sábado, 26 de março de 2016

FAB E O GASTO ABSURDO COM O TRANSPORTE DE AUTORIDADES.

O absurdo gasto da FAB com o

 transporte de autoridades

O absurdo gasto da FAB com o transporte de autoridadesDentro da estrutura da FAB (Força Aérea Brasileira) existe, em Brasília, um grupo chamado GTE (Grupo de Transporte Especial), que é o responsável pelo transporte aéreo do Presidente da República, Ministros e demais autoridades. Fora o avião presidencial, essa frota dispõe de quinze aviões, desde jatos executivos até aviões com capacidade de aproximadamente cinquenta passageiros. Alguns modelos tiveram seus interiores modificados e transformados em salas VIP, garantindo o máximo de conforto para seus usuários.
Em geral, o custo dessas aeronaves para deslocar autoridades chega a custar vinte a cinquênta vezes mais do que o valor das passagens aéreas em voos comerciais, mesmo considerando viagens em primeira classe. No caso de viajar somente um ou dois passageiros, o valor por passageiro fica astronômico. Um avião pequeno custa aproximadamente R$ 150 mil para ir de Brasília ao Rio de Janeiro; se forem três passageiros, significa um custo de R$ 50 mil por passageiro. A conta da gastança é simples. Um levantamento efetuado de janeiro a setembro do ano passado mostrou um total de 2.206 voos para atender aos políticos, o que dá mais de oito voos por dia. É um desperdício imenso de dinheiro público, enquanto o povo não tem moradia decente, saneamento básico, segurança, saúde, transporte, etc.. Por outro lado, a FAB efetuou somente quarenta e duas missões de transporte de pacientes e órgãos para transplantes nesse mesmo período, causando sérios problemas à população. Só o Ministério das Cidades fez cento e oitenta e sete viagens; o deputado Eduardo Cunha usou a FAB por cento e dez vezes, e assim por diante. Por outro lado, no inicio do ano, um menino de doze anos não conseguiu receber um transplante de coração e morreu em Brasília, pela falta de aeronave para transportar um órgão que estava disponível em Itajubá, no estado de Minas Gerais. A FAB simplesmente alegou que não podia atender ao pedido de transporte, por “questões operacionais”. Uma frase simples, que causou a morte de uma criança.
Vale lembrar que existe um decreto de 2002 que disciplina o uso de aviões da FAB e diz que seus jatos podem ser requisitados quando houver motivo de emergência médica, o que obviamente não foi considerado nesse caso. Renan Calheiros usou jato da FAB para ir de Maceió até Porto Seguro, para assistir ao casamento do senador Eduardo Braga. Sua assessoria disse, na época, que Renan participou do compromisso como presidente do Senado e que tem direito ao uso de aeronave oficial, mesmo que a viagem não seja oficial. Existem casos de políticos que viajaram para ver jogos da seleção, casos em que foram para Fernando de Noronha, mas que usaram aviões da FAB por questões de segurança e por aí vai. O fato é que o desperdício do nosso dinheiro continua enorme, apesar dos discursos de muitos “representantes do povo”. Para todos os lados que olharmos com atenção, vamos verificar essa prática. Até quando? Essa é a pergunta que continua sem uma resposta.
*Célio Pezza é escritor e colunista de diversos jornais e revistas no Brasil. Seus romances misturam ficção com realidade e trazem fortes mensagens por trás de cada história. Seu livro As Sete Portas foi traduzido para o inglês e editado no Canadá, EUA e Inglaterra. Sua mais recente obra, A Tumba do Apóstolo, foi lançada em 2014.
Fonte : DC Debates Culturais.

sexta-feira, 25 de março de 2016

DESEMPREGO ENTRE OS JOVENS E A GERAÇÃO PERDIDA.

Ocupação e desocupação entre os jovens e a geração perdida, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Publicado em março 24, 2016 
[EcoDebate] No Brasil, a Geração Y, ou geração do milênio, ou geração da Internet está vivendo momentos difíceis. A esperança de uma geração jovem com bom nível educacional e com boas perspectivas de emprego está se desfazendo diante da crise que começou em 2013 e se aprofundou em 2015 e 2016.
O desemprego de jovens vinha caindo desde 2003 e atingiu o ponto mais baixo em dezembro de 2012, segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. A PME produz indicadores mensais sobre a força de trabalho que permitem avaliar as flutuações e a tendência, a médio e a longo prazo, do mercado de trabalho. A nova série da PME começa em março de 2002 e terá finalização em fevereiro de 2016. A periodicidade é mensal e a abrangência geográfica cobre as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Ela é uma excelente pesquisa para se avaliar o desempenho do mercado de trabalho nas regiões metropolitanas mais dinâmicas do país entre 2002 e 2016.
A taxa de desemprego, em dezembro de 2012, atingiu o nível mais baixo, sendo 19,1% entre os jovens de 15 a 17 anos e de 10,6% entre os jovens de 18 a 24 anos. Mas estas taxas começaram a subir a partir de janeiro de 2013. As jornadas dos jovens em junho de 2013 já foram reflexo da piora no mercado de trabalho e da falta de esperança de uma boa educação e um bom emprego.

