quinta-feira, 5 de novembro de 2015
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
PREVISÃO CLIMÁTICA PARA O BRASIL EM 2040.
País poderá viver drama climático em 2040, indicam estudos da Presidência
Publicado em novembro 4, 2015
Em 25 anos, Brasil conviverá com calor extremo, falta d’água e de energia, queda na produção agropecuária, doenças e prejuízo por ressacas, sugere maior levantamento já feito sobre impactos do clima
Por Claudio Angelo e Cíntya Feitosa, do Observatório do Clima
Daqui a apenas 25 anos, no tempo de vida da maior parte dos leitores deste texto, o Brasil poderá ter seu cotidiano e sua economia transformados – para pior – pela mudança do clima. Secas violentas impedirão o parque hidrelétrico de gerar energia para atender à população e tornarão fúteis investimentos bilionários em barragens na Amazônia. Culturas como a soja poderão ter redução de até 39% em sua área. A elevação do nível do mar deixará exposto a alto risco de destruição um patrimônio imobiliário de até R$ 124 bilhões apenas na cidade do Rio de Janeiro. Mais idosos morrerão por ondas de calor, especialmente no Norte e no Nordeste
As más notícias vêm do maior estudo já realizado sobre impactos da mudança climática no Brasil. Trata-se do “Brasil 2040 – Alternativas de Adaptação às Mudanças Climáticas”, encomendado pela Secretaria de Estudos Estratégicos da Presidência da República a diversos grupos de pesquisa do país e divulgado nesta quinta-feira (29/10), sem alarde, na página do extinto ministério na internet. O Ministério do Meio Ambiente, que herdara o estudo após a demissão de seus idealizadores pela SAE em março, se preparava para publicá-lo nos próximos dias.
O trabalho busca entender como o clima poderá variar no Brasil nos próximos 25, 55 e 85 anos, de forma a embasar políticas públicas de adaptação em cinco grandes áreas: saúde, recursos hídricos, energia, agricultura e infraestrutura (costeira e de transportes).
Os cenários para os diversos setores foram construídos a partir de dois modelos climáticos globais usados pelo IPCC, o painel do clima das Nações Unidas, e regionalizados para o Brasil pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Esses modelos são grandes simulações da Terra, onde são incluídas variáveis como vento, oceanos e florestas. Alimentando-os com dados sobre a taxa de emissões de gases de efeito estufa, eles conseguem estimar como o clima vai variar nas próximas décadas ou séculos.
Os modelos do IPCC têm a vantagem de enxergar o planeta inteiro, porém são “míopes”: eles dividem o mundo em células de 200 km x 200 km, grandes demais para permitir investigar variações climáticas dentro de uma região geográfica menor ou um país. O que o INPE fez foi usar dois desses modelos e aumentar sua resolução para 20 km x 20 km, dando um zoom na América do Sul. Isso permitiu montar pela primeira vez cenários detalhados de chuva e temperatura para as próximas décadas no Brasil.
Dois modelos foram utilizados: o britânico HadGEM-2 e o japonês Miroc-5. Por uma questão de personalidade matemática, por assim dizer, ambos “enxergam” o clima no futuro de jeitos diferentes: o britânico tende a apontar um mundo mais seco no futuro, enquanto o japonês vê um mundo mais chuvoso.
Cada modelo, por sua vez, foi rodado em dois cenários de emissão de gases de efeito estufa do IPCC, as chamadas “trajetórias representativas de concentração”: o RCP 8,5, que assume que a humanidade não fará nada para controlar as emissões de CO2; e o RCP 4,5, que assume esforços limitados de controle de emissões, mas ainda fora da trajetória dos 2oC considerados o limite máximo “seguro” de aquecimento.
O que a modelagem revelou foi que, em todos os cenários, o Brasil de 2040 será um país mais quente e mais seco. As temperaturas médias nos meses mais quentes do ano podem subir até 3oC em relação às médias atuais no Centro-Oeste. A região Sul tende a ficar mais chuvosa, enquanto o Sudeste, o Centro-Oeste e partes do Norte e Nordeste teriam reduções nas chuvas, em especial nos meses de verão.
O primeiro efeito disso é uma redução na vazão dos rios que abastecem a maior parte da população brasileira, como mostraram os estudos sobre recursos hídricos do “Brasil 2040”.
Um grupo liderado por Francisco de Assis Souza e Eduardo Martins, da Universidade Federal do Ceará e da Fundação Cearense de Meteorologia, usou os dados de chuva para construir um modelo de vazão – não é possível estimar quanto um rio enche ou seca apenas olhando para a média de chuvas.
O resultado é dramático para quem acha que o Sudeste do Brasil já sofreu o suficiente com falta d’água e ameaça de racionamento de energia nos últimos três anos: no melhor cenário, vários rios de Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Tocantins, Bahia e Pará terão reduções de vazão de 10% a 30%.
Transpostos para as usinas hidrelétricas, os dados de vazão trazem um desafio para o setor de energia no Brasil: as mais importantes usinas do país – Furnas, Itaipu, Sobradinho e Tucuruí – teriam reduções de vazão de 38% a 57% no pior cenário.
Na Amazônia, região eleita pelo governo a nova fronteira da hidroeletricidade no país, as quedas também seriam significativas, como adiantou o OC em abril: a vazão de Belo Monte cairia de 25% a 55%, a de Santo Antônio, de 40% a 65%, e a da usina planejada de São Luís do Tapajós, de 20% a 30%.
HIDRELÉTRICAS EM COLAPSO
À exceção de São Luís, a maioria das novas usinas na Amazônia é a fio d’água, ou seja, não possui grande reservatório. Isso significa que seu fator de capacidade, ou seja, a quantidade de energia constante gerada ao longo do ano, é reduzido, já que a vazão dos rios amazônicos varia enormemente entre a estação da seca e a da chuva. Belo Monte, por exemplo, tem um fator de capacidade de cerca de 40%, que, reduzido à metade, daria à hidrelétrica de R$ 30 bilhões um fator de capacidade menor que o de usinas eólicas – para as quais os planejadores energéticos brasileiros e a presidente Dilma Rousseff torcem o nariz, já que essas usinas não são capazes de gerar “energia firme” nos períodos sem vento. No total, a geração hidrelétrica cai de 8% a 20% no país.
