quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

ENTENDA A RELAÇÃO ENTRE DESIDRATAÇÃO E FORMAÇÃO DE CÁLCULOS RENAIS.

 calor

Foto: EBC

Entenda a relação entre desidratação e formação de cálculos renais

Para muitos, a chegada do verão é motivo de pura felicidade. No entanto, o calor característico dessa estação aumenta muito os riscos de desidratação, principalmente pela elevação da temperatura corporal, fato que provoca sudorese e, portanto, maior perda de líquidos. Com esse problema, surge a possibilidade de o corpo acumular determinadas substâncias formadoras de cristais – como cálcio, oxalato e ácido úrico – na urina, que fica muito concentrada, o que facilita a formação das conhecidas pedras nos rins.

Conhecer mais esse assunto é uma forma de não subestimá-lo e compreender a importância da hidratação adequada.

Por Pollyana Cabral

Saiba mais: cálculos renais

  • O que são?

Quando ingerimos quantidades adequadas de água, estamos permitindo que os rins filtrem facilmente as substâncias que sobram das reações químicas que ocorrem no nosso corpo. “Uma quantidade insuficiente de líquidos leva a urina a reter os minerais encontrados no seu interior, que podem se acumular e formar cristalizações, denominadas cálculos renais“, explica o nefrologista do Hospital Brasília Pedro Mendes.

Essa massa sólida pode variar em tamanho: desde pequenos cristais, que só podem ser vistos com um microscópio, até pedras com mais de 2,5 cm de largura. Apesar de, muitas vezes, serem minúsculas e “navegarem” pelo trato urinário sem que o paciente perceba, podem aumentar de tamanho a ponto de ficarem presas nos canais das vias urinárias, causando dores intensas.

  • Sinais característicos

Os principais sintomas das pedras nos rins são:

– dor forte e aguda nas laterais e nas costas, abaixo das costelas;

– dor que se irradia para a parte inferior do abdome e da virilha;

– dor ou sensação de queimação ao urinar;

– urina turva, com coloração anormal e odor fétido;

– febre com calafrios, se houver infecção;

– náusea com ou sem vômito.​

  • Tratamento

Diante desses sintomas, é essencial ir imediatamente ao pronto-socorro mais próximo. O tratamento para pedra nos rins varia muito, dependendo do tamanho e da causa. Um paciente pode conseguir deslocar um pequeno cálculo através da ingestão de muita água ou com o auxílio de determinados medicamentos que relaxam os músculos do ureter, ajudando a eliminar o cálculo renal mais rapidamente e com maior facilidade. Existem ainda medicações voltadas para aliviar a dor causada pela pedra nos rins.

Vale lembrar que, quando o paciente tem pedras de dimensões maiores, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica para resolver o quadro”, continua o especialista. Em geral, os tratamentos cirúrgicos incluem a cirurgia endoscópica a laser, a cirurgia por nefrolitotomia percutânea, a cirurgia por litotripsia extracorpórea ou a ureteroscopia. Da parte do paciente, duas orientações são essenciais: a primeira é buscar um tratamento rápido na fase aguda para retirar a pedra, pois normalmente esses quadros vêm acompanhados de forte infecção urinária, que pode evoluir para infecção generalizada; a segunda diz respeito às providências posteriores a essa fase.

É necessário que, sanado o momento de dor aguda e tratada a infecção, o paciente investigue e trate de maneira detalhada a causa da formação dessas pedras. Ela pode ser de origem hormonal, ser derivada de doenças no sangue ou diretamente do rim”, completa Mendes.

Além disso, algumas pessoas apresentam maior tendência à formação de pedras nos rins do que outras. Então, se o quadro começa a se repetir com frequência, a condição pode ser descoberta por meio de testes simples de urina. Se o fato for constatado, um médico especialista pode fornecer recomendações dietéticas específicas, visando evitar a ocorrência de complicações.

Saiba mais: desidratação

  • O que é?

Todos os dias temos nossos líquidos corporais diminuídos naturalmente, pela transpiração, respiração ou urina. O perigo ocorre quando há um desequilíbrio entre a quantidade de líquido que o corpo perde e recebe, de forma que o pleno funcionamento do organismo é afetado, podendo resultar na desidratação do indivíduo se não houver uma reposição adequada de água e sais minerais. Apesar de parecer um quadro relativamente brando, a desidratação severa pode matar.

  • Sinais característicos

Os principais sintomas de desidratação são:

– fadiga;

– sede;

– lábios e língua secos;

– falta de energia ou exaustão;

– sensação de superaquecimento;

– pressão arterial baixa;

– câimbras dolorosas nos músculos abdominais, nos braços e nas pernas;

– constipação;

– batimentos cardíacos acelerados.

  • Tratamento

Saber como tratar a desidratação é um cuidado de suma importância, principalmente durante o verão.

Nesses casos, é preciso realizar uma reposição do nível de fluidos no corpo, o que pode ser feito consumindo água, bebidas isotônicas (como Gatorade) ou mesmo picolés. Não é recomendado optar por bebidas que contêm cafeína, como café e refrigerantes, tampouco chás, que podem ter efeito diurético. Em casos mais graves, os médicos recomendam a aplicação de fluidos intravenosos.

A prevenção de ambos os quadros é a mesma!

Você pode realizar a prevenção dos cálculos renais e da desidratação de uma maneira bem simples: bebendo bastante líquido! Alguns especialistas recomendam beber de seis a oito copos de água por dia, e você pode complementar esse hábito com o consumo de alimentos ou bebidas leves e ricos em água, como leite, água de coco, iogurte, aipo, melancia, morango, pêssego, abacaxi, pepino, kiwi, pimentão, tomate, alface, repolho e espinafre.

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/01/2021

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