segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
O Atlântico pode colapsar: estudo alerta para risco climático global .
Artigo de Vivaldo José Breternitz (*)
O Oceano Atlântico, segundo maior do planeta, pode estar se aproximando de um ponto crítico.
Pesquisadores alertam que o Atlantic Meridional Overturning Circulation (AMOC), sistema de correntes que regula a temperatura das águas, corre o risco de enfraquecer ou até entrar em colapso devido às mudanças climáticas.

Um estudo publicado em novembro de 2025 pela revista Hydrology and Earth System Sciences, da European Geosciences Union, afirma que a ação humana está deteriorando esse mecanismo essencial, que pode ser comparado a uma “esteira transportadora” que distribui calor entre os hemisférios.
As consequências do colapso seriam graves: menos chuvas na Europa, verões mais quentes, maior risco de secas e insegurança alimentar. O impacto, porém, não se limitaria ao continente europeu, pois o AMOC exerce papel extremamente importante ao equilibrar a distribuição de calor entre os hemisférios Norte e Sul; sua perda geraria repercussões em todo o planeta.
Segundo a ONU, os oceanos produzem metade do oxigênio que respiramos, absorvem 30% das emissões de dióxido de carbono e capturam 90% do excesso de calor. Alterações nesse equilíbrio aceleram a crise climática.
Os cientistas estimam que os efeitos mais severos só seriam sentidos após 2100, mas o alerta é claro: sem que seja cuidado, o Atlântico pode deixar de cumprir seu papel vital na regulação da vida na Terra – e 2100 está chegando…
(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – vjnitz@gmail.com.
Referência:
van Westen, R. M., van der Wiel, K., Falkena, S. K. J., and Selten, F.: Changing European hydroclimate under a collapsed AMOC in the Community Earth System Model, Hydrol. Earth Syst. Sci., 29, 6607–6630, https://doi.org/10.5194/hess-29-6607-2025, 2025.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394
60% do litoral fluminense é vulnerável à elevação do nível do mar .
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A maior parte da costa do estado do Rio de Janeiro pode sofrer com as consequências das mudanças do clima.
A conclusão é de um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF) que calcula 60% do litoral com vulnerabilidades médias e elevadas, o que indica riscos de inundações e de erosão causada por ondas.

A pesquisa foi desenvolvida pelo doutorando do Programa de Pós-Graduação em Dinâmica dos Oceanos e da Terra Igor Rodrigues Henud, com orientação do professor Abílio Soares. Segundo Henud, soluções naturais, como a restauração de ecossistemas e a ampliação de áreas protegidas, podem ser eficazes para enfrentar os impactos climáticos.
“O intuito foi mostrar que existem regiões e populações vulneráveis. Só que a vegetação e os habitats naturais, englobando dunas, restingas, manguezais, Mata Atlântica, ainda exercem uma influência positiva nessa proteção e, por isso, eles precisam ser preservados”, disse Igor Henud à Agência Brasil.
Reconhecendo essa influência positiva, o estudo defende a implementação de soluções baseadas na natureza (NbS, na sigla em inglês) como a estratégia mais eficaz para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Isso envolve a restauração de ecossistemas, o manejo adaptativo do território e a proteção de habitats naturais. Além de reduzir riscos, as NbS oferecem benefícios adicionais, como a melhoria da qualidade da água, a mitigação de poluentes atmosféricos e o aumento da resiliência a desastres.
Henud acredita que essas soluções “são ecologicamente sensíveis, economicamente viáveis e sustentáveis no longo prazo”, ao contrário das infraestruturas convencionais.
Os pesquisadores defendem também a proteção dos chamados habitats costeiros, que são considerados ecossistemas estratégicos e que estão fora do escopo de preservação oficial , mas podem ajudar a aumentar a resiliência climática.
Maior risco
A pesquisa considera impactos já observados no litoral fluminense, como ressacas mais frequentes, tempestades intensas e a elevação do nível do mar.
De acordo com o estudo, as duas regiões que estão mais propensas a sofrer impactos das mudanças do clima são o Norte Fluminense e as Baixadas Litorâneas, também conhecidas como Região dos Lagos.
Nessas regiões, características naturais como ventos, ondas e relevo se somam à fragmentação de habitats costeiros, como a remoção de restingas e manguezais, o que aumenta significativamente o alto risco dessas áreas.
Henud e o professor Abílio Simões chegaram a essa conclusão utilizando metodologia desenvolvida por uma universidade nos Estados Unidos, que reúne variáveis ambientais e socioeconômicas.
Foram coletadas várias informações, como dados da Marinha sobre ventos e ondas, dados globais de profundidade dos oceanos, dados de plataforma continental e de vegetação, inseridas depois no software InVEST, que simula o que acontece naturalmente, informou Henud.
Os resultados indicam que a supressão contínua de habitats naturais intensifica os riscos ambientais e amplia a exposição do estado do Rio de Janeiro a desastres de maior magnitude no futuro.