“O planejamento energético precisa ser revisto urgentemente à luz dos dados do ‘2040’, sob pena de a sociedade enterrar bilhões de reais em projetos que não se pagam”, disse Carlos Rittl, secretário-executivo do OC.
Os dados de Martins e Souza foram utilizados por uma equipe de pesquisadores da Coppe-URFJ liderada por Roberto Schaeffer para analisar o que acontece com a eletricidade do Brasil nos próximos 25 anos caso se confirmem os cenários de mudança do clima.
O grupo usou em sua análise, por sua vez, dois modelos computacionais: um deles leva em conta a matriz energética, a demanda por eletricidade e o crescimento do PIB para estimar o comportamento do sistema elétrico brasileiro – que fontes crescem na matriz, que fontes diminuem, de acordo com o custo e o fator de capacidade. O outro modelo simula como as usinas hidrelétricas e termelétricas operam no mundo real de acordo com a disponibilidade de água nos reservatórios.
A principal conclusão do estudo de Schaeffer e colegas é filosófica: o planejamento elétrico no Brasil não poderá mais ser feito como vem sendo. Hoje, os responsáveis pelo setor no governo trabalham segundo a filosofia do “estado estacionário” de variáveis climáticas, ou seja, o comportamento dos rios no futuro seguirá o comportamento do passado.
“Não dá mais para fazer isso. O futuro não vai obrigatoriamente repetir o passado”, disse Schaeffer ao OC.
A análise dos pesquisadores mostra que, em todos os cenários analisados, há uma queda na vazão das principais bacias hidrográficas brasileiras, que empurra o sistema elétrico para uma situação de desequilíbrio estrutural: o sistema não dá conta de atender a demanda, provocando cortes de carga – em português claro, apagões.
Sem medidas de corte de emissões (ou seja, no RCP 8,5), no pior cenário, a vazão dos reservatórios cai 30% e o risco de déficit em alguns anos se aproxima de 100% – a margem considerada “segura” pelo governo para evitar apagões é de 5%. No melhor cenário, a queda de vazão das hidrelétricas chega a 10%, e o risco de déficit, a 60% em alguns anos. O custo de operação do sistema, que leva em conta inclusive o acionamento de térmicas, sobe em oito vezes no melhor cenário e em 16,7 vezes no pior.
A consequência do colapso das hidrelétricas é o aumento do uso de carvão mineral e gás natural na matriz brasileira, o que tanto aumenta o custo de operação do sistema quanto as emissões de carbono, agravando ainda mais o efeito estufa. Outra consequência pode ser o retorno das usinas com grandes reservatórios, em especial na região Sul, onde vai chover mais.
Os resultados surpreenderam até os pesquisadores. “Se isso acontecer, o país para se não tiver um seguro”, disse Schaeffer.
Parte desse “seguro” não depende apenas do Brasil: é o corte de emissões dentro de um acordo global do clima. Segundo o estudo, somente o custo de expansão do sistema elétrico cairia em R$ 122 bilhões entre o cenário RCP 8,5 (sem mitigação da mudança do clima) e o cenário RCP 4,5 (com mitigação).
O “seguro” cabe ao país contratar, segundo o pesquisador, é a adaptação do sistema. E a melhor maneira de adaptar, curiosamente, é reduzindo emissões: aumentando em muito a eficiência energética e o uso de renováveis, de modo a reduzir a dependência de termelétricas fósseis e de hidrelétricas, e colocando um preço nas emissões de carbono – não necessariamente uma taxa, Schaeffer apressa-se a dizer.
Os dados de energia e recursos hídricos do “Brasil 2040” foram apresentados ao governo federal ao longo do ano e recebidos com algumas críticas – o estudo da UFCE foi considerado “alarmista” pela própria SAE.
“Uma crítica que a gente pode receber é que há incerteza. Mas também há incerteza sobre se você vai ficar doente, e nem por isso você deixa de fazer um plano de saúde”, compara Roberto Schaeffer.
MICO NO MAPITOBA
Os relatórios sobre agricultura, elaborados por equipes da Embrapa e do Agroicone, também devem causar arrepios no governo. Eles mostram que a maior aposta da ministra Kátia Abreu (Agricultura) para a futura expansão da produção no país, o chamado Mapitoba (uma zona de cerrados entre Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia), pode virar um mico na mão de investidores.
Uma das análises aponta para a tendência de desvalorização das terras por decorrência das mudanças na produção e aumento do risco climático. Em Pernambuco, as terras podem perder até 43% do seu valor. No Pará, a perda pode ser de até 36%.
No estado do Maranhão, as perdas podem variar de 2% a 16%, no Tocantins de 14% a 26% e de 3% a 14% no Piauí. Um dos cenários aponta valorização das terras na Bahia, mas esse estado também pode ter perdas de 5% no valor das terras.
Os impactos das mudanças do clima na agricultura podem levar a perdas de área agriculturável em quase todas as culturas avaliadas – o efeito mais grave deve recair sobre a área de cultivo de soja, com perdas de até 39%. O feijão, arroz e milho safrinha podem ter redução de área cultivável de 26%, 24% e 28%, respectivamente.
No caso da cana-de-açúcar, as áreas cultiváveis podem aumentar, por ser um gênero que precisa de calor, em especial para a produção de etanol. Porém, o cultivo deve migrar para regiões que hoje são mais frias. A produção de mandioca deve sair do Nordeste, muito seco, e migrar para áreas de Cerrado e Amazônia. O caupi, ou feijão-de- corda, já está migrando do Nordeste para o Centro-Oeste.
A pesquisa sugere que a própria dinâmica do mercado vai ser uma das medidas de adaptação: a redução de áreas aptas para produção deve afetar os preços das commodities agrícolas; as regiões de maior aptidão produtiva devem responder positivamente, enquanto outras regiões deverão perder produção; haverá impactos sobre os preços ao produtor e ao consumidor final; novos equilíbrios de oferta, demanda e preços serão gerados, influenciando na produção.