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O que estava ruim piorou. Em fevereiro de 2016, a taxa de desemprego dos jovens de 15 a 17 anos atingiu a cifra astronômica de 39,1% e dos jovens de 18 a 24 anos ficou em 20,8%. Isto se refere ao desemprego aberto. Mas há também o desemprego oculto e o desalento. O problema, portanto, é muito mais grave. Além do mais, a situação vai piorar nos próximos meses devido à estagflação de 2016.
Na verdade o número de jovens vem caindo no Brasil devido à transição demográfica. Segundo o demógrafo americano Richard Easterlin, “os jovens de coortes menores tendem a ter melhores oportunidades no mercado de trabalho e na educação”. Portanto, o Brasil, que vive a fase do bônus demográfico, teria uma chance única de avançar com a inclusão social de seus adolescentes e jovens.
Todavia, não é isto que vem ocorrendo desde dezembro de 2012, pois o número e o percentual de jovens ocupados vem diminuindo. O gráfico abaixo mostra que o número de adolescentes de 15 a 17 anos vem caindo, mas o número de adolescentes ocupados ficou estável até 2012 e começou a cair rapidamente em 2013. A taxa de ocupação (PO/PIA) caiu durante a recessão de 2009, voltou a subir em seguida e despencou a partir de 2013, com um grande colapso em 2015 e início de 2016. Em junho de 2002 havia 378 mil adolescentes de 15-17 anos na PO, representando uma taxa de ocupação (PO/PIA) de 15,8%. Em dezembro de 2012, havia 372 mil adolescentes na PO, com taxa de ocupação de 15,7%. Porém, em dezembro de 2014 o número de adolescentes na PO tinha caído para 265 mil e a taxa de ocupação abaixou para 11,7%. Mas tudo piorou com a estagflação de 2015, sendo que o número de adolescentes na PO caiu para 170 mil em fevereiro de 2016, representando uma taxa de ocupação de 7,9%. Nunca, na série da PME em questão, a taxa de ocupação de jovens de 15-17 anos foi tão baixa.

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O gráfico abaixo mostra que o número de jovens de 18 a 24 anos ocupado subiu de 3 milhões em março de 2002 (taxa de 52,4%) para 3,3 milhões (taxa de 62,5%) em dezembro de 2012, embora a PIA de 18 a 24 anos estivesse diminuindo. Porém, em dezembro de 2014 o número de jovens na PO tinha caído para 2,9 milhões e a taxa de ocupação abaixou para 58,5%. Mas a situação piorou muito com a estagflação de 2015, sendo que o número de jovens na PO caiu para 2,4 milhões em fevereiro de 2016, representando uma taxa de ocupação de 49,6%. Nunca, na série da PME, a taxa de ocupação de jovens de 18-24 anos foi tão baixa e nunca tinha ficado abaixo de 50%

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Ou seja, o número e o percentual de adolescentes e jovens no mercado de trabalho neste início de 2016 está abaixo do que ocorria no início de 2002. Todos os ganhos obtidos na primeira década do século XXI estão sendo perdidos na segunda década. O bônus demográfico dos jovens está sendo jogado fora.
Além do desemprego aberto existe o problema da “geração nem-nem-nem” (nem estuda, nem trabalha e nem procura emprego). O gráfico abaixo, com base no último censo demográfico, mostra que o percentual de jovens que nem estudam e nem trabalham e nem procuram emprego – de 15 a 29 anos – é muito elevado, em especial, nas Unidades da Federação com menores níveis de desenvolvimento e IDH. Santa Catarina foi a única UF com percentual da geração nem-nem-nem abaixo de 10%. A maioria das UFs do Nordeste e Norte tinha taxas acima de 20%. Ou seja, não se trata de criminalizar os jovens por serem nem-nem-nem, mas avaliar como as políticas públicas não estão dando conta de incorporar a juventude no mercado de trabalho e na escola de qualidade, especialmente os jovens das camadas mais pobres da população. Além disto, muitas mulheres jovens das camadas pobres não possuem acesso aos serviços de saúde reprodutiva e ficam grávidas em um momento não planejado e não possuem apoio de creches para conciliar as tarefas dos cuidados familiares com a inserção produtiva.
Percentagem de jovens de 15 a 29 anos que nem estudam e nem trabalham
(geração nem-nem). Unidades da República Federativa do Brasil, 2010
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Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2010
Assim, evidencia-se que a maior parte dos jovens nem-nem-nem são de mulheres. Muitas delas engravidaram e saem da escola e não entram no mercado de trabalho. Isto acontece por não terem alternativas de progresso social e por não terem acesso aos métodos de regulação da fecundidade. Estas mulheres sofrem com o círculo cumulativo da falta de direitos: no trabalho, na educação e na falta de acesso aos direitos sexuais e reprodutivos.
O crescimento do número de jovens que não estudam , nem trabalham e nem procuram emprego é preocupante, pois além de ser um desperdício do potencial humano, em termos macroeconômico, reflete a falta de oportunidade de trabalho decente, que é um direito humano básico.
O grande número de jovens “nem-nem-nem” é um fato não previsto, especialmente considerando que o ano 2010 foi de crescimento econômico e deveria ter aberto oportunidades para os jovens na escola e no mercado de trabalho.
O número absoluto de jovens está diminuindo no Brasil. Este seria o momento para se investir nos direitos da juventude, permitindo que façam a transição para a vida adulta de maneira tranquila, saudável e produtiva. O futuro do país depende da inserção social e da boa qualidade de vida das novas gerações. O progresso de qualquer nação depende da mobilidade intergeracional ascendente. Todavia, a crise brasileira atual está parindo uma geração perdida!
O colapso do mercado de trabalho formal no Brasil
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED (LEI 4.923/65), que apresenta uma síntese do comportamento do mercado de trabalho formal no Brasil, apontam para um colapso do emprego com carteira assinada no Brasil. Depois das eleições de 2014, o saldo entre admitidos e desligados foi negativo em 2,4 milhões de empregos formais entre dezembro de 2014 e fevereiro de 2016. Na média mensal foram fechados 159 mil empregos por mês no período, o que dá uma peda de 5.300 empregos com carteira de trabalho assinada por dia. Somente nos últimos 3 meses a perda de vagas foi superior a 800 mil postos.

