domingo, 1 de abril de 2012

CORRENTES OCEÂNICAS.


As grandes correntes marítimas influem sobre o clima, aumentam ou diminuem a temperatura costeira e as precipitações e podem auxiliar ou dificultar o trajeto dos navios.

Correntes marítimas são verdadeiros rios de água salgada e constituem um dos três principais tipos de movimentos oceânicos, juntamente com as ondas e as marés. As correntes são o único movimento do mar que determina o transporte de grandes massas de água até regiões muito afastadas de seu ponto de origem. Podem aparecer tanto junto aos litorais como em pleno oceano; podem ser pequenas e locais, de interesse apenas para uma área restrita, ou de grandes proporções, capazes de estabelecer trocas de água entre pontos distantes; podem ainda ser de superfície ou de profundidade. Neste último caso, sua trajetória é vertical, horizontal e, em certos casos, oblíqua. Como possuem salinidade, temperatura, densidade e, às vezes, até cor características, podem ser individualizadas. Sua velocidade e direção, em geral, variam durante o ano.

Dois grupos de forças podem ocasionar correntes marinhas. O primeiro abrange as forças que se originam no interior das águas oceânicas, devido a diferenças de temperatura, salinidade e, consequentemente, de densidade, o que implica diferenças de pressão. Quando, numa mesma profundidade a pressão é igual, o que raramente acontece, o líquido mantém-se estável. Se, ao contrário, houver diferenças de pressão ao longo de um mesmo nível, estabelece-se um declive e o deslocamento de massas de água. Devido ao movimento de rotação da Terra, esse deslocamento sofre um desvio que, no hemisfério norte, se faz para a direita e no hemisfério sul para a esquerda. Essas correntes são denominadas correntes de densidade.

O segundo grupo abrange forças como os ventos e a pressão atmosférica, que atuam sobre as águas, imprimindo-lhes movimentos. Os ventos, quando sopram numa mesma direção durante certo tempo, provocam deslocamento de águas e originam correntes. Estas, tal como as correntes de densidade, sofrem em mar profundo um desvio de 45o, para a direita no hemisfério norte e para a esquerda no hemisfério sul. A velocidade da corrente diminui gradativamente com a profundidade.

Para estudar a formação de correntes pela ação direta dos ventos, basta comparar a carta da repartição dos ventos com a das correntes marinhas. Aos ventos alísios correspondem as correntes equatoriais; aos ventos de oeste das regiões temperadas correspondem as correntes de leste; aos ventos violentos de oeste do oceano Antártico corresponde a deriva para leste.

Os ventos podem também criar correntes ao impelir águas que, ao se acumularem numa área do oceano, ocasionam desníveis locais e, conseqüentemente, a formação de correntes para restabelecer o equilíbrio. A pressão atmosférica age de modo semelhante: a alta pressão provoca o abaixamento do nível das águas; a baixa pressão tem efeito contrário. Tanto uma como outra provocam uma diferença de nível das águas e a consequente formação de correntes. As correntes originadas pelas diferenças de nível denominam-se correntes de descarga; as impulsionadas diretamente pelos ventos chamam-se de impulsão.

Os oceanógrafos distinguem dois tipos de correntes marinhas de superfície: as verdadeiras correntes ou streams, que têm aspecto de rios, são profundas e deslocam-se com uma velocidade de, pelo menos, 0,5 nó (nó = 1.852m) por hora; e correntes menos caracterizadas, chamadas derivas ou drifts, espécie de lençóis pouco profundos, que deslizam à superfície do oceano com velocidade inferior a 12 milhas marítimas por dia (milha marítima = 1.852m). A corrente que circunda a Antártica, no sentido oeste-leste, é excelente exemplo de deriva. A temperatura das streams e drifts permite distinguir dois grupos de correntes: as quentes e as frias.

As quentes provêm da região intertropical e penetram nas regiões temperadas e frias (exemplos são a corrente do golfo do México ou Gulf Stream e a corrente do Brasil); as frias podem originar-se nas altas latitudes, caso em que se dirigem para as regiões tropicais, ou nas grandes profundidades, ascendendo para a superfície (exemplos são a corrente do Peru e a do Labrador). Essa disposição da circulação oceânica, que estabelece trocas de água entre as regiões quentes e as frias, ajuda a manter o equilíbrio térmico do planeta.

No Atlântico há dois grandes circuitos de correntes marinhas superficiais: um ao norte e outro ao sul do equador. Em ambos, exercem papel primordial as correntes da região equatorial, onde a ação dos alísios de nordeste e de sudeste criam duas grandes correntes quentes: a equatorial do norte e a equatorial do sul, que transportam, da África para a América, grandes massas de água com temperatura aproximada de 25º C. Entre as duas desloca-se, de oeste para leste, uma contracorrente, que compensa a saída de águas da costa leste.