CALOR
O capítulo de saúde, que não está entre os relatórios disponibilizados pela SAE mas ao qual o OC teve acesso, avaliou apenas os impactos das ondas de calor sobre taxas de mortalidade. Os efeitos são heterogêneos, de acordo com a faixa etária, clima regional e as condições de saneamento. Os idosos são o grupo populacional mais vulnerável, enquanto na avaliação por região, Norte e Nordeste devem ser as mais afetadas.
No Tocantins, por exemplo, o aumento do número de mortes entre idosos pode chegar a 9%, em decorrência de doenças respiratórias agravadas por ondas de calor. Rio Grande do Norte e Paraíba também devem ter aumento superior a 5% nos índices de mortalidade no mesmo grupo.
“Temos o dado demográfico: a população vai envelhecer. Então, o Brasil vai se tornar mais vulnerável às mudanças do clima”, diz o coordenador do estudo, José Feres, do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas).
O estudo também alerta para a disseminação de doenças infecciosas endêmicas, que podem aumentar de acordo com as condições climáticas, como malária, dengue e leptospirose. Outra preocupação são eventos climáticos extremos como tempestades, ocasionando inundações, afogamentos, desabamentos, aglomerações, entre outros. “Nossa principal recomendação é a criação de um sistema de alerta para ondas de calor e outros eventos climáticos extremos. É uma medida simples, mas que o Brasil ainda não tem”, diz Feres.
ESTRADAS RUINS
A avaliação dos impactos sobre a infraestrutura de transportes traz a informação que os brasileiros que viajam de carro ou ônibus já sabem: nossa malha rodoviária já é ruim. Mas pode piorar. O estresse por chuvas intensas, acúmulo de umidade e altas temperaturas demanda altos investimentos em adaptação.
Combinando informações sobre sinalização, qualidade do asfalto e condições das rodovias, elaborou-se o Índice de Vulnerabilidade da Infraestrutura Rodoviária (IVIR). Quanto mais alto, mais vulneráveis são as rodovias. Observando os mapas, é possível comparar o número de rodovias vulneráveis hoje e em 2040.
As regiões Sudeste e Sul, que hoje já apresentam estradas em boas condições, serão as menos afetadas. Atualmente, apenas oito estados apresentam segmentos vulneráveis, contra 22 estados no cenário futuro, além do Distrito Federal. A região Nordeste é campeã em vulnerabilidade, em especial no litoral – tanto pela possibilidade de aumento de temperaturas quanto pelas condições das rodovias.
“No Brasil, não há um banco de dados consistente sobre os efeitos de eventos climáticos na infraestrutura rodoviária e não há indícios de que essa situação irá mudar no curto prazo”, diz o relatório. “Tal banco de dados é importante para determinar a resiliência atual e para prover a base para estudos sobre impactos relacionados ao clima futuros.”
A análise ressalta que os custos de adaptação e reparos podem ser muito superiores à economia feita com obras mais baratas, que não serão satisfatórias em médio e longo prazo. Também recomenda o desenvolvimento de estudos sobre o risco de afogamento da infraestrutura rodoviária em decorrência de chuvas fortes, em todo o território nacional.
“São soluções de engenharia tradicional, mas que sairão caríssimas por causa do tamanho da rede”, disse Sérgio Margulis, economista carioca que idealizou o “Brasil 2040”.
OLHA A ONDA
A equipe do engenheiro Wilson Cabral Jr., do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) também criou um índice de vulnerabilidade para a infraestrutura costeira e portuária do Brasil, na tentativa de estimar o que aconteceria com o litoral em caso de elevação do nível do mar conforme previsto pelo IPCC.
Os pesquisadores tiveram de lidar com um problema adicional: a absoluta falta de informações sobre como o nível do mar vem subindo no país nas últimas décadas e sobre como as ondas vêm ficando mais fortes. “A rede de marégrafos no Brasil é incipiente, e a de ondógrafos mais ainda”, disse Márcia Oliveira, coordenadora de Gerenciamento Costeiro do Ministério do Meio Ambiente.
Segundo Cabral, nem mesmo as bases de dados usadas para estimar a altimetria (a altura do terreno acima do nível do mar) e a batimetria (o perfil do fundo oceânico), dois dados que precisam ser combinados para informar a elevação da lâmina d’água e o risco de inundação, conversam entre si. Há um erro sistemático nas medições que os pesquisadores não conseguem nem mesmo estimar.
Cabral e seu aluno Vítor Zanetti usaram, então, as projeções de nível do mar do IPCC para estimar risco de alagamento e ressacas em Santos e no Rio de Janeiro. Um outro grupo, da USP, estimou o impacto nos portos e as medidas de adaptação necessárias.
Os resultados mostram que quase todos os portos do país precisam já hoje de medidas de adaptação, seja para aumentar a chamada “borda livre”, o espaço seco entre o cais e a água, seja para aumentar o calado por causa de assoreamento. O custo dessas medidas, que inclui a construção de quebra-mares, foi calculado em R$ 7 bilhões – mais do que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) investiu em portos.
Para Santos e para o Rio, foram mapeadas as zonas em risco alto e muito alto de deslizamento, ressaca e inundação, o que inclui hospitais e a infraestrutura de transporte público, além de estações de tratamento de esgotos. A Linha Vermelha, no Rio, está longe da praia, mas deve alagar com frequência ainda maior devido ao efeito de “barragem” que o mar mais alto exerce sobre os canais que a rodovia cruza. O quadro que emerge nas duas cidades é o de colapso urbano em caso de ressacas e inundações muito graves no futuro. Apenas no Rio, o patrimônio imobiliário sob alto risco foi estimado em R$ 124 bilhões.
"É de se esperar que tomadores de decisão, em seus diversos níveis, tenham conhecimento destes estudos e resultados e possam utilizá-los em abordagens de planejamento de curto, médio e longo prazos”, escreveram os pesquisadores.
in EcoDebate, 04/11/2015
PEC 215 : CONGRESSO DECIDE SOBRE TERRAS INDÍGENAS.