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Em fevereiro de 2016 houve no Brasil 1,27 milhão de pessoas admitidas e 1,38 pessoas desligadas. Alguns estados tiveram saldo positivo, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Goias, Mato Grosso do Sul e Tocantins. Os demais tiveram saldo negativo, sendo que o Rio de Janeiro foi a Unidade da Federação que apresentou o maior déficit entre admitidos e desligados, com um saldo negativo de 22.287 empregos formais perdidos.

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O emprego formal cresceu bastante entre 2002 e 2014, reduzindo o grau de informalidade. Havia 22,8 milhões de empregos com carteira assinada em 2002 e aumentou para 41,2 milhões em 2014. Mas houve uma queda de 1,5 milhão em 2015 e talvez haja uma queda de no mínimo 2 milhões em 2016. Isto quer dizer que o Brasil está longe da meta da OIT de pleno emprego e trabalho decente. Se não houver uma reversão desta queda, toda a população brasileira vai sofrer como nunca.

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Esta é a realidade brasileira: uma crise geral no mercado de trabalho e uma crescente juventude com elevados níveis educacionais mas sem perspectiva de emprego, enquanto se aprofunda a estagflação e a utopia vira distopia.
Referências:
IBGE, Pesquisa Mensal de Emprego

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 24/03/2016

ENEM REDAÇÃO : O QUE PODE LEVÁ-LO A NOTA ZERO.

O Que Pode Levá-lo a Nota Zero na Redação do Enem 2016 | infoEnem



O Que Pode Levá-lo a Nota Zero na Redação do Enem 2016
Posted: 23 Mar 2016 01:00 PM PDT
Frequentemente reforçamos aqui no Portal infoEnem que a melhor forma de se preparar para a Redação é praticando e escrevendo dissertações com frequência. No entanto, é necessário também conhecer regras de correção, para, desde já, se adequar as exigências e critérios da banca corretora.
Recentemente publicamos um artigo mostrando quais as normas cobradas na prova textual. Na postagem de hoje vamos listar as atitudes que podem levar sua redação a nota zero, para que você já se acostume desde já a evitar tais equívocos durante o ano de preparação. Confira abaixo um por um deles.
  • Fuga total ao tema – Ocorre quando o estudante não trata do assunto e da proposta colocados pela redação do exame;
  • Não obediência à estrutura dissertativo-argumentativa – Se enquadram nestes casos aqueles que não seguem o tipo textual do Enem, que é a dissertação-argumentativa. Um exemplo é o caso de quem faz uma narrativa ou uma carta, por exemplo;
  • Texto com até 7 linhas – A redação que conter quantidade menor que essa de linhas será considerada “insuficiente”;
  • Impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação ou parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto – São considerados “impropérios” e “formas propositais de anulação” casos em que o candidato escreva parte do texto desconectada com o tema, de forma a caracterizar descompromisso com o exame, como os polêmicos casos do Enem 2012, em que um candidato incluiu um trecho de um hino de um time de futebol e outro uma receita de Miojo no texto;
  • Desrespeito aos direitos humanos – Qualquer proposta de intervenção ou argumento que seja contra os direitos humanos;
  • Redação em branco, mesmo com texto em rascunho – Quando o estudante não transcreve a sua redação no caderno oficial de resposta;
  • Cópia do texto motivador – São considerados aqui quaisquer trechos dos textos da coletânea. Inclusive os corretores são orientados a não considerar linhas que contenham cópias integrais ou parciais dos textos motivadores ou mesmo das questões objetivas.
Agora que já conhece os erros que causam a anulação da dissertação do Enem, pode continuar a praticar sua escrita tomando cuidado para não reproduzir nenhuma deles.
Para reforçar o conhecimento sobre o que será cobrado pela banca corretora, conhecer todos os detalhes sobre a estrutura da redação, como saber desenvolver cada uma de suas partes e ainda ver análise completa de todos os temas cobrados no exame desde 1998, recomendamos nossa Apostila de Redação (CLIQUE AQUI E GARANTA A SUA).
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ORGANIZAÇÕES CRITICAM CRIAÇÃO DO CRIME DE TERRORISMO E DELITOS COLATERAIS.

