domingo, 7 de setembro de 2014

QUEM BANCA A ELEIÇÃO ?

Quem banca a eleição

Empresas doaram R$ 224 milhões no 1.º mês de campanha. Empreiteiras e indústria alimentícia estão entre os maiores financiadores de candidatos. Dados são referentes à 1ª prestação de contas em todo o país.
 A reportagem é de Paulo Galvez da Silva e publicada por Gazeta do Povo, 31-08-2014.
O valor doado aos partidos e candidatos de todo o país durante o primeiro mês de campanha chegou a R$ 224 milhões. Os dados fazem parte de um levantamento exclusivo da Gazeta do Povo, com base em dados disponíveis na Justiça Eleitoral, referente à arrecadação de campanha entre 6 e 28 de julho. Oficialmente, os candidatos podem pedir votos desde 6 de julho. E o dia 28 do mês passado era a data limite para que eles informassem as doações recebidas na primeira fase de campanha.
O grupo JBS − detentor das marcas de alimentos Friboi e Seara − foi o que mais doou: R$ 52 milhões. No Paraná, de acordo com o sistema de prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o JBS, dono de um faturamento de R$ 93 bilhões em 2013, doou R$ 1,7 milhão para candidatos a deputado federal do PP e PR e para a campanha de Gleisi Hoffmann (PT) ao governo.
Dos dez maiores doadores, cinco são empreiteiras. OAS, com R$ 18,9 milhões, e Queiroz Galvão, com 14,8 milhões, vêm, respectivamente, em segundo e terceiro lugares no ranking dos maiores financiadores eleitorais. Somando-se as doações de UTC Engenharia (R$ 10,9 milhões); Grupo Carioca Christiani Nielsen (R$ 6 milhões); e Andrade Gutierrez(R$ 4,8 milhões), as empresas do setor doaram juntas R$ 55,4 milhões nesta fase da campanha. No setor de logística, a Cosan foi uma das maiores financiadoras, com R$ 6,8 milhões.
Telemont Engenharia de Telecomunicações é outra grande doadora. Com R$ 11,9 milhões repassados para as campanhas, ficou em quinto lugar. O partido preferido da empresa é o PMDB. Mas também receberam recursos PP, PR, Pros e PSDB. Do total, R$ 500 mil foram doados a candidatos a deputado federal paranaenses.
Completam a lista dos dez maiores doadores duas empresas do segmento de bebidas. A Ambev doou R$ 11 milhões – no estado, R$ 15 mil para o Solidariedade e R$ 380 mil para Gleisi Hoffmann. Já a Arosuco Aromas e Sucos fez doações de R$ 6,7 milhões em todo o país.
Sem verba
O valor recebido pelos candidatos até 28 de julho chegou a R$ 187 milhões. Em tese, a diferença de R$ 37 milhões em relação à arrecadação total do período existe porque os partidos ainda não haviam repassado parte do dinheiro aos concorrentes.
Dos mais de 26 mil candidatos que concorrem aos cargos de deputado estadual, deputado federal, governador, senador e presidente em 26 estados e no Distrito Federal, apenas 3,6 mil (14%) declararam ter recebido doações em dinheiro ou serviços. Ou seja, o restante informou não ter tido arrecadação. Para o secretário-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco, o comportamento dos partidos e candidatos e do próprio TSE “foi frustrante”, já que as doações ocultas, segundo ele, permanecem. “As empresas investem, não doam, esperando um retorno financeiro no futuro”, afirma.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos.

REFORMA POLÍTICA , BANCADA RURALISTA E O AGRONEGÓCIO.

Começa nessa segunda o Plebiscito Popular pela Reforma Política

“A Reforma Política está longe de resolver nossos graves problemas do sistema política, mas pode ser um início”, afirma Cesar Sanson, professor do Departamento de Ciências Sociais da UFRN, em artigo para o sítio do IHU.
Eis o artigo.
Três notícias, entre tantas, nesse domingo, 31-08-2014, revelam a importância de uma Reforma Política.
1 - Roberto Rodrigues, “cacicão” do agronegócio em entrevista ao El País disse que “nunca o agronegócio foi tão bem tratado no Brasil como hoje". Segundo ele, “eu tenho 50 anos de agronegócios, e posso te dizer que nós sempre procuramos os candidatos a presidente da República para pedir algo. Desta vez, tem sido ao contrário”.
O que significa: que a bancada ruralista tornou o nosso sistema política refém do agronegócio. Exemplos: Código Florestal, Código da mineração, Demarcação de Terras Indígenas, Transgênicos etc etc
2 - Marcelo Odebrecht, todo poderoso da empreiteira Odebrecht diz em entrevista à Folha que é “obrigação do empresariado influenciar o governo” e defende o financiamento privado nas campanhas. 
O que significa: Ele – junto com os outros empresários - não esconde que defende uma reforma trabalhista que se ajuste aos seus interesses. Quem paga as campanhas, cobra depois a fatura.
3 – Reportagem da Gazeta do Povo desse domingo revela quem ‘banca a eleição’. Surpreendentemente – ou não? – entre os 10 maiores arrecadadores de todo o país está Henrique Alves, presidente da Câmara e candidato a governador do Rio Grande do Norte. Alves fica apenas atrás de Dilma, [Eduardo Campos] Marina, Aécio... e à frente na arrecadação de candidatos a governador de MG e BA, entre outros.
O que significa: Que eventualmente eleito irá agradar os generosos doadores de sua campanha, como já se observa com o seu projeto na Chapada do Apodi (RN), bom para o agronegócio e péssimo para os trabalhadores rurais.
A Reforma Política está longe de resolver nossos graves problemas do sistema política, mas pode ser um início.
Fonte : Instituto Humanitas Unisinos

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

BRASIL : EXPORTADOR DE ''AGUA VIRTUAL''.

