sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O Atlântico pode colapsar: estudo alerta para risco climático global .

 Artigo de Vivaldo José Breternitz (*)

O Oceano Atlântico, segundo maior do planeta, pode estar se aproximando de um ponto crítico.

Pesquisadores alertam que o Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC), sistema de correntes que regula a temperatura das águas, corre o risco de enfraquecer ou até entrar em colapso devido às mudanças climáticas.

A correia transportadora global, mostrada em parte aqui, circula água profunda fria e água de superfície quente em todo o mundo. A Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC) faz parte deste complexo sistema de correntes oceânicas globais. Esta ilustração é capturada a partir de um pequeno vídeo produzido pela NOAA Science on a Sphere.
A correia transportadora global, mostrada em parte aqui, circula água profunda fria e água de superfície quente em todo o mundo. A Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC) faz parte deste complexo sistema de correntes oceânicas globais. Esta ilustração é capturada a partir de um pequeno vídeo produzido pela NOAA Science on a Sphere.

 

Um estudo publicado em novembro de 2025 pela revista Hydrology and Earth System Sciences, da European Geosciences Union, afirma que a ação humana está deteriorando esse mecanismo essencial, que pode ser comparado a uma “esteira transportadora” que distribui calor entre os hemisférios.

As consequências do colapso seriam graves: menos chuvas na Europa, verões mais quentes, maior risco de secas e insegurança alimentar. O impacto, porém, não se limitaria ao continente europeu, pois o AMOC exerce papel extremamente importante ao equilibrar a distribuição de calor entre os hemisférios Norte e Sul; sua perda geraria repercussões em todo o planeta.

Segundo a ONU, os oceanos produzem metade do oxigênio que respiramos, absorvem 30% das emissões de dióxido de carbono e capturam 90% do excesso de calor. Alterações nesse equilíbrio aceleram a crise climática.

Os cientistas estimam que os efeitos mais severos só seriam sentidos após 2100, mas o alerta é claro: sem que seja cuidado, o Atlântico pode deixar de cumprir seu papel vital na regulação da vida na Terra – e 2100 está chegando…

(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – vjnitz@gmail.com.

Referência:

van Westen, R. M., van der Wiel, K., Falkena, S. K. J., and Selten, F.: Changing European hydroclimate under a collapsed AMOC in the Community Earth System Model, Hydrol. Earth Syst. Sci., 29, 6607–6630, https://doi.org/10.5194/hess-29-6607-2025, 2025.

 

Citação
EcoDebate, . (2026). O Atlântico pode colapsar: estudo alerta para risco climático global. EcoDebate. https://www.ecodebate.com.br/2026/01/06/o-atlantico-pode-colapsar-estudo-alerta-para-risco-climatico-global/ (Acessado em fevereiro 13, 2026 at 05:53)

in EcoDebate, ISSN 2446-9394

60% do litoral fluminense é vulnerável à elevação do nível do mar .

 beira-mar com altas ondas de ressaca

Foto: EBC/ABr

 

ABr

A maior parte da costa do estado do Rio de Janeiro pode sofrer com as consequências das mudanças do clima.

A conclusão é de um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF) que calcula 60% do litoral com vulnerabilidades médias e elevadas, o que indica riscos de inundações e de erosão causada por ondas.

pesquisa foi desenvolvida pelo doutorando do Programa de Pós-Graduação em Dinâmica dos Oceanos e da Terra Igor Rodrigues Henud, com orientação do professor Abílio Soares. Segundo Henud, soluções naturais, como a restauração de ecossistemas e a ampliação de áreas protegidas, podem ser eficazes para enfrentar os impactos climáticos.

“O intuito foi mostrar que existem regiões e populações vulneráveis. Só que a vegetação e os habitats naturais, englobando dunas, restingas, manguezais, Mata Atlântica, ainda exercem uma influência positiva nessa proteção e, por isso, eles precisam ser preservados”, disse Igor Henud à Agência Brasil.

Reconhecendo essa influência positiva, o estudo defende a implementação de soluções baseadas na natureza (NbS, na sigla em inglês) como a estratégia mais eficaz para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Isso envolve a restauração de ecossistemas, o manejo adaptativo do território e a proteção de habitats naturais. Além de reduzir riscos, as NbS oferecem benefícios adicionais, como a melhoria da qualidade da água, a mitigação de poluentes atmosféricos e o aumento da resiliência a desastres.