Organizações criticam criação do crime de terrorismo, que ameaça movimentos sociais e manifestantes

Publicado em março 23, 2016 
nota pública

Nota oficial sobre a sanção do PL Antiterrorismo
A ARTIGO 19, a Justiça Global e o Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH) vêm a público manifestar o seu mais profundo repúdio à sanção presidencial da lei 13.260/16, que institui o crime de “terrorismo” e delitos colaterais.
Conforme já foi exaustivamente explicitado em manifestações anteriores, todas as ações proibidas pela lei 13.206/16 já encontram tipificação legal nos dispositivos da inflada legislação penal brasileira, que já conta com mais de 1.600 tipos penais.
Em linhas gerais, o crime de terrorismo (art.2º) exige três elementos para sua configuração, dois de natureza subjetiva e um de cunho objetivo: a) razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião; b) finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública e c) cometimento de ao menos uma das ações previstas nos incisos I, IV e V (art.2º), que totalizam, pelo menos, 78 ações proibidas.
É previsto ação do crime de terrorismo, por exemplo, o simples porte de meios capazes de causar danos – conduta absolutamente genérica. Tal ação, desde que praticada com os elementos subjetivos já citados, será punida com a pena de 12 a 30 anos de reclusão, isto é, a mesma prevista para o homicídio doloso qualificado. Trata-se, portanto, de uma evidente violação aos princípios constitucionais da legalidade estrita, da lesividade e da proporcionalidade.
É bom que se diga que a retirada dos termos “política”, “extremismo político” e “ideologia” das razões para cometimento dos atos de terrorismo reduz o risco de criminalização de movimentos sociais, sem contudo torná-lo desprezível. O potencial caráter intimidatório da lei permanece, uma vez que autoridades policiais e judiciais poderão fazer interpretações ampliadas.
Na sanção presidencial alguns trechos do projeto de lei aprovado pela Câmara foram vetados. Os vetos atingiram os seguintes dispositivos: a) parte dos pontos que caracterizam “terrorismo contra coisa” (art. 2º, II e III); b) o trecho na íntegra que criava o crime de apologia ao terrorismo (art. 4º); c) parte dos pontos que caracterizavam a conduta de “auxílio” a organizações terroristas (art. 3º, §1º e 2º); d) o ponto que determinava o aumento de pena em razão de dano ambiental (art. 8º); e) o ponto que determinava o regime fechado para cumprimento de pena (art. 9º); e f) o ponto que atribuía ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) a coordenação dos trabalhos de combate aos crimes previstos na lei (art. 11º, parágrafo único).
Cabe ressaltar que esse recuo registrado, apesar de insuficiente, é fruto do esforço da sociedade civil e de organizações de defesa dos direitos humanos que nos últimos meses se mobilizaram intensamente para denunciar publicamente o retrocesso que uma lei antiterrorismo representaria.
O dia 17 de março de 2016 será lembrado como um marco histórico do fortalecimento do Estado de Polícia em detrimento do Estado Democrático de Direito. A partir de agora, o Brasil passa a criminalizar uma série de condutas as quais pode-se atribuir de forma arbitrária o “rótulo” de “terroristas”. Com isso, perdem os movimentos sociais, perdem os direitos humanos, e, no limite, perde toda a sociedade.
** Sobre a ARTIGO 19
A ARTIGO 19 é uma organização não-governamental de direitos humanos que trabalha pela promoção da liberdade de expressão e do acesso à informação. O escritório brasileiro é responsável pelos trabalhos da organização no país e na América do Sul.

in EcoDebate, 23/03/2016

BRASIL POSSUI A MAIOR DIVERSIDADE DE PLANTAS DO MUNDO.