Saiba porque a 215 é a PEC do Mal, artigo de Montserrat Martins
Publicado em novembro 3, 2015

Foto: CIMI
[EcoDebate] Você, que não suporta política, o que tem a ver com a PEC 215? Que diferença faz se o Congresso assume o poder de regulamentar as terras indígenas? Você, que não tem nada a ver com isso, vai sofrer mais desequilíbrio climático, secas ou inundações, calor ou frio em excesso, sabe porque? O Congresso está dominado por ruralistas que cobiçam essas mesmas terras, que também são reservas naturais. Menos áreas protegidas, mais desmatamento, mais desequilíbrio climático para todos nós.
Meia dúzia de donos de terras para soja e gado se beneficiam desse desmatamento na Amazônia, milhões de pessoas no país sofrem os efeitos dessa ganância. Se essa é uma prática comum, porque a PEC 215 mudaria alguma coisa? Hoje as reservas indígenas estão regulamentadas e o governo é responsável por elas, o que torna qualquer governo alvo de críticas caso descumpra suas obrigações. A PEC 215 não garante mais essas áreas, deixando ao Congresso essas decisões.
O ator Johny Deep disse que quer comprar terras para garantir essas reservas, mas é claro que algumas iniciativas individuais desse tipo não são suficientes para resolver o problema. Porque é mais fácil ao Congresso que ao Governo entregar terras para a cobiça dos poderosos? Porque no Congresso, as responsabilidades são diluídas entre centenas de deputados, uma música brasileira já consagrou a frase dos “300 picaretas” que haveria no Congresso. O governo é alvo de pressões não só da população, como até de pressões internacionais, quando atenta contra a sobrevivência indígena e das florestas. Diluindo responsabilidades, dificulta-se os protestos.
Para qualquer governo é uma conta alta a ser cobrada o genocídio indígena, que já dura cinco séculos, sucumbindo aos interesses predatórios imediatistas. Por isso, a estratégia “do Mal” da PEC 215 é tirar essa responsabilidade das mãos do governo e colocá-la nas mãos desse Congresso, altamente influenciável por interesses escusos, da ganância de alguns poucos sobreposta aos interesses de todos nós.
Nesta última semana de outubro a Comissão Especial de Demarcação das Terras Indígenas do Congresso deu parecer favorável à PEC 215, após 15 anos de tramitação. O momento político vem sendo favorável ao retrocesso dos direitos da população, que ingenuamente não fiscaliza com a mesma atenção o Congresso do que o governo. Basta ver que Cunha, flagrado em corrupção com provas na Suíça, não enfrenta ainda protestos comparáveis aos contra o governo.
Deter o genocídio dos povos indígenas, com a perda de sua cultura também, é uma causa de valor inestimável. Infelizmente nossa população, com tantas carências em educação, não se dá conta disso. Exterminando os povos que vivem em equilíbrio com a natureza extinguimos esta também, e é disso que precisamos nos dar conta.
Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é médico psiquiatra, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e presidente do IGS – Instituto Gaúcho da Sustentabilidade.
in EcoDebate, 03/11/2015
domingo, 1 de novembro de 2015
SANTA CATARINA : VERÃO 2016 E O EL NIÑO.
Verão de 2016 será mais quente que o comum em SC em razão do El Niño
Previsão foi divulgada pelo Fórum Climático Catarinense, que destaca que a chuva causada pelo fenômeno se concentra na primavera

Tempo chuvoso deve dar lugar ao calor a partir de dezembroFoto: Charles Guerra / Agencia RBS
Julia Ayres
Quem espera e gosta de calor no verão tem uma boa notícia. O Fórum Climático Catarinense se reuniu na última quinta-feira para fechar as análises para o próximo trimestre e aponta que o verão de 2016 terá temperaturas mais altas do que o padrão para a época.
Iniciativas de prevenção de desastre ficam para 2016
Entenda o fenômeno El Niño
Isso será causado pelo El Niño, fenômeno que se forma a partir do aumento das temperatura das águas no Oceano Pacífico. Se na primavera ele significa mais chuva, no verão é mais calor:
— Em Santa Catarina, a influência do El Niño em termos chuvosos acontece na primavera do primeiro ano dele, ou seja 2015, e na do segundo ano, 2016. Já no verão, ele aparece com temperaturas mais altas — lembra o meteorologista do Grupo RBS, Leandro Puchalski.
Primavera permanece com chuva acima da média
Apesar de dezembro ser o pico do fenômeno climático, os maiores reflexos em termos de chuva serão vistos em terras catarinenses ainda em novembro. Segundo o Fórum Climático Catarinense, no mês de novembro, El Niño traz um acumulado de chuva acima do esperado para período. A média história para o mês gira em torno de 150 mm e 170 mm, com o Oeste chegando até 190 mm. Este ano, esse número deve aumentar.
— Ainda é precipitado dizer o quanto esse número pode ser maior do que o esperado, por isso é importante acompanhar diariamente as previsões, especialmente as áreas que normalmente são afetadas pelas chuvas — aponta a meteorologista da Epagri/Ciram, Marilene de Lima.
Em dezembro, os reflexos começam a diminuir em Santa Catarina. O acumulado de chuva caí e se torna mais mal distribuído pelas regiões.
Iniciativas de prevenção de desastre ficam para 2016
Entenda o fenômeno El Niño
Isso será causado pelo El Niño, fenômeno que se forma a partir do aumento das temperatura das águas no Oceano Pacífico. Se na primavera ele significa mais chuva, no verão é mais calor:
— Em Santa Catarina, a influência do El Niño em termos chuvosos acontece na primavera do primeiro ano dele, ou seja 2015, e na do segundo ano, 2016. Já no verão, ele aparece com temperaturas mais altas — lembra o meteorologista do Grupo RBS, Leandro Puchalski.
Primavera permanece com chuva acima da média
Apesar de dezembro ser o pico do fenômeno climático, os maiores reflexos em termos de chuva serão vistos em terras catarinenses ainda em novembro. Segundo o Fórum Climático Catarinense, no mês de novembro, El Niño traz um acumulado de chuva acima do esperado para período. A média história para o mês gira em torno de 150 mm e 170 mm, com o Oeste chegando até 190 mm. Este ano, esse número deve aumentar.
