctic during the Last Interglacial supports fast future loss, Nature Climate Change volume 10, pages 928–932, 10/08/2020

https://www.nature.com/articles/s41558-020-0865-2

 

Nota da redação: em relação ao tema “Degelo do Ártico’ recomendamos que leia, também:

O Degelo Do Ártico E O Atalho Na Rota Comercial Norte Entre O Leste Asiático E A Europa

Mudanças Climáticas: O Ártico Está Em Transição Para Um Novo Estado Climático

O Gelo Marinho Do Ártico Está Derretendo Mais Rapidamente Do Que Se Imaginava

Novo Estudo Apoia As Previsões De Que O Ártico Poderá Ficar Livre Do Gelo Marinho Em 2035

Emergência Ambiental: O Derretimento Do Gelo Ártico Está Mudando As Correntes Oceânicas

O Degelo Do Ártico E As Emissões Do Permafrost

Emergência Climática: Aquecimento Do Ártico Pode Ter Consequências Globais

Aquecimento Global: Cientistas Revelam O Efeito Da Perda De Gelo Marinho Do Ártico

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/11/2020

CONHEÇA OS TIPOS DE VACINA CONTRA COVID-19.

Conheça os tipos de vacina contra covid-19

As vacinas contra a covid-19 estão sendo desenvolvidas em velocidade sem precedentes, e, além da rapidez, os projetos em andamento buscam comprovar a eficácia e a segurança de tecnologias inéditas, que, futuramente, podem modernizar outras vacinas já em uso no mundo.tipos de vacina contra covid-19,vacina contra covid-19,quais são as vacinas contra covid-19,vacina covid,covid,covid 19 vacinatipos de vacina contra covid-19,vacina contra covid-19,quais são as vacinas contra covid-19,vacina covid,covid,covid 19 vacina

ABr

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre as quase 200 propostas de vacinas em testes, 44 chegaram à fase de experimentação em humanos, chamada de estudos clínicos. Dessas, um grupo de 10 projetos atingiu a fase três de estudos, em que dezenas de milhares de voluntários são recrutados para comprovar se a vacina é mesmo capaz de proteger sem causar danos à saúde.
Por ainda apresentar grande circulação do vírus, o que acelera as pesquisas, o Brasil tem sediado alguns desses testes com milhares de participantes. Receberam autorização para experimentos de larga escala no país as vacinas desenvolvidas pelos laboratórios AstraZeneca/Oxford, Sinovac, Janssen e Pfizer/Biontech/Fosun Pharma.

Com técnicas já utilizadas pela ciência ou novas formas de induzir a resposta imunológica, as vacinas contra a covid-19 que chegaram ao último estágio de testes têm um mesmo objetivo: levar ao organismo informações importantes que desencadeiem a produção de defesas ao novo coronavírus de forma antecipada.

A Agência Brasil explica as principais estratégias elaboradas pelos cientistas para que as vacinas sejam eficazes e seguras.

Governo de São Paulo inicia testes com vacina contra o novo coronavírus.
Governo de São Paulo faz testes com vacina contra o novo coronavírus. – Divulgação/Governo de São Paulo

Proteína S

Quando o corpo produz anticorpos contra um vírus ele é estimulado por estruturas específicas que compõem esses seres. No caso do coronavírus causador da covid-19, os cientistas descobriram que a proteína S, que forma a coroa de espinhos que dá nome ao vírus, é a estrutura que mais provoca o sistema imunológico a produzir anticorpos. Essa proteína também é fundamental para a infecção: é com os pequenos espinhos formados pela proteína S que o novo coronavírus se conecta às células humanas e inicia a invasão para poder se replicar.

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, explica que antecipar o contato do corpo com a proteína S é uma estratégia comum aos principais projetos em curso. “As vacinas têm como alvo principal a indução de anticorpos contra essa proteína S. Os anticorpos são, em geral, neutralizantes. São capazes de neutralizar a atividade do vírus”.