Brasil possui a maior diversidade de plantas do mundo

Publicado em março 23, 2016 

Botânicos registram 46 mil espécies e identificam em média 250 por ano no Brasil
Depois de sete anos de trabalho, um grupo de 575 botânicos do Brasil e de outros 14 países concluiu a versão mais recente de um amplo levantamento sobre a diversidade de plantas, algas e fungos do Brasil, agora calculada em 46.097 espécies. Quase metade, 43%, é exclusiva (endêmica) do território nacional. O total coloca o Brasil como o país com a maior riqueza de plantas no mundo – a primeira versão do levantamento, publicada em 2010, listava 40.989 espécies. Esse número não vai parar de crescer tão cedo porque novas espécies são identificadas e descritas continuamente em revistas científicas. Em média, os botânicos apresentam cerca de 250 novas espécies por ano.
Os cinco artigos detalhando a segunda versão da Lista de espécies da flora do Brasil foram publicados em dezembro do ano passado na Rodriguésia, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), como forma de prestigiar a revista, que completou 80 anos em 2015. Dali também brota um alerta para as perdas contínuas de variedades únicas de plantas. Enquanto o levantamento era feito, um grupo de botânicos identificou uma espécie nova de bromélia com uma inflorescência vermelha, a Aechmea xinguana, em uma área de mata já coberta pela água do reservatório da usina de Belo Monte, em construção no norte do Pará. “Alguns exemplares dessa espécie foram resgatados e estavam na casa de vegetação do reservatório, mas as populações naturais se perderam na área alagada”, disse Rafaela Campostrini Forzza, pesquisadora do JBRJ e coordenadora do levantamento.
O trabalho não terminou. Neste mês de março os especialistas em cada grupo de plantas devem começar a incluir as descrições, distribuição geográfica detalhada e outras características de cada espécie no banco de dados on-line Flora do Brasil (floradobrasil.jbrj.gov.br) para servir de base para o Flora do Brasil Online, que deve estar concluído até 2020 para integrar o World Flora Online, com informações sobre todas as plantas conhecidas do mundo. Na trilha dos botânicos, os zoólogos se organizaram e apresentaram também em dezembro de 2015 a primeira versão do Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB), resultado do trabalho de cerca de 500 especialistas, que começaram a detalhar as informações sobre 116.092 espécies, a maioria artrópodes, com quase 94 mil espécies ou 85% do total (fauna.jbrj.gov.br/fauna/listaBrasil).
Elaborado a pedido do Ministério do Meio Ambiente, com financiamento do governo federal, instituições privadas e fundações estaduais como a Fapesp, o Flora do Brasil indica que a Amazônia abriga a maior diversidade do grupo das plantas sem frutos e com sementes expostas, as gimnospermas, que predominaram de 300 milhões até 60 milhões de anos atrás, quando os dinossauros circulavam pela Terra. Seus representantes mais conhecidos são árvores em formato de cone típicas do clima frio do sul do País, como a araucária, com uma única espécie no Brasil, e quatro espécies de Podocarpus. Dispersas nas matas da região Norte, porém, vivem seis espécies de cipós de folhas largas do gênero Gnetum, que crescem sob o clima quente e úmido ao redor de árvores. Suas sementes vermelhas ou lilases são tão parecidas com frutos que já confundiram até os botânicos.
Os quase 50 mil exemplares de espécies nativas colocam o Brasil como o país continental com maior diversidade de espécies do mundo, seguido por China, Indonésia, México e África do Sul. Em número de espécies endêmicas, perde apenas para grandes ilhas como Austrália, Madagascar e Papua Nova Guiné, cujo isolamento favorece a formação de variedades únicas, e para apenas uma área continental, o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul. O total de espécies não chega aos 60 mil das estimativas mais otimistas, mas é maior que o da Colômbia, antes vista como o país da América do Sul com maior diversidade, e é mais que o dobro das 22.767 espécies descritas na monumental Flora brasiliensis, coleção de 15 volumes e 10.367 páginas escrita por 65 botânicos de vários países sob a coordenação de Carl Friedrich Philipp von Martius, August Wilhelm Eichler e Ignatz Urban, e publicada de 1840 a 1906.
Na Flora brasiliensis, o grupo predominante, com 32.813 espécies, são as plantas com sementes protegidas por frutos carnosos ou secos, as chamadas angiospermas. Nesse grupo estão as árvores como o ipê e o jacarandá, a roseira e outras espécies ornamentais, o feijão, o amendoim, o milho e a maioria dos vegetais usados na alimentação. Somente de feijões, pertencentes aos gêneros Vigna, Canavalia e Phaseolus, a flora brasileira registra cerca de 30 espécies nativas e naturalizadas, “a maioria delas com um potencial para a alimentação humana ainda pouco investigado”, comentou Vinicius Souza, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) que participou da produção e organização das informações desse trabalho.
As angiospermas se espalharam quando o clima se tornou quente e úmido, depois da extinção dos dinossauros. As mudanças do clima eliminaram a maioria das gimnospermas, hoje raras em todo o mundo: os botânicos encontraram apenas 30 espécies, sendo 23 nativas, desse grupo no Brasil. Por sua vez, as samambaias e as licófitas – plantas sem sementes e sem flores, que se reproduzem por esporos, também com origem antiga – estão representadas por 1.253 espécies no Brasil?; algumas ?delas ?atingem 20 metros de altura, lembrando as variedades gigantes que marcavam a paisagem terrestre há 300 milhões de anos.
Alegria e inquietação
Os botânicos agora convivem com a satisfação de ver mais uma etapa do projeto concluída e, ao mesmo tempo, uma desagradável inquietação, porque eles sabem que a distribuição geográfica das coletas de amostras de plantas, sobre as quais o trabalho foi feito, não era equilibrada: havia muito mais informações sobre as regiões Sul e Sudeste, onde se concentram as coletas, os grupos de especialistas e as instituições de pesquisa, do que nas outras partes do País. Enquanto no Rio de Janeiro havia 5,8 coletas por quilômetro quadrado (km2) e no Espírito Santo, 3,9 por km2, no Pará e no Amazonas essa relação era de 0,10 e 0,17 por km2.