Brasil exporta cerca de 112 trilhões de litros de água doce por ano



Contêineres saem diariamente de portos na costa brasileira abarrotados de carne bovina, soja, açúcar, café, entre outros produtos agrícolas exportados para o mundo. Mas dentro deles há um insumo invisível, cujo valor ultrapassa cálculos estritamente econômicos. Ao longo do ano, o Brasil envia ao exterior cerca de 112 trilhões de litros de água doce, segundo dados da Unesco — o equivalente a quase 45 milhões de piscinas olímpicas ou mais de 17 mil lagoas do tamanho da Rodrigo de Freitas. Tantos litros são o total dos recursos hídricos necessários para produzir essas commodities. E colocam o país como o quarto maior exportador de “água virtual”, atrás apenas de Estados Unidos (314 trilhões litros/ano), China (143 trilhões litros/ano) e Índia (125 trilhões litros/ano). A exportação desse recurso, ainda que indiretamente, tende a crescer num cenário de escassez global, pressionando o país a pensar em políticas públicas voltadas à gestão hídrica.A posição do Brasil no alto do ranking não se deve tanto ao desperdício da água ou à falta de produtividade nas atividades agropecuárias do país, mas principalmente a um fenômeno global de escassez dos recursos hídricos. Num momento em que países como Malta e Kuwait têm 92% e 90%, respectivamente, de “água virtual” importada em seus produtos, o Brasil, com disponibilidade hídrica e territorial, tende a ganhar relevância. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre 2007 e 2010, as commodities avançaram de 41% para 51% no total de produtos vendidos pelo país ao exterior.

As Nações Unidas (ONU) estimam que, até 2025, cerca de dois terços da população mundial estarão carentes de recursos hídricos, sendo que cerca de 1,8 bilhão enfrentarão severa escassez de água. Na metade do século, quando já seremos 9 bilhões de habitantes do mundo, 7 bilhões enfrentarão a falta do recurso em 60 países. A água, portanto, já é motivo de conflitos em várias regiões do mundo.

— A alocação dos recursos hídricos, além de ambiental, é uma questão econômica, porque quando a água é escassa é preciso destiná-la para onde haverá maiores benefícios para a sociedade. Mas sendo a água um bem público, o mercado não é o único determinante. A água deve ser usada para produzir alimentos para a população, para culturas ligadas a biocombustíveis ou para plantações de commodities para exportação? Isso é uma escolha política — aponta Arjen Hoekstra, criador do conceito de “pegada hídrica” e autor de diversos estudos sobre água virtual numa parceria entre Unesco e a Universidade de Twente.

Recursos hídricos sem preço

Um dos principais parceiros comerciais do país, a China possui 6% da água doce do planeta e já sofre com uma escassez do recurso, aliada a uma redução das terras agricultáveis — desde 1997, o país já perdeu 6% de sua área cultivável devido à erosão e urbanização. No Brasil, o cenário é outro: o país dispõe 40% de terras aráveis, abriga 12% da água doce do planeta e recebe chuvas abundantes durante o ano em mais de 90% do território — ainda que numa distribuição hídrica desigual, com um semiárido de água escassa.

— O Brasil não tem dependência de irrigação, precisa apenas administrar a água da chuva. Não há também a questão populacional, com uma competição entre agricultura e cidades. E enquanto na China há 250 mil unidades agrícolas, no Brasil são apenas 5 mil — enumera Marcos Jank, professor da Esalq-USP e especialista em agronegócio.

A crescente demanda por alimentos de um país que pretende crescer 7,5% este ano provocou uma disparada nos preços das commodities brasileiras. Em 2011, a soja, principal produto exportado a Pequim, teve o preço elevado em 31,6%. A China também foi o principal destino das exportações brasileiras, totalizando US$ 44,3 bilhões no ano passado.

— A tendência de queda dos preços das commodities foi revertida nesta última década com a escassez de água e degradação dos solos mundialmente. E a China foi a principal responsável por essa uma mudança no padrão de comércio — afirma Jank. — O Brasil tem tudo para aproveitar isso, mas hoje a agricultura brasileira está se tornando um negócio de alto custo devido às taxas de câmbio, juros altos e problemas de infraestrutura. São problemas domésticos que estão tirando a possibilidade de usar melhor o boom asiático a nosso favor.

A soja brasileira exportada sustenta, sob a forma de ração, boa parte do rebanho bovino da China, que tem aumentado exponencialmente seu consumo de carne. Segundo projeção da “Economist”, o consumo de carne bovina na China entre 1985 e 2009 demandou em recursos hídricos o equivalente ao uso anual de água em toda a Europa.