“Por exemplo, se a gente falar de restinga, de manguezal e de Mata Atlântica, se a gente tem essa vegetação próxima da praia, se uma onda bater nessas regiões, ela perde força. Então, geram uma proteção, sim”, explicou o doutorando.
Fatores
Com cerca de 1.160 quilômetros de extensão, a zona costeira fluminense abriga 33 municípios e concentra aproximadamente 83% da população do estado, configurando-se como um território ao mesmo tempo sensível e fundamental para o desenvolvimento socioeconômico.
Essa faixa enfrenta pressão crescente da urbanização desordenada, do turismo de massa e da exploração econômica intensiva, fatores que aceleram a degradação ambiental e comprometem a capacidade de resposta aos eventos extremos.
Por isso, é preciso pensar no fator da proteção porque, quanto mais vegetação houver, maior vai ser a proteção que se vai ter na linha de costa, reforçou. Ele esclarece que não se conseguirá alterar a força das ondas ou o relevo, mas é possível alterar o local onde aquelas populações que estão vulneráveis vão se localizar. A adoção de soluções baseadas na natureza é a maneira de minimizar o impacto das mudanças climáticas, conclui.
Soluções cinzas e verdes
Henud explica ainda que a mitigação das consequências das mudanças climáticas conta com diferentes ferramentas, e algumas soluções foram denominadas soluções cinzas e outras, de soluções verdes.
As soluções cinzas envolvem posicionar grandes pedras na região costeira ou construir muros com concreto, por exemplo. Pode-se ainda colocar sacos de cimento ou de areia para diminuir a intensidade das ondas, ou construir recifes artificiais.
“O cinza vem do concreto, da parte mais urbana”.
As verdes, por sua vez, priorizam o reflorestamento, ou seja, usar a natureza em benefício do ser humano e da própria natureza.
Alana Gandra, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394
Rio Grande do Sul o estado mais envelhecido do Brasil .
Artigo de José Eustáquio Diniz Alves
O Brasil está passando por uma rápida e profunda mudança da sua estrutura etária. No século XXI, pela primeira vez na história, haverá mais idosos (60 anos e +) do que crianças e adolescentes (0-14 anos). O envelhecimento populacional será a principal tendência demográfica dos anos 2000. Mas o ritmo de avanço será diferenciado para as diversas Unidades da Federação (UFs).
O gráfico abaixo, com dados do Censo Demográfico 2022, do IBGE, mostra o Índice de Envelhecimento (IE) para o Brasil e as UFs. O Brasil apresentou um IE de 80 idosos (de 60+) para cada 100 jovens (de 0-14 anos). Em duas UFs, o Rio Grande do Sul (115) e o Rio de Janeiro (105,9) o IE ficou acima de 100 idosos para cada 100 jovens de 0-14 anos. No estado mais populoso, o IE ficou em 95,9 idosos para cada 100 jovens em 2022 em São Paulo. No outro extremo, Roraima apresentou um IE de 27,1 idosos para cada 100 jovens, apresentando a estrutura etária mais rejuvenescida do país.

O estado do Rio Grande do Sul (RS) foi um dos líderes da transição da fecundidade no Brasil e apresenta atualmente a estrutura etária mais envelhecida.
O gráfico abaixo, com dados das projeções populacionais do IBGE (revisão 2024), mostra o grupo etário de crianças e adolescentes de 0-14 anos e os grupos etários das gerações prateadas de 50+, 60+, 70+ e 80+ no território gaúcho, do ano 2000 a 2070. Nota-se que, no início do atual século, o grupo jovem de 0-14 anos era maior do que qualquer um dos grupos prateados, porém, será superado por todos até 2070.
Em 2000, havia 2,7 milhões de jovens de 0-14 anos no RS, mas este número tem caído continuamente ao longo do século e deve ficar em 1,1 milhão em 2070. Em contraste, as gerações prateadas vão crescer. A população de 50 anos e +, que era de 2 milhões em 2000, ultrapassou o grupo 0-14 anos em 2007, com 2,5 milhões de pessoas e deve chegar a 4,8 milhões em 2070. Ou seja, entre 2000 e 2070, o grupo de crianças e adolescentes deve cair para menos da metade e o grupo 50+ deve mais que dobrar.
A população de 60 anos e + era de 1,1 milhão de pessoas em 2000, ultrapassou o número de jovens em 2020, com 2,1 milhões de pessoas e deve chegar a 3,6 milhões de pessoas em 2070. A população de 70 anos e + era de 483 mil pessoas em 2000, deve ultrapassar o número de jovens em 2036, com 1,6 milhão de pessoas, devendo atingir 2,3 milhões de pessoas em 2070.
A população de 80 anos e +, que era de 135 mil em 2000, deve ultrapassar os jovens em 2068, com pouco mais de 1,1 milhão de pessoas. Havia 20 vezes mais crianças e jovens do que idosos 80+ em 2000, mas haverá mais idosos da “quarta idade” do que jovens em 2070.

O crescimento das gerações prateadas traz desafios, mas também oportunidades.
A principal dificuldade será lidar com a redução da população em idade ativa (15-59 anos) e com o aumento da razão de dependência demográfica. O fim do 1º bônus demográfico é um evento inexorável.