Vacinas de vírus inativado

Entre as dez vacinas que chegaram aos estudos clínicos de fase 3, três propostas desenvolvidas na China utilizam a técnica conhecida como vacina de vírus inativado: a da Sinovac, que está em testes no Brasil em parceria com o Instituto Butantan e o governo de São Paulo, a da Sinopharm com Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan, e outra da Sinopharm com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim.

A estratégia leva esse nome porque a vacina contém o próprio vírus morto, o que é chamado tecnicamente de inativado. Essas vacinas são comuns na prevenção de diversas doenças, como a poliomielite, a hepatite A e o tétano, e provocam o corpo a produzir as defesas a partir de um contato antecipado e inofensivo com o vírus.

“Nessa tecnologia, se cultiva o vírus em laboratório, e, depois de ter uma grande quantidade, você inativa, mata o vírus em linguajar mais popular, através de temperatura ou substâncias químicas. Ele fica um vírus inteiro, morto, inativado, mas com essas proteínas conservadas e capazes de induzir uma resposta imune”, explica Kfouri. “A única dificuldade é que você precisa de laboratórios com nível de biossegurança elevado para manipular o vírus vivo, precisa cultivá-lo, e tem um tempo de multiplicação desses vírus pra depois inativar. São processos que requerem um tempo maior e um nível de segurança máximo dos laboratórios, porque vão manipular vírus com potencial infectante”.

Vacinas de vetor viral

Para fazer com que o corpo produza anticorpos capazes de neutralizar a proteína S, as vacinas de vetor viral não-replicante trazem uma proposta inovadora: a proteína do novo coronavírus é inserida em outro vírus, modificado em laboratório, para transportá-la para o corpo humano e não se multiplicar. Uma vez que a proteína chega ao corpo, o sistema imunológico a identifica e produz estruturas capazes de impedir sua ação no futuro, quando o novo coronavírus tentar causar infecção.

Essa tecnologia já estava em estudo para produzir vacinas contra o vírus ebola e coronavírus que provocaram surtos em anos anteriores, como o SARS-CoV-1, o que explica a velocidade com que foi possível direcionar as pesquisas ao SARS-CoV-2. Projetos como o da americana Janssen e o da chinesa CanSino utilizam adenovírus humanos para transportar a proteína S para o corpo humano.

O mesmo propõe o Instituto de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, da Rússia, com a diferença de utilizar dois tipos diferentes de adenovírus, um em cada dose da vacina. Caso seja comprovada e registrada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacina russa deve ser produzida no Brasil pelo Grupo União Química.

Já a proposta britânica da farmacêutica AstraZeneca e da Universidade de Oxford usa um adenovírus de chimpanzé como vetor viral. Essa vacina encontra-se em fase de testes no Brasil, e o governo federal assinou um acordo de transferência de tecnologia para que a Fundação Oswaldo Cruz possa produzi-la.

“As vacinas são de adenovírus vivo, mas são não-replicantes. Eles retiram da estrutura do adenovírus as proteínas responsáveis por sua multiplicação. Esses adenovírus são vírus de resfriado”, explica Kfouri, que acrescenta que os adenovírus foram escolhidos para transportar a proteína S porque provocam pouca resposta imunológica, permitindo que o corpo concentre sua reação na proteína do coronavírus.

Vacinas genéticas

Outra tecnologia em testes, nunca antes usada em imunização, é a das vacinas de RNA ou DNA, que inserem ácidos nucléicos do novo coronavírus no corpo humano. Até este momento, apenas vacinas que utilizam RNA chegaram à fase três de estudos clínicos, e seu funcionamento prevê que, ao entrar no organismo, o ácido nucléico do novo coronavírus fará com que as próprias células humanas produzam a proteína S, que, por sua vez, desencadeará a produção de defesas no organismo.