Água sustentável

A pegada hídrica têm ajudado a mudar o entendimento de que a água é algo finito e gratuito. O desafio agora, segundo especialistas, é melhorar a precisão dos números para, assim, adotar o conceito no comércio formal.

— Atualmente, ninguém paga o preço total pelo consumo de água. A escassez e a poluição precisam ser incluídas no preço das commodities. Isso criaria um incentivo para consumir e poluir menos. Mas as legislações também podem ser melhoradas e em alguns produtos pode ser útil incluir o uso de água sustentável no rótulo — sugere Hoekstra.

A Austrália, sexto maior exportador de água virtual (89 trilhões de litros por ano), segue um modelo de distribuição de recursos hídricos inovador. Foi o primeiro país a instaurar um sistema de comércio da água em 1982: o governo define uma parcela a ser usada pelos agricultores, que podem vender parte dessas licenças de uso que acreditam estarem excedentes. As transações pelos direitos de uso da água no país movimentaram US$ 1,5 bilhão entre 2010 e 2011, segundo dados divulgados pela Comissão Nacional de Água em dezembro passado. Hoje, o sistema passa por uma reforma para reduzir distorções de mercado e dar mais transparência às negociações.

Críticos afirmam que o modelo de privatização dos recursos hídricos deixa os agricultores sujeitos às flutuações de mercado. O australiano Mike Young, do Instituto de Meio Ambiente da Universidade de Adelaide e autor do capítulo sobre água do estudo ONU para a Rio+20, acredita que este sistema é capaz de mensurar de forma eficiente o recurso e garantir a sua preservação.

— Assim como a Austrália, o Brasil tem muita água, portanto está em vantagem em termos de usar este recurso de modo inteligente para produzir a maior quantidade de bens possível. O futuro do manejo da água está na alocação deste recurso e não em tentar quantificar precisamente quanta água está incluída nas commodities exportadas — defende Young. — De fato, precisamos encontrar meios mais eficientes de usar a água, mas não é preciso ficar preocupado com quanta água é usada em cada produção se o governo estabelece um sistema de alocação. É preciso entender que o comércio cria grandes oportunidades de negócios.

No Brasil, a cobrança pelo uso da água na irrigação de plantações funciona através de um sistema de outorgas, dada por órgãos gestores estaduais ou pela Agência Nacional de Águas, quando o recurso hídrico é de domínio da União. O sistema, vigente desde 1997, ainda enfrenta desafios, já que a fiscalização do uso da água no setor agrícola é mais difícil do que em áreas urbanas e industriais, mais concentradas territorialmente.

— O controle dos recursos naturais vai se tornar mais complexo no século XXI porque o uso se tornará mais competitivo. O Brasil ainda tem uma área de expansão agrícola, então o país precisa se planejar para as próximas décadas de modo que o crescimento da área irrigada seja sustentável — prevê Mônica Porto, engenheira ambiental da Politécnica da USP. — Não há nada de errado em o Brasil exportar água através das commodities se há essa disponibilidade hídrica. A forma como isso é gerenciado internamente é o que importa, através do controle do uso e do aumento de produtividade.

Escolhas políticas

A escassez de água em alguns países, de fato, pode levar a escolhas políticas para restringir a exportação de alimentos. O governo de Israel, por exemplo, desencoraja a exportação de laranjas — tradicionalmente cultivadas com um sistema de irrigação pesado —, para evitar que grandes quantidades de água virtual sejam exportadas para diferentes partes do mundo.

Mesmo no Brasil, abundante de recursos hídricos, precisa levar em conta o uso de água nas culturas diante de uma distribuição desigual em seu território. Menos povoada, a Região Amazônica concentra a maior parte da água superficial do país, enquanto a populosa Região Sudeste tem disponível 6% do total da água doce. No semiárido nordestino, os rios são pobres e temporários, o que acaba criando uma pluviosidade baixa.

— A pegada hídrica tem que ter relação com o local onde é produzida a cultura agrícola. Produzir uma pecuária leiteira no Agreste Nordestino vai demandar muito mais água do que fazer o mesmo no Centro-Oeste, onde a pluviosidade é muito maior — afirma o engenheiro ambiental Michael Becker, coordenador do Programa Cerrado da WWF Brasil. — Mas além do viés da localização é preciso ter em conta a própria produção, buscando gastar cada vez menos água bruta para fabricar o mesmo produto.


A otimização pode acontecer através de técnicas de irrigação mais eficientes, como o uso de gotejamento em vez de jatos d’água; o melhoramento de sementes para o plantio em regiões com menos disponibilidade de água; e desenvolvimento de técnicas de contenção da água da chuva. Estima-se que o setor agrícola já contribua atualmente com 92% do consumo total de água no país.

Apesar de a produtividade agrícola no Brasil ter apresentado grandes avanços — com um crescimento de 3,6 % ao ano, segundo estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) de 2011—, especialistas afirmam que é preciso melhorar o diálogo com o setor. A conturbada discussão do Código Florestal no Congresso dá indícios deste desafio.

— Ainda não avançamos o suficiente na discussão entre o setor ambiental e agrícola para que se possa ter um entendimento comum de que um necessita do outro. Precisamos produzir, mas para realmente tirar proveito da exportação de commodities precisamos entender a água como um insumo de produção. O Brasil quer ter no futuro a seca de um Centro-Oeste americano ou preservar este recurso no aspecto de insumo para produção? Essa é uma pergunta que veio para ficar e que vai se tornar cada vez mais frequente daqui para frente — aposta Becker.