— Ainda é precipitado dizer o quanto esse número pode ser maior do que o esperado, por isso é importante acompanhar diariamente as previsões, especialmente as áreas que normalmente são afetadas pelas chuvas — aponta a meteorologista da Epagri/Ciram, Marilene de Lima.
Em dezembro, os reflexos começam a diminuir em Santa Catarina. O acumulado de chuva caí e se torna mais mal distribuído pelas regiões.

Fonte : ANotícia
EL NIÑO EM 2015 : CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS
Especialista Alemão Diz Que ‘El Niño’ Será Devastador A Partir De Novembro
Entre 2015 e 2016, o planeta sofrerá com as consequências de um super El Niño. É o que apresentou o professor alemão e especialista em aquecimento global, Donat-Peter Häder, nesta quarta-feira, 28, em Florianópolis, durante uma palestra promovida pela Secretaria de Assuntos Internacionais de Santa Catarina. Segundo Häder, os maiores efeitos serão registrados a partir novembro deste ano.
O El Niño é um fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico na costa da América do Sul. Segundo o professor, as medições apontam que este aquecimento será maior em 2015. Desde julho, o aumento é de 1°C. “É o dobro do aumento da temperatura das águas do Pacifico Leste em relações ao fenômeno de anos anteriores. Normalmente, o aumento é de 0,5°C grau por três meses. Este será um super El Ninõ”, detalhou Häder.
No El Niño, as correntes levam as águas quentes da superfície do Oceano Pacífico da costa da Austrália para a costa da América do Sul. Desta forma, as águas frias que vêm do Sul do continente americano não conseguem subir das camadas mais profundas do oceano para a superfície, como acontece normalmente. Isso gera alterações de pressão que mudam a dinâmica do clima em todo o planeta. “Algumas pessoas acreditam que o El Niño é um evento regional, mas na verdade afeta toda a Terra”, destacou o pesquisador. No La Niña, fenômeno que sucede o El Niño, as mudanças são opostas, com as águas geladas tomando espaço no centro do Oceano Pacífico.
Apesar das chuvas das últimas semanas, os efeitos do El Niño ainda não determinam as condições climáticas de Santa Catarina. Segundo Häger, os efeitos do fenômeno serão sentidos a partir de novembro em todo o mundo. Para a região Sul do Brasil, são esperadas chuvas acima da média. Na última vez em que o fenômeno esteve tão forte, registrou-se um aumento de 8 metros no nível do Rio Paraná. Já o Norte do país e região amazônica registrarão um período mais seco. O El Niño também deixa as temperaturas médias mais altas no país.
O secretário de Assuntos Internacionais, Carlos Adauto Virmond, ressaltou que o governo catarinense acompanha a evolução do El Niño para poder atuar na prevenção. “Foram feitos investimentos nos últimos anos para melhorar a prevenção aos desastres, como a instalação do Radar de Lontras e os estudos para a contratação de um novo radar para o Oeste, que vai ampliar a nossa capacidade de avaliação meteorológica, e também a construção do Centro de Monitoramento e Alerta de Santa Catarina”, listou Virmond.
No mundo, o El Niño trará chuvas para a Patagônia (Argentina), Califórnia, Índia, Paquistão, e leste áfrico; secas e incêndios florestais na Indonésia; grandes perdas agrícolas na Tailândia e redução da atividade pesqueira no litoral do Chile ao Peru; menos ciclones no Japão e Coréia do Norte e Sul e aumento destes em Guam.
Aquecimento global
De acordo com o Häger, 2015 será o ano mais quente da história. E não está sozinho: é a 13ª vez que se registra o recorde nos últimos 15 anos. “Quando olhamos para o futuro, tudo depende do que estamos fazendo”, alertou o pesquisador. “Se não fizermos nada, continuarmos o que estamos fazendo, acabaremos com um acréscimo de 6°C na temperatura global em uma comparação entre hoje e a última era glacial”, completou.
O evolução para cima da temperatura mundial coincide com a Revolução Industrial. Hoje a China assumiu a liderança das emissões dos gases causadores do efeito estufa, com os EUA em segundo lugar. “Quando olhamos o Brasil, podemos ver que não somos os maiores responsáveis [pelas emissões]”, disse Häger. A geração de energia em hidroelétricas e o uso do etanol ajudam no desempenho brasileiro, mas o desmatamento é um ponto negativo.
O aquecimento global pode causar, por exemplo, mortes de espécies da vida marinha, eventos climáticos catastróficos mais frequentes e fortes, e problemas na agricultura com estiagens e elevação nos níveis do oceano. A extensão dos efeito, segundo Häger, "dependerá muito da quantidade de gases causadores do efeito estufa que continuaremos emitindo”.
(Com informações da Secom/SC)
Fonte : CRICIUMANEWS
Fonte : CRICIUMANEWS
PREZI : TRABALHOS DOS TERCEIROS ANOS DO EM - 2015
TRABALHOS APRESENTADOS PELOS ALUNOS DO TERCEIRÃO DO COLÉGIO SALESIANO ITAJAÍ.
TREINANDO ACAFE 2015 - VESTIBULAR 100%.
AULA DE REVISÃO TREINANDO PARA O VESTIBULAR DA ACAFE
DISCIPLINA : GEOGRAFIA
PROFESSORA : Conceição Aparecida Fontolan
Tema: Treinando para o vestibular da ACAFE
01- A orientação e a localização no espaço geográfico são aspectos importantes não só para a Geografia, mas também para outras atividades humanas. Sobre estes aspectos, todas as alternativas estão corretas, exceto a:
(A) O sistema preciso de localização GPS (Global Positioning System) fornece as coordenadas geográficas a partir de sinais captados por satélites artificiais que giram em torno da Terra.
(B) Qualquer ponto da superfície terrestre pode ser localizado com auxílio das coordenadas geográficas baseado em linhas imaginárias, que são os paralelos e os meridianos.