Mas como mostrei no artigo “Os quatro bônus demográficos e a nova dinâmica populacional global”, publicado aqui no Portal Ecodebate (Alves 2025) existem quatro janelas de oportunidades para se aproveitar as sinergias entre a dinâmica populacional e o desenvolvimento socioeconômico.
Primeiro bônus demográfico – Este bônus ocorre quando há uma redução nas taxas de fecundidade, o que diminui a proporção de crianças na população e aumenta, temporariamente, a proporção de pessoas em idade ativa (15-64 anos). É uma fase em que a “razão de dependência” é baixa, permitindo que os países invistam mais em capital físico e humano para impulsionar o crescimento econômico.
Segundo bônus demográfico – Enquanto o primeiro bônus é uma mudança numérica de idade, o segundo foca na qualidade. Decorre do aumento da produtividade através da educação, qualificação da força de trabalho e investimentos tecnológicos. Com famílias menores, há mais recursos por criança, o que eleva o nível educacional e a capacidade produtiva de cada indivíduo, compensando a futura redução do número de trabalhadores, via aumento da produtividade.
Terceiro bônus demográfico – Este bônus surge com o envelhecimento populacional saudável e ativo. A longevidade permite que gerações mais velhas continuem a contribuir para a sociedade e a economia, desde que se combatam preconceitos etários e se promovam políticas de integração intergeracional. A economia prateada é uma grande oportunidade para o aumento do bem-estar social.
Quarto bônus demográfico – Baseado em estudos recentes, este bônus refere-se às vantagens ambientais e sociais de uma população menor, que significa a) Menor pressão sobre recursos naturais, água, energia e solo, auxiliando na mitigação da crise climática; b) Espaços urbanos tornam-se menos congestionados e áreas anteriormente ocupadas podem ser convertidas em zonas verdes e c) A escassez de mão de obra estimula a inovação em robótica e Inteligência Artificial.
A humanidade já superou a capacidade de carga da Terra. Desta forma, para garantir um futuro sustentável, o decrescimento populacional, no longo prazo, é inevitável e pode levar a uma sociedade mais equilibrada e centrada no bem-estar humano e ambiental, desde que acompanhado por políticas públicas adequadas em educação, tecnologia e equidade social.
Um Envelhecimento Saudável, Ativo e Colaborativo (ESAC) requer ações articuladas em quatro níveis. No plano individual, o cuidado com a saúde e o bem-estar depende do engajamento pessoal, já que a prática regular de atividade física e a adoção de uma alimentação adequada pressupõem iniciativa e responsabilidade de cada indivíduo. No nível local e comunitário, as relações sociais com vizinhos e com a comunidade do entorno são fundamentais para o fortalecimento dos vínculos coletivos, a construção de redes de apoio e o senso de propósito de vida. No âmbito da iniciativa privada, cabe às empresas combater práticas etaristas, valorizar a diversidade etária e promover ambientes de trabalho multigeracionais e inclusivos. Por fim, no nível do Estado, as políticas públicas devem atuar de forma integrada nas esferas federal, estadual e municipal, com ações que apoiem a população com 50 anos ou mais e promovam o aproveitamento do bônus da longevidade, estimulando o pleno uso do potencial econômico, social e produtivo das gerações prateadas.
Viver mais é um privilégio. Em vez de temer o “Apocalipse do envelhecimento populacional”, é hora de abraçar a construção de uma sociedade da longevidade, capaz de transformar anos extras em saúde, aprendizado, produtividade e bem-estar.
José Eustáquio Diniz Alves
Doutor em demografia, link do CV Lattes:
http://lattes.cnpq.br/2003298427606382
Referências:
ALVES, JED. Os quatro bônus demográficos e a nova dinâmica populacional global, Ecodebate, 01/10/25
ALVES, JED. O envelhecimento populacional é uma conquista histórica, Ecodebate, 14/05/2025
https://www.ecodebate.com.br/2025/05/14/o-envelhecimento-populacional-e-uma-conquista-historica/
ALVES, JED. A importância da longevidade saudável e ativa para as pessoas e a economia, Ecodebate, 28/05/2025 https://www.ecodebate.com.br/2025/05/28/a-importancia-da-longevidade-saudavel-e-ativa-para-as-pessoas-e-a-economia/
ALVES, JED. Diversidade etária e Economia Prateada, Ecodebate, 04/06/2025
https://www.ecodebate.com.br/2025/06/04/diversidade-etaria-e-economia-prateada/
ALVES, JED. As Ondas do envelhecimento populacional brasileiro, Ecodebate, 14/07/2025
https://www.ecodebate.com.br/2025/07/14/as-ondas-do-envelhecimento-populacional-brasileiro/
ALVES, JED. Demografia e Economia nos 200 anos da Independência do Brasil e cenários para o século XXI (com a colaboração de GALIZA, F), ENS, maio de 2022
https://prdapi.ens.edu.br/media/downloads/Livro_Demografia_e_Economia_digital_2.pdf
in EcoDebate, ISSN 2446-9394