Fonte : G1


HIDROPIRATARIA NA FOZ DO RIO AMAZONAS.

Hidropirataria.

Água da região será vendida ; Brasil é alvo da hidropirataria na foz do rio Amazonas.

A revista Veja já teve uma pauta inquietante. No boxe O apelo exótico da selva, vinculado à matéria A guerra contra a água mineral . A Equa “é extraída de uma fonte no coração da Floresta Amazônica brasileira. Sua história começa com o americano Jeff Moat, que trabalhou durante quinze anos em Manaus, onde tinha uma firma de exportação de pescados. Dois anos atrás, de volta ao Brasil, ele teve a ideia de analisar amostras das águas amazônicas”, descreve o jornalista Paulo Neiva.

“As análises feitas em laboratórios americanos da fonte da Equa mostram que essa é a água mineral mais pura do mundo”, atesta Jeff Moat.

A Equa chegará ao mercado americano, ao custo de US$ 8 a embalagem de 750 mililitros.

Pergunta-se: essa água será engarrafada no Brasil? Como sairá do país para ser vendida nos Estados Unidos? O Brasil está vendendo ou dando essa água? A água é produto da Humanidade ou do país onde é extraída? Águas de rios internacionais pertencem a quem? Para construir hidrelétricas no rio Madeira o governo brasileiro não precisaria pedir permissão à Bolívia?

Se água é um bem da Humanidade, por que a ONU (Organização das Nações Unidas) não cria um mercado internacional de água, para suprir países do Quarto Mundo, onde a população morre bebendo água suja, quando há? Por que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está providenciando água para os grandes agricultores na bacia do rio São Francisco, com a transposição do rio, enquanto a população pobre do Nordeste morre à míngua por falta de água potável?

Publiquei, este ano, na minha coluna na Agência Amazônia um artigo provocativo, “Já é tempo de a Amazônia exportar água”, apenas para advertir para a denúncia do oceanógrafo Frederico Brandini ao site Amazônia.Org no dia 7 de julho de 2004. Na mesma data o jornal Gazeta do Povo, de Curitiba (PR), publicou matéria intitulada Navios roubam água do rio Amazonas.

Segundo a matéria, após descarregar óleo cru nos portos da Amazônia, petroleiros do Oriente Médio abastecem seus tanques com até 250 milhões de litros de água, cada um, sem pagar qual centavo ao Brasil. Água é ouro no Oriente e na Europa (no Oriente, mais de 20 países sofrem crise gravíssima de água). Assim, a charmosa Perrier pode ser água do Amazonas. Na Arábia Saudita, a dessalinização custa US$ 1,5 por metro cúbico. A retirada da turbidez da água do Amazonas fica em torno de 0,30 cents de dólar. Um negócio extremamente lucrativo.

A imprensa começou a chamar esse roubo de hidropirataria. Mas a falta de uma denúncia formal sobre o caso impede a Agência Nacional de Águas (Ana). A diretoria da Ana, responsável pela fiscalização dos recursos hídricos, sabe da hidropirataria. Até a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) conhece o assunto. Um relatório secreto da maçonaria também denuncia o roubo da água da Amazônia, que ocorre na foz do rio Amazonas, na altura do Amapá.

A defesa das águas brasileiras está na Constituição Federal, no Artigo 20, que trata dos bens da União. Em seu Inciso III , a legislação determina que rios e quaisquer correntes de água no território nacional, inclusive o espaço do mar territorial, pertencem à União. Isso é complementado pela Lei 9.433/1997, que trata da Política Nacional de Recursos Hídricos, em seu Artigo I , Inciso II, que estabelece ser a água recurso limitado, dotado de valor econômico, e determina que o poder público seja responsável pela licença para uso dos recursos hídricos, “como derivação ou captação de parcela de água”.

A ingerência estrangeira nos recursos naturais da Amazônia tem aumentado significativamente nos últimos anos. Seja por ação de empresas multinacionais, pesquisadores estrangeiros autônomos ou pelas missões religiosas internacionais. Mesmo com o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) ainda não foi possível conter os contrabandos e a interferência externa dentro da região.

A captação de água seria feita por petroleiros no rio Amazonas. A foz do rio, o maior do mundo, tem 320 quilômetros de extensão, na costa do Amapá, despejando no Oceano Atlântico pelo menos 200 mil metros cúbicos de água por segundo. Na foz, a profundidade média é em torno de 50 metros, o que suporta o trânsito de grandes cargueiros. O contrabando é facilitado pela ausência de fiscalização na área. Um navio petroleiro armazenaria o equivalente a meio dia de água utilizada pela cidade de Manaus, de 1,5 milhão de habitantes.

Essa água, apesar de conter uma gama residual imensa e a maior parte de origem mineral, pode ser facilmente tratada. Para empresas engarrafadoras, tanto da Europa como do Oriente Médio, trabalhar com essa água, mesmo no estado bruto, representa uma grande economia. O custo por litro tratado é muito inferior aos processos de dessalinizar águas subterrâneas ou oceânicas, além de livrar-se do pagamento das altas taxas de utilização das águas dos rios europeus.