Henud acredita que essas soluções “são ecologicamente sensíveis, economicamente viáveis e sustentáveis no longo prazo”, ao contrário das infraestruturas convencionais.

Os pesquisadores defendem também a proteção dos chamados habitats costeiros, que são considerados ecossistemas estratégicos e que estão fora do escopo de preservação oficial , mas podem ajudar a aumentar a resiliência climática.

Maior risco

A pesquisa considera impactos já observados no litoral fluminense, como ressacas mais frequentes, tempestades intensas e a elevação do nível do mar.

De acordo com o estudo, as duas regiões que estão mais propensas a sofrer impactos das mudanças do clima são o Norte Fluminense e as Baixadas Litorâneas, também conhecidas como Região dos Lagos.

Nessas regiões, características naturais como ventos, ondas e relevo se somam à fragmentação de habitats costeiros, como a remoção de restingas e manguezais, o que aumenta significativamente o alto risco dessas áreas.

Henud e o professor Abílio Simões chegaram a essa conclusão utilizando metodologia desenvolvida por uma universidade nos Estados Unidos, que reúne variáveis ambientais e socioeconômicas.

Foram coletadas várias informações, como dados da Marinha sobre ventos e ondas, dados globais de profundidade dos oceanos, dados de plataforma continental e de vegetação, inseridas depois no software InVEST, que simula o que acontece naturalmente, informou Henud.

Os resultados indicam que a supressão contínua de habitats naturais intensifica os riscos ambientais e amplia a exposição do estado do Rio de Janeiro a desastres de maior magnitude no futuro.

“Por exemplo, se a gente falar de restinga, de manguezal e de Mata Atlântica, se a gente tem essa vegetação próxima da praia, se uma onda bater nessas regiões, ela perde força. Então, geram uma proteção, sim”, explicou o doutorando.

Fatores

Com cerca de 1.160 quilômetros de extensão, a zona costeira fluminense abriga 33 municípios e concentra aproximadamente 83% da população do estado, configurando-se como um território ao mesmo tempo sensível e fundamental para o desenvolvimento socioeconômico.

Essa faixa enfrenta pressão crescente da urbanização desordenada, do turismo de massa e da exploração econômica intensiva, fatores que aceleram a degradação ambiental e comprometem a capacidade de resposta aos eventos extremos.

Por isso, é preciso pensar no fator da proteção porque, quanto mais vegetação houver, maior vai ser a proteção que se vai ter na linha de costa, reforçou. Ele esclarece que não se conseguirá alterar a força das ondas ou o relevo, mas é possível alterar o local onde aquelas populações que estão vulneráveis vão se localizar. A adoção de soluções baseadas na natureza é a maneira de minimizar o impacto das mudanças climáticas, conclui.

Soluções cinzas e verdes

Henud explica ainda que a mitigação das consequências das mudanças climáticas conta com diferentes ferramentas, e algumas soluções foram denominadas soluções cinzas e outras, de soluções verdes.

As soluções cinzas envolvem posicionar grandes pedras na região costeira ou construir muros com concreto, por exemplo. Pode-se ainda colocar sacos de cimento ou de areia para diminuir a intensidade das ondas, ou construir recifes artificiais.

“O cinza vem do concreto, da parte mais urbana”.

As verdes, por sua vez, priorizam o reflorestamento, ou seja, usar a natureza em benefício do ser humano e da própria natureza.

 

Citação
EcoDebate, . (2026). 60% do litoral fluminense é vulnerável à elevação do nível do mar. EcoDebate. https://www.ecodebate.com.br/2026/01/09/60-do-litoral-fluminense-e-vulneravel-a-elevacao-do-nivel-do-mar/ (Acessado em fevereiro 13, 2026 at 05:51)

 
Alana Gandra, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394

Rio Grande do Sul o estado mais envelhecido do Brasil .

 Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

O Brasil está passando por uma rápida e profunda mudança da sua estrutura etária. No século XXI, pela primeira vez na história, haverá mais idosos (60 anos e +) do que crianças e adolescentes (0-14 anos). O envelhecimento populacional será a principal tendência demográfica dos anos 2000. Mas o ritmo de avanço será diferenciado para as diversas Unidades da Federação (UFs).