A corrente equatorial do norte nasce na altura das ilhas de Cabo Verde e é percebida nitidamente entre 5 e 10º de latitude norte. Dirige-se para oeste, reunindo-se, ao norte da América do Sul, à corrente quente das Guianas, que provém do hemisfério sul. A corrente resultante penetra no mar das Antilhas, atravessa os estreitos existentes entre o continente e as ilhas e adquire grande velocidade. Parte das águas dessa corrente escoa-se pelo sul das ilhas; pequena porção penetra no golfo do México e forma um turbilhão; e a maior parte dirige-se para o estreito entre Cuba e a Flórida, onde tem início a corrente do Golfo.

Dos vários ramos em que se divide a corrente do Golfo, destacam-se o setentrional e o meridional. O ramo meridional dirige-se para os Açores e a Espanha, envia turbilhões para o golfo de Gasconha e uma ramificação para o Mediterrâneo, através de Gibraltar. O ramo setentrional, que é o mais importante, por exercer grande influência sobre o clima do noroeste da Europa, transporta águas que são uma mistura das do Golfo e da corrente do Labrador. Dirige-se para o mar da Noruega e envia uma ramificação para o sul da Islândia. Em seu percurso, passa pelas ilhas Britânicas, pela costa da Noruega, penetra no mar de Barents e margeia o sudoeste do Svalbard (Spitzbergen), onde suas águas tépidas se misturam às frias e pouco salgadas da corrente da Groenlândia, que, vinda do norte, percorre o litoral dessa ilha. O ramo setentrional, quando penetra no mar da Noruega, tem temperatura de 8o C e, à saída, de 1o C. Essa soma considerável de calor perdido pela corrente incorpora-se, em grande parte, à atmosfera, o que explica o aquecimento das costas da Escandinávia, do mar de Barents e do litoral de Svalbard, com temperaturas mais elevadas do que as regiões da América do Norte situadas nessa latitude. Graças também à corrente do Golfo, Paris e Londres têm invernos mais moderados que o sul de Labrador, na mesma latitude. O circuito do Atlântico norte completa-se com a corrente das Canárias, que se dirige para o sul, acompanhando o norte africano. É uma corrente fria, por originar-se na subida de águas profundas e tem influência sobre o clima das costas do Marrocos.

A circulação superficial do Atlântico sul é mais simples que a do norte. Na região equatorial, nas proximidades da costa africana, tem origem a corrente equatorial do sul, que corre de leste para oeste e é percebida de 2 a 3º de latitude norte até 20º de latitude sul, entre a África e o Brasil. Sua velocidade, que é, no início, de 15 milhas por dia, aumenta em direção a oeste, chegando a atingir sessenta milhas. Chocando-se com o litoral do Nordeste brasileiro, bifurca-se: um ramo segue a costa das Guianas (corrente das Guianas); outro, corrente do Brasil, dirige-se para o sul, margeando a costa da América do Sul, com velocidade de vinte milhas por dia, até além do estuário do Prata. Empurrada pela corrente fria das Falklands ou Malvinas, que vem do sul, costeando a Argentina, encurva-se em direção à África, sob a ação dos ventos de oeste; margeando a costa africana, desloca-se a corrente da Benguela, que transporta para o norte águas muito frias (às vezes inferiores a 1,5º C), provenientes do oceano Antártico e da subida de águas. Influi sobre o clima das costas africanas, abaixando as temperaturas e tornando escassas as precipitações. À medida que a corrente avança em latitude, vai-se afastando da costa e desviando-se para oeste, até se confundir com a corrente equatorial do sul, completando o circuito do Atlântico sul. No litoral africano, é substituída pela corrente quente, proveniente do golfo de Guiné.

A circulação superficial das águas do Pacífico está intimamente relacionada com a circulação atmosférica e apresenta grandes semelhanças com as correntes do oceano Atlântico. Essas correntes formam dois grandes circuitos: um no hemisfério norte, com sentido horário, e outro no hemisfério sul, em direção contrária. Na região equatorial, as águas, sob a ação dos ventos alísios de nordeste e de sudeste, deslocam-se de leste para oeste formando a corrente equatorial e a equatorial do sul.

Separando as duas correntes quentes, corre de oeste para leste uma contracorrente, que nasce da acumulação de águas na região ocidental do oceano. O volume de águas transportado pela contracorrente é de 25 milhões de metros cúbicos por segundo, o que demonstra a grandiosidade das correntes do Pacífico.