As águas salinizadas estão presentes no subsolo de vários países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Kuwait e Israel. Eles, praticamente, só dispõem dessa fonte para seus abastecimentos. O procedimento de retirada do sal é feito por osmose reversa, extremamente caro. Na dessalinização são gastos US$ 1,50 por metro cúbico e US$ 0,30 no mesmo volume de água doce tratada.

O avanço sobre as reservas hídricas do maior complexo ambiental do mundo, segundo os especialistas, pode ser o começo de um processo desastroso para a Amazônia. E isso surge num momento crítico, cujos esforços estão concentrados em reduzir a destruição da flora e da fauna.

A Amazônia é considerada a grande reserva do planeta para os próximos mil anos. Pelo menos 12% da água doce de superfície, não congelada, se encontram no território amazônico. Dois terços do planeta são ocupados por oceanos, mares e rios. Porém somente 3% desse volume são de água doce. Um índice baixo, que se torna ainda menor se for excluído o percentual encontrado em estado sólido, como nas geleiras polares e nos cumes das grandes cordilheiras. Água doce em estado líquido representa menos de 1% do total disponível na Terra.

Sob esse aspecto, a Amazônia se transforma em local estratégico. Mas a importância desse reduto natural poderá ser, num futuro próximo, sinônimo de riscos à soberania dos territórios panamazônicos. O que significa dizer que o Brasil seria alvo prioritário numa eventual tentativa de se internacionalizar esses recursos, como já ocorre no caso das patentes de produtos derivados de espécies amazônicas.

Entre 1970 e 1995, a quantidade de água disponível para cada habitante do mundo caiu 37% em todo o mundo; atualmente, cerca de 1,4 bilhão de pessoas não têm acesso a água limpa. Segundo a Water World Vision, somente o rio Amazonas e o Congo podem ser qualificados como limpos.

Guerra pela água
Doutrina que vem se estabelecendo em círculos de debates internacionais sobre a existência de bens comuns – como água doce e florestas – a serem gerenciados pelas potências internacionais pode ser o embrião de futuras ingerências estrangeiras na Amazônia, avalia o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. Ele entende que o governo deveria criar o Ministério da Amazônia, com sede em Manaus. “É na medida em que o estado soberano administra os recursos naturais da Região Amazônica que toda e qualquer ameaça se reduz na mesma proporção” – analisa Guimarães.

As Forças Armadas estão à míngua. “Nós consideramos que as nossas forças são apropriadas para a defesa da Amazônia num confronto regional.

Com relação a uma ameaça de potência superior, vamos ter que adotar uma tática, uma estratégia que o Exército está treinando muito bem, que se chama estratégia da resistência”, afirmou o almirante-de-esquadra Miguel Ângelo Davena. “Eu creio que seja do conhecimento de todos os brasileiros que as nossas forças estão carentes de reaparelhamento”.

Relatório de 2004, encomendado pelo Pentágono à Global Bussines Network, empresa especializada em tendências de negócios, baseada na Califórnia, e revelado pela jornalista Memélia Moreira aponta que o rio Amazonas será palco de guerra muito em breve por conta do acesso à água. Denúncias publicadas por esta agência dão conta que pesquisadores adentram na Amazônia brasileira pela Colômbia para coletar amostras de água dos rios Negro, Solimões, Juruá e outros. Eles também levam essências, fungos e outros microrganismos da Amazônia para estudá-los em laboratórios dos EUA e Europa.
Fonte : Foro do Brasil

BRASIL EM MAPAS.

MAPA POLÍTICO - ADMINISTRATIVO DO BRASIL


                                                                                                                                                       


DIVISÃO GEOECONÔMICA



DIVISÃO REGIONAL



REGIÃO NORTE



REGIÃO NORDESTE



REGIÃO NORDESTE MESORREGIÕES


REGIÃO CENTRO OESTE
REGIÃO SUDESTE













quarta-feira, 3 de setembro de 2014

EMERGÊNCIA OU CALAMIDADE PÚBLICA.

Entenda a diferença entre situação de emergência e estado de calamidade pública

Intensidade do impacto do desastre para o município é o que leva os prefeitos a classificarem o prejuízo gerado para a população e infraestrutura local


As chuvas que atingiram o Paraná nos últimos dias obrigaram Morretes a decretar estado de calamidade pública e Paranaguá a decretar situação de emergência. A intensidade do impacto do desastre para o município é o que leva os prefeitos a classificarem o prejuízo gerado para a população e infraestrutura local.
De acordo com o chefe da seção operacional da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil no Paraná, capitão Eduardo Gomes Pinheiro, existem quatro níveis para medir os impactos. Eles podem variar com intensidades que vão de 1 a 4. “Diversos fatores alteram o grau de vulnerabilidade de um município”, lembra Pinheiro. O despreparo dos órgãos competentes para lidar com as catástrofes, a situação financeira do município, o número de habitantes são alguns dos fatores que podem alterar o impacto de um desastre natural, por exemplo, sobre a cidade.
Pinheiro explicou como são determinadas e classificadas as intensidades de 1 a 4:

Desastre de nível 1
 – São pequenos desastres e também podem ser considerados acidentais. Trazem impacto restrito para o município por se tratar de um evento pontual, que a própria administração local tem condições de resolver. Não caracteriza uma situação anormal.
Desastre de nível 2 – São desastres de médio porte, mas que também podem ser superados pelo município ou estado sem a necessidade de auxílio externo. Também não caracteriza uma situação anormal.