(C) A latitude e a longitude são importantes apenas determinar a localização exata de um lugar, sendo que a segunda determina as zonas térmicas ou climáticas da Terra.
(D) A longitude é essencial para saber as diferenças de horário de um lugar para outro, diferenças estas que dependem do lugar em relação ao meridiano de Greenwich.
02- A litosfera é a camada sólida mais superficial de nosso planeta. Ela é formada por rochas e minerais e faz parte do cenário onde se desenvolve a vida, juntamente com outras camadas ou esferas.
Sobre a litosfera, todas as alternativas estão corretas, exceto a:
(A) A litosfera está dividida em placas tectônicas que flutuam sobre um material pastoso e cujos limites estão sempre em movimento, provocando instabilidades geológicas como vulcanismo e abalos sísmicos.
(B) As relações entre a litosfera, a atmosfera e a hidrosfera não interferem no modelado terrestre, não afetam o ciclo das águas e nem os fenômenos meteorológicos, pois cada camada ou esfera age independente uma da outra.
(C) Das três estruturas geológicas que aparecem na crosta terrestre, ou seja, os maciços ou escudos antigos, as bacias sedimentares e os dobramentos modernos, somente a terceira estrutura não existe no Brasil.
(D) As bacias sedimentares resultam de acúmulos de sedimentos em depressões a partir da era Paleozoica e nelas são encontrados os combustíveis fósseis como o carvão mineral e o petróleo.
03- A água é um recurso renovável, porém limitado.O seu uso vem aumentando consideravelmente, trazendo junto enorme preocupação. Cidade como São Paulo vem sentindo neste segundo semestre a falta desse líquido precioso.
Sobre a água, todas as alternativas estão corretas, exceto a:
(A) A região hidrográfica Amazônica, a mais extensa do Brasil, é atravessada pela bacia do rio Amazonas, dotada do maior potencial hidrelétrico, ainda pouco utilizado, mas já gerador de projetos polêmicos como a usina de Belo Monte, no rio Xingu.
(B) O modelo atual de desenvolvimento assegura a equidade no acesso à água em todo o mundo e, desta maneira, não há necessidade de alteração do processo em curso, cujas projeções futuras são favoráveis a todas as gerações.
(C) O aumento populacional do globo, o crescimento das cidades sem planejamento, o desperdício e a poluição dos recursos hídricos vêm reduzindo cada vez mais a disponibilidade de água no planeta.
(D) A utilização inadequada, a distribuição irregular na superfície terrestre e o consumo desigual entre os países e entre setores econômicos tornam o abastecimento de água mais preocupante para as futuras gerações.
04- Em setembro de 2000 foram aprovadas pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova
York, as resoluções da Declaração do Milênio. Nesse encontro, foram estabelecidas as Metas do Desenvolvimento do Milênio.
Sobre essas metas, todas as alternativas estão corretas, exceto a:
(A) O relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em setembro de 2014, apontou avanços na luta global contra a insegurança alimentar e colocou o Brasil fora do mapa da fome, embora ainda existam pessoas que sofrem restrição alimentar.
(B) A educação básica universal, uma das metas do Desenvolvimento do Milênio, deve ser buscada todos os dias e ela aparece na composição do cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, juntamente com a saúde e a renda per capita.
(C) A fome é uma das principais consequências da extrema pobreza e envolve também questões relacionadas à insegurança alimentar e à saúde, colocando-a, por isso, como o primeiro objetivo da Declaração do Milênio.
(D) Os avanços para atingir as Metas do Desenvolvimento do Milênio têm sido equilibrados e
iguais nas diferentes regiões do planeta, o que demonstra o empenho de todas as nações em alcançar e garantir a sustentabilidade para todos.
05- A evolução do processo histórico catarinense foi marcada por múltiplas determinações de ordem natural e humana, responsáveis pela estrutura socioeconômica que caracteriza o estado.
Sobre Santa Catarina, analise as afirmações a seguir.
I- A partir da vila de São Paulo, homens de posse deslocam-se com escravos e agregados pelo
litoral, na segunda metade do século XVIII, fundando ao longo da costa núcleos como São
Francisco do Sul (1658), Desterro (1673) e Laguna (1676), no atual litoral de Santa Catarina.
II- O avanço dos fluxos de povoamento pelas vastas extensões do planalto no sul do Brasil fez-se através das manchas de campos que, a partir de São Paulo, serviram de pontos de parada para descanso e alimentação do gado e dos tropeiros, responsáveis em Santa Catarina pelo surgimento de cidades como Lages.
III- Ao iniciar o Brasil independente, os vales fluviais da vertente do Atlântico começam a ser ocupados por imigrantes europeus a partir de 1829 quando estabelecem São Pedro de Alcântara e, anos depois, Blumenau e Brusque, no vale do Itajaí, além de Joinville no nordeste catarinense e de novas frentes que fundam colônias menores.
IV- A bacia do rio Itajaí-Açu sofre constantes inundações motivadas pela configuração da bacia, pela alta declividade de alguns cursos d’água que nascem na serra Geral e pela baixa declividade que existe desde Blumenau até a foz, além da alteração na vegetação e da ocupação desenfreada de encostas e de solos urbanos.
V- O caminho dos Príncipes é um roteiro turístico catarinense importante que preserva costumes e tradições dos imigrantes alemães, com destaque para Lages, cidade e polo industrial importante, onde são realizadas a Festa do Pinhão e da Maçã, sendo tal roteiro um ótimo destino para quem aprecia as águas termais existentes em vários municípios.
Todas as afirmações corretas estão em:
(A) II - III - IV
(B) III - V
(C) III - IV - V
(D) IV - IV
06- Com relação a atualidade, todas as alternativas estão corretas, exceto a:
(A) O Brasil sediou em julho de 2014, na cidade de Fortaleza (Ceará), a cúpula dos BRICS, sigla que representa o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul, na qual ficaram estabelecidos os acordos reforçadores com o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, bem como medidas facilitadoras para a Organização Mundial do Comércio.
(B) O Oriente Médio, berço de três religiões monoteístas mais praticadas no mundo, é uma região muito importante do ponto de vista econômico, por abrigar imensos recursos naturais, e do ponto de vista geopolítico, por se localizar entre a Europa, África e Ásia, além de ser palco de conflitos étnico-religiosos.