Provavelmente por causa do número de coletas aquém do desejado pelos botânicos, o estado do Amazonas aparece em terceiro lugar entre os estados com maior diversidade, seguindo Minas Gerais, em primeiro, e Bahia. Os botânicos não estão satisfeitos com esse resultado. “No Amazonas poderia haver pelo menos mais 20 mil espécies ainda não amostradas”, disse Souza.
São Paulo encontra-se em quarto lugar de diversidade. Além de ser um espaço bastante percorrido por expedições botânicas, o estado apresenta uma variedade de relevos, com planícies a oeste e montanhas a leste, e de tipos de vegetação que favorecem a formação de novas espécies. “Tanto as formações vegetais de clima frio que vêm do sul quanto as de clima quente, como o Cerrado, param em São Paulo”, disse José Rubens Pirani, professor do Instituto de Biociências (IB) da USP (ver tabela).
“Infelizmente, mantivemos a distorção do trabalho de Von Martius, que coletou principalmente na Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado e andou pouco pela Amazônia”, comentou Rafaela. “Precisamos de um plano nacional de mapeamento das espécies de plantas da Floresta Amazônica para resolver o problema da subamostragem do maior bioma brasileiro, que representa metade do território nacional.”
Elaborado com informações mantidas em herbários e em bases on-line como o Reflora, atualmente com 1.390.218 registros de plantas nativas (ver Pesquisa Fapesp nº 229), o levantamento apontou a Mata Atlântica como o bioma com maior diversidade de angiospermas, samambaias, licófitas e fungos, em razão de coletas mais numerosas e da variedade de altitudes, climas e latitudes. Em segundo lugar está a Amazônia e em terceiro, o Cerrado.
“Ainda estamos longe dos prováveis números reais”, observou Souza. “Quanto maior o número de coletas por região ou estado, maior o número de espécies.” Uma evidência de sua afirmação é que, por causa das coletas mais numerosas, a diversidade de plantas do Tocantins aumentou 70% e a do Piauí, 40%, em relação ao registrado na primeira versão da Flora, de 2010. “Não estávamos trabalhando lá e as plantas não apareciam”, comentou Pirani. Em 2013, com sua equipe, ele identificou uma espécie nova de arbusto, Simaba tocantina, em uma área de Cerrado pouco conhecida no interior e nas proximidades do parque do Jalapão, leste do Tocantins, marcada por vastos areais como os descritos no livro Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa.
Na região Norte, as áreas menos estudadas são as mais propícias ao avanço das novas plantações de soja e cana-de-açúcar. “O desmatamento é muito mais rápido do que nossa capacidade de conhecer a floresta”, queixou-se a botânica paulista Daniela Zappi, pesquisadora do Kew Gardens, de Londres. “É um desespero. Parece que não vai dar tempo de chegar nessas áreas, principalmente no Arco do Desmatamento, entre o norte do Mato Grosso e o sul do Pará.”
As cactáceas, um dos grupos em que ela é especialista, apresentam uma elevada diversidade no Brasil – em Minas vivem 103 espécies e na Bahia, 98 –, mas 32% das 260 espécies desse grupo encontram-se em grau variável de risco de extinção. As áreas que ocupam são continuamente substituídas por plantações de eucalipto, agricultura ou mineração. Os cactos são explorados como plantas ornamentais e colhidos para servir como alimento para o gado ou para pessoas, que também os usam como fonte de medicamentos, geralmente sem se preocupar em repor as populações originais. Outro problema é que muitas espécies crescem apenas em áreas específicas. É o caso do Arrojadoa marylaniae, um cacto colunar com anéis de flores vermelhas que cresce apenas sobre uma jazida de quartzo branco de valor comercial no interior da Bahia.
O trabalho de identificação e estudo da distribuição geográfica de cada espécie está atrelado a um plano de ação, de modo a estudar e favorecer a polinização e germinação de espécies em maior risco de extinção. As ações de preservação incluem a participação de pesquisadores não acadêmicos. Gerardus Oolstrom, um criador de cactos comerciais em Holambra, interior paulista, trabalhou com botânicos acadêmicos na identificação de uma espécie nova, a Rhipsalis flagelliformis, que ele viu pela primeira vez cultivada em um sítio que havia sido do paisagista Roberto Burle Marx no bairro de Guaratiba, na cidade do Rio de Janeiro. “Os colecionadores, quando integrados com os grupos de pesquisa, podem ajudar muito no trabalho de localização e preservação das espécies”, observou Daniela.
Rafaela também trabalha com o advogado Elton Leme, um botânico não profissional, na caracterização de três novas espécies do gênero Encholirium, que vivem entre rochas em morros da Bahia e de Minas Gerais. Por sua vez, pesquisadores da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte espalharam cartazes com o título “Procura-se” e fotos e informações sobre o faveiro-de-wilson, uma árvore rara, e conseguiram localizar muitos exemplares com a ajuda de moradores do interior de Minas (ver Pesquisa Fapesp no 235).
“Não precisamos plantar apenas rosas e azaleias”, propôs Pirani enquanto caminhava pelos corredores amplos e ensolarados do herbário do IB-USP no início de janeiro. “Cultivar plantas ornamentais nativas em nossas casas, nas ruas e nas margens de estradas é uma forma de preservar a diversidade.” Em seguida ele apresentou um arbusto de flores azuis, a canela-de-ema, duas bromélias, o gravatá e a macambira, e outras plantas coletadas na serra de Grão Mogol, norte de Minas Gerais, que ele procura adaptar ao clima da capital. “Aqui chove mais do que em Minas, mas, mesmo assim, algumas delas florescem todo ano.”
Artigos científicos
COSTA, D. P. e PERALTA, D. F. Bryophytes diversity in Brazil. Rodriguésia. v. 66, n. 4, p. 1063-71. 2015.
MAIA, L. C. et al. Diversity of Brazilian Fungi. Rodriguésia. v. 66, n. 4, p. 1033-45. 2015.
MENEZES, M. et al. Update of the Brazilian floristic list of Algae and Cyanobacteria.Rodriguésia. v. 66, n. 4, p. 1047-62. 2015.
PRADO, J. et al. Diversity of ferns and lycophytes in Brazil. Rodriguésia. v. 66, n. 4, p. 1073-83. 2015.
THE BRAZIL FLORA GROUP. Growing knowledge: an overview of seed plant diversity in Brazil. Rodriguésia. v. 66, n. 4, p. 1085-113. 2015.