O gráfico abaixo, com dados do Censo Demográfico 2022, do IBGE, mostra o Índice de Envelhecimento (IE) para o Brasil e as UFs. O Brasil apresentou um IE de 80 idosos (de 60+) para cada 100 jovens (de 0-14 anos). Em duas UFs, o Rio Grande do Sul (115) e o Rio de Janeiro (105,9) o IE ficou acima de 100 idosos para cada 100 jovens de 0-14 anos. No estado mais populoso, o IE ficou em 95,9 idosos para cada 100 jovens em 2022 em São Paulo. No outro extremo, Roraima apresentou um IE de 27,1 idosos para cada 100 jovens, apresentando a estrutura etária mais rejuvenescida do país.

índice de envelhecimento

O estado do Rio Grande do Sul (RS) foi um dos líderes da transição da fecundidade no Brasil e apresenta atualmente a estrutura etária mais envelhecida.

O gráfico abaixo, com dados das projeções populacionais do IBGE (revisão 2024), mostra o grupo etário de crianças e adolescentes de 0-14 anos e os grupos etários das gerações prateadas de 50+, 60+, 70+ e 80+ no território gaúcho, do ano 2000 a 2070. Nota-se que, no início do atual século, o grupo jovem de 0-14 anos era maior do que qualquer um dos grupos prateados, porém, será superado por todos até 2070.

Em 2000, havia 2,7 milhões de jovens de 0-14 anos no RS, mas este número tem caído continuamente ao longo do século e deve ficar em 1,1 milhão em 2070. Em contraste, as gerações prateadas vão crescer. A população de 50 anos e +, que era de 2 milhões em 2000, ultrapassou o grupo 0-14 anos em 2007, com 2,5 milhões de pessoas e deve chegar a 4,8 milhões em 2070. Ou seja, entre 2000 e 2070, o grupo de crianças e adolescentes deve cair para menos da metade e o grupo 50+ deve mais que dobrar.

A população de 60 anos e + era de 1,1 milhão de pessoas em 2000, ultrapassou o número de jovens em 2020, com 2,1 milhões de pessoas e deve chegar a 3,6 milhões de pessoas em 2070. A população de 70 anos e + era de 483 mil pessoas em 2000, deve ultrapassar o número de jovens em 2036, com 1,6 milhão de pessoas, devendo atingir 2,3 milhões de pessoas em 2070.

A população de 80 anos e +, que era de 135 mil em 2000, deve ultrapassar os jovens em 2068, com pouco mais de 1,1 milhão de pessoas. Havia 20 vezes mais crianças e jovens do que idosos 80+ em 2000, mas haverá mais idosos da “quarta idade” do que jovens em 2070.

população do rio grande do sul por grupos etários

O crescimento das gerações prateadas traz desafios, mas também oportunidades.

A principal dificuldade será lidar com a redução da população em idade ativa (15-59 anos) e com o aumento da razão de dependência demográfica. O fim do 1º bônus demográfico é um evento inexorável.

Mas como mostrei no artigo “Os quatro bônus demográficos e a nova dinâmica populacional global”, publicado aqui no Portal Ecodebate (Alves 2025) existem quatro janelas de oportunidades para se aproveitar as sinergias entre a dinâmica populacional e o desenvolvimento socioeconômico.

  • Primeiro bônus demográfico – Este bônus ocorre quando há uma redução nas taxas de fecundidade, o que diminui a proporção de crianças na população e aumenta, temporariamente, a proporção de pessoas em idade ativa (15-64 anos). É uma fase em que a “razão de dependência” é baixa, permitindo que os países invistam mais em capital físico e humano para impulsionar o crescimento econômico.

  • Segundo bônus demográfico – Enquanto o primeiro bônus é uma mudança numérica de idade, o segundo foca na qualidade. Decorre do aumento da produtividade através da educação, qualificação da força de trabalho e investimentos tecnológicos. Com famílias menores, há mais recursos por criança, o que eleva o nível educacional e a capacidade produtiva de cada indivíduo, compensando a futura redução do número de trabalhadores, via aumento da produtividade.