(C) O desejo de soberania, de ter seu próprio território e administrar seu próprio destino, leva comunidades nacionais a lutar pela separação, algumas com conflito e outras de forma pacífica, como é o caso de Israel/Palestina e o da Escócia, respectivamente.
(D) Duas fronteiras geopolíticas muito vigiadas destacam-se como pontos de tensão por causa da entrada de imigrantes: a fronteira México-Estados Unidos e a relativa aos africanos que procuram a ilha de Lampedusa, no sul da Itália, conhecida como a “porta da Europa”.
07- Leia atentamente as afirmações a seguir, considerando o mapa da América do Sul.
Mapa Adaptado.
Fonte: ALMEIDA, Lúcia M. A. de: RIGOLIN, Tércio. Fronteiras da globalização: o espaço brasileiro: natureza e trabalho – 2ª edição- SP: Ática, 2013. (adaptado).
I As fronteiras terrestres limitam-se territorialmente com os países da América do Sul, exceção ao Chile e ao Equador e, dentro da política de soberania e segurança nacionais, destaca-se o conceito de Faixa de Fronteira que compreende uma extensão interna de cerca de 150 km de largura ao longo dessas fronteiras terrestres, de vital importância à Soberania Nacional.
II O estado de Santa Catarina, em destaque no mapa, está localizado na região subtropical, cujas latitudes são menores que a do Trópico de Capricórnio, nº 2, e faz limite a leste com a Argentina, nº 3, país recém saído do MERCOSUL.
III A tropicalidade, característica da maior parte do Brasil, abarca terras no hemisfério Sul, entre o Trópico de Capricórnio, nº 2, e o Equador, nº 1, e um percentual pequeno de terras no hemisfério norte.
lV A letra A indica a região de clima subtropical do sul do Brasil com atuação dominante de duas massas de ar: a Tropical continental, quente e úmida, e a Polar atlântica, cuja influência no inverno provoca ondas de frio e formação de geada, podendo ocorrer neve nas áreas de maior altitude.
V Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, este com o nº 4, são estados que já produzem energia eólica a partir de aerogeradores, como é o caso de Água Doce e Bom Jardim da Serra, no primeiro estado e Osório no segundo.
Todas as afirmações corretas estão em:
(A) IV - V
(B) II - IV - V
(C) I - III - V
(D) I - II - III
08- A dinâmica da natureza esculpe o espaço natural,edificando e reconstruindo ao longo do tempo histórico do planeta. Porém, esse mesmo espaço natural é alterado pelas ações humanas. Mesmo com toda a tecnologia, as atividades humanas ainda são influenciadas por fenômenos naturais.
Tendo em vista o exposto acima, todas as alternativas estão corretas, exceto a:
(A) Santa Catarina é o estado brasileiro que vem apresentando uma variedade muito grande de fenômenos naturais geradores de calamidades públicas ou situação de emergência, como foram os tornados em Xanxerê e Ponte Serrada, em abril deste ano, furacão Catarina em 2004, enchentes constantes, como as do Vale do Itajaí, dentre outros.
(B) O método e a forma de abordar a submissão da natureza pelo ser humano estão sendo modificados nas conferências internacionais, cujo foco passou a ser mudanças climáticas, bem como um novo projeto em que a lógica de mercado dá lugar a uma sociedade global consciente e harmônica em relação ao ambiente sócio-natural.
(C) As mudanças climáticas em vigor exigem novos paradigmas e alternativas que superem a lógica do mercado, além de um necessário planejamento que reinvente o espaço urbano, sobretudo os locais de maior vulnerabilidade, habitados pela faixa mais pobre da população.
(D) A crise hídrica que se manifesta no Brasil nos primeiros meses deste ano, e muito forte no Sudeste brasileiro, serve para repensar políticas e ações ambientais como a conservação de mananciais, a poluição dos rios marcantemente em trechos urbanos, além do desperdício individual e de distribuição da água.
09- “As projeções cartográficas permitem representar uma superfície curva em uma superfície plana. (...) Mas a representação nunca será perfeita. Teremos sempre uma deformação...”
Fonte: ALMEIDA, Lucia M. A. de; RIGOLIN, Tércio Barbosa. Fronteiras da globalização: o mundo natural e o espaço humanizado. 2ª ed. – São Paulo: Ática, 2014
Considere o mapa a seguir:
Fonte: Atlas Geográfico Escolar/IBGE. Rio de Janeiro: IBGE,2002. In: SERRANO; WALDMAN, 2007 (adaptado). Sobre as projeções cartográficas e tendo como base o mapa acima e correto afirmar, exceto:
(A) É uma projeção conforme, pois não deforma os ângulos, apresentando, no entanto, distorções no tamanho das áreas representadas, como é o caso da projeção de Mercator acima.
(B) A Projeção de Mercator referenciada acima é elaborada no século XVI apresenta a Europa superdimensionada, a África e a Groenlândia com territórios equivalentes e a América do Sul dimensionalmente menor do que a Groenlândia.
(C) Esta projeção mostra uma visão de mundo eurocentrista, valorizando a Europa e seus aspectos políticos e culturais.
(D) Esta projeção é cilíndrica e equivalente, já que ressalta a ideia de desigualdade entre os povos, destaca os países desenvolvidos e sacrifica as formas continentais.
10- A crosta terrestre e formada por placas tectônicas que se movimentam em várias direções. O mês de abril de 2015 apresentou fenômenos relacionados a movimentação dessas placas tectônicas.
Sobre essas placas e os fenômenos originados, todas as alternativas estão corretas, exceto a:
(A) O vulcanismo e os abalos sísmicos são fenômenos geológicos restritos a bacia do Pacifico, onde há limites de placas convergentes e divergentes, sendo por isso conhecida como “Círculo do Fogo do Pacífico”.
(B) O Nepal, país encaixado entre a Índia e a China, além de estar sobre algumas das montanhas mais altas do mundo, sofreu em abril deste ano intenso terremoto, matando milhares de pessoas.