Desastre de nível 3
 – São desastres de grande porte. Eventos com esta intensidade indicam que o município ou estado tem condições de resolver a situação apenas com os próprios recursos, mas necessita de complementação do governo estadual ou federal, respectivamente. Caracterizam situação de emergência (SE).
Desastre nível 4 – São chamados de desastres de muito grande porte. Indicam que a situação na qual se encontra o município o estado só será superada com o auxílio de governos e órgãos externos. Geralmente são eventos que provocam a descaracterização da organização do município ou estado. O estado de calamidade pública (ECP) representa um desastre de nível 4.

Agravantes
Segundo Pinheiro, há situações em que um desastre de nível 2 com agravantes pode caracterizar situação de emergência e um desastre de nível 3 com agravantes pode provocar a decretação de estado de calamidade pública. “Estes agravantes podem ser, por exemplo, o risco de doença para uma cidade atingida por enchentes. Caso a enchente seja classificada como desastre nível 3, mas o município não tenha condições de combater as doenças que podem vir a afetar a população, a situação do desastre é agravada, podendo ser decretado o estado de calamidade pública”, explica.
Além do despreparo dos órgão locais, como a Defesa Civil, para lidar com o evento, os agravantes também podem ser causados por um elevado grau de vulnerabilidade do município ou a evolução do desastre.
A diferença na classificação do desastre também está diretamente relacionada com o tamanho da cidade atingida. “Se uma chuva atinge três populosos bairros de Curitiba, mesmo que afete uma população de quase 200 mil pessoas, dificilmente a situação deixará a cidade em situação de emergência. Mas se a ponte que o único acesso a um município pequeno cai, pode ser suficiente para caracterizar um desastre nível 3”, explica Pinheiro.

Como decretar?
A decisão cabe ao prefeito, no caso de decretos municipais, e ao governador, no caso do estado. Usando como exemplo os municípios, uma equipe da Defesa Civil composta por cinco membros avaliam os locais afetados e contabilizam os danos indicando para o prefeito qual o impacto dos desastres. Essa avaliação não é obrigatória para que seja decretada a SE ou o ECP, mas é fundamental na hora de receber os recursos externos. “O ideal é que exista essa avaliação para haver uma sustentação legal no decreto”, diz Pinheiro.
Fonte : Gazeta do Povo

terça-feira, 2 de setembro de 2014

ÁGUA : SUA IMPORTÂNCIA.

                      

A água é um recurso natural de valor inestimável. Mais que um insumo indispensável à produção e um recurso estratégico para o desenvolvimento econômico, ela é vital para a manutenção dos ciclos biológicos, geológicos e químicos que mantêm em equilíbrio os ecossistemas. É, ainda, uma referência cultural e um bem social indispensável à adequada qualidade de vida da população.

cristovaopereira.blogspot.com

A conservação da quantidade e da qualidade da água depende das condições naturais e antrópicas das bacias hidrográficas, onde ela se origina, circula, percola ou fica estocada, fora de lagos naturais ou reservatórios artificiais.
Isso porque, ao mesmo tempo em que os rios, riachos e córregos alimentam uma determinada represa, por exemplo, eles também podem trazer toda a sorte de detritos e materiais poluentes que tenham sido despejados diretamente neles ou no solo por onde passaram.
                                  Represa Billings em São Paulo

www.manoeldelrio.com.br

Recentemente muito se tem falado a respeito da "crise da água", e especula-se sobre a possibilidade da escassez deste recurso vital se tornar motivo de guerras entre países. É preciso haver consciência de que, exceto no caso de regiões do planeta em que há uma limitação natural da quantidade de água doce disponível, na maioria dos países o problema não é a quantidade, mas sim a qualidade desse recurso, cada vez pior devido ao mau uso e à sua gestão inadequada.

Baía de Guanabara / processo de despoluição


www.navegadormt.com

Segundo o pesquisador Aldo Rebouças, professor titular do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, USP, uma análise comparativa entre a disponibilidade hídrica e a demanda da população no Brasil mostra que o nível de utilização da água disponível em 1991 era de apenas 0,71%
Mesmo para os estados mais populosos e desenvolvidos, como São Paulo e Rio de Janeiro, este índice também era muito confortável, estando por volta de 10%.Ouseja, a questão que se coloca diante de nós não é a disponibilidade ou falta de água, mas sim as formas de sua utilização que estão levando a uma acelerada perda de qualidade, em especial nas regiões intensamente urbanizadas ou industrializadas.

A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA NOS PAÍSES

Estados Unidos


estadosunidosemfortaleza.blogspot.com

 95% da água potável dos Estados Unidos é subterrânea. As fontes de água estão secando devido a seu bombeamento, nas altas pradarias texanas, mais rápido do que a chuva consegue recarregar os aquíferos. O maior aquífero dos Estados Unidos, o Ogallala, está se empobrecendo a uma taxa de 12.000 milhões de metros cúbicos (m3) ao ano. A redução total nesta época chega a uns 325.000 milhões de m3, um volume que iguala o fluxo anual do 18 rios do estado do Colorado. O Ogallala se estende de Texas a Dakota do Sul e suas águas alimentam a um quinto das terras irrigadas dos Estados Unidos. Muitos fazendeiros nas pradarias altas estão abandonando a agricultura irrigada ao se conscientizarem das consequências de um bombeamento excessivo e de que a água não é um recurso inesgotável.