A corrente mais importante do Pacífico é a Kuroshio ou corrente do Japão, equivalente ao Gulf stream do Atlântico norte. É uma corrente quente que, como a do Golfo, tem cor azul-escura, donde seu nome, que em japonês significa corrente negra. Transporta 25 milhões de metros cúbicos de água por segundo; sua velocidade, na altura da ilha de Formosa (Taiwan), é de dois nós e sua salinidade pouco elevada (34,5 por mil). A temperatura das águas de superfície é sujeita a grandes variações anuais: no inverno é de 13º C (ao largo da ilha de Hondo ou Nippon, no Japão) e no verão eleva-se a 25º C.

A Kuroshio nasce do desvio para norte e depois para nordeste das águas quentes da corrente equatorial do norte, em virtude da conformação do litoral oriental da Ásia. Apresenta-se bem individualizada de Formosa ao Japão; afastando-se, então, do litoral, encurva-se e toma a direção de nordeste e depois leste. Divide-se em vários ramos, destacando-se dois: o setentrional, que entra em contato com a corrente fria Oyashio, proveniente do mar de Bering, e transporta uma mistura de águas dessas duas correntes; e o principal, denominado por alguns autores corrente do Pacífico norte, que segue a direção oeste-leste, vai perdendo velocidade e acaba por se transformar numa corrente de deriva a deriva do Pacífico norte. Junto ao litoral da América do Norte, a 50o de latitude norte, a corrente de deriva dá origem a duas correntes: a das Aleutas, que se dirige para noroeste, margeia a América do Norte e vai até as Aleutas, para onde leva temperaturas mais suaves que as que se registram na Ásia, à mesma latitude; e a corrente da Califórnia, margeia a península do mesmo nome e desvia-se para sudoeste. É uma corrente fria, por originar-se da subida de águas profundas.

A mais importante das correntes do Pacífico sul é a corrente de Humboldt, ou do Peru, que margeia as costas da América do Sul, de Valdívia até o cabo Branco, com direção sul-norte. É mantida pela ação contínua dos ventos do sul e sudeste, que sopram nas costas da América do Sul, provocando uma diferença de nível nas águas do mar. A característica principal dessa corrente é a baixa temperatura (15 a 19º C), atribuída à subida de águas frias do fundo do oceano. Sua salinidade é fraca, e sua cor verde contrasta com o azul do restante das águas. Exerce influência marcante sobre o clima do norte do Chile e do sul do Peru: as baixas temperaturas das águas impedem as precipitações nessas áreas, tornando-as áridas. Às vezes, durante o verão, a corrente de Humboldt é interrompida, em seu trecho mais setentrional, por uma corrente que se dirige para o sul, costeando o Peru até 15º de latitude sul. Essa corrente (El Niño), faz desaparecer temporariamente as águas frias do litoral, e ocasiona fortes chuvas no Peru.

Nas proximidades do Equador, as águas da corrente de Humboldt desviam-se para oeste, misturando-se às da corrente equatorial do sul, que atravessa o Pacífico até a Ásia. Um ramo dessa corrente quente dirige-se para o sul, passa ao largo do litoral oriental da Austrália (corrente da Austrália) e vai reunir-se no sul do Pacífico à fria deriva antártica. No centro do Pacífico sul, existe um vasto movimento de turbilhão.

O oceano Índico possui, como o Atlântico e o Pacífico, duas correntes quentes na região equatorial, que se deslocam de leste para oeste e têm entre elas uma contracorrente. As águas da corrente equatorial do sul dirigem-se para a costa africana, entre o continente e a ilha de Madagascar, dando origem à corrente quente das Agulhas, que corre para o sul, com a velocidade de dois a cinco nós, indo incorporar-se às águas da corrente de deriva antártica. As águas dessa deriva, ao encontrar o litoral da Austrália, desviam-se para o norte, completam o circuito do Índico meridional e juntam-se à corrente equatorial do sul. Entre a corrente equatorial do sul, a das Agulhas e a deriva Antártica, ocorrem numerosos turbilhões.

O oceano Glacial Antártico apresenta uma circulação superficial original. Nele existe uma corrente que se desloca de oeste para leste, e constitui um anel em torno do continente Antártico - é a deriva da Antártica, que exerce papel importante no sul do Pacífico, Índico e Atlântico. É ocasionada pela ação dos ventos dominantes. Junto ao continente, uma contracorrente se desloca de leste para oeste.


2 comentários:

Anônimo disse...

gosto muito de seu blog

thau





gabril gianesini 7 ano B

Fabio Pereira disse...

Gostaria de saber a real velocidade da corrente da Guiana, na Bacia da Foz do amazonas, nos dias atuais. Alguém pode me ajudar, ou dizer onde posso encontrar tais informações a respeito desta região.