(C) A região turística dos Lagos, no Chile, sofreu sobremaneira com a erupção do vulcão Calbuco em abril, causando o cancelamento de vôos de cidades próximas tanto no Chile quanto na Argentina.
(D) O terremoto no Nepal e a erupção vulcânica no Chile são dois eventos geológicos localizados em regiões de atividade sísmica intensa, as quais se encontram nos limites de placas tectônicas.
11- Com cerca de 95.000 km2, Santa Catarina apresenta 6.248.436 habitantes de acordo com o IBGE/
2010. O estado é agraciado pelas condições naturais da sua terra, expressas na paisagem, nos sotaques e culturas.
Sobre o estado catarinense, todas as alternativas estão corretas, exceto a:
(A) A presença das serras Geral e do Mar e responsável pelas duas vertentes das bacias hidrográficas em Santa Catarina: a do Interior, onde encontramos a mata de Araucária e campos; e a do Atlântico, com rios que abastecem a maioria dos catarinenses.
(B) As cidades de Florianópolis e Balneário Comburiu são os principais destinos turísticos no verão catarinense e, no Vale do Itajaí- Açu, cidades como Blumenau, sede da famosa Oktoberfest, Brusque, da Fenarreco e Pomerode, tem na herança cultural dos imigrantes europeus a grande marca da região.
(C) A diferenciação de gênese entre o litoral e vales florestais da vertente do Atlântico e a do planalto catarinense produziu dois polos econômicos distintos em Santa Catarina: um metal-mecânico, tecnológico, moveleiro e naval no primeiro; e alimentício, vestuário, papel, cerâmico e carbonífero no segundo.
(D) A imigração europeia em Santa Catarina a partir do século XIX, ao se estabelecer em pequenas propriedades, promoveu a colonização dos vales fluviais e das áreas florestais, modificando as características naturais e imprimindo um dinamismo a região.
12- “...Veio, então, uma seca intensa e duradoura de 1877 a 1879, que resultou em trágica mortandade da região com estimativa de cerca de 500.000 óbitos. Foi a partir desse choque que atingiu a sociedade brasileira que começou uma busca de soluções estruturais (Campos & amp; Studart 1997). Foi nessa seca, que se atribui a Dom Pedro II a frase: “venderei a última pedra da minha coroa antes que um nordestino venha a morrer de fome”.
Fonte: Acessado em: 13/05/2015.
O texto aponta a região do Nordeste brasileiro.
Sobre essa região é correto afirmar, exceto:
(A) O rio São Francisco, através da transposição de suas águas, está no centro de uma polêmica provocada por um projeto de atendimento as áreas atingidas pelas secas, polêmica esta que existe porque há controvérsias sobre os impactos ambientais que pode provocar.
(B) A frase atribuída a D. Pedro II atingiu sucesso desejado a partir da regulamentação do uso da água pela Agencia Nacional de Águas (ANA), assegurando “a atual e as futuras gerações a necessária disponibilidade da água, em padrões de qualidade adequados”.
(C) A caatinga, típica do Polígono das Secas, é um bioma de clima semiárido, solo pouco profundo e pedregoso, com baixo índice pluviométrico e chuva mal distribuída, refletindo-se na vegetação com espécies xerófitas e rios temporários.
(D) O quadro de escassez e a utilização incorreta dos recursos hídricos aumentam a fragilidade da região conhecida como Polígono das Secas ao processo de desertificação.
13- O geógrafo Milton Santos, ao refletir sobre a atual globalização, chama atenção para a produção de um discurso único sobre o mundo em que vivemos denominado por ele de “o mundo tal como nos fazem vê-lo”.
Com base na reflexão do autor, todas as alternativas exemplificam a perspectiva de mundo apontada, “o mundo tal como nos fazem vê-lo”, exceto a:
(A) Na aldeia global vê-se a difusão instantânea de notícias, possibilitando que as pessoas tenham acesso ilimitado a informação e ao conhecimento crítico de questões cruciais de seu tempo.
(B) Na dinâmica geopolítica mundial, vê-se o fortalecimento do Estado para atender os reclamos das finanças e de outros grandes interesses internacionais.
(C) Com o processo de globalização, em função do progresso científico e técnico que lhe é característico, é como se o mundo se houvesse tornado para todos, ao alcance da mão.
(D) O encurtamento das distâncias possibilita um maior contato entre os povos, equacionando o problema das desigualdades locais.
14- O mapa abaixo representa os Domínios Morfoclimáticos do Brasil.
Considerando as características dos domínios morfoclimáticos e as informações fornecidas no mapa abaixo; é correto afirmar, exceto:
Fonte: AB'SABER, Aziz Nacib. Os Domínios de Natureza no Brasil: potencialidades paisagísticas. São Paulo: Atelie Editorial,2003. p. 32-33.
Disponível em http://www.geografiaparatodos.com.br/,. Acessado em 20/05/2015. (A) A desertificação é uma ameaça permanente em porções do Domínio da Caatinga, assinalado pelo no II. Neste domínio, o clima semiárido produz paisagem singular, marcada por grande escassez de chuvas e rios intermitentes.
(B) Encontrado desde o sul paulista ate o norte gaúcho, o Domínio das Araucárias, no III, ocupa uma área de 400.000 km2, abrangendo em seu território cidades importantes como Curitiba, Ponta Grossa, Lages, Caxias do Sul, Passo Fundo, Chapecó e Cascavel.
(C) Ocupando cerca da metade do território do estado do Rio Grande do Sul, o Domínio das Pradarias, apontado pelo no IV, vem se transformando em um imenso areal, com o desaparecimento da vegetação original.
(D) A capital do Brasil, Brasília, localiza-se inteiramente no Domínio de Mares de Morro, representado pelo no V, formado por uma sucessão de morros arredondados (relevo mamelonar), esculpidos sobre rochas cristalinas e revestidos originalmente por extensa cobertura florestal.
GABARITO
01 – C
02 – B
03 – B
04 – D
05 – A
06 – A
07 – C
08 – B
09 – D
10 – A
11 – C
12 – B
13 – B
14 – D
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