in EcoDebate, 23/03/2016

AMÉRICA LATINA : DECRESCIMENTO ECONÔMICO E O AUMENTO DA POBREZA.

Decrescimento econômico e aumento da pobreza na América Latina, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Publicado em março 23, 2016 
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[EcoDebate] Existia um otimismo com a meta 1 dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) que previa a redução pela metade da pobreza no mundo entre 1990 e 2015. No caso da América Latina e Caribe (ALC) a pobreza extrema (ou indigência) caiu de 22,6% em 1990 para 11,3% em 2012. Houve uma justa comemoração com estes números já que a meta 1 dos ODM foi atingida antes do prazo. Parecia que o continente sem miséria seria uma realidade, pois os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) incorporaram a meta de erradicar a pobreza extrema até 2030.
Porém, a situação é mais complexa e a luta pela erradicação da pobreza e da indigência parece mais difícil do que se imaginava, conforme mostra o Panorama Social da América Latina 2015, da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Em termos absolutos, a pobreza extrema diminui de 95 milhões de indigentes em 1990 para 66 milhões em 2012. Portanto, não houve redução pela metade. No quesito pobreza o número absoluto de pobres era de 204 milhões em 1990 e caiu para 164 milhões em 2012 e, em termos relativos, houve uma queda de 48,4% em 1990 para 28,2% em 2012.
Porém, estas conquistas parciais entre 1990 e 2012 foram interrompidas e a pobreza e a indigência voltou a subir na ALC. O número de pessoas indigentes subiu de 66 milhões em 2012 para 75 milhões em 2015 e o número de pobres subiu de 164 milhões em 2012 para 175 milhões em 2015. Ou seja, a curva descendente foi revertida para uma curva ascendente da pobreza e da indigência.
A reversão das conquistas recentes está estreitamente relacionada ao desempenho macroeconômico da região e a crise que atinge, principalmente, Venezuela e Brasil. A queda do preço das commodities prejudica as exportações latino americanas. Ou seja, os números apresentados pelo Panorama Social da América Latina 2015, da CEPAL, são bastante preocupantes em termos da inclusão social no presente e no futuro. Os últimos dados indicam que a ALC terá anos difíceis pela frente.
De fato, toda a região da América Latina e Caribe (ALC) viveu um momento de grande crescimento econômico entre 2002 e 2008. Em 2009 houve recessão em função do impacto da crise internacional, mas a região se recuperou entre 2010 e 2013. Os primeiros 13 anos do século XXI pareciam deixar para trás o fantasma da “década perdida”. Neste período, marcado pela melhoria dos termos de intercâmbio internacionais, houve um processo de valorização cambial e de recuperação da renda. A maioria dos governos – com alguma orientação de esquerda – aumentou os gastos sociais, possibilitando uma redução da pobreza e avanços no sistema de proteção social.
Mas a taxa de crescimento econômico veio caindo entre 2010 e 2014 e o PIB entrou em recessão em 2015, segundo as estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI). O Brasil, como o maior país da região, contribuiu para puxar o PIB latino americano para baixo. O declínio de 3,8% do PIB brasileiro em 2015 contribuiu para jogar a ALC em recessão de 0,3%. Evidentemente, esta recessão provocou uma queda ainda maior da renda per capita, influindo decisivamente para o aumento da pobreza e da indigência.