Caso a eficácia e segurança seja confirmada, essa tecnologia é considerada mais rápida para a produção em larga escala, já que a vacina utiliza RNA sintético, o que dispensa o cultivo do vírus em laboratório. Os estudos em fase 3 que buscam confirmar a eficácia e segurança de vacinas de RNA estão sob o comando da farmacêutica americana Moderna em parceria com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, e do grupo de pesquisa que reúne a também americana Pfizer, a alemã Biontech e a chinesa Fosun Pharma.

Kfouri explica que as pesquisas que utilizam vacinas de RNA também caminharam rápido por terem partido de estudos que já estavam em andamento para desenvolver vacinas contra outros coronavírus e o ebola. “Essa tecnologia tem um potencial de ser utilizada em muitas outras vacinas, por essa capacidade de rápida produção. Pode ser que, se der certo, a gente migre outras vacinas que a gente já usa hoje para essa plataforma”.

Vacinas proteicas sub-unitárias

A quarta tecnologia que está em desenvolvimento e já chegou aos estudos de fase 3 é a das vacinas proteicas sub-unitárias, que propõem a injeção da proteína S e outras proteínas do novo coronavírus diretamente no corpo humano, sem o intermédio de vetores virais.

Entre as dez vacinas em estudos de fase três, a única desse tipo é a produzida pela farmacêutica americana Novavax.

“Elas levam pedacinhos do vírus, como a gente faz com a vacina da gripe e do HPV. A gente pega pedaços da proteína S, da proteína M, da proteína E, e faz vacinas com esses fragmentos do vírus, que também precisa ser cultivado e inativado, só que em vez do vírus inteiro, a vacina leva partículas virais, subunidades do vírus”.

Infográfico mostra os tipos de vacina que podem ser eficazes contra o novo coronavírus.

Por Vinícius Lisboa, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/11/2020 

CUIDADOS NA ARMAZENAGEM DE MEDICAMENTOS EM CASA.

 medicamentos

Cuidados na armazenagem de medicamentos em casa

Artigo de Vinícius Bednarczuk de Oliveira

[EcoDebate] Medicamentos são substâncias químicas que auxiliam na prevenção e tratamento de diversas doenças, aliviando sintomas e muitas vezes curando males. Porém, o seu uso deve se dar de maneira adequada e conforme a orientação de um profissional competente, como um médico ou farmacêutico.

Pode-se dizer que os medicamentos, popularmente conhecidos como remédios, são responsáveis pelo aumento da sobrevida da população. Doenças não tão complexas, que antes podiam levar um paciente à óbito, hoje podem ser tratadas com medicamentos cada vez mais seguros e eficazes.

Muitos brasileiros têm o hábito de armazenar medicamentos em casa, a famosa “farmacinha”. Esta prática é errada? Não, porém, o armazenamento deve ser feito da maneira adequada para evitar acidentes, garantindo também que o medicamento não estrague antes do vencimento.

Confira abaixo, 6 dicas práticas para auxiliar no armazenamento correto dos seus medicamentos.

  • Armazene-os em local de difícil acesso para crianças e animais de estimação, evitando acidentes e intoxicações;
  • Evite guardar em locais com muita umidade, como banheiro ou na cozinha, onde ocorrem mudanças bruscas de temperatura;
  • Se utilizar porta-comprimidos, mantenha-o limpo e com o medicamento identificado, evitando ingerir o comprimido errado;
  • Mantenha os medicamentos nas embalagens originais, facilitando a identificação, armazenagem da bula e acesso a validade;
  • Armazene na geladeira, apenas aqueles que forem orientados a guardar a frio, evite deixar na porta para evitar mudanças de temperatura;
  • Medicamentos vencidos devem ser descartados no local correto, como em algumas farmácias que dão o destino adequado.

Vinícius Bednarczuk de Oliveira é farmacêutico, coordenador dos cursos de Farmácia e Práticas Integrativas e Complementares do Centro Universitário Internacional Uninter.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/11/2020