México

A Cidade de México está se afundando devido à quantidade de água extraída debaixo de seus pavimentos. Uma das maiores e mais povoadas cidades do mundo, México, D.C,. foi uma terra fértil de lagos. Nos últimos 500 anos, os lagos foram drenados e os bosques dos arredores foram cortados. Enquanto a cidade crescia, o problema de água se agravava. Devido à falta de um sistema de drenagem adequado, hoje a água de chuva se mescla com resíduos e é utilizada para a irrigação. A cidade enfrenta agora um sério risco de ficar sem água potável. Estima-se que cerca de 40% da água da cidade se perderá devido a perdas no sistema de distribuição, construído no princípio do século.

Puna

A zona do Altiplano, ou Puna, é uma vasta região que engloba Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina, caracterizada por ser uma zona árida. A escassez de água tem gerado tensões, como os recentes atritos entre Bolívia e Chile por um pequeno curso d’água conhecido como o Silala. A região também é muito frágil e enfrenta sérios problemas causados pela desertificação, causada por vários fatores, entre os quais o excesso de gado e a agricultura intensiva. Esta situação tem aumentado a pobreza na região, que é foco de constantes problemas sociais. Alguns países, como Bolívia, têm tentado estabelecer uma lei de água para o uso adequado deste recurso, mas isso também tem gerado tensões na região.

El Chaco

O Chaco é uma vasta região compartilhada por Argentina, Bolívia e Paraguai, com recursos naturais caracterizados por sua fragilidade e relativa escassez, além de contar com uma população reduzida e marginalizada. Esta região sofre sérios problemas de desertificação, que incidem sobre a pobreza de seus habitantes. A água, justamente, é um dos recursos escassos, apesar de contar com dois grandes rios que desenham a região: o Pilcomayo e o Paraguai. Quando chove, a água corre pelas quebradas, com tanta força, que destrói tudo o que encontra em seu caminho. Os aquíferos do Chaco enfrentam também problemas de contaminação, o que, no passado, gerou tensões e a necessidade de uma atuação coordenada dos países da região.

África Ocidental

Quando o nível dos enormes rios da África ocidental começaram a diminuir, as economias da área, em geral, começaram a sofrer. Gana, por exemplo, tornou-se totalmente dependente do abastecimento hidrelétrico da represa de Akosombo, sobre o rio Volta. Mali, um dos países mais pobres do planeta, depende do rio Níger, que corre da Guiné à Nigéria. Mali depende deste rio para alimentos, água e transporte, mas grandes porções dele enfrentam agora o risco de catástrofes ambientais, em razão da contaminação. Na Nigéria, a metade da população não tem acesso a água potável e, como em muitas partes do continente, muitas mulheres têm de caminhar várias horas diariamente para poder consegui-la.

Sul da África

pt.wikipedia.org
A bacia hidrográfica do rio Zambeze, no sul da África, é um dos sistemas fluviais mais sobreutilizados do mundo. Os países que compõem a bacia normalmente competem pelas águas do Zambeze, ainda que muitas vezes têm também sofrido inundações e chuvas torrenciais. A região experimentou, em março de 2000, as piores inundações dos últimos tempos, quando as águas ultrapassaram a represa de Kariba em Zimbabwe.

Nilo

Um noticiário das Nações Unidas prevê que o acesso de água talvez seja uma das principais causas de conflito e guerra na África, nos próximos 25 anos. Tais guerras, provavelmente, aconteçam mais em zonas onde os rios e lagos são compartilhados por mais de um país. Atualmente, já existe uma forte competição pela água para irrigação e geração de energia, especialmente na bacia do rio Nilo. Egito advertiu, em 1991, que está pronto a utilizar a força para proteger seu acesso às águas do Nilo, que também é compartilhado por Etiópia e Sudão. Se a população destes países continua crescendo, a competição pela água poderá tornar-se ferrenha.

Oriente Médio

mapauniversal.wordpress.com

A água é o recurso mais precioso no Oriente Médio, mais importante, inclusive, do que o petróleo. As águas do rio Jordão foram uma das principais causas da guerra de 1967. Enquanto a população da região aumenta, a água se torna mais escassa, agravando as tensões. Os libaneses têm acusado Israel, há tempos, de ter plantações sobre o rio Litani e Síria acusa aos israelenses de resistirem a retirar das costas do mar de Galiléia a fonte de cerca de 30% da água israelense. Os israelenses na Cisjordânia, utilizam quatro vezes mais água do que seus vizinhos palestinos, que têm acesso mais restrito a esse líquido vital.

Turquia

www.mundoeducacao.com

Turquia tem sido acusada por Síria e Iraque de arrebatar-lhes o líquido vital, a água, ao continuar construindo uma série de represas ao longo do Tigres e Eufrates. O país também está embarcando em um ambicioso projeto de venda das águas de seu rio Manavgat ao Oriente Médio.