  • Terceiro bônus demográfico – Este bônus surge com o envelhecimento populacional saudável e ativo. A longevidade permite que gerações mais velhas continuem a contribuir para a sociedade e a economia, desde que se combatam preconceitos etários e se promovam políticas de integração intergeracional. A economia prateada é uma grande oportunidade para o aumento do bem-estar social.

  • Quarto bônus demográfico – Baseado em estudos recentes, este bônus refere-se às vantagens ambientais e sociais de uma população menor, que significa a) Menor pressão sobre recursos naturais, água, energia e solo, auxiliando na mitigação da crise climática; b) Espaços urbanos tornam-se menos congestionados e áreas anteriormente ocupadas podem ser convertidas em zonas verdes e c) A escassez de mão de obra estimula a inovação em robótica e Inteligência Artificial.

A humanidade já superou a capacidade de carga da Terra. Desta forma, para garantir um futuro sustentável, o decrescimento populacional, no longo prazo, é inevitável e pode levar a uma sociedade mais equilibrada e centrada no bem-estar humano e ambiental, desde que acompanhado por políticas públicas adequadas em educação, tecnologia e equidade social.

Um Envelhecimento Saudável, Ativo e Colaborativo (ESAC) requer ações articuladas em quatro níveis. No plano individual, o cuidado com a saúde e o bem-estar depende do engajamento pessoal, já que a prática regular de atividade física e a adoção de uma alimentação adequada pressupõem iniciativa e responsabilidade de cada indivíduo. No nível local e comunitário, as relações sociais com vizinhos e com a comunidade do entorno são fundamentais para o fortalecimento dos vínculos coletivos, a construção de redes de apoio e o senso de propósito de vida. No âmbito da iniciativa privada, cabe às empresas combater práticas etaristas, valorizar a diversidade etária e promover ambientes de trabalho multigeracionais e inclusivos. Por fim, no nível do Estado, as políticas públicas devem atuar de forma integrada nas esferas federal, estadual e municipal, com ações que apoiem a população com 50 anos ou mais e promovam o aproveitamento do bônus da longevidade, estimulando o pleno uso do potencial econômico, social e produtivo das gerações prateadas.

Viver mais é um privilégio. Em vez de temer o “Apocalipse do envelhecimento populacional”, é hora de abraçar a construção de uma sociedade da longevidade, capaz de transformar anos extras em saúde, aprendizado, produtividade e bem-estar.

José Eustáquio Diniz Alves
Doutor em demografia, link do CV Lattes:
http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:

ALVES, JED. Os quatro bônus demográficos e a nova dinâmica populacional global, Ecodebate, 01/10/25

https://www.ecodebate.com.br/2025/10/01/os-quatro-bonus-demograficos-e-a-nova-dinamica-populacional-global/

ALVES, JED. O envelhecimento populacional é uma conquista histórica, Ecodebate, 14/05/2025

https://www.ecodebate.com.br/2025/05/14/o-envelhecimento-populacional-e-uma-conquista-historica/

ALVES, JED. A importância da longevidade saudável e ativa para as pessoas e a economia, Ecodebate, 28/05/2025 https://www.ecodebate.com.br/2025/05/28/a-importancia-da-longevidade-saudavel-e-ativa-para-as-pessoas-e-a-economia/

ALVES, JED. Diversidade etária e Economia Prateada, Ecodebate, 04/06/2025

https://www.ecodebate.com.br/2025/06/04/diversidade-etaria-e-economia-prateada/

ALVES, JED. As Ondas do envelhecimento populacional brasileiro, Ecodebate, 14/07/2025

https://www.ecodebate.com.br/2025/07/14/as-ondas-do-envelhecimento-populacional-brasileiro/

ALVES, JED. Demografia e Economia nos 200 anos da Independência do Brasil e cenários para o século XXI (com a colaboração de GALIZA, F), ENS, maio de 2022

https://prdapi.ens.edu.br/media/downloads/Livro_Demografia_e_Economia_digital_2.pdf

 

Citação
EcoDebate, . (2026). Rio Grande do Sul o estado mais envelhecido do Brasil. EcoDebate. https://www.ecodebate.com.br/2026/02/04/rio-grande-do-sul-o-estado-mais-envelhecido-do-brasil/ (Acessado em fevereiro 13, 2026 at 05:26)

in EcoDebate, ISSN 2446-9394