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Assim, os dados do Brasil e da ALC mostram uma tendência de queda que pode desaguar em uma segunda década perdida, embora alguns países, como o Chile, mantenham taxas positivas de crescimento econômico e melhoria das condições de vida. O relatório da Cepal mostra que a região poderia colher o seu bônus demográfico até 2030. Porém, a crise econômica ameaça antecipar o fim do bônus demográfico, inviabilizando novas conquistas sociais.
O decrescimento econômico e a atual recessão tem prejudicado sobremaneira a população pobre. Este não é o processo defendido pelos teóricos do “decrescimento”. Ou seja: “Su recesión no es nuestro decrecimiento”. Para os teóricos do “decrescimento” a redução das atividades econômicas deveria ocorrer pela diminuição do consumo conspícuo, pela redução da poluição e das atividades mais degradadoras do meio ambiente. A redução das atividades antrópicas deveria vir acompanhada de uma melhor distribuição da renda e redução da pobreza. Não é o que está acontecendo na prática da ALC.
O atual ciclo recessivo – liderado por Brasil e Venezuela – pode comprometer o processo de desenvolvimento econômico da ALC e provocar uma regressão social, além de agravar a situação ambiental. A América Latina está em uma encruzilhada e, mesmo a contragosto, está optando pelo caminho do retrocesso.
Referência:
CEPAL. Panorama Social de América Latina, Santiago do Chile, 22/03/2016

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 23/03/2016

MUNDO ISLÂMICO POR infoENEM.

Estudando e Compreendendo o Mundo Islâmico | infoEnem



Estudando e Compreendendo o Mundo Islâmico
Posted: 22 Mar 2016 12:59 PM PDT
No dia em que presenciamos mais uma tragédia com dezenas de mortos e feridos decorrente do ataque terrorista ocorrido em Bruxelas, capital da Bélgica, o assunto do principal artigo do Portal infoEnem não poderia ser outro senão o povo islâmico, do qual surgiram os principais grupos terroristas. Nos próximos parágrafos vamos rever sucintamente sua história desde o início.
Vivendo em uma região extremamente quente e seca, os árabes formaram uma sociedade baseada no islamismo, religião fundada por Maomé e que expandiu seu território através das guerras santas, chamadas djihad.
Segundo o Islã, Ismael, filho de Abraão, estava perdido no deserto com sua mãe. Então o anjo Gabriel apareceu e fez surgir uma fonte para satisfazer sua sede e uma pedra para descansar. A Caaba consiste no local onde ficaram a fonte e a pedra, além de representações das divindades do politeísmo árabe que existia antes do islã, e Maomé pertencia à família responsável por cuidar dela. Um dia ele viu o anjo e este escolheu-o como um profeta.
O islã representa a submissão a Alá e grande parte da população, além dos sacerdotes, era contra tal religião, portanto Maomé foi obrigado a fugir de Meca, episódio que ficou conhecido com Hégira. Maomé, que fora para Medina, ao voltar para Meca e conquistá-la, contribuiu para aumentar ainda mais a quantidade de muçulmanos.
O livro que representa essa religião é o Corão, que contém todos os seus preceitos. Segundo ele, Alá é o único deus e só é possível chegar a ele por meio do profeta, Maomé; é preciso fazer 5 orações por dia; fazer jejum no mês do Ramadhan; dar esmolas e fazer peregrinação em Meca.
Com a morte de Maomé, sucederam-no os Califas, que fizeram uma divisão da região em Bagdá, Cairo e Córdoba, exercendo todos os poderes do Estado teocrático.
Outra particularidade do Islamismo é sua divisão em grupos geradas por diferentes interpretações, como por exemplo os sunitas, que defendem o poder do califa, e xiitas, que afirmam que o poder deve ser exercido somente por um descendente de Maomé. Tais divergências são um dos principais fatores que geram conflitos na região até hoje.
A expansão do islamismo continuou, através de conquistas e guerras contra os infiéis, com a conversão de partes da África, da Espanha e da Índia.

Islamismo, Atualidades e Enem

Como já é sabido, o Enem sempre exige, em muitas de suas questões, temas e acontecimentos relacionados a atualidades nos vários aspectos da realidade do Brasil e do mundo. Neste sentido, a constante turbulência entre os países islâmicos torna-se um prato cheio para o exame. E como episódios como o desta terça-feira na Bélgica têm sido assumidos, em muitos casos, pelo grupo terrorista Estado Islâmico, recomendamos a leitra deste artigo que ilustra como o Enem pode abordar o tema, mostrando uma questão da prova de 2015 sobre o EI. De quebra a resolução do professor Bruno ainda traz uma explicação detalhada sobre a organização. Vale a pena conferir!
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