Europa

Mais da metade das cidades europeias exploram a água subterrânea de forma insustentável. A escassez crônica de água já está afetando a 4,5 milhões de pessoas na Catalunha, onde as autoridades pressionam para que se construa um aqueduto para desviar as águas de Ródano, na França, para Barcelona.

Mar de Aral

www.libertaddigital.com

O mar de Aral, na Ásia Central um dia foi o quarto lago interior maior do mundo e uma das regiões mais férteis do planeta. Na verdade, o mau manejo econômico tem convertido a área em um deserto tóxico. Os dois rios que o alimentam, o Amu Daria e o Sir Daria, foram desviados de acordo com um plano soviético para cultivar algodão no deserto. Entre 1962 e 1994, o nível do Mar de Aral caiu 16 metros. A região circundante agora tem uma das taxas de mortalidade infantil mais alta do mundo. Além disso, a anemia e os cânceres, causados pelos despejos químicos sobre o leito seco do mar, são agora comuns.

Rio Ganges

www.globalizate.org

O volume do rio sagrado dos hindus, o Ganges, tem baixado de tal forma que os pântanos e manguezais de Bangladesh estão correndo perigo de secar. Também foram registrados altos níveis de arsênico em suas águas. Ao mesmo tempo em que prossegue o desmatamento e aumentam as construções ao longo das margens do Ganges, os glaciais de onde nasce estão se derretendo. Isto pode provocar mais baixas de água e seca, rio abaixo. Como se não bastasse, o Ganges tem sido objeto de um longo litígio entre Índia e Bangladesh ainda que recentemente tenha havido avanços sobre a compartimentação da via fluvial vital.

China

yedaseveral.com.br

Os três rios que alimentam as planícies do norte da China estão altamente contaminados, causando prejuízos à saúde e limitando a irrigação das lavouras. Nas áreas baixas do rio Amarelo, não correu um só gota durante 226 dias em 1997. O norte da China abriga a dois terços dos campos de lavoura do país, mas somente a quinta parte de seus recursos hídricos. À medida que aumenta de forma desmedida a demanda por água, por parte das cidades, indústria e agricultura, a terra está secando. Somente entre 1991 e 1996, as reservas de água subterrânea, no norte da China, diminuíram numa média de 1,5 metros por ano.


Austrália

gemoc.mq.edu.au

A Austrália é o continente mais seco do mundo. Seus colonos buscaram, durante anos, a possibilidade de reverter o fluxo dos rios costeiros para o interior do território. Um plano ambicioso para redirigir o volume do rio Snowy terminou em um fracasso, ameaçando a cidade de Adelaide com a privação de água potável. A região que agora abastece esta via fluvial também é abastecida pelos rios Murray e Darling. Como resultado, as reservas de água subterrânea estão aumentando de forma desproporcional, levando a concentrações de altas quantidades de sal na superfície, o que já destruiu parte dos terrenos mais férteis do país. A bacia de Murray e Darling abastece a três quartos da água utilizada para irrigação na Austrália. Os ecossistemas aquáticos tornam-se cada vez mais indispensáveis à vida pois estão relacionados às mais variadas atividades humanas como a obtenção de alimento, de energia elétrica, o abastecimento doméstico e industrial, o lazer e a irrigação entre outras.

Cerca de 70% da água consumida mundialmente, incluindo a desviada dos rios e a bombeada do subsolo, são utilizados para irrigação. Aproximadamente 20% vão para a indústria e 10%, para as residências.

agro.gazetadopovo.com.br

Conforme a população rural, tradicionalmente dependente do poço da aldeia, muda-se para prédios residenciais urbanos com água encanada, o consumo de água residencial pode facilmente triplicar. A industrialização consome ainda mais água que a urbanização.

Problemas de água no Oriente Médio, norte da África, Ásia Central, no Saara africano e, porque não dizer, em algumas regiões brasileiras para a instalação de indústrias e até mesmo de novos municípios. Assim, a possibilidade de guerras localizadas, pelo controle dos recursos hídricos, não está se tornando uma ficção, mas, sim, possível de acontecer, até com razão, pois grandes reservas de água estão em regiões fronteiras. Mais de 1,2 bilhão de pessoas não dispõem de água potável para uso doméstico; 15 milhões de crianças morrem por ano por falta de água tratada; e 80% das doenças e 30% das mortes são causadas por água contaminada.

Para comparar, basta dizer que o consumo brasileiro per capita diário está estimado em 200 litros; o país possui 12% das reservas mundiais, porém 68% dos mananciais se concentram na Amazônia, com 5% da população. Sobram 22% para 95% dos brasileiros. A perda com água tratada chega a 40% no país, 1/3 da população não tem rede de água e 60% não possuem esgoto.

75% são usados em irrigação, 15% pelas indústrias e 5% consumidos pelos seres vivos terrestres.



ambientes.ambientebrasil.com.br


DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA ÁGUA

1 - A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão, é plenamente responsável aos olhos de todos.

2 - A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura.

3 - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

4 - O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

5 - A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

6 - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

7 - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

8 - A utilização da água implica em respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

9 - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

10 - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

Fonte :aguahojeesempre.blogspot.com/2011/09/...da-agua-na-economia-dos.html